Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

terça-feira, setembro 02, 2008

E repete-se o ciclo vicioso
É um jogo que me faz com as regras.

XIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII
não não é onze
Sim é para ler
CHIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

Barulho.
Ruído daquele que aflige
Que comprime o cerebro que o filtra.
Pisa
Pisa e não é pouco.

Ritmo
Começa a ter forma o mundo que a mente aos poucos criou.
Da destruição é que tudo parte
Da explosão é que tudo se forma
Tudo o império se desfaz para um novo
um novo.

O menino anda pela rua meio confuso.
Está um pouco mudado aos olhos de quem o conhece.
Há quem diga que cresceu
"Quase que bate com a cabeça na porta; está tão grandito"
Outros,
Aqueles que se acham mais perspicazes acusam uma mudança mais interina
"Está um homem vê a vida de um ponto muito mais alto"

caminhou coitadito
e é isso que se aponta...
Já não quer o que queria
No fundo nunca soube o que é que isso era
uma merda
uma merda insisto...
Ninguém sabe o que nele se passa o que ele quer ou precisa
São poucas as meninas que têm algo de mulher.

E dói o corpo
Desfaz-se pouco a pouco
julga que é da zona...

tocado de uma forma fugidia

E assim começa o escritor, ou simplesmente aquele que não sabe o que é mas que, neste instante, neste momento um pouco diferente dos outros, se assume como tal, a perder-se nas palavras que fugazmente, enquanto neste forma se encontra, possui para logo de seguida se encontrar quando as reler no estado que, não lhe sendo natural, é o que normalmente possui.

Nunca soube escrever sobre algo se tivesse intenção de o fazer. Era entristecido e incomodado pelo que se forçava a fazer: um objectivo implica um sucesso ou um insucesso, pouco há de mais bi-polar que ele e, não alcançando o primeiro, só poderia viver com o peso do segundo. Raramente sabia também sobre o quê iria escrever.

Tenho os braços vazios vertido que está o que tão aconchegamante continham para o mundo. Tudo tem de partir. Tudo tem de partir. TUDO.´

A caminha está suja.
Quem lá dorme está sujo como e por ela,
O porco revira-se no que para nós é imundo.
O sujo não é sujo para todos.

sexta-feira, agosto 22, 2008

AH!

Estou tão estranho como a normalidade me permite. O que se passa comigo porra que nem consigo descodificar o que na minha cabeça se passa talvez pela variação de pressão atmosférica a que foi submetida! Porra. Tem de ser assim e sempre foi assim que foi e eu nunca o percebi. Á medida que se cresce e as responsabilidades atenuam o que de melhor nos compõe, como uma barragem que através de um limite permite a acumulação de tanto de bom e de tanta merda como a que no fundo se arrasta pelo atrasar de uma corrente.

Tem a barragem maneira de escoar o que excede talvez o corpo não o tenha, talvez não o consiga ter e só dói mais por isso. O trabalho limita o tempo que há para libertar o que em nós se vai somando ou subtraindo - acaba por ser o mesmo pois o que se dá perde-se e o que se recebe tira-se- e o corpo, nunca feito de betão armado, ao invés de rachar como uma qualquer estrutura explode em todas as direcções que conhece e desconhece mas é so por estas últimas que continua o seu trilho...Excessos são tão maiores do que no tempo dos excessos. O que antes se dava ao corpo ao longo de um dia dá-se na mais pequena porção dela. Uma merda.

Podesse sorrir e chorar à frente de qualquer parede. Nenhuma delas me desse o pão a boca depois de o meu corpo o ter posto nas suas mãos. NENHUMA. Voltasse a encontrar tecto no que hoje o meu joelho sente.

Ao carlos artista de desempenho


Supostamente era artista,
parecia
dizia-se que não o era
que não era
paneleiro.
Dizia-se que era um daqueles dos desempenhos.
Traduzo literalmente do inglês...
Dessa língua tão linda e ainda mais linda a nomear profissões.
Desempenhava
Desempenhava sim
um papel demasiado irritante.
Apetecia-me cortar-lhe a cabecita
Com uma tesoura de cortar sebes
o seu lindo cabelo parece
uma sebe
que
reflectindo o que dentro dela se acumula
está num estado lastimoso,
de merda.
Vou podar o carlos vou podar o carlos (cantando infatilmente)
"Ai seu assassino
anulador de sonhos de menino"
Serei?
Acho que até agora nunca me dei assim tanto a uma vontade...
"Sabes que na realidade não é assim não sejas um parvalhão"
Não?!?!?
só sigo o caminho que o mundo me parece apontar!
Já estou farto de virtudes divinas que o homem só no outro homem tenta espelhar á custa de discursos
daqueles que só diluiem o bom que talvez um dia foram!
Aqui não ha palavras não ha palavras
Há tesouras da poda e gravatas
e um palhaço no desempenho do projecto que é a vida.
Que a acabe á grande
Que a acabe á antiga
Sem a sua cabecita - que nem um nobre francês (voz de falsete)
Ou com a garganta apertadita
como um usurpador de meninas do tempo
em que os vaqueiros faziam mais que refugados.

Oh Ana!






















Poderia ser verde, se o currículo


p'ra mais que nada me servisse ou acho


Eu que sou pequenito mas que passo,


Por entre os dias sem deter um vínculo.





Não sei quem é, não a conheço, brinco,


Eu que sou pequenito e assim trago


P'ra mais que nada o que já tenho e faço


Brincadeiras imberbes com o que sinto.





Chega o devir para o mundo tudo


o que seu era deixa então de vir


Poderia ser verde e então fugir


Solução fosse para quase tudo.





Pelo azul ali bebido fui levado


Encantou-lhe o bigode já cortado.

quinta-feira, agosto 21, 2008

O senhor engravatadito perdidito em berlim.

Custa-me bastante esta vida na alemanha nem que seja pelo facto de estar a bater texto num teclado em que o z poderia estar noutro lado qualquer.Infelizmente esta em ingles uma lingua bem pior para quem gosta de usar um texto digamos mais cedilhado algo que ja um personagem da guerra das estrelas do porto, talvez por isso mais peludo, dizia.

Acentos nao custam muito. A nao ser e claro que seja um estrangeiro a ler e nao consiga perceber o contexto do texto e se veja a procurar num dicionario um significado mais complexo do que aquele que a palavra realmente detem. E a ironia da vida que se condensa num problema semantico mas que so parte do ortograficamente errado. Lembro-me dos ditados a que fui sujeito vezes sem conta e de repente tudo fez logica sendo o tudo a moral que estava impressa naquela repeticao cada vez mais frenetica e cada vez menos repetitiva de palavras que ainda hoje muita gente, eu inclusive, nao sabe escrever. Estava no ditado a moral pois na copia era so ela que havia: agora no ditado, no ditado meus amigos, nessas lindas palavras soltas que tento prender pelos meus ouvidos para mais tarde as libertar pelos meus dedos na interpretacao onirica de um som por um miudo de tenra idade e o seu ganhar de forma em letras que so passaram a ser o potenciar de um reflexo perdido que esta o seu lindo lindo lindo som.

Tudo perde a essencia aos poucos, a medida que escuda o seu corpo do mundo por uma qualquer proteccao por mais mediocre que seja, que ela seja meu Deus. Mas o corpo estranha o peso e do estranhar pesa ainda mais do que antes e coitado dele que de repente fica obeso mas de uma natureza nunca flacida porque ao flacido, nada ,mas nada, se permite! Mas ha quem consiga enverdar com o escudo as costas e carregar o seu corpo com ele em frente em frente passando pelo mundo como se ele fosse um riacho mas tao pequenito, tao seco e tao sem forca que nem o sente mesmo que saiba que ele esta la. Sao senhores, cavaleiros de uma verdade propria que se mostra ao longe como um farol mas nao para aqueles que a procuram. Eles impoem/se cobertos de glorias que outros como eles inventaram, guiados por aquilo que outros como eles guiaram, despojados de qualquer opobrio porque o opobrio e um deles que define.

Ja tirei a gravata. Sao 5 e 45 em Berlim. Nao me apetecia muito estar aqui mas acho que deve fazer parte deste crescimento que me foi imposto a teledistancia. Digamos que figuras paternas nao tinham uma presenca maior que a televisao e estavam inclusive a mesma distancia dela. Vi-a os meus pais filmados de uma forma desfocada ate perceber que era miope, lia as legendas e tentava perceber uma historia qualquer. Como era miudo tal como o poupas o meu pai tinha coisas importantes para me dizer tendo acabado inclusivamente a ensinar-me a escrever e a ler. O meu pai tinha mais o exclusivo de me explicar como se comia tanto a mesa como a cama quem ja me viu diz/me que explicou bem. A minha mae por sua vez ensinou-me a ser um pouquinho mais desconfiado principalmente de mim proprio.

Acabei um paragrafo. Sao 5 e 50 em Berlim. Nao me apetecia muito estar aqui na mesma mas sinceramente nao sei o que faca e insisto que nao sei so sei que e um bocadinho triste. Nao sou mais que um mutante p'lo humano que tenho tao envolvido pelo cinzento.

"Quero ir-me embora eu quero dar o fora e quero que voce venha comigo..."

terça-feira, agosto 19, 2008

Renascido das cinzas como uma fénix uma ave rara da poesia contemporânea que não crê em mitologia eis que retorna o poeta. inspirado por quem? Alguém

E assim começa com o bater de um tambor mas de uma música que acaba e que ele nunca conseguirá tocar -não por não gostar (tom explicativo)- só por sua mão, ou jeito, para isso não servir.

Dão a uma criança pequenita, cerca de 1,30 de altura, um presente a 2 m da mesma distância ao chão. Este ser em pleno desenvolvimento sem recorrer a qualquer tipo de ferramenta mais tarde ou mais cedo será provido de uma dimensão que ao que lhe é de direito permitirá chegar - isto se estiver nos percentis normais desta moderna geração alimentada a papas suiças. Se ele fosse anão e tivesse a mesma altura aí a história é que já seria outra. Sou então o último do último parágrafo, por mais que me esticasse só pintaria rodapés. O problema não seria do tecto, muitos o alcançariam, o problema é só meu porque nem com o meu maior esforço, o melhor dos condicionamentos físicos, lhe conseguiria desprovido de qualquer tipo de ferramentas ou, em outras palavras, ao natural.

Ao natural é que interessa. Refiro-me á música claro. O resto acredito que tem de ser muito bem pensado e daí estruturado. Como não percebo de música nem sei dar música sobre ela prefiro entrar num concerto de rompante e tirar as minhas conclusões mas, se o início me custar, saio logo dali.

quinta-feira, agosto 07, 2008

Um de muitos

Farto estava de ser ele próprio tentou ser outro um de muitos talvez

sábado, agosto 02, 2008

nao ves que ele está triste
que ele está sozinho
só quer sentir que gostam dele
quer um carinho
não mais que isso
está sozinho
quer sentir que gostam dele.

Fodas são fáceis
por menos gratuitas que se consigam
mas as feridas essas não saram
venham quecas elas passam
desde que seja bem fodido.

A cama é como o mundo
é so um ponto de passagem
acumulam-se gentes por mais imundas
tempos que não mudam que não param.
nomes que se perdem que não perduram
faces que só mudam por guincharem.
Outras ficam
outras saram
a cama é um ponto de passagem.

II

Quer o poeta não foder,
Quer companhia com um tom sério
quase jocoso
daquele que preenche paredes que não são paredes mas páginas de jornal.

É um animal por vezes que esta não são,
quer o contrário
o que precisa
o que vulgarmente uma mãe ao filho dá.
Mas a mãe não é o filho que escolhe
e a que o filho escolhe pode não ser mãe dos seus netos.
É uma merda
(pois é)
mas é uma merda que tem de ser assim.
Escolhi escolher
Saio-me cócó.

quarta-feira, julho 30, 2008

Só preciso de um afecto
Não de um mão que se afasta ao beijo
de um pescoço que se move com o arfar para longe

um carinho

um gesto

uma prova qualquer que o que tenho não é só meu

Choro num quarto preenchido por momentos que só o sono justificam
Durmo ao lado

sozinho

Tube, metro umderground u-bahn

I

A linha estendeu-se mais um pouco
Chega agora aonde não posso entrar.
Crescemos os dois em sentidos opostos
é crónico, é assim que é.

São 15:50 e ponto
acaba de falar a voz mecânica
promoveu por instantes a reutilização.
O preço subiu mas agora o bilhete tem algo de electrónico.

Não é hora de ponta ainda
Posso reparar em todos os que alcança o meu olhar miópe
Estã0 tristes
Por mais que cresça só vão em sentidos limitados.
Estão fechados
neles mesmos.

II

Não consigo escrever
O metro na baixa já não chega vazio
As pessoas ainda não sorriem
Tangentes que estão de perceber o que é a vida.

Se cresceram não sei não tenho referências
O puto do acordeão é que parece ter crescido
O cão mais velho por problemas dentários
o copinho já não carrega na boca.

A idade tem destas coisas
O que era um reflexo só passa a ser esforço
Não era o puto parecia ao longe
O cão era outro bem mais velho.

III

Lês o jornal senhor
maquilhas.te ó mulher
Velha esqueces a dor
Come a puta quem quer

terça-feira, julho 22, 2008

Quê?Quê?

Lembraste de quando eramos pequeninos?
Brincávamos por de baixo da mesa de vidro
e um edredon aparava-nos as quedas de uma luta inofensiva.
Os gestos nunca eram premeditados por mais que doessem,
Acreditavamos que as palavras do pai eram assim.

Tinhas cabelo á tigela de um loiro que nunca vou ser capaz de pintar
O meu nunca fora tão claro,
Tinhas saias que condiziam com os meus calções
E um sorriso irritante que reproduzias
sempre que dizias abrir quando era para fechar.

Foi teu o meu berço,
Foram tuas as minhas grades e as paredes que conheceste.
Até o meu chapéu de pele branca à russo
em momentos que mais que uma fotografia guarda.
Noutras pego-te ao colo assustado mais magro do que era no ínicio
Tinha um carinho que, com o teu crescer, embruteceu.

Estudaste na mesma escola que eu,
Os corredores que me levaram sempre frios foram também os teus.
Os cantos em que brincava, sempre mais tímido que tu,
Até os ferros a que eu não chegava mas que tu percorrias sem medo de cair.

Quem me embalou embalou-te na vida
Quem me deu à boca foi à tua boca que deu
Quem me buscava às cinco às cinco te buscou
Quem se juntou por ti por mim o fez...

__________________________________________________

Crescemos, crescemos com o mesmo.
Que subtileza nos fez distintos?
Nos fez gritar com aparente maldade
Chorar por gestos que não percebemos?

O que PORRA? O QUE?
O que tive a mais e tu a menos
O que a mentos tive e tu a mais tiveste?

O QUE?
Choro agora a frente de um computador de merda que nem sequer é meu não tendo dormido as horas que são minhas porque também tuas foram
o que?
O que me dá a consciência aos actos que tu não tens e o que me faz não perceber o que tu percebes?
O que porra? O que?

o que?
O que?

abraçasse-te
abraçasse o teu choro abraçasses o meu.
Tinha o sangue como o meu mas mais sujo.
Os olhos brilhavam como só o escuro do
mundo promove.

Arfava o que a consumia e
inspirando
sentia-se o estado.

Vem para a caminha são horas de dormir.
Vem que estás vem que não estás bem.
Vem,
Quero-te envolver nos meus braços que
tentando proteger-te
muitas vezes sentistes brutos.
Vem,
Somos injustos com quem em nós vê justiça
vem,
vem devagarinho
não ajas com a pressa a que te entregaste consumindo
vem devagarinho
admitindo
que é devagar que o fazes.

II

Vais somando cl até somarem nada.
Levas de arrasto um momento,
Passa estranho pela glote

"Sou tão forte já bebi bebi muito
Mas não bebi o suficiente..."

Diluido o cerebro com ele vai a consciência
O coração esse foi-se mais cedo
1
12
123
1234
12345

Desperta o corpo pois já não sente!
Salta mais alto não tem medo de cair...

sobe,sobe,sobe,sobe
sobe,
sobe,
sobe,

5
4
3
2
1
desce,
desce,
descem, desce, desce, desce

São horas de ir dormir.
A rua é uma cama
a almofada é um lancil
São horas de ir dormir
De ser um bébé bem comportado
De cair para o lado
Com dentes desinfectados
Com o hálito a elixir
São horas de ir dormir
O mundo é o meu quarto.

segunda-feira, julho 21, 2008

voutentarchegarnaotardedemais

Auto retrato com maquina a ver.se

domingo, julho 13, 2008

momma's housecleaning I. 2003

Trazes as flores ao peito das-me a cor
que num jardim armado por betão
tao triste erecto desumano vão
oxidam as palavras com a dor.

Quando ha cor é de carne dessa flor
que o tempo faz para comer glutão
serve-se o corpo antes da queda o chao
c'o peróxido limpo se há de por.

Ganha tudo um sentido nao so nosso
a rosa empalidece pouco a pouco
pouco a pouco faz parte do que envolve
das a resposta que teu ser resolve.

Trazes as flores ao peito mas nao posso
pinta-las na estrutura tudo é oco.

quinta-feira, julho 10, 2008

Hoje que não faço muito muito escrevo.

Começo.

título: "De manhã a ouvir ein berliner radio."

Os texas diziam que precisavam de um amigo e não de um namorado. O que quererá a DJ mostrar com tal musica, tal música tão fofinha...soubesse eu. Agora londres arde e sim eu vivo junto a um rio a um rio maior que qualquer outro um rio lindo um rio que é meu que preciso quando estou longe e que acalma qualquer chama que me queime por dentro só por eu o sentir à distância pelos meus dedos envolto e eu por ele envolvido.

Sobretudo sobre elas

Mostram a face que, por base, sempre parece melhor.
Sometimes i just wish things or somethings were different. It's sad but it's true. What do you think? Am i really that crazy to put words like this in fucking page that is not made of paper, am i?

Mon petit cerveaux,
s'est un peux defoncé
j'ai beaucoup crée.

Mon ombre a besoin
d' eau qui est seulement mienne

mienne

meine

"man, lá tás tu com essas macacadas estrangeiras!" Exclama o leitor português que até aparenta estar um pouco mais chateado com a vida que não tem porque perde o seu tempo a ler a merda que, como o parkinson escrevia em todos os seus textos, alfabeticamente orquestrei.

O que será feito do Parkinson. Esse grande homem que, segundo me lembro e não com algum tipo de raiva, era um bocado tremeliques. A última vez que o vi estava a apanhar um comboio para lisboa - perdão para Cascais - e lá estava ele a olhar para a linha que um dia o havia feito escrever um poema que até acabou por enviar para o público. Ele nunca foi egoista, gostava de partilhar aquela linda paisagem com o mundo indo até o aparentemente mais pequeno dos detalhes: gaivotas, variações cromáticas, barcos de pescador, faróis...

Era um Alberto Caeiro que estudava literatura e que por isso tinha mais requinte. Lembro-me que falamos sobre o que estava a ler para uma das suas cadeiras. O último livro que passara página a página pelas suas mãos fora o príncipe do machiavel. Fora uma leitura não prazenteira pelo que os seus tristes olhos mostravam e pelo suspiro que lançou para o Tejo como se a beleza do que à sua esquerda estava fosse a única verdade do mundo.

O tejo estava tão bonito,
Passavam gaivotas pela linha que divide,
o sol nesse limite se ia...
Chorava o mundo agora sem o seu calor
sem a cor que antes de ir era rubra.

Pouca-terra, pouca-terra, pouca-terra
lá diz o comboio entre os seus tchus tchus.
Pudesse sair na próxima estação e correr em direcção do sol
abraça-lo contra o meu corpo frio
disforme face o peso da ciência que me foi imposta.
Pudesse sair da máquina que é a vida.

Sou mais uma engrenagem num sistema mal oleado
gasto há medida que cada ponteiro marca um mês, um dia, um ano novo.
mas tudo se atrasa lentamente
tudo há de marcar + cedo ou + tarde algo errado
Todo o império há de cair
cair
cair
cair.

Mas isso nunca me interessou...
não vivo o tempo sou por ele levado
vou em direcção de uma direcção entregue
desde o instante em que ensovado respirei.

"never thought you'd fucked with my brain"
never
but there was nothing else you did.
queria escrever uma fábula como o senhor das fontes fracês mas, olhando à minha volta, todos os que vejo me fazem lembrar o mesmo animal nojento mesmo que com estaturas diferentes.