Ensaio I
Ali, até a Rua curava,
A água caía despressurizada
Arrastava com ela a merda
à flor da pele enquanto escorria
sobre o corpo envergonhado
Abraçado a ele próprio.
Dormia-se pensando no hoje
como num holiday inn
tacto era uma sensação boa
a mínima que se tinha
Antess de mais um dia acabar.
O trabalho era uma pausa
terapêutica na justificação
e o whisky vertido um gesto
que se acreditava quebrar a rotina.
Da janela o rio parecia outro,
se descesse não era para fugir;
embalava-me com o vento
as luzes descontínuas do outro lado
para onde tão poucas vezes fui.
Ensaio II - soneto tentativo
Até a rua me curava sem
sequer ter reparado no seu nome;
Esqueço o que tinha, p'lo que trouxe
um mero abraço sincero, mãe
Se tu soubesses o que tinha sei
que me olharias de forma doce;
me porias no teu colo p'loe que fosse
eu é que o chão teria a que me dei.
Não me lembro de noites, do vertido
Das correria parvas, dos excessos
Do que em vão atirei sempre sorrindo
De me esconder sem luz sempre por medo.
Abriu-se a porta, vou entrar, eu quero
Por sorte este tardar p'ra ti é cedo.
III ensaio solto.
Cada gesto não me parece
que deixa de ser pensado.
Teme
e treme no instante
aquele mesmo
em que se deixa ir.
Vê.
com os olhos
de quem observa;
Categoriza
pelo dado conclui
e ui
como gerlamente acerta.
Ás vezes não pensa
Não se apercebe
fica mais bonita
como a chaleira
a que rosna e não ferve.
I - (e agora começa) Hoje.
Sinto-me eu próprio aqui;
fico com um barco atracado
no porto da primeira partida.
Fala-se e come-se o mesmo
repete-se e entende-se o chamamento
de tudo o que no profanao é divino.
II- a rotina
Aconchega-me o leito enquanto trabalho
e parece que me esqueço de ti;
És tu quem vejo entra cada viagem
Entre o que crio em troca de cigarros
e do que bebo mal doseado contigo.
Olhas para o gráfico e ris-te
Crês que o esforço está na côr;
Explico-te entendes que há mais que isso,
nenhum poema me levou mais que cada número
Cada variação, suplemento, conteúdo
que esse slide com título em a paraste.
Sinto-me eu próprio aqui,
não um conjunto conjugado com outro
por um motivo qualquer parvo,
pequeno para quem não o entende,
idiota para a maioria que conheço.
Falas de mim juntando os dias
percebes que o disparate tem gaguez
que a gaguez vem de antes
que o antes vai sempre mandar no depois,
e resolves, ou tentas, muito antes de surgir.
Espreito pela janela
que me ofereces por entre os dias
Do outro lado tudo.
Sem medo é assim que me tens.
III
Cheira a citrino mas engana
é doce, doce, doce.
Se não soubesse talvez fosse
ARGH CHIiiiiii do (dito a fazer caretas por causa da acidez, comer um limao se necessário)
Ah,
Como gosto de surpresas
desta mais que é boa.
IV - O antes (é chato, querer ir para a garagem e acabar no 12º)
Falava-te de estórias entre
disparates meus e gente disparatada
Ouvias como quem tem algo para contar.
Aparentemente vendias tópicos novos
Para conversas minhas futuras.
Tinhas um espanador num canto;
E eu que até há pouco acreditei que o pó
Aspirado tinha melhor fim
Não percebi que me faltava um lá
na casa onde acabaste por entrar.
"Suddenly i saw you in someone else's shoes"
e foste-te sem saber que o caminho
se for feito leva a algum lado.
Era da casa que eu te falava,
Talvez por lá ninguém estar;
Tinha medo do regresso, sentia-o
Incómodo como a água de África.
Não me escondi, tu rias-te
por entre os medos parvos de quem sabe
quantos dias de vida lhe restam
e os poucos momentos em que te apresentaste.
Rodava tudo à minha volta por não haver semáforos,
sem saber não tinha o peso no peito
por o colesterol não estar ao lado;
Até dizia algumas coisas com graça
não me expulsavam de estabelecimentos
comerciais eram os meus gestos e vendia.
Não queria acreditar, depois de tudo
que o que me define velava há dias
ou há mais tempo não interessa,
o que é o tempo p'ra quem não existe?
Antes era um vulto que rondava
sem saber nem poder tocar o mundo
um ganz um bruno com mãos que não sentem
com olhos que limitam o que quer
com um corpo dormente e limpo;
Antes
Antes tocava o que q'ria e fugia
Para casa como se lá estivesse seguro.
Agora deixo a luz ligada como um farol
um sinal de que alguém lá habita
por entre aquelas paredes pesadas,
sujas de leite atirado
sangue derramado,
ecoadoras de gritos de maldade.
Hei-de voltar quando tiver tudo,
agora só faço o que quero, mesmo que não precise.
Mesmo que me canse
mesmo que alguém se irrite
E um dia
Hei de camar casa
casa
CAsa
caSA
caaaaaaaaaaasaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
Casa
Casa
Casa
CasA
Casa
casa
casa
casa
CÀAAAAAAAAAAAAAAAA SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSAAAAAAAAAAAAAAAAa
POrra
A um sítio onde se vive.
V - o imediatamente antes
É triste a chegada do tristemente esperado,
a lógica falha e p'rás sensações não fomos educados.
Pesavam-me as divisões sem vida,
e o vazio só pelo que ingiro era preenchido.
Fomos com o deprimente deprimido;
evitando as ruas que logicamente trariam
por horários conhecidos a tristeza do luto.
Descemos e ainda não tinha chegado a de auto cultura
mais uma fonte de preenchimento.
Bebi a russo como fui ensinado,
sem educação a nada brindei
o motivo ainda não me era conhecido
e em cada copo ficou um pouco de mim.
Queria dançar e eles também e fomos,
onde me contou que ainda bem vindo
não era, viam-me sempre como um torto
- quantas vezes não estive eu já sem luz?
Dancei e perdi-me ainda mais
come se cada passo fosse um ritual
shamanico, católico, moçulmano, budista ou meu
e quando ele se foi comungámos talvez a distintos
sinceramente nem me lembro bem, ídolos.
" eu vou mas em 10 tu tás lá!"
passaram a mais e de minutos a dias.
É tramada a consciência se moral
alguma tem imposta com pouco de egoísmo.
Valeu-me a verdade pingada ou comichosa
que sem saber me deu quando a vi.
Milagrosa é visão que o jejum permite
sensível é a verdade ao bêbedo
e idiotas passam a saber ser idiotas
que ao ébrio nunca idiota foram
"Sejam felizes mesmo que tristes
e os outros tristes felizes façam
Mesmo que só a tristeza apalpem
Porque a felicidade não entra p'lo nariz"
Caído o peso era cedo para tudo
Estava em casa a da rua que curava
entrei a sorrir num táxi
1/2 bebedo disse mundo.
VI - porque tem lógica tudo resumido
Sinto-me eu próprio aqui,
entre o que crio em trocas de cigarros
e do que bebo mal doseado contigo.
Cheira a citrinos mas engana
é doce doce doce.
Antes tocava o que q'ria e fugia
para casa como se lá estivesse seguro
Caído o peso era cedo para tudo
"porque entrei num táxi tenho o mundo".
VII
Casa Trabalho
Casa Remédio
Cama Dormida
Casa Trabalho
Casa Farmácia
Casa Remédio
Trabalho Dormida
Trabalho Casa
Farmácia Remédio
Dormida Trabalho
Remédio Fado
Remédio Dormida
Trabalho Remédio
Remédio Trabalho?
Casa Trabalho
Travessa Remédio?
Trabalho Remédio
Remédio Trabalho.
(repete-se até ficar sem ar)
