I
Nem a bifana a um euro lhe serve.
Coitado espera no fim da fila e ninguém lhe cede
o passo que certo a fome mata.
Faz-me lembrar o cão que não tendo pra mijar
do outro lado da porta que não abria
cheirava o mijo com vontade de beber.
Os dois sujos pelo mundo e por eles,
O mesmo olhar mamífero triste.
Tinham os dois o mesmo,
e só o cão era gozado [gordo]
II (i)
Perdemos o significado num filtro
numa beata que arde sozinha
ou entre outras que já arderam ou ardem.
Usamo-nos
levamo-nos ao limite do que somos
sempre em nós talvez entre outros
pequenos voos que aliviam o peso da terra.
Esperamos
Com a certeza que é certa,
na incerta
certeza do que vai chegar.
(ii)
Os cavaleiros da verdadeSanto é quem não é mártir,
Humilde é quem é Santo,
vamos de quebranto
somos a nossa graça.
(...)
III - Lar de Terceira Idade
Saiu a puta do mais velho dos sítios
Feita outra p'lo feito. Só aceita
Castigo dado ao fim. Funda à receita
num só valor valor que ache d'vido.
Enquanto dura dura uma gesto amigo
Aceita o que lhe é dado não se queixa
Destino foi-nos dado nesta seita
Por ter maneiras cobre só o linho.
O velho estava mais que só só tinha,
Nostálgico rubor a rodeá-lo.
Foi bom enquanto aguentou, durou,
Um pouco mais do que havia pago.
Abre-se a porta ao fundo outra fechou.se
e num distinto quarto hoje é noitinha.
IV
A tristeza que cresce
Cada dia que passa
A minha vida tece
Dela faz uma farsa.
Finjo sentir alegria
num mundo de dor
Digo que quero a vida
mas só sinto rancor.
V - Manisfesto anti-catedrático ou quase porque isso é um clube a que poucos pertence
Existe ou é por simplesmente o ser
não é de quem se senta mas de quem a usou e vice
Morre o senhor e p'la soma de bolas
talvez de alunos que as perderam
outro senhor de certo velho e certamente influente
de certo ignóbil e só em si crente
nunca o fazendo lá se pode sentar.
Cabrões; Puta de assento messiânico
D. Sebastião de Pau Brasil
onzeneiros sem medo [concedido]
Senhores de um valor que nunca chega a [cristo]
Caprichos de um Deus, realidade do que se lhe opõe
Monstros sem a cabeça que impões
cientistas de ilusões temporárias
Oficiais da verdade sem opostos
Cavaleiros da fome do nada que os faz
Tecedores de um tapete lilás
Só na parte que é deles.
E insisto, e insisto, cabrões
Chulos que levam mas não trazem
Só nos dando quando outro nos passe a não dar.