I
Um comboio. Mais um no conjunto que infelizmente não converge para infinito mas não como a vida, ou parte dela, que, mesmo que de súbito, um dia há-de convergir para (zero), no sentido literal e não natural que o vazio encerra.
Um comboio. Nada mais que isso; quer dizer, um comboio que apanhei e que, consequentemente, mesmo sendo um comboio, difere dos que não apanhei porque andei nele. Neste caso até escrevi nele; não foi, portanto, um comboio qualquer.
II
Na marina.
Estava bastante ventosa a terra que se envolve pelo mar. O vento sibilava como um viseense a tentar contornar as defesas de uma mulher ao passar por entre os mastros despidos das velas que o homem de bem içando não suportaria.
Apetecia.me beber no bar que me protegia do frio com o seu calor excessivo, mas, sendo bar de gente de bem, ali só bem se paga.
É triste: faz vento lá fora, apetece beber e por bem não faço.
III
Uma expressão não se forma num só instante; é criado por um processo sequencial. Vejamos:
A mulher faz um olhar que se define pela colocação do extremo exterior dos olhos (o mais próximo das orelhas) um pouco mais acima de uma linha horizontal paralela aos eixos do rosto e o outro extremo abaixo da mesma. Daqui muitas coisas se podem formar. Não falo das narinas que, embora tenham grande carga expressiva, são tão complexas de descrever que, para o fazer, nem um ensaio bastante denso com muitas páginas a transbordar de pinceladas não descodificáveis, por outro que não o autor, serviria.
Segue-se então a boca. Se sorrir quer festa, senão é chatice.
IV
Tudo tem um limite mesmo que esse não seja definido por uma regra que um gajo qualquer chamado Cauchy definiu. No fundo o quociente de (zeros) sempre criou problemas à humanidade que nunca viu o nada como algo natural e que da sua existência até explica Cartesianamente que Deus existe. Mas cartesianamente está errado, se ele existe é por tudo que está à nossa volta; tal como a cabra que empina o seu cú de uma maneira provocante.
Quem tem cú tem medo diz o Pipo e, provavelmente, alguém antes dele. Não interessa, o que interessa é que ela deveria sentir medo mas para fazer o que faz nunca soube o que ele é e se o soube deixou rapidamente de saber.
Descartes dizia ou escrevia que sim. Ela levanta-o como só a mão Dele permite.
Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
domingo, julho 29, 2007
terça-feira, junho 12, 2007
O retorno da criança que vai acabar por partir. Tal como este pensamento que vai
O retorno da criança que vai acabar por partir. Tal como este pensamento que vou esquecer lentamente até ao dia que o releia ou que, simplesmente, relembre, numa situação em que de novo poderia surgir, uma repetição que, por não ser nova, eu chamaria de reflexo.
Há um tempo atrás havia um forte em que se fortificavam jovens imberbes pelo lençol, não de água mas de vida, que nem por aquelas paredes, aparentemente só altas, se viam a passar. A comandar estava o senhor que, pela hierarquia e pela linhagem que por suposto Deus definiu, era pelos seus irmãos subordinados tradatos também por irmão com a especificidade de dirigir.
Tudo o resto, o que não envolvia Deus, aos meus olhos era pior que admissível sendo só o que o antónimo desta palavra define de facto não não admissível. Tudo o resto era nojento.
Há um tempo atrás havia num forte dois rapazes que, não tão sólidos, aguentavam talvez a uma pressão mais forte e ao mesmo sol e ao mesmo frio e que por isso se fortificavam e deixavam de ser imberbes até um certo limite que a vida, por ser ali vivida, definia de uma forma que dos dois jovens que vou, a seguir, referir conseguiu mais tarde definir de uma forma, que por saber qual é, está correcta. O jovem número um e o jovem número dois fechavam-se num quarto que andava com as suas pernas num fundo de um corredor cuja porta, se houve, era bastante complicada sendo o trinco - vejam que até o trinco era assim para o estranho - dependia de uma mistura de palavras que teriam de ser ditas de uma forma, como todas as outras, codificada para que o sistema de processamento central tolerasse como algo processável, pois computável é uma palavra feia.
Destrancado que foi um deles, e não me refero a coisas imundas que o comum do leitor, se tiver pila e não a usar muito, logo começou a imaginar na sua cabeça que, por mais pequena que seja, chega pelo menos para dois e que, tendo um papel de parede agradável e/ou oléo com cheiro a flores interessante, até serve de cenário para um filme pornográfico dos anos 70 daqueles que toda a gente define como bons e cuja visualização faz inclusivé sinos de igrejar badalar como nunca antes se viu - talvez mais alto até que o space shuttle a descolar-, só nos resta falar do outro.
O menino supra-citado, o outro, nunca mudou.
Há um tempo atrás havia um forte em que se fortificavam jovens imberbes pelo lençol, não de água mas de vida, que nem por aquelas paredes, aparentemente só altas, se viam a passar. A comandar estava o senhor que, pela hierarquia e pela linhagem que por suposto Deus definiu, era pelos seus irmãos subordinados tradatos também por irmão com a especificidade de dirigir.
Tudo o resto, o que não envolvia Deus, aos meus olhos era pior que admissível sendo só o que o antónimo desta palavra define de facto não não admissível. Tudo o resto era nojento.
Há um tempo atrás havia num forte dois rapazes que, não tão sólidos, aguentavam talvez a uma pressão mais forte e ao mesmo sol e ao mesmo frio e que por isso se fortificavam e deixavam de ser imberbes até um certo limite que a vida, por ser ali vivida, definia de uma forma que dos dois jovens que vou, a seguir, referir conseguiu mais tarde definir de uma forma, que por saber qual é, está correcta. O jovem número um e o jovem número dois fechavam-se num quarto que andava com as suas pernas num fundo de um corredor cuja porta, se houve, era bastante complicada sendo o trinco - vejam que até o trinco era assim para o estranho - dependia de uma mistura de palavras que teriam de ser ditas de uma forma, como todas as outras, codificada para que o sistema de processamento central tolerasse como algo processável, pois computável é uma palavra feia.
Destrancado que foi um deles, e não me refero a coisas imundas que o comum do leitor, se tiver pila e não a usar muito, logo começou a imaginar na sua cabeça que, por mais pequena que seja, chega pelo menos para dois e que, tendo um papel de parede agradável e/ou oléo com cheiro a flores interessante, até serve de cenário para um filme pornográfico dos anos 70 daqueles que toda a gente define como bons e cuja visualização faz inclusivé sinos de igrejar badalar como nunca antes se viu - talvez mais alto até que o space shuttle a descolar-, só nos resta falar do outro.
O menino supra-citado, o outro, nunca mudou.
quarta-feira, março 14, 2007
"Primas"
Estavam sentados na mesa de um canto, como sempre, e, como sempre, os amendois que comiam, tratamento especial daquele estabelecimento, sinalizavam que, de certa forma, aquela era a sua mesa. Sentava-se à cabeça o único homem que, por ter desejos parecidos dava a confiança que permitia uma amizadade que a moral, normalmente aceita, nunca permitiria.
Falei-lhe e sentámo-nos enquanto a elas me apresentei ou fui apresentado. Só ele e o espaço eram sempre o mesmo naquela corte itinerante no pouco, ou muito, que a constitui.
Pedi um copo. Virei-me para o lado e disse o meu nome de novo, de novo recebendo outro nome de volta mas que dessa vez fixei. Estranhamente tinha a cara apregoada pelo que ouvira: tinha o mesmo jeito das que esse nome possuem. Era, e pelo que sei, continua triste ao ponto de se sentir exageradamente enferma com o que o destino lhe concedeu. "um kilo era-lhe uma tonelada". Concluí eu inspirado pela metade que já não restava no copo.
Falámos por mais 5 só de dois dependendo o diálogo. Lera muito e possuía o léxico que, temas sem qualquer palpabilidade, ler permite. A solidão não era o que é, tinha algo de metafísico. Não sabia o que era a vida mas tinha uma ideia do que era.
"All art is quite useless".
Um último gole, mais um cigarro, e seguimos pelo caminho frio, longo e pesado no corpo carregado de algo inflamável só por pouco tempo. Preseguimos sazonais, boémios recebidos p'lo do costume na porta de um templo onde o rei é quase sacerdote.
Ela estava lá já há algum tempo transportada que foi no seu coche real existente pelo e a distância que o mostrador converte numa quantia que, para nós, só em nós existiria e existiu. Não lhe falei concentrado que estava a agitar p'ra fora de mim o que numa semana se acumulou e que, naquele instante, como já se sabe diluído, era eliminado pelos poros abertos, seguros de que no altar seríamos salvos.
Chamaram-me falando do velho que sou, chamaram-me e foram-se. Nada mais que o meu nome ouvi. Fui-me mas, não como o profeta, andei até casa.
Naquele canto, só ele, na outra vez, na que se seguiu, estava. Bebemos celebrando o fim de algo que não se sabia ainda, ou ao começo. (Não sabia nada disso, nem hoje sei mais). Mas acabei no templo, como sempre, como sempre devoto a uma fé que poucos percebem porque poucos são como eu. Encontrei-a lá e falamos de novo mas, desta vez, ambos comungáramos e, cheios do sangue qeu queima ao ser bebido, principámos o ritual mais antigo. Aquele a que tantos não serão iniciados.
Quem me me via via-me como se apertasse os sapatos. Um gesto que previne o tropeçar futuro. Mentira; acabei por tropeçar.
_____________________________________________________________
Pesou dessa vez também o caminho que antes só provocara o imaculado: doía-lhe o pescoço de ao falso se ter vergado.
Falei-lhe e sentámo-nos enquanto a elas me apresentei ou fui apresentado. Só ele e o espaço eram sempre o mesmo naquela corte itinerante no pouco, ou muito, que a constitui.
Pedi um copo. Virei-me para o lado e disse o meu nome de novo, de novo recebendo outro nome de volta mas que dessa vez fixei. Estranhamente tinha a cara apregoada pelo que ouvira: tinha o mesmo jeito das que esse nome possuem. Era, e pelo que sei, continua triste ao ponto de se sentir exageradamente enferma com o que o destino lhe concedeu. "um kilo era-lhe uma tonelada". Concluí eu inspirado pela metade que já não restava no copo.
Falámos por mais 5 só de dois dependendo o diálogo. Lera muito e possuía o léxico que, temas sem qualquer palpabilidade, ler permite. A solidão não era o que é, tinha algo de metafísico. Não sabia o que era a vida mas tinha uma ideia do que era.
"All art is quite useless".
Um último gole, mais um cigarro, e seguimos pelo caminho frio, longo e pesado no corpo carregado de algo inflamável só por pouco tempo. Preseguimos sazonais, boémios recebidos p'lo do costume na porta de um templo onde o rei é quase sacerdote.
Ela estava lá já há algum tempo transportada que foi no seu coche real existente pelo e a distância que o mostrador converte numa quantia que, para nós, só em nós existiria e existiu. Não lhe falei concentrado que estava a agitar p'ra fora de mim o que numa semana se acumulou e que, naquele instante, como já se sabe diluído, era eliminado pelos poros abertos, seguros de que no altar seríamos salvos.
Chamaram-me falando do velho que sou, chamaram-me e foram-se. Nada mais que o meu nome ouvi. Fui-me mas, não como o profeta, andei até casa.
Naquele canto, só ele, na outra vez, na que se seguiu, estava. Bebemos celebrando o fim de algo que não se sabia ainda, ou ao começo. (Não sabia nada disso, nem hoje sei mais). Mas acabei no templo, como sempre, como sempre devoto a uma fé que poucos percebem porque poucos são como eu. Encontrei-a lá e falamos de novo mas, desta vez, ambos comungáramos e, cheios do sangue qeu queima ao ser bebido, principámos o ritual mais antigo. Aquele a que tantos não serão iniciados.
Quem me me via via-me como se apertasse os sapatos. Um gesto que previne o tropeçar futuro. Mentira; acabei por tropeçar.
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Pesou dessa vez também o caminho que antes só provocara o imaculado: doía-lhe o pescoço de ao falso se ter vergado.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Quem ama dá-se exigindo, se discernir, uma entrega da outra parte que implique o mesmo. É contratual o sentimento mesmo que nunca se firme um documento perante Deus e esta clausula tem tudo para ser definida como vinculativa.
Cada papel, assinado somente na presença de um notário que estabeleceu a relação muito tempo antes de ela se ter concretizado, pode apresentar alineas muito, pouco ou nada diferentes dependendo somente das partes envolvidas. Basicamente o agente 1, que nas linhas seguintes vou tratar por eu, e o agente 2, que varia ao longo do espaço de tempo que é a minha vida e que tanto pode ser Joana, Clara ou Maria (nomes ficticios talvez mas sempre no feminino), encontram-se e criam uma relação com regras estabelicidas p'la sociedade e sinergias que tautologicamente por ela são escritas.
Assume, de acordo com as imposições feitas pelas partes, um nome diferente cada relação entre o eu e elas lda. Algumas exigem exclusividade contratual por um tempo certo que sempre que o é é curto. O nome até é parecido com o último adjectivo da última frase e as mais valias também são de curta duração: muitas vezes só existe uma e, se os participantes estiverem inebriados, nem chegam a haver.
Há casos em que as partes se aproximam com o intuito de preencher uma vaga na empresa de cada um: um out sourcing de recursos com o intuito de culmatar uma falha que mais tarde se percebe que só mão de obra especializada culmataria. P'lo menos enquanto dura a produtividade aumenta mesmo que pouco e só por pouco até se achar alguém mais apto. A quebra do contrato é que pode ser bem chata:com as partes a confundir a sua função e os escritório já habituados àquele funcionário.
Raras vezes, e sem qualquer previsão do mercado, encontram-se as condições para se ter o mais complexo de todos os acordos. Há casos em que tudo começa com uma sucessão de entrevistas inspiradas em características exteriores e facilmente avaliáveis que, após nos permitirem conhecer o entrevistando nunca por obrigação entrevistado, acabam por fazer com que ele receba uma proposta, muitas vezes discreta, de trabalho que, se ele for perspicaz, aceita se quiser. Outros casos têm início no outro tipo contrato ou simplesmente parecem que vão acabar num deles mas, havendo qualquer coisa que pode ser qualquer coisa e por ser qualquer coisa é imprevisível acabam por ser do tipo a que neste parágrafo me refiro.
O último quando acaba se acaba bem bem o faz. Caso contrário é uma merda. Insisto uma merda. Uma merda tão grande que duas linhas isoladas são só para o dizer. Espero que assim vejam a merda que é.
O pior é quando não percebem porque se rescinde o contrato. As partes tendem sempre a ser egoístas, egocÊntricas ou simplesmente estúpidas. Só interessa o lucro mesmo que o espaço que cada um é se inunde de um ódio que só se quer repercurtir em peso no outro. Esquece-se tudo o que se viveu:
"O outro é outro; já não é mais aquele do tempo em que estava relacionado comigo ou então nunca foi. Agora que eu vejo que ele só tem projectos de curto prazo percebo que ele nunca foi um estandarte da estabilidade que acenava diante de mim"
Triste.
Agora que não há nunca houve. Já nem as memórias bastam perante o presente. Nunca assinei um contrato, nunca escrevi um. A vida fê-lo por mim e bastou viver p'ra se exigir algo que nunca foi nosso. Imagino perante Deus e o peso da sua mão.
Cada papel, assinado somente na presença de um notário que estabeleceu a relação muito tempo antes de ela se ter concretizado, pode apresentar alineas muito, pouco ou nada diferentes dependendo somente das partes envolvidas. Basicamente o agente 1, que nas linhas seguintes vou tratar por eu, e o agente 2, que varia ao longo do espaço de tempo que é a minha vida e que tanto pode ser Joana, Clara ou Maria (nomes ficticios talvez mas sempre no feminino), encontram-se e criam uma relação com regras estabelicidas p'la sociedade e sinergias que tautologicamente por ela são escritas.
Assume, de acordo com as imposições feitas pelas partes, um nome diferente cada relação entre o eu e elas lda. Algumas exigem exclusividade contratual por um tempo certo que sempre que o é é curto. O nome até é parecido com o último adjectivo da última frase e as mais valias também são de curta duração: muitas vezes só existe uma e, se os participantes estiverem inebriados, nem chegam a haver.
Há casos em que as partes se aproximam com o intuito de preencher uma vaga na empresa de cada um: um out sourcing de recursos com o intuito de culmatar uma falha que mais tarde se percebe que só mão de obra especializada culmataria. P'lo menos enquanto dura a produtividade aumenta mesmo que pouco e só por pouco até se achar alguém mais apto. A quebra do contrato é que pode ser bem chata:com as partes a confundir a sua função e os escritório já habituados àquele funcionário.
Raras vezes, e sem qualquer previsão do mercado, encontram-se as condições para se ter o mais complexo de todos os acordos. Há casos em que tudo começa com uma sucessão de entrevistas inspiradas em características exteriores e facilmente avaliáveis que, após nos permitirem conhecer o entrevistando nunca por obrigação entrevistado, acabam por fazer com que ele receba uma proposta, muitas vezes discreta, de trabalho que, se ele for perspicaz, aceita se quiser. Outros casos têm início no outro tipo contrato ou simplesmente parecem que vão acabar num deles mas, havendo qualquer coisa que pode ser qualquer coisa e por ser qualquer coisa é imprevisível acabam por ser do tipo a que neste parágrafo me refiro.
O último quando acaba se acaba bem bem o faz. Caso contrário é uma merda. Insisto uma merda. Uma merda tão grande que duas linhas isoladas são só para o dizer. Espero que assim vejam a merda que é.
O pior é quando não percebem porque se rescinde o contrato. As partes tendem sempre a ser egoístas, egocÊntricas ou simplesmente estúpidas. Só interessa o lucro mesmo que o espaço que cada um é se inunde de um ódio que só se quer repercurtir em peso no outro. Esquece-se tudo o que se viveu:
"O outro é outro; já não é mais aquele do tempo em que estava relacionado comigo ou então nunca foi. Agora que eu vejo que ele só tem projectos de curto prazo percebo que ele nunca foi um estandarte da estabilidade que acenava diante de mim"
Triste.
Agora que não há nunca houve. Já nem as memórias bastam perante o presente. Nunca assinei um contrato, nunca escrevi um. A vida fê-lo por mim e bastou viver p'ra se exigir algo que nunca foi nosso. Imagino perante Deus e o peso da sua mão.
sexta-feira, dezembro 22, 2006
Nem sequer chega a ser o desistir. Acho que poucas vezes o fiz. Simplesmente a falata de raciocínio, de fio condutor, faz com que o que começo se perca e só aí encontre o seu fim.
Poderia perguntar: e se tivesse feito y?ou X? ou Z?Mas de que serviria. Comecei p'ra acabar, um acabar homogéneo com o resto, por definir em que consistia. Só comecei com esse propósito.
Por isso, e só por, já não lamento nã ter escrito mais que duas páginas por um só texto. Se tivesse que o fazer tê-lo-ia feito. É bem simples até.
Preciso de estruturas que talvez um dia tenha, de uam ideia e da capacidade de a expor em 1000 ao invés de 100 palavras por uma centena não ser suficiente. Criar imagens, paralelismos, insistindo na ideia que, pela sua redundância e repeticão, no texto exposto, quem a leia a veja como dele.
Ideias. Talvez me faltem ou talvez as tenha em excesso. P'ra ser grande, e lido, tem de se ser mediano.
Poderia perguntar: e se tivesse feito y?ou X? ou Z?Mas de que serviria. Comecei p'ra acabar, um acabar homogéneo com o resto, por definir em que consistia. Só comecei com esse propósito.
Por isso, e só por, já não lamento nã ter escrito mais que duas páginas por um só texto. Se tivesse que o fazer tê-lo-ia feito. É bem simples até.
Preciso de estruturas que talvez um dia tenha, de uam ideia e da capacidade de a expor em 1000 ao invés de 100 palavras por uma centena não ser suficiente. Criar imagens, paralelismos, insistindo na ideia que, pela sua redundância e repeticão, no texto exposto, quem a leia a veja como dele.
Ideias. Talvez me faltem ou talvez as tenha em excesso. P'ra ser grande, e lido, tem de se ser mediano.
É uma questão sem escolha.
A mulher das luvas amarelas mais espessas que a carroçaria de um panzer, com a sua presença, limitou-me: Não pude mijar no urinol.
Entrei na 1ª divisão dentro daquela em que já estava e, depois de obrigado ter fechado a porta, fiz aquilo p'ra que vim, lavando as mãos de seguida - ainda não se tinha ido.
"Está contente". Inspirada p'lo meu canto, como sempre, fora de tom. "Já está de férias". No fundo, por brio, só agora posso dizer que estou; "Não, já estou há muito!". Há tanto quanto estou farto daquele antro onde raramente ponho os pés.
Pegando na merda que não sentia p'lo amarelo que vergava disse que a vida era como era a vida. Ri-me e disse que era triste pensar assim estando triste porque não mijei de pé.
Entrei na 1ª divisão dentro daquela em que já estava e, depois de obrigado ter fechado a porta, fiz aquilo p'ra que vim, lavando as mãos de seguida - ainda não se tinha ido.
"Está contente". Inspirada p'lo meu canto, como sempre, fora de tom. "Já está de férias". No fundo, por brio, só agora posso dizer que estou; "Não, já estou há muito!". Há tanto quanto estou farto daquele antro onde raramente ponho os pés.
Pegando na merda que não sentia p'lo amarelo que vergava disse que a vida era como era a vida. Ri-me e disse que era triste pensar assim estando triste porque não mijei de pé.
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Ham on rye
Bebia um café no girassol depois de ter chegado quase a casa. Fechava às oito e, por volta dessa hora, saí.
Outro comboio acabara de chegar de Lisboa. Assustei-me, agora certo que lera por 15 minutos parte da história e que, durante esse tempo, parte das palavras podiam ser minhas.
Continuei no meu caminho, aquele que tantas vezes fizera, avançando mais em mim do que no asfalto. Era interrompido constantemente pelos carros da gente que há pouco se levantara e que, naquele instante, agora no seu transporte não público, continuava sentada na parte final do trajecto.
Detesto companhia nesta estreita estrada , nestra estrada paralela a um caminho mecânico que, no pouco que existe, nunca chega a tocar.
Para onde é que vou afinal? Não quero nada disto. Irritam-me as pessoas que me rodeiam; quase todas carregam o peso de um objectivo comum, de ideais moldados em série e entregues de porta em porta com a facilidade que o gratuito permite. Enojam-me, enquanto que o cão que, como sempre ladra daquela casa com aspecto de barraca perdida entre moradias minimamente decoradas, por não me meter medo, separados que estamos por um muro, só me chateia e incomoda como o frio.
Depois da esquina segui, como sempre o fiz, pelo caminho perpendicular olhando como que por instinto para aquele candeeiro de rua que sempre espera por mim para se acender - provavelmente sou sempre o primeiro como ele a a passar por ali. A sua luz é tão diferente, mais alva, mais pura não como a outra que de 10 em 10 metros se irradia.
Desta vez, num cruzamento, cruzaram-se duas carrinhas que mesmo distantas p'las marcas e por elas. Acabam por carregar o mesmo. Dois homens de fato, ninguém à direita uma cadeira de bebé atrás. Destino que talvez um dia partilhe, tenho a porta aberta.
Olhei para trás. Estava um pouco mais amarela. "Só precisa de tempo para ser como o resto".
Já não pensei mais.
Quem nunca o soube, como resposta a quem era, lá a porta me abriu.
Outro comboio acabara de chegar de Lisboa. Assustei-me, agora certo que lera por 15 minutos parte da história e que, durante esse tempo, parte das palavras podiam ser minhas.
Continuei no meu caminho, aquele que tantas vezes fizera, avançando mais em mim do que no asfalto. Era interrompido constantemente pelos carros da gente que há pouco se levantara e que, naquele instante, agora no seu transporte não público, continuava sentada na parte final do trajecto.
Detesto companhia nesta estreita estrada , nestra estrada paralela a um caminho mecânico que, no pouco que existe, nunca chega a tocar.
Para onde é que vou afinal? Não quero nada disto. Irritam-me as pessoas que me rodeiam; quase todas carregam o peso de um objectivo comum, de ideais moldados em série e entregues de porta em porta com a facilidade que o gratuito permite. Enojam-me, enquanto que o cão que, como sempre ladra daquela casa com aspecto de barraca perdida entre moradias minimamente decoradas, por não me meter medo, separados que estamos por um muro, só me chateia e incomoda como o frio.
Depois da esquina segui, como sempre o fiz, pelo caminho perpendicular olhando como que por instinto para aquele candeeiro de rua que sempre espera por mim para se acender - provavelmente sou sempre o primeiro como ele a a passar por ali. A sua luz é tão diferente, mais alva, mais pura não como a outra que de 10 em 10 metros se irradia.
Desta vez, num cruzamento, cruzaram-se duas carrinhas que mesmo distantas p'las marcas e por elas. Acabam por carregar o mesmo. Dois homens de fato, ninguém à direita uma cadeira de bebé atrás. Destino que talvez um dia partilhe, tenho a porta aberta.
Olhei para trás. Estava um pouco mais amarela. "Só precisa de tempo para ser como o resto".
Já não pensei mais.
Quem nunca o soube, como resposta a quem era, lá a porta me abriu.
Depois de uma torrada sem códea mas com queijo e presunto.
I
Podia ter aquecido o pão industrialmente fatiado e despido só um bocadinho de nada mais. Como no amor, ou em qualquer outra experiência a temperaturas, ou a outras, como a quantidade em gramas de manteiga e até de presunto, controladas, uma pequena variação pode ter um impacto desagradável no resultado. Neste caso nem muito. Não estava óptima mas comia-se.
Teles, o grande escritor da meia hora que falta, escrevia, p'lo que me pareceu, sobre Noé e clubes de futebol. É óbvia a relação entre os dois, mesmo sendo os estádios mais volumosos; surpreende-me porém ser sobre eles que ele escreve.
Enquanto preparava o meu pãozinho, que, como já sabem podia estar mais quente, e perguntei à minha exma. pessoa o que seria se sonhasse os sonhos de outros. No fundo já estava farto, por mais que tentasse, continuava a sonhar o mesmo e se o mesmo sonhamos - quero que isto fique bem claro- é porque não passa de um sonho e, se Aquele continuar com o seu humor um bocadito recorrente, nunca do que é vai passar.
E frustra. E se queda frustrado. E frustra. E frustra. E frustra ... até chegar ao ponto de só o adjectivo fazer sentido.
Tivesse o dos outros tendo o meu. Era uma como que uma lufada de ar fresco...novos cenários, novas caras, novos golos...
Retiro o que disse há pouco. Tivesse dos outros sonhos agradáveis, daqueles que eu gosto e, quem sabe daqueles que, mal acorde, deixem de os ser. Sonhe por A que faço o B que já fiz, sonho por C que já vi D da E com quem já fiz G - coisa que o F tanto sonhou.
(Suspiro)
O escritor continua a desenvolver a ideia de que se modela como o mesmo coisas que, não sendo o mesmo, por algum motivo talvez o mesmo sejam.
II
Aplausos à criação artistica tão vulgarmente avaliada num estabelecimento que, tendo matriz jacobiana com determinante não nulo e logo por isso quadrada, de ganadaria só é o inverso.
Aplausos então a Noé que, já velho de mais para jogar no moreirense, nos seus tempos fez os possíveis para que os estádios hoje estivessem cheios.
segunda-feira, dezembro 11, 2006
Sobre o que acabar por ser.
Um dia a mais entre outros que são cada vez menos.
Estou na faculdade. Reparem na força da palavra faculdade: faculdade, faculdade. Repito isto mais uma vez. E outra e outra.
Estivesse o Sr. Ferreira certo, perdesse o sentido. Estivesse o filosofo certo: que a consciência dos limites nos concedesse a liberdade. Que o peso dos grilhões acabasse por os diluir numa consciência que, por consciente, só mais nos pesa.
Porque é que não se aplica tudo o que é bonito de ler? Porquê?
Faculdade, faculdade. Faculdade e mais infinito...
e
SÓ ME SINTO
claustrofóbico.
Estou na faculdade. Reparem na força da palavra faculdade: faculdade, faculdade. Repito isto mais uma vez. E outra e outra.
Estivesse o Sr. Ferreira certo, perdesse o sentido. Estivesse o filosofo certo: que a consciência dos limites nos concedesse a liberdade. Que o peso dos grilhões acabasse por os diluir numa consciência que, por consciente, só mais nos pesa.
Porque é que não se aplica tudo o que é bonito de ler? Porquê?
Faculdade, faculdade. Faculdade e mais infinito...
e
SÓ ME SINTO
claustrofóbico.
sábado, dezembro 09, 2006
Um humilde regresso.
Sidoro já ha muito que nao escreve. Ou pelo menos não o faz como soía. Pensa mais do que antes e , se mesmo que por pensar, compõe mais linhas pelo mesmo acto menos escreve.
Antigamente era mais simples. Simplesmente saía um texto completamente irracional e de sentido mais dúbio que outra coisa qualquer.
A verdade é que só assim Sidoro, por ser egoista, como tantas outras pessoas tão bem o definem, fica feliz com a sua escrita - só assim verdadeiramente é dele.
A questão que se pode colocar, ele a ele, pois o leitor não interessa nem um bocadiho à escrita de um livro de memórias transcrito somente com o intuito de ser percebido mais tarde pelo seu escritor - Sidoro escreve àrabe da esquerda para a direita sem saber o que àrabe é -, é: "Por que raio é que tu" - melhor ainda - "por que raio é que eu me propus escrever dessa forma?"
Por malicia podia deixar a questão no ar mas um egoísta pode ser bonzinho e esse é o caso de Sidoro.
Por vezes um homem, ou criança, tanto faz, sente a necessidade de mudar e, se o decide fazer, é porque, mesmo que por erro da mente, acha que é num sentido de crescimento que o faz. Foi isso que se passou com Sidoro. Egoista, mas, como podem ver, bom e agora consciente.
Quantas vezes não falara ele de mudar por reacção, por sucessão de acontecimentos, para depois ir contra a sua lógica: p'lo menos agora percebeu.
Percebeu que daquela forma nada escrevia, mas isso era o bom do mau. Por pensar não era ele, não era sincero; forjava tudo quando só pouco ou parte queria partilhar com ele próprio no futuro.
Ironicamente por pensar era um idiota. Fatalmente e agora acaba a crescer.
Antigamente era mais simples. Simplesmente saía um texto completamente irracional e de sentido mais dúbio que outra coisa qualquer.
A verdade é que só assim Sidoro, por ser egoista, como tantas outras pessoas tão bem o definem, fica feliz com a sua escrita - só assim verdadeiramente é dele.
A questão que se pode colocar, ele a ele, pois o leitor não interessa nem um bocadiho à escrita de um livro de memórias transcrito somente com o intuito de ser percebido mais tarde pelo seu escritor - Sidoro escreve àrabe da esquerda para a direita sem saber o que àrabe é -, é: "Por que raio é que tu" - melhor ainda - "por que raio é que eu me propus escrever dessa forma?"
Por malicia podia deixar a questão no ar mas um egoísta pode ser bonzinho e esse é o caso de Sidoro.
Por vezes um homem, ou criança, tanto faz, sente a necessidade de mudar e, se o decide fazer, é porque, mesmo que por erro da mente, acha que é num sentido de crescimento que o faz. Foi isso que se passou com Sidoro. Egoista, mas, como podem ver, bom e agora consciente.
Quantas vezes não falara ele de mudar por reacção, por sucessão de acontecimentos, para depois ir contra a sua lógica: p'lo menos agora percebeu.
Percebeu que daquela forma nada escrevia, mas isso era o bom do mau. Por pensar não era ele, não era sincero; forjava tudo quando só pouco ou parte queria partilhar com ele próprio no futuro.
Ironicamente por pensar era um idiota. Fatalmente e agora acaba a crescer.
quinta-feira, setembro 21, 2006
Parti da terra que não minha por mais tempo me albergou e que por menos, por não ser minha, me teve como sou; o não conhecimento das duas partes muito mais facil torna a certeza de juizos que, mesmo injustos, justamente serão inspirados naquilo em que se ve, ouve, ou melhor, que se sente.
Parti do mesmo sitio e lá chegado por um caminho diferente com a mesma chegada eu, como antes, só dela me despedi.
antes de partir perguntou-me se custara a fechar a mala que só com o meu peso pluma se fechou. Chorei. Disse que sim e, depois, que não custou fazê-la. Até a roupa foi dobrada para mais tempo ter: organizei-a, fechei-a com o cuidado que um checo tem até a virar a pagina de um jornal. NÂO O QUERIA FAZER: UMA MALA FEITA OU DESFEITA NUM CANTO A ESPERA SIGNIFICAM SEMPRE O MESMO, O MESMO!
Nao viajo, parto, e isso implica regresso em tempo indefinido. E ao chegar é o meu pai quem me leva.
Volto a rotina de uma vila que é cidade.
Choro p'lo que deixei p'lo que foi e pelo deixar.
Parti do mesmo sitio e lá chegado por um caminho diferente com a mesma chegada eu, como antes, só dela me despedi.
antes de partir perguntou-me se custara a fechar a mala que só com o meu peso pluma se fechou. Chorei. Disse que sim e, depois, que não custou fazê-la. Até a roupa foi dobrada para mais tempo ter: organizei-a, fechei-a com o cuidado que um checo tem até a virar a pagina de um jornal. NÂO O QUERIA FAZER: UMA MALA FEITA OU DESFEITA NUM CANTO A ESPERA SIGNIFICAM SEMPRE O MESMO, O MESMO!
Nao viajo, parto, e isso implica regresso em tempo indefinido. E ao chegar é o meu pai quem me leva.
Volto a rotina de uma vila que é cidade.
Choro p'lo que deixei p'lo que foi e pelo deixar.
quinta-feira, julho 27, 2006
Daqui a nada vou-me embora ou assim espero eu. Tenho de acordar cedo só mais um dia, só mais um dia e depois durmo, ou assim espero eu.
Nunca tive um momento de responsabilidade mais longo do que segundo e assim esperava eu que fosse sempre. Nunca tive um sentimento que se prolongasse por mais que uns dias e assim esperava que fosse sempre.
Esperando esperei e agora que o fiz vejo que de nada me serve esperar. Já não acredito no futuro que prevejo já que, como as caras, não o consigo ver que não de uma forma incerta. Sou ingénuo como a maturidade, sim a maturidade, o permite; estou velho de mais para ver para além das minhas certezas criadas em estimativas marteladas em segundos. Sim, já me imbebi no que um mês vi os outros fazerem; velho mas aprendo, mudo continuando velho.
Constantemente me lembro do que via e que, mesmo não vendo, sei que continua lá. O mar que com luz estava à minha direita e que sem ela à minha esquerda estava, isto se olhasse na direcção em que ia - tantas vezes foram as que não encarei o meu destino. A beleza de uma àrvore que, como eu, era cercada por um bando de pedras frias; limites à expansão do que a suportava estando a base consolidada no que relativamente era cada vez mais pequeno.
Mas via tão mais tão mais:
a fadiga não só consome o corpo: um esforço é um esforço, um ponto cada vez mais implica o fim.
Nunca tive um momento de responsabilidade mais longo do que segundo e assim esperava eu que fosse sempre. Nunca tive um sentimento que se prolongasse por mais que uns dias e assim esperava que fosse sempre.
Esperando esperei e agora que o fiz vejo que de nada me serve esperar. Já não acredito no futuro que prevejo já que, como as caras, não o consigo ver que não de uma forma incerta. Sou ingénuo como a maturidade, sim a maturidade, o permite; estou velho de mais para ver para além das minhas certezas criadas em estimativas marteladas em segundos. Sim, já me imbebi no que um mês vi os outros fazerem; velho mas aprendo, mudo continuando velho.
Constantemente me lembro do que via e que, mesmo não vendo, sei que continua lá. O mar que com luz estava à minha direita e que sem ela à minha esquerda estava, isto se olhasse na direcção em que ia - tantas vezes foram as que não encarei o meu destino. A beleza de uma àrvore que, como eu, era cercada por um bando de pedras frias; limites à expansão do que a suportava estando a base consolidada no que relativamente era cada vez mais pequeno.
Mas via tão mais tão mais:
a fadiga não só consome o corpo: um esforço é um esforço, um ponto cada vez mais implica o fim.
sábado, julho 22, 2006
Depois da vacina
O inútil aparente, nas horas de maior esforço, o trabalho dilui e a cabeça não vê porque, de olhos fechados, caminha. Não escrevo há tanto e, assim, acumulo o que um dia vou procurar por tópicos escritos em post-its que o vento, o tempo ainda não terá levado.
Daqui a pouco, até este momento, será incerto. Nem o céu, que me pede para impressionar um filme, com raios de sol que ele próprio separa, me ficará na memória, para além da forma como foi escrita.
Estou no mesmo comboio que há três anos uso, mas não como antes me sento nele. Ainda me lembro de como era, isto só porque antes foi. Cantava, dormia, estudava, escrevia, sei lá... Entre vidros e metal e plástico e gente, mas fazia-o sozinho como se as paredes, coladas a mim, me dessem a solidão que eu sempre sentira.
Olhava para os outros e ria-me, ria-me, RIA-ME! Tão pequenos, não com vida, com rotina, com a expressão vazia que o consentimento permite. Agora olho para o vidro que antes me isolava quando não me dava o mundo e que eu queria, queria para mim e, por vezes vejo-me e nessas vezes sempre vejo o que neles via.Sou mais um corpo que é levado "um cadáver adiado" porque o queria.
Deixo um pão no caminho que espero um dia percorrer ao contrário, mas tem prazo o que a Deus agradecemos, e o que aos olhos de Deus nos é roubado.
Alguém se matou em Belém. Não gostava do que via, o cobarde foi racional.
Daqui a pouco, até este momento, será incerto. Nem o céu, que me pede para impressionar um filme, com raios de sol que ele próprio separa, me ficará na memória, para além da forma como foi escrita.
Estou no mesmo comboio que há três anos uso, mas não como antes me sento nele. Ainda me lembro de como era, isto só porque antes foi. Cantava, dormia, estudava, escrevia, sei lá... Entre vidros e metal e plástico e gente, mas fazia-o sozinho como se as paredes, coladas a mim, me dessem a solidão que eu sempre sentira.
Olhava para os outros e ria-me, ria-me, RIA-ME! Tão pequenos, não com vida, com rotina, com a expressão vazia que o consentimento permite. Agora olho para o vidro que antes me isolava quando não me dava o mundo e que eu queria, queria para mim e, por vezes vejo-me e nessas vezes sempre vejo o que neles via.Sou mais um corpo que é levado "um cadáver adiado" porque o queria.
Deixo um pão no caminho que espero um dia percorrer ao contrário, mas tem prazo o que a Deus agradecemos, e o que aos olhos de Deus nos é roubado.
Alguém se matou em Belém. Não gostava do que via, o cobarde foi racional.
quarta-feira, junho 21, 2006
quase o fm
o tempo navega por entre as aguas que, quando parecem inflamaveis, tem ainda correntes mais fortes. Aos poucos desemembra-nos e, olhando paar os nossos lados, vemos qeu tudo aqilo que já nos era normal, que tornava o novo a nossa casa aos poucos nao está lá.
Trocamos endereços electronicos. Esboçamos uma cara talvez triste. Acenamos um adeus enquanto aguentamos as lagrimas que talvez se queiram dar ao mundo.
O que tanto me deu num insatante se foi. Acaba o erasmus e eu parto no fim.
Trocamos endereços electronicos. Esboçamos uma cara talvez triste. Acenamos um adeus enquanto aguentamos as lagrimas que talvez se queiram dar ao mundo.
O que tanto me deu num insatante se foi. Acaba o erasmus e eu parto no fim.
quarta-feira, maio 24, 2006
Ainda não dormi hj. Sei que o vou fazer mas não sei quando, e nao estranho porque estranho sou. O sono apodera-se aos poucos de mim. Daqui a nada vou para casa dormir sendo o quase tão definivel como a palavra que, de certa forma, quantifica.
O mulatito está sentado no canto com o embaraço da cor, e o peso da mala que ainda mais pesa por ser negra ao colo. a puta, sua mãe, senta-se ao lado com a mesma indiferença que, nem quando fode, é indistinguivel.
Um senhor de tez árabe mas que sei não o ser olha, de lado, para mim pois está a meu lado. A puta olha-me de frente e o mulatito, não interessado por nada, olha a estrada deserta como o significado que talvez procure ou que, um dia, se veja a procurar.
Asko é o nome da loja anunciada no carta e mensagem que há pouco li tinha no meio Kona. Que país estranho este
O mulatito está sentado no canto com o embaraço da cor, e o peso da mala que ainda mais pesa por ser negra ao colo. a puta, sua mãe, senta-se ao lado com a mesma indiferença que, nem quando fode, é indistinguivel.
Um senhor de tez árabe mas que sei não o ser olha, de lado, para mim pois está a meu lado. A puta olha-me de frente e o mulatito, não interessado por nada, olha a estrada deserta como o significado que talvez procure ou que, um dia, se veja a procurar.
Asko é o nome da loja anunciada no carta e mensagem que há pouco li tinha no meio Kona. Que país estranho este
Sue me
O ceu perdera a cor estava cinza
As árvores c'o vento baloiçavam
Como as mulheres ouviam mas nao davam
Parecia que ia chover mas nao chovia
O arder do cigarro rubro ardia
A rua estava deserta nao passavam
mais que instantes por mim tanto duravam
com o café saboreava o dia.
Vertera em mim o que bebera sujo
nao como antes estava tinha o chao
de destino algo: o céu de feio fere.
O vento quando passa traz e perde
tudo o que a mim estava. A um defunto
nada mais dura que uma só canção.
tem-se a noite c'o negro sem sentido
nada mais lhe atribui falta de cor
é tão pouca esta luz o monitor
so da a mente se nao tem castigo.
No escuro vem o medo: estou sozinho
no escuro fujo do que quer que for
mas basta a manha vir que posso por
no que antes n tinha um qualquer sentido.
Todo o começo fim de algo é. E chega
com uma cançao sempre e sempre certa
mesmo que diga olá c'o a despedida.
Assim as noites nao sao noites vida
tenho com outra luz: manhã incerta
em q a tristeza me dorme e o corpo aguenta.
As árvores c'o vento baloiçavam
Como as mulheres ouviam mas nao davam
Parecia que ia chover mas nao chovia
O arder do cigarro rubro ardia
A rua estava deserta nao passavam
mais que instantes por mim tanto duravam
com o café saboreava o dia.
Vertera em mim o que bebera sujo
nao como antes estava tinha o chao
de destino algo: o céu de feio fere.
O vento quando passa traz e perde
tudo o que a mim estava. A um defunto
nada mais dura que uma só canção.
tem-se a noite c'o negro sem sentido
nada mais lhe atribui falta de cor
é tão pouca esta luz o monitor
so da a mente se nao tem castigo.
No escuro vem o medo: estou sozinho
no escuro fujo do que quer que for
mas basta a manha vir que posso por
no que antes n tinha um qualquer sentido.
Todo o começo fim de algo é. E chega
com uma cançao sempre e sempre certa
mesmo que diga olá c'o a despedida.
Assim as noites nao sao noites vida
tenho com outra luz: manhã incerta
em q a tristeza me dorme e o corpo aguenta.
sábado, maio 20, 2006
o motivo
Já não escrevo há muito neste sitio. Falta-me o comboio para casa, a tristeza que não tinha só nela e o monótono a que ela pertencia. Não sou assim triste.
Tudo é diferente numa terra que também o é. Até a língua que ouço não é triste é estúpida como o que eu deveria ter e, permitido pela nao compreensao e transformação mais que positiva do conteudo de uma conversa, sou assim feliz.
Mas a mudança não é restrita. Aqui não sou o eu que era, sou o eu que sou e que, por medo, tinha um mundo plano de cores diversas cortado frequentemente pelo que um Deus menos escrevia - um ser de divino não por comparação e cuja existência comprovo pela sua habilidade de pensar. Ou o que assim apelido nao tendo a certeza do que é.
Que merda. J´achega de intervenção divina. Linhas certas com escrita mais que torta torcida
Tudo é diferente numa terra que também o é. Até a língua que ouço não é triste é estúpida como o que eu deveria ter e, permitido pela nao compreensao e transformação mais que positiva do conteudo de uma conversa, sou assim feliz.
Mas a mudança não é restrita. Aqui não sou o eu que era, sou o eu que sou e que, por medo, tinha um mundo plano de cores diversas cortado frequentemente pelo que um Deus menos escrevia - um ser de divino não por comparação e cuja existência comprovo pela sua habilidade de pensar. Ou o que assim apelido nao tendo a certeza do que é.
Que merda. J´achega de intervenção divina. Linhas certas com escrita mais que torta torcida
domingo, março 12, 2006
349 - O primeiro de praga
a caminho de casa ulisses parou em praga entre gente que, como antes ou sempre, nunca irá conhecer. nesse instante parou, fechou os olhos e pensou até que viu!
domingo, novembro 27, 2005
II
P'ra me ver debruço-me sobre um livro escrito por um que nem sequer era. É triste mas eu também o sou e, por o ser, é tão mais difícil.
I
Voltei a ler Bernardo Soares e, o pouco que li, deu-me vontade de chorar por ser meu o seu desassossego. A compreensão implica infelicidade, o que dizer de mim que me identifico?
A vida tem uma banda sonora que mesmo diferindo é a mesma ao longo de um dia e eu tenho tanto para ouvir. Saí do comboio e, já no caminho de sempre, passaram por mim os carros que, nunca iguais, me fazem sentir sempre inveja. Não por eu pisar sempre o mesmo piso que aos poucos me gasta os pés. Dá-me uma sensação de conforto saber que, mais tarde ou mais cedo, vou chegar à casa talvez desfeita por aquele que supostamente a criou.
Tenho os pés molhados. Sinto neles e nas mãos o frio que só agora, por distracção, me dá entender que o Inverno finalmente chegou. E eu, tal como ele, me vou escondendo, mesmo que menos, num nome que não possuo.
Agora percebo que é meu o que me faz tremer.
A vida tem uma banda sonora que mesmo diferindo é a mesma ao longo de um dia e eu tenho tanto para ouvir. Saí do comboio e, já no caminho de sempre, passaram por mim os carros que, nunca iguais, me fazem sentir sempre inveja. Não por eu pisar sempre o mesmo piso que aos poucos me gasta os pés. Dá-me uma sensação de conforto saber que, mais tarde ou mais cedo, vou chegar à casa talvez desfeita por aquele que supostamente a criou.
Tenho os pés molhados. Sinto neles e nas mãos o frio que só agora, por distracção, me dá entender que o Inverno finalmente chegou. E eu, tal como ele, me vou escondendo, mesmo que menos, num nome que não possuo.
Agora percebo que é meu o que me faz tremer.
quinta-feira, novembro 17, 2005
300 e tal
I
No comboio como sempre
Já faz parte de um dia esta viagem
que p'lo mesmo passando só difere
naqueles que a compõe que outras trazem
vidas que não a minha e que os rege.
mesmo que a outro lado, isto é passagem,
eu certo vá, o fado, à priori, mete
cada um numa incerta carruagem
Parece que depende e a vida cede.
mas no fundo só iludem os sentidos,
que mesmo sendo meus não concebi.
Penso por isso no que já não vejo.
Estou nesta carruagem ( é castigo?)
Dum comboio qualquer que antes vi
Quero o mundo, mas eu, só eu, não deixo.
II
No palacete das chagas não especificadas mas que presumo serem cinco
Sou tão pequenino entre estas paredes de pedra
nem o reflexo no mármore que piso me dá ilusão de ser maior.
Quero saltar, tocar no tecto
e agora que quero não consigo.
Sou tão pequenino.
Tinha medo antes de entrar
depois parece que o medo se foi
anseio p'lo depois
mesmo que n mostre quanto valho.
Sou tão pequenino.
Estou num canto
quase que o preencho
sou tão pequenino
estou sozinho
não o quero e mereço.
III
Segundos antes da entrevista propriamente dita
O que me reveste talvez seja eu
num futuro assim não tão distante
o que me reveste quase doeu
mas o que dói é o que se perde.
O que mais custa é o andar
nestes sapatos que mal usei
o que me veste eu gastei
ao deixar no armário que me cobria.
Será que me escondo aqui dentro
será que peco e me iludo
sou um miúdo fosse graúdo
soubesse que a vida é uma merda
Merda é mas vive-se
preciso de ajuda p'ra andar e sei-o
o teste só se faz porque veio
um salvador que não salva tudo.
Estou sozinho neste mundo
Piso o chão com medo de sombras
Se não fossem as pessoas
se fosse só eu era feliz.
IV
Depois no armazém mais próximo.
a)
Um copinho pequenito que vale um €
Um pão com carne que um € vale
e eu tão grande sem saber o que dão por mim.

b)
"Até segunda dizemos qualquer coisa". A seguir só se deram as despedidas.
Respondi, expus-me e, ao contrário do resto, não sei o que esperar. Gosto de conhecer os critérios, as bases para um julgamento que, a meu ver, importa. Simplesmente nada é simples e só um bocado é como queremos.
Expus-me como disse. Mostrei o meu pensar mesmo que contraído p'lo nervosismo que só temos quando algo importa. No fundo quero que se abra, talvez aqui, um pouco mais do meu futuro.
Estou sentado mas não é assim que espero. Espero talvez até segunda e, mesmo que sentado, por esperar, por importar, não o faço como aparento. Estou a correr; estou a cansar-me. O coração bate como se vivesse como não vivo.
Pensar agora tem o esforço o que só o ventilan permite.
VI
a)
Tudo se cinge a uma ou outra pequena coisa.
Reside somente o problema no seu não conhecimento.
A ignorância traz por vezes desvantagens
claro que menores que a sua alegria.
Estou neste ponto de paragem
sento-me numa mesa qualquer
raras vezes é a mesma de seguida
fico sentado até ela partir.
Quem olha e não vê não compreende
estes pequenos gestos que compõe o dia
estes pequenos nadas que somados dão tudo
Tudo
p'ra que é que é o resto?
Panóplias de reflexos que nem sequer assumimos.
Quero um cigarro quero-o e não o sei sabendo-o
quero que ela chegue
quero e quero que seja assim.

P.S.: I'm blue, just a little blue, and because I'm nervous a bit yellow. So I'm green or I seem to have that colour. Okay, it doesn't matter. I'm blue and yellow and altough I need hope I'm not green.
b)
+ 1 p'ro caminho; + 1 p'ra espera.

VII

Até que acabou.
Estou feliz
estou feliz mesmo que de uma forma relativa.
Mostrei-me e passei
mostrei-me e ouvi
o que queria.
Foi um dia que começou tarde
uma coisa grande mesmo que talvez pequena
Resolvi dois problemas
Todos de uma vez.
No comboio como sempre
Já faz parte de um dia esta viagem
que p'lo mesmo passando só difere
naqueles que a compõe que outras trazem
vidas que não a minha e que os rege.
mesmo que a outro lado, isto é passagem,
eu certo vá, o fado, à priori, mete
cada um numa incerta carruagem
Parece que depende e a vida cede.
mas no fundo só iludem os sentidos,
que mesmo sendo meus não concebi.
Penso por isso no que já não vejo.
Estou nesta carruagem ( é castigo?)
Dum comboio qualquer que antes vi
Quero o mundo, mas eu, só eu, não deixo.
II
No palacete das chagas não especificadas mas que presumo serem cinco
Sou tão pequenino entre estas paredes de pedra
nem o reflexo no mármore que piso me dá ilusão de ser maior.
Quero saltar, tocar no tecto
e agora que quero não consigo.
Sou tão pequenino.
Tinha medo antes de entrar
depois parece que o medo se foi
anseio p'lo depois
mesmo que n mostre quanto valho.
Sou tão pequenino.
Estou num canto
quase que o preencho
sou tão pequenino
estou sozinho
não o quero e mereço.
III
Segundos antes da entrevista propriamente dita
O que me reveste talvez seja eu
num futuro assim não tão distante
o que me reveste quase doeu
mas o que dói é o que se perde.
O que mais custa é o andar
nestes sapatos que mal usei
o que me veste eu gastei
ao deixar no armário que me cobria.
Será que me escondo aqui dentro
será que peco e me iludo
sou um miúdo fosse graúdo
soubesse que a vida é uma merda
Merda é mas vive-se
preciso de ajuda p'ra andar e sei-o
o teste só se faz porque veio
um salvador que não salva tudo.
Estou sozinho neste mundo
Piso o chão com medo de sombras
Se não fossem as pessoas
se fosse só eu era feliz.
IV
Depois no armazém mais próximo.
a)
Um copinho pequenito que vale um €
Um pão com carne que um € vale
e eu tão grande sem saber o que dão por mim.

b)
"Até segunda dizemos qualquer coisa". A seguir só se deram as despedidas.
Respondi, expus-me e, ao contrário do resto, não sei o que esperar. Gosto de conhecer os critérios, as bases para um julgamento que, a meu ver, importa. Simplesmente nada é simples e só um bocado é como queremos.
Expus-me como disse. Mostrei o meu pensar mesmo que contraído p'lo nervosismo que só temos quando algo importa. No fundo quero que se abra, talvez aqui, um pouco mais do meu futuro.
Estou sentado mas não é assim que espero. Espero talvez até segunda e, mesmo que sentado, por esperar, por importar, não o faço como aparento. Estou a correr; estou a cansar-me. O coração bate como se vivesse como não vivo.
Pensar agora tem o esforço o que só o ventilan permite.
VI
a)
Tudo se cinge a uma ou outra pequena coisa.
Reside somente o problema no seu não conhecimento.
A ignorância traz por vezes desvantagens
claro que menores que a sua alegria.
Estou neste ponto de paragem
sento-me numa mesa qualquer
raras vezes é a mesma de seguida
fico sentado até ela partir.
Quem olha e não vê não compreende
estes pequenos gestos que compõe o dia
estes pequenos nadas que somados dão tudo
Tudo
p'ra que é que é o resto?
Panóplias de reflexos que nem sequer assumimos.
Quero um cigarro quero-o e não o sei sabendo-o
quero que ela chegue
quero e quero que seja assim.

P.S.: I'm blue, just a little blue, and because I'm nervous a bit yellow. So I'm green or I seem to have that colour. Okay, it doesn't matter. I'm blue and yellow and altough I need hope I'm not green.
b)
+ 1 p'ro caminho; + 1 p'ra espera.

VII

Até que acabou.
Estou feliz
estou feliz mesmo que de uma forma relativa.
Mostrei-me e passei
mostrei-me e ouvi
o que queria.
Foi um dia que começou tarde
uma coisa grande mesmo que talvez pequena
Resolvi dois problemas
Todos de uma vez.
domingo, outubro 09, 2005
345 No comboio numa folha com grande capacidade de absorção
É mole demais p'ra escrever o papel.
Parece um coração daqueles que abusamos
daqueles que de fracos queremos p'ra nós.
Precisava de um suporte qualquer,
a perna cansada não servia de tanto andar
sem a carteira nada se veria.
Chove
parece que guardei as palavras para este dia
Já não sabia o que era o frio.
A viagem sabe mais a monotonia
o dia está tão mais escuro que aqui
lá fora só se vê o reflexo de onde estou
Resume-se então o mundo a isto:
uma carruagem quase cheia
mas vazia no que a preenche
Um bando de gente diferente em tudo
mas que no fundo sofre do mesmo.
Está tudo sentado fora a senhora que vai sair.
Quem não está só ri-se
Quem está inveja-os e perde tempo em merdas
com que suja o papel que acaba por servir p'ro que serve.
Estou quase, estou quase a chegar.
Está a chover,
Vou-me molhar
do que havia já não há.
Parece um coração daqueles que abusamos
daqueles que de fracos queremos p'ra nós.
Precisava de um suporte qualquer,
a perna cansada não servia de tanto andar
sem a carteira nada se veria.
Chove
parece que guardei as palavras para este dia
Já não sabia o que era o frio.
A viagem sabe mais a monotonia
o dia está tão mais escuro que aqui
lá fora só se vê o reflexo de onde estou
Resume-se então o mundo a isto:
uma carruagem quase cheia
mas vazia no que a preenche
Um bando de gente diferente em tudo
mas que no fundo sofre do mesmo.
Está tudo sentado fora a senhora que vai sair.
Quem não está só ri-se
Quem está inveja-os e perde tempo em merdas
com que suja o papel que acaba por servir p'ro que serve.
Estou quase, estou quase a chegar.
Está a chover,
Vou-me molhar
do que havia já não há.
quinta-feira, setembro 22, 2005
340 Moledo III

Dançava.
Mudou de expressão
não tão devagarinho.
Coitadinha da menina que se assustou.
Levantou a mão
apontou os defeitos
Como se o primeiro
fosse o último.
337
ironicamente,
ao som de chopin
Preencho o branco do monitor.
Tento escrever alguma coisa por mais pequenina que seja...
Chego ao fim e apago tudo com o pressionar mais longo de uma tecla,
Não consigo, não consigo, não consigo.
Estou velho, ou é assim que me sinto simplesmente
E em segundos tão longos como a vida
o que em minutos se fez se vai.
Só mais um p'ro caminho penso eu livremente inspirado em Palma
Só mais um verso antes de dormir ou de ir ver filmes sem som.
Vícios, vícios que preenchem as horas de insónia
Horas de insónia que só servem p'ros vícios.
E os cigarros onde estão?
______________________________________________
ao som de chopin
Preencho o branco do monitor.
Tento escrever alguma coisa por mais pequenina que seja...
Chego ao fim e apago tudo com o pressionar mais longo de uma tecla,
Não consigo, não consigo, não consigo.
Estou velho, ou é assim que me sinto simplesmente
E em segundos tão longos como a vida
o que em minutos se fez se vai.
Só mais um p'ro caminho penso eu livremente inspirado em Palma
Só mais um verso antes de dormir ou de ir ver filmes sem som.
Vícios, vícios que preenchem as horas de insónia
Horas de insónia que só servem p'ros vícios.
E os cigarros onde estão?
______________________________________________
337
Tivesse a paciência para escrever
Versos coerentes, objectivos, certos.
Sujo o papel e já nem penso restos
Do tempo que é perdido vou perder.
Tudo o que faço só me serve a ter
Mais que uns segundos vãos e não dispersos
Aos outros eu não minto sou sincero
tudo o que vejo não no fim vou ver.
Já nada me interessa e m'espanto.
Sujo estas mãos com tão dif'rente sina.
Onde estás tu do que é antigo amiga?
Onde estará o que ao fim dá sentido?
A incerteza é isto um castigo,
E não passa a consciência deste pranto.
Versos coerentes, objectivos, certos.
Sujo o papel e já nem penso restos
Do tempo que é perdido vou perder.
Tudo o que faço só me serve a ter
Mais que uns segundos vãos e não dispersos
Aos outros eu não minto sou sincero
tudo o que vejo não no fim vou ver.
Já nada me interessa e m'espanto.
Sujo estas mãos com tão dif'rente sina.
Onde estás tu do que é antigo amiga?
Onde estará o que ao fim dá sentido?
A incerteza é isto um castigo,
E não passa a consciência deste pranto.
sexta-feira, agosto 26, 2005
336 - Pathos
As cordas da guitarra ainda vibram depois de a deixar no chão. Tentei tocar o que em mim trago mas a incapacidade dos meus dedos não o permitiu.
Chorei há bocado.
Não tenho cabelo. Toco no meu crânio e sinto a pele coberta da barba que anseio ter como prova da minha maturidade. Olho para o chão e ao mesmo tempo em que verto as lágrimas que acumulei, faltando suporte para as hastes, caiem-me os óculos ao chão.
A tristeza tira-nos a visão: pensamos.
Chorei há bocado.
Não tenho cabelo. Toco no meu crânio e sinto a pele coberta da barba que anseio ter como prova da minha maturidade. Olho para o chão e ao mesmo tempo em que verto as lágrimas que acumulei, faltando suporte para as hastes, caiem-me os óculos ao chão.
A tristeza tira-nos a visão: pensamos.
II
Aos poucos ficamos sem membros e a casa enorme perde o sentido. Olhamos p'ro lado e nos quartos já não há sinal da vida que um dia soubemos que gerámos. De súbito choramos.
III
Falei-lhe. Estava deveras triste.
IV
Os olhos já estão secos e depois de abertos só veêm o que naturalmente não é nosso. Gritamos mas só ouve quem quer e quem quer gritos é parvo. Está longe, tudo está longe de nós.
335 -Férias 2005 (I)

A puta da vida.
já estou farto de eufemismos
de pessoas
moralmente
correctas.
Eu sinto
mas também quero
e o apetite
traz dor
quando não saciado.
Fds,
não é pedir muito:
quando se gosta
não cansa.
Não adianta escrever
Já não vale a pena
passou:
daqui a nada já se esquece.
segunda-feira, julho 25, 2005
334 - Para a única pessoa cujo sangue resulta da mesma mistura que o meu
A vida é um jogo complicado e por sê-lo tem regras que julgamos perceber por causualidade. No fundo ninguém as sabe e aqueles que pensam o contrário vendem livros sobre o assunto. Não comento o conteúdo já que escrever não é comigo, muito menos pensar numa coisa tão complicada, porém é de louvar o seu esforço pois o tabuleiro não é propriamente pequeno e segundo se crê não é plano.
Antes de acabarmos o jogo, nunca de livre vontade já que nalgumas edições isto é considerado batota, temos de dar alguns passos, parar em algumas casas e até por vezes tomar decisões tendo sempre em conta o que se passa à nossa volta. Parece complicado mas se perceberem de estatística verão que não é assim tão simples mas bastante mais complicado que isso *.
*(vão ter de pensar um bocado se quiserem chegar a esta conclusão, se não quiserem acreditem em mim, caso contrário vão ao apêndice 3 deste livro pp 2-53252362363263263263262362623623) .
Antes de acabarmos o jogo, nunca de livre vontade já que nalgumas edições isto é considerado batota, temos de dar alguns passos, parar em algumas casas e até por vezes tomar decisões tendo sempre em conta o que se passa à nossa volta. Parece complicado mas se perceberem de estatística verão que não é assim tão simples mas bastante mais complicado que isso *.
*(vão ter de pensar um bocado se quiserem chegar a esta conclusão, se não quiserem acreditem em mim, caso contrário vão ao apêndice 3 deste livro pp 2-53252362363263263263262362623623) .
quinta-feira, julho 21, 2005
332 - Um pouco de pimenta e sal q.b. e um escritor bloqueado p'ra enfeitar.
Um pouco de pimenta e sal q.b. só ajudam a insinuar o sabor de algo que acabamos por provar antes de colocarmos na mesa. Existe sempre uma expressão que, de uma forma resumida, nos mostra as características essenciais de cada artesão e um bom cozinheiro, ao longo do processo de confecção, experimenta o que, em tachos ou em bancadas, ganha forma.
Acho que é bastante simples esta analogia. Volto p'ra trás e leio tentando esquecer a conclusão. Basta uma linha ou até nem isso a um escritor bloqueado p'ra enfeitar.
Acho que é bastante simples esta analogia. Volto p'ra trás e leio tentando esquecer a conclusão. Basta uma linha ou até nem isso a um escritor bloqueado p'ra enfeitar.
quinta-feira, junho 23, 2005
331
O choro trazia-me alívio. Doiem-me os olhos p'lo que deles jorrou. O que é certo dá-me felicidade, tudo o resto so aumenta a minha tristeza.
Um homem chora - não digam que não. Custa-lhe é fazê-lo. Já lhe dói o ser; p'ra quê trazer dor ao corpo?
Um homem chora - não digam que não. Custa-lhe é fazê-lo. Já lhe dói o ser; p'ra quê trazer dor ao corpo?
segunda-feira, junho 20, 2005
330 Num café qualquer
I
Sem corantes nem conservantes fez-se o sumo.
Bebo-o.
Perdi o comboio e espero
Enquanto o faço bebo.
O cigarro que é sempre o último arde
sobre o cinzeiro que o publicita.
Escrevo sobre um guardanapo
Enquanto espero espero que não acabe.
II
1
Vivo em funçao do incerto
Dos sonhos que p'ra mim tenho
Quanto mais avanço eu venho
A saber que são só restos.
Nada depende de mim.
Quando afinal só depende
Estou a beber, tenho sede,
Só tenho a saber o fim.
Se aqui estou é por querer
Não querendo eu o motivo
Tudo aquilo porque vivo
Faço-o só por viver.
2
Quero um ufano destino
Não tendo aquilo que quero
P'los sonhos eu só espero
Esperar é meu castigo.
Não me mexo, nada faço,
Como se a mim fossem ter
Acabo então por por perder
O caminho por um passo.
E mesmo vendo não mudo.
Tudo percebo. E então?
Ao vento abro mais a mão
Como a ela fosse tudo.
III
1
Um só sorriso tudo dá
-não interessa quanto dura.
Elimina-o
no fundo ele fica
"Sorria"
assim me lembro.
2
defino-a p'lo contrário
"um bébé gordo e feio".
P'ra quê dizer o que é?
Quando estamos juntos é tão pequenina
Tão pequenina quanto eu.
Só me apetece dar-lhe miminhos
E nós
(Tão pequeninos)
Fazemo-lo sem inocência.
Vezes sem conta perguntamos o que é certo
- gostamos de o ouvir.
Despedimo-nos sem dizer
adeus.
Sem corantes nem conservantes fez-se o sumo.
Bebo-o.
Perdi o comboio e espero
Enquanto o faço bebo.
O cigarro que é sempre o último arde
sobre o cinzeiro que o publicita.
Escrevo sobre um guardanapo
Enquanto espero espero que não acabe.
II
1
Vivo em funçao do incerto
Dos sonhos que p'ra mim tenho
Quanto mais avanço eu venho
A saber que são só restos.
Nada depende de mim.
Quando afinal só depende
Estou a beber, tenho sede,
Só tenho a saber o fim.
Se aqui estou é por querer
Não querendo eu o motivo
Tudo aquilo porque vivo
Faço-o só por viver.
2
Quero um ufano destino
Não tendo aquilo que quero
P'los sonhos eu só espero
Esperar é meu castigo.
Não me mexo, nada faço,
Como se a mim fossem ter
Acabo então por por perder
O caminho por um passo.
E mesmo vendo não mudo.
Tudo percebo. E então?
Ao vento abro mais a mão
Como a ela fosse tudo.
III
1
Um só sorriso tudo dá
-não interessa quanto dura.
Elimina-o
no fundo ele fica
"Sorria"
assim me lembro.
2
defino-a p'lo contrário
"um bébé gordo e feio".
P'ra quê dizer o que é?
Quando estamos juntos é tão pequenina
Tão pequenina quanto eu.
Só me apetece dar-lhe miminhos
E nós
(Tão pequeninos)
Fazemo-lo sem inocência.
Vezes sem conta perguntamos o que é certo
- gostamos de o ouvir.
Despedimo-nos sem dizer
adeus.
sexta-feira, junho 17, 2005
329
"40º em Santarém". As previsões de hoje foram claras pessoas vão suar no interior. Mesmo aqui a temperatura mostra que o calor é insuportável. Estou frio, falta-me algo por ter em excesso outra coisa. Porque é que ele tinha de ser assim, porque é que Ícaro teve de voar com as asas que ele próprio construiu.
Está calor e estou frio. Hoje posso voar.
Está calor e estou frio. Hoje posso voar.
327 - Escrito autobibliográfico
Sidoro Brago é um anagrama do meu simples nome que vim mais tarde a saber que até poderia existir. No fundo foi o que se passou com aquilo que me define. Eu sempre me considerei estranho e à parte deste mundo que o meu pai, tão bem definiu, como um mundo de anormais; é um bocado agressivo, admito, mas olhava p'ro meu lado e achava que valia, segundo os meu próprios padrões, muito mais que os outros causando assim o meu isolamento.
Enquanto adolescente agarrava-me aos livros para escapar à realidade. Estudando não pensava no que se passava ao meu redor e deixava de ter pensamentos que hoje vejo serem estúpidos. É claro que isto não me consumia muito tempo: só estudava quando já era tarde mas é sempre bom dar a entender que já fomos ou que temos a capacidade de sermos responsáveis.
A primeira namorada permitiu a primeira grande mudança. As que tive depois permitiram as que depois vieram.
Estou diferente. Aquilo que sou só saberei quando deixar de o ser. Quando me definir vou fazê-lo mal.
Enquanto adolescente agarrava-me aos livros para escapar à realidade. Estudando não pensava no que se passava ao meu redor e deixava de ter pensamentos que hoje vejo serem estúpidos. É claro que isto não me consumia muito tempo: só estudava quando já era tarde mas é sempre bom dar a entender que já fomos ou que temos a capacidade de sermos responsáveis.
A primeira namorada permitiu a primeira grande mudança. As que tive depois permitiram as que depois vieram.
Estou diferente. Aquilo que sou só saberei quando deixar de o ser. Quando me definir vou fazê-lo mal.
326
Não me apetece fazer tudo o que não me dá um prazer instantâneo. Talvez me possa considerar um hedonista mas, por outro lado, posso fazê-lo erroneamente.
Tenho o direito de estudar e deveria fazê-lo mas a inclusão de obrigação no raciocínio faz com que todo o interesse se disolva e que, no fim, o estudo só exista se houver qualquer tipo de coacção agressiva.
Estou a escrever porque me apetece e não por ter de o fazer. Ao longo de quase dois anos o que era diário passou a um acto não previsível e cada vez mais instintivo.
Merda, já estou farto de novo. Vou fumar um cigarro.
Tenho o direito de estudar e deveria fazê-lo mas a inclusão de obrigação no raciocínio faz com que todo o interesse se disolva e que, no fim, o estudo só exista se houver qualquer tipo de coacção agressiva.
Estou a escrever porque me apetece e não por ter de o fazer. Ao longo de quase dois anos o que era diário passou a um acto não previsível e cada vez mais instintivo.
Merda, já estou farto de novo. Vou fumar um cigarro.
quinta-feira, junho 16, 2005
325 - Tentativa de saída não estando habituado à luz
(...)
Foi nesse instante que o nosso anti-herói ao remover a porcaria dos outros encontrou uma pequenina pedra com propriedades mágicas. Ao se aperceber que de mais ninguém aquele conjunto de elementos era a sua mente sentiu que de tudo era possível.
Levado pelo sonho gritou pela janela:
"Quem quer casar com o carochinho que da pedra é dono?"
Como era de esperar apareceram imensos pretendentes -digo imensos porque não foram só fêmeas que lhe disseram sim- mas, de eles todos, só uma jovem bastante parecida com ele lhe chamou a atenção e o fez pensar que resultava.
Hoje ele confirmam-se as suas suposições e só hoje se percebe porque é que assim foi. A pedra dela era do tamanho da dele.
Foi nesse instante que o nosso anti-herói ao remover a porcaria dos outros encontrou uma pequenina pedra com propriedades mágicas. Ao se aperceber que de mais ninguém aquele conjunto de elementos era a sua mente sentiu que de tudo era possível.
Levado pelo sonho gritou pela janela:
"Quem quer casar com o carochinho que da pedra é dono?"
Como era de esperar apareceram imensos pretendentes -digo imensos porque não foram só fêmeas que lhe disseram sim- mas, de eles todos, só uma jovem bastante parecida com ele lhe chamou a atenção e o fez pensar que resultava.
Hoje ele confirmam-se as suas suposições e só hoje se percebe porque é que assim foi. A pedra dela era do tamanho da dele.
domingo, maio 15, 2005
324
I
Silence is sexy if that is it's meaning. If not it can be hideous or painful.
Silence is sexy if it is used to be.

II
A cabeça é pequena
pequena p'ro corpo que quer sentir.
Mexe os braços
quer um abraço
- ah por pouco não teve mais...
São letais (p'ro fraco) as distâncias pequenas.
Não mexe a cabeça
Acena um adeus com uma mão
Ele está no chão
só pode descer mais um pouco.
Doi-lhe o pescoço de tanto p'ra cima olhar.
"Vou-te matar"
Diz ele em cada grito que não dá
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Ainda dói
Já devia estar habituado...
Nunca se é fraco
Fraco de +.

III
A mão ficou solta
ele não estava habituado
Por necessidade ergueu a outra
a que só servia p'ra tocar.
Estava sentado
Tinha uma mão levantada
a outra apontava
p'ra outro lado qualquer.
Rejeitado
olhou p'ra onde não olhara
A janela estava aberta
ele não tinha ou q'ria luz.
O sorriso era o mesmo
Riam os outros de ti
Ele seguia o teu dedo
era cornudo e via-se
(tu foras sempre discreto).
O silêncio amargo
o ar era pesado...
Caíste
quando ela te largou
o que não vias
o que não tinhas
segurou.

IV
Some get mad
Il y a des gents qui devient fout
alguns fincam loucos
gritam
mas no silêncio nada se propaga
o silêncio é fodido
quando os olhos não veêm nada se faz.
Que eles se riam
não vejo
estou de joelhos
peço algo em vão
entao
quem me vê?
Ng
ng
ng
Quem está à minha volta?
Quem?
Possa eu ver
De que serve ouvir
Estou a gritar e ng, ng vê
Que acabe o nada
Mesmo que o nada
(que nunca o foi)
descubra.

V
Quando sonhamos agarramo-nos a uma projecção de nós mesmo numa realidade que, por ser só nossa, somente serve de apoio a que já perdeu tudo.
Resta a vida que temos por sonhar que completa o conjuto de nadas que temos. Acordamos e talvez tomemos um caminho qualquer que implique a soluçao, talvez saltemos para um fosso sem medo talvez, talvez acordemos noutro local qualquer...
A memória é curta e só a necessidade cíclica mostra o que medo torna aceitável: há Deus pq ele existe.

VI
Chegado ao fundo mais não se desce
Podes olhar que só o que pisas vês
Sente o chão
por baixo nada há.
Olha p'ra cima
vê o que perdeste.
Cresceste p'lo caminho
Com sonhos que só a (des)ilusão permite
Envelheceste com o tempo que ninguém quer
O que Ele disser
já nada piora.
Olha,
Olha p'ra cima e vê
Olha,
que já não chora quem chorou...
Doi-teo corpo que foi pisado
O ego que ja não é teu.
Olha
Olha
Olha
Pisa e vê onde estás
Chora por dentro ó imbecil
---------------------
Sorri agora
Vá sorri.
Ou ficas ou sobes
ou então a morte é soluçao
Pensa
Vê se chegas a algum lado
(tambem n interessa
morres entretanto).
Silence is sexy if that is it's meaning. If not it can be hideous or painful.
Silence is sexy if it is used to be.

II
A cabeça é pequena
pequena p'ro corpo que quer sentir.
Mexe os braços
quer um abraço
- ah por pouco não teve mais...
São letais (p'ro fraco) as distâncias pequenas.
Não mexe a cabeça
Acena um adeus com uma mão
Ele está no chão
só pode descer mais um pouco.
Doi-lhe o pescoço de tanto p'ra cima olhar.
"Vou-te matar"
Diz ele em cada grito que não dá
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Ainda dói
Já devia estar habituado...
Nunca se é fraco
Fraco de +.

III
A mão ficou solta
ele não estava habituado
Por necessidade ergueu a outra
a que só servia p'ra tocar.
Estava sentado
Tinha uma mão levantada
a outra apontava
p'ra outro lado qualquer.
Rejeitado
olhou p'ra onde não olhara
A janela estava aberta
ele não tinha ou q'ria luz.
O sorriso era o mesmo
Riam os outros de ti
Ele seguia o teu dedo
era cornudo e via-se
(tu foras sempre discreto).
O silêncio amargo
o ar era pesado...
Caíste
quando ela te largou
o que não vias
o que não tinhas
segurou.

IV
Some get mad
Il y a des gents qui devient fout
alguns fincam loucos
gritam
mas no silêncio nada se propaga
o silêncio é fodido
quando os olhos não veêm nada se faz.
Que eles se riam
não vejo
estou de joelhos
peço algo em vão
entao
quem me vê?
Ng
ng
ng
Quem está à minha volta?
Quem?
Possa eu ver
De que serve ouvir
Estou a gritar e ng, ng vê
Que acabe o nada
Mesmo que o nada
(que nunca o foi)
descubra.

V
Quando sonhamos agarramo-nos a uma projecção de nós mesmo numa realidade que, por ser só nossa, somente serve de apoio a que já perdeu tudo.
Resta a vida que temos por sonhar que completa o conjuto de nadas que temos. Acordamos e talvez tomemos um caminho qualquer que implique a soluçao, talvez saltemos para um fosso sem medo talvez, talvez acordemos noutro local qualquer...
A memória é curta e só a necessidade cíclica mostra o que medo torna aceitável: há Deus pq ele existe.

VI
Chegado ao fundo mais não se desce
Podes olhar que só o que pisas vês
Sente o chão
por baixo nada há.
Olha p'ra cima
vê o que perdeste.
Cresceste p'lo caminho
Com sonhos que só a (des)ilusão permite
Envelheceste com o tempo que ninguém quer
O que Ele disser
já nada piora.
Olha,
Olha p'ra cima e vê
Olha,
que já não chora quem chorou...
Doi-teo corpo que foi pisado
O ego que ja não é teu.
Olha
Olha
Olha
Pisa e vê onde estás
Chora por dentro ó imbecil
---------------------
Sorri agora
Vá sorri.
Ou ficas ou sobes
ou então a morte é soluçao
Pensa
Vê se chegas a algum lado
(tambem n interessa
morres entretanto).
quinta-feira, abril 28, 2005
323
Como sempre no comboio mas mais tarde do que antes. Agora as horas prolongam-se antes da solidão.
I
A louca falava
os que o não são ouviam.
"Matou-se
A gente morre todos né"
Atirou-se
sozinha da ponte
não tinha ninguém ao pé.
A louca falava dos dias
amanhã era quinta
hoje p'ra ela era sábado.
"Boa noite"
- chegou alguém entretanto
perguntou-lhe os anos
não tendo ela idade.
Não te estranho
Sei que sou como tu
O mundo de um
Não o é dos outros.
Fomos,
Ao mesmo tempo em frente
Partimos todos à mesma hora
Agora
nada mais temos
e se não nos perdermos
não nos vamos encontrar.
II
Não fala a louca, nada diz. É triste.
Solta inocente sons que sabe, vãos,
pergunta o tempo que não vê que existe;
os ignorantes fecham sempre as mãos.
A todos contas o que a crer ouviste
A tua pequenez vive sem nãos.
Pena de ti não tenho, não caíste
Sempre viveste mais que rente ao chão.
Continuas a rir e sem motivo
Falas do fim mas só eu sei que venho
P'ra um dia encontrá-lo. Sei que existo
e que alguns passos vão pedir perdão.
Invejo o que tu és pois sem razão
Razão não tens p'ro carpir que tenho.
I
A louca falava
os que o não são ouviam.
"Matou-se
A gente morre todos né"
Atirou-se
sozinha da ponte
não tinha ninguém ao pé.
A louca falava dos dias
amanhã era quinta
hoje p'ra ela era sábado.
"Boa noite"
- chegou alguém entretanto
perguntou-lhe os anos
não tendo ela idade.
Não te estranho
Sei que sou como tu
O mundo de um
Não o é dos outros.
Fomos,
Ao mesmo tempo em frente
Partimos todos à mesma hora
Agora
nada mais temos
e se não nos perdermos
não nos vamos encontrar.
II
Não fala a louca, nada diz. É triste.
Solta inocente sons que sabe, vãos,
pergunta o tempo que não vê que existe;
os ignorantes fecham sempre as mãos.
A todos contas o que a crer ouviste
A tua pequenez vive sem nãos.
Pena de ti não tenho, não caíste
Sempre viveste mais que rente ao chão.
Continuas a rir e sem motivo
Falas do fim mas só eu sei que venho
P'ra um dia encontrá-lo. Sei que existo
e que alguns passos vão pedir perdão.
Invejo o que tu és pois sem razão
Razão não tens p'ro carpir que tenho.
322
Não escrevo como antes, raras vezes estou triste e estou-lhe grato por isso. A escrita como já antes dissera é o meu refúgio cobarde e egoísta (não escrevo sem ser sobre mim).
Estou maior. Aprendi tanto em tão pouco (dois pontos) quem me viu já não me vê.
Estou maior. Aprendi tanto em tão pouco (dois pontos) quem me viu já não me vê.
quinta-feira, abril 14, 2005
321
Paixão.
Medo.
Fuga.
Ataraxia,
ou indiferença,
- tanto faz -
que mais no corpo jaz
Depois de ter fugido?
Medo.
Fuga.
Ataraxia,
ou indiferença,
- tanto faz -
que mais no corpo jaz
Depois de ter fugido?
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
320
Funny valentine I
À medida que o homem que em mim está se mostra e se impõe tudo aquilo a que aspiro muda.
É dia de S. Valentim, é dia de consumir por um pretexto qualquer inventado por magnatas reunidos em salas onde só entra quem tem o cartão preto. (Não ponho o Vaticano de parte).
"My funny valentine" é o que se diz durante a música. É o que preciso e quero: alguém que me faça sorrir. Quanto a nomes que seja mais feminino.
Funny valentine II
Porque me tive de lembrar? O meu cérebro é maquiavélico para com o pouco de humano que resta em mim. Já nem choro pois como hoje tem o sempre sempre sido.
Que se foda a publicidade que promove casais felizes e juntinhos em cada instante com um romantismo tal que chega a provocar vómitos prolongados. OK, tenho inveja, é verdade que tenho: eu queria tudo isso nem que fosse por um dia e logo hoje é que me havia lembrar.
À medida que o homem que em mim está se mostra e se impõe tudo aquilo a que aspiro muda.
É dia de S. Valentim, é dia de consumir por um pretexto qualquer inventado por magnatas reunidos em salas onde só entra quem tem o cartão preto. (Não ponho o Vaticano de parte).
"My funny valentine" é o que se diz durante a música. É o que preciso e quero: alguém que me faça sorrir. Quanto a nomes que seja mais feminino.
Funny valentine II
Porque me tive de lembrar? O meu cérebro é maquiavélico para com o pouco de humano que resta em mim. Já nem choro pois como hoje tem o sempre sempre sido.
Que se foda a publicidade que promove casais felizes e juntinhos em cada instante com um romantismo tal que chega a provocar vómitos prolongados. OK, tenho inveja, é verdade que tenho: eu queria tudo isso nem que fosse por um dia e logo hoje é que me havia lembrar.
320 - A Puta
Choras por dentro e os olhos reflectidos sem pedires mostram no vidro o que em ti vai. As lágrimas gastaste em choro vão que ninguém ouviu: só te resta o sal que te conspurca os olhos não deixando mais que tristeza crescer.
O perfume que exalas irrta-me e equilibra o dó que sinto por ti. Essas pernas cruzadas por instantes são o resto da decência que mostras por motivo desconhecido ao mundo.
Amo-te por assim seres: por teres a vida que por sorte não tenho. Desconheço-te e choro quando penso por ti.
O perfume que exalas irrta-me e equilibra o dó que sinto por ti. Essas pernas cruzadas por instantes são o resto da decência que mostras por motivo desconhecido ao mundo.
Amo-te por assim seres: por teres a vida que por sorte não tenho. Desconheço-te e choro quando penso por ti.
319
O poeta triste
o homem que não sabe
Razão porque existe
Razão porque sare.
Tudo passa lento
o poeta é faminto
O som vai c'o vento
e com ele o riso.
Já nada lhe resta
O pouco o dado
Aos poucos não presta
Tudo dele foi gasto.
o homem que não sabe
Razão porque existe
Razão porque sare.
Tudo passa lento
o poeta é faminto
O som vai c'o vento
e com ele o riso.
Já nada lhe resta
O pouco o dado
Aos poucos não presta
Tudo dele foi gasto.
318
Tudo passa lentamente como se derivasse de um pensamento com valor quase nulo. Os segundos são sempre os mesmos e o valor que têm so varia de uma forma psicológica.
Quanto mais velho estou mais rápido tudo é, equilibro isto com o pensar.
Quanto mais velho estou mais rápido tudo é, equilibro isto com o pensar.
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
317 - Na brasileira
Pegou num e colocou entre os lábios. Ela por graça e não por instinto pegou no isqueiro e acendeu-o. Ele respirou e sentiu-se mais quente.
Não precisava dizer mas escreveu que gostou.
Não precisava dizer mas escreveu que gostou.
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
316
Se fiz mal que o tenha feito. Se magoei que tenha magoado. Fui sincero. Fui eu. Se me querem querem isto.
315 - No People sozinho
O passado persegue-nos ao ponto
de fugirmos p'ra longe do que ele traz
O passado persegue-nos e faz
o que é junto descer nosso rosto.
Quando se vê finalmente já solto
tudo o resto é liberto mas assaz
Ficamos sós somos ninguém e más
são as memórias que prefazem contos.
Dif'rentes torna-nos o tempo e mais
p'ra libertar se junta. Encontrados
como antes somos p'quenos e os tais
que nunca o fazem mais que sorte têm.
Ah somos fracos. Elas querem e vêm
De que serve s'olharmos p'ros lados?~
de fugirmos p'ra longe do que ele traz
O passado persegue-nos e faz
o que é junto descer nosso rosto.
Quando se vê finalmente já solto
tudo o resto é liberto mas assaz
Ficamos sós somos ninguém e más
são as memórias que prefazem contos.
Dif'rentes torna-nos o tempo e mais
p'ra libertar se junta. Encontrados
como antes somos p'quenos e os tais
que nunca o fazem mais que sorte têm.
Ah somos fracos. Elas querem e vêm
De que serve s'olharmos p'ros lados?~
314 - De tarde sozinho
Só com ânsia escutei o que era dito
já me tinha mostrado o que eu ouvia.
Nunca bastou a este cego o visto
Insisto que p'los olhos nada tinha.
Agora que estou há motivos?
Acho que os sei só ela os têm, diria
Talvez para eu os encontrar: sinto isto
-só perguntando esta certeza vinha.
A seguir perguntou-me, não disse
por cobardia mais que nada. Merda
Sou egoísta o que agora é eu fui.
A postura que ali não querendo tive
Só quando arrependido se dilui.
E agora sincero que se preste.
já me tinha mostrado o que eu ouvia.
Nunca bastou a este cego o visto
Insisto que p'los olhos nada tinha.
Agora que estou há motivos?
Acho que os sei só ela os têm, diria
Talvez para eu os encontrar: sinto isto
-só perguntando esta certeza vinha.
A seguir perguntou-me, não disse
por cobardia mais que nada. Merda
Sou egoísta o que agora é eu fui.
A postura que ali não querendo tive
Só quando arrependido se dilui.
E agora sincero que se preste.
domingo, janeiro 30, 2005
313
Ulisses e Torquemada, companheiros e génios de sacanices, falavam que o que tinham resultava do destino que os juntou. Eram parecidos e o tempo que os separava só pequenas arestas limou em sentidos diferentes:os dois pensavam, os dois jogavam à sua maneira um jogo que era o mesmo.
Acumulavam momentos que os formaram e julgavam estar certos ao dizer que tudo o que os fez foi porque alguém disse que assim seria e até a sua parceria tinha de acontecer.
Não digo o resto mas de mais eles falavam- eram coisas deles. O que interessa é o momento, só os momentos interessam.
Acumulavam momentos que os formaram e julgavam estar certos ao dizer que tudo o que os fez foi porque alguém disse que assim seria e até a sua parceria tinha de acontecer.
Não digo o resto mas de mais eles falavam- eram coisas deles. O que interessa é o momento, só os momentos interessam.
312
A solidão é o que mais me inspira;ou simplesmente a reposta a ela é criar algo que, por meros instantes apenas, me distancia deste estado e permite que eu sinta algum calor que nunca tendo é meu.
A tarde passa e registo momentos com nitrato de prata. Momentos não belos mas equilibrados o que, de um ponto de vista racional, eu procuro e que, ao ver numa folha de papel brilhante ou baça, acho que atingi num espaço de 1/15 a 1/1000 de segundos.
Desci sozinho do Carmo e fascinou-me um velho sujo como as ruas que são a sua casa fria. Pedia enquanto descascava uma laranja à porta da casa de Deus no seu dia. Entravam pobres de e não por espírito e julgavam-se bem aventurados por isso. Falando ao velho entrei p'ra ver que outro velho coberto de mantos estava de pé e falava p'ros mesmos que pisavam a casa do outro sem pedir.
Tentei perceber o que ele dizia, no fundo julgando, pelos outros, que algo de sério era;falou de revoluções e ri-me. Cantou frases que não são nossas e chorei, preparando a entrada(não merecida) de Alguém em mim, mas saí antes de Ele o fazer.
O outro velho continuava sentado e falei-lhe de novo, não porque Deus quis. Falou-se de sorte e ele, que não a tinha, disse que a teve mas que hoje vivia sob luz constante e que mantos eram as suas cortinas que também serviam de paredes. Chorei por dentro e era ele que falava:bem aventurado era.
Descia a rua que com outra cor subi e olhei-a tão diferente.
Agora escrevo no comboio, registo com tinta e faz menos frio.
A tarde passa e registo momentos com nitrato de prata. Momentos não belos mas equilibrados o que, de um ponto de vista racional, eu procuro e que, ao ver numa folha de papel brilhante ou baça, acho que atingi num espaço de 1/15 a 1/1000 de segundos.
Desci sozinho do Carmo e fascinou-me um velho sujo como as ruas que são a sua casa fria. Pedia enquanto descascava uma laranja à porta da casa de Deus no seu dia. Entravam pobres de e não por espírito e julgavam-se bem aventurados por isso. Falando ao velho entrei p'ra ver que outro velho coberto de mantos estava de pé e falava p'ros mesmos que pisavam a casa do outro sem pedir.
Tentei perceber o que ele dizia, no fundo julgando, pelos outros, que algo de sério era;falou de revoluções e ri-me. Cantou frases que não são nossas e chorei, preparando a entrada(não merecida) de Alguém em mim, mas saí antes de Ele o fazer.
O outro velho continuava sentado e falei-lhe de novo, não porque Deus quis. Falou-se de sorte e ele, que não a tinha, disse que a teve mas que hoje vivia sob luz constante e que mantos eram as suas cortinas que também serviam de paredes. Chorei por dentro e era ele que falava:bem aventurado era.
Descia a rua que com outra cor subi e olhei-a tão diferente.
Agora escrevo no comboio, registo com tinta e faz menos frio.
311
Vê agora de onde não
podia sentar o vício
ergue tão discreto a mão
ergue a mão p'ro já 'squecido.
Aqueles que passam lembram
quem fica irá lembrar
aqueles que um dia tentam
de nada serve tentar
A vida promete glória
mas a vida não a traz
a morte permite história
quem passa e toca em nós jaz.
podia sentar o vício
ergue tão discreto a mão
ergue a mão p'ro já 'squecido.
Aqueles que passam lembram
quem fica irá lembrar
aqueles que um dia tentam
de nada serve tentar
A vida promete glória
mas a vida não a traz
a morte permite história
quem passa e toca em nós jaz.
309
Escrevesse eu uma história simples e dissesse que ela era minha. Sonho isto, quero isto mas não o consigo.
Escrevo não por escrever, mas escrevo porque tenho e, sem o pensar, o faço. Não pensando, saio eu, e por ser eu é complexo: só faz sentido a quem lê comigo ao lado.
Escrevo não por escrever, mas escrevo porque tenho e, sem o pensar, o faço. Não pensando, saio eu, e por ser eu é complexo: só faz sentido a quem lê comigo ao lado.
307
Admirada reparou que ele crescera. Deixou-o pequenino numa paragem de autocarro e mais tempo passou por ele do que locomotivas naquela parte da cidade. Não o queria mudar nem esperar por ele (já estava cansada de o fazer) e o que ela não fez os segundos fizeram.
Não vi os seus olhos por não conseguir encará-los mas, sonhador como sou, imagino-os abertos com a pupila o mais dilatada possível como um mar conspurcado pelo negro que sai de um casco aberto pelo impacto ou que simplesmente quebrou de surpresa. As narinas estavam expandidas e ela arfava pela boca que há muito nada proferia - por orgulho nada mais disse, por orgulho expeliu ar com custo.
Acordei mudado.
Não vi os seus olhos por não conseguir encará-los mas, sonhador como sou, imagino-os abertos com a pupila o mais dilatada possível como um mar conspurcado pelo negro que sai de um casco aberto pelo impacto ou que simplesmente quebrou de surpresa. As narinas estavam expandidas e ela arfava pela boca que há muito nada proferia - por orgulho nada mais disse, por orgulho expeliu ar com custo.
Acordei mudado.
sábado, janeiro 29, 2005
306
Considero-me nesta fase da minha vida um sapo. Não. Acho que dos anfíbios aquele a que sou mais similar é a rã; animal parecido com o o primeiro a ser referido mas que tem a vantagem de ter um nome que rima com a natureza que me falta.
Estou à parte do mundo. Sou diferente e não por escrever um blog que não é um blogue e por dizer convosco. Estou à parte e não sei porquê. Não me sinto feliz nem triste e nada me faz sair do meio: acho que finalmente (ou será fatalmente) em ataraxia depois de tantas vezes a diagnosticar em vão. Por isso sou uma rã.
Gostava que viesse ter ao meu charco (neste caso não imundo) uma princesa - quero que fique bem claro que emprego esta palavra de uma forma não foleira é simplesmente para completar a metáfora- que nada de princesa tenha. Vou ser directo. Não quero falinhas mansas nem sonhos estúpidos e muito menos a crença de que os batráquios falam: quero a substância que quero numa forma qualquer pois a forma não interessa e a substância sente-se.
Com passinhos mansos aproximar-se-á de mim. Vai achar estranho eu não me mexer nem saltar p'ra longe dali e, curiosa, ainda irá mais calmamente, mostrando carinho pelo chão que pisa. Quando estiver perto (e isso só ela sabe o que é) debruçar-se-á levantando um pouco a saia que cobre parte de si - acha que se se sujar me fará impressão mas eu, vítima da publicidade, acredito que qualquer nódoa sai se quisermos. A mão direita irá pouco depois na minha direcção e, depois de a levantar, os meus olhos (provavelmente miópes) verão os dela e assim perceberão tudo o que ela tinha p'ra dizer.
P'ra ver o que já conhecia serei beijado.
Estou à parte do mundo. Sou diferente e não por escrever um blog que não é um blogue e por dizer convosco. Estou à parte e não sei porquê. Não me sinto feliz nem triste e nada me faz sair do meio: acho que finalmente (ou será fatalmente) em ataraxia depois de tantas vezes a diagnosticar em vão. Por isso sou uma rã.
Gostava que viesse ter ao meu charco (neste caso não imundo) uma princesa - quero que fique bem claro que emprego esta palavra de uma forma não foleira é simplesmente para completar a metáfora- que nada de princesa tenha. Vou ser directo. Não quero falinhas mansas nem sonhos estúpidos e muito menos a crença de que os batráquios falam: quero a substância que quero numa forma qualquer pois a forma não interessa e a substância sente-se.
Com passinhos mansos aproximar-se-á de mim. Vai achar estranho eu não me mexer nem saltar p'ra longe dali e, curiosa, ainda irá mais calmamente, mostrando carinho pelo chão que pisa. Quando estiver perto (e isso só ela sabe o que é) debruçar-se-á levantando um pouco a saia que cobre parte de si - acha que se se sujar me fará impressão mas eu, vítima da publicidade, acredito que qualquer nódoa sai se quisermos. A mão direita irá pouco depois na minha direcção e, depois de a levantar, os meus olhos (provavelmente miópes) verão os dela e assim perceberão tudo o que ela tinha p'ra dizer.
P'ra ver o que já conhecia serei beijado.
305 Não gosto de tipos chamados Brutus
Conselho de amigo:
Quanto menos intermediários melhor é o produto. E, se o fornecedor for correcto, explica o processo de fabrico.
Quanto menos intermediários melhor é o produto. E, se o fornecedor for correcto, explica o processo de fabrico.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
304
De uma forma simplista
porque o abstracto não tem forma
e eu quero ser objectivo
Eu estou cansado
sinto-o
nas horas que passam lentamente
por mim nunca bruscas.
Alguém me salve
mais não peço
(que + podia pedir?)
Salvem-me
estou aqui
Cansado de mais p'ra gritar.
porque o abstracto não tem forma
e eu quero ser objectivo
Eu estou cansado
sinto-o
nas horas que passam lentamente
por mim nunca bruscas.
Alguém me salve
mais não peço
(que + podia pedir?)
Salvem-me
estou aqui
Cansado de mais p'ra gritar.
303
Viva a tudo o que não vivo
Tudo que vivo a passar ao lado
Viva sorrisos e abraços
Que por medo evitei
Hossana nas alturas e não a Cristo
(que mais nos diz a altura)
Hossana a tudo o que está longe
Viva a tudo o que não vivo.
Tudo que vivo a passar ao lado
Viva sorrisos e abraços
Que por medo evitei
Hossana nas alturas e não a Cristo
(que mais nos diz a altura)
Hossana a tudo o que está longe
Viva a tudo o que não vivo.
302 Como sempre no comboio
P'los passos dados mede-se a distância que já não se vê
Há quem ame, quem queira e quem fuja
Por amor daquilo que quer
O amor mete medo e a fuga
Justifica-se só p'lo q'rer.
Pele de galinha, pele de medricas e suor
Dor que percorre o corpo não percorrido
Pena p'ra quem vive o juízo
P'ra quem ama e quer partir.
Há quem ame, quem queira e quem fuja
Por amor daquilo que quer
O amor mete medo e a fuga
Justifica-se só p'lo q'rer.
Pele de galinha, pele de medricas e suor
Dor que percorre o corpo não percorrido
Pena p'ra quem vive o juízo
P'ra quem ama e quer partir.
301
Companhia das horas que não passam
Daquelas em que mais só eu estou.
A luz que é rubra aos poucos marca vou
Talvez morrer mais cedo que os que tardam.
Os vícios ganham-se: preenchem tudo
O que por não o ser só nada são.
A luz no escuro vê-se mas já não
vem qualquer ser- estou a viver o luto.
Vive da luz não minha o meu juízo.
Os dedos ganham nódoas que ao sorriso
dão o tom que ele tem nada sincero.
Aos poucos forma-se alva capa a ter
Aos poucos tudo vai com o arder
E o que em nós fica por ficar segura.
Daquelas em que mais só eu estou.
A luz que é rubra aos poucos marca vou
Talvez morrer mais cedo que os que tardam.
Os vícios ganham-se: preenchem tudo
O que por não o ser só nada são.
A luz no escuro vê-se mas já não
vem qualquer ser- estou a viver o luto.
Vive da luz não minha o meu juízo.
Os dedos ganham nódoas que ao sorriso
dão o tom que ele tem nada sincero.
Aos poucos forma-se alva capa a ter
Aos poucos tudo vai com o arder
E o que em nós fica por ficar segura.
299 Férias
Nada tenho a fazer: estou de férias.
Com elas vem o nada que elas têm;
Era tão pouco e tinha, já não vêm
Resta-me o nada que preenche artérias.
Como o tempo nos faz estou mais velho.
Conto os momentos que de parvo vi
Passarem rente aos dedos, eu perdi
tudo o que q'ria só por ser sincero.
Como só eu sou estou. Não tenho mais
que estas memórias vãs que eu já tinha
No fundo se é d'alguém esta é minha
Por eu o ser, por não a q'rer a tenho.
Digo que vou chegar mas cá venho
"É q'nem saindo tu de parvo sais".
Com elas vem o nada que elas têm;
Era tão pouco e tinha, já não vêm
Resta-me o nada que preenche artérias.
Como o tempo nos faz estou mais velho.
Conto os momentos que de parvo vi
Passarem rente aos dedos, eu perdi
tudo o que q'ria só por ser sincero.
Como só eu sou estou. Não tenho mais
que estas memórias vãs que eu já tinha
No fundo se é d'alguém esta é minha
Por eu o ser, por não a q'rer a tenho.
Digo que vou chegar mas cá venho
"É q'nem saindo tu de parvo sais".
segunda-feira, janeiro 24, 2005
298
Estava no meio da tristeza e da felicidade e, como ela disse, estava farto do que tinha. Queria sair mas nem respeitadas eran as vontades pelo choro que não existia.
Quem interessa perguntava o motivo.
Quem interessa perguntava o motivo.
297
I
Já nos sentámos ali
naquela mesa do canto
falávamos de merdas
(só queriamos sentir)
Passou mais de um ano
com ele só cresceu a distância.
Agora
ela chora por dentro
à mesma frente a que estavas.
Lembro-me que sorrias
que tinhas o cabelo apanhado
mas hoje só eu estou preso.
Ah memórias
sonhos despertos p'lo rever.
Estavas ali
naquela mesa do canto.
II
Vejo a mesa do canto
o mesmo em que nos escondemos indiscretos
onde discretamente sentiamos.
Estavas diante de mim
e eu diante de ti estava
o que um mostrava
o outro não via.
Passou tempo sem pressa
(ou com demasia)
Mas a mesa era a mesma
e o mesmo era o canto.
Olho p'ra lá e vejo
(filtrado por lágrimas dela que chora)
e lembro-me....
Era a mesma mesa
E o canto era o mesmo.
Já nos sentámos ali
naquela mesa do canto
falávamos de merdas
(só queriamos sentir)
Passou mais de um ano
com ele só cresceu a distância.
Agora
ela chora por dentro
à mesma frente a que estavas.
Lembro-me que sorrias
que tinhas o cabelo apanhado
mas hoje só eu estou preso.
Ah memórias
sonhos despertos p'lo rever.
Estavas ali
naquela mesa do canto.
II
Vejo a mesa do canto
o mesmo em que nos escondemos indiscretos
onde discretamente sentiamos.
Estavas diante de mim
e eu diante de ti estava
o que um mostrava
o outro não via.
Passou tempo sem pressa
(ou com demasia)
Mas a mesa era a mesma
e o mesmo era o canto.
Olho p'ra lá e vejo
(filtrado por lágrimas dela que chora)
e lembro-me....
Era a mesma mesa
E o canto era o mesmo.
sábado, janeiro 22, 2005
295
É Inverno.
Os troncos despidos cortam o horizonte
A luz de halogénio começa mais cedo
Os dias são mais curtos como o resto.
Faz frio por vezes
E só por vezes se estuda.
Ao fundo o betão cresce.
Brincam crianças na rua
Baloiçam-se como nós (graúdos)
na vida,
nunca saindo do lugar.
Os troncos despidos coratam o horizonte
As plantas (até elas) são negras
O vento levanta-se por vezes
e por vezes se estuda.
Os pais levam os filhos
como antes foram levados;
Os caminhos que pisam foram pisados
Para mais tarde serem caminhos.
Estou só, e despido corto a folha
(passo p'ra ela o que em mim está)
Por vezes chorava e só por vezes o faço
Estou mais velho e não há lágrima alguma.
Choro despindo-me mas já não me dispo
se eu o faço corto a folha.
Choro por isso neste momento.
Podia escorregar mas já estou grande
Embala-me a falta de movimento
E o sol já não doira como antes...
É Inverno
Estou velho como mundo já não verde;
Choro e escrevo
porque só assim posso.
Os troncos despidos cortam o horizonte
A luz de halogénio começa mais cedo
Os dias são mais curtos como o resto.
Faz frio por vezes
E só por vezes se estuda.
Ao fundo o betão cresce.
Brincam crianças na rua
Baloiçam-se como nós (graúdos)
na vida,
nunca saindo do lugar.
Os troncos despidos coratam o horizonte
As plantas (até elas) são negras
O vento levanta-se por vezes
e por vezes se estuda.
Os pais levam os filhos
como antes foram levados;
Os caminhos que pisam foram pisados
Para mais tarde serem caminhos.
Estou só, e despido corto a folha
(passo p'ra ela o que em mim está)
Por vezes chorava e só por vezes o faço
Estou mais velho e não há lágrima alguma.
Choro despindo-me mas já não me dispo
se eu o faço corto a folha.
Choro por isso neste momento.
Podia escorregar mas já estou grande
Embala-me a falta de movimento
E o sol já não doira como antes...
É Inverno
Estou velho como mundo já não verde;
Choro e escrevo
porque só assim posso.
sexta-feira, janeiro 21, 2005
294 - Ataraxia
Estou embalado pela falta de movimento,
A força da atrito faz com que
O efeito de um empurrão seja nulo.
Só sou humano
De nada me servem modelos...
Talvez saia daqui
Aos poucos.
A força da atrito faz com que
O efeito de um empurrão seja nulo.
Só sou humano
De nada me servem modelos...
Talvez saia daqui
Aos poucos.
terça-feira, janeiro 18, 2005
293 Some enchanted evening
Mais um ano passou. A noite era como outra qualquer motivava-a somente fogo de artifício que até chegar senti meu. Receberam-me à porta e, como se soubesse o meu estado, a linda bailarina mascarada abriu as cortinas do espaço onde a minha cara foi coberta.
Era outro aos olhos de outros que não eu. Até chegar o que era temido por instantes nada temi.
Olhou-me e eu olhei-a; a máscara de nada me serviu. Os olhos estavam descobertos e eles sinceros não mentem.
Era outro aos olhos de outros que não eu. Até chegar o que era temido por instantes nada temi.
Olhou-me e eu olhei-a; a máscara de nada me serviu. Os olhos estavam descobertos e eles sinceros não mentem.
domingo, janeiro 16, 2005
290 Back from the dead again
O vento passa e leva
O vento pára e volta
O vento só não leva
o que já levou.
O vento pára e volta
O vento só não leva
o que já levou.
terça-feira, dezembro 14, 2004
289 - Aula prática de estatística
Testávamos a hipótese nula quando nulo era o ânimo. Quase que estava a acabar a aula, quase que estava a acabar o semestre. Como só a idade faz o tempo passava tão rápido, parecia que ontem voltara do Verão. Tudo o resto (o vivido) é nulo, tudo o resto é nada.
Sou o Sidoro só por nome: nunca nos banhamos mais que uma vez nas àguas de um rio que só é o mesmo por convenção. Tudo passa tão rápido, nada é o mesmo e tudo também não.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
288 Adeus
Adeus,
Já to disse antes e dessa vez chorei
Fui p'ro quarto com uma culpa quase minha
Que afinal não saiu da tua posse.
Nc admitiste nada p'ra além de sucessos
O resto era sempre dos outros
que,
nem assim,
eram como tu.
Adeus,
Retiro-te das memórias que eram negras por respeito inexplicável...
Agora
só recordo
Sorrisos escassos.
Adeus,
E quem se despede sou eu
aquele que não quiseste conhecer
aquele que sabias ser melhor que tu
Adeus
Até à próxima;
Um erro que quiseste
domingo, dezembro 12, 2004
286 No concerto.
Consome-me o tempo que não houve. Olho e não me vejo onde queria estar e entristeço por isso. A música que toca enerva-me, a que vai tocar faz com que o choro tenha mais significado.
Já passou tanto mas o que passou marcou;posso até dizer que sou outro graças a ele mas naquilo em que me tornei não é o que eu queria, nem me coloca onde eu queria estar:o que eu vi e nao conheço.
Enlaçamos as mãos e daí não passámos. Sempre tive medo da perda parcial do que por inteiro queria ter. Nestas alturas fode-me ler Pessoa, já que Reis se manifesta em mim da pior forma:a contrária a que eu queria.
Está na mesma p'lo que a distância permite supôr. O que mudou foi mesmo ela, são mais que uns metros que nos separam. Nunca me deveria ter despedido. Nunca deveria ter feito o que não queria- o que por ser cobarde julguei querer. Porquê? Porquê, porquê? Porquê, porquê, porquê? Coloco questões que nem eu sei responder, que só o génio a mais permite que existam e na merda fico por pensar demais.
Devia ter visto como o Mestre, devia ter julgado o que via pelo que era e não pelo que adicionei ao pensar. Devia ser Alberto e não Ricardo, devia ter feito o que queria.
II
Só a distância, mais que métrica, há
Uns meses que eu criei muda em nós
Vi-te, mas não ousei soltar a voz
Tão mais tremida como o ver-te faz.
Fosse eu o outro aquele que visto sobre
Um colchão que foi assento. Fui e não sou
Perdi-me em juízos a que dou
Importância sem nexo... tu já foste.
Sou sempre eu o culpado. Faço eu sempre
A merda que não quero- ninguém quis
Hoje olho e choro para trás, eu fiz
Q'ria mudar, não dá, por mais que tente.
Mas agora que acabou olho e penso:
quando está mal porque é que só eu tento?
III
IV
Quando na merda o deísta reza, pede a Deus que intervenha.
V
VI
VII
Há muitas (disse ela) mas só há uma (respondi eu)
Já passou tanto mas o que passou marcou;posso até dizer que sou outro graças a ele mas naquilo em que me tornei não é o que eu queria, nem me coloca onde eu queria estar:o que eu vi e nao conheço.
Enlaçamos as mãos e daí não passámos. Sempre tive medo da perda parcial do que por inteiro queria ter. Nestas alturas fode-me ler Pessoa, já que Reis se manifesta em mim da pior forma:a contrária a que eu queria.
Está na mesma p'lo que a distância permite supôr. O que mudou foi mesmo ela, são mais que uns metros que nos separam. Nunca me deveria ter despedido. Nunca deveria ter feito o que não queria- o que por ser cobarde julguei querer. Porquê? Porquê, porquê? Porquê, porquê, porquê? Coloco questões que nem eu sei responder, que só o génio a mais permite que existam e na merda fico por pensar demais.
Devia ter visto como o Mestre, devia ter julgado o que via pelo que era e não pelo que adicionei ao pensar. Devia ser Alberto e não Ricardo, devia ter feito o que queria.
II
Só a distância, mais que métrica, há
Uns meses que eu criei muda em nós
Vi-te, mas não ousei soltar a voz
Tão mais tremida como o ver-te faz.
Fosse eu o outro aquele que visto sobre
Um colchão que foi assento. Fui e não sou
Perdi-me em juízos a que dou
Importância sem nexo... tu já foste.
Sou sempre eu o culpado. Faço eu sempre
A merda que não quero- ninguém quis
Hoje olho e choro para trás, eu fiz
Q'ria mudar, não dá, por mais que tente.
Mas agora que acabou olho e penso:
quando está mal porque é que só eu tento?
III
IV
Quando na merda o deísta reza, pede a Deus que intervenha.
V
VI
VII
Há muitas (disse ela) mas só há uma (respondi eu)
285 No comboio no FT
Página 3
I
Usava rosa por vezes
(não me lembro do seu cheiro
sou um eterno constipado)
Como as rosas tinha espinhos
parecia frágil mas esse era o castigo
daquele que nada percebia.
O vento passava mas só passado
é que ela um pouco se vergava
não queria mostrar que era fraca
e por nunca o mostrar nunca o foi.
Era e ainda é tão vistosa
as estações passam lentamente
e, por isso, lentamente a cor cai...
Não interessa, mesmo que caisse depressa
o vento que passa não leva
- o que suporta não são pétalas.
Usava rosa por vezes
Como uma rosa era
como uma não se deixava colher...
O vento passou mas não se dobrou
ao vento não mostrou que havia fraqueza.
II
(...)Arrependo-me e arrependo-me de o fazer - e o ciclo continua(...)
Página 14
O sol não aquecia o coberto
O sol não entra na pedra...
Fechou-se
isolou-se do mundo
estava em luto
de si mesmo.
Conheceu o negro
Mas sem o conhecer vestiu-o
- perdeu aos poucos a luz...
Os olhos acostumaram-se
os olhos do nada passaram
a ver onde não viam...
O corpo, aos poucos, gostou
ele não receou
até vir luz.
Voltou,
Os olhos queimou
o branco do corpo vermelho ficou...
Os medos voltaram de um canto
Fugiu de novo
- quis o quebranto-
aos poucos voltou a tê-lo.
Paginas 26 e 27
I
Enquanto há o branco
há onde escrever
A escrita é suja
inunda o que não está conspurcado...
Um a um cada som
- pq é isso que cada parte representa-
como uma nódoa expande o poema
que, por não ser branco, é sujo.
Ainda falta só escrevi pouco
não falo de monstros ou de impérios
não sou mais alto nem maior que os outros
-embora de facto o seja.
Eu sou um parvo um cobarde
alguém que nem de fraque enfrenta.
Escrevo um poema sem sentido qualquer
pq tenho o branco por preencher
(E é cada vez menos
e cada vez sai mais depressa
a linha quase certa
aos poucos fica torta
mas não me importa
pq escrevo e enquanto o faço não desço
mais em mim próprio)
A propósito, sou egoísta
sou um despotista onanista
e só o sou por preguiça
(há quem diga que é assim)
Vejamos um exemplo:
ela era tão engraçada
e não falo só de cara
era uma pessoa que interessa...
Tinha olhos não cegos e azuis
Tocava-me como o vento nos pauis
e como eles era incerta
Tinha tudo
e é por ela que eu inundo
esta pureza de merda.
Deixei-a passar pelos dedos
tinha medo como uma criança
como aquela que não avança
pq atrás da porta está o que não vê.
PQ?PQ?PQ?
Há quem diga que eu podia
Havia també quem o dissesse
mas como hoje eu não ouvia
eu não descia onde quero.
e as que há são lixo
como isto que eu escrevo
(no fundo não faz sentido
trago comigo e cuspo
e não numa poltrona qualquer!)
Quero uma mulher
quero possui-la
quer que ela se entregue
a esta mão que percorre
(há quem diga)
de uma maneira desejável.
(Tenho de ser em algo prestável
que o seja no animal)
Não sou normal
sei que não o sou
não sei p'ra onde vou
mas sei onde quero chegar
Quero estar acima dos outros
quero entre os mostros ser o maior
O pior? O pior é isto
Quase que não sinto
(as mãos estão dormentes
as mãos que sujaram)
Ah! não param, não cessam
ainda há branco
ainda há algo por dizer
mesmo que só seja por dizer
mesmo que não seja p'ra mais nada...
Pára, digo eu, pára...
mas o que eu digo só eu oiço
sou um fraco
não páro
enquanto houver branco por sujar.
II
Poema da chegada.
Estou quase a chegar
mais nao vou escrever
vou andar
vou seguir o caminho
o trilho
de betão.
Vou carregar num botão
ligar o computador
vou pedir por favor
e com ng falar.
Estou perto
(será que faltam estações?)
não não me interessa
quanto menos falta mais cedo chego
e eu não quero chegar.
Quero escrever
Ah! não pares
circula sem fim
Não pares , nao pares
ó comboi de metal
já nao movido a vapor
não pares por favor
não quero cair.
Pagina 92
O primeiro
Nunca conheci um verde diferente
àquele que eu pintava sempre diluído em água
concentrada
em cloreto de sódio
Nunca vi um verde dif'rente
- Ele é sempre o mesmo.
Diafuno tudo passa por ele
nada cobre e nada limita
pinto com tantas cores
sendo nenhuma a mesma
só é assim c'o verde
só ele não é diferente
só ele é o mesmo.
Tento tocar-lhe mas por ele os dedos passam
tento ouvi-lo mas nada ouço
talvez nada diga
talvez a nada sinta
talvez...
É sempre o mesmo verde
Não sei qual é.
I
Usava rosa por vezes
(não me lembro do seu cheiro
sou um eterno constipado)
Como as rosas tinha espinhos
parecia frágil mas esse era o castigo
daquele que nada percebia.
O vento passava mas só passado
é que ela um pouco se vergava
não queria mostrar que era fraca
e por nunca o mostrar nunca o foi.
Era e ainda é tão vistosa
as estações passam lentamente
e, por isso, lentamente a cor cai...
Não interessa, mesmo que caisse depressa
o vento que passa não leva
- o que suporta não são pétalas.
Usava rosa por vezes
Como uma rosa era
como uma não se deixava colher...
O vento passou mas não se dobrou
ao vento não mostrou que havia fraqueza.
II
(...)Arrependo-me e arrependo-me de o fazer - e o ciclo continua(...)
Página 14
O sol não aquecia o coberto
O sol não entra na pedra...
Fechou-se
isolou-se do mundo
estava em luto
de si mesmo.
Conheceu o negro
Mas sem o conhecer vestiu-o
- perdeu aos poucos a luz...
Os olhos acostumaram-se
os olhos do nada passaram
a ver onde não viam...
O corpo, aos poucos, gostou
ele não receou
até vir luz.
Voltou,
Os olhos queimou
o branco do corpo vermelho ficou...
Os medos voltaram de um canto
Fugiu de novo
- quis o quebranto-
aos poucos voltou a tê-lo.
Paginas 26 e 27
I
Enquanto há o branco
há onde escrever
A escrita é suja
inunda o que não está conspurcado...
Um a um cada som
- pq é isso que cada parte representa-
como uma nódoa expande o poema
que, por não ser branco, é sujo.
Ainda falta só escrevi pouco
não falo de monstros ou de impérios
não sou mais alto nem maior que os outros
-embora de facto o seja.
Eu sou um parvo um cobarde
alguém que nem de fraque enfrenta.
Escrevo um poema sem sentido qualquer
pq tenho o branco por preencher
(E é cada vez menos
e cada vez sai mais depressa
a linha quase certa
aos poucos fica torta
mas não me importa
pq escrevo e enquanto o faço não desço
mais em mim próprio)
A propósito, sou egoísta
sou um despotista onanista
e só o sou por preguiça
(há quem diga que é assim)
Vejamos um exemplo:
ela era tão engraçada
e não falo só de cara
era uma pessoa que interessa...
Tinha olhos não cegos e azuis
Tocava-me como o vento nos pauis
e como eles era incerta
Tinha tudo
e é por ela que eu inundo
esta pureza de merda.
Deixei-a passar pelos dedos
tinha medo como uma criança
como aquela que não avança
pq atrás da porta está o que não vê.
PQ?PQ?PQ?
Há quem diga que eu podia
Havia també quem o dissesse
mas como hoje eu não ouvia
eu não descia onde quero.
e as que há são lixo
como isto que eu escrevo
(no fundo não faz sentido
trago comigo e cuspo
e não numa poltrona qualquer!)
Quero uma mulher
quero possui-la
quer que ela se entregue
a esta mão que percorre
(há quem diga)
de uma maneira desejável.
(Tenho de ser em algo prestável
que o seja no animal)
Não sou normal
sei que não o sou
não sei p'ra onde vou
mas sei onde quero chegar
Quero estar acima dos outros
quero entre os mostros ser o maior
O pior? O pior é isto
Quase que não sinto
(as mãos estão dormentes
as mãos que sujaram)
Ah! não param, não cessam
ainda há branco
ainda há algo por dizer
mesmo que só seja por dizer
mesmo que não seja p'ra mais nada...
Pára, digo eu, pára...
mas o que eu digo só eu oiço
sou um fraco
não páro
enquanto houver branco por sujar.
II
Poema da chegada.
Estou quase a chegar
mais nao vou escrever
vou andar
vou seguir o caminho
o trilho
de betão.
Vou carregar num botão
ligar o computador
vou pedir por favor
e com ng falar.
Estou perto
(será que faltam estações?)
não não me interessa
quanto menos falta mais cedo chego
e eu não quero chegar.
Quero escrever
Ah! não pares
circula sem fim
Não pares , nao pares
ó comboi de metal
já nao movido a vapor
não pares por favor
não quero cair.
Pagina 92
O primeiro
Nunca conheci um verde diferente
àquele que eu pintava sempre diluído em água
concentrada
em cloreto de sódio
Nunca vi um verde dif'rente
- Ele é sempre o mesmo.
Diafuno tudo passa por ele
nada cobre e nada limita
pinto com tantas cores
sendo nenhuma a mesma
só é assim c'o verde
só ele não é diferente
só ele é o mesmo.
Tento tocar-lhe mas por ele os dedos passam
tento ouvi-lo mas nada ouço
talvez nada diga
talvez a nada sinta
talvez...
É sempre o mesmo verde
Não sei qual é.
sexta-feira, dezembro 10, 2004
283
Era um bocado atrofiado.
Fumava cigarros
- fazia-o por impulso-
Fumava-os como se uma percorresse.
O seu olhar mostrava
Quando ele não fumava
que os seus gestos
(delicados mas seguros)
eram maduros,
eram de um homem não qualquer.
Só percebe uma mulher
só percebe que já experimentou
quem por outro se levou
a outro lugar qualquer.
Ele era um homem
ele queria mulheres
ia com uma qualquer
mas não tinha nenhuma.
Ele muda!
Era miúdo...
Fumava cigarros
- fazia-o por impulso-
Fumava-os como se uma percorresse.
O seu olhar mostrava
Quando ele não fumava
que os seus gestos
(delicados mas seguros)
eram maduros,
eram de um homem não qualquer.
Só percebe uma mulher
só percebe que já experimentou
quem por outro se levou
a outro lugar qualquer.
Ele era um homem
ele queria mulheres
ia com uma qualquer
mas não tinha nenhuma.
Ele muda!
Era miúdo...
283 P'ra Inês
A Inês fotografa
Co'a luz perpetua o que viu
e o que ela viu
é tão bonito.
Há quem use palavras
(Como eu)
Mas p'ra ela isso não chega
duvido que ela não tema
o descolorido.
É tão pequenina a Inês
Em palmos de português
Bastam só uns pouquinhos...
Ah, mas o Mestre já dizia
"Não sou como me vês"
- Era do tamanho do que via.
Inês,
Fizesse o que tu fazes
fixasse só o que tinha
Usasse luz
e não
palavras.
www.osdiasfelizes.cjb.net
Co'a luz perpetua o que viu
e o que ela viu
é tão bonito.
Há quem use palavras
(Como eu)
Mas p'ra ela isso não chega
duvido que ela não tema
o descolorido.
É tão pequenina a Inês
Em palmos de português
Bastam só uns pouquinhos...
Ah, mas o Mestre já dizia
"Não sou como me vês"
- Era do tamanho do que via.
Inês,
Fizesse o que tu fazes
fixasse só o que tinha
Usasse luz
e não
palavras.
www.osdiasfelizes.cjb.net
sexta-feira, dezembro 03, 2004
quarta-feira, dezembro 01, 2004
281
Não me consigo definir neste instante e, mais uma vez, pergunto-me a que terei de recorrer para o conseguir. Podia escolher individuos ao calhas e pedir uma opinião mas esse processo é moroso e nao contaminados estão longe de saberem que sou. Os outros já têm opiniao formada e eu espero um resposta que chegue a essencia do meu ser: se é p'ra o ser que seja ontologicamente definido.
Na impossibilidade da hipotese anterir - conheço pessoas que nada de humano têm mas os seus olhos só veêm- debruço-me sobre mim mesmo e com medo tento chegar a algum lado...
Na impossibilidade da hipotese anterir - conheço pessoas que nada de humano têm mas os seus olhos só veêm- debruço-me sobre mim mesmo e com medo tento chegar a algum lado...
280
Já não vivo os desgostos como antes . Acumulava em mim o que me comprimia e, por dentro, sentia o fardo em que tudo o resto se tornava. Queria instintivamente escrever, puxar p'ro papel o que me puxava p'ra dentro. Protegia-me e como um cobarde tudo esquecia como se tudo nada fosse. Hoje não faço isso: já não vivo como antes...
Bebo e acumulho em mortalhas brancas o que antes sujava o papel (sim, negras são as folhas que me têm: cobrem-se dos passos de quem foge...).
Já não vivo os desgostos como antes. Agora vivo-os.
Bebo e acumulho em mortalhas brancas o que antes sujava o papel (sim, negras são as folhas que me têm: cobrem-se dos passos de quem foge...).
Já não vivo os desgostos como antes. Agora vivo-os.
quinta-feira, novembro 25, 2004
279 Cartas por enviar
Fosse tudo tão simples como a matemática
comos os números que domino aprendendo
que junto tirando conclusões.
Fosse tuda tão fácil quanto o estudo
que só depende dele mesmo
que, pegando em linhas, mesmo de outros, traz sucesso.
Fosse tudo assim.
Não percebo nada
estou melhor mas ainda nao percebo,
estive doente e o calor que era só meu
fez-me ansiar pelo de outrem.
Menti há pouco,
não quero pouco,
quero muito!!!
VAmos,
partamos para longe
(digo isto mas não o faço)
Estou À parte
sei que o estou...
nem querendo mudo
a culpa é do mundo
nc me foi fácil.
II
Há dúvidas há, não as vês?
tu pedes porquês
eles estão no olhar!
pq é que ng os vê?
acham que não deveriam existir...
só querem ouvir
mas ng vê.
Queres pq?
P'lo - tu exiges algo que ela não quis ouvir
Agora que podes eu compreendo
não queiras pq's
vê!
Está tudo tão obvio
e eu estou de fora
tu que o não estás está atenta
PQ?PQ?PQ?
Cala-te e vê.
comos os números que domino aprendendo
que junto tirando conclusões.
Fosse tuda tão fácil quanto o estudo
que só depende dele mesmo
que, pegando em linhas, mesmo de outros, traz sucesso.
Fosse tudo assim.
Não percebo nada
estou melhor mas ainda nao percebo,
estive doente e o calor que era só meu
fez-me ansiar pelo de outrem.
Menti há pouco,
não quero pouco,
quero muito!!!
VAmos,
partamos para longe
(digo isto mas não o faço)
Estou À parte
sei que o estou...
nem querendo mudo
a culpa é do mundo
nc me foi fácil.
II
Há dúvidas há, não as vês?
tu pedes porquês
eles estão no olhar!
pq é que ng os vê?
acham que não deveriam existir...
só querem ouvir
mas ng vê.
Queres pq?
P'lo - tu exiges algo que ela não quis ouvir
Agora que podes eu compreendo
não queiras pq's
vê!
Está tudo tão obvio
e eu estou de fora
tu que o não estás está atenta
PQ?PQ?PQ?
Cala-te e vê.
278 Cartas por enviar
I
Sou alto demais p'ra ver algo
isto se estiver de pé
p'la janela da porta pneumática.
Só vejo o caminho forjado
que plos anos se alaranjou.
O horizonte não é visivel
só por vezes o mar que o define
nunca o céu que eu sei quase azul!
Estou onde quero e por isso não vejo
não vejo pq estou onde quero.
A porta por trás, outra pela frente
quando se abrir sai a gente
e eu saio logo com ela.
(Ah quando abre ainda vejo pouco).
Chegámos,
desço mais só pq a engenharia o permite
Amontoam-se as pessoas que só o do homem veêm
Vão comprimir-se para sentir calor.
II
Isolo-me com a infecção que me faz fechar
Não respirava e não quis ajuda
não quero dever favores a quem não sei julgar.
Transpirei e o calor era meu.
Ng se debruçou sobre mim
a solidão coberta não permite arrefecimentos.
Adormeci e ng me contou histórias enfadonhas
A tristeza motiva sonhos que só o só tem.
Sonho não por quem quero
sonho só por mim.
vim,
cheguei ao que já fora pisado
Vim,
estou isolado
estou só por mim
277
I
Nada digo e digo-o por dizer
Quem o faz mais? Ninguem porque não precisa
Não me chegam os gestos que não tenho
Por não os ter nunca me chegaram.
Os dias somam-se e conto-os,
preciso de os prolongar para os viver,
de desabafar o arrependimento que os faz.
Sou como um velho que tem tanto p'ra falar
mas falta-me o saber que o falado carrega
o saber que a experiência não me deu.
Abrandou o comboio.
Estou de costas para o sol que já se ergueu
mas só por ele se erguer estou assim.
Há quem diga que os astros nada dizem
mas o mais próximo é quem nos governa.
Não fossem assim;
dissessem algo com sentido.
Toca a música
não toca baixinho
Não quero ouvir o que me rodeia
o que n me desperta mais que nojo...
Fico calmo e há pouco enfureci.
II
O rio não reflecte o sol
-O mar que o conspurca ainda aqui o agita.
Acumulam-se monumentos e edifícios monumentalmente escusados
que só bloqueiam quem vê p'ra longe.
Fosse turista e olhasse p'ra tudo com espanto...
Não o sou:
Olho p'ra tudo e só me vem nojo...
Pq estou aqui?
Pq não me leva p'ra longe este comboio?
Pq é que o caminho de ferro tem limite que o homem triste marcou?
Estou a chegar,
só para mais 3 vezes.
OS que aqui estão devem ir p'ra lá
- vej na sua cara triste e feliz.
Estou a chegar.
Pq é que ainda estou aqui?
276 Porque o Pedro me lembrou
Acho que caí. Cheguei ainda agora a casa e sinto que não estive onde devo ou onde posso algum dia considerar pertencer; pessoas vãs cuja postura magoa o que me equilibra são aquelas que perfazem o meio onde infelizmente me insiro por falta de outro que não magoe tanto. Nem a música salva e pouco mais que ela tenho.
Notas, ritmos, sons são tudo o que mais importa. O Pedro que é de cá e que existe e eu noto tantas vezes mo mostrou. Não interessa a complexidade, tal como um bom texto não se julga pelas palavras que se gastam ou pelos estilos pensados só por quem os não sabe usar, uma música não é feita pelo emaranhado que a constitui mas pelo que total transmite. Não interessa o que ouço mas se o que eu ouço me transporta e me diz algo que eu sei ou preciso de saber.
Agora escuto atentamente "Karn Evil 9". Sinto fúria em mim; sinto-a e gosto. Saí de casa esperando ter algum motivo para não voltar mas não o encontrei. Desgostei. Rodiei-me de pessoas que, como já disse são vãs. Agora escuto...daqui a nada vou.
(Trancrevo pela primeira vez. Faço-o pq gosto)
"Cold and misty morning, I heard a warning borne in the air
About an age of power where no one had an hour to spare,
Where the seeds have withered, silent children shivered, in the cold
Now their faces captured in the lenses of the jackals for gold.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there.
Suffering in silence, they’ve all been betrayed.
They hurt them and they beat them, in a terrible way,
Praying for survival at the end of the day.
There is no compassion for those who stay.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there.
There must be someone who can set them free:
To take their sorrow from this odyssey
To help the helpless and the refugee
To protect what’s left of humanity.
Can’t you see
Can’t you see
Can’t you see.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there;
To heal their sorrow
To beg and borrow
Fight tommorow.
Step inside! hello! we’ve the most amazing show
You’ll enjoy it all we know
Step inside! step inside!
We’ve got thrills and shocks, supersonic fighting cocks.
Leave your hammers at the box
Come inside! come inside!
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Left behind the bars, rows of bishops’ heads in jars
And a bomb inside a car
Spectacular! spectacular!
If you follow me there’s a speciality
Some tears for you to see
Misery, misery,
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Next upon the bill in our house of vaudeville
We’ve a stripper in a till
What a thrill! what a thrill!
And not content with that, with our hands behind our backs,
We pull jesus from a hat,
Get into that! get into that!
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Welcome back my friends to the show that never ends
We’re so glad you could attend
Come inside! come inside!
There behind a glass is a real blade of grass
Be careful as you pass.
Move along! move along!
Come inside, the show’s about to start
Guaranteed to blow your head apart
Rest assured you’ll get your money’s worth
The greatest show in heaven, hell or earth.
You’ve got to see the show, it’s a dynamo.
You’ve got to see the show, it’s rock and roll ....
Soon the gypsy queen in a glaze of vaseline
Will perform on guillotine
What a scene! what a scene!
Next upon the stand will you please extend a hand
To alexander’s ragtime band
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Performing on a stool we’ve a sight to make you drool
Seven virgins and a muleKeep it cool. keep it cool.
We would like it to be known the exhibits that were shown
Were exclusively our own,
All our own. all our own.
Come and see the show!
come and see the show!
come and see the show!
See the show!"
Notas, ritmos, sons são tudo o que mais importa. O Pedro que é de cá e que existe e eu noto tantas vezes mo mostrou. Não interessa a complexidade, tal como um bom texto não se julga pelas palavras que se gastam ou pelos estilos pensados só por quem os não sabe usar, uma música não é feita pelo emaranhado que a constitui mas pelo que total transmite. Não interessa o que ouço mas se o que eu ouço me transporta e me diz algo que eu sei ou preciso de saber.
Agora escuto atentamente "Karn Evil 9". Sinto fúria em mim; sinto-a e gosto. Saí de casa esperando ter algum motivo para não voltar mas não o encontrei. Desgostei. Rodiei-me de pessoas que, como já disse são vãs. Agora escuto...daqui a nada vou.
(Trancrevo pela primeira vez. Faço-o pq gosto)
"Cold and misty morning, I heard a warning borne in the air
About an age of power where no one had an hour to spare,
Where the seeds have withered, silent children shivered, in the cold
Now their faces captured in the lenses of the jackals for gold.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there.
Suffering in silence, they’ve all been betrayed.
They hurt them and they beat them, in a terrible way,
Praying for survival at the end of the day.
There is no compassion for those who stay.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there.
There must be someone who can set them free:
To take their sorrow from this odyssey
To help the helpless and the refugee
To protect what’s left of humanity.
Can’t you see
Can’t you see
Can’t you see.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there;
To heal their sorrow
To beg and borrow
Fight tommorow.
Step inside! hello! we’ve the most amazing show
You’ll enjoy it all we know
Step inside! step inside!
We’ve got thrills and shocks, supersonic fighting cocks.
Leave your hammers at the box
Come inside! come inside!
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Left behind the bars, rows of bishops’ heads in jars
And a bomb inside a car
Spectacular! spectacular!
If you follow me there’s a speciality
Some tears for you to see
Misery, misery,
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Next upon the bill in our house of vaudeville
We’ve a stripper in a till
What a thrill! what a thrill!
And not content with that, with our hands behind our backs,
We pull jesus from a hat,
Get into that! get into that!
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Welcome back my friends to the show that never ends
We’re so glad you could attend
Come inside! come inside!
There behind a glass is a real blade of grass
Be careful as you pass.
Move along! move along!
Come inside, the show’s about to start
Guaranteed to blow your head apart
Rest assured you’ll get your money’s worth
The greatest show in heaven, hell or earth.
You’ve got to see the show, it’s a dynamo.
You’ve got to see the show, it’s rock and roll ....
Soon the gypsy queen in a glaze of vaseline
Will perform on guillotine
What a scene! what a scene!
Next upon the stand will you please extend a hand
To alexander’s ragtime band
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Performing on a stool we’ve a sight to make you drool
Seven virgins and a muleKeep it cool. keep it cool.
We would like it to be known the exhibits that were shown
Were exclusively our own,
All our own. all our own.
Come and see the show!
come and see the show!
come and see the show!
See the show!"
quarta-feira, novembro 17, 2004
Dessem-me flores com cores
tão distintas
Dessem
mas dissessem
que já antes eram minhas.
Regasse-as
e um pouco do dado
caísse ao lado
como se o dado
fosse muito.
Crecessem
não tocando tocassem
o céu que agora é azul.
Ficassem lindas
coloridas mas não como antes...
Ao secar
porque secam
Sei que as tive bem.
tão distintas
Dessem
mas dissessem
que já antes eram minhas.
Regasse-as
e um pouco do dado
caísse ao lado
como se o dado
fosse muito.
Crecessem
não tocando tocassem
o céu que agora é azul.
Ficassem lindas
coloridas mas não como antes...
Ao secar
porque secam
Sei que as tive bem.
274
Uma pequena e complexa história como todas as que são minhas. Um conjunto de palavras caídas.
Menú
Ementa
Prato principal
sobremesa
E o que o chefe aconselha.
Peça
Vá e venha
- sempre disposto a servir
Ouça mas se ouvir
Não vai perceber.
I
O semestre começou
Ele acordou mais cedo
com um despertar de máquina.
Nc gostou das paredes
que
como aquelas pessoas
amareladamente vâs
mais ainda o isolavam.
Ainda por cima as praxes
Coisas sem sentido
Que
como devem
chegam de negro.
Tradiçoes não antigas
Taras e manias
que tem quem não quer.
Chegou,
chorou,
Por dentro.
II
Não se apresentando foi apresentado
Ninguém disse os nomes, eles foram ditos
Mas ele
não os fixou.
Há coisas que o calor não permite
como ele já uma vez disse
há uma temperatura optima de funcionamento
perto não há raciocínio.
N te olhou, nem te viu!
N te falou não te ouviu
(nem sequer nisso pensou)
Eras só mais uma num mar de negro
concentrado de calor.
Entre as capas e as batinas
estava uma pessoa.
III
Revi-te.
Reconheci-te (é melhor assim).
A noite alongara-se alimentada a alcool,
Os músculos cediam sem eu sentir
E cansado demais eu falava-te.
Nunca gostei daquilo
Nunca gostei de pessoas em massa
de pessoas que testemunham o que não é delas.
Vim mais tarde a saber que nada havia a ver
(eu sou sincero aqui nada vi)
Ouviste-me por instantes
tinhas de partir.
Eu fiquei
até ficar sem ar.
IV
Fui ao norte, pisei o teu chão.
As paredes negras que envolviam
não eram como tu.
Estranhamente senti-me bem
Parecia que herdara mais que um nome.
Estava longe mas em casa
E nada era como tu.
Nâo conhecia o teu mundo mas achava
que ele não era assim.
Vim
Pisei o teu chão
e errado estive bem.
[mais tarde acabei
por voltar]
V
Não quero mas já sinto na forma como tremo a seu lado
Que não desejo estar melhor que assim.
Fosse tudo tão simples com um só cabelo
não como os cachos que se formam deles.
Ah! saisse de mim, não fosse como antes
Não quisesse o que quero o que já quis igual.
Há tipos com sorte, eu não sou assim.
O final é o mesmo mesmo que eu me esforce,
E eu não gosto gostando de histórias repetitivas!!!
Acumulam-se momentos que só diferem no tempo e nos espaço
O meu é o mesmo e o que o preenche nunca varia.
Digo que agirei de outra forma
que querendo serei outro!!!
Vi-a de novo
vi o que não queria ver
Pq me falou daquela forma?
pq me mostrou como era?
Não quero,
insisto
não quero!!!
Alguém o visse
Alguem o ajudasse!!!
Não quero,
basta querer.
VI
Mostrou-me mas só outros viram
Disse mas outros me disseram.
"Não acredito! Não sei ser diferente"
Outros insistem que já o é.
"É evidente faz",
Nunca ouvindo o fiz.
Sou óbvio d + o que é o esforço?
Aperto com um braço que não vejo o pescoço
Só não respiro pq não deixo.
Disse tudo
Disse o que me faz dizer
Associei a sons que me fazem lembrar
Ela se quisesse perceberia.
Sou óbvio d + não precisei dizer
Sou óbvio,
em papel e gestos me dou
Só quem quer não vê.
O seu olhar enganava disse-me ela que eu ouvi.
Nunca em olhares acreditei
sou egoista de + para o fazer
Sou óbvio o que eu faço mais ng diz.
Penso, penso, penso
aonde chego nunca me basta
Penso mais e mais e mais
Nc vou a lado nenhum
Eles dizem que é evidente
Mas é evidente que p'ra mim não é.
Ela dá-se eles me dizem
eu ouço e não acredito...
Sou óbvio é assim que sou
com palavras e gestos me dou
Não preciso de dizer.
Merda,
fossem os outros assim.
VII
Tinha de a ver mas depois de a ver foi-se.
Procurei-a por aí
Não a vi.
Enrolei os meus nervos em papel de arroz branco
Amortalhei-os como um dia me vão cobrir
Instintivamenta achava-a perto
Dentro do poiso dos livros que ng vê.
Sou um deles
o mais pesado e menos acessivel
Ng me mexe e eu não sou leve para o fazer
- só me toca quem me procura.
Achava-a perto e entrei
Pisei o chão de uma forma ritmada
ouvi no fundo do que sou um bater
compassado p'lo que faz a vida-
à medida que me aproximei de onde a achava
O som era mais intenso;
Do chão se ouviam os meus passos
e do alto os dentes que quase rangiam.
Apertava os dedos contras as mãos
Como se preparasse um conflito com tudo o que me rodeava
um conflito que, como tudo, partia de mim.
Estava mais perto
achava eu
e só por achar o que antes tinha se acumulou...
cheguei
não a vi
fiquei o qu'era antes.
Estava feliz, evitei o confronto!
A cobardia sentiu-se repleta!!!
Onde estava já não me interessa
Amanhã é outro dia!
Menú
Ementa
Prato principal
sobremesa
E o que o chefe aconselha.
Peça
Vá e venha
- sempre disposto a servir
Ouça mas se ouvir
Não vai perceber.
I
O semestre começou
Ele acordou mais cedo
com um despertar de máquina.
Nc gostou das paredes
que
como aquelas pessoas
amareladamente vâs
mais ainda o isolavam.
Ainda por cima as praxes
Coisas sem sentido
Que
como devem
chegam de negro.
Tradiçoes não antigas
Taras e manias
que tem quem não quer.
Chegou,
chorou,
Por dentro.
II
Não se apresentando foi apresentado
Ninguém disse os nomes, eles foram ditos
Mas ele
não os fixou.
Há coisas que o calor não permite
como ele já uma vez disse
há uma temperatura optima de funcionamento
perto não há raciocínio.
N te olhou, nem te viu!
N te falou não te ouviu
(nem sequer nisso pensou)
Eras só mais uma num mar de negro
concentrado de calor.
Entre as capas e as batinas
estava uma pessoa.
III
Revi-te.
Reconheci-te (é melhor assim).
A noite alongara-se alimentada a alcool,
Os músculos cediam sem eu sentir
E cansado demais eu falava-te.
Nunca gostei daquilo
Nunca gostei de pessoas em massa
de pessoas que testemunham o que não é delas.
Vim mais tarde a saber que nada havia a ver
(eu sou sincero aqui nada vi)
Ouviste-me por instantes
tinhas de partir.
Eu fiquei
até ficar sem ar.
IV
Fui ao norte, pisei o teu chão.
As paredes negras que envolviam
não eram como tu.
Estranhamente senti-me bem
Parecia que herdara mais que um nome.
Estava longe mas em casa
E nada era como tu.
Nâo conhecia o teu mundo mas achava
que ele não era assim.
Vim
Pisei o teu chão
e errado estive bem.
[mais tarde acabei
por voltar]
V
Não quero mas já sinto na forma como tremo a seu lado
Que não desejo estar melhor que assim.
Fosse tudo tão simples com um só cabelo
não como os cachos que se formam deles.
Ah! saisse de mim, não fosse como antes
Não quisesse o que quero o que já quis igual.
Há tipos com sorte, eu não sou assim.
O final é o mesmo mesmo que eu me esforce,
E eu não gosto gostando de histórias repetitivas!!!
Acumulam-se momentos que só diferem no tempo e nos espaço
O meu é o mesmo e o que o preenche nunca varia.
Digo que agirei de outra forma
que querendo serei outro!!!
Vi-a de novo
vi o que não queria ver
Pq me falou daquela forma?
pq me mostrou como era?
Não quero,
insisto
não quero!!!
Alguém o visse
Alguem o ajudasse!!!
Não quero,
basta querer.
VI
Mostrou-me mas só outros viram
Disse mas outros me disseram.
"Não acredito! Não sei ser diferente"
Outros insistem que já o é.
"É evidente faz",
Nunca ouvindo o fiz.
Sou óbvio d + o que é o esforço?
Aperto com um braço que não vejo o pescoço
Só não respiro pq não deixo.
Disse tudo
Disse o que me faz dizer
Associei a sons que me fazem lembrar
Ela se quisesse perceberia.
Sou óbvio d + não precisei dizer
Sou óbvio,
em papel e gestos me dou
Só quem quer não vê.
O seu olhar enganava disse-me ela que eu ouvi.
Nunca em olhares acreditei
sou egoista de + para o fazer
Sou óbvio o que eu faço mais ng diz.
Penso, penso, penso
aonde chego nunca me basta
Penso mais e mais e mais
Nc vou a lado nenhum
Eles dizem que é evidente
Mas é evidente que p'ra mim não é.
Ela dá-se eles me dizem
eu ouço e não acredito...
Sou óbvio é assim que sou
com palavras e gestos me dou
Não preciso de dizer.
Merda,
fossem os outros assim.
VII
Tinha de a ver mas depois de a ver foi-se.
Procurei-a por aí
Não a vi.
Enrolei os meus nervos em papel de arroz branco
Amortalhei-os como um dia me vão cobrir
Instintivamenta achava-a perto
Dentro do poiso dos livros que ng vê.
Sou um deles
o mais pesado e menos acessivel
Ng me mexe e eu não sou leve para o fazer
- só me toca quem me procura.
Achava-a perto e entrei
Pisei o chão de uma forma ritmada
ouvi no fundo do que sou um bater
compassado p'lo que faz a vida-
à medida que me aproximei de onde a achava
O som era mais intenso;
Do chão se ouviam os meus passos
e do alto os dentes que quase rangiam.
Apertava os dedos contras as mãos
Como se preparasse um conflito com tudo o que me rodeava
um conflito que, como tudo, partia de mim.
Estava mais perto
achava eu
e só por achar o que antes tinha se acumulou...
cheguei
não a vi
fiquei o qu'era antes.
Estava feliz, evitei o confronto!
A cobardia sentiu-se repleta!!!
Onde estava já não me interessa
Amanhã é outro dia!
segunda-feira, novembro 08, 2004
273
Acordaram pã do seu sono,
Veio o pânico que matou kronos
Sou mortal em mim ainda se sente
Veio o pânico com o susto vou mudar.
Desejo sempre tive e sempre me preencheu as horas vazias
O seu problema é envolver outro ser que não eu
Por entre os meus dedos passam rios
Que por não quererem não me levam na corrente.
Estou cada vez mais velho e empilham-se
nas esquinas por onde passo insucessos
- Quem me conhece diz que não até me safo-
Mas o que quero só deixei de querer.
Nunca provei uma gota do que me dá sentido
Nunca senti o que me dá vontade de provar
Por vezes aqueço com brisas que não desejo
Por vezes esquento mas deixo o calro num canto.
Ah memórias de infância...melodias que já só sei trautear
Era tudo tão simples até ver que havia mais que eu
Era tudo tão meigo porque era assim que tudo eu via.
Cresci e veio a vontade de procurar
De querer dar o que só se queria receber
Errei, quantos passos em falso não dei pq o ananke assim demarcou...
Aprendi tantas vezes mas, quando veio a prova, errei
Fi-lo porque assim foi demarcado.
Merda
Até finjo que acredito no Destino
Em merdas que não fazem sentido na minha racionalidade
Já não tenho idade para bruxedos para astros
Nunca cheguei porque nenhum dos meus passos o permitiu.
E passam e passam pelos dedos que húmidos estão do roçar
Tivesse eu força para os suportar ou fosse eu fraco para ser levado.
Digo constantemente que sou outro mas a noite põe-se para depois voltar.
Queima o sol e a evidência que ele traz
Não quero calor quero luz
mas quero que ela não queime.
Onde está o sentido onde está o pouco que tenho
(sou sincero nunca o tive)
Resulto de momentos que colo com cuspo como o que devia estudar.
diluo aos poucos o que ainda resta de mim na folha que preencho
E que aos poucos assume-se como eu.
Está aí alguém.
Alguém me ouve
Quem me ouve está aí?
Não não vou falar comigo.Vou esquecer
O leito espera-me nas minhas costas
Já estou cansado da entrega desta noite...
Ainda estou só - merda - porque me dei?
Porque é que nada faz sentido...
Porque prometo que vou ser outro que não eu.
REagisse...Visse que me mato
Que só me agarro aos vícios que no presente saciam.
Ousei..e por isso caí mais
Só me resta a catastrofe que vivo
só me resta o que tiro a vulso de mim...
Vou ser outro que não sendo sou.
Veio o pânico que matou kronos
Sou mortal em mim ainda se sente
Veio o pânico com o susto vou mudar.
Desejo sempre tive e sempre me preencheu as horas vazias
O seu problema é envolver outro ser que não eu
Por entre os meus dedos passam rios
Que por não quererem não me levam na corrente.
Estou cada vez mais velho e empilham-se
nas esquinas por onde passo insucessos
- Quem me conhece diz que não até me safo-
Mas o que quero só deixei de querer.
Nunca provei uma gota do que me dá sentido
Nunca senti o que me dá vontade de provar
Por vezes aqueço com brisas que não desejo
Por vezes esquento mas deixo o calro num canto.
Ah memórias de infância...melodias que já só sei trautear
Era tudo tão simples até ver que havia mais que eu
Era tudo tão meigo porque era assim que tudo eu via.
Cresci e veio a vontade de procurar
De querer dar o que só se queria receber
Errei, quantos passos em falso não dei pq o ananke assim demarcou...
Aprendi tantas vezes mas, quando veio a prova, errei
Fi-lo porque assim foi demarcado.
Merda
Até finjo que acredito no Destino
Em merdas que não fazem sentido na minha racionalidade
Já não tenho idade para bruxedos para astros
Nunca cheguei porque nenhum dos meus passos o permitiu.
E passam e passam pelos dedos que húmidos estão do roçar
Tivesse eu força para os suportar ou fosse eu fraco para ser levado.
Digo constantemente que sou outro mas a noite põe-se para depois voltar.
Queima o sol e a evidência que ele traz
Não quero calor quero luz
mas quero que ela não queime.
Onde está o sentido onde está o pouco que tenho
(sou sincero nunca o tive)
Resulto de momentos que colo com cuspo como o que devia estudar.
diluo aos poucos o que ainda resta de mim na folha que preencho
E que aos poucos assume-se como eu.
Está aí alguém.
Alguém me ouve
Quem me ouve está aí?
Não não vou falar comigo.Vou esquecer
O leito espera-me nas minhas costas
Já estou cansado da entrega desta noite...
Ainda estou só - merda - porque me dei?
Porque é que nada faz sentido...
Porque prometo que vou ser outro que não eu.
REagisse...Visse que me mato
Que só me agarro aos vícios que no presente saciam.
Ousei..e por isso caí mais
Só me resta a catastrofe que vivo
só me resta o que tiro a vulso de mim...
Vou ser outro que não sendo sou.
quinta-feira, novembro 04, 2004
quarta-feira, novembro 03, 2004
271 Ce que je ne reusse pas dire
I
Até a merda do café me faz lembrar.
Está perto mas à distância de um olhar p'ra baixo
Um olhar que, como o que sinto, é retraído.
Não como e preenche-me a fome,
Estou nervoso de mais p'ra fazer algo de concreto
Só os pequenos gestos que nada de voluntário têm
Servem para estes momentos
- normais para alguém estranho como eu.
Ontem tudo foi fácil como o andar
Como algo que já fazemos mesmo desconcentrados.
Ontem tudo foi fácil por nada mais ser
Era um processo e disso não passou.
Está longe; à distância de um olhar tímido
Quero-a mas não de um querer grotesco
Aquele tipo de desejo que faz que as atitudes o sejam
Para os olhos de quem não vê e não percebe.
Podia ousar aproximar-me, podia.
É isso que quero, já farto de me ouvir me digo.
Eu que farto não estou de fingir que os escuto
Nunca aplico conselhos que já me são banais ouvir.
Fosse outro penso por vezes julgando que não sofreria tanto.
Talvez esteja certo mas o que sou não muda num dia
- Não depende de acções obrigadas que, só por isso, não o são.
Reagisse, visse (com os olhos que não tenho) e mudasse;
Fosse, como eu julgo errado, feliz.
II
Foi-se.
Já não a vejo
Pareço outro: o mesmo de sempre.
A ausência de um traz o outro;
Sem as portadas temos algo mais p'ra ver.
Foi-se
por algum motivo a sinto perto.
(Desta vez não mudo, está em mim)
Não quero ver, não quero sentir
O que vejo que sinto.
É sempre o mesmo.
O que acontece é monótono como os dias
Que começando à mesma hora à mesma hora findam.
Não conhecendo acho que sei o desfecho
É sempre o mesmo.
apliquei o achar de uma forma pensada
(Haja vezes em que o faço)
O que acho é tão incerto como eu
mas é em funçao de mim que ajo.
Foi-se
Já sei que se foi
Mas não sei se se foi de mim.
Terá sido?
Não sei
foi-se
e eu vi.
terça-feira, novembro 02, 2004
270
As horas não passam e a ressaca da espera acumula-se;
Não sei o que fazer e tudo o que faço é por ignorância
Por não saber mais do que aquilo que decorei
Mais do que aquilo que foi enchido à pressa.
Ao redor acumula-se o que transbordou
O resultado de um processo que, como os outros, me é desconhecido
Nem o que eu sou percebo por inteiro
Até o que escrevo aos outros é submetido.
E não passam, e pesam nos ombros que já não caiem
O que faço agora é resultado do que eu não posso fazer
O que digo é tão diáfuno como o que finjo ouvir
Não fica sequer por instantes onde nunca esteve
E os outros que também não ouvem sentem que estou convicto.
O que será que eles querem?O que será que eu quero?
Respondo ou tento fazê-lo na ordem que também não sei
E, só por isso, não chego a lado nenhum.
Quero um cigarro mas as mãos transpiram
Podia fazê-lo mas fumava por minutos
Que só ganham sentido durante os instantes em que arde.
não não quero que seja tudo assim simples
Minto, sei que minto, é só isso que quero.
Fosse tudo tão simples como um cigarro mal feito
Como a combustão dos fósforos resultante
de um processo químico, ou físico, que não me preocupa.
Porque é que tudo não é assim? Porque preciso que me expliquem
Ou até que seja eu a tentar explicar?
Quero um cigarro, quero que arda por minutos
Quero que os segundos tenham um sentido qualquer.
Vou fazê-lo, sei que o vou fazer.
Vou pegar na mortalha que mais tarde me vai cobrir
Vou fazê-lo sem sentido.
Não sei o que fazer e tudo o que faço é por ignorância
Por não saber mais do que aquilo que decorei
Mais do que aquilo que foi enchido à pressa.
Ao redor acumula-se o que transbordou
O resultado de um processo que, como os outros, me é desconhecido
Nem o que eu sou percebo por inteiro
Até o que escrevo aos outros é submetido.
E não passam, e pesam nos ombros que já não caiem
O que faço agora é resultado do que eu não posso fazer
O que digo é tão diáfuno como o que finjo ouvir
Não fica sequer por instantes onde nunca esteve
E os outros que também não ouvem sentem que estou convicto.
O que será que eles querem?O que será que eu quero?
Respondo ou tento fazê-lo na ordem que também não sei
E, só por isso, não chego a lado nenhum.
Quero um cigarro mas as mãos transpiram
Podia fazê-lo mas fumava por minutos
Que só ganham sentido durante os instantes em que arde.
não não quero que seja tudo assim simples
Minto, sei que minto, é só isso que quero.
Fosse tudo tão simples como um cigarro mal feito
Como a combustão dos fósforos resultante
de um processo químico, ou físico, que não me preocupa.
Porque é que tudo não é assim? Porque preciso que me expliquem
Ou até que seja eu a tentar explicar?
Quero um cigarro, quero que arda por minutos
Quero que os segundos tenham um sentido qualquer.
Vou fazê-lo, sei que o vou fazer.
Vou pegar na mortalha que mais tarde me vai cobrir
Vou fazê-lo sem sentido.
268 O primeiro interactivo.
Alguma coisa
(Espaço em branco)
Outra coisa qualquer
(Continuação do vazio)
Se alguém me perceber e me estiver disposto a explicar que apite (envie um mail num português simples e esclarecedor). Pode ser que ajude.
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Outra coisa qualquer
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