Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

terça-feira, julho 06, 2010

Then suddenly like a sparrow who suddenly showed on a tree branch the poet rises at 6.00 AM from a lenghty sleep.

É tão tarde
e a cidade dorme.

Só o calor que se sente incomoda,
Ás segundas ninguém que importe
anda na rua...

Em cada quarto com tomada algo há que ventila,
Corta-se o ar lentamente,
lentamente se refresca
e sobrevive
O resto.

Modernices,
Em mim não existe ventoinhas,
nem uma ou duas pequeninas
Porque até davam jeito
Com esta merda de calor.

Estupor
Do TEMPO
ou do Sr. CLI MA an an an an an an an
(e insisto nisto só,
para evitar problemas de traduções futuras,
não se perca tempo para evitar que se tornem manhosas,
- Tenho as minhas crenças que hei-de de ser famoso
Sei lá.)

TRIMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMMM
Movo-me lentamen en en en en te
até
Á janela.
Estou de pé,
Pergunto sem me mostrar
"Quem é?" (com voz de sono)

"Publicidade
Dos colchões pikolin
Estão fazendo desconto"

Treeeeeeeeeeeeeeeeeeeeem
(abre-se porta)
Cheek.
Move-se alguém ao fundo.
PUM
(fechou-se)
Foi-se o senhor,
Foi passear pela cidade
Ganhar o seu pão por molho submetido
Ao escuro e vazio
de uma caixa velha e com pó acumulado.

Quem limpará as caixas de correio postal?
Será normal que acumulem pó e permitam,
caso ventilação não lhes seja necessária,
(o que eu dava por uma ventoinha
uma ou duas...mesmo que pequeninas)
O desenvolvimento de formas de vida
Das dimensões das ventoinhas
entre parentesis nomeadas.

Nunca limpei a minha,
às vezes até demoro algum
Tem pu
A retirar as cartas,
por distracção clara.
É vidente.
Que eu saiba
Nem a santíssima trindade
das minhas matriarcas
Bastante obcecadas
Por limpeza
Esfregam
ou passam o pano
na sua caixinha de
surpresa(s).

NÂO.
nã ão passam.
Não precisa de ser limpa.
Contas que acumulem pó
Dicas da semana dá a velha do mercado
E o lidl será sempre barato inde
pen
den
te
MEN e te
das promoções da semana.
Os postais
especialmente os artisticos
ficam sempre melhor com uma patine suja.
Que outra parte de uma casa da para rua?
Que outra parte fica com uma parte dela?
Nem falo dos japoneses que deixam
e já vi isto nalgumas casas europeias
os sapatinhos da rua à porta...
tenho pena dos que têm filhos do skate
aqueles com ténis grandes
Cheiram mal para diabos
Quase como queijos de Santa iria,
Exigindo áreas bastante ventiladinhas
(o que eu dava por uma ventoinha
uma ou duas... podem ser pequeninas).

Visto.me sem pressas,
Carrego no botão de standby da minha nespresso
Ponho o meu copo de leite na parte que expele.
Ponho a capsula nas parte que lhe diz respeito,
A que o clube me recomendou na última carta
Carrego no botão de novo e forma-se uma pasta
Que pagando um € em média se chama galão.
Acendo um cigarro e bebo lenta ta ta ta ta ta ta ta mente.
Lavo um dente
de cada vez
Conto quase três vezes três por cada.
Passo água na cara
ponho os cremes às vezes
Primeiro o tónico
Depois o anti-rugas
Depois o hidratante
Depois o anti-olheiras
E
Porque agora o sol queima
ponho a primeira camada de protector.
Tudo dicas do senhor doutor
Especialista
em madames da celulita
e em meninos pó acneico.

Desço a escada e eis que vejo
A publicade não endereçada
Colchão pikolin
Adaptado
Ao calor que se sente e com desconto
Bastante interessante pó interessado.
Largo a folha num canto
que fique ali amontoada
Fica a caixa vazia
Ventilada...

Só queria uma ventoínha
ou duas pequeninas
mas só o que não quero ali pára.

II - Fosse uma caixa de correio.
Uma caixa de correio
De quase nada precisa
Até a mais pequenina
Tem no seu nada o meio
De levar c'oa maior conta.
Não é preciso brilhar,
P'ra alguém lá se meter
Tanta merda a vai encher...
e às proteses a dar
eu duvido que ela ouça.
Pode estar no vão da escada.
Ou somente p'ro exterior
Ser de um senhor doutor
Ou da puta mais barata.
Pode ser suja e não ventilada,
Nunca será por certo excomungada,
só nunca será pessoa.
III - Questões de interresse FAQ.
P. Jesus tinha caixa de correio ou limitava-se a ler mentes?
R. A edição deste pequeno folheto lúdico fica muito feliz pela questão que nos coloca por ser comum a diversas pessoas que, normalmente, preferem rezar por escrito do que em processos cognitivos conscientes e interiores, tanto no seu leito como, por exemplo, num templo que Lhe seja dedicado.
Quando Jesus começou o seu grupo tinha muito poucos fãs, como desde já se dedudz pela leitura da famosa passagem da divisão dos pães e na aplicação de técnicas ancestrais que martha stewart globalizou através da racionalização das porções alimentares. Face tal paradigma Jesus levava a cabo um processo de "diálogo" com os seus seguidores que, recorrendo ao sistema de quadradinhos (to-do list), se mostrava ser bastante eficaz. Para além do mais naqueles tempos as comunidades estavam muito dispersas e pouco ou mais se puderia fazer do que ser ser artesão , portanto se alguem escrevesse para o carpinteiro de nazaré poderia ter a sua correspondência ou extraviada ou mal recebida. Os correios tinham uma vida difícil.
Até à sua morte Jesus acumulou muitos poucos fãs e nunca criou o hábito de receber cartas. Os seus representantes também não desenvolveram esse tipo de práticas preferindo sempre a conversa mais corriqueira e picante no confessionário que eles podem sempre direccionar para o conteúdo com mais interesse: algo que uma carta nunca permitira. Depois de contados os pormenores aí sim entra a parte mais espiritual da reza e Deus que quer lá saber de pormenores picantes.
Claro que há uma excepção, como sempre. S. Nicolau, o pai natal ou simplesmente mascote da Coca-Cola e/ou outras empresas que lhe pagam o face-time, por lidar com crianças felizes e não ter interesse nenhum nas suas vidas inocentes, prefere o registo escrito mas, por ter uma vida muito activa na área do advertising na altura em que lhe escrevem, envia as cartas para leitura em out-sourcing por crianças que precisam do trabalho em países sub-desenvolvidos para terem +/- uma noção daquilo que devem produzir - antes não era assim mas uma consultora em regime pro-bono fez esta recomendação para evitar os problemas de stock histórico.
P. Será que posso colocar uma ventoínha de computador ou um sistema de refrigeração com luzes ultra-violeta na minha caixa de correio? A minha mãe costuma-me enviar feijoada todos os meses e às vezes estou fora e acaba por se estragar.
R. A edição deste pequeno folheto testou a sua ideia e ficou surpresa com os resultados. A ventoinha tem um impacto bastante importante na preservação de alimentos. A luz essa fica ao seu critério, no nosso caso preferimos luz azul glaciar por ficar melhor com o amarelo da nossa caixa postal.
IV - Resumo de tudo o que até aqui foi dito.
(o que eu dava por uma ven
ven ven ven ven vento
vento to to to to to to to to
to i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i i
nha nha nha nha nha nha nha nha
VENTOINHA PORRA
uma
BAstava-me uma
Só uma ventoínha...
Ok
Podem ser duas
Duas ventoínhas? (infantil)
uma ou duas mesmo que pequenitas.
Ou então,
se for possível claro
Posso ser uma caixa
uma caixa de correio?
Não precisa de asseio
nem de ser ventilada.

domingo, junho 27, 2010

Post-"mortem" I.

Ao longo da minha vida, curta por certo, conheci indíviduos que permitindo-se me valorizam ao longo de diferentes pontos do mesmo eixo. A consciência, intrínseca ao avaliado, é que incomoda, muito mais que o acto, o reflexo ou o instinto a que outros se entregam. Tendo noção do que em meu redor se passa e, por certo, aquilo que em mim existe inspirado pela minha vida, que como já disse curta é, algumas vezes, felizmente muito menos do que aquelas em que me rio, fico irritado, sinto-me injustiçado e, valha-me Deus, acima de tudo incompreendido.

I

Chega-nos o calvário por mais tarde,
Que aparente chegar, mas que nos importa?
Dá-nos o céu de uma só vez o alarde,
A que a alma confessa tanto roga.

Inocente partida ela faz-se
carregada p'la culpa que não mostra
O exemplo de um mal que talvez passe,
É de um futuro incerto talvez porta.

Homem chega e diz mas do que serve,
Tanto se diz, quando nem ver nos basta
palavras com palavras o falso arrasta,
Desde que esteja ao lume o pote ferve.

Momento tão tão triste só por ti.
Não estás p'ra contar tudo o que ouvi.

sábado, maio 08, 2010

Não nao fodi ninguém
fodas vão e vêm
têm o seu que de desumano
"vamu"
grita a brasileira ao fundo
como se o mundo se resumisse a um sim.
Assim não quero respondo eu
Talvez um carinho seu me fizesse esquecer
mas foder
depois de catolicamente enamorado
era como dar um passo
estupidamente no vazio.

II
Vais pelo fácil e o fácil
não exige que ágil
sejas por ir em frente
Eu cá sou gente
não desses, não stresses
que te importa
a porta ao fundo
a que te dá tudo
Só abres se quiseres
mulheres há tantas
porque choras? cantas
uma música tão triste
Meue amigo s'existe
neste corpo que despiste
é razão para chorar
Cantar é só pra quem pode.

terça-feira, maio 04, 2010

Epitáfio (o início consciente)

Quando o rapaz chegou aquele palácio pouco tinha de semelhante com os que vira no contos do Walt Disney. Os homens trajavam o mais claro possível entre o azul escuro e o cinzento antracite, estando somente protegidos de investidas desconfiadas ou de espadas do monte branco e douradas passadas de pai para filho, ou compradas pelo últimos se fosse empreendedor de impérios assentes em nomes que a partir do instante desse acto seriam tão mais bem escritos. Não tinham cavalos com pernas mas tinham rodas com cavalos, rodas concessionadas (traduzo livremente de acordo com a sugestão do google) e com cada vez mais carga perissodáctila - com ou sem cornos - quanto maior fosse o bolo de tempo naqueles cantos acumulado.

Princesas havia como os dedos de uma mão do Django e passado uns meses (tantos quanto na outra mão há), iniciavam um processo de transformação cada vez mais assente num traseiro que, por assentado a maior parte das vezes estar, levava à formação de uma superfície extensa que justificava o equipamento dos homens há pouco referidos.

"Grande de mais". Grita o especialista ao longe. "Não faz mal, não tarda a vir outra Senhora".

Os pajens também tinham o seu quê. Eram habituados a ter tudo quanto os seus mestres nos dias de festa e era neles que eles mais mostravam o que aos Senhores faltava em demasia.

I - O comunista verdinho como as nota do ólar que só escrevia em papel reciclado não do tronco mas das folhas.

Nos corredores do palácio, por vezes e tão de mansinho,
ouvia-se um riso deveras, deveras fofinho.
"Quem sorrirá assim?" pergunta o jovem recém entrado,
é "ELE" diz um jovem, já velho e cansado.

A primeira vez que do quentinho das paredes de amarelo pintadas saí foi com ele que fui ter. Criança pequena nos gestos e nas palavras, no brilho que com os olhos desperta o mundo só por pensar no que, mesmo podendo, pelo tempo não o faz. Nas brincadeiras que por dimensão já não pode fazer e no comer risotto porque lhe sabe a batatas fritas.

Era alto como eu, e também no seu ar de Portugal antigo. Maneiras, porte, cabelo e traço facial com nariz empinado a roçar o actor cómico e roliço de fimes antigos e repletos do sangue que viriato bombeava. Tínhamos interesses comuns e que ele havia perseguido numa exaustão juvenil deixando pouco a pouco de praticar.

Tinha sido o melhor a tudo, e foi por certo, e só o sei por não ter a estrutura sólida quanto o seu tamanho implica, qual arranha céus que se vende por dizer que aguenta com rabanadas de vento mais fortinhas. "A estrutura agita mas não quebra" concepção moderna do estudo de materiais em esforço que, por serem alto, já têm de considerar um co-seno superior a zero.

E agita, e agita com pena, esquecendo o gatinhar de outrora tudo aquilo por que anseia.

sexta-feira, abril 30, 2010

21/04/2010 - "Dói-lhe. Tome e esqueça."

Começo o dia com o cansaço dos que passaram. Dias claro pois é deles que falo; sobre mim pouco há a acrescentar.

São longos e exaustivos e duram muito mais que a luz diurna dura. "Cansaço", não sei bem se é isso , dizia o Forjaz. Tudo tem de ser doseado, um motivo q.b. tem de estar presente nem que seha a simples cenoura que o burra faz correr e nao com a cor que foge, pantone que me é servido já normalmente como se me alimentasse.

Rotineiro o que tenho não me dão mais do que aquilo que já vi. Ânsias recorrentes, respostas a todos e não a mim, fomes e sedes que engano com palavras meigas que me solto com pouco mais pouco de graça que entretanto se gastou; recurso justificados por excesso do bom que a maioria evita; honestidade parca tão parca como as horas que são horas e o dormir sem sequer termos falado com o pouco que resta de nós.

"O que é bom é para se ver, e, se deixar, é p'ra se tocar", disse por certo alguém antes de mim.

19/04 do lindo ano de 2010 após o nascimento de Cristo - uma 2ª feira

Era baixo o poeta que comigo falava, diferente em unidades métricas de mim, mas por carregar os óculos na face assumi que o mundo que víamos seria, por certo, similar nas manchas que nos permitem somar dias.

Fomos apresentados e seu nome artístico, pouco ou nada, se via na sua atitude. Ouvia. Agradecia até o vernáculo com que caracterizei os seus de uma forma tão maquinal como a aprendida em qualquer aula de línguas diferenciada, diferenciando somente no seu conteúdo pedagogicamente não recomendado: não era nada bom.

Insisto na forma como o fiz, tal como insisti nas desculpas pedidas apesar de não ver nenhuma reacção estranha no outro lado: parecia que um ataque era bem vindo à sua rua habituada à calmaria de um bairro onde todos os hábitos/ rotinas de cada um, com [ ] inclusivé, se conhecem. Sorria. Eu desconfiava da experiência feita, ou conseguida, face os artifícios experimentados de outros cardinais, Avatares de uma verdade, tão inseguros quanto castrados na sua essência e apologistas de um lugar seguro onde todos se sentam, comem e cagam.

"Todos escrevemos, não podemos agradar a todos", e a escrita vale nem que seja por no colo de alguém ser feita e o colo a pouco e poucos ser dedicado. Mesmo que díspares ninguém que ninguém critíca a punheta de outrém - a sua também, mais ou menos, poderia ser criticada. Sugestões porém são bem vindas, principalemnte qde ue quem como nós não faz nem no futuro aspira fazê-lo com mais que indiferença: da que irrita a pele até se esfolar.

Porém punhetas há e há punhetas. Uma vez falei com um senhor da 7ª; artista. Disse (eu) em tom simpático que gostara do que vira, independentemente de quem representava e mesmo não tendo base nacional comparativa. Era a minha 1ª na minha língua, a 1ª numa tela, e ainda por cima do princípio ao fim. "Tens de ver as outras tantas" disse ele com um tom tão solene que só pode ser triste; cada perna com tanto mais que eu em cima, como um todo ainda mais, tanto mais, e tremiam como as varas ao vento no pantanal a céu aberto na antiga avenida da costa da caparica - na qual alguns verões passei pequenino e mais infantil.

Nem a um elogio soube o homem responder. Onanismo do caro; elitismo; essências de merda - com cheiro a fralda (kenzo flower) - tanto justificam. Fosses poeta, fosses da letra que a tua vida carrega. Fosses. Não desses cara a emoções que sujam e rasgam o papel. Fosses. Escrevesses. Ouvisses. Até um escarro justificaria o mais pequeno que fizesses, um sorriso dir-te-ia que afinal não era só teu.
____________________________________________________________________

Todo o poeta vê em outrém um possível reflexo de si. A palavra sente-se, vive, comanda, aponta, leva, cada um de nós em si ou com outrém. Há muito que sabe que não é de todos, aceita assim não ser partilhada.

sábado, abril 17, 2010

nove e tantos com o computador no meu colo limitado.

A calmaria raramente me estimula a creatividade obrigando a uma obrigação pesada em cada um dos gestos que, no seu tempo e ritmo, permitirão que daqui a a nada um ponto, se usado, se torne mais que ele próprio ou parágrafo.

Estou leve tão leve ao ponto de não estar acostumado o mundo a me ver desta forma. Estou doente aos olhos de quem me cuida e me toma e todos são mais hipocritas nas côndrias que eu. Estou só, estou num canto acolchoado, sossegado mas só em mim. Tudo à minha volta irrita-me com um crescendo quase tão clássico como surdo e eu continuo no meu canto sem sequer me mexer em mais do que uma das minhas extremidades pequeninas que me ensinaram darem pelo nome de dedos.

Um dos dedos está estragado
Cortou-se e não a cebola
No seu todo imaculado.
Mas será que assim....cortado,
Não serei meia pessoa?
Parte foi em partes vivas
tão mais rubras do que sou
no cal e gesso caídas
cada uma pequenina
Chora pelo que deixou.
escó rrem rrem dando o espaço
que as que vêm tanto exigem.
fico aos poucos tão tão fraco
cama perto último passo.
Durmo só com as qu'existem.
Pelo menos estou melhor que os outros que estão entupidos, li te ral men te, entupidos nos aeroportos dos países dos centros evoluíditos desta europa. Uma nuvem negra dizem eles e estão, principalmente os alemães, tão assustados. Os tugas, presidente e aníbal, seis miúdos açoreanos, presidente do AEP, e o faria de oliveira, entre outros, de certo também ilustres, apanharam logo o autocarro e comeram sandes e batatinhas fritas numa estação de serviço que, de essência, não mais pode ser que manhosa. De nuvens, principalemnte das negras, sabem muito muito mesmo, está no sangue que lhes dá a vida e inspira a sua arte de viver...hão-de chegar mesmo que tarde e com as costas a arder.

quarta-feira, abril 07, 2010

Está-me na pele o que p'los dias passa,
centricamente p'lo meu ego e gira;
Pedras pomes, poeiras e mais gravita
em redor da que outrora fui marcada

rocha que sou e que afinal não pára
entre volta e voltas em que orbita
de copérnica moda definida
em redor do que o id já não pasma.

Não mais que pó eu sou por mais que o aspire
neste vácuo perdido qual a forma?
Sou todo o oposto a que a grandeza exige
mais que pequeno, pequenito, esmola.

E ás voltas e em volta eu vou
sem ver que o que arrasto já me inchou.

segunda-feira, abril 05, 2010

No mesmo de sempre embriado pela vida 26/03/10

Ao balcão da brasileira
ao lado de quem se estranha
Entranhando-se aos poucos como os hábitos
Pergunto-me dando eu próprio a resposta:
De que me serve quase tudo afinal?

Vejo o velho ao fundo que cobre a calvice
Tão grande na pobreza que ainda maior é.
Vejo a puta que trabalha na esquina,
Escondida na luz que já muito já há
Exalando que um cigarro tão fino quanto
o pouco que dela é permite.

Os dois tremem, tremem pela certeza que existe
d'algo que começa, d'algo que acaba
saiu um de casa outro vai sair.

Ele lá fora é que não treme
nem a sua mão alçada
Olha a calçada, vê o mar que é português.

6/03/10 - Vi um móvel bonito que me apeteceu levar

I

Era sábado e fazia Sol á tarde dando-me assim uma vontade de passear que, em modo solitário, raramente me surgia e ainda hoje surge. Ao sair de uma casa de umas que Lhe são devotas vi um móvel bonito e que, antes de me ter apetecido, não aparentava ser muito pesado.

Carreguei-o vinte passos de cada vez. Repousava os braços depois por um pouco entre cada um dos que implica contar até 20. Por vezes sentava-me no móvel e escrevia. Fazia-o em qualquer lado, sempre vinto passos mais à frente. Primeiro num jardim, depois á frente do bar o século e continuamente na rua que com ele (o bar) partilhava o nome.

Passavam por mim pessoas e olhavam-me o esforço e o móvel com uma estranheza rara, incomum. Todos viam o suor, todos viam o peso que o causava mas todos passavam esforçando-se no máximo a olhar ou para mim ou para o que me sustentava e que eu mais cedo ou mais tarde, mais descansado, iria suportar.

Destacaram-se, por ordem de chegada, um casal e dois filhos franceses que disseram - "que jolie petit meuble"-, dois velhos com sacos que noutra altura poderiam contar com a minha ajuda se a aceitassem.

Os franceses queriam saber do Marquês de Pombal que, na grandeza francesa, não lhes deveria soar a mais que um camponês por mais portuguesamente burguês que ele tivesse sido.

"Regarde, le marquis de Pombal; aos velhos só importava descarregar as cebolas como se a idade tivesse atenuado qualquer azul num vermelhor que, por ora, ainda é deles e que o espinafre vai garantir que assim continua. Uma pechincha Dona Lourdes, e o quilo tem estado mui caro".

Como qualquer operário, com um dedo de testa, fatalmente comecei a pensar em como optimizar o processo a que me entreguei e que aparentava - agora estou certo - ser bastante inefeciente. Pensei nas restrições: 2 braços, 2 pernas e no objecto em si: móvel, 1,80 m de comprido, 40 cm de altura e 20 a 30 de profundidade...

Pensei...

E conclui: só dava desta forma.

Liguei enquanto parado esperava por ajuda até que por chamada ela chegou; sempre a mesma, sempra mesma, mesmo tendo mais que fazer.

2x2 braços, 2X2 pernas, o móvel, esse, era o mesmo... menos tempo, - de metade, todos os passos de uma só vez. Deixámos à porta, em casa, aí então ajuda apareceu. Exalei, de uma só vez veio o cansaçõ todo, 1x2 braços, e 2 pernas, (distributiva é sempre a matemática), o móvel mais empenado, embora num quarto, continuava o mesmo:

Eu, eu estava cansado de o trazer.

II
Não ardi mas também preciso de arranjo, de uma mão que disfarçasse os estragos
III (citando a Vozone) dia das mentiras de 2010
"Sou tão civilizada. De que me serve? (pausa)
De Nada."

domingo, março 07, 2010

3/03/10

3 da tarde e eu faço sempre tudo igual
Revolvo na cama horas até horas passarem da hora de acordar para o mundo que me dá motivos para me agitar cada vez mais de sucessivo. Rotinas desculpadas por deitar tarde e exausto do que artificialmente nos impomos por assim sermos educados a viver com todo um rol de necessidades alheias a um corpo que, cada vez menos faz algo por instinto.
Até o equilíbrio vem do que nos foi ensinado numa ardósia cada vez mais preenchida por complexidades não naturais que somente existem a partir do medo que exige uma explicação para tudo. Tem carro o homem porque andar parece mal, andar num cubículo partilhado ainda parece pior e defender isto tudo é horrível.
Lembro-me do mar que me acompanhava de um lado ou de outro quando ia para lisboa e voltava para cascais. Tristes eram os dias em que nele nao reparava que nao me lembrava de quando sobre ele trilhei e que com ele nao fugia para longe de utdo num papel por vezes partilhado com que me lesse ou ouvisse.
Subitamente acordo sempre mais tarde do que podia ou queria. Visto-me, lavo o rosto do que a cama e o sono mal respirado marcou. Dou um nó cada vez mais maquinal nas gravatas já marcadas pela minha altura, vejo-me ao espelho e aprovado parto num caminhar tão lento quanto em mim partes se colidem. Vou em frente na calçada gasta pelo meu caminhar mais ou menos comum ao de outros e piso onde tantos outros pararam e agito o braço para entrar no táxi em que tantos outros entraram. Aproveita para colocar a voz com conversa banal e com discussões de taberna ambulante mas com mais vida por ter tantas que aquela que agora é transportada. Componho-me em mim e chego com uma lição aprendida sem tirar apontamentos, chego, chego saio e vou como se me levantasse sucessivamente de uma superfície estranha mas confortável e finjo, finjo, até que dali saio.
Tanto dói e pesa o corpo
Como te estando algo em falta
Transportas-te com esforço
Neste deserto sem água.
Mas vais e pequeno segues
num trilho por eles levado
Parvo como eles só temes
Todo o pouco ensinado.
E em casa chegas eo frio
frio não há por que pagaste
Sorris por pouco do brio
Não tremes e te esfolaste
O aniversário sem aludir a Chagall ou a Álvaro 4/3/10
Pouco falta para somar mais um aos anos que tenho
num dia em que o calendário de bolso de um estabelecimento qualquer
Estipula com certeza como não sendo um dos outros seis
A hora essa não sei não se lembrando a minha mãe
do momento exacto em que com dor me teve
Com o mesmo reflexo com que nasci envelheço
Por entre palmadas mais ou menos óbvias
Expectativas mais incertas que um choro
Ou um primeiro grito de ligarem à tomada um músculo
Que marginalmente por consciência contraio.
Vai-me ligar ao longo de 24 horas alguma gente
um conjunto sempre distinto dos anteriores ou dos por vir
uns terão desejos concretos, outros correntes, outros banais
outros hão-de me entristecer por não se terem lembrado
alguns hei-de ver ao vivo e com eles hei-de me sentir mais velho
por cada gestro, postura, acto distinto ao que antes vira
Cada mudança - deles - há-de me dar o sentido que o espelho
diariamente interrogado não permite
do hábito que aos olhos dá inibindo-os
Hão de me cantar contar histórias ouvir as minhas
dizer em que xs e ys e talvez zs mudei
Tudo vai ser como antes, tudo vai ser diferente
e eu só sei do dia em que tudo vai acontecer.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Wallet house cleaning? is it feasible?

I - Dois cafés pingados e uma sandes (é o que diz no papel)

A preta continua a cantar à minha chegada certa
áquela hora que eu, por rotina
orgâ
ni
camente
sei que chegou.

Estou farto de pensar
nas minhas emoções entristecidas
somente por mim.
o vazio.
esse que é meu so o é por falta de par
ti
lha
de compor sozinho a música que canto
mas que
por falta de ouvido
ou memória
acaba por se perder no vácuo que sou.

Puxa!
E puxada cessa lentamente de existir
Tudo
Como até os tristes dias que
por qualquer razão
sei ainda serem meus.

II
E Aqui vai mais um escrito no mesmo recibo de um café...não não é uma factura porque senão tinham de pagar impostos...TOMA!
Tentem cantar isto pq eu não consigo.
Lhe dê um nome,
lhe dê uma cor
o meu amor
não pode estar só
Lhe dê uma voz
Lhe dê um som
O meu amor
o meu amor
o meu amor
tem de ser de todos
e de todos é o meu amor...
III e não não é de vez.
Tudo é tão simples
quando existe
algo p'ra dar.

Quanto mais em cima mais (menos) p'ra baixo se olha.

Sou responsável de x por $; arquitecto por vocação.

Era simpático o sr. que desenho o elefante que me parecia um rinoceronte e que acabou por mo dar justificando que o papel de mesa tinha uma textura particular, bem explorada pelo desenho.

Era um homem dividido por entre dois mundos que o encaixotavam em categorias distintas, duas, e nunca entre elas por portuguesamente tal não nos ser permitido. Tristeza lisboeta com cais categóricos em que cada um atraca; Lisboa é Lisboa, Cacilhas é Cacilhas e o Barreiro já foi Cuf (...) para além deles pouco ou nada há com nome e aqui o exótico é asiático.

Quem é bom mandam matar

A redoma é de todos mas nem todos inferem, cingindo-se a maioria a sobreviver por entre aqueles com quem partilha o ar com que num exalar mais ou menos competitivo ciclicamente se repete.

Nada é de facto nosso, tudo circula, se ganha e se perde, de uns para outros, mesmos que por transformação.

E sobrevivemos aos dias, até o dia, em que o dia fragma se cessa de contrair permanecendo em nós que num instantante guardámos, num instante triste em que tudo acabou. Derrotados descontraímos, é o último reflexo que temos, descontraímos e vamos. Não há mais lutas, não há mais esforços, pesos, melancolias, ultima tudo quando tudo está como lutamos por estar mas que só o fim garante.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

ao Virar da página um novo menino surge

I
18/02/10

É de tarde quanto o Relógio de puslo aponta com a certeza que nos desfaz a lógica estruturada sobre um cinzento e um frio atípico, tanto num ano como no espaço de poucos dias.

Deveriam ser horas de trabalho de venda do tempo que cada vez remanesce menos mas, promovido pela inconstância que aparenta todos rodear, conto-o perdendo palavras nesta folha que, aparentemente, vou acabar por preencher nunca a rasurando.

Sigo, sigo em frente mas só agora assume que mas que isto nunca fiz; aceitando ao longo os dias o que eles me trazem, pelas pessoas ou gestos que me partilham, de mim a consequência do meu caminho; seham eles quentes ou frios, verdadeiros ou falsos, certos ou inesperados, eu sigo, sigo em frente como um burro que antes de dormir consciente e pondo a preguiça de lado se apercebe do que antes lhe toldara a visão - sem qualquer evidência de álcool.

Dou mais um trago no leite pela garrafa que bem sabe! que bem sabe o dia que cada vez é mais meu; não me importa sequer o frio, as mãos exangues e pálidas, as pernas escanzeladas e onde o que sou mal circula...tudo isto é meu, tão meu e tão mais que o meu rosto num retrato corporativo que rapidamente por cansaço se marcou, que um corpo transfigurado pelo cinzento de que sempre, sem saber, fugiu.

Os gritos, já nem os gritos estremecem como antes assustando-me ao lado do que se libertou e ergueu; grilhões, esferas metálicas, fardos de palha e de merda, dor - já os vi, já os conheço.

É tarde. Sigo. Dou mais um trago (o último). Gritos? não, não obrigado.

II
"Dá-se à consequência causa, o que é previsto liberta"

Ganha a causa consequência,
Liberta-nos o que é previsto.
De que serve a vida, vende-a.
- E a cada hora dada grito.

E lá sigo, sigo em frente
Com o que sou como peso,
Bracejando pela gente
Não sendo, por ela, o mesmo.

Mas que importa afinal ser,
Isto, aquilo ou aqueloutro,
O que alimenta faz perder
De comer se fez o monstro.

III

Disse o senhor taxista na sua certeza de anos que somam caras, rostos, gestos e tons, que o poema prévio, depois de ouvido e descrito como tal (poema), estava giro.

Sorri.

"É sobre sentimentos, sobre pessoas?". É.

Lembro-me do que o Brandão disse ao almoço. Supostamente alguém, lá da terra, vendo o poço seco pediu aos bombeiros que o enchessem. Poesia é: rubra e com vida com o seu quê de saloia.

Sorri de novo.

"Quando fala de comer está a falar de Deus n é? Acredita?". Sim, à minha maneira. "Pois. Também eu. Não gosto daqueles sacrifícios".

De novo sorri.

Lembrei-me de uma história contada num filme sobre cinema. Era sobre alguém que esperava se se ralar com intempéries. Supostamente iria fazê-lo por cem mas aos 99 deixou de o fazer. Respeito, há quem diga respeito, eu fico-me por atitude.

Guardei um sorriso matreiro.

IV

Hello my friend it's time to(day) [die].

quinta-feira, dezembro 31, 2009

+ um(a) no mesmo carrocel que me tem como involucro.

Apanhar a linha verde para trás como antes. Perdi-me troquei o verde por azul o que em termos de pantones - algo que recentemente aprendi - não sei o que quer dizer.



Cais do sodré. Fila para bilhetes, malta agitada mas de uma forma estranha tal como o meu célere teclado que estando sujo parece débil, fuga para a plataforma de aquisição de cartões verdes recarregáveis e, há algum tempo avaliados pela capacidade de contorção, manhosos para actividades recreativas. Nenhum tempo de espera...nenhum nenhum. Uma pequena conquista que somo ao ano que está prestes a culminar de um modo que há pouco tempo era diariamente comum...de volta a s.pedro.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Peço desculpa pelo meu inglês mas como o outro disse: e se fosses para a cona da tua mãe=

Mais um jantar que alimentou a subida de uma rua que outra vez hoje se desceu. Um jantar escuro e feio e sujo como as mesas que, por analfabetismo conveniente, se amontoam do que outro, outro e outro e talvez outro ainda antes de mim não comeu mas que se não fosse de plástico comeria.

Mais um hamburguer. Mais um. Um daqueles novos que custam um pouco mais do que os outros. Preços que se justificam pelo facto de me concederem o direito de ir buscar um guardanapo ou mais para limpar a merda que eu hei-de fazer e uma palinha ou mais para hidratar todos os outros processos que caso contrário me daria uma pedra - não das que vós gostais - mas sim das dos rins.

Primeira trinca. Vejo um vulto ao fundo com ar de indiano mas que por certo é paquistânes pela forma encurvada com que anda. Recolhe facturas. Uma duas três quatro cinco e foge com elas consciente do crime que alguém por cima dele comete de uma forma fiscal.

Segunda trinca. Constato que hoje não há muitos "bichas" neste armazém que muitas vezes é gaiola. Estranho. (smiley confuso). Continuo a comer. Não tenho com quem falar. Como rápido e, ironicamente permitido pelo silêncio menos chato que o costume, chateia-me a velocidade com que o faço que é quase tão triste como imaginar uma máquina fria a violar o titio álvaro.

Dói-me a barriga. Última trinca. Deito o lixo do tabuleiro no lixo e penso se o vão limpar com mais que um pano de seguida.

Escadas rolantes. Nova visão, um starbucks na esquina. "Penso mas vou para a bica, bebo no orignal lá em cima, vejo uma cara conhecida pelo menos". Desço. Acendo o cigarro. Páro um bocado, aprecio o primeiro bafo, passa um carro, sigo no túnel de vento criado. Lá em cima sentado o senhor do teclado que agora passou para guitarra. Varia num azul lisboeta sobre um clássico capitalista natalício. É propício penso eu. Desfaço um slide na cabeça. Perco a pressa. Invento um tema. Estou cansado vou em frente mas páro volto sempre ao mesmo lado vou. E custa e custa estar tudo igual o que é o normal? o que é ser especial? o que importa afinal? Estou cansado vou em frente mas páro volto sempre ao mesmo lado vou.

Acelerada a guitarra na mente sou levado para onde a banda sonoramente me leva. E tenho...

"Olá, como é que estás?
.....
Desculpa lá o toque só agora é que percebi que estavas a pensar....ainda estás a trabalhar ali? como é que aguentas? tás com um ar cansado...aproveita o natal.
...
Igualmente"

E não cito o autor (eu próprio) oralmente expressado sou uma nódoa física que como a ana drago diz só sai com o que o Eça antes referiu. Merda. Esqueci-me do que estava a pensar.

Cheguei. Acendo outro cigarro. Não aprecio o bafo que só se acumulou ao outro. Uma bica sim sff.

"Como estão a correr as vendas?"
?
"Não trabalha na Bertrand o senhô?"

"Pensava que sim, mas se diz que não vende não vende".

Café no balcão mais um não que não trabalho acolá, mas um que não trabalho ali, mais um que não faço isto mais um que não preciso de copo de água.

PAROU TUDO! (Citando kleber, exactamente o mesmo tom)

Altura de beber o café...

Um trago. Trago pouco. Dois tragos. Menos trago. Três tragos. Trago nada. Aliviado. Sinto agora o bafo que não o sendo sabe a último. Cobro um grão de açucar com os 70 que devo. Páro. Respiro. Penso no que antes vi enquanto era de dia. Nunca sentira aquele olhar antes. 6 ou 7 horas depois aprecio a beleza do ódio que ali vi. Começo a caminhada com ele. Atravesso com ele a rua que os peões cromaticamente não respeitam. O ódio. O ódio que aquele olhar tinha e eu alheio no meu canto engravatado no meu canto medroso...o ódio que nunca vi mas que ali me foi dado e que só agora percebo...

O menino portou-se muito mal,
Ou simplesmente me parece, vê
A forma como o olham. Sem porquê
ninguém assim nos olha...Não não vale

olhar assim,achas que é normal?
Alguma coisa ele fez. Agora ten
tas-te a grisar. Não faças nada crê
somente no que digo que se cale

O resto deste mundo. Nada diz
nada acrescenta para além disto viste
e mais não dá este tão triste mundo.
Aceita o ódio que p'lo medo existe.

Num instante se desfez p'lo que fiz
o quê não importa pelo luto.

E caminhei um pouco mais. E passei o quiosque sem beber um capilé. E parei e olhei não passei vinha um carro o menino ao meu lado arriscou. E o taxista gritou sentido pela vida quase posta de parte com um carinho deveras familiar.

"E se fosses (não não é apanhar...)" " E se fosses para a cona da tua mãe" - Aposto que por lá se sentir seguro.

Avancei mais um pouco e de repente pensei sobre o dito. Parece que fez sentido tudo.




sábado, dezembro 05, 2009

My own house cleaning

I

Estou á espera num bar qualquer nos limites que não conheço de mim
Arrasto um medo que nunca me foi próprio
pelas ruas, vielas e travessas que sempre me aliviaram.
Estranho tudo o que sou ou fui.

Saltam das janelas como alvos de treino
- num filme de policias manhoso qualquer-
memórias tão frescas como um quejo que propositadamente cheira mal
Sque já provou e gosta é que não desconfia.
Pum, Pum, Tr tr tr
Maus um que foi abatido.

"Cuidado não alvvejes o refem que não te quer mal nenhum coitadito"

Café
(mais um)
cigarro
(um de muitos)
sono
(o de sempre)
Companhias funestas à plenitude do ser.
P'lo menos ao contrário do resto são auto induzidas,
Por entre dias feio bons maus bonitos
Tardes de merda tardes de riso
Noites de punheta de foda e [luxúria]
Por entre a vida que dura até que a cobardia aguente.

"São só rotinas são só rotinas
mais cedo ou mais tarde vais estar assim"

Disse-me alguém alguém em cada uma delas,
Alguém sempre um pouco mais frio, mais seco
Como eu com o envelhecer de um corpo cada vez mais rijo
mais impermeável ao choro que agora
mais do que antes
arde ao sair.

Está tudo sobre a pele, à sua flor.
Chegasse ao coração ou ao centro de tudo o que sinto
tudo aquilo que me turva o olhar.
PErcebesse porra o que se passa o que me consome,
Desse ao mundo o que nem a mim mesmo dou.

Riem-se todos ao meu redor.
Dois pretos, duas gajas e um gajo
mais dois
mais ou menos brancos que não vejo.
Falam da vida, veêm a bola
parlham o que nem ao papel dou
Não quero ser mais como eles, não posso pedir isso.
Gosto de mais de mim para me eliminar em momentos de loucura
de [ ]
Quero que me tomem como sou com as minhas regras básicas:
Valores, moral, gostos e tudo exponho tão gratuitamente
tão obviamente
tão monotomament
tão
Porque ão me dão o mesmo mesmo depois de eu pedir
Porque?

Acho que acertei num transeunte.

II (III de outro)

Nada pode ser tudo
Tudo pode ser nada
C'o tempo vem o luto
luto contra a ressaca

Tento e tento e não passa,
Como se um whisky fosse
Dos que o corpo arrasta
cada vez p'ra mais longe.

Esqueço o futuro hoje
Só o passado enxuto,
Caído p'lo que trouxe
Sem nada me ergo e mudo.

III ( IV de outros)

Solto palavras guilherme,
Como eu quero ouvir.
Imagina alguém ao leme
na altura de decidir
Duvido que certo te leve
o que desconhece
é por onde deve ir.

Guilherme o que escreveste
é parvo é pequeno
onde é que o aprendeste?
Qual é que foi o teu medo?
Quando é que tu percebeste
que essa vil gente
é mais sério do que o vento?

Guilherme, foste feliz
com essa atitude?
Consegues ver o que fiz?
não menti na juventude
Elogios nunca os quis
Vi-os por um triz
só duvido que alguém mude.


quinta-feira, dezembro 03, 2009

Continuando. ´(há mas são verdes, há quem diga que estivessem)

Introdução.

Verde do que há,
e à verde de nojo
ou de verde de monstro
nojentamente criado
verde de gasto
sem sequer ter tido uso
verde do que não mudo
verde
verde
verde
verde

verde do que só verde é
e verde nunca como um monte
ou árvore também esverdeada
à juventude acabada
sem sequer ter envelhecido.

pobrezito,
fosse a culpa da côr.

Receitas
1º Dito
Depois de um murro, ainda com a pala
só precisa de um olho o poeta
perspectiva da a mente
com os seus pontos de fuga partilhados
cansados ou não não importa
zarolho ou não tenta ver o mundo
ou simulá-lo
na caixa de petri que ele é e incuba
tudo o que talvez por causa importe.
2º dito
moraliza o senhor autor
no valor que ele assume universal
película ele é de tudo
ampliável ao ponto que a sua alma
mais ou menos fraca potencia
e dita o senhor poeta a verdade resteliana
ou negreiramente do futuro apologista
nao interessa só maldita tem de ser
a puta da vida que rege
a mão que escreve
a propria com ou quase sem instinto
controlado p'lo apre(e)ndido
estimulado pelo que lhe mete medo
credo.credo
no que só de mim dele parte.
Maldito
Falaram-me uma vez no que se esconde
apontaram-me uma vez o que surge
Ditaram-me uma vez em pequenito o que rege
Grito por vozes que tudo mude
Mas o que é um bloco de papel por timbrar
Assinado à letra de quem não assina
O que é um velho que ensina
Um conjunto de peixes já por si salgados?
E vem, e vem id(o) ao de cima
e o papel fica negro não estruturado
Preenche-se num canto acabando noutro lado
e a forma aos poucos fica gasta
ninguém percebe nem quem o faz
(institivamente é claro contraria o apreendido
apreensivamente o homem assustado
põe tudo de um só gesto tão bem educado
Aquilo que parecia ser dele
numa pequena folha de papel
e sente-se aos poucos um pouco expurgado
saiu toda a merda esta alividado...)
E num instante sem saber como
em gesto em forma e até no modo
foi tudo dito do que havia por dizer
Mal dito o dito ninguém vai perceber,
Gritou-se no escuro,
Tivessem escutado.
Ego cogito, ergo sum
E duvido que mude sem ser medicado
só sinto por vezes
e fico alterado.
A base
Tempo, Kronos o que comia calhaus.
Engana o tempo o vício
ícios mudam com ele
Até o papel
já foi mais escuro e frágil.
Dá-se o corpo à mente
sente-se como petrarca
Dá-se o mundo à máquina
as flores que há são dentadas.
Essas cores alturas há em que soam
e sons há que por vezes sabem
mudam-se os tempos e as vontades com eles
o mundo que é nosso não era o seu.
O mestre e o calhau, não come mas atura-o
Ó tu que me lês e citas,
serás um pouco parvo?
Tu que olhas para um quadro
Em tudo o q'vês acreditas?
Consideras que o vermelho
Estruturalmente é pensado,
Que o monstro tão bem deitado,
maior é que o seu tamanho?
Ah meu homem tem cuidado,
Pedras que pinto não tomo,
A tudo aquilo que posso,
Rodeia vil tracejado.