I
Memorizo por interesse
comum, as palavras de outro.
Por provocação que é
somente
vontade.
Tento não me esquecer
de palavras, a cadência,
por não ser minha
desconheço.
O referencial é novo.
Recomeço,
e estupor
não estranho o esforço
II
Movias-te entre conversas
do passado mais frio
que o futuro do regresso
a casa.
Sorrias, lembro-me eu
como há uns dias
voltaste por trocas
a sorrir.
III
Falta-me o hábito que permite
escrever textos, poemas, aparentemente
doces, dar ao mundo, ou só a ti,
o que por entre os dias, ainda poucos,
me dás. Noto, pelo menos, que pontuo.
Não sei o que isso quer dizer, mas
que importa? O propósito de tudo, esse
era outro. pelo menos o que escrevo
agora
é legível.
IV
Lentamente
foi lentamente
que surgiu. sem pressas;
a idade tem essa coisa
nalgumas pessoas.
Larga gestos infantis
lentamente
só lentamente
permitidos, com medo;
a vida tem essa coisa
nem tudo foi bom.
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mas sorri, sorri mais pequena,
do que quando pequena se fez.
Não alça a perna, não vês
a menina a querer ser grande.
Dá-me mais um sorriso pueril.
Afasta os olhos de mim com medo.
Deitemo-nos cedo, acorde-nos
o mimo, não o alarme ensurdecedor.
Esqueçamos o que dói o que fomos
pensemos no que nos fizeram esquecer.
e depois lentamente
só lentamente façamos o mesmo tudo
com a certeza que é bom o a que nos demos.
V
Se algum dia viajarmos
promete-me, por favor,
que não vamos discutir
se o leite ficou dentro
ou fora do frigorífico,
antes ou depois de chegarmos
ao destino.
Promete-me, por favor,
que uma surpresa meteorológica
não nos vai fazer descompor
um ao outro por escolha
errada de guarda roupa.
Promete-me por favor
que sorriremos, a não ser,
claro, por notícia triste,
ou que a viagem seja de luto.
Promete-me só, somente,
que saindo, é p'ra melhor.
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[Se algum dia viajarmos
promete que é p'ra melhor]