Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

sábado, abril 12, 2008

Limpeza de casa número dois ou segunda (gosto mais desta versão).

Texto isolado. O príncipio do sentimento que se explana na série. (ai, que merda é esta?)
É a vida como uma trela
que aperta o pescoço de um cão de um cãozinho
que por mais grande ou pequenino
só segue p'lo caminho que lhe dá ar.
Tenta lutar mas por mais que ladra ou morda
nunca se altera o que já há tanto nos definiu.
I
E assim começa o poeta uma lengalenga sempre antiga
talvez escreva algo de novo
mas já antes o pescoço esse mesmo,
mas outro
aperto sentiu.
Talvez alguém se reveja
talvez alguém entenda,
talvez aquilo que ele escreva
Tenha um sentido não só dele
I
Veste de cinzento o senhor
Esconde a paleta de cor
com que pinta o seu ser
Chama-se a isto crescer
Ninguém o diz mas subentende-se
Perde-se a fé em nós mas crê-se
Num Deus que só se sabe opaco.
II
Dá-se um prazo à tarega
que atarefa por um prazo que se sabe
Todo o ser daqui parte
só se lega se se sabe quando
Infelizmente há excepçoes e explico:
quem não sabe e pensa atarefado
sem saber perde o prazo
nd fez da tarefa que tinha
IV
Discussões merdas banais rotinas
puxões na tela que é a vida
que sem patilhão e na constância
só se move em três dos pontos
(isto se só quatro definirmos)
Tudo depende da perspectiva
Há quem 3 em 5 parta e outros há quem os 5 em 9 divida
Tudo depende da perspectiva
Há quem queira estar do outro lado
e até passar o cabo
só havia quem o queria.
V
Mão suja de nada fazer
Morrer de não viver
Chorar sem saber o que é sorrir
Cair nunca estando de pé
Ter fé não acreditando no mundo
Luto sem sentir a morte
sorte sem saber o que é fome
bater uma não fodendo ninguém
Ter mas querer o que o outro tem
alguém que nunca de fulano passou
som que a natureza produziu
viu e nem sequer reparou
Casou à primeira sem pensar
amar sem saber o que isso é
fé que aos dois meses foi imposta
Escola que o fez sem saber
Morrer consciente que é produto
VI
Juntando um v ao i passou a letra a ser seis
pergunto se se leria VI
não esperando respostas a perguntas estúpidas.
já dorme no quarto ou talvez espere por mim
não mo pergunta
é tarde demais para pensar
é tarde
Passam os carros na rua do eléctrico
ouço-os bem
quase tão bem como as pessoas que acompanhavam o monstrengo
3 negros tocavam p'ra eles e sem saber para mim
um casal discutia pela voz da mulher
que
ao som da guitarra
parecia mais castiça
ao meu lado ela sentava-se
e não me faldo monstrava-me que tarde chegou p'los seus olhos tristes.
Ouvisse um grito por vezes
Domina-me agora o silêncio
algo que nunca antes tive.
Faz isto faz aquilo e nada
(assim é que me ordena)
Nada me diz quem está ao meu nível
(um incompetente)
Só me mostra quem tudo me deveria dizer
(um sonho p«ra outros espaços de tempo)
Cresço
cada dia que passo cresço
É tarde
temo
que um dia seja tarde d +
VII
E assim acaba o poeta
aquele que
sem qualquer métrica se expandiu
um artista plástico desconstrutivista
na opinião de quem julgo não existir
"uma merda literária"
na opinião de quem respeito
Também me julgo não julguem não o faço
Também me julgo
julgo-me não neste fim.
E assim
O poeta acabou.

quarta-feira, abril 09, 2008

Na maria caxuxa sem ningúem perto para me xuxar

I

A espera ganha o teor
que a chegada exponencia
É mais triste que lida
É uma tristeza que se vive.

Encolhe os ombros
compactas a paciência
quebra os limites lentamente
Rapidamente tudo se anula

Fa-lo, falo com o tom que é teu
sente o que em mim viste
sê injusta e comete
o erro que preciso de sentir.

Ouvir faz-me mover
não para longe longe de tudo
Mudo como os dias que passam
Mudo, aos poucos não sou o que era.

II

Desfaço a parte que é tua
no resto que me compões
são momentos e uma vida
por eles feita os anula.

Que mais há para dizer entre os gritos
controlados por uma voz gasta
desfeita em vícios esquecedores
e em alturas que já não atinjo?

Conhecemo-nos tão bem
vimo-nos tantas vezes despidos
expostos a uma tristeza causada
algumas vezes só por nós

Estou tão farto, cansado
Custa-me também ouvi-lo
a diferença é que te digo
Cada palavra como um gesto

III

1,2,3
e o nada
a tristeza sozinha
o tempo que não passa
a ressaca não percebida

O corpo so sente o peso
depois de um sono adquirido
acordo
levanto-me para a morte
com passinhos de lã nauseabundos
ah pq faz isto porque me dá?
n o sei
n o pergunto
pq depois já não o faz.

IV

E acaba
como a chuva que dá espaço ao sol

Ficamos mais velhos
mais sabidos pouco a pouco
e o pouco é sempre muito.

Quero-te mas n o que me dás
um carinho controlado pela mente que te deram

Esperei tanto mais
coisas diferentes na essencia
o oposto talves e agora assim parto
mas também, que me interessa?
Trabalhamos amanhã e é tarde.





terça-feira, abril 01, 2008

Limpeza de casa. Caderno I

No fundo, no chão de uma banheira, a minha ou a que minha já foi

Uma gillette azulada, descartável
reutilizável mais que um dia
a certeza que alguém teria
ou poderia ter
uma noite com pernas a envolver.

Mtos me invejam
mas o incesto é nojento
soubesse eu de outras, de outras vidas
soubesse de outras lâminas perdidas
DE pernas preparadas a me receber.

A Bela, O Monstro e a agonia de ser triste,
Senta-se no canto aprumada
Ergue-se no olhar que julga
Passam
Não muda
O rosto que baseado definiu.
Enconsta-se num canto assustado
Mostra-se c'o olhar que procura
Pessam
E funda
A alegria por instantes num ros to que viu
Solidão
Expansão e clausura
ignorância profunda
do ser
-tanto num como noutro-
A bela
e o monstro
A agonia de ser triste.
A sintaxe a semântica e a merda da pragmática
I
Por ser boa a rapariga peca
face a que boa rapariga é,
Tem crédito a fé
que à ordem o homem cria.
Jurar depois do feito é b
"a" é se antes se jurou
C nem sei como se define
Existe,
1 regra qualquer humana
mas do tipo insensível
(pedra mortuária
lápide por consequência)
que não existindo à demência
Leva só quem já não sente.
II
Diz-me o que disseste e reproduz
o tom
nada mais quero
O conteúdo é já o ponto 3
(ou talvez não mas que interessa só estudei economia)
(?)
Tótó
Amor
(com alguma ironia)
Carne
querer
foder
morrer
prazer
Bom
Um som
Não quero mais que isso
Palavras
isoladas
mentes limitadas
a um som por letras definidas
Prazer
Morrer
No simples é que é bom.
III
Dá-me 1 contexto
insere nesse instante o que sou
diz-me o que vês
Vou,
De acordo com o que antes julgavas?
Um momento faz um homem
redefine por vezes o que momentos criaram
num segundo aos olhos mudaram
num segundo cessa o que olhos viram.
IV
Concluo
Sou o que digo
Importando sempre quando o faço
A lógica de um passo
é a do antes e depois.
O melhor do mundo são as crianças
Infância Perdida
Mocidade
Fase de lapidar uma pedra embrutecida
genético o código
quem diria
q num destes o negro se iria tornar

Pai que empurra
mãe que amortece a queda
(volvo com pernas na tecnologia de um impacto não só flanqueado)

Velhice presente que educa
num tempo só a este emprego empregado
Estrutura
no que já foi é baseado.

Escola
alguém mais como nós no caminho.
sozinho
é o percurso de quem vive.

A miúda o sexo oposto a calça com um buraco a mais por baixo.
A miúda
o sexo oposto
a calça com um buraco a mais por baixo.
A descoberta
a ciência na diferença baseada
Espanto,
quebranto de um dia até então escuro
O mundo
ganha o seu sentido com outro medo...
E acumulam-se os sonhos....
É tão grande a vergonha
num corpo imberbe que nem percebe o desejo
Um beijo,
aprende-se com uma novela brasileira. [qualquer]
A maldade e a mentira que nessa altura não tinha mal nenhum.
É tão fácil a intriga ser criada,
quem não pensa não sabe o que é mentira
"o joão disse que eras um mariquinhas"
O joão leva com a pedra a seguir.
Também havia no recreio quem contasse
que no centro da terra treinava karaté
Acto de fé
Dizer triste que só aponta o que o adjectiva.
"o meu pai tem um relógio
Chama um helicóptero
Só carregar neste e neste botão"
Prende-se a imaginação
Naquela altura faziam-se assim amigos.
Nada muda
o ser é que entretanto cresce
sendo a arte a mesma
trabalha-se um pouco o estilo
Amigos?
só os há de outros tempos!
O que vem cedo
é o que vem e fica.
A escolha, a irresponsabilidade de um acto, o corpo que sangra a seguir.
Tão novos,
quão novos dão
1º passo num qualquer destino
Segue-se um amigo
Obedece-se ao que quem concebe decidiu.
Vai-se e não se ouviu
Quem de facto mais importa
a escola
Essa já não é igual a todos
Um Dr. não será engenheiro
Um arquitecto jamais doutor será
Criança um homem se dá
A uma escolha raramente promíscua.
3 anos depois repete-se a escolha, a boa, só com sorte, existe

Tempos houve em que o fui:

Antipatico de natureza, simpatico por interesse.
I

Arrasto-me pelos dias que me restam
Com a força que aos poucos cessa de existir
É triste, sei-o
Tal como o facto de estar só, só com um copo de whisky
e outros tantos à distância de um gesto.
É uma troca simples,
Troco uma parte de mim por outra,
fico com a que relativamente tem menos peso
Um trago
Dou um trago e desce como há pouco tudo fez
Vai e arrasta com ele tudo
Tudo!
Escrevo intercalado por goles
Tenho o ritmo que à minha música
à minha arte
à minha vida falta
no mero instante em que me anulo
em que me desfaço
através de uma receita escocesa qualquer.

Caminha joão
Caminha!
Leva-me contigo de arrasto para a cama
Leva-me já que ainda não me és comum.

Arrasto-me
Arrasto-me pelos dias que me restam
com a força queaos poucos deixa de existir.

II
A segunda tentativa não acrescenta
Limita a expansão agora controlada
Faz história
Da estória já bem escrita.
É assim que isto sempre foi,
ou foi?
q interessa o português na expresssão só escrita?
Um estado de alma é fascista,
enquanto existe.
Leva
guia um corpo que talvez seja discreto
desprovido de medalhas
de símbolos de conquistas ou de uma derrota qualquer.
Indiferente pode estar o maior senhor da guerra!
Alegre,
talvez esteja
Quem subjugado foi.
III
A terceira só resume,
Dizia a velha que era de vez.
mas o que pedir
ou tirar
De quem se preenche de fogo?
O jogo
é a vida que desfez.
(um quadrado)
Sentavam-se todos c'o ar desconte
Indiferentes como quem só se ri por expressão
Ignorâcia.
Há quem lhe chame assim...
Humanidade por outros é definida.
Noite
Nada a perder entre um grupo de desconhecidos
Sozinhos trintões, corpos usados
(mal usados)
Percorridos por um desejo sem qualquer tipo de gosto!
Gorda
Namorado ao lado com ar idiota
amiga frustrada que insisto é mal fodida
e 2 machos não machos para se assumirem.
Um porteiro que se ri
(como ele se ri!!!)
Um copo que aos poucos se esvazia.
V
Um pentágono cardealmente cinco vezes aponta
Invertido cinco vezes o faz.
Ao contrário não é o mesmo
Como o o corpo depois de usado.
VI
Vi no sexto algo que antes não antes não vira
É engraçada a piada de um trocadilho qualquer
Considero agora que só quem vê para além do visto
consegue ter um qualquer tipo de humor não óbvio
P'ra que nos servem reflexos sem ser no coito?
A divagar começo sem querer
Mudo-me com o alcool a que ritualmente me dou.
transportado vejo o mundo não de onde estava
Gosto desta sensação, admito-o
Gosto
Aos poucos vou-me mostrando o que de facto sou
Não é no escuro que nos escondemos?
Não é lá que fundamos o nosso ser?
AH!
Não fosse momentâneo o que sinto
vivesse o que sou na luz.
VII
A música também não ajudava.
Tinha o seu quê de piroso,
[e] neste estado o piroso não ajuda
faz sentido
[e] isso
só pode entristecer.
(um octogono(um octogono qualquer)qualquer)
Eram oito as paredes que oito arcos limitavam
8!
Sou novo de + mais para saber porquê
E a coragem falta-me para o entender.
Há muito e muitas maneira há para o perceber.
Foram 8 os meses que preenchemos com o nosso nome
Crianças que éramos num bairro que o jorge chamava d'amor
Gritávamos por um Deus com tom materno
pintando de preto as paredes que no escuro ng via.
A estrutura?
Essa era suportada por oito pontos interligados por pedras alinhadas
e sempre de uma forma que se sustentando
por pressão talvez gravítica
acabou por ser a que ficou.
Hoje é regada por 1 de nós
pequenos arquitectos ou engenheiros que nem no civil eram
Rego,
Rego,
Rego,
Talvez murche
Sinto que cresça.
IX
Quando lá chegar dir-te-ei o que penso.
X
Até que acaba com o meio que transpõe
Chegou
lentamente aqui chegou.
Acabou no dez
Na mouche se quedou.

domingo, janeiro 20, 2008

Ao teles que escrevia poemas com Cristo mas que Dele nada tinham.

Ó meu caro, estás tão longe. tenho saudades de ti. Pareço um pouco lamechas mas tu és dos poucos que sabe o quanto eu posso sentir. Arte da guerra à parte sabes melhor que muito que nesta vida são poucas as coisas que o ser mostra. Somos uns cobardes que nos anulamos nas palavras que, raramente a dedo, escolhemos.

O processo é bem fácil: temos de seguir aquilo que uma campanha publicitária qualquer definiu criteriosamente como o caminho da felicidade. Já ninguém se interessa por uma pedra alquimica ou por um elixir que prlonga a vida; queremos o sorriso que uma loira qualquer, na Damaia num Mupi, mostra de uma forma tão gratuita e só aparentemente não estudada.

Nunca fomos assim. Quando olhávamos para ela, do tão humano que somos, só vinha a vontade de a comer de uma forma animalesca mas sentida. Aquela que tu, tão bem quanto eu, sabes que é humana e que pouca gente sentiu.

Estás longe. Sinto-o. Não tenho vergonha, como nunca antes tive, em to admitir. Estivesses perto. Bebessemos os nossos copos sem pensar no amanhã numa praia que uma luz artificial limita e que por instantes ela fosse marcada pela nossa sombra. Estás longe. Sinto-o.
Perdemos, no instante em que tudo cai, tudo. É redundante, sei-o e sei-o bem. Também sei que sei seguido de um pronome pode ter um carácter sexual mas isso eu sempre quis saber melhor.No fundo, tudo aquilo que nos interesa, por uma questão de tempo ou simplesmente de capacidade, é tudo aquilo que nunca conseguiremos atingir. Sofro agora pelo primeiro motivo. Não alcanço o que de facto me estimula por não ter tempo para caminhar nesse sentido.

Só queremos o que não queremos e é só o onde estamos que nos incomoda. Se assim não for, mais que tristes, somos desinteressantes.

Lembro-me de uma aula de filosofia. O meu professor extremamente católico tentava explicar a uma turma, como qualquer outra composta de adolescentes à procura de um significado definido por logotipos que, só por isso nunca o iria perceberm que a vida para Sartre só tinha sentido enquanto metas forem definidas. Isto, a meu ver, tem a ver com o primeiro parágrafo. O que me irrita é que, por nunca as atingirmos, ninguém comete suicídio, ninguém fica farto, e assim continua-se a sonhar.

que se esqueçam os carros. que se viva.

Permissa para um instante de felicidade mas que por ser simples exige um leitor mais que experiente talentoso

Foder? Só se for a valer.

Conclusões que um banho de alcool permite

dá-se por tudo num instante em que tudo podia ter sido dado.
soma de tudo soma de nadas,
putas e vacas
putas e vacas
tentas tudo mas o vento nao passa
putas e
putas e vacas
o que tu queres é so o que para
putas e
putas e vacas.

Doi-te o corpo já é tão tarde
Duvida o homem que isto passe
mas que importa é só uma criança
vive no fundo e funda a lembrança.
Vem a puta dá-se a matança
Esquece na foda qualquer esperança

soma de tudo soma de nadas,
putas e vacas
putas e vacas
tentas tudo mas o vento nao passa
putas e
putas e vacas
o que tu queres é so o que para
putas e
putas e vacas.
putas e
putas e vacas

quarta-feira, dezembro 19, 2007

Provérbio ou aforismo? se for o último é o IV

Ai e tal com esta chuva não devia ter ido ao cabeleireiro!?

Até ela cair não saberás se te molhas.

Aforismo descritivo I aforismo III

Alto, um bocado para o parvo. Começou a usar fato recentemente.

Aforismo "" = 2 se " for 1. Em romano será II. Será?

A paixão, a saudade, a mocidade perdida

Aforismo ou lá como se chama.

O nojo da forma, o asco do conteúdo. Este miúdo é uma merda.

Aforismo ou lá como se chama.

O nojo da forma, o asco do conteúdo. Este miúdo é uma merda.

Teste teste que venha o que venha

$$$$$$
$ $ \ \ \ $ O nó, $ / / / $$
$$$ \ \ \ \ $ da gravata $ / / / $$$
$$$$ \ \ $ aperta mais q $ / / $$$$
$$$$$$ qualquer forca $$$$$$
Uma pessoa
Isto se humana
essa pessoa ainda
sem qualquer dúvida
Aparentemente ilógica
For. Há se sentir um nojo
Uma dor no seu pescoço,
Há de chorar em vez de se
rir. Ai que dói ai que não sou
Este caminho a que tempo dou
Do tempo que triste é e será só
meu está preso por uma corda solta
Puxada por uma mão invísivel que não
tendo sensibilidade senão ao lucro
há-de a puxar se eu no mundo
fraca produtividade
baixa actividade
acabar por ter
vou morrer
mas luto
defunto
!!!!!




Hoje faz frio na terra que pelo calor atrai. Parece irónico mas no dia em que se foi é o que sinto.

Chove lentamente e gota a gota se preenche o espaço entre cada pedra da calçada. Chove lentamente, duvido que transborde. Consigo vê-lo no dia desocupado.

Exactamente por debaixo do chão que piso, neste instante, crianças adultas dão forma ao balão que antes nem preenchia um saco. Outro senhor, um que nunca vi, cobre a mesa de pastéis de nata e doces que não tenho na memória ter comido.

Alguém entretanto terá de se vestir de Pai Natal. De certeza alguém contratado. Será o anfitrião daqueles que, de facto, são crianças e o promotor de um sonho que, mais cedo ou mais tarde, por maldade ou por perda de inocência um dia deixará de ser.

Não me lembro de quando o Natal se me mudou. Lembro-me de um aspirador que me carregava; lembro-me de um avião dos GI joes tão grande mas que entretanto se reduziu a uma dimensão insignificante; lembro-me do avô e do sorriso da avó. Lembro-me de pouco do muito que já vivi. O tempo traz e tira e, tanto um como o outro, sem qualquer opinião de quem recebe ou perde: quero lá saber do açoite que levei na quarta classe, quero momentos na memória que partilhei com quem hoje já não está.

Fora os que rebentaram já estão cheios os balões, daqui a nada chegam as crianças e a água continua a cair. Parte de mim escorre por entre a calçada, que só com esforço do tempo ou do homem se desfaz, e acumula-se por entre o piso permeável que a recebe enquanto pode. Chove, chove, chove...o que irá restar de mim?

segunda-feira, dezembro 03, 2007

Para o pedro que põe num post o que sinto

O meu amigo Pedro voltou a escrever. Eu, que agora não escrevo por não escreve ou por fazê-lo mal, só hoje prestei atenção às linhas dele e a música de outros.

Estou mais velho e não falo num sentido temporal; a vida carrega-nos quando achamos que a carregamos e, de estudantes ébrios que se perdem em dias que são noites porque o podem, de repente passamos a senhores do tipo doutor. Somos armados com um fato que alguém nos compra e, de computador ao ombro, já pisamos o chão axadrezado, já sentimos o peso, não do bem nem do mal, mas do que é assumido como uma responsabilidade, sempre monetária, nossa.

Nós que, íamos contra a corrente de um rio, sorrindo e cansados das horas em que a maioria dormia, como um pequeno bote acabámos por ser arrastados no mesmo sentido e, agora que já não o temos, olhamos de lado para quem o tem.

Ouço agora The Doors Pedro, o teu último post. Lembro-me do Sol que se punha enquanto nós despertávamos de uma vida que nunca nos fez muito sentido no teu carro que sempre te orgulhaste de ser um jipe. Quantas vezes não ouviamos o jim a cantar, nenhuma delas sem reparar num num detalhe que a seguir trauteávamos, na direcção de algo que hoje sinto que já não consigo alcançar? Lembras-te? Moledo, Guincho, Carcavelos, S.Pedro do Sul e daqui...

Éramos uns putos porreiros cujo sentido maior era não terem nenhum sentido no espaço que deles não era. Por arrasto já não sou um puto, pelo que sou sentido ainda não tenho.

sábado, novembro 24, 2007

Já não escrevo, faz muito, como gosto. Estou piroso e isso enoja-me, continuasse a ser estúpido e desprovido de lógica, como é bom, pelo menos para mim.

Num sábado. Num dos dias que até tenho para mim.

Num sábado. Num dos dias que até tenho para mim estou cansado como só uma noitada de trabalho me põe. Compenso agora no pouco que é mais só meu.

Cada vez mais longe do que há uns meses era, não é p'lo tempo mas p'lo que sou que me assusto.

sexta-feira, novembro 09, 2007

A luz começa a por-se em Lisboa e Kwh ganha mais zeros que à tardinha.
Perguntaram-me hoje quem é que era com um sentido que exige mais que um nome como resposta. è estranho porque tantas vezes me perguntei isso e nunca soube responder. Quem sou? o que faço aqui? De facto posso perguntar de uma forma simples ou mais complicada. o que faço aqui e nunca vou conseguir ser sincero. Fui arrastado? Nao, não fui. Acabei por vir aqui parar e até gosto disto mais ou menos. Nao pinto nao escrevo poesia maluca ou textos com o sentido que é so meu mas tambem se o fizesse e ganhasse disso nao estava a ser sinbcero comigoproprio. nao escrevo para outros, para me comprarem. Escrevo para mim para responder a pergunta que me fizeram e que tantas vezs me fiz.

Nunca cheguei a nenhuma conclusao como tantas vezes disse. nao passo de um tipo indefenivel. Porque mesmo que seja a para b eu nao passo de um a para um b que não sabe sequer a opinião do c que é completamente contraria e não, por consequencia, completamente invalida. Se calhar o b para mim é uma peste daquela que provoca a morte dolorosa e obriga a usar máscaras com uma grande penca (algo que gostoparticularmente) mas para o supracitado C tal pessoa é a melhor do mundo, quer ter filhos dele e o facto de ser um alcoolico adultero não importa para nada. E é assim que a vida é.

(Pausa)


II (Dois não segundo que isso soa mal)

Lá fora passa um barco longe,
nao lhe toco com os dedos mas com os dedos o limito no horizonte que é meu.
Nunca sequer me aproximei dela,
Limito-me a partida e eu nem o senti.
Faz parte tudo o que aparentemente é repartido
NAda é uno, nada é nosso.

O sol põe-se,
Lá fora.
Mas lá por fora
faz sol.

Não vejo,
Escrevo sem de olhos precisar.
PAra que se não me dão a luz.
PAra que ver o escuro
Para que o nque não se quer num instante
nmas que só o olho apreende.

Estou la por fora
Estou a s sol
Estou longe
Lá fora
não é aqui.

Limito-me
Limito o mundo
Cerco-me do que criei.
Das janelas vê-se o rio que por obrigação parece que não existe. Perdemo-nos nas linhas que compõem um espectáculo de acetato que, só literalmente traduzido, ganha esse nome.

Lá fora os cacilheiros deixam marcado o seu percurso por um tempo que não sendo capaz de definir sei que por certo é imperceptível a quem não o vê. Trabalha de x a x carregando o peso dos outros e só sente parte do que eles deixam no seu depósito. Este, ao fim de x viagens, é ,de novo, preenchido para, de novo, ser gasto.

Rotinas. Percursos que cavamos num caminho sempre igual e que, de súbito e por excesso, deixa de existir. Cada vez mais fundo já nada mais que uma parede nos rodeia, tudo fica escuro mas, por hábito, seguimos sempre na direcção certa como um cego que conta os passos entre a 1ª carruagem do metro e os degraus que tem de subir não percebendo a riqueza que o rodeia: a velha alegre, o jovem triste, o rapaz que desenha e a gorda gótica que acredita ser uma fada encantada por uma regra celta qualquer.

O sol entretanto começou a pôr-se. As luzes da ponte acendem-se. O barco perde aos poucos a cor.

Daqui a nada saio. Volto ao mesmo de ser eu.

segunda-feira, novembro 05, 2007

O bruno escrevia concentrado no seu gabinete. Tinha as mãos de uma dimensão que, não longa mas larga, ocupava todo o teclado do seu portátil igual em forma ao meu.



Pedira-lhe à última da hora o tipo meu homónimo que alterasse um documento que nem sequer era da responsabilidade dele. Bruno, pequeno quanto eu, teve de acatar a decisão do tipo que seguiu logo para casa de certo com propósitos onanistas da vertente de quem se gosta de ver com um polo de uma universidade americana só e sempre paga pelos nossos papás. Coitado tem trinta anos, uma idade triste quando se é criança. Fode-se para ter um amigo que, por mais que chore, nunca há de chorar tão alto quanto ele.



"papá quero uma casa numa zona central e cara". " o meu audi já tá velho como tu, dá-me um antes que morras e perca a tua fortuna".



Tristeza feia e sebosa como a testa de quem o seu que pesa nervoso dá ao outro que só carrega tudo o que nunca foi dele.
Hoje começou o dia de uma forma engraçada. O senhor barbudo via na montra um jogo de voleibol e uma senhora guiava um ford da por palmela. IRonia. Ironia drástica.

Quase que fui atropelado. Pimba.

O meu sapato por vezes escorrega.

Tenho pernas compridas, dificulta a compra de um fato.

Tenho colegas porreiros e outros chatos.

Moro ao lado do emprego.

Já tive medo do escuro.

Ladrão que rouba a ladrão tem x anos de perdão. ( e o x pertence a um conjunto tão finito quanto a vida deste senhor que, se tiver às portas da morte, considera este acto talvez altruista bastante indecente)

No meio de muita gente veêm-me bem à distância. sou alto.

Já corri p'lo menos cem metros de seguida 2 vezes sem parar.

Estou um bocado estúpido.

Digamos que muito estúpido.

Não vou escrever mais.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Minor compositon in Csus minor

Começa por soar um pouco triste. Lentamente são tocadas as notas desta escala com a dificuldade que o simples imprime de mãos dadas com um dó meio tom a cima. De repente, com uma batida seca no tambor, percebe o ouvinte que algo rompeu com o sentimento que já por um minuto e meio se arrastava: tudo agora fica mais efusivo.

Soube dela e procurou o seu nome entre linhas que se formam pelo descodificar de zeros e uns. Admira-se, interessa-se, assusta-se por exemplo. Acima de tudo, aqui não interessa a ordem. A música vai ganhando intensidade. Conhece-a. Fala-lhe...

EXPLOSÃO

Finalmente a conheceu.

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O resto? Esse é d + para compor.

domingo, outubro 07, 2007

Reside o poeta no espaço que lhe resta do corpo de um homem que se forma numa implosão, que, aquilo que não leva, marca. O que fazer aos dias que, de tão inocentes, passam a ter o conhecimento que até muda o tom de uma canção que já antes marcara mas num sentido estreitamente, e só por o espaço ser pouco, diferente.

Nada é o mesmo. A balança regista outros valores à presença de o que antes se sabia ter um certo peso e não foram as unidades que mudaram. Merda! Merda merda e merda mais uma vez.

Não me anulo. Escondo-me.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Tentativa nº1 para a escrita de um texto que, talvez não apresentando um carácter forte, tem de ser mais extenso que aqueles que o precedem.

Meus amigos,

Este Sidoro que vos escreve mesmo que o exija não deixa de ser tratado por doutor. Quem agora vos escreve, como puderam constatar pelas linhas que rabisquei de rajada há bem pouco, está a viver num paradigma diferente e tão diferente está que parece um tal de Samsa descrito por um tal de Kafka que, embora escrevesse em alemão, pelos checos é assumido como um deles.

Acordei com medo de chegar atrasado no primeiro dia sem sequer saber o que me esperava no instante em que abrisse a porta para o mundo: a luz não mingava e as pessoas caminhavam no mesmo sentido que eu. Senti de súbito que agora pertencia ao grupo que antes me olhava de lado: era um "deles" que agora "deles" era.

No palacete foram-me dadas folhas com espaços a preencher e linhas para, com as letras mais amplas do meu nome, cruzar, e, no final, dando-me um novo número firmou-se contracto com a certeza da minha presença a qualquer hora, pois, agora, deles também era.
A mão, limitada pelo que o botão de punho cerra, abre mais portas do que quando livre.
II

O corpo da chefia ao corpo da mulher retira o que antes só fora lastro.

Viva ao sr. do mercedes

E assim subiu mais um degrau do que os outros chamam vida este anónimo autor. Dói, não dói? "É a vida" e já mo disse mais que um taxista: poucos deles são parvos.

180º livremente inspirado numa frase de quem tem a voz una

O poeta que usa o fato de facto se anula.

domingo, julho 29, 2007

Aquecimento depois de meses de frio e que consequentemente antes de quente vai estar morno.

I

Um comboio. Mais um no conjunto que infelizmente não converge para infinito mas não como a vida, ou parte dela, que, mesmo que de súbito, um dia há-de convergir para (zero), no sentido literal e não natural que o vazio encerra.

Um comboio. Nada mais que isso; quer dizer, um comboio que apanhei e que, consequentemente, mesmo sendo um comboio, difere dos que não apanhei porque andei nele. Neste caso até escrevi nele; não foi, portanto, um comboio qualquer.

II

Na marina.

Estava bastante ventosa a terra que se envolve pelo mar. O vento sibilava como um viseense a tentar contornar as defesas de uma mulher ao passar por entre os mastros despidos das velas que o homem de bem içando não suportaria.

Apetecia.me beber no bar que me protegia do frio com o seu calor excessivo, mas, sendo bar de gente de bem, ali só bem se paga.

É triste: faz vento lá fora, apetece beber e por bem não faço.

III

Uma expressão não se forma num só instante; é criado por um processo sequencial. Vejamos:

A mulher faz um olhar que se define pela colocação do extremo exterior dos olhos (o mais próximo das orelhas) um pouco mais acima de uma linha horizontal paralela aos eixos do rosto e o outro extremo abaixo da mesma. Daqui muitas coisas se podem formar. Não falo das narinas que, embora tenham grande carga expressiva, são tão complexas de descrever que, para o fazer, nem um ensaio bastante denso com muitas páginas a transbordar de pinceladas não descodificáveis, por outro que não o autor, serviria.

Segue-se então a boca. Se sorrir quer festa, senão é chatice.

IV

Tudo tem um limite mesmo que esse não seja definido por uma regra que um gajo qualquer chamado Cauchy definiu. No fundo o quociente de (zeros) sempre criou problemas à humanidade que nunca viu o nada como algo natural e que da sua existência até explica Cartesianamente que Deus existe. Mas cartesianamente está errado, se ele existe é por tudo que está à nossa volta; tal como a cabra que empina o seu cú de uma maneira provocante.

Quem tem cú tem medo diz o Pipo e, provavelmente, alguém antes dele. Não interessa, o que interessa é que ela deveria sentir medo mas para fazer o que faz nunca soube o que ele é e se o soube deixou rapidamente de saber.

Descartes dizia ou escrevia que sim. Ela levanta-o como só a mão Dele permite.

terça-feira, junho 12, 2007

O retorno da criança que vai acabar por partir. Tal como este pensamento que vai

O retorno da criança que vai acabar por partir. Tal como este pensamento que vou esquecer lentamente até ao dia que o releia ou que, simplesmente, relembre, numa situação em que de novo poderia surgir, uma repetição que, por não ser nova, eu chamaria de reflexo.

Há um tempo atrás havia um forte em que se fortificavam jovens imberbes pelo lençol, não de água mas de vida, que nem por aquelas paredes, aparentemente só altas, se viam a passar. A comandar estava o senhor que, pela hierarquia e pela linhagem que por suposto Deus definiu, era pelos seus irmãos subordinados tradatos também por irmão com a especificidade de dirigir.
Tudo o resto, o que não envolvia Deus, aos meus olhos era pior que admissível sendo só o que o antónimo desta palavra define de facto não não admissível. Tudo o resto era nojento.

Há um tempo atrás havia num forte dois rapazes que, não tão sólidos, aguentavam talvez a uma pressão mais forte e ao mesmo sol e ao mesmo frio e que por isso se fortificavam e deixavam de ser imberbes até um certo limite que a vida, por ser ali vivida, definia de uma forma que dos dois jovens que vou, a seguir, referir conseguiu mais tarde definir de uma forma, que por saber qual é, está correcta. O jovem número um e o jovem número dois fechavam-se num quarto que andava com as suas pernas num fundo de um corredor cuja porta, se houve, era bastante complicada sendo o trinco - vejam que até o trinco era assim para o estranho - dependia de uma mistura de palavras que teriam de ser ditas de uma forma, como todas as outras, codificada para que o sistema de processamento central tolerasse como algo processável, pois computável é uma palavra feia.

Destrancado que foi um deles, e não me refero a coisas imundas que o comum do leitor, se tiver pila e não a usar muito, logo começou a imaginar na sua cabeça que, por mais pequena que seja, chega pelo menos para dois e que, tendo um papel de parede agradável e/ou oléo com cheiro a flores interessante, até serve de cenário para um filme pornográfico dos anos 70 daqueles que toda a gente define como bons e cuja visualização faz inclusivé sinos de igrejar badalar como nunca antes se viu - talvez mais alto até que o space shuttle a descolar-, só nos resta falar do outro.

O menino supra-citado, o outro, nunca mudou.

quarta-feira, março 14, 2007

"Primas"

Estavam sentados na mesa de um canto, como sempre, e, como sempre, os amendois que comiam, tratamento especial daquele estabelecimento, sinalizavam que, de certa forma, aquela era a sua mesa. Sentava-se à cabeça o único homem que, por ter desejos parecidos dava a confiança que permitia uma amizadade que a moral, normalmente aceita, nunca permitiria.

Falei-lhe e sentámo-nos enquanto a elas me apresentei ou fui apresentado. Só ele e o espaço eram sempre o mesmo naquela corte itinerante no pouco, ou muito, que a constitui.

Pedi um copo. Virei-me para o lado e disse o meu nome de novo, de novo recebendo outro nome de volta mas que dessa vez fixei. Estranhamente tinha a cara apregoada pelo que ouvira: tinha o mesmo jeito das que esse nome possuem. Era, e pelo que sei, continua triste ao ponto de se sentir exageradamente enferma com o que o destino lhe concedeu. "um kilo era-lhe uma tonelada". Concluí eu inspirado pela metade que já não restava no copo.

Falámos por mais 5 só de dois dependendo o diálogo. Lera muito e possuía o léxico que, temas sem qualquer palpabilidade, ler permite. A solidão não era o que é, tinha algo de metafísico. Não sabia o que era a vida mas tinha uma ideia do que era.

"All art is quite useless".

Um último gole, mais um cigarro, e seguimos pelo caminho frio, longo e pesado no corpo carregado de algo inflamável só por pouco tempo. Preseguimos sazonais, boémios recebidos p'lo do costume na porta de um templo onde o rei é quase sacerdote.

Ela estava lá já há algum tempo transportada que foi no seu coche real existente pelo e a distância que o mostrador converte numa quantia que, para nós, só em nós existiria e existiu. Não lhe falei concentrado que estava a agitar p'ra fora de mim o que numa semana se acumulou e que, naquele instante, como já se sabe diluído, era eliminado pelos poros abertos, seguros de que no altar seríamos salvos.

Chamaram-me falando do velho que sou, chamaram-me e foram-se. Nada mais que o meu nome ouvi. Fui-me mas, não como o profeta, andei até casa.

Naquele canto, só ele, na outra vez, na que se seguiu, estava. Bebemos celebrando o fim de algo que não se sabia ainda, ou ao começo. (Não sabia nada disso, nem hoje sei mais). Mas acabei no templo, como sempre, como sempre devoto a uma fé que poucos percebem porque poucos são como eu. Encontrei-a lá e falamos de novo mas, desta vez, ambos comungáramos e, cheios do sangue qeu queima ao ser bebido, principámos o ritual mais antigo. Aquele a que tantos não serão iniciados.

Quem me me via via-me como se apertasse os sapatos. Um gesto que previne o tropeçar futuro. Mentira; acabei por tropeçar.
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Pesou dessa vez também o caminho que antes só provocara o imaculado: doía-lhe o pescoço de ao falso se ter vergado.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Se alguém souber dizer a um velho que é novo e que já viu azul o que é estar bloqueado na sua ligaçao ao universo enviem um mail para o mail que está ao vosso dispor digam só que é para um velho que é novo que já viu azul.
grrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr. QUERO ESCREVER MAIS QUE DUAS PÁGINAS PORRA!
Quem ama dá-se exigindo, se discernir, uma entrega da outra parte que implique o mesmo. É contratual o sentimento mesmo que nunca se firme um documento perante Deus e esta clausula tem tudo para ser definida como vinculativa.

Cada papel, assinado somente na presença de um notário que estabeleceu a relação muito tempo antes de ela se ter concretizado, pode apresentar alineas muito, pouco ou nada diferentes dependendo somente das partes envolvidas. Basicamente o agente 1, que nas linhas seguintes vou tratar por eu, e o agente 2, que varia ao longo do espaço de tempo que é a minha vida e que tanto pode ser Joana, Clara ou Maria (nomes ficticios talvez mas sempre no feminino), encontram-se e criam uma relação com regras estabelicidas p'la sociedade e sinergias que tautologicamente por ela são escritas.

Assume, de acordo com as imposições feitas pelas partes, um nome diferente cada relação entre o eu e elas lda. Algumas exigem exclusividade contratual por um tempo certo que sempre que o é é curto. O nome até é parecido com o último adjectivo da última frase e as mais valias também são de curta duração: muitas vezes só existe uma e, se os participantes estiverem inebriados, nem chegam a haver.

Há casos em que as partes se aproximam com o intuito de preencher uma vaga na empresa de cada um: um out sourcing de recursos com o intuito de culmatar uma falha que mais tarde se percebe que só mão de obra especializada culmataria. P'lo menos enquanto dura a produtividade aumenta mesmo que pouco e só por pouco até se achar alguém mais apto. A quebra do contrato é que pode ser bem chata:com as partes a confundir a sua função e os escritório já habituados àquele funcionário.

Raras vezes, e sem qualquer previsão do mercado, encontram-se as condições para se ter o mais complexo de todos os acordos. Há casos em que tudo começa com uma sucessão de entrevistas inspiradas em características exteriores e facilmente avaliáveis que, após nos permitirem conhecer o entrevistando nunca por obrigação entrevistado, acabam por fazer com que ele receba uma proposta, muitas vezes discreta, de trabalho que, se ele for perspicaz, aceita se quiser. Outros casos têm início no outro tipo contrato ou simplesmente parecem que vão acabar num deles mas, havendo qualquer coisa que pode ser qualquer coisa e por ser qualquer coisa é imprevisível acabam por ser do tipo a que neste parágrafo me refiro.

O último quando acaba se acaba bem bem o faz. Caso contrário é uma merda. Insisto uma merda. Uma merda tão grande que duas linhas isoladas são só para o dizer. Espero que assim vejam a merda que é.

O pior é quando não percebem porque se rescinde o contrato. As partes tendem sempre a ser egoístas, egocÊntricas ou simplesmente estúpidas. Só interessa o lucro mesmo que o espaço que cada um é se inunde de um ódio que só se quer repercurtir em peso no outro. Esquece-se tudo o que se viveu:

"O outro é outro; já não é mais aquele do tempo em que estava relacionado comigo ou então nunca foi. Agora que eu vejo que ele só tem projectos de curto prazo percebo que ele nunca foi um estandarte da estabilidade que acenava diante de mim"

Triste.

Agora que não há nunca houve. Já nem as memórias bastam perante o presente. Nunca assinei um contrato, nunca escrevi um. A vida fê-lo por mim e bastou viver p'ra se exigir algo que nunca foi nosso. Imagino perante Deus e o peso da sua mão.

sexta-feira, dezembro 22, 2006


Eles amavam-se. Só o mundo não percebia: apontava, gritava, gozava.
Com os anjos e os demónios vinham-se.
Nem sequer chega a ser o desistir. Acho que poucas vezes o fiz. Simplesmente a falata de raciocínio, de fio condutor, faz com que o que começo se perca e só aí encontre o seu fim.

Poderia perguntar: e se tivesse feito y?ou X? ou Z?Mas de que serviria. Comecei p'ra acabar, um acabar homogéneo com o resto, por definir em que consistia. Só comecei com esse propósito.

Por isso, e só por, já não lamento nã ter escrito mais que duas páginas por um só texto. Se tivesse que o fazer tê-lo-ia feito. É bem simples até.

Preciso de estruturas que talvez um dia tenha, de uam ideia e da capacidade de a expor em 1000 ao invés de 100 palavras por uma centena não ser suficiente. Criar imagens, paralelismos, insistindo na ideia que, pela sua redundância e repeticão, no texto exposto, quem a leia a veja como dele.

Ideias. Talvez me faltem ou talvez as tenha em excesso. P'ra ser grande, e lido, tem de se ser mediano.

É uma questão sem escolha.

A mulher das luvas amarelas mais espessas que a carroçaria de um panzer, com a sua presença, limitou-me: Não pude mijar no urinol.

Entrei na 1ª divisão dentro daquela em que já estava e, depois de obrigado ter fechado a porta, fiz aquilo p'ra que vim, lavando as mãos de seguida - ainda não se tinha ido.

"Está contente". Inspirada p'lo meu canto, como sempre, fora de tom. "Já está de férias". No fundo, por brio, só agora posso dizer que estou; "Não, já estou há muito!". Há tanto quanto estou farto daquele antro onde raramente ponho os pés.

Pegando na merda que não sentia p'lo amarelo que vergava disse que a vida era como era a vida. Ri-me e disse que era triste pensar assim estando triste porque não mijei de pé.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Ham on rye

Bebia um café no girassol depois de ter chegado quase a casa. Fechava às oito e, por volta dessa hora, saí.

Outro comboio acabara de chegar de Lisboa. Assustei-me, agora certo que lera por 15 minutos parte da história e que, durante esse tempo, parte das palavras podiam ser minhas.

Continuei no meu caminho, aquele que tantas vezes fizera, avançando mais em mim do que no asfalto. Era interrompido constantemente pelos carros da gente que há pouco se levantara e que, naquele instante, agora no seu transporte não público, continuava sentada na parte final do trajecto.

Detesto companhia nesta estreita estrada , nestra estrada paralela a um caminho mecânico que, no pouco que existe, nunca chega a tocar.

Para onde é que vou afinal? Não quero nada disto. Irritam-me as pessoas que me rodeiam; quase todas carregam o peso de um objectivo comum, de ideais moldados em série e entregues de porta em porta com a facilidade que o gratuito permite. Enojam-me, enquanto que o cão que, como sempre ladra daquela casa com aspecto de barraca perdida entre moradias minimamente decoradas, por não me meter medo, separados que estamos por um muro, só me chateia e incomoda como o frio.

Depois da esquina segui, como sempre o fiz, pelo caminho perpendicular olhando como que por instinto para aquele candeeiro de rua que sempre espera por mim para se acender - provavelmente sou sempre o primeiro como ele a a passar por ali. A sua luz é tão diferente, mais alva, mais pura não como a outra que de 10 em 10 metros se irradia.

Desta vez, num cruzamento, cruzaram-se duas carrinhas que mesmo distantas p'las marcas e por elas. Acabam por carregar o mesmo. Dois homens de fato, ninguém à direita uma cadeira de bebé atrás. Destino que talvez um dia partilhe, tenho a porta aberta.

Olhei para trás. Estava um pouco mais amarela. "Só precisa de tempo para ser como o resto".

Já não pensei mais.

Quem nunca o soube, como resposta a quem era, lá a porta me abriu.

Depois de uma torrada sem códea mas com queijo e presunto.

I

Podia ter aquecido o pão industrialmente fatiado e despido só um bocadinho de nada mais. Como no amor, ou em qualquer outra experiência a temperaturas, ou a outras, como a quantidade em gramas de manteiga e até de presunto, controladas, uma pequena variação pode ter um impacto desagradável no resultado. Neste caso nem muito. Não estava óptima mas comia-se.

Teles, o grande escritor da meia hora que falta, escrevia, p'lo que me pareceu, sobre Noé e clubes de futebol. É óbvia a relação entre os dois, mesmo sendo os estádios mais volumosos; surpreende-me porém ser sobre eles que ele escreve.

Enquanto preparava o meu pãozinho, que, como já sabem podia estar mais quente, e perguntei à minha exma. pessoa o que seria se sonhasse os sonhos de outros. No fundo já estava farto, por mais que tentasse, continuava a sonhar o mesmo e se o mesmo sonhamos - quero que isto fique bem claro- é porque não passa de um sonho e, se Aquele continuar com o seu humor um bocadito recorrente, nunca do que é vai passar.

E frustra. E se queda frustrado. E frustra. E frustra. E frustra ... até chegar ao ponto de só o adjectivo fazer sentido.

Tivesse o dos outros tendo o meu. Era uma como que uma lufada de ar fresco...novos cenários, novas caras, novos golos...

Retiro o que disse há pouco. Tivesse dos outros sonhos agradáveis, daqueles que eu gosto e, quem sabe daqueles que, mal acorde, deixem de os ser. Sonhe por A que faço o B que já fiz, sonho por C que já vi D da E com quem já fiz G - coisa que o F tanto sonhou.

(Suspiro)

O escritor continua a desenvolver a ideia de que se modela como o mesmo coisas que, não sendo o mesmo, por algum motivo talvez o mesmo sejam.


II

Aplausos à criação artistica tão vulgarmente avaliada num estabelecimento que, tendo matriz jacobiana com determinante não nulo e logo por isso quadrada, de ganadaria só é o inverso.

Aplausos então a Noé que, já velho de mais para jogar no moreirense, nos seus tempos fez os possíveis para que os estádios hoje estivessem cheios.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Sobre o que acabar por ser.

Um dia a mais entre outros que são cada vez menos.

Estou na faculdade. Reparem na força da palavra faculdade: faculdade, faculdade. Repito isto mais uma vez. E outra e outra.

Estivesse o Sr. Ferreira certo, perdesse o sentido. Estivesse o filosofo certo: que a consciência dos limites nos concedesse a liberdade. Que o peso dos grilhões acabasse por os diluir numa consciência que, por consciente, só mais nos pesa.


Porque é que não se aplica tudo o que é bonito de ler? Porquê?

Faculdade, faculdade. Faculdade e mais infinito...

e

SÓ ME SINTO
claustrofóbico.

sábado, dezembro 09, 2006

Um humilde regresso.

Sidoro já ha muito que nao escreve. Ou pelo menos não o faz como soía. Pensa mais do que antes e , se mesmo que por pensar, compõe mais linhas pelo mesmo acto menos escreve.

Antigamente era mais simples. Simplesmente saía um texto completamente irracional e de sentido mais dúbio que outra coisa qualquer.

A verdade é que só assim Sidoro, por ser egoista, como tantas outras pessoas tão bem o definem, fica feliz com a sua escrita - só assim verdadeiramente é dele.

A questão que se pode colocar, ele a ele, pois o leitor não interessa nem um bocadiho à escrita de um livro de memórias transcrito somente com o intuito de ser percebido mais tarde pelo seu escritor - Sidoro escreve àrabe da esquerda para a direita sem saber o que àrabe é -, é: "Por que raio é que tu" - melhor ainda - "por que raio é que eu me propus escrever dessa forma?"

Por malicia podia deixar a questão no ar mas um egoísta pode ser bonzinho e esse é o caso de Sidoro.

Por vezes um homem, ou criança, tanto faz, sente a necessidade de mudar e, se o decide fazer, é porque, mesmo que por erro da mente, acha que é num sentido de crescimento que o faz. Foi isso que se passou com Sidoro. Egoista, mas, como podem ver, bom e agora consciente.

Quantas vezes não falara ele de mudar por reacção, por sucessão de acontecimentos, para depois ir contra a sua lógica: p'lo menos agora percebeu.

Percebeu que daquela forma nada escrevia, mas isso era o bom do mau. Por pensar não era ele, não era sincero; forjava tudo quando só pouco ou parte queria partilhar com ele próprio no futuro.

Ironicamente por pensar era um idiota. Fatalmente e agora acaba a crescer.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Parti da terra que não minha por mais tempo me albergou e que por menos, por não ser minha, me teve como sou; o não conhecimento das duas partes muito mais facil torna a certeza de juizos que, mesmo injustos, justamente serão inspirados naquilo em que se ve, ouve, ou melhor, que se sente.

Parti do mesmo sitio e lá chegado por um caminho diferente com a mesma chegada eu, como antes, só dela me despedi.

antes de partir perguntou-me se custara a fechar a mala que só com o meu peso pluma se fechou. Chorei. Disse que sim e, depois, que não custou fazê-la. Até a roupa foi dobrada para mais tempo ter: organizei-a, fechei-a com o cuidado que um checo tem até a virar a pagina de um jornal. NÂO O QUERIA FAZER: UMA MALA FEITA OU DESFEITA NUM CANTO A ESPERA SIGNIFICAM SEMPRE O MESMO, O MESMO!

Nao viajo, parto, e isso implica regresso em tempo indefinido. E ao chegar é o meu pai quem me leva.

Volto a rotina de uma vila que é cidade.

Choro p'lo que deixei p'lo que foi e pelo deixar.

quinta-feira, julho 27, 2006

Daqui a nada vou-me embora ou assim espero eu. Tenho de acordar cedo só mais um dia, só mais um dia e depois durmo, ou assim espero eu.

Nunca tive um momento de responsabilidade mais longo do que segundo e assim esperava eu que fosse sempre. Nunca tive um sentimento que se prolongasse por mais que uns dias e assim esperava que fosse sempre.

Esperando esperei e agora que o fiz vejo que de nada me serve esperar. Já não acredito no futuro que prevejo já que, como as caras, não o consigo ver que não de uma forma incerta. Sou ingénuo como a maturidade, sim a maturidade, o permite; estou velho de mais para ver para além das minhas certezas criadas em estimativas marteladas em segundos. Sim, já me imbebi no que um mês vi os outros fazerem; velho mas aprendo, mudo continuando velho.

Constantemente me lembro do que via e que, mesmo não vendo, sei que continua lá. O mar que com luz estava à minha direita e que sem ela à minha esquerda estava, isto se olhasse na direcção em que ia - tantas vezes foram as que não encarei o meu destino. A beleza de uma àrvore que, como eu, era cercada por um bando de pedras frias; limites à expansão do que a suportava estando a base consolidada no que relativamente era cada vez mais pequeno.

Mas via tão mais tão mais:

a fadiga não só consome o corpo: um esforço é um esforço, um ponto cada vez mais implica o fim.

sábado, julho 22, 2006

Depois da vacina

O inútil aparente, nas horas de maior esforço, o trabalho dilui e a cabeça não vê porque, de olhos fechados, caminha. Não escrevo há tanto e, assim, acumulo o que um dia vou procurar por tópicos escritos em post-its que o vento, o tempo ainda não terá levado.

Daqui a pouco, até este momento, será incerto. Nem o céu, que me pede para impressionar um filme, com raios de sol que ele próprio separa, me ficará na memória, para além da forma como foi escrita.

Estou no mesmo comboio que há três anos uso, mas não como antes me sento nele. Ainda me lembro de como era, isto só porque antes foi. Cantava, dormia, estudava, escrevia, sei lá... Entre vidros e metal e plástico e gente, mas fazia-o sozinho como se as paredes, coladas a mim, me dessem a solidão que eu sempre sentira.

Olhava para os outros e ria-me, ria-me, RIA-ME! Tão pequenos, não com vida, com rotina, com a expressão vazia que o consentimento permite. Agora olho para o vidro que antes me isolava quando não me dava o mundo e que eu queria, queria para mim e, por vezes vejo-me e nessas vezes sempre vejo o que neles via.Sou mais um corpo que é levado "um cadáver adiado" porque o queria.

Deixo um pão no caminho que espero um dia percorrer ao contrário, mas tem prazo o que a Deus agradecemos, e o que aos olhos de Deus nos é roubado.

Alguém se matou em Belém. Não gostava do que via, o cobarde foi racional.

quarta-feira, junho 21, 2006

quase o fm

o tempo navega por entre as aguas que, quando parecem inflamaveis, tem ainda correntes mais fortes. Aos poucos desemembra-nos e, olhando paar os nossos lados, vemos qeu tudo aqilo que já nos era normal, que tornava o novo a nossa casa aos poucos nao está lá.

Trocamos endereços electronicos. Esboçamos uma cara talvez triste. Acenamos um adeus enquanto aguentamos as lagrimas que talvez se queiram dar ao mundo.

O que tanto me deu num insatante se foi. Acaba o erasmus e eu parto no fim.

quarta-feira, maio 24, 2006

Ainda não dormi hj. Sei que o vou fazer mas não sei quando, e nao estranho porque estranho sou. O sono apodera-se aos poucos de mim. Daqui a nada vou para casa dormir sendo o quase tão definivel como a palavra que, de certa forma, quantifica.

O mulatito está sentado no canto com o embaraço da cor, e o peso da mala que ainda mais pesa por ser negra ao colo. a puta, sua mãe, senta-se ao lado com a mesma indiferença que, nem quando fode, é indistinguivel.

Um senhor de tez árabe mas que sei não o ser olha, de lado, para mim pois está a meu lado. A puta olha-me de frente e o mulatito, não interessado por nada, olha a estrada deserta como o significado que talvez procure ou que, um dia, se veja a procurar.

Asko é o nome da loja anunciada no carta e mensagem que há pouco li tinha no meio Kona. Que país estranho este

Sue me

O ceu perdera a cor estava cinza
As árvores c'o vento baloiçavam
Como as mulheres ouviam mas nao davam
Parecia que ia chover mas nao chovia

O arder do cigarro rubro ardia
A rua estava deserta nao passavam
mais que instantes por mim tanto duravam
com o café saboreava o dia.

Vertera em mim o que bebera sujo
nao como antes estava tinha o chao
de destino algo: o céu de feio fere.

O vento quando passa traz e perde
tudo o que a mim estava. A um defunto
nada mais dura que uma só canção.



tem-se a noite c'o negro sem sentido
nada mais lhe atribui falta de cor
é tão pouca esta luz o monitor
so da a mente se nao tem castigo.

No escuro vem o medo: estou sozinho
no escuro fujo do que quer que for
mas basta a manha vir que posso por
no que antes n tinha um qualquer sentido.

Todo o começo fim de algo é. E chega
com uma cançao sempre e sempre certa
mesmo que diga olá c'o a despedida.

Assim as noites nao sao noites vida
tenho com outra luz: manhã incerta
em q a tristeza me dorme e o corpo aguenta.

sábado, maio 20, 2006

o motivo

Já não escrevo há muito neste sitio. Falta-me o comboio para casa, a tristeza que não tinha só nela e o monótono a que ela pertencia. Não sou assim triste.

Tudo é diferente numa terra que também o é. Até a língua que ouço não é triste é estúpida como o que eu deveria ter e, permitido pela nao compreensao e transformação mais que positiva do conteudo de uma conversa, sou assim feliz.

Mas a mudança não é restrita. Aqui não sou o eu que era, sou o eu que sou e que, por medo, tinha um mundo plano de cores diversas cortado frequentemente pelo que um Deus menos escrevia - um ser de divino não por comparação e cuja existência comprovo pela sua habilidade de pensar. Ou o que assim apelido nao tendo a certeza do que é.

Que merda. J´achega de intervenção divina. Linhas certas com escrita mais que torta torcida

domingo, março 12, 2006

349 - O primeiro de praga

a caminho de casa ulisses parou em praga entre gente que, como antes ou sempre, nunca irá conhecer. nesse instante parou, fechou os olhos e pensou até que viu!

domingo, novembro 27, 2005

II

P'ra me ver debruço-me sobre um livro escrito por um que nem sequer era. É triste mas eu também o sou e, por o ser, é tão mais difícil.

I

Voltei a ler Bernardo Soares e, o pouco que li, deu-me vontade de chorar por ser meu o seu desassossego. A compreensão implica infelicidade, o que dizer de mim que me identifico?

A vida tem uma banda sonora que mesmo diferindo é a mesma ao longo de um dia e eu tenho tanto para ouvir. Saí do comboio e, já no caminho de sempre, passaram por mim os carros que, nunca iguais, me fazem sentir sempre inveja. Não por eu pisar sempre o mesmo piso que aos poucos me gasta os pés. Dá-me uma sensação de conforto saber que, mais tarde ou mais cedo, vou chegar à casa talvez desfeita por aquele que supostamente a criou.

Tenho os pés molhados. Sinto neles e nas mãos o frio que só agora, por distracção, me dá entender que o Inverno finalmente chegou. E eu, tal como ele, me vou escondendo, mesmo que menos, num nome que não possuo.

Agora percebo que é meu o que me faz tremer.

quinta-feira, novembro 17, 2005

300 e tal

I
No comboio como sempre

Já faz parte de um dia esta viagem
que p'lo mesmo passando só difere
naqueles que a compõe que outras trazem
vidas que não a minha e que os rege.

mesmo que a outro lado, isto é passagem,
eu certo vá, o fado, à priori, mete
cada um numa incerta carruagem
Parece que depende e a vida cede.

mas no fundo só iludem os sentidos,
que mesmo sendo meus não concebi.
Penso por isso no que já não vejo.
Estou nesta carruagem ( é castigo?)

Dum comboio qualquer que antes vi
Quero o mundo, mas eu, só eu, não deixo.


II

No palacete das chagas não especificadas mas que presumo serem cinco

Sou tão pequenino entre estas paredes de pedra
nem o reflexo no mármore que piso me dá ilusão de ser maior.
Quero saltar, tocar no tecto
e agora que quero não consigo.

Sou tão pequenino.

Tinha medo antes de entrar
depois parece que o medo se foi
anseio p'lo depois
mesmo que n mostre quanto valho.

Sou tão pequenino.
Estou num canto
quase que o preencho
sou tão pequenino
estou sozinho
não o quero e mereço.

III

Segundos antes da entrevista propriamente dita

O que me reveste talvez seja eu
num futuro assim não tão distante
o que me reveste quase doeu
mas o que dói é o que se perde.

O que mais custa é o andar
nestes sapatos que mal usei
o que me veste eu gastei
ao deixar no armário que me cobria.

Será que me escondo aqui dentro
será que peco e me iludo
sou um miúdo fosse graúdo
soubesse que a vida é uma merda

Merda é mas vive-se
preciso de ajuda p'ra andar e sei-o
o teste só se faz porque veio
um salvador que não salva tudo.

Estou sozinho neste mundo
Piso o chão com medo de sombras
Se não fossem as pessoas
se fosse só eu era feliz.

IV

Depois no armazém mais próximo.

a)
Um copinho pequenito que vale um €
Um pão com carne que um € vale
e eu tão grande sem saber o que dão por mim.


b)

"Até segunda dizemos qualquer coisa". A seguir só se deram as despedidas.

Respondi, expus-me e, ao contrário do resto, não sei o que esperar. Gosto de conhecer os critérios, as bases para um julgamento que, a meu ver, importa. Simplesmente nada é simples e só um bocado é como queremos.

Expus-me como disse. Mostrei o meu pensar mesmo que contraído p'lo nervosismo que só temos quando algo importa. No fundo quero que se abra, talvez aqui, um pouco mais do meu futuro.

Estou sentado mas não é assim que espero. Espero talvez até segunda e, mesmo que sentado, por esperar, por importar, não o faço como aparento. Estou a correr; estou a cansar-me. O coração bate como se vivesse como não vivo.

Pensar agora tem o esforço o que só o ventilan permite.

VI

a)

Tudo se cinge a uma ou outra pequena coisa.
Reside somente o problema no seu não conhecimento.
A ignorância traz por vezes desvantagens
claro que menores que a sua alegria.
Estou neste ponto de paragem
sento-me numa mesa qualquer
raras vezes é a mesma de seguida
fico sentado até ela partir.

Quem olha e não vê não compreende
estes pequenos gestos que compõe o dia
estes pequenos nadas que somados dão tudo
Tudo

p'ra que é que é o resto?
Panóplias de reflexos que nem sequer assumimos.
Quero um cigarro quero-o e não o sei sabendo-o
quero que ela chegue
quero e quero que seja assim.



P.S.: I'm blue, just a little blue, and because I'm nervous a bit yellow. So I'm green or I seem to have that colour. Okay, it doesn't matter. I'm blue and yellow and altough I need hope I'm not green.

b)

+ 1 p'ro caminho; + 1 p'ra espera.



VII



Até que acabou.
Estou feliz
estou feliz mesmo que de uma forma relativa.
Mostrei-me e passei
mostrei-me e ouvi
o que queria.
Foi um dia que começou tarde
uma coisa grande mesmo que talvez pequena
Resolvi dois problemas
Todos de uma vez.

domingo, outubro 09, 2005

345 No comboio numa folha com grande capacidade de absorção

É mole demais p'ra escrever o papel.
Parece um coração daqueles que abusamos
daqueles que de fracos queremos p'ra nós.
Precisava de um suporte qualquer,
a perna cansada não servia de tanto andar
sem a carteira nada se veria.

Chove
parece que guardei as palavras para este dia
Já não sabia o que era o frio.

A viagem sabe mais a monotonia
o dia está tão mais escuro que aqui
lá fora só se vê o reflexo de onde estou
Resume-se então o mundo a isto:
uma carruagem quase cheia
mas vazia no que a preenche
Um bando de gente diferente em tudo
mas que no fundo sofre do mesmo.

Está tudo sentado fora a senhora que vai sair.
Quem não está só ri-se
Quem está inveja-os e perde tempo em merdas
com que suja o papel que acaba por servir p'ro que serve.

Estou quase, estou quase a chegar.
Está a chover,
Vou-me molhar
do que havia já não há.

quinta-feira, setembro 22, 2005

340 Moledo III

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Dançava.
Mudou de expressão
não tão devagarinho.
Coitadinha da menina que se assustou.

Levantou a mão
apontou os defeitos
Como se o primeiro
fosse o último.

347 Moledo II

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Até que conseguiram, tentando.

337

ironicamente,
ao som de chopin
Preencho o branco do monitor.

Tento escrever alguma coisa por mais pequenina que seja...
Chego ao fim e apago tudo com o pressionar mais longo de uma tecla,
Não consigo, não consigo, não consigo.
Estou velho, ou é assim que me sinto simplesmente
E em segundos tão longos como a vida
o que em minutos se fez se vai.

Só mais um p'ro caminho penso eu livremente inspirado em Palma
Só mais um verso antes de dormir ou de ir ver filmes sem som.
Vícios, vícios que preenchem as horas de insónia
Horas de insónia que só servem p'ros vícios.
E os cigarros onde estão?
______________________________________________

337

Tivesse a paciência para escrever
Versos coerentes, objectivos, certos.
Sujo o papel e já nem penso restos
Do tempo que é perdido vou perder.

Tudo o que faço só me serve a ter
Mais que uns segundos vãos e não dispersos
Aos outros eu não minto sou sincero
tudo o que vejo não no fim vou ver.

Já nada me interessa e m'espanto.
Sujo estas mãos com tão dif'rente sina.
Onde estás tu do que é antigo amiga?
Onde estará o que ao fim dá sentido?

A incerteza é isto um castigo,
E não passa a consciência deste pranto.

sexta-feira, agosto 26, 2005

336 - Pathos

As cordas da guitarra ainda vibram depois de a deixar no chão. Tentei tocar o que em mim trago mas a incapacidade dos meus dedos não o permitiu.

Chorei há bocado.

Não tenho cabelo. Toco no meu crânio e sinto a pele coberta da barba que anseio ter como prova da minha maturidade. Olho para o chão e ao mesmo tempo em que verto as lágrimas que acumulei, faltando suporte para as hastes, caiem-me os óculos ao chão.

A tristeza tira-nos a visão: pensamos.

II
Aos poucos ficamos sem membros e a casa enorme perde o sentido. Olhamos p'ro lado e nos quartos já não há sinal da vida que um dia soubemos que gerámos. De súbito choramos.
III
Falei-lhe. Estava deveras triste.
IV
Os olhos já estão secos e depois de abertos só veêm o que naturalmente não é nosso. Gritamos mas só ouve quem quer e quem quer gritos é parvo. Está longe, tudo está longe de nós.

335 -Férias 2005 (I)

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A puta da vida.
já estou farto de eufemismos
de pessoas
moralmente
correctas.
Eu sinto
mas também quero
e o apetite
traz dor
quando não saciado.

Fds,
não é pedir muito:
quando se gosta
não cansa.

Não adianta escrever
Já não vale a pena
passou:
daqui a nada já se esquece.

segunda-feira, julho 25, 2005

334 - Para a única pessoa cujo sangue resulta da mesma mistura que o meu

A vida é um jogo complicado e por sê-lo tem regras que julgamos perceber por causualidade. No fundo ninguém as sabe e aqueles que pensam o contrário vendem livros sobre o assunto. Não comento o conteúdo já que escrever não é comigo, muito menos pensar numa coisa tão complicada, porém é de louvar o seu esforço pois o tabuleiro não é propriamente pequeno e segundo se crê não é plano.

Antes de acabarmos o jogo, nunca de livre vontade já que nalgumas edições isto é considerado batota, temos de dar alguns passos, parar em algumas casas e até por vezes tomar decisões tendo sempre em conta o que se passa à nossa volta. Parece complicado mas se perceberem de estatística verão que não é assim tão simples mas bastante mais complicado que isso *.

*(vão ter de pensar um bocado se quiserem chegar a esta conclusão, se não quiserem acreditem em mim, caso contrário vão ao apêndice 3 deste livro pp 2-53252362363263263263262362623623) .

quinta-feira, julho 21, 2005

332 - Um pouco de pimenta e sal q.b. e um escritor bloqueado p'ra enfeitar.

Um pouco de pimenta e sal q.b. só ajudam a insinuar o sabor de algo que acabamos por provar antes de colocarmos na mesa. Existe sempre uma expressão que, de uma forma resumida, nos mostra as características essenciais de cada artesão e um bom cozinheiro, ao longo do processo de confecção, experimenta o que, em tachos ou em bancadas, ganha forma.

Acho que é bastante simples esta analogia. Volto p'ra trás e leio tentando esquecer a conclusão. Basta uma linha ou até nem isso a um escritor bloqueado p'ra enfeitar.

quinta-feira, junho 23, 2005

331

O choro trazia-me alívio. Doiem-me os olhos p'lo que deles jorrou. O que é certo dá-me felicidade, tudo o resto so aumenta a minha tristeza.

Um homem chora - não digam que não. Custa-lhe é fazê-lo. Já lhe dói o ser; p'ra quê trazer dor ao corpo?

segunda-feira, junho 20, 2005

330 Num café qualquer

I

Sem corantes nem conservantes fez-se o sumo.
Bebo-o.

Perdi o comboio e espero
Enquanto o faço bebo.

O cigarro que é sempre o último arde
sobre o cinzeiro que o publicita.

Escrevo sobre um guardanapo
Enquanto espero espero que não acabe.

II

1

Vivo em funçao do incerto
Dos sonhos que p'ra mim tenho
Quanto mais avanço eu venho
A saber que são só restos.

Nada depende de mim.
Quando afinal só depende
Estou a beber, tenho sede,
Só tenho a saber o fim.

Se aqui estou é por querer
Não querendo eu o motivo
Tudo aquilo porque vivo
Faço-o só por viver.

2

Quero um ufano destino
Não tendo aquilo que quero
P'los sonhos eu só espero
Esperar é meu castigo.

Não me mexo, nada faço,
Como se a mim fossem ter
Acabo então por por perder
O caminho por um passo.

E mesmo vendo não mudo.
Tudo percebo. E então?
Ao vento abro mais a mão
Como a ela fosse tudo.

III

1

Um só sorriso tudo dá
-não interessa quanto dura.
Elimina-o
no fundo ele fica
"Sorria"
assim me lembro.

2

defino-a p'lo contrário
"um bébé gordo e feio".
P'ra quê dizer o que é?

Quando estamos juntos é tão pequenina
Tão pequenina quanto eu.
Só me apetece dar-lhe miminhos
E nós
(Tão pequeninos)
Fazemo-lo sem inocência.

Vezes sem conta perguntamos o que é certo
- gostamos de o ouvir.

Despedimo-nos sem dizer
adeus.

sexta-feira, junho 17, 2005

329

"40º em Santarém". As previsões de hoje foram claras pessoas vão suar no interior. Mesmo aqui a temperatura mostra que o calor é insuportável. Estou frio, falta-me algo por ter em excesso outra coisa. Porque é que ele tinha de ser assim, porque é que Ícaro teve de voar com as asas que ele próprio construiu.

Está calor e estou frio. Hoje posso voar.

328

Ele olhava em frente procurando ver mais. Se olhasse p'ra trás tudo veria.

327 - Escrito autobibliográfico

Sidoro Brago é um anagrama do meu simples nome que vim mais tarde a saber que até poderia existir. No fundo foi o que se passou com aquilo que me define. Eu sempre me considerei estranho e à parte deste mundo que o meu pai, tão bem definiu, como um mundo de anormais; é um bocado agressivo, admito, mas olhava p'ro meu lado e achava que valia, segundo os meu próprios padrões, muito mais que os outros causando assim o meu isolamento.

Enquanto adolescente agarrava-me aos livros para escapar à realidade. Estudando não pensava no que se passava ao meu redor e deixava de ter pensamentos que hoje vejo serem estúpidos. É claro que isto não me consumia muito tempo: só estudava quando já era tarde mas é sempre bom dar a entender que já fomos ou que temos a capacidade de sermos responsáveis.

A primeira namorada permitiu a primeira grande mudança. As que tive depois permitiram as que depois vieram.

Estou diferente. Aquilo que sou só saberei quando deixar de o ser. Quando me definir vou fazê-lo mal.

326

Não me apetece fazer tudo o que não me dá um prazer instantâneo. Talvez me possa considerar um hedonista mas, por outro lado, posso fazê-lo erroneamente.

Tenho o direito de estudar e deveria fazê-lo mas a inclusão de obrigação no raciocínio faz com que todo o interesse se disolva e que, no fim, o estudo só exista se houver qualquer tipo de coacção agressiva.

Estou a escrever porque me apetece e não por ter de o fazer. Ao longo de quase dois anos o que era diário passou a um acto não previsível e cada vez mais instintivo.

Merda, já estou farto de novo. Vou fumar um cigarro.

quinta-feira, junho 16, 2005

325 - Tentativa de saída não estando habituado à luz

(...)

Foi nesse instante que o nosso anti-herói ao remover a porcaria dos outros encontrou uma pequenina pedra com propriedades mágicas. Ao se aperceber que de mais ninguém aquele conjunto de elementos era a sua mente sentiu que de tudo era possível.

Levado pelo sonho gritou pela janela:

"Quem quer casar com o carochinho que da pedra é dono?"

Como era de esperar apareceram imensos pretendentes -digo imensos porque não foram só fêmeas que lhe disseram sim- mas, de eles todos, só uma jovem bastante parecida com ele lhe chamou a atenção e o fez pensar que resultava.

Hoje ele confirmam-se as suas suposições e só hoje se percebe porque é que assim foi. A pedra dela era do tamanho da dele.

domingo, maio 15, 2005

324

I

Silence is sexy if that is it's meaning. If not it can be hideous or painful.

Silence is sexy if it is used to be.



II

A cabeça é pequena
pequena p'ro corpo que quer sentir.
Mexe os braços
quer um abraço
- ah por pouco não teve mais...
São letais (p'ro fraco) as distâncias pequenas.

Não mexe a cabeça
Acena um adeus com uma mão
Ele está no chão
só pode descer mais um pouco.
Doi-lhe o pescoço de tanto p'ra cima olhar.

"Vou-te matar"
Diz ele em cada grito que não dá
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Ainda dói
Já devia estar habituado...

Nunca se é fraco
Fraco de +.



III

A mão ficou solta
ele não estava habituado
Por necessidade ergueu a outra
a que só servia p'ra tocar.

Estava sentado
Tinha uma mão levantada
a outra apontava
p'ra outro lado qualquer.

Rejeitado
olhou p'ra onde não olhara
A janela estava aberta
ele não tinha ou q'ria luz.

O sorriso era o mesmo
Riam os outros de ti
Ele seguia o teu dedo
era cornudo e via-se
(tu foras sempre discreto).

O silêncio amargo
o ar era pesado...

Caíste
quando ela te largou
o que não vias
o que não tinhas
segurou.



IV

Some get mad
Il y a des gents qui devient fout
alguns fincam loucos
gritam
mas no silêncio nada se propaga
o silêncio é fodido
quando os olhos não veêm nada se faz.

Que eles se riam
não vejo
estou de joelhos
peço algo em vão
entao
quem me vê?
Ng
ng
ng
Quem está à minha volta?
Quem?

Possa eu ver
De que serve ouvir
Estou a gritar e ng, ng vê

Que acabe o nada
Mesmo que o nada
(que nunca o foi)
descubra.



V

Quando sonhamos agarramo-nos a uma projecção de nós mesmo numa realidade que, por ser só nossa, somente serve de apoio a que já perdeu tudo.
Resta a vida que temos por sonhar que completa o conjuto de nadas que temos. Acordamos e talvez tomemos um caminho qualquer que implique a soluçao, talvez saltemos para um fosso sem medo talvez, talvez acordemos noutro local qualquer...

A memória é curta e só a necessidade cíclica mostra o que medo torna aceitável: há Deus pq ele existe.



VI

Chegado ao fundo mais não se desce
Podes olhar que só o que pisas vês

Sente o chão
por baixo nada há.
Olha p'ra cima
vê o que perdeste.

Cresceste p'lo caminho
Com sonhos que só a (des)ilusão permite
Envelheceste com o tempo que ninguém quer
O que Ele disser
já nada piora.

Olha,
Olha p'ra cima e vê
Olha,
que já não chora quem chorou...

Doi-teo corpo que foi pisado
O ego que ja não é teu.

Olha
Olha
Olha
Pisa e vê onde estás
Chora por dentro ó imbecil
---------------------

Sorri agora
Vá sorri.

Ou ficas ou sobes
ou então a morte é soluçao
Pensa
Vê se chegas a algum lado
(tambem n interessa
morres entretanto).

quinta-feira, abril 28, 2005

323

Como sempre no comboio mas mais tarde do que antes. Agora as horas prolongam-se antes da solidão.

I

A louca falava
os que o não são ouviam.

"Matou-se
A gente morre todos né"
Atirou-se
sozinha da ponte
não tinha ninguém ao pé.

A louca falava dos dias
amanhã era quinta
hoje p'ra ela era sábado.

"Boa noite"
- chegou alguém entretanto
perguntou-lhe os anos
não tendo ela idade.

Não te estranho
Sei que sou como tu
O mundo de um
Não o é dos outros.

Fomos,
Ao mesmo tempo em frente
Partimos todos à mesma hora
Agora
nada mais temos
e se não nos perdermos
não nos vamos encontrar.

II

Não fala a louca, nada diz. É triste.
Solta inocente sons que sabe, vãos,
pergunta o tempo que não vê que existe;
os ignorantes fecham sempre as mãos.

A todos contas o que a crer ouviste
A tua pequenez vive sem nãos.
Pena de ti não tenho, não caíste
Sempre viveste mais que rente ao chão.

Continuas a rir e sem motivo
Falas do fim mas só eu sei que venho
P'ra um dia encontrá-lo. Sei que existo
e que alguns passos vão pedir perdão.

Invejo o que tu és pois sem razão
Razão não tens p'ro carpir que tenho.

322

Não escrevo como antes, raras vezes estou triste e estou-lhe grato por isso. A escrita como já antes dissera é o meu refúgio cobarde e egoísta (não escrevo sem ser sobre mim).

Estou maior. Aprendi tanto em tão pouco (dois pontos) quem me viu já não me vê.

quinta-feira, abril 14, 2005

321

Paixão.

Medo.

Fuga.

Ataraxia,
ou indiferença,
- tanto faz -
que mais no corpo jaz
Depois de ter fugido?

segunda-feira, fevereiro 14, 2005

320

Funny valentine I

À medida que o homem que em mim está se mostra e se impõe tudo aquilo a que aspiro muda.

É dia de S. Valentim, é dia de consumir por um pretexto qualquer inventado por magnatas reunidos em salas onde só entra quem tem o cartão preto. (Não ponho o Vaticano de parte).

"My funny valentine" é o que se diz durante a música. É o que preciso e quero: alguém que me faça sorrir. Quanto a nomes que seja mais feminino.

Funny valentine II

Porque me tive de lembrar? O meu cérebro é maquiavélico para com o pouco de humano que resta em mim. Já nem choro pois como hoje tem o sempre sempre sido.

Que se foda a publicidade que promove casais felizes e juntinhos em cada instante com um romantismo tal que chega a provocar vómitos prolongados. OK, tenho inveja, é verdade que tenho: eu queria tudo isso nem que fosse por um dia e logo hoje é que me havia lembrar.

320 - A Puta

Choras por dentro e os olhos reflectidos sem pedires mostram no vidro o que em ti vai. As lágrimas gastaste em choro vão que ninguém ouviu: só te resta o sal que te conspurca os olhos não deixando mais que tristeza crescer.

O perfume que exalas irrta-me e equilibra o dó que sinto por ti. Essas pernas cruzadas por instantes são o resto da decência que mostras por motivo desconhecido ao mundo.

Amo-te por assim seres: por teres a vida que por sorte não tenho. Desconheço-te e choro quando penso por ti.

319

O poeta triste
o homem que não sabe
Razão porque existe
Razão porque sare.

Tudo passa lento
o poeta é faminto
O som vai c'o vento
e com ele o riso.

Já nada lhe resta
O pouco o dado
Aos poucos não presta
Tudo dele foi gasto.

318

Tudo passa lentamente como se derivasse de um pensamento com valor quase nulo. Os segundos são sempre os mesmos e o valor que têm so varia de uma forma psicológica.

Quanto mais velho estou mais rápido tudo é, equilibro isto com o pensar.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

317 - Na brasileira

Pegou num e colocou entre os lábios. Ela por graça e não por instinto pegou no isqueiro e acendeu-o. Ele respirou e sentiu-se mais quente.

Não precisava dizer mas escreveu que gostou.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

316

Se fiz mal que o tenha feito. Se magoei que tenha magoado. Fui sincero. Fui eu. Se me querem querem isto.

315 - No People sozinho

O passado persegue-nos ao ponto
de fugirmos p'ra longe do que ele traz
O passado persegue-nos e faz
o que é junto descer nosso rosto.

Quando se vê finalmente já solto
tudo o resto é liberto mas assaz
Ficamos sós somos ninguém e más
são as memórias que prefazem contos.

Dif'rentes torna-nos o tempo e mais
p'ra libertar se junta. Encontrados
como antes somos p'quenos e os tais
que nunca o fazem mais que sorte têm.

Ah somos fracos. Elas querem e vêm
De que serve s'olharmos p'ros lados?~


314 - De tarde sozinho

Só com ânsia escutei o que era dito
já me tinha mostrado o que eu ouvia.
Nunca bastou a este cego o visto
Insisto que p'los olhos nada tinha.

Agora que estou há motivos?
Acho que os sei só ela os têm, diria
Talvez para eu os encontrar: sinto isto
-só perguntando esta certeza vinha.

A seguir perguntou-me, não disse
por cobardia mais que nada. Merda
Sou egoísta o que agora é eu fui.

A postura que ali não querendo tive
Só quando arrependido se dilui.
E agora sincero que se preste.


domingo, janeiro 30, 2005

313

Ulisses e Torquemada, companheiros e génios de sacanices, falavam que o que tinham resultava do destino que os juntou. Eram parecidos e o tempo que os separava só pequenas arestas limou em sentidos diferentes:os dois pensavam, os dois jogavam à sua maneira um jogo que era o mesmo.

Acumulavam momentos que os formaram e julgavam estar certos ao dizer que tudo o que os fez foi porque alguém disse que assim seria e até a sua parceria tinha de acontecer.

Não digo o resto mas de mais eles falavam- eram coisas deles. O que interessa é o momento, só os momentos interessam.

312

Faz frio. Se me queimar que seja por calor.

312

A solidão é o que mais me inspira;ou simplesmente a reposta a ela é criar algo que, por meros instantes apenas, me distancia deste estado e permite que eu sinta algum calor que nunca tendo é meu.

A tarde passa e registo momentos com nitrato de prata. Momentos não belos mas equilibrados o que, de um ponto de vista racional, eu procuro e que, ao ver numa folha de papel brilhante ou baça, acho que atingi num espaço de 1/15 a 1/1000 de segundos.

Desci sozinho do Carmo e fascinou-me um velho sujo como as ruas que são a sua casa fria. Pedia enquanto descascava uma laranja à porta da casa de Deus no seu dia. Entravam pobres de e não por espírito e julgavam-se bem aventurados por isso. Falando ao velho entrei p'ra ver que outro velho coberto de mantos estava de pé e falava p'ros mesmos que pisavam a casa do outro sem pedir.

Tentei perceber o que ele dizia, no fundo julgando, pelos outros, que algo de sério era;falou de revoluções e ri-me. Cantou frases que não são nossas e chorei, preparando a entrada(não merecida) de Alguém em mim, mas saí antes de Ele o fazer.

O outro velho continuava sentado e falei-lhe de novo, não porque Deus quis. Falou-se de sorte e ele, que não a tinha, disse que a teve mas que hoje vivia sob luz constante e que mantos eram as suas cortinas que também serviam de paredes. Chorei por dentro e era ele que falava:bem aventurado era.

Descia a rua que com outra cor subi e olhei-a tão diferente.

Agora escrevo no comboio, registo com tinta e faz menos frio.

311

Vê agora de onde não
podia sentar o vício
ergue tão discreto a mão
ergue a mão p'ro já 'squecido.

Aqueles que passam lembram
quem fica irá lembrar
aqueles que um dia tentam
de nada serve tentar

A vida promete glória
mas a vida não a traz
a morte permite história
quem passa e toca em nós jaz.

310

A memória é de bronze. Perde a cor com os anos. A forma com os séculos.

309

Escrevesse eu uma história simples e dissesse que ela era minha. Sonho isto, quero isto mas não o consigo.

Escrevo não por escrever, mas escrevo porque tenho e, sem o pensar, o faço. Não pensando, saio eu, e por ser eu é complexo: só faz sentido a quem lê comigo ao lado.

307

Admirada reparou que ele crescera. Deixou-o pequenino numa paragem de autocarro e mais tempo passou por ele do que locomotivas naquela parte da cidade. Não o queria mudar nem esperar por ele (já estava cansada de o fazer) e o que ela não fez os segundos fizeram.

Não vi os seus olhos por não conseguir encará-los mas, sonhador como sou, imagino-os abertos com a pupila o mais dilatada possível como um mar conspurcado pelo negro que sai de um casco aberto pelo impacto ou que simplesmente quebrou de surpresa. As narinas estavam expandidas e ela arfava pela boca que há muito nada proferia - por orgulho nada mais disse, por orgulho expeliu ar com custo.

Acordei mudado.

307

Sou frágil ao ponto de tocado quebrar de não ouvir por medo.

sábado, janeiro 29, 2005

306

Considero-me nesta fase da minha vida um sapo. Não. Acho que dos anfíbios aquele a que sou mais similar é a rã; animal parecido com o o primeiro a ser referido mas que tem a vantagem de ter um nome que rima com a natureza que me falta.

Estou à parte do mundo. Sou diferente e não por escrever um blog que não é um blogue e por dizer convosco. Estou à parte e não sei porquê. Não me sinto feliz nem triste e nada me faz sair do meio: acho que finalmente (ou será fatalmente) em ataraxia depois de tantas vezes a diagnosticar em vão. Por isso sou uma rã.

Gostava que viesse ter ao meu charco (neste caso não imundo) uma princesa - quero que fique bem claro que emprego esta palavra de uma forma não foleira é simplesmente para completar a metáfora- que nada de princesa tenha. Vou ser directo. Não quero falinhas mansas nem sonhos estúpidos e muito menos a crença de que os batráquios falam: quero a substância que quero numa forma qualquer pois a forma não interessa e a substância sente-se.

Com passinhos mansos aproximar-se-á de mim. Vai achar estranho eu não me mexer nem saltar p'ra longe dali e, curiosa, ainda irá mais calmamente, mostrando carinho pelo chão que pisa. Quando estiver perto (e isso só ela sabe o que é) debruçar-se-á levantando um pouco a saia que cobre parte de si - acha que se se sujar me fará impressão mas eu, vítima da publicidade, acredito que qualquer nódoa sai se quisermos. A mão direita irá pouco depois na minha direcção e, depois de a levantar, os meus olhos (provavelmente miópes) verão os dela e assim perceberão tudo o que ela tinha p'ra dizer.

P'ra ver o que já conhecia serei beijado.

305 Não gosto de tipos chamados Brutus

Conselho de amigo:

Quanto menos intermediários melhor é o produto. E, se o fornecedor for correcto, explica o processo de fabrico.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

304

De uma forma simplista
porque o abstracto não tem forma
e eu quero ser objectivo
Eu estou cansado
sinto-o
nas horas que passam lentamente
por mim nunca bruscas.

Alguém me salve
mais não peço
(que + podia pedir?)
Salvem-me
estou aqui
Cansado de mais p'ra gritar.


303

Viva a tudo o que não vivo
Tudo que vivo a passar ao lado
Viva sorrisos e abraços
Que por medo evitei

Hossana nas alturas e não a Cristo
(que mais nos diz a altura)
Hossana a tudo o que está longe
Viva a tudo o que não vivo.

302 Como sempre no comboio

P'los passos dados mede-se a distância que já não se vê

Há quem ame, quem queira e quem fuja
Por amor daquilo que quer
O amor mete medo e a fuga
Justifica-se só p'lo q'rer.

Pele de galinha, pele de medricas e suor
Dor que percorre o corpo não percorrido
Pena p'ra quem vive o juízo
P'ra quem ama e quer partir.

301

Companhia das horas que não passam
Daquelas em que mais só eu estou.
A luz que é rubra aos poucos marca vou
Talvez morrer mais cedo que os que tardam.

Os vícios ganham-se: preenchem tudo
O que por não o ser só nada são.
A luz no escuro vê-se mas já não
vem qualquer ser- estou a viver o luto.

Vive da luz não minha o meu juízo.
Os dedos ganham nódoas que ao sorriso
dão o tom que ele tem nada sincero.

Aos poucos forma-se alva capa a ter
Aos poucos tudo vai com o arder
E o que em nós fica por ficar segura.


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Que ressuscitem os sonhos que o juizo matou a sangue frio.