Introdução.
Verde do que há,
e à verde de nojo
ou de verde de monstro
nojentamente criado
verde de gasto
sem sequer ter tido uso
verde do que não mudo
verde
verde
verde
verde
verde do que só verde é
e verde nunca como um monte
ou árvore também esverdeada
à juventude acabada
sem sequer ter envelhecido.
pobrezito,
fosse a culpa da côr.
Receitas
1º Dito
Depois de um murro, ainda com a pala
só precisa de um olho o poeta
perspectiva da a mente
com os seus pontos de fuga partilhados
cansados ou não não importa
zarolho ou não tenta ver o mundo
ou simulá-lo
na caixa de petri que ele é e incuba
tudo o que talvez por causa importe.
2º dito
moraliza o senhor autor
no valor que ele assume universal
película ele é de tudo
ampliável ao ponto que a sua alma
mais ou menos fraca potencia
e dita o senhor poeta a verdade resteliana
ou negreiramente do futuro apologista
nao interessa só maldita tem de ser
a puta da vida que rege
a mão que escreve
a propria com ou quase sem instinto
controlado p'lo apre(e)ndido
estimulado pelo que lhe mete medo
credo.credo
no que só de mim dele parte.
Maldito
Falaram-me uma vez no que se esconde
apontaram-me uma vez o que surge
Ditaram-me uma vez em pequenito o que rege
Grito por vozes que tudo mude
Mas o que é um bloco de papel por timbrar
Assinado à letra de quem não assina
O que é um velho que ensina
Um conjunto de peixes já por si salgados?
E vem, e vem id(o) ao de cima
e o papel fica negro não estruturado
Preenche-se num canto acabando noutro lado
e a forma aos poucos fica gasta
ninguém percebe nem quem o faz
(institivamente é claro contraria o apreendido
apreensivamente o homem assustado
põe tudo de um só gesto tão bem educado
Aquilo que parecia ser dele
numa pequena folha de papel
e sente-se aos poucos um pouco expurgado
saiu toda a merda esta alividado...)
E num instante sem saber como
em gesto em forma e até no modo
foi tudo dito do que havia por dizer
Mal dito o dito ninguém vai perceber,
Gritou-se no escuro,
Tivessem escutado.
Ego cogito, ergo sum
E duvido que mude sem ser medicado
só sinto por vezes
e fico alterado.
A base
Tempo, Kronos o que comia calhaus.
Engana o tempo o vício
ícios mudam com ele
Até o papel
já foi mais escuro e frágil.
Dá-se o corpo à mente
sente-se como petrarca
Dá-se o mundo à máquina
as flores que há são dentadas.
Essas cores alturas há em que soam
e sons há que por vezes sabem
mudam-se os tempos e as vontades com eles
o mundo que é nosso não era o seu.
O mestre e o calhau, não come mas atura-o
Ó tu que me lês e citas,
serás um pouco parvo?
Tu que olhas para um quadro
Em tudo o q'vês acreditas?
Consideras que o vermelho
Estruturalmente é pensado,
Que o monstro tão bem deitado,
maior é que o seu tamanho?
Ah meu homem tem cuidado,
Pedras que pinto não tomo,
A tudo aquilo que posso,
Rodeia vil tracejado.