Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

segunda-feira, novembro 10, 2014

Só escrevi quando estava mal ou queria saltar em cima de uma rapariga nova. Hoje não sei o que tenho disse-me a astróloga que escrevesse.

I

O motivo é outro, não sei se deveria manter a estrutura.
Não se pode mudar tudo de uma vez, ou, mudando,
se o motivo não for o de sempre, não se deverá manter
ao menos alguma coisa do que antes se viveu.

Poderia ser mais cobarde e perder-me com os 30 canais
literalmente 30, talvez os mesmos do gajo do the wall,
mais umas horas mas já estou farto dessa merda
e das punhetas sucessivas na cama, no sofá ou no duche.
E em cada minuto pelos menos uns segundos perco a olhar
para o telemóvel que não me traz resposta de nenhum lado
e para mais de 4 enviei beijinhos, miminhos, carinhos
e taradices, para mais de 4, e sempre para a mesma pessoa.

DEvias aproveitar o isolamento para cresceres, para obteres
um maior entendimento da tua pessoa diz-me o mestre
e outros mestres que não o meu em forma de blá-blá-blás
e daquela merda do keep calm que aparentemente dá para tudo.

estou-me pouco fodendo para oresto, só penso snisto, fico obcecado
só queria estar calmo, no meu cantinho, como quando era pequenino
com um lego ou outro brinquedinho que não fosse o meu pirilau.

Estou a chorar.
estou quase a chorar.
Afinal não choro.

Alguém me distraiu no facebook.
continuou a distrair-me no facebook
vem o gajo da lavandaria do hotel
trazer-me o papel para recorrer à lavandaria.
volto para o facebook.
mais uns keep calm
mais uns gatinhos
perco o fio à meada desta coisa.

Antes escrevia frases pensadas, com alguma carga poética.
O mensageiro grego era o msn messanger. como se tornasse
conversas banais de um miúdo adolescente algo de significativo.
É tudo o mesmo mas já não tenho tempo para coisas "especiais"
e já nem me concentro num texto mais que uns meros segundos.

Estou a ficar burro
estou a ficar burro.

A outra sacana estupidificou-me.
Antes eu não era assim, ficava chateado e bazava
sabia lá o que eram as emoções. Tudo tinha lógica
e, não tendo lógica, não me tinha a mim.

A taróloga disse-me que faria parte do meu crescimento
vais passar de um lado mais racional para emocional
de um extremo ao outro, vais-te magoar, mas vais crescer.
A astróloga disse que agora eu ia ficar adulto.

Será que o burro o coração de manteiga
aquele que neste instante sou
aquele que me apercebo agora que sou
por milagre da natureza
por milagre da sua consciência

por conclusão
vai deixar cair ao chão
aquilo em que acredita?

bateram-me a portinha
é o meu prego e a coca-cola.

2º (segundo) - Novo

Não sei quantas vezes pedi
que fizesse de outra forma
aquilo que hoje da mesma fez
da que me pedir fez
vezes sem conta.

Nã,
tá dormente a língua.
tenho de voltar atrás
ao que fui
por mais carga
que o hoje tenha.

3º

Não consigo escrever
não consigo escrever
nada que me apazigúe.

Só queria chorar um bocadinho mas já nem a música lamechas me ajuda. O que se passa com a minah cabeça hoje? estou a entrar em parafuso, os cigarros já não me ajudam, só me enjoam. Estou-me a sentir sozinho como já não me sentia há anos.

Não sei o que fazer e está-me a custar tanto. Não tenho onde pintar. Não tenho um bar para além do deste hotel para ir beber um copo, não me consigo isolar. Não tenho vontade de me ir meter com desconhecidas. Não sei o que fazer.

Falta-me o talento que tanto idolatro nos outros que me inspiram. Sinto-o no meu corpo. Sinto a incapacidade de concretizar qualquer ideia. 

E logo agora que estava a chorar tinha de vir o gajo com a merda do prego que era para ser no  prato dentro de um pão e sem a coca-cola e sem a merda da coca-cola pela 10ªa vez e pela 10ª vez eu não gritei, nao barafustei fui um menino do caralho. o que se está a passar comigo? o que é desta vez?
Não se preocupa minimamente comigo, com os meus horários com o que combina comigo!!! CARALHO estou farto desta merda toda quero mudar isto tudo quero voltar atrás quero ser pequenino.

Porque é que me meti com aquela idiota que toda a gente via que me fazia mal ao cornos que me pos os cornos e que mos partiu. Magoei tanta boa gente, deixei tanta gente pelo caminho, meti-me feito parvo com gajas que nem sei o nome e para que? para ser um idiota destroçado num quarto de hotel do caralho, a receber como pessoas nunca hão -de receber na vida mas sem um bocado de alegria. Sem uma noçao de casa, sem uma partilha sem exigências.

Que Deus me perdoe que eu sei que elas nunca me hão-de perdoar, que Deus me acompanhe nas memórias que me envergonham, que Alguém exista para eu não me sentir sozinho. Foi tudo porque eu quis, eu estou no que eu decidi ter. MERDA sou um merdas.

Tinha vergonha de ser o menino da minha avó, da maria, de não ser como os outros mas como eu gostava de ser como eu era antes, na minha tristeza imaginada onde nada me faltava apesar das sacanices do meu pai. Cheguei ao ponto onde tinha vergonha de encarar quem sempre me amou, de perder dias com elas por causa de alguém que me magoava.

trouxeram-me a cola, limpei o rosto, tenho de fazer reboot.

Vou fumar um cigarro tou-me pouco fodendo para o que prometi.





segunda-feira, outubro 06, 2014

Acho que nunca teve uma título (encontrei-no num caderno antigo)

Já não conheço as a folhas, não escolho as palavras
do modo súbito de antes, já nem bebo
o mesmo por uma questão de preferência.
Escrevo ainda sem pensar no texto;
Desabafare é o motivo de tudo.

I

Os irlandeses falam de hitler, movidos pela indiferença
geográfica ou temporal. Hoje ninguém se arrepia;
as cinzas que existem são consequência do que fumamos,
Falam. Não conversam, sobre o sentido de um símbolo
Direito, sinistróide, ou com bolas a acompanhar.
Hoje, ou hoje em particular, já não existem segredos
todo o grafismo serve para vender.

Chove, o português que ia a sair hesita,
Fica a falar também. "Não vou conduzir, diz"
o sinistro agora é outro.

II

As irlandesas cocupam o balcão, por ofício
de um lado. Do outro por aparência, lê-se
Dédalo já se afogou, é não o [ ]
Falam agora com eles, eu observo. Não desenho
escrevo. Não aproveito a gramagem do papel
irrito-me agora que o sei, perde-se o tempo.
Metade do bar está vazio, é vespera da véspera de natal.
Pedem mais um copo, pedem outro. Folheia mais
e mais e mais outra página. O que farão amanhã?
Serão mais felizes que eu? Eu espero-a mais um vez
anseio por ouvi-la e nem há uma hora partiu.
Será que não escrevo por causa dela? Será?
Pinto mais agora que penso nisso. Será por não falar
tão bem português? Falam de casa agora.
Está na hora de ir.

III

Olá, é a vez do três, sou o 4º freguês
deste estabelecimento, o msmo que ficou
com mais vinte cêntimos que devia.
Não disse nada e fui na conversa
Irrito-me com outras coisas.
sou boa pessoa quanto tenho
paciência.

IV

A pintura assume uma posição preponderante no meu trabalho artístico simplesmente por causa da sua natureza individual. A vontade de criar expande-se a outros suportes mas todos eles necessitam de um apoio, colaborativo ou subordinado, que limita a sua espontaneidade; A escrita também partilha a natureza da pintura, a nível processual, mas o seu objectivo é ainda mais egoísta por ser maioritariametnte a forma escolhida para um desabafo, não a pratico, reajo com ela a qualquer infortúnio ou a uma inesperada tristeza.

Ultimamente tenho discutido com outros e pensado no significado de arte. Ao colocar a questão explicito que peço que me digam o que ela é e ninguém me responde afirmativamente, cometendo a conhecida falácia da negação. do pouco que percebi toda a arte exige uma lógica ou justificação, uma folha de sala. Nunca a fiz ou pensei antes da obra estar concluída, e quando a obra faço não mais penso que em me divertir, ou em criar algo que para mim tenha significado ou ressonância. Consome-me o receio e que nada do que faço seja considerado Arte, fico triste por eu que faço não saber responder a isto.

Continuo a fazer apesar de tudo; cada vez mais me apetece expandir para outros campos. Mais que pintar ou filmar corpos dirigi-los, assumir e ocupar o espaço com o que me consome e ocupa a cabeça. Mas quero partilhar este trabalho, não pode ser só meu. O telento tem  limites que tocam nos outros em meu redor e que me complementam. Quero fazer parte de um grupo, encontrei o que mais me faltava, ela que me inspira, que me aprova e critica e o facto de estarmos preparados um para o outro é o sinal que me faltava. Disse um ano. Que um ano era o tempo que faltava; está quase, mesmo quase e as pessoa começam a orbitar, o grupo está a reunir-se.


sexta-feira, outubro 03, 2014

Em joanesburgo, em áfrica, longe de casa, o pessoa e a VR são mais ou menos daqui.

Intro

Só sei se este texto vai ser um poema depois da primeira vez que eu carregar no botão "enter".
(enter)
(enter)
(enter)
(backspace)
não faz lógica poética ou simbólica, nem a didascália,
nem a alegoria que utilizei para começar este texto.
Infelizmente faz para a maioria. Faz para mim quando não penso.
Procuro significado não no que existe, muitas vezes,
tiro conclusões erradas do que tenho. Avalio tudo
o que mais importa com o menos importante.

Uma coisa é certa, escrever é como andar de bicicleta,
Não se esquece, mas, se pararmos uns anos, já não somos
capazes de fazer a montanha como uma prova.

I de quantos hão-de vir.

As pessoas que desenham pachachas com letras
têm graça, mas não sei se são poetas. A ASCII art
era uma forma de pornografia primitiva, a malta
masturbava-se com mamas feitas com cifrões e outros símbolos
comerciais. Tem a sua ironia.

O processo de criação terá sempre de ter um vazio,
ou um momento em que há-de transbordar.
A arte se existe tem de implicar um equilíbrio
entre o excesso e o nada. Poucos são aqueles
que passam por entre eles sempre,
e desses ainda menos são aqueles
que por um dos extremos nunca passaram.

II ao que o título se refere.

A primeira vez que conheci um Sul Africano, ele até
ficou meu amigo. Era um tipo diferente que parecia ousado
Tinha calças com padrões estampados e um ar mais punk.
Achei que devia vir de um sitio interessante, supreendeu-me mais
à medida que o fui conhecendo do que no dia em que vi
que não era preto. Era magrinho como eu e alto, os pais eram
moçambicanos originalmente. Tinhamos as raízes e porte semelhante
Algo que antes da república era claramente diferenciador.

Crescemos em sentidos diferentes. Foi ao ginásio e alargou.

Hoje estou em Johanesburgo. Estou na sala dentro da sala executiva
a sala para os executivos fumadores. Estou atrás de um vidro,
o que dá para a ralé que não chega a ter um C no cartão de embarque
ou um cartão dourado que se carrega por consumos de gasolina
diferenciados pelo tamanho da poltrona, e de um outro
dos que não vão implicar um custo tão elevado à Saúde pública.
As ruas daqui são limitadas por muralhas que encerram as casas
electrificadas para fora. As janelas dão para muros, os muros separam
os carros têm uma campaínha própria para deles não se sair
quem caminha tem ódio na cara, os que têm a cara lavada
simplesmente sem paredes não se veêm. Johanesburgo é um lounge
Johanesburgo é um lounge onde se dá dinheiro a alguém que limpa retretes.

O meu amigo não era livre. Não foi a sua vida que me inspirou.

Não foi a sua vida que me fez escrever melhor.

Quando a V. chegou, de acordo com ela, é que se sentiu livre.

Aquele em que concluo que afinal tudo estava ao contrário - III

Quem vive atrás de grades tem medo
de andar nas ruas, livre. Não cruza olhares
não sabe ver para além de um espelho
Feito de cimento e da consanguinidade
que um nível salarial premite.

Tinha medo o menino por antes medo ter tido.
Procurava um motivo porque antes os tinha
Deixava de querer ou forçava para evitar a rejeição.
(Cantado)
Ai que parvo,
Ai que parvo,
Ai que parvo é este miúdo
Ai que parvo
Ai que parvo
Ai que parvo
nunca há de ser graú ú du.

A verdade é que é linda,
acho que nunca me senti assim antes
e isso é estranho para o sistema
como deve ser comer algo pela primeira vez
e que depois ficamos com vontade de comer sempre.

Merda, soou mal

(Cantado)
Ai que parvo,
Ai que parvo,
Ai que parvo é este miúdo
Ai que parvo
Ai que parvo
Ai que parvo
nunca há de ser graú ú du.

Quando a vejo a escrever focada no ecrã do seu
pequenino laptop encarnado. A carregar letra a letra
com os indicadores no teclado a um ritmo lento
tão lento quanto a vida deve ser mesmo que pressa
tenha em levar a tarefa a cabo, normalmente sempre tarde
dá-me vontade de lhe emprestar o meu talento ansioso
de preencher qualquer documento electrónico em branco.
De lhe dar mais um momento de calma, de afecto.
Quando a vejo a escrever fico a vê-la
fico no sofá deitado feliz.





domingo, fevereiro 23, 2014

esta vai para a A.M. um presente de aniversário atrasado. Não porque quis; estava a 6 horas de distância.

volto a escrever-te caríssima desta vez me sai
por reflexo e noutra p'la memória que me criaste,
o medo da insignificância, de não servir. PArece-me,
ao menos que escrevo por um motivo distinto dos outros.
Ataco-me neste versos mais americanizados, básicos
se preferires que eu vá directo ao assunto, aparentemente
irrelevante face todos os tabús que ficaram por falar.

Exijo dela o que de mim não exige, por confiança,
ou outra merda qualquer mais simples que explica
porque nós, adultos, nunca deveríamos governar
o mundo que consumido só acaba por nos consumir.

Está longe como tu estiveste, como não soubeste estar.
Vejo-a com os cortes que uma largura de banda limitada
impõe a uma conversa que o meu pai não tinha quando estava
num oriente mais ou menos médio enquanto eu crescia.
Queixo-me por hábitos por parvos, por as conversas
as que tínhamos, serem intervalos de outras coisas
que fazias, eu não via, mas sentia no corpo que me doía
e eu vomitava.

Talvez agora vomite mais uma vez. O corpo sabe do que precisa.
Mais que a mente que o recalca, que por ter cú tem medo.

Agora que penso nisso é a posse que fode tudo. A vontade
ou o sonho se preferires de ter uma pessoa sempre a nosso lado.
Vejo-te com outro, noutro lado e só quero que sejas feliz
que tenhas tudo o que eu não te dei. Tenho-a e só penso
na minha infelicidade. Parvamente, sei-o; deu-se o mesmo contigo.
Entre reuniões, momento em que me distraía dizia a mim mesmo
que nunca havia gostado assim de alguém. Lengalengava para crer
Como quem reza para influenciar o mundo em coisas mais pequenas
que conflitos armados ou a fome em áfrica. Agora é de outra
a minha vontade. Escrevo para ti. Não quero ter o mesmo dela.

II

Hoje vi duas americanas boas.
Eram pessoas.
Não me interessa.
Ela espera,
beto ou não
por mim. 

sábado, fevereiro 15, 2014

no dia de são valentim acho que escreve sempre alguma idiotice.

As americanas não me dão tesão.
Não. Ainda não vi nenhuma não
que me arrebitasse a
picha.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

No Texas há cows, se literalmente traduzirmos, há bois que as comem. (propositadamente com erro ortográfico)

Parece-me que quando há motivos para registar o que me rodeia,
o que até é bom, é quando menos me esforço para o fazer. Não sei,
nem sei se deveria saber, mas também que importa, é só mais um dia.
Guardamos no papel sempre só o pior de nós, como se a sua eternidade
ou aquela que o papel permite eliminasse uma vergonha por lhe dar forma.

A maior parte das vezes que escrevi foi por motivos que me pesaram.
Também escrevi feliz, principalmente enquanto as seduzia, as conhecia,
criava o espaço que, mais cedo ou mais tarde - ou então nunca- viriam
a ocupar por mais ou menos tempo. A. M., L.B., A.P., R.R., LC, sei lá mais quê?
fico-me a  VR e persiste.

Mas depois parava como se tudo o que tivesse para dizer só a elas pertencesse.
Depois, noutro dia, tudo acabava. Escrevia mais uma vez. Era um ciclo dos
que só termina
quando de facto se termina
quando termina
termina.


sábado, janeiro 11, 2014

Back to business B2B or B2C, it does not matter.

I

Saí. Fazia frio mas não como no quarto.
Agora senti-me um pouco mais vivo. É tarde.
Tinha medo dos cães que não vinham. Tremia.
Se fosse de gritar, gritaria. Talvez alguém me ouvisse,
Só queria naquele instante ser ouvido.

A falta faz crescer alega a quem faltou,
olha para si mesmo; somos egoístas no sofrimento.
Só um Messias anula ciclos. Duvido
que muita gente tenha pensado nisto.
Insisto.
Duvido.

Não gritando sentei-me, já me tinha
ali perto antes sentado, de modo diferente
não estava chateado, ou melhor, triste.
Estava tão contente que até fiz uma pintura.

Não dura mais poesia para este.

II

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh [até se ficar sem ar]

Gritei, gritei baixinho
o meu grito é como o de ?
e rio, é dele e só ele me entende.
A poesia nada explica, pois descreve
é egoísta é ausente
é tudo o que já não está em nós
o então não e é o contrário

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh [até se ficar sem ar]

Merda Merda Merda
estou perdido
Fosse como os actores que passam cobertos
caracterizados sem nada desfeitos
saiem de cena bebem cerveja
fumam um cigarro e voltam
voltam para o texto que conhecem.
O único medo é dizer o não certo
mas o certo é só o que conhecem.

Aquele robe amarelo sobre um vestido
o vestido cobre uma menina A
mas a menina A faz de B
e o que B sente A não sente
e o que A sente terá de ser diferente.

Fosse eu próprio o robe de mim mesmo.
Guardasse em mim tudo como já foi [descrito]
soubesse o mundo só o que quero de mim.

Já não escrevia há tanto, conhecia-a
o que escrevia supôs dela.

III

Três homens falam. comunicam
ou tentam. Inventam desculpas, passa o tempo.
Medido a copos de Weissbeer.
Vou p´ro 3 cigarro.
Deixo na mesa tudo, não se interessam
Fumo devagar, não bebo.
Tenho medo; se penso
não quero pensar turvo.

IV

Se digo o que penso
sou atacado
Tenho medo
Fico calado
Cresce em mim tudo
devagarinho
num canto pequenino
fico assustado.

Estou exausto
já não escrevia há tanto
tanto tenho por dizer.
Dói-me o corpo do silêncio
do tormento que em mim vai.

NÂO CONSIGO ESTAR CALADO
ESTOU FARTO FARTO FARTO

Achava que agora era ouvido
sentia que o menino
já não devia ter medo de crescer
TENHO TANTO PARA DIZER
TANTO PARA DAR AO MUNDO

Ouve
(claramente enviesado)
está calado
fujo (ela não eu)

E choro e bato o pé e assusto
ainda mais do que antes
sou louco
diz que sou louco
que a moinha cabeça é má
Fecha-se
fico também fechado
é errado
é errado
dar ao mundo.

V - A besta surge

Endireito as costas devagar. Sai-me
um arroto profundo, esotérico, metafísico.
Movo uma omoplata, movo a outra
Mexo o pescoço debagarinho, Logo a seguir aos olhos
Rosno por entre os dentes que sorriem sarcásticos
Afasto com as mãos simbolicamente tudo
o que acumulei sobre a mesa (metáfora, metáfora)

Surge a beste de mim; chega ao fim
o sentimentalismo, o beicinho a docuçura
A esperança de que o mundo muda
de que tudo merece paciência.

NÂO POSSO ESPERAR MAIS DO QUE TENHO
NÃO POSSO DAR MAIS que o mínimo.

O mundo só quer e respeita o que atinge,
o que aprendi em casa só há na que herdámos
o que aprendi na escolinha é para ter pena dos pretos;
Tudo o que dei e fiz perdeu-se.
num canto, numa conversa, numa queca
numa simples partilha honesta
e no fim só chorei com culpa e porquês?

[chorrilho]
Porque é que dei tudo?
porque é que fui bom?
porque é que vi?
porque é que cresci?
Porque é que deixei tudo?

Já dizia a outra que tenho de ser um homem
e um homem é uma besta
não pensa, não partilha, não confia
fode a vizinha, a melhor amiga
e a putinha, a única que pode chupar a piça
não quer amor quer listagens
garagem p'ro carro, p'ro caralho
A solução para a queda capilar
um sistema de donativos para entrar
no céu depois da merda toda que fez.

E vêm de novo os porquês
o porquê eu? Porquê agora?
porquê porquê Porquê porquê.

Foda.se
que se foda tudo
O nosso mundo é só o nosso
Mais uma besta? Acho que posso.

VI - Epitáfio

Cresci triste no meu mundo
bebi tudo de fora tarde
a cidade por atropelamento
sempre me esteve limitada.

Não sentia para além das horas
em que eu sabia não ser ouvido
Fechava-me, corpo como um punho
Chorava abafado p'la almofada.

Manipulava todos em meu redor.
Fiz, sabendo a partida que daria,
que uma se aproximava.
Ensinou-me que poderiam gostar de mim
Assim ficticiamente. Depois dela
aprendi a abraçar, a ouvir
a dançar, a foder, a beijar
a fumar, a beber, a curtir
a deixar, até que um dia deixei-me ir.

Mostrei-me, aprendi a sofrer
a perder num emprego, numa responsabilidade
a ser deixado, enganado
manipulado também, no instante em que deixei
de ser a besta. Voltei a ser
Voltei a ter sem sentir que perdia
Até que veio o dia em que deixei de novo de ser.

estou a sofrer.

VII - Começa

Não baixes a cabeça, há actos
que só o público justifica. Esse, rapaz,
é um deles. Põe-no num canto teu;
Aquele em que só o que não importa existe.

Pensa, não te deixes levar pelas emoções
Usa-as e cresce, retém o que fizeste,
sente então ao mesmo tempo.

Não chores. pois mais sofres e
caso o faças que seja por ti.
Assume os teus actos, são teus
Aceita dos outros os que te interessam.

VIII - mais um que só é meu.

Em miúdo sentava-me à varanda a fumar cigarro, pensativo como a um miúdo se permite e muito antes de o alcool me inspirar. Nyunca fui muito de me abrir, mas nessas alturas tinha espasmos emocionais; exercitava talvez os meus limites. Olhando agora para esse temo apercebo-me que poucas vezes pensei no que deveras importava. Talvez a consciência surja depois de ler o J. GIL - ironicamente as entrevistas e não o corpo principal do texto.

Vivemos as emoções, os conflitos, os pequenos nadas que nada de radical poderão trazer à nossa vida, nada para além de pequenas conquistas, ou grandes distracções. Preocupava-me com questões banais e nunca comigo. Hoje pequeno adulto vejo que os meus problemas, que sei que existem, são tantos outros que não tratei, os mesmo que imponho, mesmo que inconscientemente, a quem me rodeia por gosto.

A mente cria relações causais entre os elementos que lhe são apresentados porque necessita de organizar o conteúdo, de uma justificação para sobreviver - ironicamente é quando ela está vazia, independentemente do estímulo, que nos sentimos mais vivos. Briguei, senti-me mal, li o medo de existir, em seguida a carta do hughes ao seu filho e da Plath, e depois deparo-me com os desalojados de Pemba e releio o discurso do Mujica na ONU; digamos que estou agitado, que o grito profundo de ontem me parece tão ridículo ao ponto de voltar a pensar em quando pensava quando me sentava numa varanda em S. Pedro do Estoril.

Agora estou numa cozinha a levar com o barulho de música de dança quando quero dormir. Peixe fumado em frente a ao lado pão preto. 10 anos mais velho num cenário tão mais pobre. Não fumo enquanto penso, engulo e digiro.

IX - Voltei às origens/ toma um soneto/ será que sei contar?

Soubesse eu tudo, acertaria sempre
pouco-ou-nada teríamos perdido,
neste instante estarias comigo.
Faria o que dizias, que se sente.

Mas só sei nada, e lá espremo a mente
aponto o dedo com certezas vingo
o medo tão pequeno que eu já sinto
que tudo é impossível sem que tente.

E o que era certo, se sentisse, está
à distância de um braço, mas não posso
nem um carinho que só nojo dá
nem tentar explicar mais um desgosto.

Consumo-me a pensar mas nao o mostro
e sinto o que se dá porque me mordo

X

Agora que penso nisto eu era mais feliz quando escrevia, e melhor percepcionava o mundo. Digeria, tudo era menos imediato, e também mais ecológico, dava menos merda ao mundo

quarta-feira, outubro 16, 2013

Deixei de esperar lentamente, percebo que nunca pedi nada, ou, tendo pedido, sempre foi pouco. De repente fui-me.

terça-feira, outubro 01, 2013

Tudo passa por gerir expectativas, por saber o que queremos ou que nada devemos querer. So havendo vontade é que ela se anula, só havendo esperança é que nos falham.

Esperei de novo, quis esperar mais, a partir de hoje vou esperar cada vez menos; nao de mim, dela.

sábado, maio 18, 2013

outro.

Batia uma punheta. pouco minutos depois
apareceu no facebook um vídeo
do casamento de uma que ficou pelo caminho.
da altura em que nelas não tocava. Evitava
confusões com homens que se casariam.

Desses que passaram por mim, pela minha vida,
que estudaram o eme bê à. Que foram para NY
Boston, chicago, paris e/ou singapura. poderia
eu talvez ter mais daquilo que tiveram. Talvez um dia
olhem para mim como a certeza das escolhas deles.
Talvez um dia olhe eu para eles com o mesmo olhar.
Não sei. Só vejo que as metas, as que a maioria assume
como as relevo, grande parte delas eles já passaram.
Aparentam ser felizes enquanto eu batia uma punheta
há pouco. numa casa só. com papel para pintar numa parede
que parece ser cada vez maior apesar de igualmente pequena.
Não passo da parede, não passo da parede, da parede
não passo não. mais que no tempo imposto acredito
que com tempo surge o necessário, o certo. Certo estou
que a maioria se faz o que faz ou fez o que fez obrigada
estava por acreditar em sonhos herdados. nenhum coitado
só consequências com formas bastantes distintas.

II

A forma conhece-se à partida, mas as formas distintas
apesar de a fôrma ser a mesma, só sendo vistas
é que se garante saber a sua existência.
Digamos que a ideia nunca será apreendida ou conhecida por completo,
temos pequenas noções. Sinto que pequenas noções tinha
até que ela pequenina, me surgiu à frente.
Era diferente, apesar da forma, variações subtis
faziam a diferença.

Começa-se talvez um momento que não culmine antes do
que se referiu no ponto I deste poema. Não me obrigo a nada
simplesmente tudo sabe a mais certo.

terça-feira, maio 07, 2013

Blanca, murcia, com V

I

O balcão está virado para a rua.
até hoje tive de entrar. Um inédito.
Mais um.


II 

Do passado perde-se o que deixa
De fazer sentido. Preserva-se o resto
O que se, pudermos, há de se repetir.

Esquece a merda, so limita o bom.
Nao tens de cair sempre que fazes o pino
Ou outra coisa qualquer que a alegoria
A que usei antes representa.
Somos cães amestrados pelo sino
Há frequência e há frequência sabemos
Isso se nao formos tontos; mas tontos
Somos todos desde que de alguém saímos.

"Nao facas isso, vais-te magoar
Como podes partir, vou chorar
Vais-me deixar? Nao quero que cresças
Essa pessoa é má para ti
Faz mas não assim
Deixa que eu ajudo"

E o mundo tem bArreiras verbais
Frases de betão armado
Trelas de suposto carinho

Quero estar sozinho! Porra.

Nunca deixei o carrinho que me empurrou
O mesmo que empurrou a minha irmã
O mesmo que os meus primos levou.
O que se travava em ruas inclinadas
Que levava a merenda por baixo
Que pouco a pouco deixou de nos servir.

Já anda ele já anda mas tem medo de cair.
O carrinho está ali está ao lado,
Temos de ter cuidado
Nao se pode machucar
Nao nao vais chorar
Vais dormir a andar
Empurrado pelo que te antecedeu.

Ate esta cerveja sabe a papa de aveia
E a cerveja é feita de malte e lúpulo
Como todo o mundo sabe nao sabe à primeira.


 Volto volto sempre a bater na mesma
Tecla de um piano desafinado pelo tempo
Pelo que mais ou menos vi.
Estou sentado num balcão virado
Para uma rua entre outras
Com nomes de pessoas
Que para a minha fronteira
Entre tantas outras
Nao importa.
A escola ao fundo ensina
Mas só parcialmente o mesmo.
Até a dor aqui há de ter outro som.
O herdado teve vitorias
Que foram as minhas derrotas
Aljubarrota para eles é uma vergonha
A música que toca para acalma-los incomoda
A minha pessoa que deveria ser como eles.

A manteiga nao tem sal
Chama-se manteiga na mesma.

Iiiiiiiiiiiiiiiiiiiii aaaaaaaaaaaa eeeeeeeeee ooooooooooo uuiuuuuuuuu
Até a tristeza é aberta

quarta-feira, fevereiro 13, 2013

0

Estavam 3 bebés, pelo menos,
a bordo. Não vou dormir nem ler
as palavras que fotografaste
para leituras aéreas,
pelo tom que se avizinha.
Desenho talvez com o punho irado
não sei, soa-me tudo a despedida
sei agora que custou.

I

Tve de desligar o móvel
foi a Lurdes que o pediu,
ao serviço de solar
o comandante do cabelo
encaracoladinho. Mull it?
sinceramente, não sei
Mas também não importa nada
somos pequenos para isso
focamos coisas mais óbvias
menos interessantes. 40.
falámos cerca de quarenta minutos
antes; apesar das regras
que nos impusemos.
juro que não o entendo
só medo que nos é
comum.

II

Deves ter tido algo como eu
tens o receio que estranhamente tive
até o ter reconhecido em ti.
Coisas pequenas que se somam
diria alguém que não eu
digo somente que se sentiram.

são horas de ir parva
ainda com a música foleira que te mandei.
Dá-me vontade de rir.
mas acho que tem a ver
contigo. os bebés já choram
queria tanto dormir, dormir.
mas não tenho paciência
não tenho tenho tenho
para o ruído dos outros.
se fossem meus ?
se fosse de alguém próximo?
claro que aturaria.
claro está que sim.
mas porra
são de pessoas das que 
nunca
nunca e insisto no nunca
(agora até faço cara má)
- de mauzão
rezingão -
nunca!
se deveriam ter reproduzido.

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Não te assustes
Não te peço calma
Que te irritas.
Não te mordo
O pescoço
A não ser por pedido.

Não fujas
Com os olhos.
Quer dizer
Foge
Até te gosto
De ver como miúda.

Enrosca-te
Pede o mimo
O carinho
Que te assusta
Luta
Se quiseres
C'oa vontade
A minha idade
O permite.

Manda-me embora
Nao agora
Conta até cinco.

Este menino
Cresceu
o que se deu

não medem
segundos

Esquecesse subitamente o trabalho.
Não se notasse a postura altiva,
A que a cobardia exige estrategicamente,
Fosse parte diferente, sentisse o sol,
Que no mundo bate docilmente
A badalada de um sino mudo.

Antes de haver relógio haveria tempo
para o atraso? Quem o mediria?
Quem chegasse primeiro teria
Sido do sono primeiro agitado.
Não por um iPhone medroso programado
Por nós coitados que também o somos.

Esquece o que antecedeu esta
Estrofe que parece velha demais
Para mim. Pensa no tempo que tive
Não o meças, vive-o. O sol batia-me
No rosto, não tinha força para o resto
De mim estar descoberto. Mas senti-o
No rosto, e pouco é nem sequer senti-lo..

Não ando. Corro. E quando ando
Atrapalho-me, rastejo portanto
por causa e consequência. Esforço
Exausto estou ou inconsciência,
a minha natureza agradece. A moral
Exige discernimento. Discernimento
Exige tudo aquilo que não tenho,
Velho que estou hoje. Percebo assim
Neste momento, que não se acumula
Idade que se sente. Vive-se somente
Por cansaço nosso é nosso o mundo.

Vrrrrrrrruuuuuuuum

Anseio tanto por sexta, que hoje
Até comi um prato vegetariano
P'ra barriga se acostumar
Ao que me hás-de de servir, ou
Se preferires, ao que havemos
de fazer nós dois na pausa
De um dia que conta porque
Permites tudo o que queremos.

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

Ao telefone. Noutra altura o "i'd rather" teria um with you.

Há invenções que nos agradam até ao dia
em que nos incomodam o corpo. Os ouvidos
fazem parte do meu corpo. da minha cabeça.
E o pescoço também me dói por estar torto.

No aeroplaine de Lisboa a Madrid, tentou este rapaz, entre sessões de trabalho contínuo, escrever coisas felizes

I

Memorizo por interesse
comum, as palavras de outro.
Por provocação que é
somente
vontade.

Tento não me esquecer
de palavras, a cadência,
por não ser minha
desconheço.
O referencial é novo.

Recomeço,
e estupor
não estranho o esforço

II

Movias-te entre conversas
do passado mais frio
que o futuro do regresso
a casa.

Sorrias, lembro-me eu
como há uns dias
voltaste por trocas
a sorrir.

III

Falta-me o hábito que permite
escrever textos, poemas, aparentemente
doces, dar ao mundo, ou só a ti,
o que por entre os dias, ainda poucos,
me dás. Noto, pelo menos, que pontuo.
Não sei o que isso quer dizer, mas
que importa? O propósito de tudo, esse
era outro. pelo menos o que escrevo
agora
é legível.

IV

Lentamente
foi lentamente
que surgiu. sem pressas;
a idade tem essa coisa
nalgumas pessoas.

Larga gestos infantis
lentamente
só lentamente
permitidos, com medo;
a vida tem essa coisa
nem tudo foi bom.

______________

mas sorri, sorri mais pequena,
do que quando pequena se fez.
Não alça a perna, não vês
a menina a querer ser grande.
Dá-me mais um sorriso pueril.
Afasta os olhos de mim com medo.
Deitemo-nos cedo, acorde-nos
o mimo, não o alarme ensurdecedor.
Esqueçamos o que dói o que fomos
pensemos no que nos fizeram esquecer.
e depois lentamente
só lentamente façamos o mesmo tudo
com a certeza que é bom o a que nos demos.

V

Se algum dia viajarmos
promete-me, por favor,
que não vamos discutir
se o leite ficou dentro
ou fora do frigorífico,
antes ou depois de chegarmos
ao destino.

Promete-me, por favor,
que uma surpresa meteorológica
não nos vai fazer descompor
um ao outro por escolha
errada de guarda roupa.

Promete-me por favor
que sorriremos, a não ser,
claro, por notícia triste,
ou que a viagem seja de luto.

Promete-me só, somente,
que saindo, é p'ra melhor.

____________________

[Se algum dia viajarmos
promete que é p'ra melhor]


sexta-feira, janeiro 25, 2013

Caiam sober to os livros
Que a estante parecia
Nao suportar, por regras
Nao gravitacionais
So minhas.

A abramovic, ou lá
Como se escreve
Era demasiado obvia
E os discos tinham um peso
De um passado presente.

Personagem
Esta em personagem
Lembra-me um título
Um mais do que outro.
Por menos que tenha sido
Lido bem com emoções
Sou melhor quando as tenho.

Nao caiam
Imagino que caiem
Nao por regras gravitacionais
Mas minhas
As mesmas que aproximam
Objectos. So planetas
Se sujeitam a regras
As mesmas que nos restringem.
Fingem que se podem explicar.

domingo, janeiro 13, 2013

O whisky ainda existe
Por menos que seja face
O copo de um shot que já foi
Ou foi [info], e vai.

Nao dura mais um sip
Um sip
Um Sip,
Dos que dura
Tanto como o plástico
Do meu
Cartão
Toda a noite ela espera
Espera que eu diga o que outro disse
Aquelas promessas vãs que asseguram
Nao mais que um futuro
Que sem coisas como esta nao existem.

Todos temos pequenos castelos
De areia colados a cuspo
Temos quase a certeza que tudo.
Seria melhor se fosse nosso