Hoje começou o dia de uma forma engraçada. O senhor barbudo via na montra um jogo de voleibol e uma senhora guiava um ford da por palmela. IRonia. Ironia drástica.
Quase que fui atropelado. Pimba.
O meu sapato por vezes escorrega.
Tenho pernas compridas, dificulta a compra de um fato.
Tenho colegas porreiros e outros chatos.
Moro ao lado do emprego.
Já tive medo do escuro.
Ladrão que rouba a ladrão tem x anos de perdão. ( e o x pertence a um conjunto tão finito quanto a vida deste senhor que, se tiver às portas da morte, considera este acto talvez altruista bastante indecente)
No meio de muita gente veêm-me bem à distância. sou alto.
Já corri p'lo menos cem metros de seguida 2 vezes sem parar.
Estou um bocado estúpido.
Digamos que muito estúpido.
Não vou escrever mais.
Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
segunda-feira, outubro 08, 2007
Minor compositon in Csus minor
Começa por soar um pouco triste. Lentamente são tocadas as notas desta escala com a dificuldade que o simples imprime de mãos dadas com um dó meio tom a cima. De repente, com uma batida seca no tambor, percebe o ouvinte que algo rompeu com o sentimento que já por um minuto e meio se arrastava: tudo agora fica mais efusivo.
Soube dela e procurou o seu nome entre linhas que se formam pelo descodificar de zeros e uns. Admira-se, interessa-se, assusta-se por exemplo. Acima de tudo, aqui não interessa a ordem. A música vai ganhando intensidade. Conhece-a. Fala-lhe...
EXPLOSÃO
Finalmente a conheceu.
--------------------------------------------------------------------------------------------
O resto? Esse é d + para compor.
Soube dela e procurou o seu nome entre linhas que se formam pelo descodificar de zeros e uns. Admira-se, interessa-se, assusta-se por exemplo. Acima de tudo, aqui não interessa a ordem. A música vai ganhando intensidade. Conhece-a. Fala-lhe...
EXPLOSÃO
Finalmente a conheceu.
--------------------------------------------------------------------------------------------
O resto? Esse é d + para compor.
domingo, outubro 07, 2007
Reside o poeta no espaço que lhe resta do corpo de um homem que se forma numa implosão, que, aquilo que não leva, marca. O que fazer aos dias que, de tão inocentes, passam a ter o conhecimento que até muda o tom de uma canção que já antes marcara mas num sentido estreitamente, e só por o espaço ser pouco, diferente.
Nada é o mesmo. A balança regista outros valores à presença de o que antes se sabia ter um certo peso e não foram as unidades que mudaram. Merda! Merda merda e merda mais uma vez.
Não me anulo. Escondo-me.
Nada é o mesmo. A balança regista outros valores à presença de o que antes se sabia ter um certo peso e não foram as unidades que mudaram. Merda! Merda merda e merda mais uma vez.
Não me anulo. Escondo-me.
quarta-feira, setembro 26, 2007
Tentativa nº1 para a escrita de um texto que, talvez não apresentando um carácter forte, tem de ser mais extenso que aqueles que o precedem.
Meus amigos,
Este Sidoro que vos escreve mesmo que o exija não deixa de ser tratado por doutor. Quem agora vos escreve, como puderam constatar pelas linhas que rabisquei de rajada há bem pouco, está a viver num paradigma diferente e tão diferente está que parece um tal de Samsa descrito por um tal de Kafka que, embora escrevesse em alemão, pelos checos é assumido como um deles.
Acordei com medo de chegar atrasado no primeiro dia sem sequer saber o que me esperava no instante em que abrisse a porta para o mundo: a luz não mingava e as pessoas caminhavam no mesmo sentido que eu. Senti de súbito que agora pertencia ao grupo que antes me olhava de lado: era um "deles" que agora "deles" era.
No palacete foram-me dadas folhas com espaços a preencher e linhas para, com as letras mais amplas do meu nome, cruzar, e, no final, dando-me um novo número firmou-se contracto com a certeza da minha presença a qualquer hora, pois, agora, deles também era.
Meus amigos,
Este Sidoro que vos escreve mesmo que o exija não deixa de ser tratado por doutor. Quem agora vos escreve, como puderam constatar pelas linhas que rabisquei de rajada há bem pouco, está a viver num paradigma diferente e tão diferente está que parece um tal de Samsa descrito por um tal de Kafka que, embora escrevesse em alemão, pelos checos é assumido como um deles.
Acordei com medo de chegar atrasado no primeiro dia sem sequer saber o que me esperava no instante em que abrisse a porta para o mundo: a luz não mingava e as pessoas caminhavam no mesmo sentido que eu. Senti de súbito que agora pertencia ao grupo que antes me olhava de lado: era um "deles" que agora "deles" era.
No palacete foram-me dadas folhas com espaços a preencher e linhas para, com as letras mais amplas do meu nome, cruzar, e, no final, dando-me um novo número firmou-se contracto com a certeza da minha presença a qualquer hora, pois, agora, deles também era.
Viva ao sr. do mercedes
E assim subiu mais um degrau do que os outros chamam vida este anónimo autor. Dói, não dói? "É a vida" e já mo disse mais que um taxista: poucos deles são parvos.
180º livremente inspirado numa frase de quem tem a voz una
O poeta que usa o fato de facto se anula.
domingo, julho 29, 2007
Aquecimento depois de meses de frio e que consequentemente antes de quente vai estar morno.
I
Um comboio. Mais um no conjunto que infelizmente não converge para infinito mas não como a vida, ou parte dela, que, mesmo que de súbito, um dia há-de convergir para (zero), no sentido literal e não natural que o vazio encerra.
Um comboio. Nada mais que isso; quer dizer, um comboio que apanhei e que, consequentemente, mesmo sendo um comboio, difere dos que não apanhei porque andei nele. Neste caso até escrevi nele; não foi, portanto, um comboio qualquer.
II
Na marina.
Estava bastante ventosa a terra que se envolve pelo mar. O vento sibilava como um viseense a tentar contornar as defesas de uma mulher ao passar por entre os mastros despidos das velas que o homem de bem içando não suportaria.
Apetecia.me beber no bar que me protegia do frio com o seu calor excessivo, mas, sendo bar de gente de bem, ali só bem se paga.
É triste: faz vento lá fora, apetece beber e por bem não faço.
III
Uma expressão não se forma num só instante; é criado por um processo sequencial. Vejamos:
A mulher faz um olhar que se define pela colocação do extremo exterior dos olhos (o mais próximo das orelhas) um pouco mais acima de uma linha horizontal paralela aos eixos do rosto e o outro extremo abaixo da mesma. Daqui muitas coisas se podem formar. Não falo das narinas que, embora tenham grande carga expressiva, são tão complexas de descrever que, para o fazer, nem um ensaio bastante denso com muitas páginas a transbordar de pinceladas não descodificáveis, por outro que não o autor, serviria.
Segue-se então a boca. Se sorrir quer festa, senão é chatice.
IV
Tudo tem um limite mesmo que esse não seja definido por uma regra que um gajo qualquer chamado Cauchy definiu. No fundo o quociente de (zeros) sempre criou problemas à humanidade que nunca viu o nada como algo natural e que da sua existência até explica Cartesianamente que Deus existe. Mas cartesianamente está errado, se ele existe é por tudo que está à nossa volta; tal como a cabra que empina o seu cú de uma maneira provocante.
Quem tem cú tem medo diz o Pipo e, provavelmente, alguém antes dele. Não interessa, o que interessa é que ela deveria sentir medo mas para fazer o que faz nunca soube o que ele é e se o soube deixou rapidamente de saber.
Descartes dizia ou escrevia que sim. Ela levanta-o como só a mão Dele permite.
Um comboio. Mais um no conjunto que infelizmente não converge para infinito mas não como a vida, ou parte dela, que, mesmo que de súbito, um dia há-de convergir para (zero), no sentido literal e não natural que o vazio encerra.
Um comboio. Nada mais que isso; quer dizer, um comboio que apanhei e que, consequentemente, mesmo sendo um comboio, difere dos que não apanhei porque andei nele. Neste caso até escrevi nele; não foi, portanto, um comboio qualquer.
II
Na marina.
Estava bastante ventosa a terra que se envolve pelo mar. O vento sibilava como um viseense a tentar contornar as defesas de uma mulher ao passar por entre os mastros despidos das velas que o homem de bem içando não suportaria.
Apetecia.me beber no bar que me protegia do frio com o seu calor excessivo, mas, sendo bar de gente de bem, ali só bem se paga.
É triste: faz vento lá fora, apetece beber e por bem não faço.
III
Uma expressão não se forma num só instante; é criado por um processo sequencial. Vejamos:
A mulher faz um olhar que se define pela colocação do extremo exterior dos olhos (o mais próximo das orelhas) um pouco mais acima de uma linha horizontal paralela aos eixos do rosto e o outro extremo abaixo da mesma. Daqui muitas coisas se podem formar. Não falo das narinas que, embora tenham grande carga expressiva, são tão complexas de descrever que, para o fazer, nem um ensaio bastante denso com muitas páginas a transbordar de pinceladas não descodificáveis, por outro que não o autor, serviria.
Segue-se então a boca. Se sorrir quer festa, senão é chatice.
IV
Tudo tem um limite mesmo que esse não seja definido por uma regra que um gajo qualquer chamado Cauchy definiu. No fundo o quociente de (zeros) sempre criou problemas à humanidade que nunca viu o nada como algo natural e que da sua existência até explica Cartesianamente que Deus existe. Mas cartesianamente está errado, se ele existe é por tudo que está à nossa volta; tal como a cabra que empina o seu cú de uma maneira provocante.
Quem tem cú tem medo diz o Pipo e, provavelmente, alguém antes dele. Não interessa, o que interessa é que ela deveria sentir medo mas para fazer o que faz nunca soube o que ele é e se o soube deixou rapidamente de saber.
Descartes dizia ou escrevia que sim. Ela levanta-o como só a mão Dele permite.
terça-feira, junho 12, 2007
O retorno da criança que vai acabar por partir. Tal como este pensamento que vai
O retorno da criança que vai acabar por partir. Tal como este pensamento que vou esquecer lentamente até ao dia que o releia ou que, simplesmente, relembre, numa situação em que de novo poderia surgir, uma repetição que, por não ser nova, eu chamaria de reflexo.
Há um tempo atrás havia um forte em que se fortificavam jovens imberbes pelo lençol, não de água mas de vida, que nem por aquelas paredes, aparentemente só altas, se viam a passar. A comandar estava o senhor que, pela hierarquia e pela linhagem que por suposto Deus definiu, era pelos seus irmãos subordinados tradatos também por irmão com a especificidade de dirigir.
Tudo o resto, o que não envolvia Deus, aos meus olhos era pior que admissível sendo só o que o antónimo desta palavra define de facto não não admissível. Tudo o resto era nojento.
Há um tempo atrás havia num forte dois rapazes que, não tão sólidos, aguentavam talvez a uma pressão mais forte e ao mesmo sol e ao mesmo frio e que por isso se fortificavam e deixavam de ser imberbes até um certo limite que a vida, por ser ali vivida, definia de uma forma que dos dois jovens que vou, a seguir, referir conseguiu mais tarde definir de uma forma, que por saber qual é, está correcta. O jovem número um e o jovem número dois fechavam-se num quarto que andava com as suas pernas num fundo de um corredor cuja porta, se houve, era bastante complicada sendo o trinco - vejam que até o trinco era assim para o estranho - dependia de uma mistura de palavras que teriam de ser ditas de uma forma, como todas as outras, codificada para que o sistema de processamento central tolerasse como algo processável, pois computável é uma palavra feia.
Destrancado que foi um deles, e não me refero a coisas imundas que o comum do leitor, se tiver pila e não a usar muito, logo começou a imaginar na sua cabeça que, por mais pequena que seja, chega pelo menos para dois e que, tendo um papel de parede agradável e/ou oléo com cheiro a flores interessante, até serve de cenário para um filme pornográfico dos anos 70 daqueles que toda a gente define como bons e cuja visualização faz inclusivé sinos de igrejar badalar como nunca antes se viu - talvez mais alto até que o space shuttle a descolar-, só nos resta falar do outro.
O menino supra-citado, o outro, nunca mudou.
Há um tempo atrás havia um forte em que se fortificavam jovens imberbes pelo lençol, não de água mas de vida, que nem por aquelas paredes, aparentemente só altas, se viam a passar. A comandar estava o senhor que, pela hierarquia e pela linhagem que por suposto Deus definiu, era pelos seus irmãos subordinados tradatos também por irmão com a especificidade de dirigir.
Tudo o resto, o que não envolvia Deus, aos meus olhos era pior que admissível sendo só o que o antónimo desta palavra define de facto não não admissível. Tudo o resto era nojento.
Há um tempo atrás havia num forte dois rapazes que, não tão sólidos, aguentavam talvez a uma pressão mais forte e ao mesmo sol e ao mesmo frio e que por isso se fortificavam e deixavam de ser imberbes até um certo limite que a vida, por ser ali vivida, definia de uma forma que dos dois jovens que vou, a seguir, referir conseguiu mais tarde definir de uma forma, que por saber qual é, está correcta. O jovem número um e o jovem número dois fechavam-se num quarto que andava com as suas pernas num fundo de um corredor cuja porta, se houve, era bastante complicada sendo o trinco - vejam que até o trinco era assim para o estranho - dependia de uma mistura de palavras que teriam de ser ditas de uma forma, como todas as outras, codificada para que o sistema de processamento central tolerasse como algo processável, pois computável é uma palavra feia.
Destrancado que foi um deles, e não me refero a coisas imundas que o comum do leitor, se tiver pila e não a usar muito, logo começou a imaginar na sua cabeça que, por mais pequena que seja, chega pelo menos para dois e que, tendo um papel de parede agradável e/ou oléo com cheiro a flores interessante, até serve de cenário para um filme pornográfico dos anos 70 daqueles que toda a gente define como bons e cuja visualização faz inclusivé sinos de igrejar badalar como nunca antes se viu - talvez mais alto até que o space shuttle a descolar-, só nos resta falar do outro.
O menino supra-citado, o outro, nunca mudou.
quarta-feira, março 14, 2007
"Primas"
Estavam sentados na mesa de um canto, como sempre, e, como sempre, os amendois que comiam, tratamento especial daquele estabelecimento, sinalizavam que, de certa forma, aquela era a sua mesa. Sentava-se à cabeça o único homem que, por ter desejos parecidos dava a confiança que permitia uma amizadade que a moral, normalmente aceita, nunca permitiria.
Falei-lhe e sentámo-nos enquanto a elas me apresentei ou fui apresentado. Só ele e o espaço eram sempre o mesmo naquela corte itinerante no pouco, ou muito, que a constitui.
Pedi um copo. Virei-me para o lado e disse o meu nome de novo, de novo recebendo outro nome de volta mas que dessa vez fixei. Estranhamente tinha a cara apregoada pelo que ouvira: tinha o mesmo jeito das que esse nome possuem. Era, e pelo que sei, continua triste ao ponto de se sentir exageradamente enferma com o que o destino lhe concedeu. "um kilo era-lhe uma tonelada". Concluí eu inspirado pela metade que já não restava no copo.
Falámos por mais 5 só de dois dependendo o diálogo. Lera muito e possuía o léxico que, temas sem qualquer palpabilidade, ler permite. A solidão não era o que é, tinha algo de metafísico. Não sabia o que era a vida mas tinha uma ideia do que era.
"All art is quite useless".
Um último gole, mais um cigarro, e seguimos pelo caminho frio, longo e pesado no corpo carregado de algo inflamável só por pouco tempo. Preseguimos sazonais, boémios recebidos p'lo do costume na porta de um templo onde o rei é quase sacerdote.
Ela estava lá já há algum tempo transportada que foi no seu coche real existente pelo e a distância que o mostrador converte numa quantia que, para nós, só em nós existiria e existiu. Não lhe falei concentrado que estava a agitar p'ra fora de mim o que numa semana se acumulou e que, naquele instante, como já se sabe diluído, era eliminado pelos poros abertos, seguros de que no altar seríamos salvos.
Chamaram-me falando do velho que sou, chamaram-me e foram-se. Nada mais que o meu nome ouvi. Fui-me mas, não como o profeta, andei até casa.
Naquele canto, só ele, na outra vez, na que se seguiu, estava. Bebemos celebrando o fim de algo que não se sabia ainda, ou ao começo. (Não sabia nada disso, nem hoje sei mais). Mas acabei no templo, como sempre, como sempre devoto a uma fé que poucos percebem porque poucos são como eu. Encontrei-a lá e falamos de novo mas, desta vez, ambos comungáramos e, cheios do sangue qeu queima ao ser bebido, principámos o ritual mais antigo. Aquele a que tantos não serão iniciados.
Quem me me via via-me como se apertasse os sapatos. Um gesto que previne o tropeçar futuro. Mentira; acabei por tropeçar.
_____________________________________________________________
Pesou dessa vez também o caminho que antes só provocara o imaculado: doía-lhe o pescoço de ao falso se ter vergado.
Falei-lhe e sentámo-nos enquanto a elas me apresentei ou fui apresentado. Só ele e o espaço eram sempre o mesmo naquela corte itinerante no pouco, ou muito, que a constitui.
Pedi um copo. Virei-me para o lado e disse o meu nome de novo, de novo recebendo outro nome de volta mas que dessa vez fixei. Estranhamente tinha a cara apregoada pelo que ouvira: tinha o mesmo jeito das que esse nome possuem. Era, e pelo que sei, continua triste ao ponto de se sentir exageradamente enferma com o que o destino lhe concedeu. "um kilo era-lhe uma tonelada". Concluí eu inspirado pela metade que já não restava no copo.
Falámos por mais 5 só de dois dependendo o diálogo. Lera muito e possuía o léxico que, temas sem qualquer palpabilidade, ler permite. A solidão não era o que é, tinha algo de metafísico. Não sabia o que era a vida mas tinha uma ideia do que era.
"All art is quite useless".
Um último gole, mais um cigarro, e seguimos pelo caminho frio, longo e pesado no corpo carregado de algo inflamável só por pouco tempo. Preseguimos sazonais, boémios recebidos p'lo do costume na porta de um templo onde o rei é quase sacerdote.
Ela estava lá já há algum tempo transportada que foi no seu coche real existente pelo e a distância que o mostrador converte numa quantia que, para nós, só em nós existiria e existiu. Não lhe falei concentrado que estava a agitar p'ra fora de mim o que numa semana se acumulou e que, naquele instante, como já se sabe diluído, era eliminado pelos poros abertos, seguros de que no altar seríamos salvos.
Chamaram-me falando do velho que sou, chamaram-me e foram-se. Nada mais que o meu nome ouvi. Fui-me mas, não como o profeta, andei até casa.
Naquele canto, só ele, na outra vez, na que se seguiu, estava. Bebemos celebrando o fim de algo que não se sabia ainda, ou ao começo. (Não sabia nada disso, nem hoje sei mais). Mas acabei no templo, como sempre, como sempre devoto a uma fé que poucos percebem porque poucos são como eu. Encontrei-a lá e falamos de novo mas, desta vez, ambos comungáramos e, cheios do sangue qeu queima ao ser bebido, principámos o ritual mais antigo. Aquele a que tantos não serão iniciados.
Quem me me via via-me como se apertasse os sapatos. Um gesto que previne o tropeçar futuro. Mentira; acabei por tropeçar.
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Pesou dessa vez também o caminho que antes só provocara o imaculado: doía-lhe o pescoço de ao falso se ter vergado.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Quem ama dá-se exigindo, se discernir, uma entrega da outra parte que implique o mesmo. É contratual o sentimento mesmo que nunca se firme um documento perante Deus e esta clausula tem tudo para ser definida como vinculativa.
Cada papel, assinado somente na presença de um notário que estabeleceu a relação muito tempo antes de ela se ter concretizado, pode apresentar alineas muito, pouco ou nada diferentes dependendo somente das partes envolvidas. Basicamente o agente 1, que nas linhas seguintes vou tratar por eu, e o agente 2, que varia ao longo do espaço de tempo que é a minha vida e que tanto pode ser Joana, Clara ou Maria (nomes ficticios talvez mas sempre no feminino), encontram-se e criam uma relação com regras estabelicidas p'la sociedade e sinergias que tautologicamente por ela são escritas.
Assume, de acordo com as imposições feitas pelas partes, um nome diferente cada relação entre o eu e elas lda. Algumas exigem exclusividade contratual por um tempo certo que sempre que o é é curto. O nome até é parecido com o último adjectivo da última frase e as mais valias também são de curta duração: muitas vezes só existe uma e, se os participantes estiverem inebriados, nem chegam a haver.
Há casos em que as partes se aproximam com o intuito de preencher uma vaga na empresa de cada um: um out sourcing de recursos com o intuito de culmatar uma falha que mais tarde se percebe que só mão de obra especializada culmataria. P'lo menos enquanto dura a produtividade aumenta mesmo que pouco e só por pouco até se achar alguém mais apto. A quebra do contrato é que pode ser bem chata:com as partes a confundir a sua função e os escritório já habituados àquele funcionário.
Raras vezes, e sem qualquer previsão do mercado, encontram-se as condições para se ter o mais complexo de todos os acordos. Há casos em que tudo começa com uma sucessão de entrevistas inspiradas em características exteriores e facilmente avaliáveis que, após nos permitirem conhecer o entrevistando nunca por obrigação entrevistado, acabam por fazer com que ele receba uma proposta, muitas vezes discreta, de trabalho que, se ele for perspicaz, aceita se quiser. Outros casos têm início no outro tipo contrato ou simplesmente parecem que vão acabar num deles mas, havendo qualquer coisa que pode ser qualquer coisa e por ser qualquer coisa é imprevisível acabam por ser do tipo a que neste parágrafo me refiro.
O último quando acaba se acaba bem bem o faz. Caso contrário é uma merda. Insisto uma merda. Uma merda tão grande que duas linhas isoladas são só para o dizer. Espero que assim vejam a merda que é.
O pior é quando não percebem porque se rescinde o contrato. As partes tendem sempre a ser egoístas, egocÊntricas ou simplesmente estúpidas. Só interessa o lucro mesmo que o espaço que cada um é se inunde de um ódio que só se quer repercurtir em peso no outro. Esquece-se tudo o que se viveu:
"O outro é outro; já não é mais aquele do tempo em que estava relacionado comigo ou então nunca foi. Agora que eu vejo que ele só tem projectos de curto prazo percebo que ele nunca foi um estandarte da estabilidade que acenava diante de mim"
Triste.
Agora que não há nunca houve. Já nem as memórias bastam perante o presente. Nunca assinei um contrato, nunca escrevi um. A vida fê-lo por mim e bastou viver p'ra se exigir algo que nunca foi nosso. Imagino perante Deus e o peso da sua mão.
Cada papel, assinado somente na presença de um notário que estabeleceu a relação muito tempo antes de ela se ter concretizado, pode apresentar alineas muito, pouco ou nada diferentes dependendo somente das partes envolvidas. Basicamente o agente 1, que nas linhas seguintes vou tratar por eu, e o agente 2, que varia ao longo do espaço de tempo que é a minha vida e que tanto pode ser Joana, Clara ou Maria (nomes ficticios talvez mas sempre no feminino), encontram-se e criam uma relação com regras estabelicidas p'la sociedade e sinergias que tautologicamente por ela são escritas.
Assume, de acordo com as imposições feitas pelas partes, um nome diferente cada relação entre o eu e elas lda. Algumas exigem exclusividade contratual por um tempo certo que sempre que o é é curto. O nome até é parecido com o último adjectivo da última frase e as mais valias também são de curta duração: muitas vezes só existe uma e, se os participantes estiverem inebriados, nem chegam a haver.
Há casos em que as partes se aproximam com o intuito de preencher uma vaga na empresa de cada um: um out sourcing de recursos com o intuito de culmatar uma falha que mais tarde se percebe que só mão de obra especializada culmataria. P'lo menos enquanto dura a produtividade aumenta mesmo que pouco e só por pouco até se achar alguém mais apto. A quebra do contrato é que pode ser bem chata:com as partes a confundir a sua função e os escritório já habituados àquele funcionário.
Raras vezes, e sem qualquer previsão do mercado, encontram-se as condições para se ter o mais complexo de todos os acordos. Há casos em que tudo começa com uma sucessão de entrevistas inspiradas em características exteriores e facilmente avaliáveis que, após nos permitirem conhecer o entrevistando nunca por obrigação entrevistado, acabam por fazer com que ele receba uma proposta, muitas vezes discreta, de trabalho que, se ele for perspicaz, aceita se quiser. Outros casos têm início no outro tipo contrato ou simplesmente parecem que vão acabar num deles mas, havendo qualquer coisa que pode ser qualquer coisa e por ser qualquer coisa é imprevisível acabam por ser do tipo a que neste parágrafo me refiro.
O último quando acaba se acaba bem bem o faz. Caso contrário é uma merda. Insisto uma merda. Uma merda tão grande que duas linhas isoladas são só para o dizer. Espero que assim vejam a merda que é.
O pior é quando não percebem porque se rescinde o contrato. As partes tendem sempre a ser egoístas, egocÊntricas ou simplesmente estúpidas. Só interessa o lucro mesmo que o espaço que cada um é se inunde de um ódio que só se quer repercurtir em peso no outro. Esquece-se tudo o que se viveu:
"O outro é outro; já não é mais aquele do tempo em que estava relacionado comigo ou então nunca foi. Agora que eu vejo que ele só tem projectos de curto prazo percebo que ele nunca foi um estandarte da estabilidade que acenava diante de mim"
Triste.
Agora que não há nunca houve. Já nem as memórias bastam perante o presente. Nunca assinei um contrato, nunca escrevi um. A vida fê-lo por mim e bastou viver p'ra se exigir algo que nunca foi nosso. Imagino perante Deus e o peso da sua mão.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Nem sequer chega a ser o desistir. Acho que poucas vezes o fiz. Simplesmente a falata de raciocínio, de fio condutor, faz com que o que começo se perca e só aí encontre o seu fim.
Poderia perguntar: e se tivesse feito y?ou X? ou Z?Mas de que serviria. Comecei p'ra acabar, um acabar homogéneo com o resto, por definir em que consistia. Só comecei com esse propósito.
Por isso, e só por, já não lamento nã ter escrito mais que duas páginas por um só texto. Se tivesse que o fazer tê-lo-ia feito. É bem simples até.
Preciso de estruturas que talvez um dia tenha, de uam ideia e da capacidade de a expor em 1000 ao invés de 100 palavras por uma centena não ser suficiente. Criar imagens, paralelismos, insistindo na ideia que, pela sua redundância e repeticão, no texto exposto, quem a leia a veja como dele.
Ideias. Talvez me faltem ou talvez as tenha em excesso. P'ra ser grande, e lido, tem de se ser mediano.
Poderia perguntar: e se tivesse feito y?ou X? ou Z?Mas de que serviria. Comecei p'ra acabar, um acabar homogéneo com o resto, por definir em que consistia. Só comecei com esse propósito.
Por isso, e só por, já não lamento nã ter escrito mais que duas páginas por um só texto. Se tivesse que o fazer tê-lo-ia feito. É bem simples até.
Preciso de estruturas que talvez um dia tenha, de uam ideia e da capacidade de a expor em 1000 ao invés de 100 palavras por uma centena não ser suficiente. Criar imagens, paralelismos, insistindo na ideia que, pela sua redundância e repeticão, no texto exposto, quem a leia a veja como dele.
Ideias. Talvez me faltem ou talvez as tenha em excesso. P'ra ser grande, e lido, tem de se ser mediano.
É uma questão sem escolha.
A mulher das luvas amarelas mais espessas que a carroçaria de um panzer, com a sua presença, limitou-me: Não pude mijar no urinol.
Entrei na 1ª divisão dentro daquela em que já estava e, depois de obrigado ter fechado a porta, fiz aquilo p'ra que vim, lavando as mãos de seguida - ainda não se tinha ido.
"Está contente". Inspirada p'lo meu canto, como sempre, fora de tom. "Já está de férias". No fundo, por brio, só agora posso dizer que estou; "Não, já estou há muito!". Há tanto quanto estou farto daquele antro onde raramente ponho os pés.
Pegando na merda que não sentia p'lo amarelo que vergava disse que a vida era como era a vida. Ri-me e disse que era triste pensar assim estando triste porque não mijei de pé.
Entrei na 1ª divisão dentro daquela em que já estava e, depois de obrigado ter fechado a porta, fiz aquilo p'ra que vim, lavando as mãos de seguida - ainda não se tinha ido.
"Está contente". Inspirada p'lo meu canto, como sempre, fora de tom. "Já está de férias". No fundo, por brio, só agora posso dizer que estou; "Não, já estou há muito!". Há tanto quanto estou farto daquele antro onde raramente ponho os pés.
Pegando na merda que não sentia p'lo amarelo que vergava disse que a vida era como era a vida. Ri-me e disse que era triste pensar assim estando triste porque não mijei de pé.
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Ham on rye
Bebia um café no girassol depois de ter chegado quase a casa. Fechava às oito e, por volta dessa hora, saí.
Outro comboio acabara de chegar de Lisboa. Assustei-me, agora certo que lera por 15 minutos parte da história e que, durante esse tempo, parte das palavras podiam ser minhas.
Continuei no meu caminho, aquele que tantas vezes fizera, avançando mais em mim do que no asfalto. Era interrompido constantemente pelos carros da gente que há pouco se levantara e que, naquele instante, agora no seu transporte não público, continuava sentada na parte final do trajecto.
Detesto companhia nesta estreita estrada , nestra estrada paralela a um caminho mecânico que, no pouco que existe, nunca chega a tocar.
Para onde é que vou afinal? Não quero nada disto. Irritam-me as pessoas que me rodeiam; quase todas carregam o peso de um objectivo comum, de ideais moldados em série e entregues de porta em porta com a facilidade que o gratuito permite. Enojam-me, enquanto que o cão que, como sempre ladra daquela casa com aspecto de barraca perdida entre moradias minimamente decoradas, por não me meter medo, separados que estamos por um muro, só me chateia e incomoda como o frio.
Depois da esquina segui, como sempre o fiz, pelo caminho perpendicular olhando como que por instinto para aquele candeeiro de rua que sempre espera por mim para se acender - provavelmente sou sempre o primeiro como ele a a passar por ali. A sua luz é tão diferente, mais alva, mais pura não como a outra que de 10 em 10 metros se irradia.
Desta vez, num cruzamento, cruzaram-se duas carrinhas que mesmo distantas p'las marcas e por elas. Acabam por carregar o mesmo. Dois homens de fato, ninguém à direita uma cadeira de bebé atrás. Destino que talvez um dia partilhe, tenho a porta aberta.
Olhei para trás. Estava um pouco mais amarela. "Só precisa de tempo para ser como o resto".
Já não pensei mais.
Quem nunca o soube, como resposta a quem era, lá a porta me abriu.
Outro comboio acabara de chegar de Lisboa. Assustei-me, agora certo que lera por 15 minutos parte da história e que, durante esse tempo, parte das palavras podiam ser minhas.
Continuei no meu caminho, aquele que tantas vezes fizera, avançando mais em mim do que no asfalto. Era interrompido constantemente pelos carros da gente que há pouco se levantara e que, naquele instante, agora no seu transporte não público, continuava sentada na parte final do trajecto.
Detesto companhia nesta estreita estrada , nestra estrada paralela a um caminho mecânico que, no pouco que existe, nunca chega a tocar.
Para onde é que vou afinal? Não quero nada disto. Irritam-me as pessoas que me rodeiam; quase todas carregam o peso de um objectivo comum, de ideais moldados em série e entregues de porta em porta com a facilidade que o gratuito permite. Enojam-me, enquanto que o cão que, como sempre ladra daquela casa com aspecto de barraca perdida entre moradias minimamente decoradas, por não me meter medo, separados que estamos por um muro, só me chateia e incomoda como o frio.
Depois da esquina segui, como sempre o fiz, pelo caminho perpendicular olhando como que por instinto para aquele candeeiro de rua que sempre espera por mim para se acender - provavelmente sou sempre o primeiro como ele a a passar por ali. A sua luz é tão diferente, mais alva, mais pura não como a outra que de 10 em 10 metros se irradia.
Desta vez, num cruzamento, cruzaram-se duas carrinhas que mesmo distantas p'las marcas e por elas. Acabam por carregar o mesmo. Dois homens de fato, ninguém à direita uma cadeira de bebé atrás. Destino que talvez um dia partilhe, tenho a porta aberta.
Olhei para trás. Estava um pouco mais amarela. "Só precisa de tempo para ser como o resto".
Já não pensei mais.
Quem nunca o soube, como resposta a quem era, lá a porta me abriu.
Depois de uma torrada sem códea mas com queijo e presunto.
I
Podia ter aquecido o pão industrialmente fatiado e despido só um bocadinho de nada mais. Como no amor, ou em qualquer outra experiência a temperaturas, ou a outras, como a quantidade em gramas de manteiga e até de presunto, controladas, uma pequena variação pode ter um impacto desagradável no resultado. Neste caso nem muito. Não estava óptima mas comia-se.
Teles, o grande escritor da meia hora que falta, escrevia, p'lo que me pareceu, sobre Noé e clubes de futebol. É óbvia a relação entre os dois, mesmo sendo os estádios mais volumosos; surpreende-me porém ser sobre eles que ele escreve.
Enquanto preparava o meu pãozinho, que, como já sabem podia estar mais quente, e perguntei à minha exma. pessoa o que seria se sonhasse os sonhos de outros. No fundo já estava farto, por mais que tentasse, continuava a sonhar o mesmo e se o mesmo sonhamos - quero que isto fique bem claro- é porque não passa de um sonho e, se Aquele continuar com o seu humor um bocadito recorrente, nunca do que é vai passar.
E frustra. E se queda frustrado. E frustra. E frustra. E frustra ... até chegar ao ponto de só o adjectivo fazer sentido.
Tivesse o dos outros tendo o meu. Era uma como que uma lufada de ar fresco...novos cenários, novas caras, novos golos...
Retiro o que disse há pouco. Tivesse dos outros sonhos agradáveis, daqueles que eu gosto e, quem sabe daqueles que, mal acorde, deixem de os ser. Sonhe por A que faço o B que já fiz, sonho por C que já vi D da E com quem já fiz G - coisa que o F tanto sonhou.
(Suspiro)
O escritor continua a desenvolver a ideia de que se modela como o mesmo coisas que, não sendo o mesmo, por algum motivo talvez o mesmo sejam.
II
Aplausos à criação artistica tão vulgarmente avaliada num estabelecimento que, tendo matriz jacobiana com determinante não nulo e logo por isso quadrada, de ganadaria só é o inverso.
Aplausos então a Noé que, já velho de mais para jogar no moreirense, nos seus tempos fez os possíveis para que os estádios hoje estivessem cheios.
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Sobre o que acabar por ser.
Um dia a mais entre outros que são cada vez menos.
Estou na faculdade. Reparem na força da palavra faculdade: faculdade, faculdade. Repito isto mais uma vez. E outra e outra.
Estivesse o Sr. Ferreira certo, perdesse o sentido. Estivesse o filosofo certo: que a consciência dos limites nos concedesse a liberdade. Que o peso dos grilhões acabasse por os diluir numa consciência que, por consciente, só mais nos pesa.
Porque é que não se aplica tudo o que é bonito de ler? Porquê?
Faculdade, faculdade. Faculdade e mais infinito...
e
SÓ ME SINTO
claustrofóbico.
Estou na faculdade. Reparem na força da palavra faculdade: faculdade, faculdade. Repito isto mais uma vez. E outra e outra.
Estivesse o Sr. Ferreira certo, perdesse o sentido. Estivesse o filosofo certo: que a consciência dos limites nos concedesse a liberdade. Que o peso dos grilhões acabasse por os diluir numa consciência que, por consciente, só mais nos pesa.
Porque é que não se aplica tudo o que é bonito de ler? Porquê?
Faculdade, faculdade. Faculdade e mais infinito...
e
SÓ ME SINTO
claustrofóbico.
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