Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

terça-feira, janeiro 09, 2007

Quem ama dá-se exigindo, se discernir, uma entrega da outra parte que implique o mesmo. É contratual o sentimento mesmo que nunca se firme um documento perante Deus e esta clausula tem tudo para ser definida como vinculativa.

Cada papel, assinado somente na presença de um notário que estabeleceu a relação muito tempo antes de ela se ter concretizado, pode apresentar alineas muito, pouco ou nada diferentes dependendo somente das partes envolvidas. Basicamente o agente 1, que nas linhas seguintes vou tratar por eu, e o agente 2, que varia ao longo do espaço de tempo que é a minha vida e que tanto pode ser Joana, Clara ou Maria (nomes ficticios talvez mas sempre no feminino), encontram-se e criam uma relação com regras estabelicidas p'la sociedade e sinergias que tautologicamente por ela são escritas.

Assume, de acordo com as imposições feitas pelas partes, um nome diferente cada relação entre o eu e elas lda. Algumas exigem exclusividade contratual por um tempo certo que sempre que o é é curto. O nome até é parecido com o último adjectivo da última frase e as mais valias também são de curta duração: muitas vezes só existe uma e, se os participantes estiverem inebriados, nem chegam a haver.

Há casos em que as partes se aproximam com o intuito de preencher uma vaga na empresa de cada um: um out sourcing de recursos com o intuito de culmatar uma falha que mais tarde se percebe que só mão de obra especializada culmataria. P'lo menos enquanto dura a produtividade aumenta mesmo que pouco e só por pouco até se achar alguém mais apto. A quebra do contrato é que pode ser bem chata:com as partes a confundir a sua função e os escritório já habituados àquele funcionário.

Raras vezes, e sem qualquer previsão do mercado, encontram-se as condições para se ter o mais complexo de todos os acordos. Há casos em que tudo começa com uma sucessão de entrevistas inspiradas em características exteriores e facilmente avaliáveis que, após nos permitirem conhecer o entrevistando nunca por obrigação entrevistado, acabam por fazer com que ele receba uma proposta, muitas vezes discreta, de trabalho que, se ele for perspicaz, aceita se quiser. Outros casos têm início no outro tipo contrato ou simplesmente parecem que vão acabar num deles mas, havendo qualquer coisa que pode ser qualquer coisa e por ser qualquer coisa é imprevisível acabam por ser do tipo a que neste parágrafo me refiro.

O último quando acaba se acaba bem bem o faz. Caso contrário é uma merda. Insisto uma merda. Uma merda tão grande que duas linhas isoladas são só para o dizer. Espero que assim vejam a merda que é.

O pior é quando não percebem porque se rescinde o contrato. As partes tendem sempre a ser egoístas, egocÊntricas ou simplesmente estúpidas. Só interessa o lucro mesmo que o espaço que cada um é se inunde de um ódio que só se quer repercurtir em peso no outro. Esquece-se tudo o que se viveu:

"O outro é outro; já não é mais aquele do tempo em que estava relacionado comigo ou então nunca foi. Agora que eu vejo que ele só tem projectos de curto prazo percebo que ele nunca foi um estandarte da estabilidade que acenava diante de mim"

Triste.

Agora que não há nunca houve. Já nem as memórias bastam perante o presente. Nunca assinei um contrato, nunca escrevi um. A vida fê-lo por mim e bastou viver p'ra se exigir algo que nunca foi nosso. Imagino perante Deus e o peso da sua mão.

sexta-feira, dezembro 22, 2006


Eles amavam-se. Só o mundo não percebia: apontava, gritava, gozava.
Com os anjos e os demónios vinham-se.
Nem sequer chega a ser o desistir. Acho que poucas vezes o fiz. Simplesmente a falata de raciocínio, de fio condutor, faz com que o que começo se perca e só aí encontre o seu fim.

Poderia perguntar: e se tivesse feito y?ou X? ou Z?Mas de que serviria. Comecei p'ra acabar, um acabar homogéneo com o resto, por definir em que consistia. Só comecei com esse propósito.

Por isso, e só por, já não lamento nã ter escrito mais que duas páginas por um só texto. Se tivesse que o fazer tê-lo-ia feito. É bem simples até.

Preciso de estruturas que talvez um dia tenha, de uam ideia e da capacidade de a expor em 1000 ao invés de 100 palavras por uma centena não ser suficiente. Criar imagens, paralelismos, insistindo na ideia que, pela sua redundância e repeticão, no texto exposto, quem a leia a veja como dele.

Ideias. Talvez me faltem ou talvez as tenha em excesso. P'ra ser grande, e lido, tem de se ser mediano.

É uma questão sem escolha.

A mulher das luvas amarelas mais espessas que a carroçaria de um panzer, com a sua presença, limitou-me: Não pude mijar no urinol.

Entrei na 1ª divisão dentro daquela em que já estava e, depois de obrigado ter fechado a porta, fiz aquilo p'ra que vim, lavando as mãos de seguida - ainda não se tinha ido.

"Está contente". Inspirada p'lo meu canto, como sempre, fora de tom. "Já está de férias". No fundo, por brio, só agora posso dizer que estou; "Não, já estou há muito!". Há tanto quanto estou farto daquele antro onde raramente ponho os pés.

Pegando na merda que não sentia p'lo amarelo que vergava disse que a vida era como era a vida. Ri-me e disse que era triste pensar assim estando triste porque não mijei de pé.

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Ham on rye

Bebia um café no girassol depois de ter chegado quase a casa. Fechava às oito e, por volta dessa hora, saí.

Outro comboio acabara de chegar de Lisboa. Assustei-me, agora certo que lera por 15 minutos parte da história e que, durante esse tempo, parte das palavras podiam ser minhas.

Continuei no meu caminho, aquele que tantas vezes fizera, avançando mais em mim do que no asfalto. Era interrompido constantemente pelos carros da gente que há pouco se levantara e que, naquele instante, agora no seu transporte não público, continuava sentada na parte final do trajecto.

Detesto companhia nesta estreita estrada , nestra estrada paralela a um caminho mecânico que, no pouco que existe, nunca chega a tocar.

Para onde é que vou afinal? Não quero nada disto. Irritam-me as pessoas que me rodeiam; quase todas carregam o peso de um objectivo comum, de ideais moldados em série e entregues de porta em porta com a facilidade que o gratuito permite. Enojam-me, enquanto que o cão que, como sempre ladra daquela casa com aspecto de barraca perdida entre moradias minimamente decoradas, por não me meter medo, separados que estamos por um muro, só me chateia e incomoda como o frio.

Depois da esquina segui, como sempre o fiz, pelo caminho perpendicular olhando como que por instinto para aquele candeeiro de rua que sempre espera por mim para se acender - provavelmente sou sempre o primeiro como ele a a passar por ali. A sua luz é tão diferente, mais alva, mais pura não como a outra que de 10 em 10 metros se irradia.

Desta vez, num cruzamento, cruzaram-se duas carrinhas que mesmo distantas p'las marcas e por elas. Acabam por carregar o mesmo. Dois homens de fato, ninguém à direita uma cadeira de bebé atrás. Destino que talvez um dia partilhe, tenho a porta aberta.

Olhei para trás. Estava um pouco mais amarela. "Só precisa de tempo para ser como o resto".

Já não pensei mais.

Quem nunca o soube, como resposta a quem era, lá a porta me abriu.

Depois de uma torrada sem códea mas com queijo e presunto.

I

Podia ter aquecido o pão industrialmente fatiado e despido só um bocadinho de nada mais. Como no amor, ou em qualquer outra experiência a temperaturas, ou a outras, como a quantidade em gramas de manteiga e até de presunto, controladas, uma pequena variação pode ter um impacto desagradável no resultado. Neste caso nem muito. Não estava óptima mas comia-se.

Teles, o grande escritor da meia hora que falta, escrevia, p'lo que me pareceu, sobre Noé e clubes de futebol. É óbvia a relação entre os dois, mesmo sendo os estádios mais volumosos; surpreende-me porém ser sobre eles que ele escreve.

Enquanto preparava o meu pãozinho, que, como já sabem podia estar mais quente, e perguntei à minha exma. pessoa o que seria se sonhasse os sonhos de outros. No fundo já estava farto, por mais que tentasse, continuava a sonhar o mesmo e se o mesmo sonhamos - quero que isto fique bem claro- é porque não passa de um sonho e, se Aquele continuar com o seu humor um bocadito recorrente, nunca do que é vai passar.

E frustra. E se queda frustrado. E frustra. E frustra. E frustra ... até chegar ao ponto de só o adjectivo fazer sentido.

Tivesse o dos outros tendo o meu. Era uma como que uma lufada de ar fresco...novos cenários, novas caras, novos golos...

Retiro o que disse há pouco. Tivesse dos outros sonhos agradáveis, daqueles que eu gosto e, quem sabe daqueles que, mal acorde, deixem de os ser. Sonhe por A que faço o B que já fiz, sonho por C que já vi D da E com quem já fiz G - coisa que o F tanto sonhou.

(Suspiro)

O escritor continua a desenvolver a ideia de que se modela como o mesmo coisas que, não sendo o mesmo, por algum motivo talvez o mesmo sejam.


II

Aplausos à criação artistica tão vulgarmente avaliada num estabelecimento que, tendo matriz jacobiana com determinante não nulo e logo por isso quadrada, de ganadaria só é o inverso.

Aplausos então a Noé que, já velho de mais para jogar no moreirense, nos seus tempos fez os possíveis para que os estádios hoje estivessem cheios.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Sobre o que acabar por ser.

Um dia a mais entre outros que são cada vez menos.

Estou na faculdade. Reparem na força da palavra faculdade: faculdade, faculdade. Repito isto mais uma vez. E outra e outra.

Estivesse o Sr. Ferreira certo, perdesse o sentido. Estivesse o filosofo certo: que a consciência dos limites nos concedesse a liberdade. Que o peso dos grilhões acabasse por os diluir numa consciência que, por consciente, só mais nos pesa.


Porque é que não se aplica tudo o que é bonito de ler? Porquê?

Faculdade, faculdade. Faculdade e mais infinito...

e

SÓ ME SINTO
claustrofóbico.

sábado, dezembro 09, 2006

Um humilde regresso.

Sidoro já ha muito que nao escreve. Ou pelo menos não o faz como soía. Pensa mais do que antes e , se mesmo que por pensar, compõe mais linhas pelo mesmo acto menos escreve.

Antigamente era mais simples. Simplesmente saía um texto completamente irracional e de sentido mais dúbio que outra coisa qualquer.

A verdade é que só assim Sidoro, por ser egoista, como tantas outras pessoas tão bem o definem, fica feliz com a sua escrita - só assim verdadeiramente é dele.

A questão que se pode colocar, ele a ele, pois o leitor não interessa nem um bocadiho à escrita de um livro de memórias transcrito somente com o intuito de ser percebido mais tarde pelo seu escritor - Sidoro escreve àrabe da esquerda para a direita sem saber o que àrabe é -, é: "Por que raio é que tu" - melhor ainda - "por que raio é que eu me propus escrever dessa forma?"

Por malicia podia deixar a questão no ar mas um egoísta pode ser bonzinho e esse é o caso de Sidoro.

Por vezes um homem, ou criança, tanto faz, sente a necessidade de mudar e, se o decide fazer, é porque, mesmo que por erro da mente, acha que é num sentido de crescimento que o faz. Foi isso que se passou com Sidoro. Egoista, mas, como podem ver, bom e agora consciente.

Quantas vezes não falara ele de mudar por reacção, por sucessão de acontecimentos, para depois ir contra a sua lógica: p'lo menos agora percebeu.

Percebeu que daquela forma nada escrevia, mas isso era o bom do mau. Por pensar não era ele, não era sincero; forjava tudo quando só pouco ou parte queria partilhar com ele próprio no futuro.

Ironicamente por pensar era um idiota. Fatalmente e agora acaba a crescer.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Parti da terra que não minha por mais tempo me albergou e que por menos, por não ser minha, me teve como sou; o não conhecimento das duas partes muito mais facil torna a certeza de juizos que, mesmo injustos, justamente serão inspirados naquilo em que se ve, ouve, ou melhor, que se sente.

Parti do mesmo sitio e lá chegado por um caminho diferente com a mesma chegada eu, como antes, só dela me despedi.

antes de partir perguntou-me se custara a fechar a mala que só com o meu peso pluma se fechou. Chorei. Disse que sim e, depois, que não custou fazê-la. Até a roupa foi dobrada para mais tempo ter: organizei-a, fechei-a com o cuidado que um checo tem até a virar a pagina de um jornal. NÂO O QUERIA FAZER: UMA MALA FEITA OU DESFEITA NUM CANTO A ESPERA SIGNIFICAM SEMPRE O MESMO, O MESMO!

Nao viajo, parto, e isso implica regresso em tempo indefinido. E ao chegar é o meu pai quem me leva.

Volto a rotina de uma vila que é cidade.

Choro p'lo que deixei p'lo que foi e pelo deixar.

quinta-feira, julho 27, 2006

Daqui a nada vou-me embora ou assim espero eu. Tenho de acordar cedo só mais um dia, só mais um dia e depois durmo, ou assim espero eu.

Nunca tive um momento de responsabilidade mais longo do que segundo e assim esperava eu que fosse sempre. Nunca tive um sentimento que se prolongasse por mais que uns dias e assim esperava que fosse sempre.

Esperando esperei e agora que o fiz vejo que de nada me serve esperar. Já não acredito no futuro que prevejo já que, como as caras, não o consigo ver que não de uma forma incerta. Sou ingénuo como a maturidade, sim a maturidade, o permite; estou velho de mais para ver para além das minhas certezas criadas em estimativas marteladas em segundos. Sim, já me imbebi no que um mês vi os outros fazerem; velho mas aprendo, mudo continuando velho.

Constantemente me lembro do que via e que, mesmo não vendo, sei que continua lá. O mar que com luz estava à minha direita e que sem ela à minha esquerda estava, isto se olhasse na direcção em que ia - tantas vezes foram as que não encarei o meu destino. A beleza de uma àrvore que, como eu, era cercada por um bando de pedras frias; limites à expansão do que a suportava estando a base consolidada no que relativamente era cada vez mais pequeno.

Mas via tão mais tão mais:

a fadiga não só consome o corpo: um esforço é um esforço, um ponto cada vez mais implica o fim.

sábado, julho 22, 2006

Depois da vacina

O inútil aparente, nas horas de maior esforço, o trabalho dilui e a cabeça não vê porque, de olhos fechados, caminha. Não escrevo há tanto e, assim, acumulo o que um dia vou procurar por tópicos escritos em post-its que o vento, o tempo ainda não terá levado.

Daqui a pouco, até este momento, será incerto. Nem o céu, que me pede para impressionar um filme, com raios de sol que ele próprio separa, me ficará na memória, para além da forma como foi escrita.

Estou no mesmo comboio que há três anos uso, mas não como antes me sento nele. Ainda me lembro de como era, isto só porque antes foi. Cantava, dormia, estudava, escrevia, sei lá... Entre vidros e metal e plástico e gente, mas fazia-o sozinho como se as paredes, coladas a mim, me dessem a solidão que eu sempre sentira.

Olhava para os outros e ria-me, ria-me, RIA-ME! Tão pequenos, não com vida, com rotina, com a expressão vazia que o consentimento permite. Agora olho para o vidro que antes me isolava quando não me dava o mundo e que eu queria, queria para mim e, por vezes vejo-me e nessas vezes sempre vejo o que neles via.Sou mais um corpo que é levado "um cadáver adiado" porque o queria.

Deixo um pão no caminho que espero um dia percorrer ao contrário, mas tem prazo o que a Deus agradecemos, e o que aos olhos de Deus nos é roubado.

Alguém se matou em Belém. Não gostava do que via, o cobarde foi racional.

quarta-feira, junho 21, 2006

quase o fm

o tempo navega por entre as aguas que, quando parecem inflamaveis, tem ainda correntes mais fortes. Aos poucos desemembra-nos e, olhando paar os nossos lados, vemos qeu tudo aqilo que já nos era normal, que tornava o novo a nossa casa aos poucos nao está lá.

Trocamos endereços electronicos. Esboçamos uma cara talvez triste. Acenamos um adeus enquanto aguentamos as lagrimas que talvez se queiram dar ao mundo.

O que tanto me deu num insatante se foi. Acaba o erasmus e eu parto no fim.

quarta-feira, maio 24, 2006

Ainda não dormi hj. Sei que o vou fazer mas não sei quando, e nao estranho porque estranho sou. O sono apodera-se aos poucos de mim. Daqui a nada vou para casa dormir sendo o quase tão definivel como a palavra que, de certa forma, quantifica.

O mulatito está sentado no canto com o embaraço da cor, e o peso da mala que ainda mais pesa por ser negra ao colo. a puta, sua mãe, senta-se ao lado com a mesma indiferença que, nem quando fode, é indistinguivel.

Um senhor de tez árabe mas que sei não o ser olha, de lado, para mim pois está a meu lado. A puta olha-me de frente e o mulatito, não interessado por nada, olha a estrada deserta como o significado que talvez procure ou que, um dia, se veja a procurar.

Asko é o nome da loja anunciada no carta e mensagem que há pouco li tinha no meio Kona. Que país estranho este

Sue me

O ceu perdera a cor estava cinza
As árvores c'o vento baloiçavam
Como as mulheres ouviam mas nao davam
Parecia que ia chover mas nao chovia

O arder do cigarro rubro ardia
A rua estava deserta nao passavam
mais que instantes por mim tanto duravam
com o café saboreava o dia.

Vertera em mim o que bebera sujo
nao como antes estava tinha o chao
de destino algo: o céu de feio fere.

O vento quando passa traz e perde
tudo o que a mim estava. A um defunto
nada mais dura que uma só canção.



tem-se a noite c'o negro sem sentido
nada mais lhe atribui falta de cor
é tão pouca esta luz o monitor
so da a mente se nao tem castigo.

No escuro vem o medo: estou sozinho
no escuro fujo do que quer que for
mas basta a manha vir que posso por
no que antes n tinha um qualquer sentido.

Todo o começo fim de algo é. E chega
com uma cançao sempre e sempre certa
mesmo que diga olá c'o a despedida.

Assim as noites nao sao noites vida
tenho com outra luz: manhã incerta
em q a tristeza me dorme e o corpo aguenta.

sábado, maio 20, 2006

o motivo

Já não escrevo há muito neste sitio. Falta-me o comboio para casa, a tristeza que não tinha só nela e o monótono a que ela pertencia. Não sou assim triste.

Tudo é diferente numa terra que também o é. Até a língua que ouço não é triste é estúpida como o que eu deveria ter e, permitido pela nao compreensao e transformação mais que positiva do conteudo de uma conversa, sou assim feliz.

Mas a mudança não é restrita. Aqui não sou o eu que era, sou o eu que sou e que, por medo, tinha um mundo plano de cores diversas cortado frequentemente pelo que um Deus menos escrevia - um ser de divino não por comparação e cuja existência comprovo pela sua habilidade de pensar. Ou o que assim apelido nao tendo a certeza do que é.

Que merda. J´achega de intervenção divina. Linhas certas com escrita mais que torta torcida

domingo, março 12, 2006

349 - O primeiro de praga

a caminho de casa ulisses parou em praga entre gente que, como antes ou sempre, nunca irá conhecer. nesse instante parou, fechou os olhos e pensou até que viu!

domingo, novembro 27, 2005

II

P'ra me ver debruço-me sobre um livro escrito por um que nem sequer era. É triste mas eu também o sou e, por o ser, é tão mais difícil.

I

Voltei a ler Bernardo Soares e, o pouco que li, deu-me vontade de chorar por ser meu o seu desassossego. A compreensão implica infelicidade, o que dizer de mim que me identifico?

A vida tem uma banda sonora que mesmo diferindo é a mesma ao longo de um dia e eu tenho tanto para ouvir. Saí do comboio e, já no caminho de sempre, passaram por mim os carros que, nunca iguais, me fazem sentir sempre inveja. Não por eu pisar sempre o mesmo piso que aos poucos me gasta os pés. Dá-me uma sensação de conforto saber que, mais tarde ou mais cedo, vou chegar à casa talvez desfeita por aquele que supostamente a criou.

Tenho os pés molhados. Sinto neles e nas mãos o frio que só agora, por distracção, me dá entender que o Inverno finalmente chegou. E eu, tal como ele, me vou escondendo, mesmo que menos, num nome que não possuo.

Agora percebo que é meu o que me faz tremer.

quinta-feira, novembro 17, 2005

300 e tal

I
No comboio como sempre

Já faz parte de um dia esta viagem
que p'lo mesmo passando só difere
naqueles que a compõe que outras trazem
vidas que não a minha e que os rege.

mesmo que a outro lado, isto é passagem,
eu certo vá, o fado, à priori, mete
cada um numa incerta carruagem
Parece que depende e a vida cede.

mas no fundo só iludem os sentidos,
que mesmo sendo meus não concebi.
Penso por isso no que já não vejo.
Estou nesta carruagem ( é castigo?)

Dum comboio qualquer que antes vi
Quero o mundo, mas eu, só eu, não deixo.


II

No palacete das chagas não especificadas mas que presumo serem cinco

Sou tão pequenino entre estas paredes de pedra
nem o reflexo no mármore que piso me dá ilusão de ser maior.
Quero saltar, tocar no tecto
e agora que quero não consigo.

Sou tão pequenino.

Tinha medo antes de entrar
depois parece que o medo se foi
anseio p'lo depois
mesmo que n mostre quanto valho.

Sou tão pequenino.
Estou num canto
quase que o preencho
sou tão pequenino
estou sozinho
não o quero e mereço.

III

Segundos antes da entrevista propriamente dita

O que me reveste talvez seja eu
num futuro assim não tão distante
o que me reveste quase doeu
mas o que dói é o que se perde.

O que mais custa é o andar
nestes sapatos que mal usei
o que me veste eu gastei
ao deixar no armário que me cobria.

Será que me escondo aqui dentro
será que peco e me iludo
sou um miúdo fosse graúdo
soubesse que a vida é uma merda

Merda é mas vive-se
preciso de ajuda p'ra andar e sei-o
o teste só se faz porque veio
um salvador que não salva tudo.

Estou sozinho neste mundo
Piso o chão com medo de sombras
Se não fossem as pessoas
se fosse só eu era feliz.

IV

Depois no armazém mais próximo.

a)
Um copinho pequenito que vale um €
Um pão com carne que um € vale
e eu tão grande sem saber o que dão por mim.


b)

"Até segunda dizemos qualquer coisa". A seguir só se deram as despedidas.

Respondi, expus-me e, ao contrário do resto, não sei o que esperar. Gosto de conhecer os critérios, as bases para um julgamento que, a meu ver, importa. Simplesmente nada é simples e só um bocado é como queremos.

Expus-me como disse. Mostrei o meu pensar mesmo que contraído p'lo nervosismo que só temos quando algo importa. No fundo quero que se abra, talvez aqui, um pouco mais do meu futuro.

Estou sentado mas não é assim que espero. Espero talvez até segunda e, mesmo que sentado, por esperar, por importar, não o faço como aparento. Estou a correr; estou a cansar-me. O coração bate como se vivesse como não vivo.

Pensar agora tem o esforço o que só o ventilan permite.

VI

a)

Tudo se cinge a uma ou outra pequena coisa.
Reside somente o problema no seu não conhecimento.
A ignorância traz por vezes desvantagens
claro que menores que a sua alegria.
Estou neste ponto de paragem
sento-me numa mesa qualquer
raras vezes é a mesma de seguida
fico sentado até ela partir.

Quem olha e não vê não compreende
estes pequenos gestos que compõe o dia
estes pequenos nadas que somados dão tudo
Tudo

p'ra que é que é o resto?
Panóplias de reflexos que nem sequer assumimos.
Quero um cigarro quero-o e não o sei sabendo-o
quero que ela chegue
quero e quero que seja assim.



P.S.: I'm blue, just a little blue, and because I'm nervous a bit yellow. So I'm green or I seem to have that colour. Okay, it doesn't matter. I'm blue and yellow and altough I need hope I'm not green.

b)

+ 1 p'ro caminho; + 1 p'ra espera.



VII



Até que acabou.
Estou feliz
estou feliz mesmo que de uma forma relativa.
Mostrei-me e passei
mostrei-me e ouvi
o que queria.
Foi um dia que começou tarde
uma coisa grande mesmo que talvez pequena
Resolvi dois problemas
Todos de uma vez.

domingo, outubro 09, 2005

345 No comboio numa folha com grande capacidade de absorção

É mole demais p'ra escrever o papel.
Parece um coração daqueles que abusamos
daqueles que de fracos queremos p'ra nós.
Precisava de um suporte qualquer,
a perna cansada não servia de tanto andar
sem a carteira nada se veria.

Chove
parece que guardei as palavras para este dia
Já não sabia o que era o frio.

A viagem sabe mais a monotonia
o dia está tão mais escuro que aqui
lá fora só se vê o reflexo de onde estou
Resume-se então o mundo a isto:
uma carruagem quase cheia
mas vazia no que a preenche
Um bando de gente diferente em tudo
mas que no fundo sofre do mesmo.

Está tudo sentado fora a senhora que vai sair.
Quem não está só ri-se
Quem está inveja-os e perde tempo em merdas
com que suja o papel que acaba por servir p'ro que serve.

Estou quase, estou quase a chegar.
Está a chover,
Vou-me molhar
do que havia já não há.