I
Sem corantes nem conservantes fez-se o sumo.
Bebo-o.
Perdi o comboio e espero
Enquanto o faço bebo.
O cigarro que é sempre o último arde
sobre o cinzeiro que o publicita.
Escrevo sobre um guardanapo
Enquanto espero espero que não acabe.
II
1
Vivo em funçao do incerto
Dos sonhos que p'ra mim tenho
Quanto mais avanço eu venho
A saber que são só restos.
Nada depende de mim.
Quando afinal só depende
Estou a beber, tenho sede,
Só tenho a saber o fim.
Se aqui estou é por querer
Não querendo eu o motivo
Tudo aquilo porque vivo
Faço-o só por viver.
2
Quero um ufano destino
Não tendo aquilo que quero
P'los sonhos eu só espero
Esperar é meu castigo.
Não me mexo, nada faço,
Como se a mim fossem ter
Acabo então por por perder
O caminho por um passo.
E mesmo vendo não mudo.
Tudo percebo. E então?
Ao vento abro mais a mão
Como a ela fosse tudo.
III
1
Um só sorriso tudo dá
-não interessa quanto dura.
Elimina-o
no fundo ele fica
"Sorria"
assim me lembro.
2
defino-a p'lo contrário
"um bébé gordo e feio".
P'ra quê dizer o que é?
Quando estamos juntos é tão pequenina
Tão pequenina quanto eu.
Só me apetece dar-lhe miminhos
E nós
(Tão pequeninos)
Fazemo-lo sem inocência.
Vezes sem conta perguntamos o que é certo
- gostamos de o ouvir.
Despedimo-nos sem dizer
adeus.
Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
segunda-feira, junho 20, 2005
sexta-feira, junho 17, 2005
329
"40º em Santarém". As previsões de hoje foram claras pessoas vão suar no interior. Mesmo aqui a temperatura mostra que o calor é insuportável. Estou frio, falta-me algo por ter em excesso outra coisa. Porque é que ele tinha de ser assim, porque é que Ícaro teve de voar com as asas que ele próprio construiu.
Está calor e estou frio. Hoje posso voar.
Está calor e estou frio. Hoje posso voar.
327 - Escrito autobibliográfico
Sidoro Brago é um anagrama do meu simples nome que vim mais tarde a saber que até poderia existir. No fundo foi o que se passou com aquilo que me define. Eu sempre me considerei estranho e à parte deste mundo que o meu pai, tão bem definiu, como um mundo de anormais; é um bocado agressivo, admito, mas olhava p'ro meu lado e achava que valia, segundo os meu próprios padrões, muito mais que os outros causando assim o meu isolamento.
Enquanto adolescente agarrava-me aos livros para escapar à realidade. Estudando não pensava no que se passava ao meu redor e deixava de ter pensamentos que hoje vejo serem estúpidos. É claro que isto não me consumia muito tempo: só estudava quando já era tarde mas é sempre bom dar a entender que já fomos ou que temos a capacidade de sermos responsáveis.
A primeira namorada permitiu a primeira grande mudança. As que tive depois permitiram as que depois vieram.
Estou diferente. Aquilo que sou só saberei quando deixar de o ser. Quando me definir vou fazê-lo mal.
Enquanto adolescente agarrava-me aos livros para escapar à realidade. Estudando não pensava no que se passava ao meu redor e deixava de ter pensamentos que hoje vejo serem estúpidos. É claro que isto não me consumia muito tempo: só estudava quando já era tarde mas é sempre bom dar a entender que já fomos ou que temos a capacidade de sermos responsáveis.
A primeira namorada permitiu a primeira grande mudança. As que tive depois permitiram as que depois vieram.
Estou diferente. Aquilo que sou só saberei quando deixar de o ser. Quando me definir vou fazê-lo mal.
326
Não me apetece fazer tudo o que não me dá um prazer instantâneo. Talvez me possa considerar um hedonista mas, por outro lado, posso fazê-lo erroneamente.
Tenho o direito de estudar e deveria fazê-lo mas a inclusão de obrigação no raciocínio faz com que todo o interesse se disolva e que, no fim, o estudo só exista se houver qualquer tipo de coacção agressiva.
Estou a escrever porque me apetece e não por ter de o fazer. Ao longo de quase dois anos o que era diário passou a um acto não previsível e cada vez mais instintivo.
Merda, já estou farto de novo. Vou fumar um cigarro.
Tenho o direito de estudar e deveria fazê-lo mas a inclusão de obrigação no raciocínio faz com que todo o interesse se disolva e que, no fim, o estudo só exista se houver qualquer tipo de coacção agressiva.
Estou a escrever porque me apetece e não por ter de o fazer. Ao longo de quase dois anos o que era diário passou a um acto não previsível e cada vez mais instintivo.
Merda, já estou farto de novo. Vou fumar um cigarro.
quinta-feira, junho 16, 2005
325 - Tentativa de saída não estando habituado à luz
(...)
Foi nesse instante que o nosso anti-herói ao remover a porcaria dos outros encontrou uma pequenina pedra com propriedades mágicas. Ao se aperceber que de mais ninguém aquele conjunto de elementos era a sua mente sentiu que de tudo era possível.
Levado pelo sonho gritou pela janela:
"Quem quer casar com o carochinho que da pedra é dono?"
Como era de esperar apareceram imensos pretendentes -digo imensos porque não foram só fêmeas que lhe disseram sim- mas, de eles todos, só uma jovem bastante parecida com ele lhe chamou a atenção e o fez pensar que resultava.
Hoje ele confirmam-se as suas suposições e só hoje se percebe porque é que assim foi. A pedra dela era do tamanho da dele.
Foi nesse instante que o nosso anti-herói ao remover a porcaria dos outros encontrou uma pequenina pedra com propriedades mágicas. Ao se aperceber que de mais ninguém aquele conjunto de elementos era a sua mente sentiu que de tudo era possível.
Levado pelo sonho gritou pela janela:
"Quem quer casar com o carochinho que da pedra é dono?"
Como era de esperar apareceram imensos pretendentes -digo imensos porque não foram só fêmeas que lhe disseram sim- mas, de eles todos, só uma jovem bastante parecida com ele lhe chamou a atenção e o fez pensar que resultava.
Hoje ele confirmam-se as suas suposições e só hoje se percebe porque é que assim foi. A pedra dela era do tamanho da dele.
domingo, maio 15, 2005
324
I
Silence is sexy if that is it's meaning. If not it can be hideous or painful.
Silence is sexy if it is used to be.

II
A cabeça é pequena
pequena p'ro corpo que quer sentir.
Mexe os braços
quer um abraço
- ah por pouco não teve mais...
São letais (p'ro fraco) as distâncias pequenas.
Não mexe a cabeça
Acena um adeus com uma mão
Ele está no chão
só pode descer mais um pouco.
Doi-lhe o pescoço de tanto p'ra cima olhar.
"Vou-te matar"
Diz ele em cada grito que não dá
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Ainda dói
Já devia estar habituado...
Nunca se é fraco
Fraco de +.

III
A mão ficou solta
ele não estava habituado
Por necessidade ergueu a outra
a que só servia p'ra tocar.
Estava sentado
Tinha uma mão levantada
a outra apontava
p'ra outro lado qualquer.
Rejeitado
olhou p'ra onde não olhara
A janela estava aberta
ele não tinha ou q'ria luz.
O sorriso era o mesmo
Riam os outros de ti
Ele seguia o teu dedo
era cornudo e via-se
(tu foras sempre discreto).
O silêncio amargo
o ar era pesado...
Caíste
quando ela te largou
o que não vias
o que não tinhas
segurou.

IV
Some get mad
Il y a des gents qui devient fout
alguns fincam loucos
gritam
mas no silêncio nada se propaga
o silêncio é fodido
quando os olhos não veêm nada se faz.
Que eles se riam
não vejo
estou de joelhos
peço algo em vão
entao
quem me vê?
Ng
ng
ng
Quem está à minha volta?
Quem?
Possa eu ver
De que serve ouvir
Estou a gritar e ng, ng vê
Que acabe o nada
Mesmo que o nada
(que nunca o foi)
descubra.

V
Quando sonhamos agarramo-nos a uma projecção de nós mesmo numa realidade que, por ser só nossa, somente serve de apoio a que já perdeu tudo.
Resta a vida que temos por sonhar que completa o conjuto de nadas que temos. Acordamos e talvez tomemos um caminho qualquer que implique a soluçao, talvez saltemos para um fosso sem medo talvez, talvez acordemos noutro local qualquer...
A memória é curta e só a necessidade cíclica mostra o que medo torna aceitável: há Deus pq ele existe.

VI
Chegado ao fundo mais não se desce
Podes olhar que só o que pisas vês
Sente o chão
por baixo nada há.
Olha p'ra cima
vê o que perdeste.
Cresceste p'lo caminho
Com sonhos que só a (des)ilusão permite
Envelheceste com o tempo que ninguém quer
O que Ele disser
já nada piora.
Olha,
Olha p'ra cima e vê
Olha,
que já não chora quem chorou...
Doi-teo corpo que foi pisado
O ego que ja não é teu.
Olha
Olha
Olha
Pisa e vê onde estás
Chora por dentro ó imbecil
---------------------
Sorri agora
Vá sorri.
Ou ficas ou sobes
ou então a morte é soluçao
Pensa
Vê se chegas a algum lado
(tambem n interessa
morres entretanto).
Silence is sexy if that is it's meaning. If not it can be hideous or painful.
Silence is sexy if it is used to be.

II
A cabeça é pequena
pequena p'ro corpo que quer sentir.
Mexe os braços
quer um abraço
- ah por pouco não teve mais...
São letais (p'ro fraco) as distâncias pequenas.
Não mexe a cabeça
Acena um adeus com uma mão
Ele está no chão
só pode descer mais um pouco.
Doi-lhe o pescoço de tanto p'ra cima olhar.
"Vou-te matar"
Diz ele em cada grito que não dá
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH
Ainda dói
Já devia estar habituado...
Nunca se é fraco
Fraco de +.

III
A mão ficou solta
ele não estava habituado
Por necessidade ergueu a outra
a que só servia p'ra tocar.
Estava sentado
Tinha uma mão levantada
a outra apontava
p'ra outro lado qualquer.
Rejeitado
olhou p'ra onde não olhara
A janela estava aberta
ele não tinha ou q'ria luz.
O sorriso era o mesmo
Riam os outros de ti
Ele seguia o teu dedo
era cornudo e via-se
(tu foras sempre discreto).
O silêncio amargo
o ar era pesado...
Caíste
quando ela te largou
o que não vias
o que não tinhas
segurou.

IV
Some get mad
Il y a des gents qui devient fout
alguns fincam loucos
gritam
mas no silêncio nada se propaga
o silêncio é fodido
quando os olhos não veêm nada se faz.
Que eles se riam
não vejo
estou de joelhos
peço algo em vão
entao
quem me vê?
Ng
ng
ng
Quem está à minha volta?
Quem?
Possa eu ver
De que serve ouvir
Estou a gritar e ng, ng vê
Que acabe o nada
Mesmo que o nada
(que nunca o foi)
descubra.

V
Quando sonhamos agarramo-nos a uma projecção de nós mesmo numa realidade que, por ser só nossa, somente serve de apoio a que já perdeu tudo.
Resta a vida que temos por sonhar que completa o conjuto de nadas que temos. Acordamos e talvez tomemos um caminho qualquer que implique a soluçao, talvez saltemos para um fosso sem medo talvez, talvez acordemos noutro local qualquer...
A memória é curta e só a necessidade cíclica mostra o que medo torna aceitável: há Deus pq ele existe.

VI
Chegado ao fundo mais não se desce
Podes olhar que só o que pisas vês
Sente o chão
por baixo nada há.
Olha p'ra cima
vê o que perdeste.
Cresceste p'lo caminho
Com sonhos que só a (des)ilusão permite
Envelheceste com o tempo que ninguém quer
O que Ele disser
já nada piora.
Olha,
Olha p'ra cima e vê
Olha,
que já não chora quem chorou...
Doi-teo corpo que foi pisado
O ego que ja não é teu.
Olha
Olha
Olha
Pisa e vê onde estás
Chora por dentro ó imbecil
---------------------
Sorri agora
Vá sorri.
Ou ficas ou sobes
ou então a morte é soluçao
Pensa
Vê se chegas a algum lado
(tambem n interessa
morres entretanto).
quinta-feira, abril 28, 2005
323
Como sempre no comboio mas mais tarde do que antes. Agora as horas prolongam-se antes da solidão.
I
A louca falava
os que o não são ouviam.
"Matou-se
A gente morre todos né"
Atirou-se
sozinha da ponte
não tinha ninguém ao pé.
A louca falava dos dias
amanhã era quinta
hoje p'ra ela era sábado.
"Boa noite"
- chegou alguém entretanto
perguntou-lhe os anos
não tendo ela idade.
Não te estranho
Sei que sou como tu
O mundo de um
Não o é dos outros.
Fomos,
Ao mesmo tempo em frente
Partimos todos à mesma hora
Agora
nada mais temos
e se não nos perdermos
não nos vamos encontrar.
II
Não fala a louca, nada diz. É triste.
Solta inocente sons que sabe, vãos,
pergunta o tempo que não vê que existe;
os ignorantes fecham sempre as mãos.
A todos contas o que a crer ouviste
A tua pequenez vive sem nãos.
Pena de ti não tenho, não caíste
Sempre viveste mais que rente ao chão.
Continuas a rir e sem motivo
Falas do fim mas só eu sei que venho
P'ra um dia encontrá-lo. Sei que existo
e que alguns passos vão pedir perdão.
Invejo o que tu és pois sem razão
Razão não tens p'ro carpir que tenho.
I
A louca falava
os que o não são ouviam.
"Matou-se
A gente morre todos né"
Atirou-se
sozinha da ponte
não tinha ninguém ao pé.
A louca falava dos dias
amanhã era quinta
hoje p'ra ela era sábado.
"Boa noite"
- chegou alguém entretanto
perguntou-lhe os anos
não tendo ela idade.
Não te estranho
Sei que sou como tu
O mundo de um
Não o é dos outros.
Fomos,
Ao mesmo tempo em frente
Partimos todos à mesma hora
Agora
nada mais temos
e se não nos perdermos
não nos vamos encontrar.
II
Não fala a louca, nada diz. É triste.
Solta inocente sons que sabe, vãos,
pergunta o tempo que não vê que existe;
os ignorantes fecham sempre as mãos.
A todos contas o que a crer ouviste
A tua pequenez vive sem nãos.
Pena de ti não tenho, não caíste
Sempre viveste mais que rente ao chão.
Continuas a rir e sem motivo
Falas do fim mas só eu sei que venho
P'ra um dia encontrá-lo. Sei que existo
e que alguns passos vão pedir perdão.
Invejo o que tu és pois sem razão
Razão não tens p'ro carpir que tenho.
322
Não escrevo como antes, raras vezes estou triste e estou-lhe grato por isso. A escrita como já antes dissera é o meu refúgio cobarde e egoísta (não escrevo sem ser sobre mim).
Estou maior. Aprendi tanto em tão pouco (dois pontos) quem me viu já não me vê.
Estou maior. Aprendi tanto em tão pouco (dois pontos) quem me viu já não me vê.
quinta-feira, abril 14, 2005
321
Paixão.
Medo.
Fuga.
Ataraxia,
ou indiferença,
- tanto faz -
que mais no corpo jaz
Depois de ter fugido?
Medo.
Fuga.
Ataraxia,
ou indiferença,
- tanto faz -
que mais no corpo jaz
Depois de ter fugido?
segunda-feira, fevereiro 14, 2005
320
Funny valentine I
À medida que o homem que em mim está se mostra e se impõe tudo aquilo a que aspiro muda.
É dia de S. Valentim, é dia de consumir por um pretexto qualquer inventado por magnatas reunidos em salas onde só entra quem tem o cartão preto. (Não ponho o Vaticano de parte).
"My funny valentine" é o que se diz durante a música. É o que preciso e quero: alguém que me faça sorrir. Quanto a nomes que seja mais feminino.
Funny valentine II
Porque me tive de lembrar? O meu cérebro é maquiavélico para com o pouco de humano que resta em mim. Já nem choro pois como hoje tem o sempre sempre sido.
Que se foda a publicidade que promove casais felizes e juntinhos em cada instante com um romantismo tal que chega a provocar vómitos prolongados. OK, tenho inveja, é verdade que tenho: eu queria tudo isso nem que fosse por um dia e logo hoje é que me havia lembrar.
À medida que o homem que em mim está se mostra e se impõe tudo aquilo a que aspiro muda.
É dia de S. Valentim, é dia de consumir por um pretexto qualquer inventado por magnatas reunidos em salas onde só entra quem tem o cartão preto. (Não ponho o Vaticano de parte).
"My funny valentine" é o que se diz durante a música. É o que preciso e quero: alguém que me faça sorrir. Quanto a nomes que seja mais feminino.
Funny valentine II
Porque me tive de lembrar? O meu cérebro é maquiavélico para com o pouco de humano que resta em mim. Já nem choro pois como hoje tem o sempre sempre sido.
Que se foda a publicidade que promove casais felizes e juntinhos em cada instante com um romantismo tal que chega a provocar vómitos prolongados. OK, tenho inveja, é verdade que tenho: eu queria tudo isso nem que fosse por um dia e logo hoje é que me havia lembrar.
320 - A Puta
Choras por dentro e os olhos reflectidos sem pedires mostram no vidro o que em ti vai. As lágrimas gastaste em choro vão que ninguém ouviu: só te resta o sal que te conspurca os olhos não deixando mais que tristeza crescer.
O perfume que exalas irrta-me e equilibra o dó que sinto por ti. Essas pernas cruzadas por instantes são o resto da decência que mostras por motivo desconhecido ao mundo.
Amo-te por assim seres: por teres a vida que por sorte não tenho. Desconheço-te e choro quando penso por ti.
O perfume que exalas irrta-me e equilibra o dó que sinto por ti. Essas pernas cruzadas por instantes são o resto da decência que mostras por motivo desconhecido ao mundo.
Amo-te por assim seres: por teres a vida que por sorte não tenho. Desconheço-te e choro quando penso por ti.
319
O poeta triste
o homem que não sabe
Razão porque existe
Razão porque sare.
Tudo passa lento
o poeta é faminto
O som vai c'o vento
e com ele o riso.
Já nada lhe resta
O pouco o dado
Aos poucos não presta
Tudo dele foi gasto.
o homem que não sabe
Razão porque existe
Razão porque sare.
Tudo passa lento
o poeta é faminto
O som vai c'o vento
e com ele o riso.
Já nada lhe resta
O pouco o dado
Aos poucos não presta
Tudo dele foi gasto.
318
Tudo passa lentamente como se derivasse de um pensamento com valor quase nulo. Os segundos são sempre os mesmos e o valor que têm so varia de uma forma psicológica.
Quanto mais velho estou mais rápido tudo é, equilibro isto com o pensar.
Quanto mais velho estou mais rápido tudo é, equilibro isto com o pensar.
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
317 - Na brasileira
Pegou num e colocou entre os lábios. Ela por graça e não por instinto pegou no isqueiro e acendeu-o. Ele respirou e sentiu-se mais quente.
Não precisava dizer mas escreveu que gostou.
Não precisava dizer mas escreveu que gostou.
quinta-feira, fevereiro 03, 2005
316
Se fiz mal que o tenha feito. Se magoei que tenha magoado. Fui sincero. Fui eu. Se me querem querem isto.
315 - No People sozinho
O passado persegue-nos ao ponto
de fugirmos p'ra longe do que ele traz
O passado persegue-nos e faz
o que é junto descer nosso rosto.
Quando se vê finalmente já solto
tudo o resto é liberto mas assaz
Ficamos sós somos ninguém e más
são as memórias que prefazem contos.
Dif'rentes torna-nos o tempo e mais
p'ra libertar se junta. Encontrados
como antes somos p'quenos e os tais
que nunca o fazem mais que sorte têm.
Ah somos fracos. Elas querem e vêm
De que serve s'olharmos p'ros lados?~
de fugirmos p'ra longe do que ele traz
O passado persegue-nos e faz
o que é junto descer nosso rosto.
Quando se vê finalmente já solto
tudo o resto é liberto mas assaz
Ficamos sós somos ninguém e más
são as memórias que prefazem contos.
Dif'rentes torna-nos o tempo e mais
p'ra libertar se junta. Encontrados
como antes somos p'quenos e os tais
que nunca o fazem mais que sorte têm.
Ah somos fracos. Elas querem e vêm
De que serve s'olharmos p'ros lados?~
314 - De tarde sozinho
Só com ânsia escutei o que era dito
já me tinha mostrado o que eu ouvia.
Nunca bastou a este cego o visto
Insisto que p'los olhos nada tinha.
Agora que estou há motivos?
Acho que os sei só ela os têm, diria
Talvez para eu os encontrar: sinto isto
-só perguntando esta certeza vinha.
A seguir perguntou-me, não disse
por cobardia mais que nada. Merda
Sou egoísta o que agora é eu fui.
A postura que ali não querendo tive
Só quando arrependido se dilui.
E agora sincero que se preste.
já me tinha mostrado o que eu ouvia.
Nunca bastou a este cego o visto
Insisto que p'los olhos nada tinha.
Agora que estou há motivos?
Acho que os sei só ela os têm, diria
Talvez para eu os encontrar: sinto isto
-só perguntando esta certeza vinha.
A seguir perguntou-me, não disse
por cobardia mais que nada. Merda
Sou egoísta o que agora é eu fui.
A postura que ali não querendo tive
Só quando arrependido se dilui.
E agora sincero que se preste.
domingo, janeiro 30, 2005
313
Ulisses e Torquemada, companheiros e génios de sacanices, falavam que o que tinham resultava do destino que os juntou. Eram parecidos e o tempo que os separava só pequenas arestas limou em sentidos diferentes:os dois pensavam, os dois jogavam à sua maneira um jogo que era o mesmo.
Acumulavam momentos que os formaram e julgavam estar certos ao dizer que tudo o que os fez foi porque alguém disse que assim seria e até a sua parceria tinha de acontecer.
Não digo o resto mas de mais eles falavam- eram coisas deles. O que interessa é o momento, só os momentos interessam.
Acumulavam momentos que os formaram e julgavam estar certos ao dizer que tudo o que os fez foi porque alguém disse que assim seria e até a sua parceria tinha de acontecer.
Não digo o resto mas de mais eles falavam- eram coisas deles. O que interessa é o momento, só os momentos interessam.
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