Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

domingo, outubro 09, 2005

345 No comboio numa folha com grande capacidade de absorção

É mole demais p'ra escrever o papel.
Parece um coração daqueles que abusamos
daqueles que de fracos queremos p'ra nós.
Precisava de um suporte qualquer,
a perna cansada não servia de tanto andar
sem a carteira nada se veria.

Chove
parece que guardei as palavras para este dia
Já não sabia o que era o frio.

A viagem sabe mais a monotonia
o dia está tão mais escuro que aqui
lá fora só se vê o reflexo de onde estou
Resume-se então o mundo a isto:
uma carruagem quase cheia
mas vazia no que a preenche
Um bando de gente diferente em tudo
mas que no fundo sofre do mesmo.

Está tudo sentado fora a senhora que vai sair.
Quem não está só ri-se
Quem está inveja-os e perde tempo em merdas
com que suja o papel que acaba por servir p'ro que serve.

Estou quase, estou quase a chegar.
Está a chover,
Vou-me molhar
do que havia já não há.

quinta-feira, setembro 22, 2005

340 Moledo III

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Dançava.
Mudou de expressão
não tão devagarinho.
Coitadinha da menina que se assustou.

Levantou a mão
apontou os defeitos
Como se o primeiro
fosse o último.

347 Moledo II

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Até que conseguiram, tentando.

337

ironicamente,
ao som de chopin
Preencho o branco do monitor.

Tento escrever alguma coisa por mais pequenina que seja...
Chego ao fim e apago tudo com o pressionar mais longo de uma tecla,
Não consigo, não consigo, não consigo.
Estou velho, ou é assim que me sinto simplesmente
E em segundos tão longos como a vida
o que em minutos se fez se vai.

Só mais um p'ro caminho penso eu livremente inspirado em Palma
Só mais um verso antes de dormir ou de ir ver filmes sem som.
Vícios, vícios que preenchem as horas de insónia
Horas de insónia que só servem p'ros vícios.
E os cigarros onde estão?
______________________________________________

337

Tivesse a paciência para escrever
Versos coerentes, objectivos, certos.
Sujo o papel e já nem penso restos
Do tempo que é perdido vou perder.

Tudo o que faço só me serve a ter
Mais que uns segundos vãos e não dispersos
Aos outros eu não minto sou sincero
tudo o que vejo não no fim vou ver.

Já nada me interessa e m'espanto.
Sujo estas mãos com tão dif'rente sina.
Onde estás tu do que é antigo amiga?
Onde estará o que ao fim dá sentido?

A incerteza é isto um castigo,
E não passa a consciência deste pranto.

sexta-feira, agosto 26, 2005

336 - Pathos

As cordas da guitarra ainda vibram depois de a deixar no chão. Tentei tocar o que em mim trago mas a incapacidade dos meus dedos não o permitiu.

Chorei há bocado.

Não tenho cabelo. Toco no meu crânio e sinto a pele coberta da barba que anseio ter como prova da minha maturidade. Olho para o chão e ao mesmo tempo em que verto as lágrimas que acumulei, faltando suporte para as hastes, caiem-me os óculos ao chão.

A tristeza tira-nos a visão: pensamos.

II
Aos poucos ficamos sem membros e a casa enorme perde o sentido. Olhamos p'ro lado e nos quartos já não há sinal da vida que um dia soubemos que gerámos. De súbito choramos.
III
Falei-lhe. Estava deveras triste.
IV
Os olhos já estão secos e depois de abertos só veêm o que naturalmente não é nosso. Gritamos mas só ouve quem quer e quem quer gritos é parvo. Está longe, tudo está longe de nós.

335 -Férias 2005 (I)

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A puta da vida.
já estou farto de eufemismos
de pessoas
moralmente
correctas.
Eu sinto
mas também quero
e o apetite
traz dor
quando não saciado.

Fds,
não é pedir muito:
quando se gosta
não cansa.

Não adianta escrever
Já não vale a pena
passou:
daqui a nada já se esquece.

segunda-feira, julho 25, 2005

334 - Para a única pessoa cujo sangue resulta da mesma mistura que o meu

A vida é um jogo complicado e por sê-lo tem regras que julgamos perceber por causualidade. No fundo ninguém as sabe e aqueles que pensam o contrário vendem livros sobre o assunto. Não comento o conteúdo já que escrever não é comigo, muito menos pensar numa coisa tão complicada, porém é de louvar o seu esforço pois o tabuleiro não é propriamente pequeno e segundo se crê não é plano.

Antes de acabarmos o jogo, nunca de livre vontade já que nalgumas edições isto é considerado batota, temos de dar alguns passos, parar em algumas casas e até por vezes tomar decisões tendo sempre em conta o que se passa à nossa volta. Parece complicado mas se perceberem de estatística verão que não é assim tão simples mas bastante mais complicado que isso *.

*(vão ter de pensar um bocado se quiserem chegar a esta conclusão, se não quiserem acreditem em mim, caso contrário vão ao apêndice 3 deste livro pp 2-53252362363263263263262362623623) .

quinta-feira, julho 21, 2005

332 - Um pouco de pimenta e sal q.b. e um escritor bloqueado p'ra enfeitar.

Um pouco de pimenta e sal q.b. só ajudam a insinuar o sabor de algo que acabamos por provar antes de colocarmos na mesa. Existe sempre uma expressão que, de uma forma resumida, nos mostra as características essenciais de cada artesão e um bom cozinheiro, ao longo do processo de confecção, experimenta o que, em tachos ou em bancadas, ganha forma.

Acho que é bastante simples esta analogia. Volto p'ra trás e leio tentando esquecer a conclusão. Basta uma linha ou até nem isso a um escritor bloqueado p'ra enfeitar.

quinta-feira, junho 23, 2005

331

O choro trazia-me alívio. Doiem-me os olhos p'lo que deles jorrou. O que é certo dá-me felicidade, tudo o resto so aumenta a minha tristeza.

Um homem chora - não digam que não. Custa-lhe é fazê-lo. Já lhe dói o ser; p'ra quê trazer dor ao corpo?

segunda-feira, junho 20, 2005

330 Num café qualquer

I

Sem corantes nem conservantes fez-se o sumo.
Bebo-o.

Perdi o comboio e espero
Enquanto o faço bebo.

O cigarro que é sempre o último arde
sobre o cinzeiro que o publicita.

Escrevo sobre um guardanapo
Enquanto espero espero que não acabe.

II

1

Vivo em funçao do incerto
Dos sonhos que p'ra mim tenho
Quanto mais avanço eu venho
A saber que são só restos.

Nada depende de mim.
Quando afinal só depende
Estou a beber, tenho sede,
Só tenho a saber o fim.

Se aqui estou é por querer
Não querendo eu o motivo
Tudo aquilo porque vivo
Faço-o só por viver.

2

Quero um ufano destino
Não tendo aquilo que quero
P'los sonhos eu só espero
Esperar é meu castigo.

Não me mexo, nada faço,
Como se a mim fossem ter
Acabo então por por perder
O caminho por um passo.

E mesmo vendo não mudo.
Tudo percebo. E então?
Ao vento abro mais a mão
Como a ela fosse tudo.

III

1

Um só sorriso tudo dá
-não interessa quanto dura.
Elimina-o
no fundo ele fica
"Sorria"
assim me lembro.

2

defino-a p'lo contrário
"um bébé gordo e feio".
P'ra quê dizer o que é?

Quando estamos juntos é tão pequenina
Tão pequenina quanto eu.
Só me apetece dar-lhe miminhos
E nós
(Tão pequeninos)
Fazemo-lo sem inocência.

Vezes sem conta perguntamos o que é certo
- gostamos de o ouvir.

Despedimo-nos sem dizer
adeus.

sexta-feira, junho 17, 2005

329

"40º em Santarém". As previsões de hoje foram claras pessoas vão suar no interior. Mesmo aqui a temperatura mostra que o calor é insuportável. Estou frio, falta-me algo por ter em excesso outra coisa. Porque é que ele tinha de ser assim, porque é que Ícaro teve de voar com as asas que ele próprio construiu.

Está calor e estou frio. Hoje posso voar.

328

Ele olhava em frente procurando ver mais. Se olhasse p'ra trás tudo veria.

327 - Escrito autobibliográfico

Sidoro Brago é um anagrama do meu simples nome que vim mais tarde a saber que até poderia existir. No fundo foi o que se passou com aquilo que me define. Eu sempre me considerei estranho e à parte deste mundo que o meu pai, tão bem definiu, como um mundo de anormais; é um bocado agressivo, admito, mas olhava p'ro meu lado e achava que valia, segundo os meu próprios padrões, muito mais que os outros causando assim o meu isolamento.

Enquanto adolescente agarrava-me aos livros para escapar à realidade. Estudando não pensava no que se passava ao meu redor e deixava de ter pensamentos que hoje vejo serem estúpidos. É claro que isto não me consumia muito tempo: só estudava quando já era tarde mas é sempre bom dar a entender que já fomos ou que temos a capacidade de sermos responsáveis.

A primeira namorada permitiu a primeira grande mudança. As que tive depois permitiram as que depois vieram.

Estou diferente. Aquilo que sou só saberei quando deixar de o ser. Quando me definir vou fazê-lo mal.

326

Não me apetece fazer tudo o que não me dá um prazer instantâneo. Talvez me possa considerar um hedonista mas, por outro lado, posso fazê-lo erroneamente.

Tenho o direito de estudar e deveria fazê-lo mas a inclusão de obrigação no raciocínio faz com que todo o interesse se disolva e que, no fim, o estudo só exista se houver qualquer tipo de coacção agressiva.

Estou a escrever porque me apetece e não por ter de o fazer. Ao longo de quase dois anos o que era diário passou a um acto não previsível e cada vez mais instintivo.

Merda, já estou farto de novo. Vou fumar um cigarro.

quinta-feira, junho 16, 2005

325 - Tentativa de saída não estando habituado à luz

(...)

Foi nesse instante que o nosso anti-herói ao remover a porcaria dos outros encontrou uma pequenina pedra com propriedades mágicas. Ao se aperceber que de mais ninguém aquele conjunto de elementos era a sua mente sentiu que de tudo era possível.

Levado pelo sonho gritou pela janela:

"Quem quer casar com o carochinho que da pedra é dono?"

Como era de esperar apareceram imensos pretendentes -digo imensos porque não foram só fêmeas que lhe disseram sim- mas, de eles todos, só uma jovem bastante parecida com ele lhe chamou a atenção e o fez pensar que resultava.

Hoje ele confirmam-se as suas suposições e só hoje se percebe porque é que assim foi. A pedra dela era do tamanho da dele.

domingo, maio 15, 2005

324

I

Silence is sexy if that is it's meaning. If not it can be hideous or painful.

Silence is sexy if it is used to be.



II

A cabeça é pequena
pequena p'ro corpo que quer sentir.
Mexe os braços
quer um abraço
- ah por pouco não teve mais...
São letais (p'ro fraco) as distâncias pequenas.

Não mexe a cabeça
Acena um adeus com uma mão
Ele está no chão
só pode descer mais um pouco.
Doi-lhe o pescoço de tanto p'ra cima olhar.

"Vou-te matar"
Diz ele em cada grito que não dá
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH

Ainda dói
Já devia estar habituado...

Nunca se é fraco
Fraco de +.



III

A mão ficou solta
ele não estava habituado
Por necessidade ergueu a outra
a que só servia p'ra tocar.

Estava sentado
Tinha uma mão levantada
a outra apontava
p'ra outro lado qualquer.

Rejeitado
olhou p'ra onde não olhara
A janela estava aberta
ele não tinha ou q'ria luz.

O sorriso era o mesmo
Riam os outros de ti
Ele seguia o teu dedo
era cornudo e via-se
(tu foras sempre discreto).

O silêncio amargo
o ar era pesado...

Caíste
quando ela te largou
o que não vias
o que não tinhas
segurou.



IV

Some get mad
Il y a des gents qui devient fout
alguns fincam loucos
gritam
mas no silêncio nada se propaga
o silêncio é fodido
quando os olhos não veêm nada se faz.

Que eles se riam
não vejo
estou de joelhos
peço algo em vão
entao
quem me vê?
Ng
ng
ng
Quem está à minha volta?
Quem?

Possa eu ver
De que serve ouvir
Estou a gritar e ng, ng vê

Que acabe o nada
Mesmo que o nada
(que nunca o foi)
descubra.



V

Quando sonhamos agarramo-nos a uma projecção de nós mesmo numa realidade que, por ser só nossa, somente serve de apoio a que já perdeu tudo.
Resta a vida que temos por sonhar que completa o conjuto de nadas que temos. Acordamos e talvez tomemos um caminho qualquer que implique a soluçao, talvez saltemos para um fosso sem medo talvez, talvez acordemos noutro local qualquer...

A memória é curta e só a necessidade cíclica mostra o que medo torna aceitável: há Deus pq ele existe.



VI

Chegado ao fundo mais não se desce
Podes olhar que só o que pisas vês

Sente o chão
por baixo nada há.
Olha p'ra cima
vê o que perdeste.

Cresceste p'lo caminho
Com sonhos que só a (des)ilusão permite
Envelheceste com o tempo que ninguém quer
O que Ele disser
já nada piora.

Olha,
Olha p'ra cima e vê
Olha,
que já não chora quem chorou...

Doi-teo corpo que foi pisado
O ego que ja não é teu.

Olha
Olha
Olha
Pisa e vê onde estás
Chora por dentro ó imbecil
---------------------

Sorri agora
Vá sorri.

Ou ficas ou sobes
ou então a morte é soluçao
Pensa
Vê se chegas a algum lado
(tambem n interessa
morres entretanto).

quinta-feira, abril 28, 2005

323

Como sempre no comboio mas mais tarde do que antes. Agora as horas prolongam-se antes da solidão.

I

A louca falava
os que o não são ouviam.

"Matou-se
A gente morre todos né"
Atirou-se
sozinha da ponte
não tinha ninguém ao pé.

A louca falava dos dias
amanhã era quinta
hoje p'ra ela era sábado.

"Boa noite"
- chegou alguém entretanto
perguntou-lhe os anos
não tendo ela idade.

Não te estranho
Sei que sou como tu
O mundo de um
Não o é dos outros.

Fomos,
Ao mesmo tempo em frente
Partimos todos à mesma hora
Agora
nada mais temos
e se não nos perdermos
não nos vamos encontrar.

II

Não fala a louca, nada diz. É triste.
Solta inocente sons que sabe, vãos,
pergunta o tempo que não vê que existe;
os ignorantes fecham sempre as mãos.

A todos contas o que a crer ouviste
A tua pequenez vive sem nãos.
Pena de ti não tenho, não caíste
Sempre viveste mais que rente ao chão.

Continuas a rir e sem motivo
Falas do fim mas só eu sei que venho
P'ra um dia encontrá-lo. Sei que existo
e que alguns passos vão pedir perdão.

Invejo o que tu és pois sem razão
Razão não tens p'ro carpir que tenho.

322

Não escrevo como antes, raras vezes estou triste e estou-lhe grato por isso. A escrita como já antes dissera é o meu refúgio cobarde e egoísta (não escrevo sem ser sobre mim).

Estou maior. Aprendi tanto em tão pouco (dois pontos) quem me viu já não me vê.

quinta-feira, abril 14, 2005

321

Paixão.

Medo.

Fuga.

Ataraxia,
ou indiferença,
- tanto faz -
que mais no corpo jaz
Depois de ter fugido?