Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

sexta-feira, abril 30, 2010

19/04 do lindo ano de 2010 após o nascimento de Cristo - uma 2ª feira

Era baixo o poeta que comigo falava, diferente em unidades métricas de mim, mas por carregar os óculos na face assumi que o mundo que víamos seria, por certo, similar nas manchas que nos permitem somar dias.

Fomos apresentados e seu nome artístico, pouco ou nada, se via na sua atitude. Ouvia. Agradecia até o vernáculo com que caracterizei os seus de uma forma tão maquinal como a aprendida em qualquer aula de línguas diferenciada, diferenciando somente no seu conteúdo pedagogicamente não recomendado: não era nada bom.

Insisto na forma como o fiz, tal como insisti nas desculpas pedidas apesar de não ver nenhuma reacção estranha no outro lado: parecia que um ataque era bem vindo à sua rua habituada à calmaria de um bairro onde todos os hábitos/ rotinas de cada um, com [ ] inclusivé, se conhecem. Sorria. Eu desconfiava da experiência feita, ou conseguida, face os artifícios experimentados de outros cardinais, Avatares de uma verdade, tão inseguros quanto castrados na sua essência e apologistas de um lugar seguro onde todos se sentam, comem e cagam.

"Todos escrevemos, não podemos agradar a todos", e a escrita vale nem que seja por no colo de alguém ser feita e o colo a pouco e poucos ser dedicado. Mesmo que díspares ninguém que ninguém critíca a punheta de outrém - a sua também, mais ou menos, poderia ser criticada. Sugestões porém são bem vindas, principalemnte qde ue quem como nós não faz nem no futuro aspira fazê-lo com mais que indiferença: da que irrita a pele até se esfolar.

Porém punhetas há e há punhetas. Uma vez falei com um senhor da 7ª; artista. Disse (eu) em tom simpático que gostara do que vira, independentemente de quem representava e mesmo não tendo base nacional comparativa. Era a minha 1ª na minha língua, a 1ª numa tela, e ainda por cima do princípio ao fim. "Tens de ver as outras tantas" disse ele com um tom tão solene que só pode ser triste; cada perna com tanto mais que eu em cima, como um todo ainda mais, tanto mais, e tremiam como as varas ao vento no pantanal a céu aberto na antiga avenida da costa da caparica - na qual alguns verões passei pequenino e mais infantil.

Nem a um elogio soube o homem responder. Onanismo do caro; elitismo; essências de merda - com cheiro a fralda (kenzo flower) - tanto justificam. Fosses poeta, fosses da letra que a tua vida carrega. Fosses. Não desses cara a emoções que sujam e rasgam o papel. Fosses. Escrevesses. Ouvisses. Até um escarro justificaria o mais pequeno que fizesses, um sorriso dir-te-ia que afinal não era só teu.
____________________________________________________________________

Todo o poeta vê em outrém um possível reflexo de si. A palavra sente-se, vive, comanda, aponta, leva, cada um de nós em si ou com outrém. Há muito que sabe que não é de todos, aceita assim não ser partilhada.

sábado, abril 17, 2010

nove e tantos com o computador no meu colo limitado.

A calmaria raramente me estimula a creatividade obrigando a uma obrigação pesada em cada um dos gestos que, no seu tempo e ritmo, permitirão que daqui a a nada um ponto, se usado, se torne mais que ele próprio ou parágrafo.

Estou leve tão leve ao ponto de não estar acostumado o mundo a me ver desta forma. Estou doente aos olhos de quem me cuida e me toma e todos são mais hipocritas nas côndrias que eu. Estou só, estou num canto acolchoado, sossegado mas só em mim. Tudo à minha volta irrita-me com um crescendo quase tão clássico como surdo e eu continuo no meu canto sem sequer me mexer em mais do que uma das minhas extremidades pequeninas que me ensinaram darem pelo nome de dedos.

Um dos dedos está estragado
Cortou-se e não a cebola
No seu todo imaculado.
Mas será que assim....cortado,
Não serei meia pessoa?
Parte foi em partes vivas
tão mais rubras do que sou
no cal e gesso caídas
cada uma pequenina
Chora pelo que deixou.
escó rrem rrem dando o espaço
que as que vêm tanto exigem.
fico aos poucos tão tão fraco
cama perto último passo.
Durmo só com as qu'existem.
Pelo menos estou melhor que os outros que estão entupidos, li te ral men te, entupidos nos aeroportos dos países dos centros evoluíditos desta europa. Uma nuvem negra dizem eles e estão, principalmente os alemães, tão assustados. Os tugas, presidente e aníbal, seis miúdos açoreanos, presidente do AEP, e o faria de oliveira, entre outros, de certo também ilustres, apanharam logo o autocarro e comeram sandes e batatinhas fritas numa estação de serviço que, de essência, não mais pode ser que manhosa. De nuvens, principalemnte das negras, sabem muito muito mesmo, está no sangue que lhes dá a vida e inspira a sua arte de viver...hão-de chegar mesmo que tarde e com as costas a arder.

quarta-feira, abril 07, 2010

Está-me na pele o que p'los dias passa,
centricamente p'lo meu ego e gira;
Pedras pomes, poeiras e mais gravita
em redor da que outrora fui marcada

rocha que sou e que afinal não pára
entre volta e voltas em que orbita
de copérnica moda definida
em redor do que o id já não pasma.

Não mais que pó eu sou por mais que o aspire
neste vácuo perdido qual a forma?
Sou todo o oposto a que a grandeza exige
mais que pequeno, pequenito, esmola.

E ás voltas e em volta eu vou
sem ver que o que arrasto já me inchou.

segunda-feira, abril 05, 2010

No mesmo de sempre embriado pela vida 26/03/10

Ao balcão da brasileira
ao lado de quem se estranha
Entranhando-se aos poucos como os hábitos
Pergunto-me dando eu próprio a resposta:
De que me serve quase tudo afinal?

Vejo o velho ao fundo que cobre a calvice
Tão grande na pobreza que ainda maior é.
Vejo a puta que trabalha na esquina,
Escondida na luz que já muito já há
Exalando que um cigarro tão fino quanto
o pouco que dela é permite.

Os dois tremem, tremem pela certeza que existe
d'algo que começa, d'algo que acaba
saiu um de casa outro vai sair.

Ele lá fora é que não treme
nem a sua mão alçada
Olha a calçada, vê o mar que é português.

6/03/10 - Vi um móvel bonito que me apeteceu levar

I

Era sábado e fazia Sol á tarde dando-me assim uma vontade de passear que, em modo solitário, raramente me surgia e ainda hoje surge. Ao sair de uma casa de umas que Lhe são devotas vi um móvel bonito e que, antes de me ter apetecido, não aparentava ser muito pesado.

Carreguei-o vinte passos de cada vez. Repousava os braços depois por um pouco entre cada um dos que implica contar até 20. Por vezes sentava-me no móvel e escrevia. Fazia-o em qualquer lado, sempre vinto passos mais à frente. Primeiro num jardim, depois á frente do bar o século e continuamente na rua que com ele (o bar) partilhava o nome.

Passavam por mim pessoas e olhavam-me o esforço e o móvel com uma estranheza rara, incomum. Todos viam o suor, todos viam o peso que o causava mas todos passavam esforçando-se no máximo a olhar ou para mim ou para o que me sustentava e que eu mais cedo ou mais tarde, mais descansado, iria suportar.

Destacaram-se, por ordem de chegada, um casal e dois filhos franceses que disseram - "que jolie petit meuble"-, dois velhos com sacos que noutra altura poderiam contar com a minha ajuda se a aceitassem.

Os franceses queriam saber do Marquês de Pombal que, na grandeza francesa, não lhes deveria soar a mais que um camponês por mais portuguesamente burguês que ele tivesse sido.

"Regarde, le marquis de Pombal; aos velhos só importava descarregar as cebolas como se a idade tivesse atenuado qualquer azul num vermelhor que, por ora, ainda é deles e que o espinafre vai garantir que assim continua. Uma pechincha Dona Lourdes, e o quilo tem estado mui caro".

Como qualquer operário, com um dedo de testa, fatalmente comecei a pensar em como optimizar o processo a que me entreguei e que aparentava - agora estou certo - ser bastante inefeciente. Pensei nas restrições: 2 braços, 2 pernas e no objecto em si: móvel, 1,80 m de comprido, 40 cm de altura e 20 a 30 de profundidade...

Pensei...

E conclui: só dava desta forma.

Liguei enquanto parado esperava por ajuda até que por chamada ela chegou; sempre a mesma, sempra mesma, mesmo tendo mais que fazer.

2x2 braços, 2X2 pernas, o móvel, esse, era o mesmo... menos tempo, - de metade, todos os passos de uma só vez. Deixámos à porta, em casa, aí então ajuda apareceu. Exalei, de uma só vez veio o cansaçõ todo, 1x2 braços, e 2 pernas, (distributiva é sempre a matemática), o móvel mais empenado, embora num quarto, continuava o mesmo:

Eu, eu estava cansado de o trazer.

II
Não ardi mas também preciso de arranjo, de uma mão que disfarçasse os estragos
III (citando a Vozone) dia das mentiras de 2010
"Sou tão civilizada. De que me serve? (pausa)
De Nada."

domingo, março 07, 2010

3/03/10

3 da tarde e eu faço sempre tudo igual
Revolvo na cama horas até horas passarem da hora de acordar para o mundo que me dá motivos para me agitar cada vez mais de sucessivo. Rotinas desculpadas por deitar tarde e exausto do que artificialmente nos impomos por assim sermos educados a viver com todo um rol de necessidades alheias a um corpo que, cada vez menos faz algo por instinto.
Até o equilíbrio vem do que nos foi ensinado numa ardósia cada vez mais preenchida por complexidades não naturais que somente existem a partir do medo que exige uma explicação para tudo. Tem carro o homem porque andar parece mal, andar num cubículo partilhado ainda parece pior e defender isto tudo é horrível.
Lembro-me do mar que me acompanhava de um lado ou de outro quando ia para lisboa e voltava para cascais. Tristes eram os dias em que nele nao reparava que nao me lembrava de quando sobre ele trilhei e que com ele nao fugia para longe de utdo num papel por vezes partilhado com que me lesse ou ouvisse.
Subitamente acordo sempre mais tarde do que podia ou queria. Visto-me, lavo o rosto do que a cama e o sono mal respirado marcou. Dou um nó cada vez mais maquinal nas gravatas já marcadas pela minha altura, vejo-me ao espelho e aprovado parto num caminhar tão lento quanto em mim partes se colidem. Vou em frente na calçada gasta pelo meu caminhar mais ou menos comum ao de outros e piso onde tantos outros pararam e agito o braço para entrar no táxi em que tantos outros entraram. Aproveita para colocar a voz com conversa banal e com discussões de taberna ambulante mas com mais vida por ter tantas que aquela que agora é transportada. Componho-me em mim e chego com uma lição aprendida sem tirar apontamentos, chego, chego saio e vou como se me levantasse sucessivamente de uma superfície estranha mas confortável e finjo, finjo, até que dali saio.
Tanto dói e pesa o corpo
Como te estando algo em falta
Transportas-te com esforço
Neste deserto sem água.
Mas vais e pequeno segues
num trilho por eles levado
Parvo como eles só temes
Todo o pouco ensinado.
E em casa chegas eo frio
frio não há por que pagaste
Sorris por pouco do brio
Não tremes e te esfolaste
O aniversário sem aludir a Chagall ou a Álvaro 4/3/10
Pouco falta para somar mais um aos anos que tenho
num dia em que o calendário de bolso de um estabelecimento qualquer
Estipula com certeza como não sendo um dos outros seis
A hora essa não sei não se lembrando a minha mãe
do momento exacto em que com dor me teve
Com o mesmo reflexo com que nasci envelheço
Por entre palmadas mais ou menos óbvias
Expectativas mais incertas que um choro
Ou um primeiro grito de ligarem à tomada um músculo
Que marginalmente por consciência contraio.
Vai-me ligar ao longo de 24 horas alguma gente
um conjunto sempre distinto dos anteriores ou dos por vir
uns terão desejos concretos, outros correntes, outros banais
outros hão-de me entristecer por não se terem lembrado
alguns hei-de ver ao vivo e com eles hei-de me sentir mais velho
por cada gestro, postura, acto distinto ao que antes vira
Cada mudança - deles - há-de me dar o sentido que o espelho
diariamente interrogado não permite
do hábito que aos olhos dá inibindo-os
Hão de me cantar contar histórias ouvir as minhas
dizer em que xs e ys e talvez zs mudei
Tudo vai ser como antes, tudo vai ser diferente
e eu só sei do dia em que tudo vai acontecer.

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Wallet house cleaning? is it feasible?

I - Dois cafés pingados e uma sandes (é o que diz no papel)

A preta continua a cantar à minha chegada certa
áquela hora que eu, por rotina
orgâ
ni
camente
sei que chegou.

Estou farto de pensar
nas minhas emoções entristecidas
somente por mim.
o vazio.
esse que é meu so o é por falta de par
ti
lha
de compor sozinho a música que canto
mas que
por falta de ouvido
ou memória
acaba por se perder no vácuo que sou.

Puxa!
E puxada cessa lentamente de existir
Tudo
Como até os tristes dias que
por qualquer razão
sei ainda serem meus.

II
E Aqui vai mais um escrito no mesmo recibo de um café...não não é uma factura porque senão tinham de pagar impostos...TOMA!
Tentem cantar isto pq eu não consigo.
Lhe dê um nome,
lhe dê uma cor
o meu amor
não pode estar só
Lhe dê uma voz
Lhe dê um som
O meu amor
o meu amor
o meu amor
tem de ser de todos
e de todos é o meu amor...
III e não não é de vez.
Tudo é tão simples
quando existe
algo p'ra dar.

Quanto mais em cima mais (menos) p'ra baixo se olha.

Sou responsável de x por $; arquitecto por vocação.

Era simpático o sr. que desenho o elefante que me parecia um rinoceronte e que acabou por mo dar justificando que o papel de mesa tinha uma textura particular, bem explorada pelo desenho.

Era um homem dividido por entre dois mundos que o encaixotavam em categorias distintas, duas, e nunca entre elas por portuguesamente tal não nos ser permitido. Tristeza lisboeta com cais categóricos em que cada um atraca; Lisboa é Lisboa, Cacilhas é Cacilhas e o Barreiro já foi Cuf (...) para além deles pouco ou nada há com nome e aqui o exótico é asiático.

Quem é bom mandam matar

A redoma é de todos mas nem todos inferem, cingindo-se a maioria a sobreviver por entre aqueles com quem partilha o ar com que num exalar mais ou menos competitivo ciclicamente se repete.

Nada é de facto nosso, tudo circula, se ganha e se perde, de uns para outros, mesmos que por transformação.

E sobrevivemos aos dias, até o dia, em que o dia fragma se cessa de contrair permanecendo em nós que num instantante guardámos, num instante triste em que tudo acabou. Derrotados descontraímos, é o último reflexo que temos, descontraímos e vamos. Não há mais lutas, não há mais esforços, pesos, melancolias, ultima tudo quando tudo está como lutamos por estar mas que só o fim garante.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

ao Virar da página um novo menino surge

I
18/02/10

É de tarde quanto o Relógio de puslo aponta com a certeza que nos desfaz a lógica estruturada sobre um cinzento e um frio atípico, tanto num ano como no espaço de poucos dias.

Deveriam ser horas de trabalho de venda do tempo que cada vez remanesce menos mas, promovido pela inconstância que aparenta todos rodear, conto-o perdendo palavras nesta folha que, aparentemente, vou acabar por preencher nunca a rasurando.

Sigo, sigo em frente mas só agora assume que mas que isto nunca fiz; aceitando ao longo os dias o que eles me trazem, pelas pessoas ou gestos que me partilham, de mim a consequência do meu caminho; seham eles quentes ou frios, verdadeiros ou falsos, certos ou inesperados, eu sigo, sigo em frente como um burro que antes de dormir consciente e pondo a preguiça de lado se apercebe do que antes lhe toldara a visão - sem qualquer evidência de álcool.

Dou mais um trago no leite pela garrafa que bem sabe! que bem sabe o dia que cada vez é mais meu; não me importa sequer o frio, as mãos exangues e pálidas, as pernas escanzeladas e onde o que sou mal circula...tudo isto é meu, tão meu e tão mais que o meu rosto num retrato corporativo que rapidamente por cansaço se marcou, que um corpo transfigurado pelo cinzento de que sempre, sem saber, fugiu.

Os gritos, já nem os gritos estremecem como antes assustando-me ao lado do que se libertou e ergueu; grilhões, esferas metálicas, fardos de palha e de merda, dor - já os vi, já os conheço.

É tarde. Sigo. Dou mais um trago (o último). Gritos? não, não obrigado.

II
"Dá-se à consequência causa, o que é previsto liberta"

Ganha a causa consequência,
Liberta-nos o que é previsto.
De que serve a vida, vende-a.
- E a cada hora dada grito.

E lá sigo, sigo em frente
Com o que sou como peso,
Bracejando pela gente
Não sendo, por ela, o mesmo.

Mas que importa afinal ser,
Isto, aquilo ou aqueloutro,
O que alimenta faz perder
De comer se fez o monstro.

III

Disse o senhor taxista na sua certeza de anos que somam caras, rostos, gestos e tons, que o poema prévio, depois de ouvido e descrito como tal (poema), estava giro.

Sorri.

"É sobre sentimentos, sobre pessoas?". É.

Lembro-me do que o Brandão disse ao almoço. Supostamente alguém, lá da terra, vendo o poço seco pediu aos bombeiros que o enchessem. Poesia é: rubra e com vida com o seu quê de saloia.

Sorri de novo.

"Quando fala de comer está a falar de Deus n é? Acredita?". Sim, à minha maneira. "Pois. Também eu. Não gosto daqueles sacrifícios".

De novo sorri.

Lembrei-me de uma história contada num filme sobre cinema. Era sobre alguém que esperava se se ralar com intempéries. Supostamente iria fazê-lo por cem mas aos 99 deixou de o fazer. Respeito, há quem diga respeito, eu fico-me por atitude.

Guardei um sorriso matreiro.

IV

Hello my friend it's time to(day) [die].

quinta-feira, dezembro 31, 2009

+ um(a) no mesmo carrocel que me tem como involucro.

Apanhar a linha verde para trás como antes. Perdi-me troquei o verde por azul o que em termos de pantones - algo que recentemente aprendi - não sei o que quer dizer.



Cais do sodré. Fila para bilhetes, malta agitada mas de uma forma estranha tal como o meu célere teclado que estando sujo parece débil, fuga para a plataforma de aquisição de cartões verdes recarregáveis e, há algum tempo avaliados pela capacidade de contorção, manhosos para actividades recreativas. Nenhum tempo de espera...nenhum nenhum. Uma pequena conquista que somo ao ano que está prestes a culminar de um modo que há pouco tempo era diariamente comum...de volta a s.pedro.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Peço desculpa pelo meu inglês mas como o outro disse: e se fosses para a cona da tua mãe=

Mais um jantar que alimentou a subida de uma rua que outra vez hoje se desceu. Um jantar escuro e feio e sujo como as mesas que, por analfabetismo conveniente, se amontoam do que outro, outro e outro e talvez outro ainda antes de mim não comeu mas que se não fosse de plástico comeria.

Mais um hamburguer. Mais um. Um daqueles novos que custam um pouco mais do que os outros. Preços que se justificam pelo facto de me concederem o direito de ir buscar um guardanapo ou mais para limpar a merda que eu hei-de fazer e uma palinha ou mais para hidratar todos os outros processos que caso contrário me daria uma pedra - não das que vós gostais - mas sim das dos rins.

Primeira trinca. Vejo um vulto ao fundo com ar de indiano mas que por certo é paquistânes pela forma encurvada com que anda. Recolhe facturas. Uma duas três quatro cinco e foge com elas consciente do crime que alguém por cima dele comete de uma forma fiscal.

Segunda trinca. Constato que hoje não há muitos "bichas" neste armazém que muitas vezes é gaiola. Estranho. (smiley confuso). Continuo a comer. Não tenho com quem falar. Como rápido e, ironicamente permitido pelo silêncio menos chato que o costume, chateia-me a velocidade com que o faço que é quase tão triste como imaginar uma máquina fria a violar o titio álvaro.

Dói-me a barriga. Última trinca. Deito o lixo do tabuleiro no lixo e penso se o vão limpar com mais que um pano de seguida.

Escadas rolantes. Nova visão, um starbucks na esquina. "Penso mas vou para a bica, bebo no orignal lá em cima, vejo uma cara conhecida pelo menos". Desço. Acendo o cigarro. Páro um bocado, aprecio o primeiro bafo, passa um carro, sigo no túnel de vento criado. Lá em cima sentado o senhor do teclado que agora passou para guitarra. Varia num azul lisboeta sobre um clássico capitalista natalício. É propício penso eu. Desfaço um slide na cabeça. Perco a pressa. Invento um tema. Estou cansado vou em frente mas páro volto sempre ao mesmo lado vou. E custa e custa estar tudo igual o que é o normal? o que é ser especial? o que importa afinal? Estou cansado vou em frente mas páro volto sempre ao mesmo lado vou.

Acelerada a guitarra na mente sou levado para onde a banda sonoramente me leva. E tenho...

"Olá, como é que estás?
.....
Desculpa lá o toque só agora é que percebi que estavas a pensar....ainda estás a trabalhar ali? como é que aguentas? tás com um ar cansado...aproveita o natal.
...
Igualmente"

E não cito o autor (eu próprio) oralmente expressado sou uma nódoa física que como a ana drago diz só sai com o que o Eça antes referiu. Merda. Esqueci-me do que estava a pensar.

Cheguei. Acendo outro cigarro. Não aprecio o bafo que só se acumulou ao outro. Uma bica sim sff.

"Como estão a correr as vendas?"
?
"Não trabalha na Bertrand o senhô?"

"Pensava que sim, mas se diz que não vende não vende".

Café no balcão mais um não que não trabalho acolá, mas um que não trabalho ali, mais um que não faço isto mais um que não preciso de copo de água.

PAROU TUDO! (Citando kleber, exactamente o mesmo tom)

Altura de beber o café...

Um trago. Trago pouco. Dois tragos. Menos trago. Três tragos. Trago nada. Aliviado. Sinto agora o bafo que não o sendo sabe a último. Cobro um grão de açucar com os 70 que devo. Páro. Respiro. Penso no que antes vi enquanto era de dia. Nunca sentira aquele olhar antes. 6 ou 7 horas depois aprecio a beleza do ódio que ali vi. Começo a caminhada com ele. Atravesso com ele a rua que os peões cromaticamente não respeitam. O ódio. O ódio que aquele olhar tinha e eu alheio no meu canto engravatado no meu canto medroso...o ódio que nunca vi mas que ali me foi dado e que só agora percebo...

O menino portou-se muito mal,
Ou simplesmente me parece, vê
A forma como o olham. Sem porquê
ninguém assim nos olha...Não não vale

olhar assim,achas que é normal?
Alguma coisa ele fez. Agora ten
tas-te a grisar. Não faças nada crê
somente no que digo que se cale

O resto deste mundo. Nada diz
nada acrescenta para além disto viste
e mais não dá este tão triste mundo.
Aceita o ódio que p'lo medo existe.

Num instante se desfez p'lo que fiz
o quê não importa pelo luto.

E caminhei um pouco mais. E passei o quiosque sem beber um capilé. E parei e olhei não passei vinha um carro o menino ao meu lado arriscou. E o taxista gritou sentido pela vida quase posta de parte com um carinho deveras familiar.

"E se fosses (não não é apanhar...)" " E se fosses para a cona da tua mãe" - Aposto que por lá se sentir seguro.

Avancei mais um pouco e de repente pensei sobre o dito. Parece que fez sentido tudo.




sábado, dezembro 05, 2009

My own house cleaning

I

Estou á espera num bar qualquer nos limites que não conheço de mim
Arrasto um medo que nunca me foi próprio
pelas ruas, vielas e travessas que sempre me aliviaram.
Estranho tudo o que sou ou fui.

Saltam das janelas como alvos de treino
- num filme de policias manhoso qualquer-
memórias tão frescas como um quejo que propositadamente cheira mal
Sque já provou e gosta é que não desconfia.
Pum, Pum, Tr tr tr
Maus um que foi abatido.

"Cuidado não alvvejes o refem que não te quer mal nenhum coitadito"

Café
(mais um)
cigarro
(um de muitos)
sono
(o de sempre)
Companhias funestas à plenitude do ser.
P'lo menos ao contrário do resto são auto induzidas,
Por entre dias feio bons maus bonitos
Tardes de merda tardes de riso
Noites de punheta de foda e [luxúria]
Por entre a vida que dura até que a cobardia aguente.

"São só rotinas são só rotinas
mais cedo ou mais tarde vais estar assim"

Disse-me alguém alguém em cada uma delas,
Alguém sempre um pouco mais frio, mais seco
Como eu com o envelhecer de um corpo cada vez mais rijo
mais impermeável ao choro que agora
mais do que antes
arde ao sair.

Está tudo sobre a pele, à sua flor.
Chegasse ao coração ou ao centro de tudo o que sinto
tudo aquilo que me turva o olhar.
PErcebesse porra o que se passa o que me consome,
Desse ao mundo o que nem a mim mesmo dou.

Riem-se todos ao meu redor.
Dois pretos, duas gajas e um gajo
mais dois
mais ou menos brancos que não vejo.
Falam da vida, veêm a bola
parlham o que nem ao papel dou
Não quero ser mais como eles, não posso pedir isso.
Gosto de mais de mim para me eliminar em momentos de loucura
de [ ]
Quero que me tomem como sou com as minhas regras básicas:
Valores, moral, gostos e tudo exponho tão gratuitamente
tão obviamente
tão monotomament
tão
Porque ão me dão o mesmo mesmo depois de eu pedir
Porque?

Acho que acertei num transeunte.

II (III de outro)

Nada pode ser tudo
Tudo pode ser nada
C'o tempo vem o luto
luto contra a ressaca

Tento e tento e não passa,
Como se um whisky fosse
Dos que o corpo arrasta
cada vez p'ra mais longe.

Esqueço o futuro hoje
Só o passado enxuto,
Caído p'lo que trouxe
Sem nada me ergo e mudo.

III ( IV de outros)

Solto palavras guilherme,
Como eu quero ouvir.
Imagina alguém ao leme
na altura de decidir
Duvido que certo te leve
o que desconhece
é por onde deve ir.

Guilherme o que escreveste
é parvo é pequeno
onde é que o aprendeste?
Qual é que foi o teu medo?
Quando é que tu percebeste
que essa vil gente
é mais sério do que o vento?

Guilherme, foste feliz
com essa atitude?
Consegues ver o que fiz?
não menti na juventude
Elogios nunca os quis
Vi-os por um triz
só duvido que alguém mude.


quinta-feira, dezembro 03, 2009

Continuando. ´(há mas são verdes, há quem diga que estivessem)

Introdução.

Verde do que há,
e à verde de nojo
ou de verde de monstro
nojentamente criado
verde de gasto
sem sequer ter tido uso
verde do que não mudo
verde
verde
verde
verde

verde do que só verde é
e verde nunca como um monte
ou árvore também esverdeada
à juventude acabada
sem sequer ter envelhecido.

pobrezito,
fosse a culpa da côr.

Receitas
1º Dito
Depois de um murro, ainda com a pala
só precisa de um olho o poeta
perspectiva da a mente
com os seus pontos de fuga partilhados
cansados ou não não importa
zarolho ou não tenta ver o mundo
ou simulá-lo
na caixa de petri que ele é e incuba
tudo o que talvez por causa importe.
2º dito
moraliza o senhor autor
no valor que ele assume universal
película ele é de tudo
ampliável ao ponto que a sua alma
mais ou menos fraca potencia
e dita o senhor poeta a verdade resteliana
ou negreiramente do futuro apologista
nao interessa só maldita tem de ser
a puta da vida que rege
a mão que escreve
a propria com ou quase sem instinto
controlado p'lo apre(e)ndido
estimulado pelo que lhe mete medo
credo.credo
no que só de mim dele parte.
Maldito
Falaram-me uma vez no que se esconde
apontaram-me uma vez o que surge
Ditaram-me uma vez em pequenito o que rege
Grito por vozes que tudo mude
Mas o que é um bloco de papel por timbrar
Assinado à letra de quem não assina
O que é um velho que ensina
Um conjunto de peixes já por si salgados?
E vem, e vem id(o) ao de cima
e o papel fica negro não estruturado
Preenche-se num canto acabando noutro lado
e a forma aos poucos fica gasta
ninguém percebe nem quem o faz
(institivamente é claro contraria o apreendido
apreensivamente o homem assustado
põe tudo de um só gesto tão bem educado
Aquilo que parecia ser dele
numa pequena folha de papel
e sente-se aos poucos um pouco expurgado
saiu toda a merda esta alividado...)
E num instante sem saber como
em gesto em forma e até no modo
foi tudo dito do que havia por dizer
Mal dito o dito ninguém vai perceber,
Gritou-se no escuro,
Tivessem escutado.
Ego cogito, ergo sum
E duvido que mude sem ser medicado
só sinto por vezes
e fico alterado.
A base
Tempo, Kronos o que comia calhaus.
Engana o tempo o vício
ícios mudam com ele
Até o papel
já foi mais escuro e frágil.
Dá-se o corpo à mente
sente-se como petrarca
Dá-se o mundo à máquina
as flores que há são dentadas.
Essas cores alturas há em que soam
e sons há que por vezes sabem
mudam-se os tempos e as vontades com eles
o mundo que é nosso não era o seu.
O mestre e o calhau, não come mas atura-o
Ó tu que me lês e citas,
serás um pouco parvo?
Tu que olhas para um quadro
Em tudo o q'vês acreditas?
Consideras que o vermelho
Estruturalmente é pensado,
Que o monstro tão bem deitado,
maior é que o seu tamanho?
Ah meu homem tem cuidado,
Pedras que pinto não tomo,
A tudo aquilo que posso,
Rodeia vil tracejado.

quarta-feira, novembro 25, 2009

Último dia senhor para cantar o fado.

De onde?

Mas que raio de pergunta essa.
Deus nos livre de destinos com carácter local.

terça-feira, novembro 24, 2009

Quadra natalícia

A solidão potencia
O frio que a rua transmite
A tristeza de um pedinte
Do olhar de alguém que passa.

A merda do trabalho.

Caro
não parece ser fácil o que me pedes
não é nada fácil
nada
caro
duvido até que consiga
isto é
digamos
uma grande porcaria
assim não sei
não
o que faço caralho para estimar o potencial
o potencial deste mercado
caralho
não sei
não sei
não sei
E estou a ficar cada vez mais nervoso
ao ponto
de me apetecer explodir
levar comigo tudo de arrasto
de arrasto comigo
comigo para longe daqui
assim
hei-de ter algum impacto.
Fraco?
talvez
mas pesa tanto que me dói.

sexta-feira, novembro 20, 2009

tentativa de criação sobre um conceito definido pelo próprio autor.

génese I

O que cita I.i

Abana o vento a árvore,
pelO eixo o resto treme.
Enraizado tudo se agita,
Pelo medo o resto cede.

Uni, não bi a lapa
Nunca vai c´o a corrente
Move-se na rocha segura,
Descalça chega lentamente.

A pedra essa com ela não muda
Não leva a água a parte dela
O pouco do velho tanto mais dura
Quanto mais de outro é.

O que cita I.i (take 2)

Diz o que o outro diz ou disse
Cresce no mausoléu paciente.

O que cita I.i (take 3)

Tão grande és e vê.
pleo que a tumba de outrém dá
não muda nem um pouco
- nem sequer traduz-
o outro
se sabe
entende-o

Ás cavalitas vai
aos ombros.
Os outros
só são uns
nunca chegaram a ser eles.

O que cita I.i (take 4)

Toma toma toma que cito
é desta que tu tremes
não conheces?!
eu já sabia
eu já sabia
eu conhecia tão mais que tu.
Um
nunca hei-de ser
Estou a dizer
Tudo o que outro disse
Tudo o que existe
também e só por mim

"Fim"
e sim
estou a citar.

O que brinca aos trapos I.ii

Flanqueia a gaivota no azul torpe
De um que do verde desperta
que como o sol se põe.

Não notas que o caminho também e meu?
Um dia vai chegar triste áquele sítio
ao mesmo onde ele já fumava charros.
Aqueles
Aqueles que solitários
são
pequeno com ninguém ele os partilha
as colheitas do dia do nigga
Que ás vezes tem material de primeira"

Deixa,
Deixa estar ó homem
é bonito
e é só por isso que interessa
depressa
é so a quinta
a 1ª a 2ªa a 3ª a 4ª a 5ª a 6ª
Ou qualquer outra
Que te servir.

O que pintar I.iii

A que diz B fica bem perto de C
O ponto
se usado correctamente
por mais que o texto fique diferente
esteticamente
é uma arma . ! ?
A seguido de C com o elemento final
contido
num conjunto definido
entre chavetas anormalmente colocadas.
Não se diz nada
Sente-se
Diferente/ fica/ cada mente...agitada.

Não digas
I.iiiv

Guarda em ti a verdade
A que saber ser mais que tua
Uma pessoa não muda
pouco ou mais que nada.
Guarda,
Sê egoísta nas conclusões
Emoções não são partilhadas
Sente o que resta como ninguém o fez
Sente, sabes que ninguém toma
nele mais que ele próprio
Dá ao opóbrio
ao que tudo na mesma deixa.

Faz I.v

Traz
o impacto é sonoro
É assim que deve ser feito
r.r.r.r.r.r.r.r.r.r.r eterno
maqunal
Anal é tudo o que vai contra o feito
Feitio
merdas instítuidas
Um azul tão bonito,
aquele que vês
nos meus olhos quee termicos
a luz dos olhos têm
Continuamente fechado o alado profano
Por favor....tenho medo
não me obrigues assim não quero
por favor
se for sincero
Fodo-me como só fodia
Escrevi.
E assim começo.

terça-feira, novembro 03, 2009

É tarde.

É tarde. A luz do sol já se pôs talvez há muito; não sei, descobri a evidência ao fumar um cigarro no exterior permitido ao escuro de uma falha técnica qualquer que talvez, fatalmente ao olho do iniciado, faça sentido, quando a outrém só o desagrado levanta por ser só naquele quarteirão.

"Sonhos diluiem-se no que vais acumulando ao longo da vida", disse-me uma vez quem agora, de certa forma, a minha vida comanda porque na sua maior parte a faz contaminando-me com cada palavra que aparentemente em vão nunca soltou. Talvez seja isto a que alguns chamam de crescer mas, à parte de tudo, espero que daquilo que importa nunca se açabarque.

Remorsos vou aos poucos desconhecendo dando lugar a uma indiferença sólida como uma rocha que previne acima de tudo o agitar de uma lágrima que faltando nunca há de promover a erosão a que ainda há pouco me lembro de ter entregado por tal me ter sido permitido. Perco aos poucos a minha humanidade, e nada menor que isso eu sinto em mim quando tenho tempo disso me aperceber.

Estou cansado, tão cansado. As vozes que vêm dos bares aos poucos perdem a força que só um copo, um de gesto tomado me permitiria ver.