Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

segunda-feira, outubro 10, 2011

Epifania no taxi a caminho do trabalho.

Procurei sempre distinguir aquilo que crio daquilo que faço, para me alimentar, empurrado pelo sistema que critico mas que, por essa atitude existir, também acabava por se perpetuar comigo. De dia assumia o ar lavado e contornado por um nó de gravata cada vez mais perfeito, apesar de instintivo; de noite só a imaginação me limitava ou uma namorada que sofresse de homofobia ou de um gosto intransigente. O propósito era servido: quando cinzento estava só uma pessoa mais sensível era capaz de me ver como alguém fardado por obrigação, quando à paisana todos assumiam que algo de artístico sustentava o meu ser. Ou uma ou outra portanto nunca a sua intersecção.

Uma pessoa com quem dormia disse-me mais de uma vez que gostava desta minha dualidade à la Clark Kent; sinto hoje que foi das coisas que mais a fascinou e ajudou a promover uma cisão da minha personalidade entre estes dois extremos aparentes. Agora que já não durmo com ela, e existem vestígios cada vez menores da sua presença no que me rodeia, tenho vindo a pensar diariamente, no tópico deste texto também promovido pelo peso crescente de pessoas que tanto entendem do meu trabalho como da minha paixão criativa no meu quotidiano. Partindo de conversas bem argumentadas e do respeito claro que tenho pelo que me dizem sinto uma alteração clara na minha auto-avaliação.

A limitação de uma pessoa a uma determinada área e às perspectivas associadas à mesma reflectem-se na qualidade de uma obra/ vida, que por consequência terão de ser adjectivadas exactamente da mesma maneira. O sistema educacional não promove formas de pensar holísticas desde uma idade tenra e, caso a família não seja minimamente abastada, as alternativas extra-curriculares terão uma presença limitada no currículo de um futuro indivíduo e, consequentemente, tudo o que é considerado alternativo pela maioria, neste sistema instruída, sendo o alternativo cultural (música, teatro, cinema...), não fará parte dos interesses da massa para além do voyeurismo permitido pelos meios de comunicação e produções de fraca qualidade promotoras de sonhos consumistas.

Do sistema actual acabam por se manifestar dois extremos que indicam a separação entre a razão/ciência e a emoção/ciência social quase por inteiro; a primeira grande escolha individual sob o futuro de um indivíduo, aos 16 anos, implica que ele tenha de escolher entre a aprendizagem de uma sensibilidade artístistica, desde a sua história às distintas maneiras de a manifestar, e o desenvolvimento de uma lógica matemática e um conhecimento físico do funcionamento do mundo. O irónico deste tipo de pensamento é a sua contemporaniedade já que historicamente a cisão entre a ciência a e arte não era vista como um dado adquirido; no Renascimento era clara a sinergia que existia entre o que hoje é antagónico bem como os avanços que foram permitidos por estes sistemas que só hoje não são complementares; os estudos de geometria de Duhrer, os estudos anatómicos de Da Vinci, os estudos de materiais que cada pintor empreendeu para assegurar a sua posição numa corte que pagasse os seus serviços.

O pensamento toldado em categorias não intersectáveis também se reflecte em manifestações sociais que automaticamente se excluem. A diferenciação entre quem cria/ sente e quem pensa/ trabalha é uma certeza do paradigma actual do mundo desenvolvido; contrariamente à fase referida há pouco, em que o artista assumia uma posição relevante na sociedade e era considerado um membro integrante da mesma, nalguns casos até um factor diferenciador no poder de um reino/império independentemente da sua especialização, hoje ele é visto como alguém que à margem dele vive e cuja subsistência é assegurada ou por um estado social que se obriga a participar na área cultural, com o intuito de a integrar na sua estrutura social, ou por uma estrutura de agenciamento, galerias, que, no limite, se cingem, por uma percentagem do valor percebido do artista, a garantir-lhe um meio de comunicar/ chegar a um grupo social que, por não o entender, necessita de uma confirmação de que aquilo que ele faz é "bom" e merece o seu "investimento". A não integração reflecte-se num desfasamento de sensibilidades, na falta de entendimento de um sistema, por ser composto por equações não complementares, e daí resulta um produto que não serve verdadeiramente a alguém que não pertença ao nicho que o produz, que não entenda os conceitos ou história por detrás de uma construção artística. Tudo isto desemboca numa marginalização da outra parte por cada parte e na necessidade de enaltecer estas diferenças desde a maneira de vestir, à maneira de falar, às dietas, aos ideais, às reinvidicações, tudo para que cada um de nós assegure a si mesmo, e a quem o rodeia, que está num dos lados da barricada.

Diariamente saltei de um lado para o outro. Constantemente me preocupei a mostrar uma fracção de mim em função das horas do dia e de quem me rodeava limitando, como a sociedade supra-citada, todo o potencial do que sou. Trabalho com os números do lado que me formou e tenho a necessidade instintiva de me exprimir contra o que está instituído tanto de um lado como o outro. Uso fato por vezes, por vezes cobre-me a obsessão dos meus dias em tinta ou em palavras que junto de uma maneira própria. Sou a soma de partes que geralmente não se encontram e, por essa condição maioritariamente imposta, sou do mais subversivo que há. Num futuro próximo é assim que quero que me tomem, como cada vez mais me vejo, através do produto que resultará da intersecção dos meus lados, de uma sensibilidade estruturada pela forma como fui criado e, acima de tudo, que surge dos estímulos que os meus mundos me dão. Valem-me os valores que por vezes esqueci que possuía, eles são o denominador que torna o aparentemente oposto comum.

Outros há como eu e se depender só de mim que todos se juntem pelo que valem e valorizam. Quando o Grupo chegar, quando o Grupo se mostrar, quando o Grupo fizer um-a-um todos irão ser parte dele.

Vou-me com a base do manifesto.

"A quem fode para criar, não a quem cria para foder"

domingo, outubro 02, 2011

Em madrid há já um ou dois meses.

Eu que sempre fui alguém e alguém que prezou a sua individualidade fui por ela o dela o "de". Senceramente até que fez umas coisas alternativa que eu nunca vi, e uma delas fez e fez outra e desfez.se de mim. Tudo o que fiz acabou por ser por ela; o de até fazia algum sentido. De mim por ela; até saí do verde que alguma esperança ou futuro me dava.

[De ninguém é melhor. Tenho, e quem me tem é. É mais bonito, exige é conhecimento de farmacologia e aquela de quem eu era presumo que não sabe nada disto.]

domingo, setembro 18, 2011

1º deste tempo 681º tendo em conta o primeiro que se escreveu.

I

Neste preciso instante não faço nem o que deveria nem outra coisa qualquer que me alegre. Estou inerte. Ideias não me faltam, preguiça duvido que a tenha. Incomoda-me a falta de capacidade para tomar uma decisão, principalmente porque esta, no curto prazo, só há de afectar a minha pessoa, por só ela ter a consciência do que eu me proponho fazer.

As minhas capacidades de liderança, apesar de as sentir agitadas no que sou, assemelham-se a uma criança bruta e perspicaz sem capacidade de se mover e de controlar as suas cordas vocais. Sou algo em potência que se perdeu durante anos em desabafos imberbes que a poucos mais valem que àqueles que me conhecem para além do meu pseudónimo parvo. Tenho ideias, apetece-me dar estaladinhas de luva branca a tanta gente que o recurso à luvaria Ulisses será limitado às intervenções públicas de maior "categoria" - tudo uma questão de custos. Falta-me é decidir quais delas aplico, ponderá-las bem e sair do acto de ponderação. Não é preguiça, insisto, é falta de decisão.

O problema que me prende a um lugar passa pela falta da segurança moldada pelo paradigma que me acompanhou, maioritariamente, durante o meu desenvolvimento. Tentei procurá-la em pessoas exteriores ao meu meio envolvente mas, nas rifas que me calhavam, a maioria das pessoas que me tentavam suportar, eu não as tinha na consideração que deveria e, por isso principalmente, o que de bom me davam passava ao meu lado sem sequer ser sentido. Que me perdoem e mais que isto não posso fazer neste momento.

O futuro já implicará outro tipo de compensação, gratificação ou prova de afecto. Serei eu próprio e executarei o que proponho e cada um de vós terá algo do que se execute, da execução ou da génese em si da ideia, porque tudo o que sou também é de vós que parte e assim a concretização de algo meu terá de ter algo vosso.

A estruturação dos elementos e dos processos necessários ao acto criativo, pessoal e do grupo, serão numa primeira fase a minha prioridade. Digamos que o meu tempo é actualmente limitado e, já que o que faço agora também tem a ver com esta actividade, vou tentar juntar o que faço e o que quero fazer para aproveitar eventuais economias de escalas.
  • Perguntas a responder!
  • Calendário
  • Eventuais membros do grupo
  • Actividades a realizar
  • Estrutura a utilizar para potenciar as actividades
  • Cada uma delas terá impacto nas outras e por isso será adaptado
Vou começar hoje com os dois primeiros.

II

Qual o melhor modelo para ligar o aparentemente não intersectável mundo artístico ao seu oposto de uma forma que lhe restaure a capacidade de influenciar a realidade e que lhe garanta a subsistência dos seus constituintes?
  • Quais os principais erros da estrutura existente? Dos seus intervenientes? Das suas intervenções?
  • Que pode Portugal aprender com outros países na actualidade? No Passado?
  • Porque é que os artistas têm a mania que não são pessoas inseridas numa sociedade? Porque é que a sociedade os considera alternativos em pretérito de indivíduos? Porque é que não têm uma noção empresarial/ empreendedora?
  • ...
Continua.


sábado, setembro 17, 2011

Nova vida.

Parti tudo o que tinha nunca o que não havia para partir. Agora dou música aos meus poemas, é-me estranho mas dou mesmo que não seja tarde, esteja sóbrio, não tenha a gata por perto, e apesar das avaliações. sempre negativas, do meu pai ao meu talento musical.

Faço e fico feliz por isso. Tenho a consciência do que faltava e do que tinha em demasia. Agradeço a quem hoje me inspira e que antes não podia gravitar no meu mundo por massa exagerada dos satélites em meu redor.

Tudo o que venha ao mundo por mim, agora, é a cada um de vós que dedico, o meu mundo dentro daquele a que com esforço foi entregue.

Obrigado.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Tentativa de duche I

Os argumentos estavam gretados,
como as mãos e os dedos
sujeitos ao demasiado tempo
em que a água escorria sobre nós,
quente sem nunca se impor.

Agora de nada servia.

A fuga para dentro.

Que o braço se estenda para além do meu corpo e da consciência que no limite parassimpaticamente o move; que desça sobre mim o que me guia e que, expandindo-se em meu redor, me traga uma consciência maior que a minha estrutura e vida permitem.

Vós que acima de mim estais e me enganais, vós que abaixo residais e me arrastais no mundo, vós que os guiais e ao mundo dais a forma pela qual se rege, sejai um comigo e trazei ao papel o que não ouço.

Acaba o cigaro, acaba o cigarrao, acaba o cigarro; começa.

Os dias só servem para permitir uma continuidade ou formação do que és e nada mais do que isso.; tens de adquirir a consciência do que está para além do teu corpo X: as forma que consegues impôr à tua maneira de ser têm impacto também no que te rodeia, e nunca te poderás esquecer disto, tal como nunca poderás perder a consciência dos teus gestos mesmo que por inteiro não sejam teus.

Pára, recomeça lemtamente, como o tempo a que ainda tens direito e não sejas parvo ao ponto de sentir que aquilo que estás a escrever é mais teu do que do mundo. O que ela te diz tem o seu quê de verdade; a caneta que te foi dada, mesmo que comprada por ti, só srvirá o seu propósito quando estiveres preparado para a possuir. De nada mais é capaz do que aquilo a que te entregas por direito. Fecha os olhos, cerra-os e não tenhas medo de o fazer. Fecha-os. Sei que é difícil e que o texto se tornará mais confuso mas a parede que é a leitura só poderá ser transposta quando a consciência for afectada.


[desenho] - Os olhos são limitadores nem que seja pela miopia tens de usar o que é teu por direito.

Deixa-te ir, deixa-te ir.

O mesmo texto ou mesmo estímulo reak deverão ser percepcionado pelos olhos que, através de cada plano, terão uma percepção distinta do real, devidos aos seus diferentes filtros. Um texta assume um apel mais qque ele próprio. As pessoas também são um exemplo dessa leitura bem como como as situações que os envolvem a todos (estímulos). A compreensão do texto assume todavia uma alteração da consciência para o nível do observado pois, se assim não fôr, não poderá ser percebido na sua plenitude por, da mesma maneira, não ser enquadrado. Com isto não se diz que o observado tem um diferente (melhor ou pior) nível que o observador já que essa consideração só poderia ser falsa, nada não é melhor que tudo e tudo não é e nunca será melhor que nada, apesar da evidente diferença, tanto semântica como observável. Cada um está no nível que é suposto estar, mesmo que o aparente paradigma em que algo se insere promova tal distinção é somente por predestinação que assim acontence ou, se quisermos utilizar outro termo, porque assim tem de ser. Voltando atrás, a utilização desses distintos níveis de consciência irão permitir alcançar conclusões distintas mas tanto mais válidas como mais próximo nos situarmos do observado; mesmo que o aparente esforço seja extremo, será compensatório no final, nem que seja por implementar uma maior justiça no processo geral e, consequentemente, o respeito na observação e no observado.

Quantos não se sentiram injustiçados
por palavras vãs e promíscuas
sobre as palavras por eles usadas
nunca terem sido entendidos

Até o mais inocente recado
por certo para o bem de alguém solto
foir outro mais sábio tomado
como o sinal de grave confronto.

Baixe-se o sábio se o é e veja
se mais alto que o outro se vê e tenha
Como o outro teve o seu estímulo
Ou se mais alto for que se erga.

Quis alguém que assim fosse o desígnio
Poucos podem, podendo que se mexa.

As asas são dadas não para voar, para acender aos céus. Se as temos e aqui estamos é porque de lá partimos com algum motivo. Temo-las para nos movermos com maior celeridade como este tempo exigem, como o vaso que ficou a tombar e que acabou por não cair do último dos profetas reconhecidos. O mundo já não vê há séculos mais nenhum milagre porque exige mais que a própria bondade, já de si rara neste mundo vil. O mundo quer magia, quer andar sobre a água, quer que dela surja o vinho, sem o esforço da colheita, e compra compra tudo o que é vão com esse espírito e desrespeita porque é mais difícil a contenção; o brio não passa dele mesmo.

Desçam sobre mim meus mestres e façam de mim um como me dizem que eu sou. Abram-me as asas atrofiadas também por mim e façam-me ver do que posso; e apoiem-me os braços quando comece a andar; e deêm-me os modos que identificam os X do que partilho; e limpem o meu ser de tudo o que o consome e o meu espírito de tudo o que o inibe.

O nada.

Havia tudo.
Uma casa
uma paixão avassaladora (voz fininha e irritante)
uma mãe que era aceite
uma mão que custava
um sofá e alguma arte,
neles e nas paredes,
O fernando mendes
no lcd que também havia.
Sonhos de uma vida (voz saudosa)
de criar algo em comum.
O silêncio pensado
um quarto e um gato.

Havia tudo
um nada.
[um nada que foi tudo]

Castro Marítimo.

O copo não tem o gin que sempre acompanhou a água tónica e que perfaz cada vez menos o volume de um copo. Na cozinha prepara-nos algo para comer com a compreensão de que algo mais se faz, não por falta de vontade, simplesmente porque assim permite a partilha e a compreensão.

A língua que se ouve desde os jardins contíguos é estranha ao ponto de não distrair; os mundos não se tocam por falta de compreensão ou de vontade de imaginar discursos de actores invisíveis.

Sinto em mim, cada vez mais claramente, uma mudança que ao longo dos dias ganha forma, inspirada que é por ser livre mas imposta tanto de cenários como de comportamentos que sempre considerei normais, próprios da minha pessoa. Estou calmo, e esta serenidade que tantas vezes assumi que tinha face a exigência de uma vida conturbada, percebo agora que nunca poderia ser alcançada se ela, a vida, não se tornasse outra. Acreditei sempre que partiria de mim a alteração do meu paradigma através da mudança criteriosa de elementos pessoais e que, adjuvante desta atitude, o remanescente também se tornaria outro e mais alinhado com o meu desejo de percurso.

A mudança nunca chegou e eu nunca me acalmei. Felizmente, da tristeza de um cessar brusco e desrespeituoso que me consumia através do meu consumo, de carácter dependente, surgiu um vazio que, incluindo uma penitência procurada, me permitiu obter todo um vasto leque de experiências. Experimentando, ando, ando, sujeitei-me ao novo, ao que não me era um hábito e assim vi mais claramente ao que me habituara e fui capaz de melhor avaliar o seu peso. Mais uma vez custou, porque era eu que a eles me entregava; não posso responsabilizar outrém por isso, seria limitador tanto ao crescimento a que me pretendo entregar como à aprendizagem que sendo essencial ao desenvolvimento proposto só poderá partir da avaliação das minhas atitudes - tanto boas como más.

Admito que estranho por vezes o estado alcançado: a beleza de gestos que, apesar de normais, por escassez costume, me despertam desconfiança; as minhas perguntsa sem sentido por procurarem uma aprovação desnecessária; a contenção exagerada do que sou (de muitas maneiras distintas). Ao menos tenho a consciência que tentei esconder por orgulho e por sorte ouço algo a refogar perto e não ao longe, e as linhas que solto não são apressadas e marcadas por algo de mau que se acumulou.

Vou fechar o portão como o papel no aparador pede. Vou fazê-lo calmamente como ela ,calmamente, me pediu depois, não de me deixar, de perceber que estava a fazer outras das minhas coisas. É-me estranho mas já não me assusto de, por instantes, ao lado não estar.

Vou.

terça-feira, setembro 13, 2011

Exercício.

Estalo os dedos antes de começar como se o que fizesse de seguida importasse para uma audiência que, cada vez menos, existe para além de mim. Mas também o que importa para este pequeno autor. que nem sequer o foi, se o leêm ou não? Quase ninguém sabe da sua existência como tal e, para além disso, tudo o que escreve para alguém a esse alguém é oferecido prontamente em papel, por mão distribuído, ou, maravilhas do mundo moderno, por correio electrónico se se souber o endereço. Nunca escrevi com a intenção de dar ao mundo e por isso o mundo nunca me poderá julgar segundo os mesmo critérios com que o Herbertinho é julgado até, tal como ele, eu decidir pôr, por escrito, o que me vai na cabeça num livro qualquer que o mundo terá de comprar para possuir.

A troca comercial que permite a possessão de algo será a única justificação plausível para alguém arbitrar o quanto valho como escritor, de acordo com os parâmetros que academicamente masturbam a cabeça limitada pelas regras que, por consenso, são aprendidas.

"Este é mau, não o compres, este é gratuito não o julgues. Só estás aqui porque queres". Deveria ser o mote de qualquer blog independente do ad-sense do google. Não ganho nada com isto para além de inimigos, quando os casco, ou uma ou outra queca facilmente impressionável por ortografia em falta e progressões aparentemente rítmicas. Mas até estes são poucos porque nem sequer desconfiam do que faço apesar de constantemente, por gestos ou falta deles, lhes mostrar o que por eles sinto.

Um dia talvez consiga, se me continuar a surgir dado um estímulo contínuo do mundo e se a vontade de o passar para fora de mim como uma qualquer mensagem a outrém, que seja mais amplo que 10 cidadãos desta aldeia global, escrever algo que mereça um suporte físico digno de uma biblioteca e do tempo de alguém do Jornal de Letras. Até lá, e muito sinceramente, por mais que me custe dizê-lo - nem custa muito - que se fodam todos e as suas manias de serem Dr. por colocarem o de outros em percentis do correcto. A sua contribuição para o mundo cinge-se a isso e á preocupação de criticarem literariamente um conteúdo que muitas vezes não o é: Arte pela Arte diz-se... há quem chame de punheta crónica por incapacidade de estabelecer ligações com o senso comum; de (não) ser humano.

II - mais um do mesmo mas desta vez no aeroporto de Barajas. Nem que seja por isso é diferente.

Estou vestido de uma maneira de tal maneira díspare do que me rodeia, que o português que se ouve à minha volta crê que não será entendido. A indumentária serve portanto o seu propósito, tanto me desloca claramente de onde aparentemente deveria ser categorizado, algo que admito que procuro, como me permite confirmar uma vez mais que não me enquandro e que a vontade de me demarcar aparenta ter sentido.

Calam-se por vezes. Mas até no silêncio o português tem algo de único. Não falo da saudade porque esse sentimento é demasiado antigo e bairrista para se demonstrar nestas gerações cuja maior preocupação de viagem é o atraso, o perder de uma escala, refiro-me à inveja absurda que. o sazonal regresso do filho pródigo à terra, tantas vezes confirmou que existe.

Não observam o que está a seu redor. Cobiçam. Querem o que não é seu e que, possuindo, têm de mostrar, sempre de uma maneira singela, que possuem. Mas atenção, os objectivos e as escalas de conquista são claramente definidos ao longo de um sistema de educação bastante estruturado, desde o tempo que o servo de gleba ansiava possuir um feudo por matrimónio consumado. Quem tem fato tem sempre de ser Dr., quem tem capacete branco tem de ser engenheiro, quem usa botões de punho e o pin do colégio militar, se não o é, há um dia de ser administrador. Os filhos têm de ser como eles, exactamente os mesmo só mudando o apelido e a cor da gravata ou, se for um bocado mais arriscado, o tipo de sapato que num ou outro pormenor não é como o do outro.

Alguém que não se enquadre nesses eixos claramente definidos nunca poderá ser alguém. No meu caso isto aplica-se numa base diária. Quem me vê de dia durante um período de trabalho e não me conhece trata-me por um título que supõe que eu tenha e pela farda que envergo, sou um gestor, direcciono equipas, defino estratégias; o sol põe-se, a responsabilidade esvai-se e ponho-me como estou hoje, disfarço-me: ou levo no cú ou sou artista, ou para as mentes mais recalcadas sou um misto dos dois. Sou uma proeza; o que não sabem é que também invejo os outros, ou se preferirmos eles.

A minha vida não se baseia na conquista de pequenas proezas que uma carreira bem delineada implica. Até se tem mostrado para mim um percurso sem exigências muito marcadas desde que comecei a minha linda entrada na sociedade pensante. Invejo essa sintonia com um bem comum bacoco. Quero mudar algo mas o mundo talvez não deixe.

A gata que tive a gata que há.

De vez em quando vejo-a intermitente como o meu monitor sempre à escala do que a registou para sempre e pelos olhos de quem a vê perto. A primeira vez que lhe peguei assustou-me, apesar de não ter mais que uns meses, ao ponto de ter de procurar refúgio fora de casa.

Foi crescendo e aprendi a tê-la por perto. Acostumei-me ao seu ronronar sobre a parte do corpo que me doía e que nunca tive de apontar; em troca ensinei-lhe a trepar as portas de uma casa que deixou e que ainda está marcada pelo que se tinha.

Despedimo-nos bruscamente. Embalado por uma mensagem parva pu-la na sua caixa e larguei-a num outro lado da cidade onde nunca mais fui. Marcou-me no último abraço com um esguicho de mijo a que a mais ninguém permitiria; sabia, acredito eu, que nunca mais nos iríamos ver. Nos dias em que a tive só para mim, olhava-me nos olhos com uma tristeza que nunca sentira antes, nem nos meus mais próximos, levava-me a dormir e aconchegava-se no meu ombro, punha-se no meu colo quando eu chorava como se tentasse lembrar-me que eu não estava sozinho.

Deixei-a ir, deixei-a, e hoje quando vejo os seus olhos, quando a vejo retratada por ela, não reconheço quem por uns dias me acarinhou durante o meu estado débil. Parece-me desconfiada, parece-me outra, lembra-me a outra - já não é ela.

Espero que eu não tenha ficado assim. Espero que não tenha mudado assim, que o meu olhar não se tenha tornado numa manifestação de um medo óbvio mas que envolve ao ponto de não deixar sair. Espero que o que eu era não se tenha perdido por entre os dias em que me fui perdendo ao ponto de selectivamente não me lembrar. Espero que o miúdo não se tenha deixado levar por um encanto que só aos 30 entenderá que arrasta o corpo no chão e que por maldade puxa quem se abeira até si. Espero que o que tornava o sangue mais espesso o corpo ja tenha expurgado e que cada copo que esvazie não implique uma progressão p'ro infinito.

Espero tanto que até estranho o nada que por tanto tempo esperei.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Só uma linha (dependendo da resolução)

Não abras a mão a quem te dá um punho.

sábado, setembro 10, 2011

O gordo!

O gordo
metia nojo
aposto até,
que a sua nha-nha
cheirava a banha
e que a sua sauna
era um espeto.

Que bem lhe ficaria
uma maça qualquer
na boca
uma afronta
é
para o continente africano.

Viola para depois comer
Foder só com refogado.

"o gordo simpático"
é mito
p'ro coitadito
do urbano.

segunda-feira, agosto 08, 2011

"Quem fala não diz, conta o que outro vai conta, da história a estória o factual se faz"

Quero dizer-te uma coisa
que decerto não ouviste
Ontem vi uma pessoa,
Não fazia coisa boa (voz de criança)
Tu já tremes e não viste!

Ai de ti s'a alguém contas!
Não é teu não o partilhes
Peço-te então que escondas
São tão más estas pessoas
Só querem foder-me a vida.

Mas que se fodeu fui eu
Rapaz tão pequeno parvo
Não sabe onde se meteu
C'oa verdade converteu
Mais um padre em Vigário.

sábado, agosto 06, 2011

Em Sta catarina numa casa ao lado da minha com a tranquilidade que a minha nunca permitiu.

I

Confunde-se com a calma, que nos permite ver mais claro, a clarvidência que nos é inata; embora o estado potencie a capacidade referida, a percepção despojada de emoções é um simples modo de ver o que nos rodeia com uma profundidade acessível a todo o que não se sente ligado emocionalmente ao objecto da sua observação; a clarividência por sua vez implica olhar para além do que nos é dado e, por isso, sem qualquer tipo de filtro imposto pelas nossas vivência e formatações.

Note-se que a calma é essencial aos dois modos de observar a realidade e que, enquanto é a principal mudança de estado que nos permite totular um comportamento de forma distinta ao longo de um mesmo eixo moral e, nalguns casos, de formas antagónicas, através dela nunca nos será possível captar a realidade, mesmo que mais verdadeiramente, para além do que os nossos sentidos nos oferecem e nos mostram existir.

Ela embora deva ser procurada não se deverá considerá-la um fim específico. Forçando-se o alcançar desse "novo" estado a frustração de não o conseguir só inibirá a condição desejada. A prioridade deverá ser sempre o meio, o que surgir, como o que surge ao clarividente, fá-lo-á quando assim tiver de ser e, quando assim fôr, quem a recebe só terá de aceitar tal como o mundo, agora calmamente percebido e percepcionado, o acabará por fazer, mesmo que o assuste ao sentir que o tomam de outra forma.

O impacto de uma compreensão mais correcta, por ser mais justa, tem um peso mais forte que um grito ou que a simples força, por ser também aceita pelo julgado. O que se vê para além do dado é que nunca será compreendido já que o espelho nunca há-de possibilitar nada mais que aquilo que os olhos de quem observa veêm; mesmo que presumem saber o que o clarividente vê eles, os que não veêm, só entenderão, sempre sem calma (com pressa), as respostas aos problemas que desejam e nunca para além disso, limitando à partida todo o peso do que por outrém foi observado. Cabe a quem de facto viu encaminhar a pessoa, não respondendo às questões próprias mas apoiando à formulação das perguntas que estão aptos a perguntar e cuja resposta mais claramente será percebida. O que eles querem muitas vezes não é aquildo de que precisam, e para além dos olhos está o que de facto apoiará uma ou várias existências a conseguirem a paz verdadeira; para além da passional e parvamente considerada de importância.

Ser um mestre passa por isto; ser um aprendiz de qualquer ofício exige o entendimento da arte e da prática dos seus mestres.

II

Dá-te ao mundo, fica no outro
lado que só é teu.
Foge sorrateiramente em ti
enquanto outros contam euros.
E ao fim do dia sossegado
Vai aos bolsos do mundo que dorme.
Não tens culpa do seu cansaço
E os mortos não julgam os vivos.

III

O dia de uma partida adquiriu um peso de uma despedida mesmo que esta só se dê com a chegada. Nunca mais me vou, no futuro próximo, colocar na posição de quem aguarda algo de outrém. Doeu-me o ruir de tudo o que eu esperava e um enxoval agora não partilhado. Disse-me que não iria pôr em causa o que nos últimso anos construíra mas a única coisa que fez foi isso e da forma mais feia que lhe era possível: a construção não acabou, a estrutura cedeu e nem os seus alicercerces eu agora acredito terem sido fundado em algo certo, verdadeiro, e o terreno pantanoso de nada nos serve.

Mentiu-me e com a mentira tudo deixou de existir.

Destroyer - Kaputt! (Tocava no Santini)

As crianças não percebiam
os pais fingiam não entender
a música alertava para um futuro
incerto mas provável.

"Perdes a vida (os dias) atrás
de miúdas de cocaína
nos quartos (das vizinhas)"
- inventado por mim.

Querem conforto mais que um gelado

"Pai quero mais um
Pai quero mais de chocolate"

"Acaba esse primeiro...
És tão amoroso filho
Com os dedos não!!! Colher."

Ensina-se, a contenção
Surge de uma palma
que às vezes nos marcou.

O açucar um dia não há de servir,
um dia
outro por certo
o abraço também não.

Vê-se tanta gente hoje em dia,
Havemos sempre de querer
mais do que aquilo que temos.

Quem sorri nos mupis é feliz,
Tem algo a mais que nós.

(a enumerar rápido)
"Um gajo uma gaja
um carro ou dois
uma casa de 100 metros quadrados
uma moradia de férias
uma galdérias
o cartão victoria gold
um iPhone um iPad
1500 amigos no Facebook"

E não continuo porque é demais.

Somos tão pequenos,
que temos medo
de olhar para o céu
tão espertos
que olhar para o lado
é mais humano
é mais digno
que para o umbigo
que sem saber
ainda nos sustenta.

De volta a casa.

Pouco ou nada me resta de ti.

Caixas empilhadas
com o que te dei com massa,
a acumular pó.

O cheiro na carteira
do que te embalava
por mais que me custasse.

O amor e a noção errada,
que me faz agora apreciar o bem.


quarta-feira, julho 20, 2011

664 - Depois de saber que me leram um texto antigo, com mais de 6 anos.

O texto antigo

O novo.

Acabei por ter o que pedira. Vivi uma felicidade no início certa e mais para o final aparente e que, mesmo sendo mentira, me alimentou o resto dos dias em que ao meu lado não estava. Sorri e dei o que de melhor e pior em mim tinha, ou seja, tudo o que sou. Tiveram mesmo os que se riam de mim a inveja que eu já senti, disseram que formava, com ela, um casal bonito por entre as nossas corridas numa fnac qualquer, escondidos por detrás de prateleiras, as nossas danças cada vez menos trapalhonas do meu lado e um ou outro gelado que apesar de variarem nos sabores eram bons.

Tudo o resto também acabei por ter. Diluí a minha razão num sentimentalismo que me faltava e acabei por perdoar ao ponto de ir contra as minhas estruturas tão brutamente impostas. Fui pisado metaforica e literalmente, fui traído de mais que uma maneira, quis acreditar no que sabia ser falso e, no final, mesmo que ele pairasse por perto não tive o medo de me dar ou de sofrer. Foi por minha cegueira que sofri, não queria prever jogadas no tabuleiro pelo pequeno prazer de viver os dias, uns melhores outros piores, que vivi.

O que não esperava também acabou por acontecer. A príncipio julguei que iria odiar alguém, que seria incapaz de nomear uma pessoa depois de tudo o que acontecera. Supreendi-me com a minha atitutude, cada palavra que fealmente soltei com o peso do crescente acumular em mim saiu por instinto que acabei por controlar pois, por mais injustiçado que me sinta, eu é que me meti onde estava metido e os sinais, óbvios para todos os que me rodeavam, passavam diante de mim e só por mim eram ignorados. Estou chateado comigo, irritado até, mas a sensação de que aprendi mais que muitos acaba por minimizar esse fardo incómodo da consciência do que errado fiz ao longo de muito tempo.

Ao mesmo tempo que tudo concluiu juntaram-se outros aspectos que mais importância dão a esta mudança. Financeiramente voltei ao que era e tinha antes de a conhecer assutando-me um bocado a minha condição e a postura de presentear desnecessária, mais óbvia agora que caixotes empilhados representam tudo o que lhe ofereci. Mais um aspecto a mudar. Surgem oportunidades de mudar a minha carreira profissional e agora, ao contrário de antes, não tenho alguém ao meu lado que não tentando perceber ao que diariamente me sujeito me dificulta a sua concretização, e agora, ao contrário de antes, não vou abdicar do meu desenvolvimento por alguém que não eu ou por um futuro que sinto sempre incerto apesar de acreditar nele. Mais um aspecto a mudar, entre outros.

Estou também estranhamente mais confiante em mim e nos outros. Tinha vergonha do que mais me define, do meu humor inesperado, da minha cabeça, dos meus gestos e expressões. Quem me conhece percebia o diferente que eu era por ter algo ao lado, diziam-me sempre mas só agora é que o percebo. Sentia-me uma má pessoa quando raramente mal eu a alguém fazia; eu não vivia por ir sobrevivendo de estímulos cada vez mais escassos.

Ao contrário das outras vezes não procurei esconder-me por entre pernas novas ou conhecidas. Isolei-me com aqueles que me são mais próximos por já não existir a vergonha que antes me impossibilitava a proximidade por exigir mentira; tudo aquilo para o que eu não fora educado era parte da minha vida como anteriormente sugeri e o facto de o acumular em mim e não o partilhar , mesmo que precisasse de o fazer, desenvolvia uma ira que se reflectia nos que ao meu lado estavam e queriam ainda mais perto estar. Eu parvamente evitava-os, e agora que os tenho percebo o quão parvo fui e a necessidade de os ter próximos; não me julgaram, nunca o fizeram simplesmente preocupavam-se comigo e eu julgando-me nunca me inteirei das suas atitudes sinceras. Não minto que tinha medo de me dar e de sofrer de novo mas até esse comportamento se mostrou errado ao fim de algum tempo. Qualquer relação é uma roleta russa e a bala pode estar no cano à espera de nos levar com ela; ninguém se conhece inteiramente do ponto de vista pessoal, como podemos exigir conhecer os outros? Sinceramente eu nunca achei que fosse perceber programas de rádios franceses como hoje sei que entendo tal como nunca me achei capaz de aceitar o que já escrevi ter aceite.

Agora é altura de viajar. Instambul já esteve mais longe e a cadeira entretanto vazia pouco-a-pouco ou de súbito há-de se preencher.

quarta-feira, julho 13, 2011

No Caxuxa - Começa com citação da avó, mote para descrever outras ou outrém

Mote

"Ontem fui comprar pêros para ti; tinham bom aspecto e até eram caros, mas abrias e estavam podres"

I - A abelha voadora IS

Escondia-se por debaixo
de seus cabelos longos
do outro
que nunca era o mesmo
Expunha.se
queria ouvir o que não acreditava
por mais vezes que a tivesse cobrido
Voava,
parecia não ter nenhum poiso
o outro
nunca era o mesmo
o medo,
nunca foi outro.

II - A abelha MB

Delicada nos gestos
modalmente indelicados
sustenta vários
vícios só de outros.
Pensava noutra língua
por outros era a mesma
ria-se,
não sabia estava presa.
Tinha o mesmo que o poeta
o problema da rainha
a que crescida,
só se sentava à mesa.

III - a rainha AM

Tinha um sorriso lindo
ligeiramente desalinhado
o dente errado
sentia-se na mordida.

O bom bem representava
deixava o que importa de lado
o cuidado desvanecia.

"Tome tome rainha
um pouco mais de mim
eu acho que só assim
volta um dia a voar"

Faziam fila à porta
espantados com a proeza
Representava,
nunca só para mim

IV - A linda obreira JL

Apresento-vos o meu trabalho
feito do meu coração,
Tem um espaço para si.
Consegui,
Já sou alguém.

A rainha
filha da mãe
Quis tudo o que é dela.

Ficou a obreira num canto a chorar
depois de tanto trabalhar
parece que no nada se viu.

Deus que é engraçado
pô-la no mesmo lado.

A rainha é que não subiu,
sem nada ficou
e nunca mais jantou
da Travessa.

V - O apicultor - EU

De fumo envolto
sempre embuçado
julga-se o Deus da colmeia,
mas sem a rainha
ou a simples obreira
não terá ceia
não terá o seu.

Um dia distraído
pelo que ela lhe dera
esqueceu-se do fumo
e a cabeça descobriu
não sentiu
mas algo novo lhe doeu.

IV - O mel

É bom enquanto há
mas sem aditivos falta não faz
mais vale a água açucarada
se for filtrada não passa nada.

sexta-feira, julho 08, 2011

De subito fez-se luz (nao sei o numero)

Como antes passei por um invertebrado
que como sempre se riu de mim.
Antes acreditava em desculpas esfarrapadas
em argumentos idiotas
Agora que sei quanto a casa gasta
as contas são outras.

I

P'lo menos no Ikea dizem, mesmo que por alto, quantos casacos suportam os cabides. É a diferença dos escandinavos percebem de unidades de peso.

Receita de sucesso.

A conquista exige luta, a manutenção respeito.

(...)

De súbito surge o novo,
O referencial é o antigo
Atordoa a diferença
tenta não se passar a factura
É estranho o excesso
Do bom só se desconfia
Por haver quando não havia
não pode ser sincero.
Palavras com carinho magoam
se não sucederem um punho
Um abraço um choro
Uma queca um grito
E quando chega a sorrir
só se me esforçar
não há um outro motivo
algo que me é escondido
e que sorrindo
crê que não vou perceber.

quinta-feira, julho 07, 2011

Antigo

I - já não me lembro mas a ideia era assim

Tivesse-te conhecido no tempo
em que se fumava na estação
de comboios
subterrâneos.

talvez o resto,
fosse diferente.

II

Fumo as memórias por entre os dedos
que prefiro não roer por educação imposta
Mas surgem e inesperadamente puxo
uma-a-uma sem se esgotarem.

Problemas simples outros complicados
Detalhes que o roberto já sabia
e tusso mas durmo sossegado;
e arranham por dentro passeios
estradas e subterrâneos passados.

..................................................................

Merda porque revolvo incessadamente
como um idiota de um parvo
a minha história a minha cabeça
á procura de uma razão.
Não sou eu quem deve
gritar Miserere. (porra)

De súbito muda

Ensaio I

Ali, até a Rua curava,
A água caía despressurizada
Arrastava com ela a merda
à flor da pele enquanto escorria
sobre o corpo envergonhado
Abraçado a ele próprio.

Dormia-se pensando no hoje
como num holiday inn
tacto era uma sensação boa
a mínima que se tinha
Antess de mais um dia acabar.

O trabalho era uma pausa
terapêutica na justificação
e o whisky vertido um gesto
que se acreditava quebrar a rotina.

Da janela o rio parecia outro,
se descesse não era para fugir;
embalava-me com o vento
as luzes descontínuas do outro lado
para onde tão poucas vezes fui.

Ensaio II - soneto tentativo

Até a rua me curava sem
sequer ter reparado no seu nome;
Esqueço o que tinha, p'lo que trouxe
um mero abraço sincero, mãe

Se tu soubesses o que tinha sei
que me olharias de forma doce;
me porias no teu colo p'loe que fosse
eu é que o chão teria a que me dei.

Não me lembro de noites, do vertido
Das correria parvas, dos excessos
Do que em vão atirei sempre sorrindo
De me esconder sem luz sempre por medo.

Abriu-se a porta, vou entrar, eu quero
Por sorte este tardar p'ra ti é cedo.

III ensaio solto.

Cada gesto não me parece
que deixa de ser pensado.
Teme
e treme no instante
aquele mesmo
em que se deixa ir.

Vê.
com os olhos
de quem observa;
Categoriza
pelo dado conclui
e ui
como gerlamente acerta.

Ás vezes não pensa
Não se apercebe
fica mais bonita
como a chaleira
a que rosna e não ferve.

I - (e agora começa) Hoje.

Sinto-me eu próprio aqui;
fico com um barco atracado
no porto da primeira partida.
Fala-se e come-se o mesmo
repete-se e entende-se o chamamento
de tudo o que no profanao é divino.

II- a rotina

Aconchega-me o leito enquanto trabalho
e parece que me esqueço de ti;
És tu quem vejo entra cada viagem
Entre o que crio em troca de cigarros
e do que bebo mal doseado contigo.

Olhas para o gráfico e ris-te
Crês que o esforço está na côr;
Explico-te entendes que há mais que isso,
nenhum poema me levou mais que cada número
Cada variação, suplemento, conteúdo
que esse slide com título em a paraste.
Sinto-me eu próprio aqui,
não um conjunto conjugado com outro
por um motivo qualquer parvo,
pequeno para quem não o entende,
idiota para a maioria que conheço.

Falas de mim juntando os dias
percebes que o disparate tem gaguez
que a gaguez vem de antes
que o antes vai sempre mandar no depois,
e resolves, ou tentas, muito antes de surgir.

Espreito pela janela
que me ofereces por entre os dias
Do outro lado tudo.
Sem medo é assim que me tens.

III

Cheira a citrino mas engana
é doce, doce, doce.
Se não soubesse talvez fosse
ARGH CHIiiiiii do (dito a fazer caretas por causa da acidez, comer um limao se necessário)

Ah,
Como gosto de surpresas
desta mais que é boa.

IV - O antes (é chato, querer ir para a garagem e acabar no 12º)

Falava-te de estórias entre
disparates meus e gente disparatada
Ouvias como quem tem algo para contar.
Aparentemente vendias tópicos novos
Para conversas minhas futuras.

Tinhas um espanador num canto;
E eu que até há pouco acreditei que o pó
Aspirado tinha melhor fim
Não percebi que me faltava um lá
na casa onde acabaste por entrar.

"Suddenly i saw you in someone else's shoes"
e foste-te sem saber que o caminho
se for feito leva a algum lado.

Era da casa que eu te falava,
Talvez por lá ninguém estar;
Tinha medo do regresso, sentia-o
Incómodo como a água de África.
Não me escondi, tu rias-te
por entre os medos parvos de quem sabe
quantos dias de vida lhe restam
e os poucos momentos em que te apresentaste.

Rodava tudo à minha volta por não haver semáforos,
sem saber não tinha o peso no peito
por o colesterol não estar ao lado;
Até dizia algumas coisas com graça
não me expulsavam de estabelecimentos
comerciais eram os meus gestos e vendia.

Não queria acreditar, depois de tudo
que o que me define velava há dias
ou há mais tempo não interessa,
o que é o tempo p'ra quem não existe?
Antes era um vulto que rondava
sem saber nem poder tocar o mundo
um ganz um bruno com mãos que não sentem
com olhos que limitam o que quer
com um corpo dormente e limpo;

Antes
Antes tocava o que q'ria e fugia
Para casa como se lá estivesse seguro.
Agora deixo a luz ligada como um farol
um sinal de que alguém lá habita
por entre aquelas paredes pesadas,
sujas de leite atirado
sangue derramado,
ecoadoras de gritos de maldade.

Hei-de voltar quando tiver tudo,
agora só faço o que quero, mesmo que não precise.
Mesmo que me canse
mesmo que alguém se irrite
E um dia
Hei de camar casa
casa
CAsa
caSA
caaaaaaaaaaasaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Casa
Casa
Casa
CasA
Casa
casa
casa
casa
CÀAAAAAAAAAAAAAAAA SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSAAAAAAAAAAAAAAAAa
POrra
A um sítio onde se vive.

V - o imediatamente antes

É triste a chegada do tristemente esperado,
a lógica falha e p'rás sensações não fomos educados.
Pesavam-me as divisões sem vida,
e o vazio só pelo que ingiro era preenchido.

Fomos com o deprimente deprimido;
evitando as ruas que logicamente trariam
por horários conhecidos a tristeza do luto.
Descemos e ainda não tinha chegado a de auto cultura
mais uma fonte de preenchimento.
Bebi a russo como fui ensinado,
sem educação a nada brindei
o motivo ainda não me era conhecido
e em cada copo ficou um pouco de mim.

Queria dançar e eles também e fomos,
onde me contou que ainda bem vindo
não era, viam-me sempre como um torto
- quantas vezes não estive eu já sem luz?

Dancei e perdi-me ainda mais
come se cada passo fosse um ritual
shamanico, católico, moçulmano, budista ou meu
e quando ele se foi comungámos talvez a distintos
sinceramente nem me lembro bem, ídolos.
" eu vou mas em 10 tu tás lá!"
passaram a mais e de minutos a dias.
É tramada a consciência se moral
alguma tem imposta com pouco de egoísmo.

Valeu-me a verdade pingada ou comichosa
que sem saber me deu quando a vi.
Milagrosa é visão que o jejum permite
sensível é a verdade ao bêbedo
e idiotas passam a saber ser idiotas
que ao ébrio nunca idiota foram

"Sejam felizes mesmo que tristes
e os outros tristes felizes façam
Mesmo que só a tristeza apalpem
Porque a felicidade não entra p'lo nariz"

Caído o peso era cedo para tudo
Estava em casa a da rua que curava
entrei a sorrir num táxi
1/2 bebedo disse mundo.

VI - porque tem lógica tudo resumido

Sinto-me eu próprio aqui,
entre o que crio em trocas de cigarros
e do que bebo mal doseado contigo.
Cheira a citrinos mas engana
é doce doce doce.
Antes tocava o que q'ria e fugia
para casa como se lá estivesse seguro
Caído o peso era cedo para tudo
"porque entrei num táxi tenho o mundo".

VII

Casa Trabalho
Casa Remédio
Cama Dormida
Casa Trabalho
Casa Farmácia
Casa Remédio
Trabalho Dormida
Trabalho Casa
Farmácia Remédio
Dormida Trabalho
Remédio Fado
Remédio Dormida

Trabalho Remédio
Remédio Trabalho?
Casa Trabalho
Travessa Remédio?

Trabalho Remédio
Remédio Trabalho.
(repete-se até ficar sem ar)

segunda-feira, julho 04, 2011

Poesia da última semana, pela qualidade podem imaginar o quanto estou feliz.

I - Para quem só sabe contar até 12 aquela coisa do AM até tem utilidade

Caríssima saiu-me a água
Pelos poros sujos e os sacos dos olhos
Pisados nos dias
Que bebia como quem tem sede de algo.
Carrego o negro até no avesso
Envergo o que cobre quem se lamenta
Sou o more que andando não suporta
mais nada porque o resto ruiu.
Na arca ficou o puco por pilhar
O arremessado em dias de plenitude.
Desfeita já não treme com a conquista
das terras que na fronteira se encaixam.

"Baixou a cabeça o injusto, a pomba
desceu com o rio noutra forma vestida
Não tinha química a água a lixívia
por inexistente só o diminuiu"

Ó alguém do mundo que quero
Ó gravidade ao contrário que exista
Expurga este prequeno homem
Do mais pequeno H com 2 O poluído.

Prece ouvida, cabeça já no alto
é de lá não de baixo que o bem vem,
Ressuscita o impura c'o sujo como mãe.

II - Tentativa: O alcool desinfecta, whisky é quase água em escocês e o freguês tem a razão que só ele sabe

Dá-me o JB com gelo
2 pedras e um dedo de água
Por mais merdosa que seja com o álcool passa
a ser melhor até 2 dedos.
(1 do gelo, o resto do pedido)
Mais do que isso só o estrago,
sem o alcool não consigo
ó meu amigo
dar mais que um trago,
e de águ gu gu gu a
preciso para viver.

III - Carinha na alcova, carinho na bolsa.

Carrego cheio, esvaziado o copo, o corpo
De JB movido ao fim da escada
Abre-se a porta à gente na rua
e a lua puxa e leva-nos aos fados.

___________________________________

"Amar de mais é doidice
Amar de menos é maldade"

IV - Tentativa II mais inspirado com menos gosto e bastante piroso

Carrego esvaziado o copo o corpo
Cheio embalo-me nas escadas ingremes
Adormecido levam-me ao fatalmente dito
por outrem que eu so sonho outo lado,
Arrepia a forma entristece o conteúdo
choro lentamente porque posso
entender, é coisa de quem sofre.
e foge por entre as frestas da porta
encerrada por respeito a quem dorme,
uma palavra mais pequena que com sorte,
pelo peso não volta a ser cantada
E perde-se nas ruas do bairro mal afamado
Rodeia os drogados da fonte gratuita
brinca pelos dedos de quem os vê pela cortina
e continua pela colina acima,
e faz suar (á parte mas sim suar) o sino da sé velhinha
e lentamente sai do que me prende
e eu continuo um mariquinhas...

Muda a voz, muda a postura nõ soa ao mesmo
Vem da vida a tesão e o afinadinho fofinho
duvido que já tenha sido bem fodido
porque já nem da vida me distraia
todo o calor que existia
Assim de repente ficou mais declarado;
Venha outro, mais um que me distraia do que rodeia
alguém que me mova com a voz
que me tire da cabeça as palavras
que as subsitua por pouco pelas suas.

Abraço sob a ventoínha insuficiente o copo
Carregado tão bem com pedi
Sem ele não teria ido aos fados
Sem ele não teria cantado
Sem teria ficado farto
Sem ele teria [ ]
Sem ele não teria passado
A porta que me chamou do outro lado dos remédios.
Com ele me vou e em caracol surjo
Numa ilha perdida c'o Tejo ao fundo
o outro mais triste e bêbedo que eu.

Os anjos são roucos e acalmam-me como podem
JB puro não como os outros meio aguados
Fico aos poucos mais perto dos céus
Para o que é meu alado salto
Já tou darto de
no quarto
me esconder de mim.

V - Tentativa III sobre o mesmo tema

É mais cedo que o costume
e não me dói o corpo
Do cansaço ou sangue
A conta gota extraído.

Vou para o mesmo
o de sempre que não deixo
Que me assegura o mais simples
Vício que me garante um sorriso.

Faz sol na cidade
e a janela para o rio descanso
me dá sem eu o sentir.
A porta não se fecha mas fico
por ter a certeza que posso fugir.

VI - 28/06/11

Que me habite o que em mim
por vezes trago sem o saber
Que surja a luz que não se vê
Mão, treme por mim e outros
diz ao mundo o que é dele
e não receies o corpo parvo
face a mente que te interessa.

Pensa,
Pensa mais devagar do que podes
é pela mensagem que o fazes
é pelo que te rodeia que vives.

VII - + um.

Já chega desta merda
esta mesmo
este bedum
A que eu e tu
ou até msmo nós
numa só voz
chamamos ou chamámos
por sermos parvos
de vida.
Tu sorris ó meu idiota?
Não andavas com a corda
a que o amável te ofereceu
agarradinho ao pescoço e ao céu
por acreditares que esse caminho serve.

Quem não crê não teme
quem não vê nao pensa
ou finge que o faz.
Quanta gente é que aqui
neste pedaço [] de massa
acha que não se arrasta
para um enorme vazio?
"Parem a convulsão"
Chiu...
Não ouço nada.
Chiu...
não passa,
fico por enquanto na mesma"

VIII - 1st of July

A premeditação fode tudo
é bem pior que o conceito
aquele previamente concebido.
Envolve mais que gente
situamo-la no que pressentimos
e que não vendo juntos programamos
juntamos
simples planos
variedades diversas
e por situações disperas
esperamos que não surja algo de novo
mas,
de repente e de um canto inesperado
vem algo e nós parvos
ficamos subitamente c'o nervoso
miudinho ou não
como jogadores de roleta ou de outrojogo.

Fossem só pares e ímpares
vermelhas e pretas
dividise-se tudo por dois.
É pelo verde que se treme
saindo o zero não depois.

IX - Direito por tortas.

Pedimos algo que acabamos por possuir
mesmo que no instante menos próprio
A muleer que amamos e de que fugimos
Precisamente descrita e assim disponibilizada,
Ou simplesmente uma estalada ou par de cornos
que queríamos inócuos por uma amada.
É preciso tento, não basta q'rer
Têm as hipóteses de ser ponderadas
Hão de surgir mas só p'ra nos foder,
só aparecem em alturas erradas.

X - A HK. a pessoa não o clube.

Disse-me ontem, d aforma
Que pesada fica com a repetição
que pensar nas razões nunca serviu
A não ser claro que suporte a solução.

Eram os gestos mais duros sintomas
não o problema a ser resolvido,
E assim esquecia o que doía
inventando desculpas na dor de outra.

O amor estupidifica o melhor
de qualquer homem fica o nada
E o que é próprio minga no vazio.
Achava-me louco. mau, desrespeitador
Achava que dava sempre de menos
sentida que devia mais do que
alguma vez pedira.

Lentamente
tan tan mente
men en te
men en te
te vi como um apêndice ferido
um que por hábito não quis amputar

"VAI GANGRENAR"
gritaram os sábios
"ISSO ESTÀ COMPLICADO"
murmuravam os amigos
"EU AVISEI-TE
disse-me quem sabia
"Dá má energia"
Disseram os bruxos
Estimulando o arroto

Não quero perdêlo
a necrose nao vai existir
eu AGUENTO isto tudo.
Caralho eu mudo
Porque é tudo culpa minha.

(rápido)
Vou começar a ir onde não iria
Vou tratar por tu idiotas
Vou achar que é normal
Até mesmo especial
gente que se cagando
suportando o vício é amigo
Vou comprar um Kimono
Vou ficar mais mongo
dar $ p'lo vazio.

(devagarinho)
Pouco a pouco
pouco de cada vez
pouco ou chinho
até não ser um menino
até ficar lentamente bom
talvez mais feliz
sorridente
indiferente
ao que antes me incomodou.

(locutor de rádio)
Acho assim o nosso herói,
Que tudo o que de mau tinha
com aquela tipa iria mudar

...

Passou um dia, uma dia a seguir
se não falho as contas passaram dois
e depois 3, até semanas
e não é que a sacana
ficou indiferente na mesma?
Deêm sal À lesma
- gritou quem me conhecia
e como não percebia por ser outro mais quis.

Nem um esforço ela fez
nem uma vez nunca 3
4 não houve porque mais não tolero.

"tens de ser sincero contigo
Olha para o teu umbigo"

ELA È ASSIM

[VOZ de doido, rápido]

Ela não muda
ela não muda
não
não muda
Ela não muda
Não
Não muda
Não

Eu não sou assim tão mau
tenho um bom pirilau
e p'lo que consta sou bom de cama
E isto é só a merda básica
A primeira derivada...

[CRIANçA a enumerar]
Tenho casa paga
Sou minimamente
inteligente
Tenho conversas de interesse
Sou delicado
dedicado se apaixonado
Protejo
sou educado
Até posso ser de confiança
estou só com quem quero
Espero
Porque espero que esperem por mim
TEnho um humor caricato
Ofereço o bocado a a que chego
....




quinta-feira, junho 30, 2011

I

Uma vez disseram-me que estava em modo meio-homem. Não percebiam o que me tinha sucedido já que estupidamente lhes contara o quão feliz eu estava. Coisas mudaram lentamente como a minha consciência do eu que sou, ou era. Á medida que me olhava ao espelho, perdido entre as rotinas de cremes a que me impus para não dar a alguém o peso da idade e das suas, ao longo dos meses ia percebendo o que me contaram; não estava mais pequeno, estava era agrilhoado a uma esfera cada vez mais densa (como se progredisse na tabela periódica) enquanto corria numa passadeira de atletismo. As quedas eram frequentes mas, devido ao costume, pareciam já não doer nada; estava dormente como o Waters a dada altura do muro, e parvo assumi que era por conforto.

O desconforto acabou por ficar óbvio. As desculpabilizações carinhosas ou boas passaram a ser simplesmente estúpidas. E o excesso do bom a que me impûs terminou como eu nunca aprendi a acabar. Coisas há que precisam de saúde e de educação, outras há que necessitam da sua falta, e olhando-me ao espelho vi-me com o chapéu que nunca me puseram na sala independentemente do castigo.

"não foste educado para isto" uma vez disseram-me, "Não fui educado para isto" agora percebendo respondo eu.

II

De nada serve crescer
Mantém-se o dilema.
Luta grande
Ou Luta pequena
é e será Luta mesma.

III

Há aqueles a quem escrevem poemas feios e que os merecem jolies
Há os outros que têm bonitos mas nem merecem uma linha,
Também os há com sorte.

(...)

É triste querer tudo de quem nada traz nos punhos, os dois, que estende.

sábado, junho 25, 2011

Citando o JP que se lê GP

"Está com bom aspecto a senhora - diz a outra
O aspecto não dói - diz a primeira"

Há primaveras que chegam com o solstício que não é de Inverno.

Há primaveras que chegam com o solstício que não é de Inverno. Há tanto que é até o instante em que percebemos que nada foi. Agora vê-se, põe-se lado a lado tudo como quando se comparava o passado no passado recente porque na altura era um presente que agora só pode ser distante; como outrora avalia-se os x's que preenchem a escolha múltipla aparentemente simples mas que na altura nunca o foi e que até levou as mãos a suar e por isso a largar por vezes a caneta que imprimia a folha com o que em nós estava. E agora olhando percebe-se que as árvores eram silhuetas de edíficios que nenhum surrealista pobre foi capaz de edificar a partir da sua imaginação, o céu era um inferno invertido e o inferno era o oposto desse mesmo céu. O caminho era uma paragem de autocarros numa IC qualquer a que se chama vida.

Até a música soa ao que durante nunca soou. O que antes não se ouvia é nosso e tem, mesmo que por pouco, o sentido que deixara de ter.

segunda-feira, junho 20, 2011

Á chiqueta F. Nascimento

I

Assim é Lisboa
Faz de ti uma Pessoa
na boca do mundo.

II

Por mais que bom haja
Só o sujo ficará
mesmo aquele imposto

III - Variações sobre o mesmo tema comparação de personalidades distintas. (começo à campos o resto logo se vê)

Veio ter comigo junto ao quiosque do Camões,
Cabisbaixo como sempre mas sob a luz diurna,
Estava mais cheio do que antes lhe faltava
Era o mesmo parecendo outra pessoa.

Conto-me as estórias que eu já sabia dele mesmo
Ouvia-as com a novidade que o verdadeiro permite,
Qualquer filtro destrói uma memória que a partilha
Tende sempre a dividir por campos distintos.

Sabia a minha também por outrém
A partilhada com o interlocutor da sua
Senti-me o que ela já antes fora para mim,
Uma imagem desfocada que alguém achou que viu.

Rimo-nos do mode que os nossos lutos permitiam,
Perdera um amigo que eu desconheço
Ele sabia que eu algo também havia perdido,
Já passara pelo mesmo mas com as idades inversas
eu Nada lhe disse, ninguém perdi ainda, mas senti
Nos seus gestos marcados o que nos era comum.

Os cigarros esses foram-se acumulando
como as lágrimas que não tivemos coragem
ou força de soltar por tonificação de glândulas
baseada no repetitivo esforço.
Falámos enquanto caminhavamos para o seu destino
Não nos preocupávamos com a Garrett e os turistas
Ninguém nos veio vender Haxixe no Rossio
Não parámos para beber uma ginja naquele pequeno estanco,
Precisavamos somente de trocar algum cromo
Daqueles que faltam para preencher a caderneta.

Era um deles
não era como eles
ouvi dizer que já foi pior.

Seguiu o seu caminho sacro pesando-lhe a cruz do que se foi,
Sorri c'oa vontade de escrever e com a surpresa decisiva
Que um simples café junta Universos paralelos.


O que dói não é o corno é o ângulo de entrada.

Para apreciar ao som disto. Aqui.




Caxuxa: Ninguém por enquanto por perto

I - As paredes são diferentes, o local é o mesmo, o estado mais ou menos

A vida é tão parva que há quem traia e se consuma pelo ciúme.

II - É bárbara a consciência

O mau hábito tornando-se costume muda,
A mais simples percepção da realidade
Consome-nos o medo que afasta o necessário
Espantalhos somos em nós do que queremos.

A consciência essa chega-nos mais tarde
geralmente quantificada pelademasia
Com o rótulo que só nós temos de saudade.

Os gestos de puros ficam sujos
e incomodam as sensações calejadas ou
Se alguém não evitar sofridas.

O que se dá bom pesa c'oa densidade
desconhecida até o então da entrega.

Quem escreve espera que passe
Que passe ao compasso da bebida.

III - O sub é o que queremos, do sub de outro vemos o que nos dão.

Há quem beba luz e escuro,
Fique porque mais nada há p'ra alumiar
Outros clamam p'lo que ao seu lado
nunca deveria ter deixado de estar.

IV - II + III - I

Nunca foram as unidades métricas culpadas,
pela pequenez de uma pessoa.
Sempre existiram degraus ou outras
maneiras de chegar ao alto.
Há quem estique o braço
Mesmo que só com isto não possa.

Vive conformada a maioria,
é por arrasto que sente
E os rectos esses hão-de ser curvos se deixarem.
Sempre, sempre se quer mais um pouco de tudo
nada a ninguém chega
E os braços vivem de acordo com a cabeça
que o coração a terra gruda.

V

Já é tarde p'ro que antes fora cedo, são horas de ir deitar.

VI

Já é tarde deixa de te armar em pessoa,
Esse escrevia num armário
Tu és alto demais p'ra mobília padrão
Não es como os outros (a maioria)
és um outlier para cima
e isso dá-te outro peso.

Pensa que daqui a nada tens coisas a fazer
Tens de estar apto a pensar,
tens de ter uma voz que o bagaço
o gin
o whisky
e um cigarro,
Só te acabam por estragar.

E deixa-te de rimas pobres
São bem piores para quem sofre
"Esta pessoa vai sentir que pode
dentro de minutos se tiver sorte
que esta coisa é coisa pequena" - [voz de interlocutor]

Por isso rapaz tem calma, tem calma e pensa
Sabes que como outro qualquer problema
Da vida nunca terá solução melhor.

Isso,
Começa a deixar a rima num canto
num lugar qualquer ao qual não podes
não queres, ou tens medo de chegar.

Sê um homem rapaz
Sê o que a tua barba implica
Não tenhas medo do próprio que tu és.

Recomeça,
sabes que são quase horas do ó-ó
do bem bom que precisas
Como tens feito sem ninguém te acompanhar.
Até mudaste os lençois pá
até a deixaste sair de tua casa
Até da casa da outra saiste
Até p'ra casa de outra o táxi não apanhaste
E pelo que vejo ja nem expandes a tua conversa
Aquela que sempre tiveste a desconhecidas.

(vá podes, só desta vez) - Voz de responsável de infantário

Acaba a bebida
Nao sejas menina
Vai para a caminha
Sonha com o que queres
Quer sejam mulher
Ou simplesmente porcarias.

Isso,
Um último trago
Mais um
Agora outro
Esta quase
mesmo quase
Pronto,
Vamos que dói o pulso.


Epitáfio

Gajas malucas
vão para o caralho
mais vale eunucas
dão menos trabalho.

domingo, junho 19, 2011

4/06/11 provavelmente Antes do Meio dia.

Ditamos regras que não esperamos exercer
Com o medo que nos dá a reacção
A algo que consideramos furtivo.

Negamos tudo o que nos foi ensinado a negar,
E deitamos sentenças sobre nós
Pesando-nos o trilho p'lo que há.de vir.

E quando surge um dia o inaceitável
O que mais dói é o peso de não o ser
e as horas perdidas c'o medo.