Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
domingo, novembro 27, 2005
II
P'ra me ver debruço-me sobre um livro escrito por um que nem sequer era. É triste mas eu também o sou e, por o ser, é tão mais difícil.
I
Voltei a ler Bernardo Soares e, o pouco que li, deu-me vontade de chorar por ser meu o seu desassossego. A compreensão implica infelicidade, o que dizer de mim que me identifico?
A vida tem uma banda sonora que mesmo diferindo é a mesma ao longo de um dia e eu tenho tanto para ouvir. Saí do comboio e, já no caminho de sempre, passaram por mim os carros que, nunca iguais, me fazem sentir sempre inveja. Não por eu pisar sempre o mesmo piso que aos poucos me gasta os pés. Dá-me uma sensação de conforto saber que, mais tarde ou mais cedo, vou chegar à casa talvez desfeita por aquele que supostamente a criou.
Tenho os pés molhados. Sinto neles e nas mãos o frio que só agora, por distracção, me dá entender que o Inverno finalmente chegou. E eu, tal como ele, me vou escondendo, mesmo que menos, num nome que não possuo.
Agora percebo que é meu o que me faz tremer.
A vida tem uma banda sonora que mesmo diferindo é a mesma ao longo de um dia e eu tenho tanto para ouvir. Saí do comboio e, já no caminho de sempre, passaram por mim os carros que, nunca iguais, me fazem sentir sempre inveja. Não por eu pisar sempre o mesmo piso que aos poucos me gasta os pés. Dá-me uma sensação de conforto saber que, mais tarde ou mais cedo, vou chegar à casa talvez desfeita por aquele que supostamente a criou.
Tenho os pés molhados. Sinto neles e nas mãos o frio que só agora, por distracção, me dá entender que o Inverno finalmente chegou. E eu, tal como ele, me vou escondendo, mesmo que menos, num nome que não possuo.
Agora percebo que é meu o que me faz tremer.
quinta-feira, novembro 17, 2005
300 e tal
I
No comboio como sempre
Já faz parte de um dia esta viagem
que p'lo mesmo passando só difere
naqueles que a compõe que outras trazem
vidas que não a minha e que os rege.
mesmo que a outro lado, isto é passagem,
eu certo vá, o fado, à priori, mete
cada um numa incerta carruagem
Parece que depende e a vida cede.
mas no fundo só iludem os sentidos,
que mesmo sendo meus não concebi.
Penso por isso no que já não vejo.
Estou nesta carruagem ( é castigo?)
Dum comboio qualquer que antes vi
Quero o mundo, mas eu, só eu, não deixo.
II
No palacete das chagas não especificadas mas que presumo serem cinco
Sou tão pequenino entre estas paredes de pedra
nem o reflexo no mármore que piso me dá ilusão de ser maior.
Quero saltar, tocar no tecto
e agora que quero não consigo.
Sou tão pequenino.
Tinha medo antes de entrar
depois parece que o medo se foi
anseio p'lo depois
mesmo que n mostre quanto valho.
Sou tão pequenino.
Estou num canto
quase que o preencho
sou tão pequenino
estou sozinho
não o quero e mereço.
III
Segundos antes da entrevista propriamente dita
O que me reveste talvez seja eu
num futuro assim não tão distante
o que me reveste quase doeu
mas o que dói é o que se perde.
O que mais custa é o andar
nestes sapatos que mal usei
o que me veste eu gastei
ao deixar no armário que me cobria.
Será que me escondo aqui dentro
será que peco e me iludo
sou um miúdo fosse graúdo
soubesse que a vida é uma merda
Merda é mas vive-se
preciso de ajuda p'ra andar e sei-o
o teste só se faz porque veio
um salvador que não salva tudo.
Estou sozinho neste mundo
Piso o chão com medo de sombras
Se não fossem as pessoas
se fosse só eu era feliz.
IV
Depois no armazém mais próximo.
a)
Um copinho pequenito que vale um €
Um pão com carne que um € vale
e eu tão grande sem saber o que dão por mim.

b)
"Até segunda dizemos qualquer coisa". A seguir só se deram as despedidas.
Respondi, expus-me e, ao contrário do resto, não sei o que esperar. Gosto de conhecer os critérios, as bases para um julgamento que, a meu ver, importa. Simplesmente nada é simples e só um bocado é como queremos.
Expus-me como disse. Mostrei o meu pensar mesmo que contraído p'lo nervosismo que só temos quando algo importa. No fundo quero que se abra, talvez aqui, um pouco mais do meu futuro.
Estou sentado mas não é assim que espero. Espero talvez até segunda e, mesmo que sentado, por esperar, por importar, não o faço como aparento. Estou a correr; estou a cansar-me. O coração bate como se vivesse como não vivo.
Pensar agora tem o esforço o que só o ventilan permite.
VI
a)
Tudo se cinge a uma ou outra pequena coisa.
Reside somente o problema no seu não conhecimento.
A ignorância traz por vezes desvantagens
claro que menores que a sua alegria.
Estou neste ponto de paragem
sento-me numa mesa qualquer
raras vezes é a mesma de seguida
fico sentado até ela partir.
Quem olha e não vê não compreende
estes pequenos gestos que compõe o dia
estes pequenos nadas que somados dão tudo
Tudo
p'ra que é que é o resto?
Panóplias de reflexos que nem sequer assumimos.
Quero um cigarro quero-o e não o sei sabendo-o
quero que ela chegue
quero e quero que seja assim.

P.S.: I'm blue, just a little blue, and because I'm nervous a bit yellow. So I'm green or I seem to have that colour. Okay, it doesn't matter. I'm blue and yellow and altough I need hope I'm not green.
b)
+ 1 p'ro caminho; + 1 p'ra espera.

VII

Até que acabou.
Estou feliz
estou feliz mesmo que de uma forma relativa.
Mostrei-me e passei
mostrei-me e ouvi
o que queria.
Foi um dia que começou tarde
uma coisa grande mesmo que talvez pequena
Resolvi dois problemas
Todos de uma vez.
No comboio como sempre
Já faz parte de um dia esta viagem
que p'lo mesmo passando só difere
naqueles que a compõe que outras trazem
vidas que não a minha e que os rege.
mesmo que a outro lado, isto é passagem,
eu certo vá, o fado, à priori, mete
cada um numa incerta carruagem
Parece que depende e a vida cede.
mas no fundo só iludem os sentidos,
que mesmo sendo meus não concebi.
Penso por isso no que já não vejo.
Estou nesta carruagem ( é castigo?)
Dum comboio qualquer que antes vi
Quero o mundo, mas eu, só eu, não deixo.
II
No palacete das chagas não especificadas mas que presumo serem cinco
Sou tão pequenino entre estas paredes de pedra
nem o reflexo no mármore que piso me dá ilusão de ser maior.
Quero saltar, tocar no tecto
e agora que quero não consigo.
Sou tão pequenino.
Tinha medo antes de entrar
depois parece que o medo se foi
anseio p'lo depois
mesmo que n mostre quanto valho.
Sou tão pequenino.
Estou num canto
quase que o preencho
sou tão pequenino
estou sozinho
não o quero e mereço.
III
Segundos antes da entrevista propriamente dita
O que me reveste talvez seja eu
num futuro assim não tão distante
o que me reveste quase doeu
mas o que dói é o que se perde.
O que mais custa é o andar
nestes sapatos que mal usei
o que me veste eu gastei
ao deixar no armário que me cobria.
Será que me escondo aqui dentro
será que peco e me iludo
sou um miúdo fosse graúdo
soubesse que a vida é uma merda
Merda é mas vive-se
preciso de ajuda p'ra andar e sei-o
o teste só se faz porque veio
um salvador que não salva tudo.
Estou sozinho neste mundo
Piso o chão com medo de sombras
Se não fossem as pessoas
se fosse só eu era feliz.
IV
Depois no armazém mais próximo.
a)
Um copinho pequenito que vale um €
Um pão com carne que um € vale
e eu tão grande sem saber o que dão por mim.

b)
"Até segunda dizemos qualquer coisa". A seguir só se deram as despedidas.
Respondi, expus-me e, ao contrário do resto, não sei o que esperar. Gosto de conhecer os critérios, as bases para um julgamento que, a meu ver, importa. Simplesmente nada é simples e só um bocado é como queremos.
Expus-me como disse. Mostrei o meu pensar mesmo que contraído p'lo nervosismo que só temos quando algo importa. No fundo quero que se abra, talvez aqui, um pouco mais do meu futuro.
Estou sentado mas não é assim que espero. Espero talvez até segunda e, mesmo que sentado, por esperar, por importar, não o faço como aparento. Estou a correr; estou a cansar-me. O coração bate como se vivesse como não vivo.
Pensar agora tem o esforço o que só o ventilan permite.
VI
a)
Tudo se cinge a uma ou outra pequena coisa.
Reside somente o problema no seu não conhecimento.
A ignorância traz por vezes desvantagens
claro que menores que a sua alegria.
Estou neste ponto de paragem
sento-me numa mesa qualquer
raras vezes é a mesma de seguida
fico sentado até ela partir.
Quem olha e não vê não compreende
estes pequenos gestos que compõe o dia
estes pequenos nadas que somados dão tudo
Tudo
p'ra que é que é o resto?
Panóplias de reflexos que nem sequer assumimos.
Quero um cigarro quero-o e não o sei sabendo-o
quero que ela chegue
quero e quero que seja assim.

P.S.: I'm blue, just a little blue, and because I'm nervous a bit yellow. So I'm green or I seem to have that colour. Okay, it doesn't matter. I'm blue and yellow and altough I need hope I'm not green.
b)
+ 1 p'ro caminho; + 1 p'ra espera.

VII

Até que acabou.
Estou feliz
estou feliz mesmo que de uma forma relativa.
Mostrei-me e passei
mostrei-me e ouvi
o que queria.
Foi um dia que começou tarde
uma coisa grande mesmo que talvez pequena
Resolvi dois problemas
Todos de uma vez.
domingo, outubro 09, 2005
345 No comboio numa folha com grande capacidade de absorção
É mole demais p'ra escrever o papel.
Parece um coração daqueles que abusamos
daqueles que de fracos queremos p'ra nós.
Precisava de um suporte qualquer,
a perna cansada não servia de tanto andar
sem a carteira nada se veria.
Chove
parece que guardei as palavras para este dia
Já não sabia o que era o frio.
A viagem sabe mais a monotonia
o dia está tão mais escuro que aqui
lá fora só se vê o reflexo de onde estou
Resume-se então o mundo a isto:
uma carruagem quase cheia
mas vazia no que a preenche
Um bando de gente diferente em tudo
mas que no fundo sofre do mesmo.
Está tudo sentado fora a senhora que vai sair.
Quem não está só ri-se
Quem está inveja-os e perde tempo em merdas
com que suja o papel que acaba por servir p'ro que serve.
Estou quase, estou quase a chegar.
Está a chover,
Vou-me molhar
do que havia já não há.
Parece um coração daqueles que abusamos
daqueles que de fracos queremos p'ra nós.
Precisava de um suporte qualquer,
a perna cansada não servia de tanto andar
sem a carteira nada se veria.
Chove
parece que guardei as palavras para este dia
Já não sabia o que era o frio.
A viagem sabe mais a monotonia
o dia está tão mais escuro que aqui
lá fora só se vê o reflexo de onde estou
Resume-se então o mundo a isto:
uma carruagem quase cheia
mas vazia no que a preenche
Um bando de gente diferente em tudo
mas que no fundo sofre do mesmo.
Está tudo sentado fora a senhora que vai sair.
Quem não está só ri-se
Quem está inveja-os e perde tempo em merdas
com que suja o papel que acaba por servir p'ro que serve.
Estou quase, estou quase a chegar.
Está a chover,
Vou-me molhar
do que havia já não há.
quinta-feira, setembro 22, 2005
340 Moledo III

Dançava.
Mudou de expressão
não tão devagarinho.
Coitadinha da menina que se assustou.
Levantou a mão
apontou os defeitos
Como se o primeiro
fosse o último.
337
ironicamente,
ao som de chopin
Preencho o branco do monitor.
Tento escrever alguma coisa por mais pequenina que seja...
Chego ao fim e apago tudo com o pressionar mais longo de uma tecla,
Não consigo, não consigo, não consigo.
Estou velho, ou é assim que me sinto simplesmente
E em segundos tão longos como a vida
o que em minutos se fez se vai.
Só mais um p'ro caminho penso eu livremente inspirado em Palma
Só mais um verso antes de dormir ou de ir ver filmes sem som.
Vícios, vícios que preenchem as horas de insónia
Horas de insónia que só servem p'ros vícios.
E os cigarros onde estão?
______________________________________________
ao som de chopin
Preencho o branco do monitor.
Tento escrever alguma coisa por mais pequenina que seja...
Chego ao fim e apago tudo com o pressionar mais longo de uma tecla,
Não consigo, não consigo, não consigo.
Estou velho, ou é assim que me sinto simplesmente
E em segundos tão longos como a vida
o que em minutos se fez se vai.
Só mais um p'ro caminho penso eu livremente inspirado em Palma
Só mais um verso antes de dormir ou de ir ver filmes sem som.
Vícios, vícios que preenchem as horas de insónia
Horas de insónia que só servem p'ros vícios.
E os cigarros onde estão?
______________________________________________
337
Tivesse a paciência para escrever
Versos coerentes, objectivos, certos.
Sujo o papel e já nem penso restos
Do tempo que é perdido vou perder.
Tudo o que faço só me serve a ter
Mais que uns segundos vãos e não dispersos
Aos outros eu não minto sou sincero
tudo o que vejo não no fim vou ver.
Já nada me interessa e m'espanto.
Sujo estas mãos com tão dif'rente sina.
Onde estás tu do que é antigo amiga?
Onde estará o que ao fim dá sentido?
A incerteza é isto um castigo,
E não passa a consciência deste pranto.
Versos coerentes, objectivos, certos.
Sujo o papel e já nem penso restos
Do tempo que é perdido vou perder.
Tudo o que faço só me serve a ter
Mais que uns segundos vãos e não dispersos
Aos outros eu não minto sou sincero
tudo o que vejo não no fim vou ver.
Já nada me interessa e m'espanto.
Sujo estas mãos com tão dif'rente sina.
Onde estás tu do que é antigo amiga?
Onde estará o que ao fim dá sentido?
A incerteza é isto um castigo,
E não passa a consciência deste pranto.
sexta-feira, agosto 26, 2005
336 - Pathos
As cordas da guitarra ainda vibram depois de a deixar no chão. Tentei tocar o que em mim trago mas a incapacidade dos meus dedos não o permitiu.
Chorei há bocado.
Não tenho cabelo. Toco no meu crânio e sinto a pele coberta da barba que anseio ter como prova da minha maturidade. Olho para o chão e ao mesmo tempo em que verto as lágrimas que acumulei, faltando suporte para as hastes, caiem-me os óculos ao chão.
A tristeza tira-nos a visão: pensamos.
Chorei há bocado.
Não tenho cabelo. Toco no meu crânio e sinto a pele coberta da barba que anseio ter como prova da minha maturidade. Olho para o chão e ao mesmo tempo em que verto as lágrimas que acumulei, faltando suporte para as hastes, caiem-me os óculos ao chão.
A tristeza tira-nos a visão: pensamos.
II
Aos poucos ficamos sem membros e a casa enorme perde o sentido. Olhamos p'ro lado e nos quartos já não há sinal da vida que um dia soubemos que gerámos. De súbito choramos.
III
Falei-lhe. Estava deveras triste.
IV
Os olhos já estão secos e depois de abertos só veêm o que naturalmente não é nosso. Gritamos mas só ouve quem quer e quem quer gritos é parvo. Está longe, tudo está longe de nós.
335 -Férias 2005 (I)

A puta da vida.
já estou farto de eufemismos
de pessoas
moralmente
correctas.
Eu sinto
mas também quero
e o apetite
traz dor
quando não saciado.
Fds,
não é pedir muito:
quando se gosta
não cansa.
Não adianta escrever
Já não vale a pena
passou:
daqui a nada já se esquece.
segunda-feira, julho 25, 2005
334 - Para a única pessoa cujo sangue resulta da mesma mistura que o meu
A vida é um jogo complicado e por sê-lo tem regras que julgamos perceber por causualidade. No fundo ninguém as sabe e aqueles que pensam o contrário vendem livros sobre o assunto. Não comento o conteúdo já que escrever não é comigo, muito menos pensar numa coisa tão complicada, porém é de louvar o seu esforço pois o tabuleiro não é propriamente pequeno e segundo se crê não é plano.
Antes de acabarmos o jogo, nunca de livre vontade já que nalgumas edições isto é considerado batota, temos de dar alguns passos, parar em algumas casas e até por vezes tomar decisões tendo sempre em conta o que se passa à nossa volta. Parece complicado mas se perceberem de estatística verão que não é assim tão simples mas bastante mais complicado que isso *.
*(vão ter de pensar um bocado se quiserem chegar a esta conclusão, se não quiserem acreditem em mim, caso contrário vão ao apêndice 3 deste livro pp 2-53252362363263263263262362623623) .
Antes de acabarmos o jogo, nunca de livre vontade já que nalgumas edições isto é considerado batota, temos de dar alguns passos, parar em algumas casas e até por vezes tomar decisões tendo sempre em conta o que se passa à nossa volta. Parece complicado mas se perceberem de estatística verão que não é assim tão simples mas bastante mais complicado que isso *.
*(vão ter de pensar um bocado se quiserem chegar a esta conclusão, se não quiserem acreditem em mim, caso contrário vão ao apêndice 3 deste livro pp 2-53252362363263263263262362623623) .
quinta-feira, julho 21, 2005
332 - Um pouco de pimenta e sal q.b. e um escritor bloqueado p'ra enfeitar.
Um pouco de pimenta e sal q.b. só ajudam a insinuar o sabor de algo que acabamos por provar antes de colocarmos na mesa. Existe sempre uma expressão que, de uma forma resumida, nos mostra as características essenciais de cada artesão e um bom cozinheiro, ao longo do processo de confecção, experimenta o que, em tachos ou em bancadas, ganha forma.
Acho que é bastante simples esta analogia. Volto p'ra trás e leio tentando esquecer a conclusão. Basta uma linha ou até nem isso a um escritor bloqueado p'ra enfeitar.
Acho que é bastante simples esta analogia. Volto p'ra trás e leio tentando esquecer a conclusão. Basta uma linha ou até nem isso a um escritor bloqueado p'ra enfeitar.
quinta-feira, junho 23, 2005
331
O choro trazia-me alívio. Doiem-me os olhos p'lo que deles jorrou. O que é certo dá-me felicidade, tudo o resto so aumenta a minha tristeza.
Um homem chora - não digam que não. Custa-lhe é fazê-lo. Já lhe dói o ser; p'ra quê trazer dor ao corpo?
Um homem chora - não digam que não. Custa-lhe é fazê-lo. Já lhe dói o ser; p'ra quê trazer dor ao corpo?
segunda-feira, junho 20, 2005
330 Num café qualquer
I
Sem corantes nem conservantes fez-se o sumo.
Bebo-o.
Perdi o comboio e espero
Enquanto o faço bebo.
O cigarro que é sempre o último arde
sobre o cinzeiro que o publicita.
Escrevo sobre um guardanapo
Enquanto espero espero que não acabe.
II
1
Vivo em funçao do incerto
Dos sonhos que p'ra mim tenho
Quanto mais avanço eu venho
A saber que são só restos.
Nada depende de mim.
Quando afinal só depende
Estou a beber, tenho sede,
Só tenho a saber o fim.
Se aqui estou é por querer
Não querendo eu o motivo
Tudo aquilo porque vivo
Faço-o só por viver.
2
Quero um ufano destino
Não tendo aquilo que quero
P'los sonhos eu só espero
Esperar é meu castigo.
Não me mexo, nada faço,
Como se a mim fossem ter
Acabo então por por perder
O caminho por um passo.
E mesmo vendo não mudo.
Tudo percebo. E então?
Ao vento abro mais a mão
Como a ela fosse tudo.
III
1
Um só sorriso tudo dá
-não interessa quanto dura.
Elimina-o
no fundo ele fica
"Sorria"
assim me lembro.
2
defino-a p'lo contrário
"um bébé gordo e feio".
P'ra quê dizer o que é?
Quando estamos juntos é tão pequenina
Tão pequenina quanto eu.
Só me apetece dar-lhe miminhos
E nós
(Tão pequeninos)
Fazemo-lo sem inocência.
Vezes sem conta perguntamos o que é certo
- gostamos de o ouvir.
Despedimo-nos sem dizer
adeus.
Sem corantes nem conservantes fez-se o sumo.
Bebo-o.
Perdi o comboio e espero
Enquanto o faço bebo.
O cigarro que é sempre o último arde
sobre o cinzeiro que o publicita.
Escrevo sobre um guardanapo
Enquanto espero espero que não acabe.
II
1
Vivo em funçao do incerto
Dos sonhos que p'ra mim tenho
Quanto mais avanço eu venho
A saber que são só restos.
Nada depende de mim.
Quando afinal só depende
Estou a beber, tenho sede,
Só tenho a saber o fim.
Se aqui estou é por querer
Não querendo eu o motivo
Tudo aquilo porque vivo
Faço-o só por viver.
2
Quero um ufano destino
Não tendo aquilo que quero
P'los sonhos eu só espero
Esperar é meu castigo.
Não me mexo, nada faço,
Como se a mim fossem ter
Acabo então por por perder
O caminho por um passo.
E mesmo vendo não mudo.
Tudo percebo. E então?
Ao vento abro mais a mão
Como a ela fosse tudo.
III
1
Um só sorriso tudo dá
-não interessa quanto dura.
Elimina-o
no fundo ele fica
"Sorria"
assim me lembro.
2
defino-a p'lo contrário
"um bébé gordo e feio".
P'ra quê dizer o que é?
Quando estamos juntos é tão pequenina
Tão pequenina quanto eu.
Só me apetece dar-lhe miminhos
E nós
(Tão pequeninos)
Fazemo-lo sem inocência.
Vezes sem conta perguntamos o que é certo
- gostamos de o ouvir.
Despedimo-nos sem dizer
adeus.
sexta-feira, junho 17, 2005
329
"40º em Santarém". As previsões de hoje foram claras pessoas vão suar no interior. Mesmo aqui a temperatura mostra que o calor é insuportável. Estou frio, falta-me algo por ter em excesso outra coisa. Porque é que ele tinha de ser assim, porque é que Ícaro teve de voar com as asas que ele próprio construiu.
Está calor e estou frio. Hoje posso voar.
Está calor e estou frio. Hoje posso voar.
327 - Escrito autobibliográfico
Sidoro Brago é um anagrama do meu simples nome que vim mais tarde a saber que até poderia existir. No fundo foi o que se passou com aquilo que me define. Eu sempre me considerei estranho e à parte deste mundo que o meu pai, tão bem definiu, como um mundo de anormais; é um bocado agressivo, admito, mas olhava p'ro meu lado e achava que valia, segundo os meu próprios padrões, muito mais que os outros causando assim o meu isolamento.
Enquanto adolescente agarrava-me aos livros para escapar à realidade. Estudando não pensava no que se passava ao meu redor e deixava de ter pensamentos que hoje vejo serem estúpidos. É claro que isto não me consumia muito tempo: só estudava quando já era tarde mas é sempre bom dar a entender que já fomos ou que temos a capacidade de sermos responsáveis.
A primeira namorada permitiu a primeira grande mudança. As que tive depois permitiram as que depois vieram.
Estou diferente. Aquilo que sou só saberei quando deixar de o ser. Quando me definir vou fazê-lo mal.
Enquanto adolescente agarrava-me aos livros para escapar à realidade. Estudando não pensava no que se passava ao meu redor e deixava de ter pensamentos que hoje vejo serem estúpidos. É claro que isto não me consumia muito tempo: só estudava quando já era tarde mas é sempre bom dar a entender que já fomos ou que temos a capacidade de sermos responsáveis.
A primeira namorada permitiu a primeira grande mudança. As que tive depois permitiram as que depois vieram.
Estou diferente. Aquilo que sou só saberei quando deixar de o ser. Quando me definir vou fazê-lo mal.
326
Não me apetece fazer tudo o que não me dá um prazer instantâneo. Talvez me possa considerar um hedonista mas, por outro lado, posso fazê-lo erroneamente.
Tenho o direito de estudar e deveria fazê-lo mas a inclusão de obrigação no raciocínio faz com que todo o interesse se disolva e que, no fim, o estudo só exista se houver qualquer tipo de coacção agressiva.
Estou a escrever porque me apetece e não por ter de o fazer. Ao longo de quase dois anos o que era diário passou a um acto não previsível e cada vez mais instintivo.
Merda, já estou farto de novo. Vou fumar um cigarro.
Tenho o direito de estudar e deveria fazê-lo mas a inclusão de obrigação no raciocínio faz com que todo o interesse se disolva e que, no fim, o estudo só exista se houver qualquer tipo de coacção agressiva.
Estou a escrever porque me apetece e não por ter de o fazer. Ao longo de quase dois anos o que era diário passou a um acto não previsível e cada vez mais instintivo.
Merda, já estou farto de novo. Vou fumar um cigarro.
quinta-feira, junho 16, 2005
325 - Tentativa de saída não estando habituado à luz
(...)
Foi nesse instante que o nosso anti-herói ao remover a porcaria dos outros encontrou uma pequenina pedra com propriedades mágicas. Ao se aperceber que de mais ninguém aquele conjunto de elementos era a sua mente sentiu que de tudo era possível.
Levado pelo sonho gritou pela janela:
"Quem quer casar com o carochinho que da pedra é dono?"
Como era de esperar apareceram imensos pretendentes -digo imensos porque não foram só fêmeas que lhe disseram sim- mas, de eles todos, só uma jovem bastante parecida com ele lhe chamou a atenção e o fez pensar que resultava.
Hoje ele confirmam-se as suas suposições e só hoje se percebe porque é que assim foi. A pedra dela era do tamanho da dele.
Foi nesse instante que o nosso anti-herói ao remover a porcaria dos outros encontrou uma pequenina pedra com propriedades mágicas. Ao se aperceber que de mais ninguém aquele conjunto de elementos era a sua mente sentiu que de tudo era possível.
Levado pelo sonho gritou pela janela:
"Quem quer casar com o carochinho que da pedra é dono?"
Como era de esperar apareceram imensos pretendentes -digo imensos porque não foram só fêmeas que lhe disseram sim- mas, de eles todos, só uma jovem bastante parecida com ele lhe chamou a atenção e o fez pensar que resultava.
Hoje ele confirmam-se as suas suposições e só hoje se percebe porque é que assim foi. A pedra dela era do tamanho da dele.
domingo, maio 15, 2005
324
I
Silence is sexy if that is it's meaning. If not it can be hideous or painful.
Silence is sexy if it is used to be.

II
A cabeça é pequena
pequena p'ro corpo que quer sentir.
Mexe os braços
quer um abraço
- ah por pouco não teve mais...
São letais (p'ro fraco) as distâncias pequenas.
Não mexe a cabeça
Acena um adeus com uma mão
Ele está no chão
só pode descer mais um pouco.
Doi-lhe o pescoço de tanto p'ra cima olhar.
"Vou-te matar"
Diz ele em cada grito que não dá
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Ainda dói
Já devia estar habituado...
Nunca se é fraco
Fraco de +.

III
A mão ficou solta
ele não estava habituado
Por necessidade ergueu a outra
a que só servia p'ra tocar.
Estava sentado
Tinha uma mão levantada
a outra apontava
p'ra outro lado qualquer.
Rejeitado
olhou p'ra onde não olhara
A janela estava aberta
ele não tinha ou q'ria luz.
O sorriso era o mesmo
Riam os outros de ti
Ele seguia o teu dedo
era cornudo e via-se
(tu foras sempre discreto).
O silêncio amargo
o ar era pesado...
Caíste
quando ela te largou
o que não vias
o que não tinhas
segurou.

IV
Some get mad
Il y a des gents qui devient fout
alguns fincam loucos
gritam
mas no silêncio nada se propaga
o silêncio é fodido
quando os olhos não veêm nada se faz.
Que eles se riam
não vejo
estou de joelhos
peço algo em vão
entao
quem me vê?
Ng
ng
ng
Quem está à minha volta?
Quem?
Possa eu ver
De que serve ouvir
Estou a gritar e ng, ng vê
Que acabe o nada
Mesmo que o nada
(que nunca o foi)
descubra.

V
Quando sonhamos agarramo-nos a uma projecção de nós mesmo numa realidade que, por ser só nossa, somente serve de apoio a que já perdeu tudo.
Resta a vida que temos por sonhar que completa o conjuto de nadas que temos. Acordamos e talvez tomemos um caminho qualquer que implique a soluçao, talvez saltemos para um fosso sem medo talvez, talvez acordemos noutro local qualquer...
A memória é curta e só a necessidade cíclica mostra o que medo torna aceitável: há Deus pq ele existe.

VI
Chegado ao fundo mais não se desce
Podes olhar que só o que pisas vês
Sente o chão
por baixo nada há.
Olha p'ra cima
vê o que perdeste.
Cresceste p'lo caminho
Com sonhos que só a (des)ilusão permite
Envelheceste com o tempo que ninguém quer
O que Ele disser
já nada piora.
Olha,
Olha p'ra cima e vê
Olha,
que já não chora quem chorou...
Doi-teo corpo que foi pisado
O ego que ja não é teu.
Olha
Olha
Olha
Pisa e vê onde estás
Chora por dentro ó imbecil
---------------------
Sorri agora
Vá sorri.
Ou ficas ou sobes
ou então a morte é soluçao
Pensa
Vê se chegas a algum lado
(tambem n interessa
morres entretanto).
Silence is sexy if that is it's meaning. If not it can be hideous or painful.
Silence is sexy if it is used to be.

II
A cabeça é pequena
pequena p'ro corpo que quer sentir.
Mexe os braços
quer um abraço
- ah por pouco não teve mais...
São letais (p'ro fraco) as distâncias pequenas.
Não mexe a cabeça
Acena um adeus com uma mão
Ele está no chão
só pode descer mais um pouco.
Doi-lhe o pescoço de tanto p'ra cima olhar.
"Vou-te matar"
Diz ele em cada grito que não dá
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Ainda dói
Já devia estar habituado...
Nunca se é fraco
Fraco de +.

III
A mão ficou solta
ele não estava habituado
Por necessidade ergueu a outra
a que só servia p'ra tocar.
Estava sentado
Tinha uma mão levantada
a outra apontava
p'ra outro lado qualquer.
Rejeitado
olhou p'ra onde não olhara
A janela estava aberta
ele não tinha ou q'ria luz.
O sorriso era o mesmo
Riam os outros de ti
Ele seguia o teu dedo
era cornudo e via-se
(tu foras sempre discreto).
O silêncio amargo
o ar era pesado...
Caíste
quando ela te largou
o que não vias
o que não tinhas
segurou.

IV
Some get mad
Il y a des gents qui devient fout
alguns fincam loucos
gritam
mas no silêncio nada se propaga
o silêncio é fodido
quando os olhos não veêm nada se faz.
Que eles se riam
não vejo
estou de joelhos
peço algo em vão
entao
quem me vê?
Ng
ng
ng
Quem está à minha volta?
Quem?
Possa eu ver
De que serve ouvir
Estou a gritar e ng, ng vê
Que acabe o nada
Mesmo que o nada
(que nunca o foi)
descubra.

V
Quando sonhamos agarramo-nos a uma projecção de nós mesmo numa realidade que, por ser só nossa, somente serve de apoio a que já perdeu tudo.
Resta a vida que temos por sonhar que completa o conjuto de nadas que temos. Acordamos e talvez tomemos um caminho qualquer que implique a soluçao, talvez saltemos para um fosso sem medo talvez, talvez acordemos noutro local qualquer...
A memória é curta e só a necessidade cíclica mostra o que medo torna aceitável: há Deus pq ele existe.

VI
Chegado ao fundo mais não se desce
Podes olhar que só o que pisas vês
Sente o chão
por baixo nada há.
Olha p'ra cima
vê o que perdeste.
Cresceste p'lo caminho
Com sonhos que só a (des)ilusão permite
Envelheceste com o tempo que ninguém quer
O que Ele disser
já nada piora.
Olha,
Olha p'ra cima e vê
Olha,
que já não chora quem chorou...
Doi-teo corpo que foi pisado
O ego que ja não é teu.
Olha
Olha
Olha
Pisa e vê onde estás
Chora por dentro ó imbecil
---------------------
Sorri agora
Vá sorri.
Ou ficas ou sobes
ou então a morte é soluçao
Pensa
Vê se chegas a algum lado
(tambem n interessa
morres entretanto).
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