Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Duas noites de seguida graças ao black berry de merda por trabalhar.

I - Caxuxa revisited

Felizes vivem os tristes,
Aos meus olhos, ensinados
Por comparacoes parvas
Atipicas no conteudo sublimes
Pelo tom que estranho
Depois de dito gravado.

Para alem da memoria
Depois de solto nada
E nosso e o vazio e tudo.

Chorasse lagrimas preenchidas
Fossem as faces taLvez tristes
TiveSse a conclusao logica
E as ladainhas como esta
Afinal tivessem sentido. Certo
Tem de estar sempre o feliz.

Tem o carioca de limao,
Coa sua chavena grande
Embalo que atribuia ao whisky.
Menos uma certeza. Merda.
Para todos os que rodeando nao
Me veem pAra alem de uma presenca.

A mancha que nao presta.
Merda.
A falta de mais que uma sesta
Merdas.
O orgulho que me resta.
Merda.
As piquenas da festa.
Merdas.
E o pensado recurso alternado
Sempre nao esperado
Do singular e do plural.

Nao tenho horarios,
Nao tenho estrutura
So um badamerdas sem cordas
Se propoe a trepar a escarpa
Talvez caia
Talvez nao
Senhores
Perdao senhoras
Vao sempre primeiro.
Mas neste caso este pequeno homem
Propondose a tal desafio
Exigente de preparacAo fisicA
Da que mais exige ate
Podendo se aleijar
Prefere contar
Que quem nao aguente evite.
Um espectaculo certamente
E tristemente sanguineo.

E assim comeca a criar
Espera so
Porque nao o quer
Que se acabe por lembrar
Dos outros que sao felizes.

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II - Na vizinha

Não ter papel já não impede

A escrita q fluente surge
Autocorrigida caligraficamente
Triste mesmo com a semântica
Matreirmente sempre ao lado.

O sentido perde-se c'o tempo
A ir e vir e de súbito nos surge
Pragmaticamente alterado
Como o dia de um sol que sucede
Outro mas em novembro.

É o mesmo eu tremo
Tive medo delas mas é dela
Que fujo por entre as ruas
Que me amuralham.
e passa com o sol a mudar.

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quarta-feira, outubro 19, 2011

Estou rodeado de gente que não me conhece e, ao invés de me assustar, sinto-me livre como a minha vida normalmente não me permite. Aqui nem tudo se resume a um conjunto de ruas que consigo de côr nomear, a pessoas que me conhecem, a sítios onde consumi, a sítios onde fui consumido e a uma cama que por milagres contraceptivos não iniciou dinastias.

O que somos e o que seremos só depende de nós, e o que nos rodeia é o principal factor que nos permite concretizar o sonho que também nos permite ter. Em Portugal cada vez mais sinto que o que me importa já faz parte do meu pequeno grupo; a inveja que define a maioria dos portugueses , não pode ser evitada em estadias prolongadas já que eventualmente terei de conviver com gente que não me conhece mas acha que sim, e daqueles dos quais só por acaso saberei o primeiro. Saio e tudo é novo, não existem opiniões pré-concebidas e, como sou estrangeiro, por mais que algo se estranhe será justificado pela nacionalidade que, por sermos periféricos e pequenos, para a maioria é uma surpresa. Só temos de o fazer bem feito para mudar caso exista uma reputação pior mas mais viva que nós.

Importa é salientar que importamos, quando regressamos à terra, um conjunto de referências que, se implementadas com sucesso, poderão impactar, por ela ser pequena uma grande proporção de conterrâneos. Não se deverá ter a noção do absoluto nesta análise; lucros à parte influenciar 1 M de pessoas em Portugal implica que 10% da população (aproximadamente) se "alterou" e esses 10% são mais baratos e acessíveis que a maioria dos 10% do mundo. Chegar a eles já é outra coisa, a forma como se o faz. Temos de ter em conta que alterar alguém já maior é difícil, deverá pensar-se nos jovens como principal fonte de mudança, e na nossa vida e tempo como o principal investimento para assegurar a melhoria da vida e do tempo deles neste mundo.

O que ensinar também é algo que terá de ser definido; tal actividade não será levada a cabo por mim mas creio que se deveria focar mais o ofício, o trabalho do corpo e mente, principalmente antes da maioridade. Será crítico desenvolver, enquanto há tempo, ferramentas mesmo que depois elas não sejam utilizadas para aumentar o leque de escolhas e de possibilidades desde tenra idade, e tornar mais fácil a sua recuperação quando um indivíduo que já se encontre na fase adulta assim o desejar.

Certo é que hoje esta gente terá um impacto limitado mas também é certo que o tempo lhes poderá trazer as posições necessárias à promoção da mudança geral. No entretanto o mínimo requerido socialmente para o desenvolvimento terá de ser complementar e parte de qualquer formação; caso contrário, nem um nem os outros estarão praparados para o que lhes é distinto. O choque terá de chegar por decisão e nunca por condição.

Sinto-me bem aqui. Sou diferente ao ponto de não me possuírem tendências de normalização. Atá a falar sou outro; como não sou daqui não me exigem o que exigem aos outros deles. Quem aqui me conhece faz-me sentir como um indivíduo com um valor que é óbvio; quem não me conhece não se assusta. Cada dia que aqui passo me faz voltar mais "eu próprio", e é desse sentimento que surgirá a minah criação para o mundo e, por assim eu ser e ser de facto, o que eu fizer há de ser único, e assim o que me rodear também o será.
Hoje sonhei com os meus sapatos. Ficavam rotos e caía a sola, senti vergonha, ou algo parecido, não sei bem, mas custou-me, mais do que não ter nada nos pés, ter algo incompleto, errado.

Depois acordei, e acordei tarde. Tenho de me acostumar a despertar cedo, a deitar-me cedo, a fazer tudo a temp e horas e, acima de tudo, a pensar não em demasia e ser menos perfeccionista. Incomoda mas por vezes serve, talvez tenha de ser assim.

"Don't think twice it is alright", dizia o bob. Por alguma razão o disse.

terça-feira, outubro 18, 2011

Há muitas formas de voltar a casa de entre elas destaca-se não voltar a entrar.

Caríssima saiu-me esta noite estranha, pois, por mais que controle os dias p'lo que percorro e faço ao longo deles, no sonho chega, por vezes, tudo, ou parte de, o que evitamos. Ainda por cima tenho a mania que sou profético, e isto só piora as coisas porque, como tu bem sabes, nunca me lembro bem do que vi; estou certo que tu estavas por lá, mas já deves ter percebido pelo tom do texto. Também me lembro de um parapeito; de um corpo despido; de me preocupar outra vez; de alguém que era um jockey de discos com um nome com G; da sua lista de concertos internacionais; de acordar.

Fui tocar a primeira música que fiz para a minha guitarra nova e, pela rimeira vez, chorei no refrão. Sonhei, e preocupei-me de novo; insisto. Os sonhos não batem à porta à espera que ela se abra. Eles surgem e pronto já estão na nossa sala a ouvir os nossos discos e a afagar-nos o ego que também podem destruir.

Agora são horas de ir trabalhar, de apanhar um táxi que, por ser hora de ponta, vai demorar a chegar. Há uns meses acordar-te-ia, porque me pediras um despertar para uma vida mais saudável, mais crescida, ligar-te-ia e no meio dos nossos medos teria um motivo para sorrir. Não o faço, por mais que me apeteça. Nunca hás-de acordar, p'lo que sei e vejo, estás cada vez mais adormecida nesse teu mundo que embala como se fosse só isso o preciso. Não o faço, vou trabalhar, escreverei mais noutro dia.

segunda-feira, outubro 10, 2011

Epifania no taxi a caminho do trabalho.

Procurei sempre distinguir aquilo que crio daquilo que faço, para me alimentar, empurrado pelo sistema que critico mas que, por essa atitude existir, também acabava por se perpetuar comigo. De dia assumia o ar lavado e contornado por um nó de gravata cada vez mais perfeito, apesar de instintivo; de noite só a imaginação me limitava ou uma namorada que sofresse de homofobia ou de um gosto intransigente. O propósito era servido: quando cinzento estava só uma pessoa mais sensível era capaz de me ver como alguém fardado por obrigação, quando à paisana todos assumiam que algo de artístico sustentava o meu ser. Ou uma ou outra portanto nunca a sua intersecção.

Uma pessoa com quem dormia disse-me mais de uma vez que gostava desta minha dualidade à la Clark Kent; sinto hoje que foi das coisas que mais a fascinou e ajudou a promover uma cisão da minha personalidade entre estes dois extremos aparentes. Agora que já não durmo com ela, e existem vestígios cada vez menores da sua presença no que me rodeia, tenho vindo a pensar diariamente, no tópico deste texto também promovido pelo peso crescente de pessoas que tanto entendem do meu trabalho como da minha paixão criativa no meu quotidiano. Partindo de conversas bem argumentadas e do respeito claro que tenho pelo que me dizem sinto uma alteração clara na minha auto-avaliação.

A limitação de uma pessoa a uma determinada área e às perspectivas associadas à mesma reflectem-se na qualidade de uma obra/ vida, que por consequência terão de ser adjectivadas exactamente da mesma maneira. O sistema educacional não promove formas de pensar holísticas desde uma idade tenra e, caso a família não seja minimamente abastada, as alternativas extra-curriculares terão uma presença limitada no currículo de um futuro indivíduo e, consequentemente, tudo o que é considerado alternativo pela maioria, neste sistema instruída, sendo o alternativo cultural (música, teatro, cinema...), não fará parte dos interesses da massa para além do voyeurismo permitido pelos meios de comunicação e produções de fraca qualidade promotoras de sonhos consumistas.

Do sistema actual acabam por se manifestar dois extremos que indicam a separação entre a razão/ciência e a emoção/ciência social quase por inteiro; a primeira grande escolha individual sob o futuro de um indivíduo, aos 16 anos, implica que ele tenha de escolher entre a aprendizagem de uma sensibilidade artístistica, desde a sua história às distintas maneiras de a manifestar, e o desenvolvimento de uma lógica matemática e um conhecimento físico do funcionamento do mundo. O irónico deste tipo de pensamento é a sua contemporaniedade já que historicamente a cisão entre a ciência a e arte não era vista como um dado adquirido; no Renascimento era clara a sinergia que existia entre o que hoje é antagónico bem como os avanços que foram permitidos por estes sistemas que só hoje não são complementares; os estudos de geometria de Duhrer, os estudos anatómicos de Da Vinci, os estudos de materiais que cada pintor empreendeu para assegurar a sua posição numa corte que pagasse os seus serviços.

O pensamento toldado em categorias não intersectáveis também se reflecte em manifestações sociais que automaticamente se excluem. A diferenciação entre quem cria/ sente e quem pensa/ trabalha é uma certeza do paradigma actual do mundo desenvolvido; contrariamente à fase referida há pouco, em que o artista assumia uma posição relevante na sociedade e era considerado um membro integrante da mesma, nalguns casos até um factor diferenciador no poder de um reino/império independentemente da sua especialização, hoje ele é visto como alguém que à margem dele vive e cuja subsistência é assegurada ou por um estado social que se obriga a participar na área cultural, com o intuito de a integrar na sua estrutura social, ou por uma estrutura de agenciamento, galerias, que, no limite, se cingem, por uma percentagem do valor percebido do artista, a garantir-lhe um meio de comunicar/ chegar a um grupo social que, por não o entender, necessita de uma confirmação de que aquilo que ele faz é "bom" e merece o seu "investimento". A não integração reflecte-se num desfasamento de sensibilidades, na falta de entendimento de um sistema, por ser composto por equações não complementares, e daí resulta um produto que não serve verdadeiramente a alguém que não pertença ao nicho que o produz, que não entenda os conceitos ou história por detrás de uma construção artística. Tudo isto desemboca numa marginalização da outra parte por cada parte e na necessidade de enaltecer estas diferenças desde a maneira de vestir, à maneira de falar, às dietas, aos ideais, às reinvidicações, tudo para que cada um de nós assegure a si mesmo, e a quem o rodeia, que está num dos lados da barricada.

Diariamente saltei de um lado para o outro. Constantemente me preocupei a mostrar uma fracção de mim em função das horas do dia e de quem me rodeava limitando, como a sociedade supra-citada, todo o potencial do que sou. Trabalho com os números do lado que me formou e tenho a necessidade instintiva de me exprimir contra o que está instituído tanto de um lado como o outro. Uso fato por vezes, por vezes cobre-me a obsessão dos meus dias em tinta ou em palavras que junto de uma maneira própria. Sou a soma de partes que geralmente não se encontram e, por essa condição maioritariamente imposta, sou do mais subversivo que há. Num futuro próximo é assim que quero que me tomem, como cada vez mais me vejo, através do produto que resultará da intersecção dos meus lados, de uma sensibilidade estruturada pela forma como fui criado e, acima de tudo, que surge dos estímulos que os meus mundos me dão. Valem-me os valores que por vezes esqueci que possuía, eles são o denominador que torna o aparentemente oposto comum.

Outros há como eu e se depender só de mim que todos se juntem pelo que valem e valorizam. Quando o Grupo chegar, quando o Grupo se mostrar, quando o Grupo fizer um-a-um todos irão ser parte dele.

Vou-me com a base do manifesto.

"A quem fode para criar, não a quem cria para foder"

domingo, outubro 02, 2011

Em madrid há já um ou dois meses.

Eu que sempre fui alguém e alguém que prezou a sua individualidade fui por ela o dela o "de". Senceramente até que fez umas coisas alternativa que eu nunca vi, e uma delas fez e fez outra e desfez.se de mim. Tudo o que fiz acabou por ser por ela; o de até fazia algum sentido. De mim por ela; até saí do verde que alguma esperança ou futuro me dava.

[De ninguém é melhor. Tenho, e quem me tem é. É mais bonito, exige é conhecimento de farmacologia e aquela de quem eu era presumo que não sabe nada disto.]

domingo, setembro 18, 2011

1º deste tempo 681º tendo em conta o primeiro que se escreveu.

I

Neste preciso instante não faço nem o que deveria nem outra coisa qualquer que me alegre. Estou inerte. Ideias não me faltam, preguiça duvido que a tenha. Incomoda-me a falta de capacidade para tomar uma decisão, principalmente porque esta, no curto prazo, só há de afectar a minha pessoa, por só ela ter a consciência do que eu me proponho fazer.

As minhas capacidades de liderança, apesar de as sentir agitadas no que sou, assemelham-se a uma criança bruta e perspicaz sem capacidade de se mover e de controlar as suas cordas vocais. Sou algo em potência que se perdeu durante anos em desabafos imberbes que a poucos mais valem que àqueles que me conhecem para além do meu pseudónimo parvo. Tenho ideias, apetece-me dar estaladinhas de luva branca a tanta gente que o recurso à luvaria Ulisses será limitado às intervenções públicas de maior "categoria" - tudo uma questão de custos. Falta-me é decidir quais delas aplico, ponderá-las bem e sair do acto de ponderação. Não é preguiça, insisto, é falta de decisão.

O problema que me prende a um lugar passa pela falta da segurança moldada pelo paradigma que me acompanhou, maioritariamente, durante o meu desenvolvimento. Tentei procurá-la em pessoas exteriores ao meu meio envolvente mas, nas rifas que me calhavam, a maioria das pessoas que me tentavam suportar, eu não as tinha na consideração que deveria e, por isso principalmente, o que de bom me davam passava ao meu lado sem sequer ser sentido. Que me perdoem e mais que isto não posso fazer neste momento.

O futuro já implicará outro tipo de compensação, gratificação ou prova de afecto. Serei eu próprio e executarei o que proponho e cada um de vós terá algo do que se execute, da execução ou da génese em si da ideia, porque tudo o que sou também é de vós que parte e assim a concretização de algo meu terá de ter algo vosso.

A estruturação dos elementos e dos processos necessários ao acto criativo, pessoal e do grupo, serão numa primeira fase a minha prioridade. Digamos que o meu tempo é actualmente limitado e, já que o que faço agora também tem a ver com esta actividade, vou tentar juntar o que faço e o que quero fazer para aproveitar eventuais economias de escalas.
  • Perguntas a responder!
  • Calendário
  • Eventuais membros do grupo
  • Actividades a realizar
  • Estrutura a utilizar para potenciar as actividades
  • Cada uma delas terá impacto nas outras e por isso será adaptado
Vou começar hoje com os dois primeiros.

II

Qual o melhor modelo para ligar o aparentemente não intersectável mundo artístico ao seu oposto de uma forma que lhe restaure a capacidade de influenciar a realidade e que lhe garanta a subsistência dos seus constituintes?
  • Quais os principais erros da estrutura existente? Dos seus intervenientes? Das suas intervenções?
  • Que pode Portugal aprender com outros países na actualidade? No Passado?
  • Porque é que os artistas têm a mania que não são pessoas inseridas numa sociedade? Porque é que a sociedade os considera alternativos em pretérito de indivíduos? Porque é que não têm uma noção empresarial/ empreendedora?
  • ...
Continua.


sábado, setembro 17, 2011

Nova vida.

Parti tudo o que tinha nunca o que não havia para partir. Agora dou música aos meus poemas, é-me estranho mas dou mesmo que não seja tarde, esteja sóbrio, não tenha a gata por perto, e apesar das avaliações. sempre negativas, do meu pai ao meu talento musical.

Faço e fico feliz por isso. Tenho a consciência do que faltava e do que tinha em demasia. Agradeço a quem hoje me inspira e que antes não podia gravitar no meu mundo por massa exagerada dos satélites em meu redor.

Tudo o que venha ao mundo por mim, agora, é a cada um de vós que dedico, o meu mundo dentro daquele a que com esforço foi entregue.

Obrigado.

sexta-feira, setembro 16, 2011

Tentativa de duche I

Os argumentos estavam gretados,
como as mãos e os dedos
sujeitos ao demasiado tempo
em que a água escorria sobre nós,
quente sem nunca se impor.

Agora de nada servia.

A fuga para dentro.

Que o braço se estenda para além do meu corpo e da consciência que no limite parassimpaticamente o move; que desça sobre mim o que me guia e que, expandindo-se em meu redor, me traga uma consciência maior que a minha estrutura e vida permitem.

Vós que acima de mim estais e me enganais, vós que abaixo residais e me arrastais no mundo, vós que os guiais e ao mundo dais a forma pela qual se rege, sejai um comigo e trazei ao papel o que não ouço.

Acaba o cigaro, acaba o cigarrao, acaba o cigarro; começa.

Os dias só servem para permitir uma continuidade ou formação do que és e nada mais do que isso.; tens de adquirir a consciência do que está para além do teu corpo X: as forma que consegues impôr à tua maneira de ser têm impacto também no que te rodeia, e nunca te poderás esquecer disto, tal como nunca poderás perder a consciência dos teus gestos mesmo que por inteiro não sejam teus.

Pára, recomeça lemtamente, como o tempo a que ainda tens direito e não sejas parvo ao ponto de sentir que aquilo que estás a escrever é mais teu do que do mundo. O que ela te diz tem o seu quê de verdade; a caneta que te foi dada, mesmo que comprada por ti, só srvirá o seu propósito quando estiveres preparado para a possuir. De nada mais é capaz do que aquilo a que te entregas por direito. Fecha os olhos, cerra-os e não tenhas medo de o fazer. Fecha-os. Sei que é difícil e que o texto se tornará mais confuso mas a parede que é a leitura só poderá ser transposta quando a consciência for afectada.


[desenho] - Os olhos são limitadores nem que seja pela miopia tens de usar o que é teu por direito.

Deixa-te ir, deixa-te ir.

O mesmo texto ou mesmo estímulo reak deverão ser percepcionado pelos olhos que, através de cada plano, terão uma percepção distinta do real, devidos aos seus diferentes filtros. Um texta assume um apel mais qque ele próprio. As pessoas também são um exemplo dessa leitura bem como como as situações que os envolvem a todos (estímulos). A compreensão do texto assume todavia uma alteração da consciência para o nível do observado pois, se assim não fôr, não poderá ser percebido na sua plenitude por, da mesma maneira, não ser enquadrado. Com isto não se diz que o observado tem um diferente (melhor ou pior) nível que o observador já que essa consideração só poderia ser falsa, nada não é melhor que tudo e tudo não é e nunca será melhor que nada, apesar da evidente diferença, tanto semântica como observável. Cada um está no nível que é suposto estar, mesmo que o aparente paradigma em que algo se insere promova tal distinção é somente por predestinação que assim acontence ou, se quisermos utilizar outro termo, porque assim tem de ser. Voltando atrás, a utilização desses distintos níveis de consciência irão permitir alcançar conclusões distintas mas tanto mais válidas como mais próximo nos situarmos do observado; mesmo que o aparente esforço seja extremo, será compensatório no final, nem que seja por implementar uma maior justiça no processo geral e, consequentemente, o respeito na observação e no observado.

Quantos não se sentiram injustiçados
por palavras vãs e promíscuas
sobre as palavras por eles usadas
nunca terem sido entendidos

Até o mais inocente recado
por certo para o bem de alguém solto
foir outro mais sábio tomado
como o sinal de grave confronto.

Baixe-se o sábio se o é e veja
se mais alto que o outro se vê e tenha
Como o outro teve o seu estímulo
Ou se mais alto for que se erga.

Quis alguém que assim fosse o desígnio
Poucos podem, podendo que se mexa.

As asas são dadas não para voar, para acender aos céus. Se as temos e aqui estamos é porque de lá partimos com algum motivo. Temo-las para nos movermos com maior celeridade como este tempo exigem, como o vaso que ficou a tombar e que acabou por não cair do último dos profetas reconhecidos. O mundo já não vê há séculos mais nenhum milagre porque exige mais que a própria bondade, já de si rara neste mundo vil. O mundo quer magia, quer andar sobre a água, quer que dela surja o vinho, sem o esforço da colheita, e compra compra tudo o que é vão com esse espírito e desrespeita porque é mais difícil a contenção; o brio não passa dele mesmo.

Desçam sobre mim meus mestres e façam de mim um como me dizem que eu sou. Abram-me as asas atrofiadas também por mim e façam-me ver do que posso; e apoiem-me os braços quando comece a andar; e deêm-me os modos que identificam os X do que partilho; e limpem o meu ser de tudo o que o consome e o meu espírito de tudo o que o inibe.

O nada.

Havia tudo.
Uma casa
uma paixão avassaladora (voz fininha e irritante)
uma mãe que era aceite
uma mão que custava
um sofá e alguma arte,
neles e nas paredes,
O fernando mendes
no lcd que também havia.
Sonhos de uma vida (voz saudosa)
de criar algo em comum.
O silêncio pensado
um quarto e um gato.

Havia tudo
um nada.
[um nada que foi tudo]

Castro Marítimo.

O copo não tem o gin que sempre acompanhou a água tónica e que perfaz cada vez menos o volume de um copo. Na cozinha prepara-nos algo para comer com a compreensão de que algo mais se faz, não por falta de vontade, simplesmente porque assim permite a partilha e a compreensão.

A língua que se ouve desde os jardins contíguos é estranha ao ponto de não distrair; os mundos não se tocam por falta de compreensão ou de vontade de imaginar discursos de actores invisíveis.

Sinto em mim, cada vez mais claramente, uma mudança que ao longo dos dias ganha forma, inspirada que é por ser livre mas imposta tanto de cenários como de comportamentos que sempre considerei normais, próprios da minha pessoa. Estou calmo, e esta serenidade que tantas vezes assumi que tinha face a exigência de uma vida conturbada, percebo agora que nunca poderia ser alcançada se ela, a vida, não se tornasse outra. Acreditei sempre que partiria de mim a alteração do meu paradigma através da mudança criteriosa de elementos pessoais e que, adjuvante desta atitude, o remanescente também se tornaria outro e mais alinhado com o meu desejo de percurso.

A mudança nunca chegou e eu nunca me acalmei. Felizmente, da tristeza de um cessar brusco e desrespeituoso que me consumia através do meu consumo, de carácter dependente, surgiu um vazio que, incluindo uma penitência procurada, me permitiu obter todo um vasto leque de experiências. Experimentando, ando, ando, sujeitei-me ao novo, ao que não me era um hábito e assim vi mais claramente ao que me habituara e fui capaz de melhor avaliar o seu peso. Mais uma vez custou, porque era eu que a eles me entregava; não posso responsabilizar outrém por isso, seria limitador tanto ao crescimento a que me pretendo entregar como à aprendizagem que sendo essencial ao desenvolvimento proposto só poderá partir da avaliação das minhas atitudes - tanto boas como más.

Admito que estranho por vezes o estado alcançado: a beleza de gestos que, apesar de normais, por escassez costume, me despertam desconfiança; as minhas perguntsa sem sentido por procurarem uma aprovação desnecessária; a contenção exagerada do que sou (de muitas maneiras distintas). Ao menos tenho a consciência que tentei esconder por orgulho e por sorte ouço algo a refogar perto e não ao longe, e as linhas que solto não são apressadas e marcadas por algo de mau que se acumulou.

Vou fechar o portão como o papel no aparador pede. Vou fazê-lo calmamente como ela ,calmamente, me pediu depois, não de me deixar, de perceber que estava a fazer outras das minhas coisas. É-me estranho mas já não me assusto de, por instantes, ao lado não estar.

Vou.

terça-feira, setembro 13, 2011

Exercício.

Estalo os dedos antes de começar como se o que fizesse de seguida importasse para uma audiência que, cada vez menos, existe para além de mim. Mas também o que importa para este pequeno autor. que nem sequer o foi, se o leêm ou não? Quase ninguém sabe da sua existência como tal e, para além disso, tudo o que escreve para alguém a esse alguém é oferecido prontamente em papel, por mão distribuído, ou, maravilhas do mundo moderno, por correio electrónico se se souber o endereço. Nunca escrevi com a intenção de dar ao mundo e por isso o mundo nunca me poderá julgar segundo os mesmo critérios com que o Herbertinho é julgado até, tal como ele, eu decidir pôr, por escrito, o que me vai na cabeça num livro qualquer que o mundo terá de comprar para possuir.

A troca comercial que permite a possessão de algo será a única justificação plausível para alguém arbitrar o quanto valho como escritor, de acordo com os parâmetros que academicamente masturbam a cabeça limitada pelas regras que, por consenso, são aprendidas.

"Este é mau, não o compres, este é gratuito não o julgues. Só estás aqui porque queres". Deveria ser o mote de qualquer blog independente do ad-sense do google. Não ganho nada com isto para além de inimigos, quando os casco, ou uma ou outra queca facilmente impressionável por ortografia em falta e progressões aparentemente rítmicas. Mas até estes são poucos porque nem sequer desconfiam do que faço apesar de constantemente, por gestos ou falta deles, lhes mostrar o que por eles sinto.

Um dia talvez consiga, se me continuar a surgir dado um estímulo contínuo do mundo e se a vontade de o passar para fora de mim como uma qualquer mensagem a outrém, que seja mais amplo que 10 cidadãos desta aldeia global, escrever algo que mereça um suporte físico digno de uma biblioteca e do tempo de alguém do Jornal de Letras. Até lá, e muito sinceramente, por mais que me custe dizê-lo - nem custa muito - que se fodam todos e as suas manias de serem Dr. por colocarem o de outros em percentis do correcto. A sua contribuição para o mundo cinge-se a isso e á preocupação de criticarem literariamente um conteúdo que muitas vezes não o é: Arte pela Arte diz-se... há quem chame de punheta crónica por incapacidade de estabelecer ligações com o senso comum; de (não) ser humano.

II - mais um do mesmo mas desta vez no aeroporto de Barajas. Nem que seja por isso é diferente.

Estou vestido de uma maneira de tal maneira díspare do que me rodeia, que o português que se ouve à minha volta crê que não será entendido. A indumentária serve portanto o seu propósito, tanto me desloca claramente de onde aparentemente deveria ser categorizado, algo que admito que procuro, como me permite confirmar uma vez mais que não me enquandro e que a vontade de me demarcar aparenta ter sentido.

Calam-se por vezes. Mas até no silêncio o português tem algo de único. Não falo da saudade porque esse sentimento é demasiado antigo e bairrista para se demonstrar nestas gerações cuja maior preocupação de viagem é o atraso, o perder de uma escala, refiro-me à inveja absurda que. o sazonal regresso do filho pródigo à terra, tantas vezes confirmou que existe.

Não observam o que está a seu redor. Cobiçam. Querem o que não é seu e que, possuindo, têm de mostrar, sempre de uma maneira singela, que possuem. Mas atenção, os objectivos e as escalas de conquista são claramente definidos ao longo de um sistema de educação bastante estruturado, desde o tempo que o servo de gleba ansiava possuir um feudo por matrimónio consumado. Quem tem fato tem sempre de ser Dr., quem tem capacete branco tem de ser engenheiro, quem usa botões de punho e o pin do colégio militar, se não o é, há um dia de ser administrador. Os filhos têm de ser como eles, exactamente os mesmo só mudando o apelido e a cor da gravata ou, se for um bocado mais arriscado, o tipo de sapato que num ou outro pormenor não é como o do outro.

Alguém que não se enquadre nesses eixos claramente definidos nunca poderá ser alguém. No meu caso isto aplica-se numa base diária. Quem me vê de dia durante um período de trabalho e não me conhece trata-me por um título que supõe que eu tenha e pela farda que envergo, sou um gestor, direcciono equipas, defino estratégias; o sol põe-se, a responsabilidade esvai-se e ponho-me como estou hoje, disfarço-me: ou levo no cú ou sou artista, ou para as mentes mais recalcadas sou um misto dos dois. Sou uma proeza; o que não sabem é que também invejo os outros, ou se preferirmos eles.

A minha vida não se baseia na conquista de pequenas proezas que uma carreira bem delineada implica. Até se tem mostrado para mim um percurso sem exigências muito marcadas desde que comecei a minha linda entrada na sociedade pensante. Invejo essa sintonia com um bem comum bacoco. Quero mudar algo mas o mundo talvez não deixe.

A gata que tive a gata que há.

De vez em quando vejo-a intermitente como o meu monitor sempre à escala do que a registou para sempre e pelos olhos de quem a vê perto. A primeira vez que lhe peguei assustou-me, apesar de não ter mais que uns meses, ao ponto de ter de procurar refúgio fora de casa.

Foi crescendo e aprendi a tê-la por perto. Acostumei-me ao seu ronronar sobre a parte do corpo que me doía e que nunca tive de apontar; em troca ensinei-lhe a trepar as portas de uma casa que deixou e que ainda está marcada pelo que se tinha.

Despedimo-nos bruscamente. Embalado por uma mensagem parva pu-la na sua caixa e larguei-a num outro lado da cidade onde nunca mais fui. Marcou-me no último abraço com um esguicho de mijo a que a mais ninguém permitiria; sabia, acredito eu, que nunca mais nos iríamos ver. Nos dias em que a tive só para mim, olhava-me nos olhos com uma tristeza que nunca sentira antes, nem nos meus mais próximos, levava-me a dormir e aconchegava-se no meu ombro, punha-se no meu colo quando eu chorava como se tentasse lembrar-me que eu não estava sozinho.

Deixei-a ir, deixei-a, e hoje quando vejo os seus olhos, quando a vejo retratada por ela, não reconheço quem por uns dias me acarinhou durante o meu estado débil. Parece-me desconfiada, parece-me outra, lembra-me a outra - já não é ela.

Espero que eu não tenha ficado assim. Espero que não tenha mudado assim, que o meu olhar não se tenha tornado numa manifestação de um medo óbvio mas que envolve ao ponto de não deixar sair. Espero que o que eu era não se tenha perdido por entre os dias em que me fui perdendo ao ponto de selectivamente não me lembrar. Espero que o miúdo não se tenha deixado levar por um encanto que só aos 30 entenderá que arrasta o corpo no chão e que por maldade puxa quem se abeira até si. Espero que o que tornava o sangue mais espesso o corpo ja tenha expurgado e que cada copo que esvazie não implique uma progressão p'ro infinito.

Espero tanto que até estranho o nada que por tanto tempo esperei.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Só uma linha (dependendo da resolução)

Não abras a mão a quem te dá um punho.

sábado, setembro 10, 2011

O gordo!

O gordo
metia nojo
aposto até,
que a sua nha-nha
cheirava a banha
e que a sua sauna
era um espeto.

Que bem lhe ficaria
uma maça qualquer
na boca
uma afronta
é
para o continente africano.

Viola para depois comer
Foder só com refogado.

"o gordo simpático"
é mito
p'ro coitadito
do urbano.

segunda-feira, agosto 08, 2011

"Quem fala não diz, conta o que outro vai conta, da história a estória o factual se faz"

Quero dizer-te uma coisa
que decerto não ouviste
Ontem vi uma pessoa,
Não fazia coisa boa (voz de criança)
Tu já tremes e não viste!

Ai de ti s'a alguém contas!
Não é teu não o partilhes
Peço-te então que escondas
São tão más estas pessoas
Só querem foder-me a vida.

Mas que se fodeu fui eu
Rapaz tão pequeno parvo
Não sabe onde se meteu
C'oa verdade converteu
Mais um padre em Vigário.

sábado, agosto 06, 2011

Em Sta catarina numa casa ao lado da minha com a tranquilidade que a minha nunca permitiu.

I

Confunde-se com a calma, que nos permite ver mais claro, a clarvidência que nos é inata; embora o estado potencie a capacidade referida, a percepção despojada de emoções é um simples modo de ver o que nos rodeia com uma profundidade acessível a todo o que não se sente ligado emocionalmente ao objecto da sua observação; a clarividência por sua vez implica olhar para além do que nos é dado e, por isso, sem qualquer tipo de filtro imposto pelas nossas vivência e formatações.

Note-se que a calma é essencial aos dois modos de observar a realidade e que, enquanto é a principal mudança de estado que nos permite totular um comportamento de forma distinta ao longo de um mesmo eixo moral e, nalguns casos, de formas antagónicas, através dela nunca nos será possível captar a realidade, mesmo que mais verdadeiramente, para além do que os nossos sentidos nos oferecem e nos mostram existir.

Ela embora deva ser procurada não se deverá considerá-la um fim específico. Forçando-se o alcançar desse "novo" estado a frustração de não o conseguir só inibirá a condição desejada. A prioridade deverá ser sempre o meio, o que surgir, como o que surge ao clarividente, fá-lo-á quando assim tiver de ser e, quando assim fôr, quem a recebe só terá de aceitar tal como o mundo, agora calmamente percebido e percepcionado, o acabará por fazer, mesmo que o assuste ao sentir que o tomam de outra forma.

O impacto de uma compreensão mais correcta, por ser mais justa, tem um peso mais forte que um grito ou que a simples força, por ser também aceita pelo julgado. O que se vê para além do dado é que nunca será compreendido já que o espelho nunca há-de possibilitar nada mais que aquilo que os olhos de quem observa veêm; mesmo que presumem saber o que o clarividente vê eles, os que não veêm, só entenderão, sempre sem calma (com pressa), as respostas aos problemas que desejam e nunca para além disso, limitando à partida todo o peso do que por outrém foi observado. Cabe a quem de facto viu encaminhar a pessoa, não respondendo às questões próprias mas apoiando à formulação das perguntas que estão aptos a perguntar e cuja resposta mais claramente será percebida. O que eles querem muitas vezes não é aquildo de que precisam, e para além dos olhos está o que de facto apoiará uma ou várias existências a conseguirem a paz verdadeira; para além da passional e parvamente considerada de importância.

Ser um mestre passa por isto; ser um aprendiz de qualquer ofício exige o entendimento da arte e da prática dos seus mestres.

II

Dá-te ao mundo, fica no outro
lado que só é teu.
Foge sorrateiramente em ti
enquanto outros contam euros.
E ao fim do dia sossegado
Vai aos bolsos do mundo que dorme.
Não tens culpa do seu cansaço
E os mortos não julgam os vivos.

III

O dia de uma partida adquiriu um peso de uma despedida mesmo que esta só se dê com a chegada. Nunca mais me vou, no futuro próximo, colocar na posição de quem aguarda algo de outrém. Doeu-me o ruir de tudo o que eu esperava e um enxoval agora não partilhado. Disse-me que não iria pôr em causa o que nos últimso anos construíra mas a única coisa que fez foi isso e da forma mais feia que lhe era possível: a construção não acabou, a estrutura cedeu e nem os seus alicercerces eu agora acredito terem sido fundado em algo certo, verdadeiro, e o terreno pantanoso de nada nos serve.

Mentiu-me e com a mentira tudo deixou de existir.

Destroyer - Kaputt! (Tocava no Santini)

As crianças não percebiam
os pais fingiam não entender
a música alertava para um futuro
incerto mas provável.

"Perdes a vida (os dias) atrás
de miúdas de cocaína
nos quartos (das vizinhas)"
- inventado por mim.

Querem conforto mais que um gelado

"Pai quero mais um
Pai quero mais de chocolate"

"Acaba esse primeiro...
És tão amoroso filho
Com os dedos não!!! Colher."

Ensina-se, a contenção
Surge de uma palma
que às vezes nos marcou.

O açucar um dia não há de servir,
um dia
outro por certo
o abraço também não.

Vê-se tanta gente hoje em dia,
Havemos sempre de querer
mais do que aquilo que temos.

Quem sorri nos mupis é feliz,
Tem algo a mais que nós.

(a enumerar rápido)
"Um gajo uma gaja
um carro ou dois
uma casa de 100 metros quadrados
uma moradia de férias
uma galdérias
o cartão victoria gold
um iPhone um iPad
1500 amigos no Facebook"

E não continuo porque é demais.

Somos tão pequenos,
que temos medo
de olhar para o céu
tão espertos
que olhar para o lado
é mais humano
é mais digno
que para o umbigo
que sem saber
ainda nos sustenta.

De volta a casa.

Pouco ou nada me resta de ti.

Caixas empilhadas
com o que te dei com massa,
a acumular pó.

O cheiro na carteira
do que te embalava
por mais que me custasse.

O amor e a noção errada,
que me faz agora apreciar o bem.