Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

I - Claramente o artista por demasiadas frentes ingenuamente se segrega

Claramente
por demasiadas frentes
ingenuamente
o artista se segrega
e leva,
com a preguiça na fronte
Cai
sem chegar a lado nenhum

II - aquele em que o motivo se explica

Pior que o cobarde,
o que nada faz
não promovendo da mãe o choro,
é o idiota que se dá
pondo na falha o esforço.
O bom será
pelo blazé enaltecido
o mau
esse terá
nele o motivo.

E como este poema só com duas correcções,
(reparem como me justifico)
tudo se faz
ou fez.

[ladaínha]

Estava no comboio
Sou expressionista
Estava bebedo
furioso febril
demente;
Escrevo para mim
para
mais
ninguém.

Faço tanta coisa ao mesmo tempo...

Faço
por fazer
tenho
medo
da crítica

III - Apresentação à laia de quem já se estrutura.

De nada me serviria pintar o bucólico;
quem no campo vive já não ama ovelhas,
quem não o conhece quer charters e pulseiras
de consumo ilimitado nas caraíbas.

Pilhamos o que somos em troca de salários
mínimos são os prazeres que nos guiam,
usufruídos numa percentagem contratada.

"Á minha esquerda no comboio para Lisboa
Dormem em linha 3 senhoras, cansadas.
Uma é zuca-asiática
Uma é velha, gasta 
- dá para ver pelas mãos
a outra é mulata"

são três da tarde e dormem;
são 3 e estão cansadas.
Á M.S. o primeiro, ironicamente, depois do outro que primeiro de todos foi.

I

Não me sais da cabeça e 
não me consigo
focar no exercício.
É em ti que penso,
logo esqueço
as naturezas mortas

II

Perdi o medo dos comboios e com ele
a vontade descontrolada de escrever,
riscar
uma folha de papel
com gritos que por falta de tomates nunca dei.

"É a moda dos smartphones". Distraiem
mais que um jornal; são companhias
até o que vem de Londres é instantâneo.

O de antes dói, é mastigado sem dentes
e com a idade sente-se
mais o esforço.

Agora que te escrevo, de novo
ritmo embalado estranho que não grito
A cenoura não é a aflição
um apontar de dedo feio
uma fúria promovida pela solidão.

Tentei desenhar-te 3 vezes
cortando a tendência naturalista imposta
olhei-te durante 40 minutos.
40 minutos
40 minutos
40 minutos

e por 40 minutos foste a casa
que nenhuma antes fora.

III

Acusava-me de, na poesia, não ser como a Sophia,
de o meu afecto não simbiótico, só sofrido;
de lançar carinho para depois promover ódio.

É fodido ter macacos na cabeça,
Nós que como nos dedos
são marcas de mossas.

Macacos
na
cabeça
merda na cabeça
Macacos.

O punho move-se por ela
é por ela que gritamos
é dela que vem o medo.

[cantado]
"O dioguinho
O de verdade,
vive num cantingo
e o outro Diogo
- não o dioguinho -
é o porteiro desse sítio
e não é nada simpático"

especialmente com quem deveria entrar

E gostava por cobardia de ter algo de mau para te escrever
e gostava que a caligrafia fosse agressiva
e gostava que os meus dedos sangrassem
e gostava que quem me visse agora tivesse medo.
por cobardia
por cobardia
por cobardia

Levei tanta porrada que já nem sei o que é
um afecto
um gesto
doce.

PORQUE É QUE QUANDO EM TI PENSO SORRIO?

[Imagem]

FICO COM CARA DE PARVO?
E PORQUE RAIO É QUE AO TEU LADO
PAREÇO UM PUTO DE QUINZE?

Chamo-te torniquete
,mas na verdade,
amorosamente,
só tentas estancar o que é mau.

Lidar contigo é uma recrutra
dos comandos
dos fuzileiros
dos goi
da mossad
e o tudo o mais do mundo
mas aturo
porque só te quero feliz.
.
.
.
.
.
Quando estamos juntos de repente faz sentido
o que sempre me incomodou
os sonhos e ambições que me foram carregados
deixar de ter o peso que lhes é comum
Não quero ser mais do que sou
foi só isso que me pediste
depois de me olhares nos olhos.
A falta de hábito infelizmente inibe-me
e por cobardia antecipo uma dor parva
tão parva porque é mínimo o esforço
e é-me tão facil querer-te e fazer-te feliz.
Nem a distância me incomoda,
nem o estranho que te rodeia
- deu-me a vida o estômago que conheces -
e que mal me fazes tu?

Cada encontro acarinho
cada despedida sorrio
cada dia sem te ver é menos um até que te vejo.
Estou tímido
não tenho jeito
para escrever coisas bonitas
não sou como a sophia
mas fazes-me estar mais perto dela.


terça-feira, janeiro 26, 2016

DCCCIII - No avião.

I

Tudo se resume a mais uma partida
para lado nenhum
ruída que está a casa
[mesquinhos] que são os encontros.

Voltei de longe para um vazio
que antes de o ser era a estrutura
de um futura a 3 partilhado.

Não tenho onde ir
Não tenho onde ficar
Não tenho vontade de nada
o sonho que havia já não é.

Nem punhetas bato do vazio.

II

As sanduíches da SATA são iguais às da TAP,
devem partilhar o mesmo forncedor.
É tudo uma questão de eficiência
ou simplesmente não há grande escolha.

Queria ser [],
alguma coisa sobre o amor
e aviões como quando eu tinha 200 poemas amor
não consigo,
tal como não consigo pintar.

Estou inerte.
Não o que quero com força
Até as quecas são casuísticas.

Não tenho vontades,
obrigo-me a tudo
Só acordo por fome
e embala-me somente o excesso de esforço.

PARA ONDE VOU?
PARA ONDE QUERO IR?
O QUE TENHO DE FAZER?
O QUE É QUE ACHO QUE FAÇO?
O QUE? O QUE? O QUE?

Só queria ir ter contigo ti nó ni.
Ter os teus braços, o teu jeito tosco
os teus sapatos e o teu pipi.

Ti
nó
tinó
ni.

E levo os cabrões dos escritores franceses,
aqueles que falam da alcova e do mijo
e só me apetece fazer essas coisas;
mijar-te em cima,
frenético movido pelo [sorrir] de não te ter,
de saber que não te tenho,
de saber que nunca vou saber se te terei.

Merda.
Observam-me os meus companheiros de bordo;
Respiro

cantado
Como ela me ensinou, como ela me ensinou
cantado ends

Não quero assustar ninguém
vou evitar expandir-me.
Alugo uma casa para isso
Tenho uma casa para fazer estas coisas impróprias
sentir de mais é de gente doente
sentir não é dos tempos de hoje
hoje é para meninos do milénio.
Aqueles que não sabem o que é contacto físico
Aqueles que não tiveram amigos na rua
aqueles que acham que a foda

- Desculpem-me vizinhos do lado
perdão -
é o que vêem nos filmes.

É mama falsa, é grito estúpido
é angulos que nem no chapitô concretizam.

Deviam ler,
Ao menos imaginariam.

O filme é tão concreto
e varia tão pouco
que é só o nojo
nada mais que o nojo
que pelo real se cria.

Será que o que aprendi também está errado?
Será que gostar de alguém ao ponto de dar tudo é mau?
Será que deveria ser egoísta?
Será?
Será?
Merda
Será?

Maria minha ama minha amiga
o que me deste existe noutra que não tu?
Agora que penso pouco me sucedeu que o comprove.
Quando eu não queria, havia uma certeza do seu lado.
quando do meu lado havia eram elas que me evitavam.
Azar talvez, talvez sorte; sonhei um dia o que tive.

Foi do cume que vi a ilha
da praia ou de angra não tive noção
de que a terra é por pedra marcada,
cada um sabe o que é seu.

Alguns por tudo aspiram
Talvez um dia tudo seja de um deles.

Escreves mais, bebesse e fumasse menos, ou pelo menos tentasse fazer tudo ao mesmo tempo.

I

Cheguei à 3ª com um baitalle no bolso,
um caderno em branco, que agora só preencho,
uma caneta verde que, p'lo esforço da foda vintegenária,
assumi ser preta. Estou cansado queria esquecer-me
dela e do que a antecedeu, só pus em causa o presente.

O livro distraiu-me nas idas rápidas à retrete,
consequência de um consumo sucessivo de hamburgueres,
com ou sem ovo mas sempre com bacon e queijo.

Pelo que percebi o francês gosta de escrever sobre fodas,
o prefácio explica que choru na altura o leitor.
Eu , do que li, percebi que pensei ou ouvi pior.

Provavelmente deveria tê-lo lido antes.

Bebo, fumo e escrevo numa esplanada antes do voo.
Regresso à casa que evito pelo que nela ainda ecoa
entre as paredes contra as quais algumas vezes a fodi.

Humilde, de humilde, agradeço estar nesta ilhota,
sem nada à volta, uma esplanada que me assegura um vício.

O meu amigo está casado e eu cansado estou;
revejo nele tudo o que já por duas vezes quis.

Penso, quando não me distraio, nas decisões tomadas,
certas até perceber que só foram um erro.

Fui mal ensinado, o egoísmo não faz parte de mim.

II

Sou movido pela necessidade constante da carga,
do meu iphone e do que carregado permite.
Nem o mar ao fundo me interessa,
contrariamente ao mestre o vento é-me mais que vento,
o que me rodeia não é nada se não o partilho.

III - (Desenho)

Disse-lhe que não a queria
(+) por perto
que não seria
( - ) do que tudo.

Assim parti.
Após um abraço;
o primeiro que me pediu.

IV - o que surge tem de valer só pelo que é, se é só nosso não é de mais ninguém como o HH

Escondo-me por detrás da ideia de ser (+),
que qualquer outro, não em força ou em génio,
não em altura, por mais que o seja,
nem em maneiras e isso é óbvio.

Fui marcado por algo que não sei.
Carrego uma verdade que nem a mim disse.
A que o mar ao fundo calmamente subverte,
e que a cerveja que o aquece afoga.

Penso nela, não sei onde está,
para além da minha carne já tão morta,
faminta de uma presença que já era certa.

Bastava ver-te que acordava de súbito,
agora tremo de não saber a consequência
o novo automatismo gerado pelo espaço
pela frieza que a chorar me pediste.

No teu covil deves reunir as presas,
coma segurança de um cronómetro teu.
Consumirás só quando precises;
Estarás num canto que tantas vezes mijaste,
meditarás nas tuas próprias tristezas.

Não te quero mais como antes, o ver está na arrecadação,
a que eu te iria ajudar a construir,
por mais que os meus dedos por reflexo te afagassem os cabelos,
que os meus braços te apertasses contra mim
buscando meu peito sentir o palpitar do teu pequeno coração.

Será que alguma vez a mim o abriste?
Como as tuas mãos que me tinham
como as tuas mãos que abertas me deixaram cair?

Antes de chorar preenche-me a certeza do que tenho,
do que tantas vezes por ti deixei
por o eu contigo não ser eu sermos nós.

Ele e ela disseram que sim, à frente de mim,
à frente dos seus, e ele, como ela, prometeu,
que um só para sempre haveriam de ser
independentemente  dos extremos que vivessem.

Chorei,
Chorei,
Chorei,
Chorei,
Chorei,
até que a aguardente subiu à cabeça,
um escorrega me lembrou que há mais no mundo,
e um baloiço deu ao whisky pernas.

A máscara que pus não foi de bicho,
não sou um actor sou um cobarde,
pus a máscara do homem que nunca fui.

A recruta? só quem me rodeia a fez.

E todos eles mais felizes que nós,
sem a nossa literatura, pintura, performance,
dança contemporânea e a merda de berlim,
dinheiro contado até ao final do mês
dinheiro contado até ao final da vida
Tudo mais pequeno que nós mas melhor!

A mesa apoia-me a cabeça,
a mesa suporta o caderno,
a mão carrega a caneta que escreve;
Tudo o que faço me fode a vista,
dá-me  cabo da postura
A cara só para quem vê serve.

V - sem qualquer intuito literário

Falasse o ratinho de amor que eu teria decorado aquele texto e para mais serviria do que dividir contas por entre os convivas, e fazer partilhas por entre irmãos que não se falam.

Hoje percebo que a base do meu processo de selecção de companheiras, independentemente da profundidade ou da memória, se baseia somente numa loucura comum, com graus distintos, em quem é objecto do meu desejo. O que motiva tal escolha, no meu entender, é o meu lado feminino que assume como troféu a capacidade de moldar o objecto do amor àquilo que assumo como ser bom, o que, no final, acaba por ser uma merda: abandono quem é deveras bom e foco-me num sono irrealizável de mudança.

Ninguém muda caralho, ninguém muda por ninguém.

Um dos meus lados poéticos - nunca lhe dei nome - escreveu um dia sobre isso, a mudança é um acto reflexo e normalmente motivada pela necessidade extrema. Eu dou carinho, não bato, e isso limita qualquer vontade de mudança.

Tristemente preciso de levar porrada para perceber isto. Ou mudo o que me atrai ou o aceito como é.

(DESENHO)

O dia em que o autor decidiu engordar ou mudar a sua postura em relação ao amor.

VI - Momento musical!

Todos os dias chegava a casa diferente
ela sorria pela surpresa, a possibilidade de partilha
muitas vezes vestia o que era meu.
Sentia-me aceite mais que pela burguesia que me fez
disse-me que era das coisas que mais gostava em mim.

não serviu
não deu
acabou um dia
(BiS ???)

Era dela o resultado de tudo o que fiz.
O respeito por quem poucos guardo
o tempo que só com ela não desperdicei
As inseguranças com quem ninguém partilho

não serviu
não deu
acabou um dia
(BiS ???)




DCCCI - ou se fossemos honestos este é antes do que era para a saudade, e quem sabe sabe que foi escrito na taberna.

I


E´me estranho escrever sem ter um destinatário,
um estada de fúria que só uma gaja me dá.
Tenho o afia cheio de aparas, dois cadernos,
para além deste, e cores variadas que não uso.

Penso numa sucessão de motivos que justifacariam
um chorrilho de insultos, desenhos com ela a arder,
para além dos que já disse e fiz. Não me servem.

Distraio-me com a gorda à porta da tasca,
publicita um laço rosa que
por ser rosa
é de uma causa feminista.

Na sapataria em frente acho que se juntam mais mulheres
de interesse.

Aqui
ao meu lado
juntavam-se
homens que escreviam.
Daqueles que perdiam tempo com causas republicanas.

Faço reset.

Antes delas eu acho que tinha mais interesse.

II - Quem se lembra da VCR?

terça-feira, setembro 29, 2015

à MP e aos três dias que fatalmente partilhámos

I

Escrevo-te,
Não ouso desenhar.te quando o teu rosto
Que sabes que tantas vezes muda
Ainda não sei de cor
E salteado é sempre melhor um poema.

Lembro-me de coisas tão pequenas
mas por si graves como o teu olhar compenetrado
Pensativo com a demasia que não permites que eu aponte.

O teu cheiro que hoje senti na rua
Aqui bem perto de minha casa
Aquela que sobe para a faculdade onde estudaste
Que me distraiu de um eléctrico
carregado de turista que o low-cost patrocina,

Mas que importa a viagem de outros?

Façamos uma pausa por ter utilizado uma imagem estúpida.

1
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9
10

Não escrevo por extenso para permitir a tua contagem
francófona por certo e que fará o texto mais rico.

Sinto-te
sim sinto
que estás bastante perto.

Ao ponto de escrever como
por eu ser honesto
um dia vais perceber que eu não escrevia.

Tinhas que dizer que eu escrevia bem
minha filha da mãe e com carinho to chamo
desfizes-te em segundos o que alguém
que não tu
me segredou aos berros aos ouvidos
[voz de alguém que sabe o que quer]

E fosse só isso.
Não me pediste que mudasse
que fosse mais velho
que assumisse o que me dás como certo
que esquecesse os meus medos
que te aceitasse.

não quero o personagem [voz de mulher honesta preocupada]

Só me pediste o que sou
e fizeste-me perguntar o que eu era.

Quando eu era pequeno ficava sentado a pensar no que queria
Apaixonei-me por alguém que nunca conheci
Nunca me vou esquecer por ser a primeira
Nem do seu rosto que vejo sempre nos seus cafés tardios.
Era tão pequena, mais do que imaginei.
Quanto tempo perdi com sonhos?

Ela gostava de outro diogo
o que eu durante o sono anulava,
Era digas o nome que a gente lhe dava
eu pouco me maribando chamava-lhe nomes.

Porque por um raio estou a sentir o que sinto
Escrevo honestamente caraças para alguém que mal conheço.
E rimo e faço-o com gosto. Este diogo
Não o outro mostra por segundos o que faz.

Zás
e não me apanhaste por trás
Dás-me a honestidade que pediste.

tenho medo de te mostrar este poema
como penso, como sinto
o que faço, o que digo
principalemente porque é um problema.

Rio-me.
Desta vez rio.
Tenho vergonha de te dar uma prova de amor.
Nenhuma antes leu o que escondo
o que em segredo se acumula.

Este é o meu octocentésimo primeiro poema
oito, zero e um,

Escrevo-te,
Não ouso desenhar.te quando o teu rosto
Que sabes que tantas vezes muda
Ainda não sei de cor
E salteado é sempre melhor um poema.

Lembro-me que me olhavas
que pensavas entre cada resposta
as perguntas essas eram recorrentes
rápidas, demasiado rápidas,
poro serem certas dificeis.

II

Foi o primeiro

de muitos.



domingo, agosto 16, 2015

0 - it all starts from scratch this boy who thought he would get married was just dumped by the woman who proposed

I 

Sempre tínhamos os Domingos para nós,
nos museus as entradas eram gratuitas,
sempre uma boa desculpa para passear um pouco,
Tu, a artista, infelizmente dependias dos apoios,
A tua vida exigia que fosses independente.

Acordo num quarto relativamente arrumado,
o mesmo que exigias. O dia não está mau
simplesmente já não há passeio. Tenho roupa
para estender, já não penso no que vestir
para ver o teu sorriso. Vou só ao minipreço
tenho de comprar panos do pó e pronto
vão-se as memórias que restam. As outras
estão num armazém em Alvalade.

II

O problema do amor, aquele que eu acho que sinto
e que até há bem pouco contigo se completava
é não-me permitir corromper que ainda me lembro
com o medo que nos pôs neste estado




segunda-feira, novembro 10, 2014

Só escrevi quando estava mal ou queria saltar em cima de uma rapariga nova. Hoje não sei o que tenho disse-me a astróloga que escrevesse.

I

O motivo é outro, não sei se deveria manter a estrutura.
Não se pode mudar tudo de uma vez, ou, mudando,
se o motivo não for o de sempre, não se deverá manter
ao menos alguma coisa do que antes se viveu.

Poderia ser mais cobarde e perder-me com os 30 canais
literalmente 30, talvez os mesmos do gajo do the wall,
mais umas horas mas já estou farto dessa merda
e das punhetas sucessivas na cama, no sofá ou no duche.
E em cada minuto pelos menos uns segundos perco a olhar
para o telemóvel que não me traz resposta de nenhum lado
e para mais de 4 enviei beijinhos, miminhos, carinhos
e taradices, para mais de 4, e sempre para a mesma pessoa.

DEvias aproveitar o isolamento para cresceres, para obteres
um maior entendimento da tua pessoa diz-me o mestre
e outros mestres que não o meu em forma de blá-blá-blás
e daquela merda do keep calm que aparentemente dá para tudo.

estou-me pouco fodendo para oresto, só penso snisto, fico obcecado
só queria estar calmo, no meu cantinho, como quando era pequenino
com um lego ou outro brinquedinho que não fosse o meu pirilau.

Estou a chorar.
estou quase a chorar.
Afinal não choro.

Alguém me distraiu no facebook.
continuou a distrair-me no facebook
vem o gajo da lavandaria do hotel
trazer-me o papel para recorrer à lavandaria.
volto para o facebook.
mais uns keep calm
mais uns gatinhos
perco o fio à meada desta coisa.

Antes escrevia frases pensadas, com alguma carga poética.
O mensageiro grego era o msn messanger. como se tornasse
conversas banais de um miúdo adolescente algo de significativo.
É tudo o mesmo mas já não tenho tempo para coisas "especiais"
e já nem me concentro num texto mais que uns meros segundos.

Estou a ficar burro
estou a ficar burro.

A outra sacana estupidificou-me.
Antes eu não era assim, ficava chateado e bazava
sabia lá o que eram as emoções. Tudo tinha lógica
e, não tendo lógica, não me tinha a mim.

A taróloga disse-me que faria parte do meu crescimento
vais passar de um lado mais racional para emocional
de um extremo ao outro, vais-te magoar, mas vais crescer.
A astróloga disse que agora eu ia ficar adulto.

Será que o burro o coração de manteiga
aquele que neste instante sou
aquele que me apercebo agora que sou
por milagre da natureza
por milagre da sua consciência

por conclusão
vai deixar cair ao chão
aquilo em que acredita?

bateram-me a portinha
é o meu prego e a coca-cola.

2º (segundo) - Novo

Não sei quantas vezes pedi
que fizesse de outra forma
aquilo que hoje da mesma fez
da que me pedir fez
vezes sem conta.

Nã,
tá dormente a língua.
tenho de voltar atrás
ao que fui
por mais carga
que o hoje tenha.

3º

Não consigo escrever
não consigo escrever
nada que me apazigúe.

Só queria chorar um bocadinho mas já nem a música lamechas me ajuda. O que se passa com a minah cabeça hoje? estou a entrar em parafuso, os cigarros já não me ajudam, só me enjoam. Estou-me a sentir sozinho como já não me sentia há anos.

Não sei o que fazer e está-me a custar tanto. Não tenho onde pintar. Não tenho um bar para além do deste hotel para ir beber um copo, não me consigo isolar. Não tenho vontade de me ir meter com desconhecidas. Não sei o que fazer.

Falta-me o talento que tanto idolatro nos outros que me inspiram. Sinto-o no meu corpo. Sinto a incapacidade de concretizar qualquer ideia. 

E logo agora que estava a chorar tinha de vir o gajo com a merda do prego que era para ser no  prato dentro de um pão e sem a coca-cola e sem a merda da coca-cola pela 10ªa vez e pela 10ª vez eu não gritei, nao barafustei fui um menino do caralho. o que se está a passar comigo? o que é desta vez?
Não se preocupa minimamente comigo, com os meus horários com o que combina comigo!!! CARALHO estou farto desta merda toda quero mudar isto tudo quero voltar atrás quero ser pequenino.

Porque é que me meti com aquela idiota que toda a gente via que me fazia mal ao cornos que me pos os cornos e que mos partiu. Magoei tanta boa gente, deixei tanta gente pelo caminho, meti-me feito parvo com gajas que nem sei o nome e para que? para ser um idiota destroçado num quarto de hotel do caralho, a receber como pessoas nunca hão -de receber na vida mas sem um bocado de alegria. Sem uma noçao de casa, sem uma partilha sem exigências.

Que Deus me perdoe que eu sei que elas nunca me hão-de perdoar, que Deus me acompanhe nas memórias que me envergonham, que Alguém exista para eu não me sentir sozinho. Foi tudo porque eu quis, eu estou no que eu decidi ter. MERDA sou um merdas.

Tinha vergonha de ser o menino da minha avó, da maria, de não ser como os outros mas como eu gostava de ser como eu era antes, na minha tristeza imaginada onde nada me faltava apesar das sacanices do meu pai. Cheguei ao ponto onde tinha vergonha de encarar quem sempre me amou, de perder dias com elas por causa de alguém que me magoava.

trouxeram-me a cola, limpei o rosto, tenho de fazer reboot.

Vou fumar um cigarro tou-me pouco fodendo para o que prometi.





segunda-feira, outubro 06, 2014

Acho que nunca teve uma título (encontrei-no num caderno antigo)

Já não conheço as a folhas, não escolho as palavras
do modo súbito de antes, já nem bebo
o mesmo por uma questão de preferência.
Escrevo ainda sem pensar no texto;
Desabafare é o motivo de tudo.

I

Os irlandeses falam de hitler, movidos pela indiferença
geográfica ou temporal. Hoje ninguém se arrepia;
as cinzas que existem são consequência do que fumamos,
Falam. Não conversam, sobre o sentido de um símbolo
Direito, sinistróide, ou com bolas a acompanhar.
Hoje, ou hoje em particular, já não existem segredos
todo o grafismo serve para vender.

Chove, o português que ia a sair hesita,
Fica a falar também. "Não vou conduzir, diz"
o sinistro agora é outro.

II

As irlandesas cocupam o balcão, por ofício
de um lado. Do outro por aparência, lê-se
Dédalo já se afogou, é não o [ ]
Falam agora com eles, eu observo. Não desenho
escrevo. Não aproveito a gramagem do papel
irrito-me agora que o sei, perde-se o tempo.
Metade do bar está vazio, é vespera da véspera de natal.
Pedem mais um copo, pedem outro. Folheia mais
e mais e mais outra página. O que farão amanhã?
Serão mais felizes que eu? Eu espero-a mais um vez
anseio por ouvi-la e nem há uma hora partiu.
Será que não escrevo por causa dela? Será?
Pinto mais agora que penso nisso. Será por não falar
tão bem português? Falam de casa agora.
Está na hora de ir.

III

Olá, é a vez do três, sou o 4º freguês
deste estabelecimento, o msmo que ficou
com mais vinte cêntimos que devia.
Não disse nada e fui na conversa
Irrito-me com outras coisas.
sou boa pessoa quanto tenho
paciência.

IV

A pintura assume uma posição preponderante no meu trabalho artístico simplesmente por causa da sua natureza individual. A vontade de criar expande-se a outros suportes mas todos eles necessitam de um apoio, colaborativo ou subordinado, que limita a sua espontaneidade; A escrita também partilha a natureza da pintura, a nível processual, mas o seu objectivo é ainda mais egoísta por ser maioritariametnte a forma escolhida para um desabafo, não a pratico, reajo com ela a qualquer infortúnio ou a uma inesperada tristeza.

Ultimamente tenho discutido com outros e pensado no significado de arte. Ao colocar a questão explicito que peço que me digam o que ela é e ninguém me responde afirmativamente, cometendo a conhecida falácia da negação. do pouco que percebi toda a arte exige uma lógica ou justificação, uma folha de sala. Nunca a fiz ou pensei antes da obra estar concluída, e quando a obra faço não mais penso que em me divertir, ou em criar algo que para mim tenha significado ou ressonância. Consome-me o receio e que nada do que faço seja considerado Arte, fico triste por eu que faço não saber responder a isto.

Continuo a fazer apesar de tudo; cada vez mais me apetece expandir para outros campos. Mais que pintar ou filmar corpos dirigi-los, assumir e ocupar o espaço com o que me consome e ocupa a cabeça. Mas quero partilhar este trabalho, não pode ser só meu. O telento tem  limites que tocam nos outros em meu redor e que me complementam. Quero fazer parte de um grupo, encontrei o que mais me faltava, ela que me inspira, que me aprova e critica e o facto de estarmos preparados um para o outro é o sinal que me faltava. Disse um ano. Que um ano era o tempo que faltava; está quase, mesmo quase e as pessoa começam a orbitar, o grupo está a reunir-se.


sexta-feira, outubro 03, 2014

Em joanesburgo, em áfrica, longe de casa, o pessoa e a VR são mais ou menos daqui.

Intro

Só sei se este texto vai ser um poema depois da primeira vez que eu carregar no botão "enter".
(enter)
(enter)
(enter)
(backspace)
não faz lógica poética ou simbólica, nem a didascália,
nem a alegoria que utilizei para começar este texto.
Infelizmente faz para a maioria. Faz para mim quando não penso.
Procuro significado não no que existe, muitas vezes,
tiro conclusões erradas do que tenho. Avalio tudo
o que mais importa com o menos importante.

Uma coisa é certa, escrever é como andar de bicicleta,
Não se esquece, mas, se pararmos uns anos, já não somos
capazes de fazer a montanha como uma prova.

I de quantos hão-de vir.

As pessoas que desenham pachachas com letras
têm graça, mas não sei se são poetas. A ASCII art
era uma forma de pornografia primitiva, a malta
masturbava-se com mamas feitas com cifrões e outros símbolos
comerciais. Tem a sua ironia.

O processo de criação terá sempre de ter um vazio,
ou um momento em que há-de transbordar.
A arte se existe tem de implicar um equilíbrio
entre o excesso e o nada. Poucos são aqueles
que passam por entre eles sempre,
e desses ainda menos são aqueles
que por um dos extremos nunca passaram.

II ao que o título se refere.

A primeira vez que conheci um Sul Africano, ele até
ficou meu amigo. Era um tipo diferente que parecia ousado
Tinha calças com padrões estampados e um ar mais punk.
Achei que devia vir de um sitio interessante, supreendeu-me mais
à medida que o fui conhecendo do que no dia em que vi
que não era preto. Era magrinho como eu e alto, os pais eram
moçambicanos originalmente. Tinhamos as raízes e porte semelhante
Algo que antes da república era claramente diferenciador.

Crescemos em sentidos diferentes. Foi ao ginásio e alargou.

Hoje estou em Johanesburgo. Estou na sala dentro da sala executiva
a sala para os executivos fumadores. Estou atrás de um vidro,
o que dá para a ralé que não chega a ter um C no cartão de embarque
ou um cartão dourado que se carrega por consumos de gasolina
diferenciados pelo tamanho da poltrona, e de um outro
dos que não vão implicar um custo tão elevado à Saúde pública.
As ruas daqui são limitadas por muralhas que encerram as casas
electrificadas para fora. As janelas dão para muros, os muros separam
os carros têm uma campaínha própria para deles não se sair
quem caminha tem ódio na cara, os que têm a cara lavada
simplesmente sem paredes não se veêm. Johanesburgo é um lounge
Johanesburgo é um lounge onde se dá dinheiro a alguém que limpa retretes.

O meu amigo não era livre. Não foi a sua vida que me inspirou.

Não foi a sua vida que me fez escrever melhor.

Quando a V. chegou, de acordo com ela, é que se sentiu livre.

Aquele em que concluo que afinal tudo estava ao contrário - III

Quem vive atrás de grades tem medo
de andar nas ruas, livre. Não cruza olhares
não sabe ver para além de um espelho
Feito de cimento e da consanguinidade
que um nível salarial premite.

Tinha medo o menino por antes medo ter tido.
Procurava um motivo porque antes os tinha
Deixava de querer ou forçava para evitar a rejeição.
(Cantado)
Ai que parvo,
Ai que parvo,
Ai que parvo é este miúdo
Ai que parvo
Ai que parvo
Ai que parvo
nunca há de ser graú ú du.

A verdade é que é linda,
acho que nunca me senti assim antes
e isso é estranho para o sistema
como deve ser comer algo pela primeira vez
e que depois ficamos com vontade de comer sempre.

Merda, soou mal

(Cantado)
Ai que parvo,
Ai que parvo,
Ai que parvo é este miúdo
Ai que parvo
Ai que parvo
Ai que parvo
nunca há de ser graú ú du.

Quando a vejo a escrever focada no ecrã do seu
pequenino laptop encarnado. A carregar letra a letra
com os indicadores no teclado a um ritmo lento
tão lento quanto a vida deve ser mesmo que pressa
tenha em levar a tarefa a cabo, normalmente sempre tarde
dá-me vontade de lhe emprestar o meu talento ansioso
de preencher qualquer documento electrónico em branco.
De lhe dar mais um momento de calma, de afecto.
Quando a vejo a escrever fico a vê-la
fico no sofá deitado feliz.





domingo, fevereiro 23, 2014

esta vai para a A.M. um presente de aniversário atrasado. Não porque quis; estava a 6 horas de distância.

volto a escrever-te caríssima desta vez me sai
por reflexo e noutra p'la memória que me criaste,
o medo da insignificância, de não servir. PArece-me,
ao menos que escrevo por um motivo distinto dos outros.
Ataco-me neste versos mais americanizados, básicos
se preferires que eu vá directo ao assunto, aparentemente
irrelevante face todos os tabús que ficaram por falar.

Exijo dela o que de mim não exige, por confiança,
ou outra merda qualquer mais simples que explica
porque nós, adultos, nunca deveríamos governar
o mundo que consumido só acaba por nos consumir.

Está longe como tu estiveste, como não soubeste estar.
Vejo-a com os cortes que uma largura de banda limitada
impõe a uma conversa que o meu pai não tinha quando estava
num oriente mais ou menos médio enquanto eu crescia.
Queixo-me por hábitos por parvos, por as conversas
as que tínhamos, serem intervalos de outras coisas
que fazias, eu não via, mas sentia no corpo que me doía
e eu vomitava.

Talvez agora vomite mais uma vez. O corpo sabe do que precisa.
Mais que a mente que o recalca, que por ter cú tem medo.

Agora que penso nisso é a posse que fode tudo. A vontade
ou o sonho se preferires de ter uma pessoa sempre a nosso lado.
Vejo-te com outro, noutro lado e só quero que sejas feliz
que tenhas tudo o que eu não te dei. Tenho-a e só penso
na minha infelicidade. Parvamente, sei-o; deu-se o mesmo contigo.
Entre reuniões, momento em que me distraía dizia a mim mesmo
que nunca havia gostado assim de alguém. Lengalengava para crer
Como quem reza para influenciar o mundo em coisas mais pequenas
que conflitos armados ou a fome em áfrica. Agora é de outra
a minha vontade. Escrevo para ti. Não quero ter o mesmo dela.

II

Hoje vi duas americanas boas.
Eram pessoas.
Não me interessa.
Ela espera,
beto ou não
por mim. 

sábado, fevereiro 15, 2014

no dia de são valentim acho que escreve sempre alguma idiotice.

As americanas não me dão tesão.
Não. Ainda não vi nenhuma não
que me arrebitasse a
picha.

quarta-feira, fevereiro 12, 2014

No Texas há cows, se literalmente traduzirmos, há bois que as comem. (propositadamente com erro ortográfico)

Parece-me que quando há motivos para registar o que me rodeia,
o que até é bom, é quando menos me esforço para o fazer. Não sei,
nem sei se deveria saber, mas também que importa, é só mais um dia.
Guardamos no papel sempre só o pior de nós, como se a sua eternidade
ou aquela que o papel permite eliminasse uma vergonha por lhe dar forma.

A maior parte das vezes que escrevi foi por motivos que me pesaram.
Também escrevi feliz, principalmente enquanto as seduzia, as conhecia,
criava o espaço que, mais cedo ou mais tarde - ou então nunca- viriam
a ocupar por mais ou menos tempo. A. M., L.B., A.P., R.R., LC, sei lá mais quê?
fico-me a  VR e persiste.

Mas depois parava como se tudo o que tivesse para dizer só a elas pertencesse.
Depois, noutro dia, tudo acabava. Escrevia mais uma vez. Era um ciclo dos
que só termina
quando de facto se termina
quando termina
termina.


sábado, janeiro 11, 2014

Back to business B2B or B2C, it does not matter.

I

Saí. Fazia frio mas não como no quarto.
Agora senti-me um pouco mais vivo. É tarde.
Tinha medo dos cães que não vinham. Tremia.
Se fosse de gritar, gritaria. Talvez alguém me ouvisse,
Só queria naquele instante ser ouvido.

A falta faz crescer alega a quem faltou,
olha para si mesmo; somos egoístas no sofrimento.
Só um Messias anula ciclos. Duvido
que muita gente tenha pensado nisto.
Insisto.
Duvido.

Não gritando sentei-me, já me tinha
ali perto antes sentado, de modo diferente
não estava chateado, ou melhor, triste.
Estava tão contente que até fiz uma pintura.

Não dura mais poesia para este.

II

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh [até se ficar sem ar]

Gritei, gritei baixinho
o meu grito é como o de ?
e rio, é dele e só ele me entende.
A poesia nada explica, pois descreve
é egoísta é ausente
é tudo o que já não está em nós
o então não e é o contrário

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh [até se ficar sem ar]

Merda Merda Merda
estou perdido
Fosse como os actores que passam cobertos
caracterizados sem nada desfeitos
saiem de cena bebem cerveja
fumam um cigarro e voltam
voltam para o texto que conhecem.
O único medo é dizer o não certo
mas o certo é só o que conhecem.

Aquele robe amarelo sobre um vestido
o vestido cobre uma menina A
mas a menina A faz de B
e o que B sente A não sente
e o que A sente terá de ser diferente.

Fosse eu próprio o robe de mim mesmo.
Guardasse em mim tudo como já foi [descrito]
soubesse o mundo só o que quero de mim.

Já não escrevia há tanto, conhecia-a
o que escrevia supôs dela.

III

Três homens falam. comunicam
ou tentam. Inventam desculpas, passa o tempo.
Medido a copos de Weissbeer.
Vou p´ro 3 cigarro.
Deixo na mesa tudo, não se interessam
Fumo devagar, não bebo.
Tenho medo; se penso
não quero pensar turvo.

IV

Se digo o que penso
sou atacado
Tenho medo
Fico calado
Cresce em mim tudo
devagarinho
num canto pequenino
fico assustado.

Estou exausto
já não escrevia há tanto
tanto tenho por dizer.
Dói-me o corpo do silêncio
do tormento que em mim vai.

NÂO CONSIGO ESTAR CALADO
ESTOU FARTO FARTO FARTO

Achava que agora era ouvido
sentia que o menino
já não devia ter medo de crescer
TENHO TANTO PARA DIZER
TANTO PARA DAR AO MUNDO

Ouve
(claramente enviesado)
está calado
fujo (ela não eu)

E choro e bato o pé e assusto
ainda mais do que antes
sou louco
diz que sou louco
que a moinha cabeça é má
Fecha-se
fico também fechado
é errado
é errado
dar ao mundo.

V - A besta surge

Endireito as costas devagar. Sai-me
um arroto profundo, esotérico, metafísico.
Movo uma omoplata, movo a outra
Mexo o pescoço debagarinho, Logo a seguir aos olhos
Rosno por entre os dentes que sorriem sarcásticos
Afasto com as mãos simbolicamente tudo
o que acumulei sobre a mesa (metáfora, metáfora)

Surge a beste de mim; chega ao fim
o sentimentalismo, o beicinho a docuçura
A esperança de que o mundo muda
de que tudo merece paciência.

NÂO POSSO ESPERAR MAIS DO QUE TENHO
NÃO POSSO DAR MAIS que o mínimo.

O mundo só quer e respeita o que atinge,
o que aprendi em casa só há na que herdámos
o que aprendi na escolinha é para ter pena dos pretos;
Tudo o que dei e fiz perdeu-se.
num canto, numa conversa, numa queca
numa simples partilha honesta
e no fim só chorei com culpa e porquês?

[chorrilho]
Porque é que dei tudo?
porque é que fui bom?
porque é que vi?
porque é que cresci?
Porque é que deixei tudo?

Já dizia a outra que tenho de ser um homem
e um homem é uma besta
não pensa, não partilha, não confia
fode a vizinha, a melhor amiga
e a putinha, a única que pode chupar a piça
não quer amor quer listagens
garagem p'ro carro, p'ro caralho
A solução para a queda capilar
um sistema de donativos para entrar
no céu depois da merda toda que fez.

E vêm de novo os porquês
o porquê eu? Porquê agora?
porquê porquê Porquê porquê.

Foda.se
que se foda tudo
O nosso mundo é só o nosso
Mais uma besta? Acho que posso.

VI - Epitáfio

Cresci triste no meu mundo
bebi tudo de fora tarde
a cidade por atropelamento
sempre me esteve limitada.

Não sentia para além das horas
em que eu sabia não ser ouvido
Fechava-me, corpo como um punho
Chorava abafado p'la almofada.

Manipulava todos em meu redor.
Fiz, sabendo a partida que daria,
que uma se aproximava.
Ensinou-me que poderiam gostar de mim
Assim ficticiamente. Depois dela
aprendi a abraçar, a ouvir
a dançar, a foder, a beijar
a fumar, a beber, a curtir
a deixar, até que um dia deixei-me ir.

Mostrei-me, aprendi a sofrer
a perder num emprego, numa responsabilidade
a ser deixado, enganado
manipulado também, no instante em que deixei
de ser a besta. Voltei a ser
Voltei a ter sem sentir que perdia
Até que veio o dia em que deixei de novo de ser.

estou a sofrer.

VII - Começa

Não baixes a cabeça, há actos
que só o público justifica. Esse, rapaz,
é um deles. Põe-no num canto teu;
Aquele em que só o que não importa existe.

Pensa, não te deixes levar pelas emoções
Usa-as e cresce, retém o que fizeste,
sente então ao mesmo tempo.

Não chores. pois mais sofres e
caso o faças que seja por ti.
Assume os teus actos, são teus
Aceita dos outros os que te interessam.

VIII - mais um que só é meu.

Em miúdo sentava-me à varanda a fumar cigarro, pensativo como a um miúdo se permite e muito antes de o alcool me inspirar. Nyunca fui muito de me abrir, mas nessas alturas tinha espasmos emocionais; exercitava talvez os meus limites. Olhando agora para esse temo apercebo-me que poucas vezes pensei no que deveras importava. Talvez a consciência surja depois de ler o J. GIL - ironicamente as entrevistas e não o corpo principal do texto.

Vivemos as emoções, os conflitos, os pequenos nadas que nada de radical poderão trazer à nossa vida, nada para além de pequenas conquistas, ou grandes distracções. Preocupava-me com questões banais e nunca comigo. Hoje pequeno adulto vejo que os meus problemas, que sei que existem, são tantos outros que não tratei, os mesmo que imponho, mesmo que inconscientemente, a quem me rodeia por gosto.

A mente cria relações causais entre os elementos que lhe são apresentados porque necessita de organizar o conteúdo, de uma justificação para sobreviver - ironicamente é quando ela está vazia, independentemente do estímulo, que nos sentimos mais vivos. Briguei, senti-me mal, li o medo de existir, em seguida a carta do hughes ao seu filho e da Plath, e depois deparo-me com os desalojados de Pemba e releio o discurso do Mujica na ONU; digamos que estou agitado, que o grito profundo de ontem me parece tão ridículo ao ponto de voltar a pensar em quando pensava quando me sentava numa varanda em S. Pedro do Estoril.

Agora estou numa cozinha a levar com o barulho de música de dança quando quero dormir. Peixe fumado em frente a ao lado pão preto. 10 anos mais velho num cenário tão mais pobre. Não fumo enquanto penso, engulo e digiro.

IX - Voltei às origens/ toma um soneto/ será que sei contar?

Soubesse eu tudo, acertaria sempre
pouco-ou-nada teríamos perdido,
neste instante estarias comigo.
Faria o que dizias, que se sente.

Mas só sei nada, e lá espremo a mente
aponto o dedo com certezas vingo
o medo tão pequeno que eu já sinto
que tudo é impossível sem que tente.

E o que era certo, se sentisse, está
à distância de um braço, mas não posso
nem um carinho que só nojo dá
nem tentar explicar mais um desgosto.

Consumo-me a pensar mas nao o mostro
e sinto o que se dá porque me mordo

X

Agora que penso nisto eu era mais feliz quando escrevia, e melhor percepcionava o mundo. Digeria, tudo era menos imediato, e também mais ecológico, dava menos merda ao mundo

quarta-feira, outubro 16, 2013

Deixei de esperar lentamente, percebo que nunca pedi nada, ou, tendo pedido, sempre foi pouco. De repente fui-me.

terça-feira, outubro 01, 2013

Tudo passa por gerir expectativas, por saber o que queremos ou que nada devemos querer. So havendo vontade é que ela se anula, só havendo esperança é que nos falham.

Esperei de novo, quis esperar mais, a partir de hoje vou esperar cada vez menos; nao de mim, dela.

sábado, maio 18, 2013

outro.

Batia uma punheta. pouco minutos depois
apareceu no facebook um vídeo
do casamento de uma que ficou pelo caminho.
da altura em que nelas não tocava. Evitava
confusões com homens que se casariam.

Desses que passaram por mim, pela minha vida,
que estudaram o eme bê à. Que foram para NY
Boston, chicago, paris e/ou singapura. poderia
eu talvez ter mais daquilo que tiveram. Talvez um dia
olhem para mim como a certeza das escolhas deles.
Talvez um dia olhe eu para eles com o mesmo olhar.
Não sei. Só vejo que as metas, as que a maioria assume
como as relevo, grande parte delas eles já passaram.
Aparentam ser felizes enquanto eu batia uma punheta
há pouco. numa casa só. com papel para pintar numa parede
que parece ser cada vez maior apesar de igualmente pequena.
Não passo da parede, não passo da parede, da parede
não passo não. mais que no tempo imposto acredito
que com tempo surge o necessário, o certo. Certo estou
que a maioria se faz o que faz ou fez o que fez obrigada
estava por acreditar em sonhos herdados. nenhum coitado
só consequências com formas bastantes distintas.

II

A forma conhece-se à partida, mas as formas distintas
apesar de a fôrma ser a mesma, só sendo vistas
é que se garante saber a sua existência.
Digamos que a ideia nunca será apreendida ou conhecida por completo,
temos pequenas noções. Sinto que pequenas noções tinha
até que ela pequenina, me surgiu à frente.
Era diferente, apesar da forma, variações subtis
faziam a diferença.

Começa-se talvez um momento que não culmine antes do
que se referiu no ponto I deste poema. Não me obrigo a nada
simplesmente tudo sabe a mais certo.

terça-feira, maio 07, 2013

Blanca, murcia, com V

I

O balcão está virado para a rua.
até hoje tive de entrar. Um inédito.
Mais um.


II 

Do passado perde-se o que deixa
De fazer sentido. Preserva-se o resto
O que se, pudermos, há de se repetir.

Esquece a merda, so limita o bom.
Nao tens de cair sempre que fazes o pino
Ou outra coisa qualquer que a alegoria
A que usei antes representa.
Somos cães amestrados pelo sino
Há frequência e há frequência sabemos
Isso se nao formos tontos; mas tontos
Somos todos desde que de alguém saímos.

"Nao facas isso, vais-te magoar
Como podes partir, vou chorar
Vais-me deixar? Nao quero que cresças
Essa pessoa é má para ti
Faz mas não assim
Deixa que eu ajudo"

E o mundo tem bArreiras verbais
Frases de betão armado
Trelas de suposto carinho

Quero estar sozinho! Porra.

Nunca deixei o carrinho que me empurrou
O mesmo que empurrou a minha irmã
O mesmo que os meus primos levou.
O que se travava em ruas inclinadas
Que levava a merenda por baixo
Que pouco a pouco deixou de nos servir.

Já anda ele já anda mas tem medo de cair.
O carrinho está ali está ao lado,
Temos de ter cuidado
Nao se pode machucar
Nao nao vais chorar
Vais dormir a andar
Empurrado pelo que te antecedeu.

Ate esta cerveja sabe a papa de aveia
E a cerveja é feita de malte e lúpulo
Como todo o mundo sabe nao sabe à primeira.


 Volto volto sempre a bater na mesma
Tecla de um piano desafinado pelo tempo
Pelo que mais ou menos vi.
Estou sentado num balcão virado
Para uma rua entre outras
Com nomes de pessoas
Que para a minha fronteira
Entre tantas outras
Nao importa.
A escola ao fundo ensina
Mas só parcialmente o mesmo.
Até a dor aqui há de ter outro som.
O herdado teve vitorias
Que foram as minhas derrotas
Aljubarrota para eles é uma vergonha
A música que toca para acalma-los incomoda
A minha pessoa que deveria ser como eles.

A manteiga nao tem sal
Chama-se manteiga na mesma.

Iiiiiiiiiiiiiiiiiiiii aaaaaaaaaaaa eeeeeeeeee ooooooooooo uuiuuuuuuuu
Até a tristeza é aberta