Lembraste de quando eramos pequeninos?
Brincávamos por de baixo da mesa de vidro
e um edredon aparava-nos as quedas de uma luta inofensiva.
Os gestos nunca eram premeditados por mais que doessem,
Acreditavamos que as palavras do pai eram assim.
Tinhas cabelo á tigela de um loiro que nunca vou ser capaz de pintar
O meu nunca fora tão claro,
Tinhas saias que condiziam com os meus calções
E um sorriso irritante que reproduzias
sempre que dizias abrir quando era para fechar.
Foi teu o meu berço,
Foram tuas as minhas grades e as paredes que conheceste.
Até o meu chapéu de pele branca à russo
em momentos que mais que uma fotografia guarda.
Noutras pego-te ao colo assustado mais magro do que era no ínicio
Tinha um carinho que, com o teu crescer, embruteceu.
Estudaste na mesma escola que eu,
Os corredores que me levaram sempre frios foram também os teus.
Os cantos em que brincava, sempre mais tímido que tu,
Até os ferros a que eu não chegava mas que tu percorrias sem medo de cair.
Quem me embalou embalou-te na vida
Quem me deu à boca foi à tua boca que deu
Quem me buscava às cinco às cinco te buscou
Quem se juntou por ti por mim o fez...
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Crescemos, crescemos com o mesmo.
Que subtileza nos fez distintos?
Nos fez gritar com aparente maldade
Chorar por gestos que não percebemos?
O que PORRA? O QUE?
O que tive a mais e tu a menos
O que a mentos tive e tu a mais tiveste?
O QUE?
Choro agora a frente de um computador de merda que nem sequer é meu não tendo dormido as horas que são minhas porque também tuas foram
o que?
O que me dá a consciência aos actos que tu não tens e o que me faz não perceber o que tu percebes?
O que porra? O que?
o que?
O que?
abraçasse-te
abraçasse o teu choro abraçasses o meu.