Ulisses e Torquemada, companheiros e génios de sacanices, falavam que o que tinham resultava do destino que os juntou. Eram parecidos e o tempo que os separava só pequenas arestas limou em sentidos diferentes:os dois pensavam, os dois jogavam à sua maneira um jogo que era o mesmo.
Acumulavam momentos que os formaram e julgavam estar certos ao dizer que tudo o que os fez foi porque alguém disse que assim seria e até a sua parceria tinha de acontecer.
Não digo o resto mas de mais eles falavam- eram coisas deles. O que interessa é o momento, só os momentos interessam.
Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
domingo, janeiro 30, 2005
312
A solidão é o que mais me inspira;ou simplesmente a reposta a ela é criar algo que, por meros instantes apenas, me distancia deste estado e permite que eu sinta algum calor que nunca tendo é meu.
A tarde passa e registo momentos com nitrato de prata. Momentos não belos mas equilibrados o que, de um ponto de vista racional, eu procuro e que, ao ver numa folha de papel brilhante ou baça, acho que atingi num espaço de 1/15 a 1/1000 de segundos.
Desci sozinho do Carmo e fascinou-me um velho sujo como as ruas que são a sua casa fria. Pedia enquanto descascava uma laranja à porta da casa de Deus no seu dia. Entravam pobres de e não por espírito e julgavam-se bem aventurados por isso. Falando ao velho entrei p'ra ver que outro velho coberto de mantos estava de pé e falava p'ros mesmos que pisavam a casa do outro sem pedir.
Tentei perceber o que ele dizia, no fundo julgando, pelos outros, que algo de sério era;falou de revoluções e ri-me. Cantou frases que não são nossas e chorei, preparando a entrada(não merecida) de Alguém em mim, mas saí antes de Ele o fazer.
O outro velho continuava sentado e falei-lhe de novo, não porque Deus quis. Falou-se de sorte e ele, que não a tinha, disse que a teve mas que hoje vivia sob luz constante e que mantos eram as suas cortinas que também serviam de paredes. Chorei por dentro e era ele que falava:bem aventurado era.
Descia a rua que com outra cor subi e olhei-a tão diferente.
Agora escrevo no comboio, registo com tinta e faz menos frio.
A tarde passa e registo momentos com nitrato de prata. Momentos não belos mas equilibrados o que, de um ponto de vista racional, eu procuro e que, ao ver numa folha de papel brilhante ou baça, acho que atingi num espaço de 1/15 a 1/1000 de segundos.
Desci sozinho do Carmo e fascinou-me um velho sujo como as ruas que são a sua casa fria. Pedia enquanto descascava uma laranja à porta da casa de Deus no seu dia. Entravam pobres de e não por espírito e julgavam-se bem aventurados por isso. Falando ao velho entrei p'ra ver que outro velho coberto de mantos estava de pé e falava p'ros mesmos que pisavam a casa do outro sem pedir.
Tentei perceber o que ele dizia, no fundo julgando, pelos outros, que algo de sério era;falou de revoluções e ri-me. Cantou frases que não são nossas e chorei, preparando a entrada(não merecida) de Alguém em mim, mas saí antes de Ele o fazer.
O outro velho continuava sentado e falei-lhe de novo, não porque Deus quis. Falou-se de sorte e ele, que não a tinha, disse que a teve mas que hoje vivia sob luz constante e que mantos eram as suas cortinas que também serviam de paredes. Chorei por dentro e era ele que falava:bem aventurado era.
Descia a rua que com outra cor subi e olhei-a tão diferente.
Agora escrevo no comboio, registo com tinta e faz menos frio.
311
Vê agora de onde não
podia sentar o vício
ergue tão discreto a mão
ergue a mão p'ro já 'squecido.
Aqueles que passam lembram
quem fica irá lembrar
aqueles que um dia tentam
de nada serve tentar
A vida promete glória
mas a vida não a traz
a morte permite história
quem passa e toca em nós jaz.
podia sentar o vício
ergue tão discreto a mão
ergue a mão p'ro já 'squecido.
Aqueles que passam lembram
quem fica irá lembrar
aqueles que um dia tentam
de nada serve tentar
A vida promete glória
mas a vida não a traz
a morte permite história
quem passa e toca em nós jaz.
309
Escrevesse eu uma história simples e dissesse que ela era minha. Sonho isto, quero isto mas não o consigo.
Escrevo não por escrever, mas escrevo porque tenho e, sem o pensar, o faço. Não pensando, saio eu, e por ser eu é complexo: só faz sentido a quem lê comigo ao lado.
Escrevo não por escrever, mas escrevo porque tenho e, sem o pensar, o faço. Não pensando, saio eu, e por ser eu é complexo: só faz sentido a quem lê comigo ao lado.
307
Admirada reparou que ele crescera. Deixou-o pequenino numa paragem de autocarro e mais tempo passou por ele do que locomotivas naquela parte da cidade. Não o queria mudar nem esperar por ele (já estava cansada de o fazer) e o que ela não fez os segundos fizeram.
Não vi os seus olhos por não conseguir encará-los mas, sonhador como sou, imagino-os abertos com a pupila o mais dilatada possível como um mar conspurcado pelo negro que sai de um casco aberto pelo impacto ou que simplesmente quebrou de surpresa. As narinas estavam expandidas e ela arfava pela boca que há muito nada proferia - por orgulho nada mais disse, por orgulho expeliu ar com custo.
Acordei mudado.
Não vi os seus olhos por não conseguir encará-los mas, sonhador como sou, imagino-os abertos com a pupila o mais dilatada possível como um mar conspurcado pelo negro que sai de um casco aberto pelo impacto ou que simplesmente quebrou de surpresa. As narinas estavam expandidas e ela arfava pela boca que há muito nada proferia - por orgulho nada mais disse, por orgulho expeliu ar com custo.
Acordei mudado.
sábado, janeiro 29, 2005
306
Considero-me nesta fase da minha vida um sapo. Não. Acho que dos anfíbios aquele a que sou mais similar é a rã; animal parecido com o o primeiro a ser referido mas que tem a vantagem de ter um nome que rima com a natureza que me falta.
Estou à parte do mundo. Sou diferente e não por escrever um blog que não é um blogue e por dizer convosco. Estou à parte e não sei porquê. Não me sinto feliz nem triste e nada me faz sair do meio: acho que finalmente (ou será fatalmente) em ataraxia depois de tantas vezes a diagnosticar em vão. Por isso sou uma rã.
Gostava que viesse ter ao meu charco (neste caso não imundo) uma princesa - quero que fique bem claro que emprego esta palavra de uma forma não foleira é simplesmente para completar a metáfora- que nada de princesa tenha. Vou ser directo. Não quero falinhas mansas nem sonhos estúpidos e muito menos a crença de que os batráquios falam: quero a substância que quero numa forma qualquer pois a forma não interessa e a substância sente-se.
Com passinhos mansos aproximar-se-á de mim. Vai achar estranho eu não me mexer nem saltar p'ra longe dali e, curiosa, ainda irá mais calmamente, mostrando carinho pelo chão que pisa. Quando estiver perto (e isso só ela sabe o que é) debruçar-se-á levantando um pouco a saia que cobre parte de si - acha que se se sujar me fará impressão mas eu, vítima da publicidade, acredito que qualquer nódoa sai se quisermos. A mão direita irá pouco depois na minha direcção e, depois de a levantar, os meus olhos (provavelmente miópes) verão os dela e assim perceberão tudo o que ela tinha p'ra dizer.
P'ra ver o que já conhecia serei beijado.
Estou à parte do mundo. Sou diferente e não por escrever um blog que não é um blogue e por dizer convosco. Estou à parte e não sei porquê. Não me sinto feliz nem triste e nada me faz sair do meio: acho que finalmente (ou será fatalmente) em ataraxia depois de tantas vezes a diagnosticar em vão. Por isso sou uma rã.
Gostava que viesse ter ao meu charco (neste caso não imundo) uma princesa - quero que fique bem claro que emprego esta palavra de uma forma não foleira é simplesmente para completar a metáfora- que nada de princesa tenha. Vou ser directo. Não quero falinhas mansas nem sonhos estúpidos e muito menos a crença de que os batráquios falam: quero a substância que quero numa forma qualquer pois a forma não interessa e a substância sente-se.
Com passinhos mansos aproximar-se-á de mim. Vai achar estranho eu não me mexer nem saltar p'ra longe dali e, curiosa, ainda irá mais calmamente, mostrando carinho pelo chão que pisa. Quando estiver perto (e isso só ela sabe o que é) debruçar-se-á levantando um pouco a saia que cobre parte de si - acha que se se sujar me fará impressão mas eu, vítima da publicidade, acredito que qualquer nódoa sai se quisermos. A mão direita irá pouco depois na minha direcção e, depois de a levantar, os meus olhos (provavelmente miópes) verão os dela e assim perceberão tudo o que ela tinha p'ra dizer.
P'ra ver o que já conhecia serei beijado.
305 Não gosto de tipos chamados Brutus
Conselho de amigo:
Quanto menos intermediários melhor é o produto. E, se o fornecedor for correcto, explica o processo de fabrico.
Quanto menos intermediários melhor é o produto. E, se o fornecedor for correcto, explica o processo de fabrico.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
304
De uma forma simplista
porque o abstracto não tem forma
e eu quero ser objectivo
Eu estou cansado
sinto-o
nas horas que passam lentamente
por mim nunca bruscas.
Alguém me salve
mais não peço
(que + podia pedir?)
Salvem-me
estou aqui
Cansado de mais p'ra gritar.
porque o abstracto não tem forma
e eu quero ser objectivo
Eu estou cansado
sinto-o
nas horas que passam lentamente
por mim nunca bruscas.
Alguém me salve
mais não peço
(que + podia pedir?)
Salvem-me
estou aqui
Cansado de mais p'ra gritar.
303
Viva a tudo o que não vivo
Tudo que vivo a passar ao lado
Viva sorrisos e abraços
Que por medo evitei
Hossana nas alturas e não a Cristo
(que mais nos diz a altura)
Hossana a tudo o que está longe
Viva a tudo o que não vivo.
Tudo que vivo a passar ao lado
Viva sorrisos e abraços
Que por medo evitei
Hossana nas alturas e não a Cristo
(que mais nos diz a altura)
Hossana a tudo o que está longe
Viva a tudo o que não vivo.
302 Como sempre no comboio
P'los passos dados mede-se a distância que já não se vê
Há quem ame, quem queira e quem fuja
Por amor daquilo que quer
O amor mete medo e a fuga
Justifica-se só p'lo q'rer.
Pele de galinha, pele de medricas e suor
Dor que percorre o corpo não percorrido
Pena p'ra quem vive o juízo
P'ra quem ama e quer partir.
Há quem ame, quem queira e quem fuja
Por amor daquilo que quer
O amor mete medo e a fuga
Justifica-se só p'lo q'rer.
Pele de galinha, pele de medricas e suor
Dor que percorre o corpo não percorrido
Pena p'ra quem vive o juízo
P'ra quem ama e quer partir.
301
Companhia das horas que não passam
Daquelas em que mais só eu estou.
A luz que é rubra aos poucos marca vou
Talvez morrer mais cedo que os que tardam.
Os vícios ganham-se: preenchem tudo
O que por não o ser só nada são.
A luz no escuro vê-se mas já não
vem qualquer ser- estou a viver o luto.
Vive da luz não minha o meu juízo.
Os dedos ganham nódoas que ao sorriso
dão o tom que ele tem nada sincero.
Aos poucos forma-se alva capa a ter
Aos poucos tudo vai com o arder
E o que em nós fica por ficar segura.
Daquelas em que mais só eu estou.
A luz que é rubra aos poucos marca vou
Talvez morrer mais cedo que os que tardam.
Os vícios ganham-se: preenchem tudo
O que por não o ser só nada são.
A luz no escuro vê-se mas já não
vem qualquer ser- estou a viver o luto.
Vive da luz não minha o meu juízo.
Os dedos ganham nódoas que ao sorriso
dão o tom que ele tem nada sincero.
Aos poucos forma-se alva capa a ter
Aos poucos tudo vai com o arder
E o que em nós fica por ficar segura.
299 Férias
Nada tenho a fazer: estou de férias.
Com elas vem o nada que elas têm;
Era tão pouco e tinha, já não vêm
Resta-me o nada que preenche artérias.
Como o tempo nos faz estou mais velho.
Conto os momentos que de parvo vi
Passarem rente aos dedos, eu perdi
tudo o que q'ria só por ser sincero.
Como só eu sou estou. Não tenho mais
que estas memórias vãs que eu já tinha
No fundo se é d'alguém esta é minha
Por eu o ser, por não a q'rer a tenho.
Digo que vou chegar mas cá venho
"É q'nem saindo tu de parvo sais".
Com elas vem o nada que elas têm;
Era tão pouco e tinha, já não vêm
Resta-me o nada que preenche artérias.
Como o tempo nos faz estou mais velho.
Conto os momentos que de parvo vi
Passarem rente aos dedos, eu perdi
tudo o que q'ria só por ser sincero.
Como só eu sou estou. Não tenho mais
que estas memórias vãs que eu já tinha
No fundo se é d'alguém esta é minha
Por eu o ser, por não a q'rer a tenho.
Digo que vou chegar mas cá venho
"É q'nem saindo tu de parvo sais".
segunda-feira, janeiro 24, 2005
298
Estava no meio da tristeza e da felicidade e, como ela disse, estava farto do que tinha. Queria sair mas nem respeitadas eran as vontades pelo choro que não existia.
Quem interessa perguntava o motivo.
Quem interessa perguntava o motivo.
297
I
Já nos sentámos ali
naquela mesa do canto
falávamos de merdas
(só queriamos sentir)
Passou mais de um ano
com ele só cresceu a distância.
Agora
ela chora por dentro
à mesma frente a que estavas.
Lembro-me que sorrias
que tinhas o cabelo apanhado
mas hoje só eu estou preso.
Ah memórias
sonhos despertos p'lo rever.
Estavas ali
naquela mesa do canto.
II
Vejo a mesa do canto
o mesmo em que nos escondemos indiscretos
onde discretamente sentiamos.
Estavas diante de mim
e eu diante de ti estava
o que um mostrava
o outro não via.
Passou tempo sem pressa
(ou com demasia)
Mas a mesa era a mesma
e o mesmo era o canto.
Olho p'ra lá e vejo
(filtrado por lágrimas dela que chora)
e lembro-me....
Era a mesma mesa
E o canto era o mesmo.
Já nos sentámos ali
naquela mesa do canto
falávamos de merdas
(só queriamos sentir)
Passou mais de um ano
com ele só cresceu a distância.
Agora
ela chora por dentro
à mesma frente a que estavas.
Lembro-me que sorrias
que tinhas o cabelo apanhado
mas hoje só eu estou preso.
Ah memórias
sonhos despertos p'lo rever.
Estavas ali
naquela mesa do canto.
II
Vejo a mesa do canto
o mesmo em que nos escondemos indiscretos
onde discretamente sentiamos.
Estavas diante de mim
e eu diante de ti estava
o que um mostrava
o outro não via.
Passou tempo sem pressa
(ou com demasia)
Mas a mesa era a mesma
e o mesmo era o canto.
Olho p'ra lá e vejo
(filtrado por lágrimas dela que chora)
e lembro-me....
Era a mesma mesa
E o canto era o mesmo.
sábado, janeiro 22, 2005
295
É Inverno.
Os troncos despidos cortam o horizonte
A luz de halogénio começa mais cedo
Os dias são mais curtos como o resto.
Faz frio por vezes
E só por vezes se estuda.
Ao fundo o betão cresce.
Brincam crianças na rua
Baloiçam-se como nós (graúdos)
na vida,
nunca saindo do lugar.
Os troncos despidos coratam o horizonte
As plantas (até elas) são negras
O vento levanta-se por vezes
e por vezes se estuda.
Os pais levam os filhos
como antes foram levados;
Os caminhos que pisam foram pisados
Para mais tarde serem caminhos.
Estou só, e despido corto a folha
(passo p'ra ela o que em mim está)
Por vezes chorava e só por vezes o faço
Estou mais velho e não há lágrima alguma.
Choro despindo-me mas já não me dispo
se eu o faço corto a folha.
Choro por isso neste momento.
Podia escorregar mas já estou grande
Embala-me a falta de movimento
E o sol já não doira como antes...
É Inverno
Estou velho como mundo já não verde;
Choro e escrevo
porque só assim posso.
Os troncos despidos cortam o horizonte
A luz de halogénio começa mais cedo
Os dias são mais curtos como o resto.
Faz frio por vezes
E só por vezes se estuda.
Ao fundo o betão cresce.
Brincam crianças na rua
Baloiçam-se como nós (graúdos)
na vida,
nunca saindo do lugar.
Os troncos despidos coratam o horizonte
As plantas (até elas) são negras
O vento levanta-se por vezes
e por vezes se estuda.
Os pais levam os filhos
como antes foram levados;
Os caminhos que pisam foram pisados
Para mais tarde serem caminhos.
Estou só, e despido corto a folha
(passo p'ra ela o que em mim está)
Por vezes chorava e só por vezes o faço
Estou mais velho e não há lágrima alguma.
Choro despindo-me mas já não me dispo
se eu o faço corto a folha.
Choro por isso neste momento.
Podia escorregar mas já estou grande
Embala-me a falta de movimento
E o sol já não doira como antes...
É Inverno
Estou velho como mundo já não verde;
Choro e escrevo
porque só assim posso.
sexta-feira, janeiro 21, 2005
294 - Ataraxia
Estou embalado pela falta de movimento,
A força da atrito faz com que
O efeito de um empurrão seja nulo.
Só sou humano
De nada me servem modelos...
Talvez saia daqui
Aos poucos.
A força da atrito faz com que
O efeito de um empurrão seja nulo.
Só sou humano
De nada me servem modelos...
Talvez saia daqui
Aos poucos.
terça-feira, janeiro 18, 2005
293 Some enchanted evening
Mais um ano passou. A noite era como outra qualquer motivava-a somente fogo de artifício que até chegar senti meu. Receberam-me à porta e, como se soubesse o meu estado, a linda bailarina mascarada abriu as cortinas do espaço onde a minha cara foi coberta.
Era outro aos olhos de outros que não eu. Até chegar o que era temido por instantes nada temi.
Olhou-me e eu olhei-a; a máscara de nada me serviu. Os olhos estavam descobertos e eles sinceros não mentem.
Era outro aos olhos de outros que não eu. Até chegar o que era temido por instantes nada temi.
Olhou-me e eu olhei-a; a máscara de nada me serviu. Os olhos estavam descobertos e eles sinceros não mentem.
domingo, janeiro 16, 2005
290 Back from the dead again
O vento passa e leva
O vento pára e volta
O vento só não leva
o que já levou.
O vento pára e volta
O vento só não leva
o que já levou.
terça-feira, dezembro 14, 2004
289 - Aula prática de estatística
Testávamos a hipótese nula quando nulo era o ânimo. Quase que estava a acabar a aula, quase que estava a acabar o semestre. Como só a idade faz o tempo passava tão rápido, parecia que ontem voltara do Verão. Tudo o resto (o vivido) é nulo, tudo o resto é nada.
Sou o Sidoro só por nome: nunca nos banhamos mais que uma vez nas àguas de um rio que só é o mesmo por convenção. Tudo passa tão rápido, nada é o mesmo e tudo também não.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
288 Adeus
Adeus,
Já to disse antes e dessa vez chorei
Fui p'ro quarto com uma culpa quase minha
Que afinal não saiu da tua posse.
Nc admitiste nada p'ra além de sucessos
O resto era sempre dos outros
que,
nem assim,
eram como tu.
Adeus,
Retiro-te das memórias que eram negras por respeito inexplicável...
Agora
só recordo
Sorrisos escassos.
Adeus,
E quem se despede sou eu
aquele que não quiseste conhecer
aquele que sabias ser melhor que tu
Adeus
Até à próxima;
Um erro que quiseste
domingo, dezembro 12, 2004
286 No concerto.
Consome-me o tempo que não houve. Olho e não me vejo onde queria estar e entristeço por isso. A música que toca enerva-me, a que vai tocar faz com que o choro tenha mais significado.
Já passou tanto mas o que passou marcou;posso até dizer que sou outro graças a ele mas naquilo em que me tornei não é o que eu queria, nem me coloca onde eu queria estar:o que eu vi e nao conheço.
Enlaçamos as mãos e daí não passámos. Sempre tive medo da perda parcial do que por inteiro queria ter. Nestas alturas fode-me ler Pessoa, já que Reis se manifesta em mim da pior forma:a contrária a que eu queria.
Está na mesma p'lo que a distância permite supôr. O que mudou foi mesmo ela, são mais que uns metros que nos separam. Nunca me deveria ter despedido. Nunca deveria ter feito o que não queria- o que por ser cobarde julguei querer. Porquê? Porquê, porquê? Porquê, porquê, porquê? Coloco questões que nem eu sei responder, que só o génio a mais permite que existam e na merda fico por pensar demais.
Devia ter visto como o Mestre, devia ter julgado o que via pelo que era e não pelo que adicionei ao pensar. Devia ser Alberto e não Ricardo, devia ter feito o que queria.
II
Só a distância, mais que métrica, há
Uns meses que eu criei muda em nós
Vi-te, mas não ousei soltar a voz
Tão mais tremida como o ver-te faz.
Fosse eu o outro aquele que visto sobre
Um colchão que foi assento. Fui e não sou
Perdi-me em juízos a que dou
Importância sem nexo... tu já foste.
Sou sempre eu o culpado. Faço eu sempre
A merda que não quero- ninguém quis
Hoje olho e choro para trás, eu fiz
Q'ria mudar, não dá, por mais que tente.
Mas agora que acabou olho e penso:
quando está mal porque é que só eu tento?
III
IV
Quando na merda o deísta reza, pede a Deus que intervenha.
V
VI
VII
Há muitas (disse ela) mas só há uma (respondi eu)
Já passou tanto mas o que passou marcou;posso até dizer que sou outro graças a ele mas naquilo em que me tornei não é o que eu queria, nem me coloca onde eu queria estar:o que eu vi e nao conheço.
Enlaçamos as mãos e daí não passámos. Sempre tive medo da perda parcial do que por inteiro queria ter. Nestas alturas fode-me ler Pessoa, já que Reis se manifesta em mim da pior forma:a contrária a que eu queria.
Está na mesma p'lo que a distância permite supôr. O que mudou foi mesmo ela, são mais que uns metros que nos separam. Nunca me deveria ter despedido. Nunca deveria ter feito o que não queria- o que por ser cobarde julguei querer. Porquê? Porquê, porquê? Porquê, porquê, porquê? Coloco questões que nem eu sei responder, que só o génio a mais permite que existam e na merda fico por pensar demais.
Devia ter visto como o Mestre, devia ter julgado o que via pelo que era e não pelo que adicionei ao pensar. Devia ser Alberto e não Ricardo, devia ter feito o que queria.
II
Só a distância, mais que métrica, há
Uns meses que eu criei muda em nós
Vi-te, mas não ousei soltar a voz
Tão mais tremida como o ver-te faz.
Fosse eu o outro aquele que visto sobre
Um colchão que foi assento. Fui e não sou
Perdi-me em juízos a que dou
Importância sem nexo... tu já foste.
Sou sempre eu o culpado. Faço eu sempre
A merda que não quero- ninguém quis
Hoje olho e choro para trás, eu fiz
Q'ria mudar, não dá, por mais que tente.
Mas agora que acabou olho e penso:
quando está mal porque é que só eu tento?
III
IV
Quando na merda o deísta reza, pede a Deus que intervenha.
V
VI
VII
Há muitas (disse ela) mas só há uma (respondi eu)
285 No comboio no FT
Página 3
I
Usava rosa por vezes
(não me lembro do seu cheiro
sou um eterno constipado)
Como as rosas tinha espinhos
parecia frágil mas esse era o castigo
daquele que nada percebia.
O vento passava mas só passado
é que ela um pouco se vergava
não queria mostrar que era fraca
e por nunca o mostrar nunca o foi.
Era e ainda é tão vistosa
as estações passam lentamente
e, por isso, lentamente a cor cai...
Não interessa, mesmo que caisse depressa
o vento que passa não leva
- o que suporta não são pétalas.
Usava rosa por vezes
Como uma rosa era
como uma não se deixava colher...
O vento passou mas não se dobrou
ao vento não mostrou que havia fraqueza.
II
(...)Arrependo-me e arrependo-me de o fazer - e o ciclo continua(...)
Página 14
O sol não aquecia o coberto
O sol não entra na pedra...
Fechou-se
isolou-se do mundo
estava em luto
de si mesmo.
Conheceu o negro
Mas sem o conhecer vestiu-o
- perdeu aos poucos a luz...
Os olhos acostumaram-se
os olhos do nada passaram
a ver onde não viam...
O corpo, aos poucos, gostou
ele não receou
até vir luz.
Voltou,
Os olhos queimou
o branco do corpo vermelho ficou...
Os medos voltaram de um canto
Fugiu de novo
- quis o quebranto-
aos poucos voltou a tê-lo.
Paginas 26 e 27
I
Enquanto há o branco
há onde escrever
A escrita é suja
inunda o que não está conspurcado...
Um a um cada som
- pq é isso que cada parte representa-
como uma nódoa expande o poema
que, por não ser branco, é sujo.
Ainda falta só escrevi pouco
não falo de monstros ou de impérios
não sou mais alto nem maior que os outros
-embora de facto o seja.
Eu sou um parvo um cobarde
alguém que nem de fraque enfrenta.
Escrevo um poema sem sentido qualquer
pq tenho o branco por preencher
(E é cada vez menos
e cada vez sai mais depressa
a linha quase certa
aos poucos fica torta
mas não me importa
pq escrevo e enquanto o faço não desço
mais em mim próprio)
A propósito, sou egoísta
sou um despotista onanista
e só o sou por preguiça
(há quem diga que é assim)
Vejamos um exemplo:
ela era tão engraçada
e não falo só de cara
era uma pessoa que interessa...
Tinha olhos não cegos e azuis
Tocava-me como o vento nos pauis
e como eles era incerta
Tinha tudo
e é por ela que eu inundo
esta pureza de merda.
Deixei-a passar pelos dedos
tinha medo como uma criança
como aquela que não avança
pq atrás da porta está o que não vê.
PQ?PQ?PQ?
Há quem diga que eu podia
Havia també quem o dissesse
mas como hoje eu não ouvia
eu não descia onde quero.
e as que há são lixo
como isto que eu escrevo
(no fundo não faz sentido
trago comigo e cuspo
e não numa poltrona qualquer!)
Quero uma mulher
quero possui-la
quer que ela se entregue
a esta mão que percorre
(há quem diga)
de uma maneira desejável.
(Tenho de ser em algo prestável
que o seja no animal)
Não sou normal
sei que não o sou
não sei p'ra onde vou
mas sei onde quero chegar
Quero estar acima dos outros
quero entre os mostros ser o maior
O pior? O pior é isto
Quase que não sinto
(as mãos estão dormentes
as mãos que sujaram)
Ah! não param, não cessam
ainda há branco
ainda há algo por dizer
mesmo que só seja por dizer
mesmo que não seja p'ra mais nada...
Pára, digo eu, pára...
mas o que eu digo só eu oiço
sou um fraco
não páro
enquanto houver branco por sujar.
II
Poema da chegada.
Estou quase a chegar
mais nao vou escrever
vou andar
vou seguir o caminho
o trilho
de betão.
Vou carregar num botão
ligar o computador
vou pedir por favor
e com ng falar.
Estou perto
(será que faltam estações?)
não não me interessa
quanto menos falta mais cedo chego
e eu não quero chegar.
Quero escrever
Ah! não pares
circula sem fim
Não pares , nao pares
ó comboi de metal
já nao movido a vapor
não pares por favor
não quero cair.
Pagina 92
O primeiro
Nunca conheci um verde diferente
àquele que eu pintava sempre diluído em água
concentrada
em cloreto de sódio
Nunca vi um verde dif'rente
- Ele é sempre o mesmo.
Diafuno tudo passa por ele
nada cobre e nada limita
pinto com tantas cores
sendo nenhuma a mesma
só é assim c'o verde
só ele não é diferente
só ele é o mesmo.
Tento tocar-lhe mas por ele os dedos passam
tento ouvi-lo mas nada ouço
talvez nada diga
talvez a nada sinta
talvez...
É sempre o mesmo verde
Não sei qual é.
I
Usava rosa por vezes
(não me lembro do seu cheiro
sou um eterno constipado)
Como as rosas tinha espinhos
parecia frágil mas esse era o castigo
daquele que nada percebia.
O vento passava mas só passado
é que ela um pouco se vergava
não queria mostrar que era fraca
e por nunca o mostrar nunca o foi.
Era e ainda é tão vistosa
as estações passam lentamente
e, por isso, lentamente a cor cai...
Não interessa, mesmo que caisse depressa
o vento que passa não leva
- o que suporta não são pétalas.
Usava rosa por vezes
Como uma rosa era
como uma não se deixava colher...
O vento passou mas não se dobrou
ao vento não mostrou que havia fraqueza.
II
(...)Arrependo-me e arrependo-me de o fazer - e o ciclo continua(...)
Página 14
O sol não aquecia o coberto
O sol não entra na pedra...
Fechou-se
isolou-se do mundo
estava em luto
de si mesmo.
Conheceu o negro
Mas sem o conhecer vestiu-o
- perdeu aos poucos a luz...
Os olhos acostumaram-se
os olhos do nada passaram
a ver onde não viam...
O corpo, aos poucos, gostou
ele não receou
até vir luz.
Voltou,
Os olhos queimou
o branco do corpo vermelho ficou...
Os medos voltaram de um canto
Fugiu de novo
- quis o quebranto-
aos poucos voltou a tê-lo.
Paginas 26 e 27
I
Enquanto há o branco
há onde escrever
A escrita é suja
inunda o que não está conspurcado...
Um a um cada som
- pq é isso que cada parte representa-
como uma nódoa expande o poema
que, por não ser branco, é sujo.
Ainda falta só escrevi pouco
não falo de monstros ou de impérios
não sou mais alto nem maior que os outros
-embora de facto o seja.
Eu sou um parvo um cobarde
alguém que nem de fraque enfrenta.
Escrevo um poema sem sentido qualquer
pq tenho o branco por preencher
(E é cada vez menos
e cada vez sai mais depressa
a linha quase certa
aos poucos fica torta
mas não me importa
pq escrevo e enquanto o faço não desço
mais em mim próprio)
A propósito, sou egoísta
sou um despotista onanista
e só o sou por preguiça
(há quem diga que é assim)
Vejamos um exemplo:
ela era tão engraçada
e não falo só de cara
era uma pessoa que interessa...
Tinha olhos não cegos e azuis
Tocava-me como o vento nos pauis
e como eles era incerta
Tinha tudo
e é por ela que eu inundo
esta pureza de merda.
Deixei-a passar pelos dedos
tinha medo como uma criança
como aquela que não avança
pq atrás da porta está o que não vê.
PQ?PQ?PQ?
Há quem diga que eu podia
Havia també quem o dissesse
mas como hoje eu não ouvia
eu não descia onde quero.
e as que há são lixo
como isto que eu escrevo
(no fundo não faz sentido
trago comigo e cuspo
e não numa poltrona qualquer!)
Quero uma mulher
quero possui-la
quer que ela se entregue
a esta mão que percorre
(há quem diga)
de uma maneira desejável.
(Tenho de ser em algo prestável
que o seja no animal)
Não sou normal
sei que não o sou
não sei p'ra onde vou
mas sei onde quero chegar
Quero estar acima dos outros
quero entre os mostros ser o maior
O pior? O pior é isto
Quase que não sinto
(as mãos estão dormentes
as mãos que sujaram)
Ah! não param, não cessam
ainda há branco
ainda há algo por dizer
mesmo que só seja por dizer
mesmo que não seja p'ra mais nada...
Pára, digo eu, pára...
mas o que eu digo só eu oiço
sou um fraco
não páro
enquanto houver branco por sujar.
II
Poema da chegada.
Estou quase a chegar
mais nao vou escrever
vou andar
vou seguir o caminho
o trilho
de betão.
Vou carregar num botão
ligar o computador
vou pedir por favor
e com ng falar.
Estou perto
(será que faltam estações?)
não não me interessa
quanto menos falta mais cedo chego
e eu não quero chegar.
Quero escrever
Ah! não pares
circula sem fim
Não pares , nao pares
ó comboi de metal
já nao movido a vapor
não pares por favor
não quero cair.
Pagina 92
O primeiro
Nunca conheci um verde diferente
àquele que eu pintava sempre diluído em água
concentrada
em cloreto de sódio
Nunca vi um verde dif'rente
- Ele é sempre o mesmo.
Diafuno tudo passa por ele
nada cobre e nada limita
pinto com tantas cores
sendo nenhuma a mesma
só é assim c'o verde
só ele não é diferente
só ele é o mesmo.
Tento tocar-lhe mas por ele os dedos passam
tento ouvi-lo mas nada ouço
talvez nada diga
talvez a nada sinta
talvez...
É sempre o mesmo verde
Não sei qual é.
sexta-feira, dezembro 10, 2004
283
Era um bocado atrofiado.
Fumava cigarros
- fazia-o por impulso-
Fumava-os como se uma percorresse.
O seu olhar mostrava
Quando ele não fumava
que os seus gestos
(delicados mas seguros)
eram maduros,
eram de um homem não qualquer.
Só percebe uma mulher
só percebe que já experimentou
quem por outro se levou
a outro lugar qualquer.
Ele era um homem
ele queria mulheres
ia com uma qualquer
mas não tinha nenhuma.
Ele muda!
Era miúdo...
Fumava cigarros
- fazia-o por impulso-
Fumava-os como se uma percorresse.
O seu olhar mostrava
Quando ele não fumava
que os seus gestos
(delicados mas seguros)
eram maduros,
eram de um homem não qualquer.
Só percebe uma mulher
só percebe que já experimentou
quem por outro se levou
a outro lugar qualquer.
Ele era um homem
ele queria mulheres
ia com uma qualquer
mas não tinha nenhuma.
Ele muda!
Era miúdo...
283 P'ra Inês
A Inês fotografa
Co'a luz perpetua o que viu
e o que ela viu
é tão bonito.
Há quem use palavras
(Como eu)
Mas p'ra ela isso não chega
duvido que ela não tema
o descolorido.
É tão pequenina a Inês
Em palmos de português
Bastam só uns pouquinhos...
Ah, mas o Mestre já dizia
"Não sou como me vês"
- Era do tamanho do que via.
Inês,
Fizesse o que tu fazes
fixasse só o que tinha
Usasse luz
e não
palavras.
www.osdiasfelizes.cjb.net
Co'a luz perpetua o que viu
e o que ela viu
é tão bonito.
Há quem use palavras
(Como eu)
Mas p'ra ela isso não chega
duvido que ela não tema
o descolorido.
É tão pequenina a Inês
Em palmos de português
Bastam só uns pouquinhos...
Ah, mas o Mestre já dizia
"Não sou como me vês"
- Era do tamanho do que via.
Inês,
Fizesse o que tu fazes
fixasse só o que tinha
Usasse luz
e não
palavras.
www.osdiasfelizes.cjb.net
sexta-feira, dezembro 03, 2004
quarta-feira, dezembro 01, 2004
281
Não me consigo definir neste instante e, mais uma vez, pergunto-me a que terei de recorrer para o conseguir. Podia escolher individuos ao calhas e pedir uma opinião mas esse processo é moroso e nao contaminados estão longe de saberem que sou. Os outros já têm opiniao formada e eu espero um resposta que chegue a essencia do meu ser: se é p'ra o ser que seja ontologicamente definido.
Na impossibilidade da hipotese anterir - conheço pessoas que nada de humano têm mas os seus olhos só veêm- debruço-me sobre mim mesmo e com medo tento chegar a algum lado...
Na impossibilidade da hipotese anterir - conheço pessoas que nada de humano têm mas os seus olhos só veêm- debruço-me sobre mim mesmo e com medo tento chegar a algum lado...
280
Já não vivo os desgostos como antes . Acumulava em mim o que me comprimia e, por dentro, sentia o fardo em que tudo o resto se tornava. Queria instintivamente escrever, puxar p'ro papel o que me puxava p'ra dentro. Protegia-me e como um cobarde tudo esquecia como se tudo nada fosse. Hoje não faço isso: já não vivo como antes...
Bebo e acumulho em mortalhas brancas o que antes sujava o papel (sim, negras são as folhas que me têm: cobrem-se dos passos de quem foge...).
Já não vivo os desgostos como antes. Agora vivo-os.
Bebo e acumulho em mortalhas brancas o que antes sujava o papel (sim, negras são as folhas que me têm: cobrem-se dos passos de quem foge...).
Já não vivo os desgostos como antes. Agora vivo-os.
quinta-feira, novembro 25, 2004
279 Cartas por enviar
Fosse tudo tão simples como a matemática
comos os números que domino aprendendo
que junto tirando conclusões.
Fosse tuda tão fácil quanto o estudo
que só depende dele mesmo
que, pegando em linhas, mesmo de outros, traz sucesso.
Fosse tudo assim.
Não percebo nada
estou melhor mas ainda nao percebo,
estive doente e o calor que era só meu
fez-me ansiar pelo de outrem.
Menti há pouco,
não quero pouco,
quero muito!!!
VAmos,
partamos para longe
(digo isto mas não o faço)
Estou À parte
sei que o estou...
nem querendo mudo
a culpa é do mundo
nc me foi fácil.
II
Há dúvidas há, não as vês?
tu pedes porquês
eles estão no olhar!
pq é que ng os vê?
acham que não deveriam existir...
só querem ouvir
mas ng vê.
Queres pq?
P'lo - tu exiges algo que ela não quis ouvir
Agora que podes eu compreendo
não queiras pq's
vê!
Está tudo tão obvio
e eu estou de fora
tu que o não estás está atenta
PQ?PQ?PQ?
Cala-te e vê.
comos os números que domino aprendendo
que junto tirando conclusões.
Fosse tuda tão fácil quanto o estudo
que só depende dele mesmo
que, pegando em linhas, mesmo de outros, traz sucesso.
Fosse tudo assim.
Não percebo nada
estou melhor mas ainda nao percebo,
estive doente e o calor que era só meu
fez-me ansiar pelo de outrem.
Menti há pouco,
não quero pouco,
quero muito!!!
VAmos,
partamos para longe
(digo isto mas não o faço)
Estou À parte
sei que o estou...
nem querendo mudo
a culpa é do mundo
nc me foi fácil.
II
Há dúvidas há, não as vês?
tu pedes porquês
eles estão no olhar!
pq é que ng os vê?
acham que não deveriam existir...
só querem ouvir
mas ng vê.
Queres pq?
P'lo - tu exiges algo que ela não quis ouvir
Agora que podes eu compreendo
não queiras pq's
vê!
Está tudo tão obvio
e eu estou de fora
tu que o não estás está atenta
PQ?PQ?PQ?
Cala-te e vê.
278 Cartas por enviar
I
Sou alto demais p'ra ver algo
isto se estiver de pé
p'la janela da porta pneumática.
Só vejo o caminho forjado
que plos anos se alaranjou.
O horizonte não é visivel
só por vezes o mar que o define
nunca o céu que eu sei quase azul!
Estou onde quero e por isso não vejo
não vejo pq estou onde quero.
A porta por trás, outra pela frente
quando se abrir sai a gente
e eu saio logo com ela.
(Ah quando abre ainda vejo pouco).
Chegámos,
desço mais só pq a engenharia o permite
Amontoam-se as pessoas que só o do homem veêm
Vão comprimir-se para sentir calor.
II
Isolo-me com a infecção que me faz fechar
Não respirava e não quis ajuda
não quero dever favores a quem não sei julgar.
Transpirei e o calor era meu.
Ng se debruçou sobre mim
a solidão coberta não permite arrefecimentos.
Adormeci e ng me contou histórias enfadonhas
A tristeza motiva sonhos que só o só tem.
Sonho não por quem quero
sonho só por mim.
vim,
cheguei ao que já fora pisado
Vim,
estou isolado
estou só por mim
277
I
Nada digo e digo-o por dizer
Quem o faz mais? Ninguem porque não precisa
Não me chegam os gestos que não tenho
Por não os ter nunca me chegaram.
Os dias somam-se e conto-os,
preciso de os prolongar para os viver,
de desabafar o arrependimento que os faz.
Sou como um velho que tem tanto p'ra falar
mas falta-me o saber que o falado carrega
o saber que a experiência não me deu.
Abrandou o comboio.
Estou de costas para o sol que já se ergueu
mas só por ele se erguer estou assim.
Há quem diga que os astros nada dizem
mas o mais próximo é quem nos governa.
Não fossem assim;
dissessem algo com sentido.
Toca a música
não toca baixinho
Não quero ouvir o que me rodeia
o que n me desperta mais que nojo...
Fico calmo e há pouco enfureci.
II
O rio não reflecte o sol
-O mar que o conspurca ainda aqui o agita.
Acumulam-se monumentos e edifícios monumentalmente escusados
que só bloqueiam quem vê p'ra longe.
Fosse turista e olhasse p'ra tudo com espanto...
Não o sou:
Olho p'ra tudo e só me vem nojo...
Pq estou aqui?
Pq não me leva p'ra longe este comboio?
Pq é que o caminho de ferro tem limite que o homem triste marcou?
Estou a chegar,
só para mais 3 vezes.
OS que aqui estão devem ir p'ra lá
- vej na sua cara triste e feliz.
Estou a chegar.
Pq é que ainda estou aqui?
276 Porque o Pedro me lembrou
Acho que caí. Cheguei ainda agora a casa e sinto que não estive onde devo ou onde posso algum dia considerar pertencer; pessoas vãs cuja postura magoa o que me equilibra são aquelas que perfazem o meio onde infelizmente me insiro por falta de outro que não magoe tanto. Nem a música salva e pouco mais que ela tenho.
Notas, ritmos, sons são tudo o que mais importa. O Pedro que é de cá e que existe e eu noto tantas vezes mo mostrou. Não interessa a complexidade, tal como um bom texto não se julga pelas palavras que se gastam ou pelos estilos pensados só por quem os não sabe usar, uma música não é feita pelo emaranhado que a constitui mas pelo que total transmite. Não interessa o que ouço mas se o que eu ouço me transporta e me diz algo que eu sei ou preciso de saber.
Agora escuto atentamente "Karn Evil 9". Sinto fúria em mim; sinto-a e gosto. Saí de casa esperando ter algum motivo para não voltar mas não o encontrei. Desgostei. Rodiei-me de pessoas que, como já disse são vãs. Agora escuto...daqui a nada vou.
(Trancrevo pela primeira vez. Faço-o pq gosto)
"Cold and misty morning, I heard a warning borne in the air
About an age of power where no one had an hour to spare,
Where the seeds have withered, silent children shivered, in the cold
Now their faces captured in the lenses of the jackals for gold.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there.
Suffering in silence, they’ve all been betrayed.
They hurt them and they beat them, in a terrible way,
Praying for survival at the end of the day.
There is no compassion for those who stay.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there.
There must be someone who can set them free:
To take their sorrow from this odyssey
To help the helpless and the refugee
To protect what’s left of humanity.
Can’t you see
Can’t you see
Can’t you see.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there;
To heal their sorrow
To beg and borrow
Fight tommorow.
Step inside! hello! we’ve the most amazing show
You’ll enjoy it all we know
Step inside! step inside!
We’ve got thrills and shocks, supersonic fighting cocks.
Leave your hammers at the box
Come inside! come inside!
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Left behind the bars, rows of bishops’ heads in jars
And a bomb inside a car
Spectacular! spectacular!
If you follow me there’s a speciality
Some tears for you to see
Misery, misery,
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Next upon the bill in our house of vaudeville
We’ve a stripper in a till
What a thrill! what a thrill!
And not content with that, with our hands behind our backs,
We pull jesus from a hat,
Get into that! get into that!
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Welcome back my friends to the show that never ends
We’re so glad you could attend
Come inside! come inside!
There behind a glass is a real blade of grass
Be careful as you pass.
Move along! move along!
Come inside, the show’s about to start
Guaranteed to blow your head apart
Rest assured you’ll get your money’s worth
The greatest show in heaven, hell or earth.
You’ve got to see the show, it’s a dynamo.
You’ve got to see the show, it’s rock and roll ....
Soon the gypsy queen in a glaze of vaseline
Will perform on guillotine
What a scene! what a scene!
Next upon the stand will you please extend a hand
To alexander’s ragtime band
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Performing on a stool we’ve a sight to make you drool
Seven virgins and a muleKeep it cool. keep it cool.
We would like it to be known the exhibits that were shown
Were exclusively our own,
All our own. all our own.
Come and see the show!
come and see the show!
come and see the show!
See the show!"
Notas, ritmos, sons são tudo o que mais importa. O Pedro que é de cá e que existe e eu noto tantas vezes mo mostrou. Não interessa a complexidade, tal como um bom texto não se julga pelas palavras que se gastam ou pelos estilos pensados só por quem os não sabe usar, uma música não é feita pelo emaranhado que a constitui mas pelo que total transmite. Não interessa o que ouço mas se o que eu ouço me transporta e me diz algo que eu sei ou preciso de saber.
Agora escuto atentamente "Karn Evil 9". Sinto fúria em mim; sinto-a e gosto. Saí de casa esperando ter algum motivo para não voltar mas não o encontrei. Desgostei. Rodiei-me de pessoas que, como já disse são vãs. Agora escuto...daqui a nada vou.
(Trancrevo pela primeira vez. Faço-o pq gosto)
"Cold and misty morning, I heard a warning borne in the air
About an age of power where no one had an hour to spare,
Where the seeds have withered, silent children shivered, in the cold
Now their faces captured in the lenses of the jackals for gold.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there.
Suffering in silence, they’ve all been betrayed.
They hurt them and they beat them, in a terrible way,
Praying for survival at the end of the day.
There is no compassion for those who stay.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there.
There must be someone who can set them free:
To take their sorrow from this odyssey
To help the helpless and the refugee
To protect what’s left of humanity.
Can’t you see
Can’t you see
Can’t you see.
I’ll be there
I’ll be there
I will be there;
To heal their sorrow
To beg and borrow
Fight tommorow.
Step inside! hello! we’ve the most amazing show
You’ll enjoy it all we know
Step inside! step inside!
We’ve got thrills and shocks, supersonic fighting cocks.
Leave your hammers at the box
Come inside! come inside!
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Left behind the bars, rows of bishops’ heads in jars
And a bomb inside a car
Spectacular! spectacular!
If you follow me there’s a speciality
Some tears for you to see
Misery, misery,
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Next upon the bill in our house of vaudeville
We’ve a stripper in a till
What a thrill! what a thrill!
And not content with that, with our hands behind our backs,
We pull jesus from a hat,
Get into that! get into that!
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Welcome back my friends to the show that never ends
We’re so glad you could attend
Come inside! come inside!
There behind a glass is a real blade of grass
Be careful as you pass.
Move along! move along!
Come inside, the show’s about to start
Guaranteed to blow your head apart
Rest assured you’ll get your money’s worth
The greatest show in heaven, hell or earth.
You’ve got to see the show, it’s a dynamo.
You’ve got to see the show, it’s rock and roll ....
Soon the gypsy queen in a glaze of vaseline
Will perform on guillotine
What a scene! what a scene!
Next upon the stand will you please extend a hand
To alexander’s ragtime band
Roll up! roll up! roll up!
See the show!
Performing on a stool we’ve a sight to make you drool
Seven virgins and a muleKeep it cool. keep it cool.
We would like it to be known the exhibits that were shown
Were exclusively our own,
All our own. all our own.
Come and see the show!
come and see the show!
come and see the show!
See the show!"
quarta-feira, novembro 17, 2004
Dessem-me flores com cores
tão distintas
Dessem
mas dissessem
que já antes eram minhas.
Regasse-as
e um pouco do dado
caísse ao lado
como se o dado
fosse muito.
Crecessem
não tocando tocassem
o céu que agora é azul.
Ficassem lindas
coloridas mas não como antes...
Ao secar
porque secam
Sei que as tive bem.
tão distintas
Dessem
mas dissessem
que já antes eram minhas.
Regasse-as
e um pouco do dado
caísse ao lado
como se o dado
fosse muito.
Crecessem
não tocando tocassem
o céu que agora é azul.
Ficassem lindas
coloridas mas não como antes...
Ao secar
porque secam
Sei que as tive bem.
274
Uma pequena e complexa história como todas as que são minhas. Um conjunto de palavras caídas.
Menú
Ementa
Prato principal
sobremesa
E o que o chefe aconselha.
Peça
Vá e venha
- sempre disposto a servir
Ouça mas se ouvir
Não vai perceber.
I
O semestre começou
Ele acordou mais cedo
com um despertar de máquina.
Nc gostou das paredes
que
como aquelas pessoas
amareladamente vâs
mais ainda o isolavam.
Ainda por cima as praxes
Coisas sem sentido
Que
como devem
chegam de negro.
Tradiçoes não antigas
Taras e manias
que tem quem não quer.
Chegou,
chorou,
Por dentro.
II
Não se apresentando foi apresentado
Ninguém disse os nomes, eles foram ditos
Mas ele
não os fixou.
Há coisas que o calor não permite
como ele já uma vez disse
há uma temperatura optima de funcionamento
perto não há raciocínio.
N te olhou, nem te viu!
N te falou não te ouviu
(nem sequer nisso pensou)
Eras só mais uma num mar de negro
concentrado de calor.
Entre as capas e as batinas
estava uma pessoa.
III
Revi-te.
Reconheci-te (é melhor assim).
A noite alongara-se alimentada a alcool,
Os músculos cediam sem eu sentir
E cansado demais eu falava-te.
Nunca gostei daquilo
Nunca gostei de pessoas em massa
de pessoas que testemunham o que não é delas.
Vim mais tarde a saber que nada havia a ver
(eu sou sincero aqui nada vi)
Ouviste-me por instantes
tinhas de partir.
Eu fiquei
até ficar sem ar.
IV
Fui ao norte, pisei o teu chão.
As paredes negras que envolviam
não eram como tu.
Estranhamente senti-me bem
Parecia que herdara mais que um nome.
Estava longe mas em casa
E nada era como tu.
Nâo conhecia o teu mundo mas achava
que ele não era assim.
Vim
Pisei o teu chão
e errado estive bem.
[mais tarde acabei
por voltar]
V
Não quero mas já sinto na forma como tremo a seu lado
Que não desejo estar melhor que assim.
Fosse tudo tão simples com um só cabelo
não como os cachos que se formam deles.
Ah! saisse de mim, não fosse como antes
Não quisesse o que quero o que já quis igual.
Há tipos com sorte, eu não sou assim.
O final é o mesmo mesmo que eu me esforce,
E eu não gosto gostando de histórias repetitivas!!!
Acumulam-se momentos que só diferem no tempo e nos espaço
O meu é o mesmo e o que o preenche nunca varia.
Digo que agirei de outra forma
que querendo serei outro!!!
Vi-a de novo
vi o que não queria ver
Pq me falou daquela forma?
pq me mostrou como era?
Não quero,
insisto
não quero!!!
Alguém o visse
Alguem o ajudasse!!!
Não quero,
basta querer.
VI
Mostrou-me mas só outros viram
Disse mas outros me disseram.
"Não acredito! Não sei ser diferente"
Outros insistem que já o é.
"É evidente faz",
Nunca ouvindo o fiz.
Sou óbvio d + o que é o esforço?
Aperto com um braço que não vejo o pescoço
Só não respiro pq não deixo.
Disse tudo
Disse o que me faz dizer
Associei a sons que me fazem lembrar
Ela se quisesse perceberia.
Sou óbvio d + não precisei dizer
Sou óbvio,
em papel e gestos me dou
Só quem quer não vê.
O seu olhar enganava disse-me ela que eu ouvi.
Nunca em olhares acreditei
sou egoista de + para o fazer
Sou óbvio o que eu faço mais ng diz.
Penso, penso, penso
aonde chego nunca me basta
Penso mais e mais e mais
Nc vou a lado nenhum
Eles dizem que é evidente
Mas é evidente que p'ra mim não é.
Ela dá-se eles me dizem
eu ouço e não acredito...
Sou óbvio é assim que sou
com palavras e gestos me dou
Não preciso de dizer.
Merda,
fossem os outros assim.
VII
Tinha de a ver mas depois de a ver foi-se.
Procurei-a por aí
Não a vi.
Enrolei os meus nervos em papel de arroz branco
Amortalhei-os como um dia me vão cobrir
Instintivamenta achava-a perto
Dentro do poiso dos livros que ng vê.
Sou um deles
o mais pesado e menos acessivel
Ng me mexe e eu não sou leve para o fazer
- só me toca quem me procura.
Achava-a perto e entrei
Pisei o chão de uma forma ritmada
ouvi no fundo do que sou um bater
compassado p'lo que faz a vida-
à medida que me aproximei de onde a achava
O som era mais intenso;
Do chão se ouviam os meus passos
e do alto os dentes que quase rangiam.
Apertava os dedos contras as mãos
Como se preparasse um conflito com tudo o que me rodeava
um conflito que, como tudo, partia de mim.
Estava mais perto
achava eu
e só por achar o que antes tinha se acumulou...
cheguei
não a vi
fiquei o qu'era antes.
Estava feliz, evitei o confronto!
A cobardia sentiu-se repleta!!!
Onde estava já não me interessa
Amanhã é outro dia!
Menú
Ementa
Prato principal
sobremesa
E o que o chefe aconselha.
Peça
Vá e venha
- sempre disposto a servir
Ouça mas se ouvir
Não vai perceber.
I
O semestre começou
Ele acordou mais cedo
com um despertar de máquina.
Nc gostou das paredes
que
como aquelas pessoas
amareladamente vâs
mais ainda o isolavam.
Ainda por cima as praxes
Coisas sem sentido
Que
como devem
chegam de negro.
Tradiçoes não antigas
Taras e manias
que tem quem não quer.
Chegou,
chorou,
Por dentro.
II
Não se apresentando foi apresentado
Ninguém disse os nomes, eles foram ditos
Mas ele
não os fixou.
Há coisas que o calor não permite
como ele já uma vez disse
há uma temperatura optima de funcionamento
perto não há raciocínio.
N te olhou, nem te viu!
N te falou não te ouviu
(nem sequer nisso pensou)
Eras só mais uma num mar de negro
concentrado de calor.
Entre as capas e as batinas
estava uma pessoa.
III
Revi-te.
Reconheci-te (é melhor assim).
A noite alongara-se alimentada a alcool,
Os músculos cediam sem eu sentir
E cansado demais eu falava-te.
Nunca gostei daquilo
Nunca gostei de pessoas em massa
de pessoas que testemunham o que não é delas.
Vim mais tarde a saber que nada havia a ver
(eu sou sincero aqui nada vi)
Ouviste-me por instantes
tinhas de partir.
Eu fiquei
até ficar sem ar.
IV
Fui ao norte, pisei o teu chão.
As paredes negras que envolviam
não eram como tu.
Estranhamente senti-me bem
Parecia que herdara mais que um nome.
Estava longe mas em casa
E nada era como tu.
Nâo conhecia o teu mundo mas achava
que ele não era assim.
Vim
Pisei o teu chão
e errado estive bem.
[mais tarde acabei
por voltar]
V
Não quero mas já sinto na forma como tremo a seu lado
Que não desejo estar melhor que assim.
Fosse tudo tão simples com um só cabelo
não como os cachos que se formam deles.
Ah! saisse de mim, não fosse como antes
Não quisesse o que quero o que já quis igual.
Há tipos com sorte, eu não sou assim.
O final é o mesmo mesmo que eu me esforce,
E eu não gosto gostando de histórias repetitivas!!!
Acumulam-se momentos que só diferem no tempo e nos espaço
O meu é o mesmo e o que o preenche nunca varia.
Digo que agirei de outra forma
que querendo serei outro!!!
Vi-a de novo
vi o que não queria ver
Pq me falou daquela forma?
pq me mostrou como era?
Não quero,
insisto
não quero!!!
Alguém o visse
Alguem o ajudasse!!!
Não quero,
basta querer.
VI
Mostrou-me mas só outros viram
Disse mas outros me disseram.
"Não acredito! Não sei ser diferente"
Outros insistem que já o é.
"É evidente faz",
Nunca ouvindo o fiz.
Sou óbvio d + o que é o esforço?
Aperto com um braço que não vejo o pescoço
Só não respiro pq não deixo.
Disse tudo
Disse o que me faz dizer
Associei a sons que me fazem lembrar
Ela se quisesse perceberia.
Sou óbvio d + não precisei dizer
Sou óbvio,
em papel e gestos me dou
Só quem quer não vê.
O seu olhar enganava disse-me ela que eu ouvi.
Nunca em olhares acreditei
sou egoista de + para o fazer
Sou óbvio o que eu faço mais ng diz.
Penso, penso, penso
aonde chego nunca me basta
Penso mais e mais e mais
Nc vou a lado nenhum
Eles dizem que é evidente
Mas é evidente que p'ra mim não é.
Ela dá-se eles me dizem
eu ouço e não acredito...
Sou óbvio é assim que sou
com palavras e gestos me dou
Não preciso de dizer.
Merda,
fossem os outros assim.
VII
Tinha de a ver mas depois de a ver foi-se.
Procurei-a por aí
Não a vi.
Enrolei os meus nervos em papel de arroz branco
Amortalhei-os como um dia me vão cobrir
Instintivamenta achava-a perto
Dentro do poiso dos livros que ng vê.
Sou um deles
o mais pesado e menos acessivel
Ng me mexe e eu não sou leve para o fazer
- só me toca quem me procura.
Achava-a perto e entrei
Pisei o chão de uma forma ritmada
ouvi no fundo do que sou um bater
compassado p'lo que faz a vida-
à medida que me aproximei de onde a achava
O som era mais intenso;
Do chão se ouviam os meus passos
e do alto os dentes que quase rangiam.
Apertava os dedos contras as mãos
Como se preparasse um conflito com tudo o que me rodeava
um conflito que, como tudo, partia de mim.
Estava mais perto
achava eu
e só por achar o que antes tinha se acumulou...
cheguei
não a vi
fiquei o qu'era antes.
Estava feliz, evitei o confronto!
A cobardia sentiu-se repleta!!!
Onde estava já não me interessa
Amanhã é outro dia!
segunda-feira, novembro 08, 2004
273
Acordaram pã do seu sono,
Veio o pânico que matou kronos
Sou mortal em mim ainda se sente
Veio o pânico com o susto vou mudar.
Desejo sempre tive e sempre me preencheu as horas vazias
O seu problema é envolver outro ser que não eu
Por entre os meus dedos passam rios
Que por não quererem não me levam na corrente.
Estou cada vez mais velho e empilham-se
nas esquinas por onde passo insucessos
- Quem me conhece diz que não até me safo-
Mas o que quero só deixei de querer.
Nunca provei uma gota do que me dá sentido
Nunca senti o que me dá vontade de provar
Por vezes aqueço com brisas que não desejo
Por vezes esquento mas deixo o calro num canto.
Ah memórias de infância...melodias que já só sei trautear
Era tudo tão simples até ver que havia mais que eu
Era tudo tão meigo porque era assim que tudo eu via.
Cresci e veio a vontade de procurar
De querer dar o que só se queria receber
Errei, quantos passos em falso não dei pq o ananke assim demarcou...
Aprendi tantas vezes mas, quando veio a prova, errei
Fi-lo porque assim foi demarcado.
Merda
Até finjo que acredito no Destino
Em merdas que não fazem sentido na minha racionalidade
Já não tenho idade para bruxedos para astros
Nunca cheguei porque nenhum dos meus passos o permitiu.
E passam e passam pelos dedos que húmidos estão do roçar
Tivesse eu força para os suportar ou fosse eu fraco para ser levado.
Digo constantemente que sou outro mas a noite põe-se para depois voltar.
Queima o sol e a evidência que ele traz
Não quero calor quero luz
mas quero que ela não queime.
Onde está o sentido onde está o pouco que tenho
(sou sincero nunca o tive)
Resulto de momentos que colo com cuspo como o que devia estudar.
diluo aos poucos o que ainda resta de mim na folha que preencho
E que aos poucos assume-se como eu.
Está aí alguém.
Alguém me ouve
Quem me ouve está aí?
Não não vou falar comigo.Vou esquecer
O leito espera-me nas minhas costas
Já estou cansado da entrega desta noite...
Ainda estou só - merda - porque me dei?
Porque é que nada faz sentido...
Porque prometo que vou ser outro que não eu.
REagisse...Visse que me mato
Que só me agarro aos vícios que no presente saciam.
Ousei..e por isso caí mais
Só me resta a catastrofe que vivo
só me resta o que tiro a vulso de mim...
Vou ser outro que não sendo sou.
Veio o pânico que matou kronos
Sou mortal em mim ainda se sente
Veio o pânico com o susto vou mudar.
Desejo sempre tive e sempre me preencheu as horas vazias
O seu problema é envolver outro ser que não eu
Por entre os meus dedos passam rios
Que por não quererem não me levam na corrente.
Estou cada vez mais velho e empilham-se
nas esquinas por onde passo insucessos
- Quem me conhece diz que não até me safo-
Mas o que quero só deixei de querer.
Nunca provei uma gota do que me dá sentido
Nunca senti o que me dá vontade de provar
Por vezes aqueço com brisas que não desejo
Por vezes esquento mas deixo o calro num canto.
Ah memórias de infância...melodias que já só sei trautear
Era tudo tão simples até ver que havia mais que eu
Era tudo tão meigo porque era assim que tudo eu via.
Cresci e veio a vontade de procurar
De querer dar o que só se queria receber
Errei, quantos passos em falso não dei pq o ananke assim demarcou...
Aprendi tantas vezes mas, quando veio a prova, errei
Fi-lo porque assim foi demarcado.
Merda
Até finjo que acredito no Destino
Em merdas que não fazem sentido na minha racionalidade
Já não tenho idade para bruxedos para astros
Nunca cheguei porque nenhum dos meus passos o permitiu.
E passam e passam pelos dedos que húmidos estão do roçar
Tivesse eu força para os suportar ou fosse eu fraco para ser levado.
Digo constantemente que sou outro mas a noite põe-se para depois voltar.
Queima o sol e a evidência que ele traz
Não quero calor quero luz
mas quero que ela não queime.
Onde está o sentido onde está o pouco que tenho
(sou sincero nunca o tive)
Resulto de momentos que colo com cuspo como o que devia estudar.
diluo aos poucos o que ainda resta de mim na folha que preencho
E que aos poucos assume-se como eu.
Está aí alguém.
Alguém me ouve
Quem me ouve está aí?
Não não vou falar comigo.Vou esquecer
O leito espera-me nas minhas costas
Já estou cansado da entrega desta noite...
Ainda estou só - merda - porque me dei?
Porque é que nada faz sentido...
Porque prometo que vou ser outro que não eu.
REagisse...Visse que me mato
Que só me agarro aos vícios que no presente saciam.
Ousei..e por isso caí mais
Só me resta a catastrofe que vivo
só me resta o que tiro a vulso de mim...
Vou ser outro que não sendo sou.
quinta-feira, novembro 04, 2004
quarta-feira, novembro 03, 2004
271 Ce que je ne reusse pas dire
I
Até a merda do café me faz lembrar.
Está perto mas à distância de um olhar p'ra baixo
Um olhar que, como o que sinto, é retraído.
Não como e preenche-me a fome,
Estou nervoso de mais p'ra fazer algo de concreto
Só os pequenos gestos que nada de voluntário têm
Servem para estes momentos
- normais para alguém estranho como eu.
Ontem tudo foi fácil como o andar
Como algo que já fazemos mesmo desconcentrados.
Ontem tudo foi fácil por nada mais ser
Era um processo e disso não passou.
Está longe; à distância de um olhar tímido
Quero-a mas não de um querer grotesco
Aquele tipo de desejo que faz que as atitudes o sejam
Para os olhos de quem não vê e não percebe.
Podia ousar aproximar-me, podia.
É isso que quero, já farto de me ouvir me digo.
Eu que farto não estou de fingir que os escuto
Nunca aplico conselhos que já me são banais ouvir.
Fosse outro penso por vezes julgando que não sofreria tanto.
Talvez esteja certo mas o que sou não muda num dia
- Não depende de acções obrigadas que, só por isso, não o são.
Reagisse, visse (com os olhos que não tenho) e mudasse;
Fosse, como eu julgo errado, feliz.
II
Foi-se.
Já não a vejo
Pareço outro: o mesmo de sempre.
A ausência de um traz o outro;
Sem as portadas temos algo mais p'ra ver.
Foi-se
por algum motivo a sinto perto.
(Desta vez não mudo, está em mim)
Não quero ver, não quero sentir
O que vejo que sinto.
É sempre o mesmo.
O que acontece é monótono como os dias
Que começando à mesma hora à mesma hora findam.
Não conhecendo acho que sei o desfecho
É sempre o mesmo.
apliquei o achar de uma forma pensada
(Haja vezes em que o faço)
O que acho é tão incerto como eu
mas é em funçao de mim que ajo.
Foi-se
Já sei que se foi
Mas não sei se se foi de mim.
Terá sido?
Não sei
foi-se
e eu vi.
terça-feira, novembro 02, 2004
270
As horas não passam e a ressaca da espera acumula-se;
Não sei o que fazer e tudo o que faço é por ignorância
Por não saber mais do que aquilo que decorei
Mais do que aquilo que foi enchido à pressa.
Ao redor acumula-se o que transbordou
O resultado de um processo que, como os outros, me é desconhecido
Nem o que eu sou percebo por inteiro
Até o que escrevo aos outros é submetido.
E não passam, e pesam nos ombros que já não caiem
O que faço agora é resultado do que eu não posso fazer
O que digo é tão diáfuno como o que finjo ouvir
Não fica sequer por instantes onde nunca esteve
E os outros que também não ouvem sentem que estou convicto.
O que será que eles querem?O que será que eu quero?
Respondo ou tento fazê-lo na ordem que também não sei
E, só por isso, não chego a lado nenhum.
Quero um cigarro mas as mãos transpiram
Podia fazê-lo mas fumava por minutos
Que só ganham sentido durante os instantes em que arde.
não não quero que seja tudo assim simples
Minto, sei que minto, é só isso que quero.
Fosse tudo tão simples como um cigarro mal feito
Como a combustão dos fósforos resultante
de um processo químico, ou físico, que não me preocupa.
Porque é que tudo não é assim? Porque preciso que me expliquem
Ou até que seja eu a tentar explicar?
Quero um cigarro, quero que arda por minutos
Quero que os segundos tenham um sentido qualquer.
Vou fazê-lo, sei que o vou fazer.
Vou pegar na mortalha que mais tarde me vai cobrir
Vou fazê-lo sem sentido.
Não sei o que fazer e tudo o que faço é por ignorância
Por não saber mais do que aquilo que decorei
Mais do que aquilo que foi enchido à pressa.
Ao redor acumula-se o que transbordou
O resultado de um processo que, como os outros, me é desconhecido
Nem o que eu sou percebo por inteiro
Até o que escrevo aos outros é submetido.
E não passam, e pesam nos ombros que já não caiem
O que faço agora é resultado do que eu não posso fazer
O que digo é tão diáfuno como o que finjo ouvir
Não fica sequer por instantes onde nunca esteve
E os outros que também não ouvem sentem que estou convicto.
O que será que eles querem?O que será que eu quero?
Respondo ou tento fazê-lo na ordem que também não sei
E, só por isso, não chego a lado nenhum.
Quero um cigarro mas as mãos transpiram
Podia fazê-lo mas fumava por minutos
Que só ganham sentido durante os instantes em que arde.
não não quero que seja tudo assim simples
Minto, sei que minto, é só isso que quero.
Fosse tudo tão simples como um cigarro mal feito
Como a combustão dos fósforos resultante
de um processo químico, ou físico, que não me preocupa.
Porque é que tudo não é assim? Porque preciso que me expliquem
Ou até que seja eu a tentar explicar?
Quero um cigarro, quero que arda por minutos
Quero que os segundos tenham um sentido qualquer.
Vou fazê-lo, sei que o vou fazer.
Vou pegar na mortalha que mais tarde me vai cobrir
Vou fazê-lo sem sentido.
268 O primeiro interactivo.
Alguma coisa
(Espaço em branco)
Outra coisa qualquer
(Continuação do vazio)
Se alguém me perceber e me estiver disposto a explicar que apite (envie um mail num português simples e esclarecedor). Pode ser que ajude.
(Espaço em branco)
Outra coisa qualquer
(Continuação do vazio)
Se alguém me perceber e me estiver disposto a explicar que apite (envie um mail num português simples e esclarecedor). Pode ser que ajude.
268
A minha irmã fez hoje anos. A minha irmã está um ano mais velha e por ela o estar também me sinto cronologicamente mais avançado.
O tempo que passa por mim é irrelevante mas, sempre que a vejo, parece que ele me pisou enquanto eu estava anestesiado pelos meus excessos, tanto de alegria como de tristeza.
Merda. Detesto ter a consciência das coisas.
O tempo que passa por mim é irrelevante mas, sempre que a vejo, parece que ele me pisou enquanto eu estava anestesiado pelos meus excessos, tanto de alegria como de tristeza.
Merda. Detesto ter a consciência das coisas.
267
Sei,
não querendo
que vou ser um pai não presente.
Sei que vou dizer tudo o que penso
nunca pensado no que os outros pensam.
Sei que me vou sentar à mesa
E que vou dizer que ela é só minha.
Sei que não vou ouvir
porque eu é que tenho de ser ouvido
Sei que vou ter mais de um filho
Mas que nenhum me vai ter.
Sei e não quero
Sei e sofro por isso...
Sei,
Mas fui assim ensinado.
não querendo
que vou ser um pai não presente.
Sei que vou dizer tudo o que penso
nunca pensado no que os outros pensam.
Sei que me vou sentar à mesa
E que vou dizer que ela é só minha.
Sei que não vou ouvir
porque eu é que tenho de ser ouvido
Sei que vou ter mais de um filho
Mas que nenhum me vai ter.
Sei e não quero
Sei e sofro por isso...
Sei,
Mas fui assim ensinado.
266 - A um amigo mais velho, com mais memórias que eu.
Falava como se fosse um amigo meu,
Ele era,
Mas também era
muito mais velho.
As palavras saiam empurradas
A tristeza ocupava
o pouco espaço que ele já tinha.
Falou, falou, falou...
Elas,
que nunca o viram antes,
disseram
Que falava com os olhos quase a transbordar.
Só senti palavras,
E
de vez em quando
vi um gesto ou outro...
Falou, falou, falou
Até
o àlbum se fechar.
Ele era,
Mas também era
muito mais velho.
As palavras saiam empurradas
A tristeza ocupava
o pouco espaço que ele já tinha.
Falou, falou, falou...
Elas,
que nunca o viram antes,
disseram
Que falava com os olhos quase a transbordar.
Só senti palavras,
E
de vez em quando
vi um gesto ou outro...
Falou, falou, falou
Até
o àlbum se fechar.
domingo, outubro 31, 2004
265
Estou só.
Sou como um livro grande e pesado,
com pó acumulado por dentro e por fora,
Guardado
na estante superior sozinho.
Ninguém me pega
Não sou especifico
e o título é dúbio como o resto-
Só me pega quem me procura
mas quem o faz não chega.
Não me mxo
sou um livro pesado
Tenho pó acumulado desde a última vez que me leram.
Ah! Pegassem
ousassem ver-me
ler-me!
Não tenho índice
e resulto de volumes compactados
sou um,
podia ser vários
Ousassem ler-me
mexer-me
Vissem mais alto!
Teria,
por istantes, luz.
Sou como um livro grande e pesado,
com pó acumulado por dentro e por fora,
Guardado
na estante superior sozinho.
Ninguém me pega
Não sou especifico
e o título é dúbio como o resto-
Só me pega quem me procura
mas quem o faz não chega.
Não me mxo
sou um livro pesado
Tenho pó acumulado desde a última vez que me leram.
Ah! Pegassem
ousassem ver-me
ler-me!
Não tenho índice
e resulto de volumes compactados
sou um,
podia ser vários
Ousassem ler-me
mexer-me
Vissem mais alto!
Teria,
por istantes, luz.
264 - De um pouco antes a um pouco depois.
A
Espero pelo comboio que não tarda
como sempre fu eu que me antecipei
Está frio; Dirigi-me para o café mais próximo
E, enquanto escrevo, finjo que vejo a bola
e que, por isso, ouço os comentários
que, por o serem, são ridículos.
No cinzeiro acumulam-se as cinzas que largo com um toque
A chávena de café está vazia e o pires está sujo
No fundo, são como eu:
Largo-me aos poucos em partes diversas
e, sem nada, estou marcado p'lo que tive.
Nunca me dei a ninguém e estou assim
Nunca me mexi e estou cansado.
Tudo me parece cada vez mais incerto
Como o remate que parte do fundo
e que, só depois de entrar na àrea,
se sabe se teve algum efeito.
Porque é que vou a seguir p'ra Lisboa?
Porque é que acho que alguém me espera
baseado somente em olhares e frases que não sei interpretar?
Porquê?
Nunca me apoiei em estruturas sólidas acho eu
E, só por assim ser, o que acho também nunca o foi.
Só conheço o antes só os passos que não dei.
Chegar não é comigo porque nem sequer tento;
Sofro, sei que o faço, mas se o faço é por mim.
B
Cheguei e continuo à espera; mas do quê?
Não cheguei tão cedo - o tempo dispersou-se em conversas
e maior parte de circunstância.
Amigos de minutos que não cheguei sequer a conhecer
Mas que, em minutos, me falaram de vícios
E alguns bem piores do que os meus
Ah! o que faço para o tempo ter algum sentido
Mesmo que seja só por instantes que passam às vezes lentos.
Sorrisos, sonhos, desabafos, justificados por nunca mais os ver.
Para onde vou é que ainda não sei.
Agora que estou é só nisto que penso
E em cada minuto mais eu desço no meu ser que está vazio
O que sou? O que faço? O que quero?
Nunca o soube e este café só vai prolongar
O raciocinio que nunca o chegou a ser.
Os argumentos que apresento até alguém mais novo consegue
se p'ra isso estiver virado
diluir em segundos.
Desinfecta-os e resta um nada
Tão semelhante àquele que os proferiu...
P'ra onde vou é que ainda não sei
Só o vou saber daqui a 20 minutos
Quando quem ainda mal conheço
(nem sequer histórias de comboio ouvi)
Apitar porque chegou à esquina talvez na hora.
E não, não foi ele que se atrasou
Fui eu que me antecipei.
C
Quando? Onde? Porquê?
Não passam os segundos que se prolongam p'la ansiedade
Acumulada pelo desconhecido que se soma um a um.
Afinal tudo assenta no que quero
E no facto de querer algo desconhecido
Anseio acabar a solidão - o que tenho até aqui.
Quero gestos de carinho, sorrisos sinceros
Olhares que, como os gestos, nos dão conforto.
Sou egoísta, sei que o sou, mas tudo o que faço
Por ser eu a fazer, é, mesmo que não seja, por mim.
Não quero descer, não quero usar
Não quero ser ou voltar ao que era.
Quero isto, mas de quem?
Quero alguém ou ninguém
Quero tudo ou só gestos.
Faz frio cá fora, tenho as mãos quentes
mais quentes que a folha;
Até ela está fria coberta de carvão que não arde.
Não sei bem o que quero, já disse.
Mas não quero isto e é tarde.
D
As mãos suam no relento
o corpo pede abrigo que não posso ter.
Sem o branco que cubro nada teria
só um monte de segundos empilhados
gastos a pensar sem sentido.
Não digo qu estas frases o tenham
De certa forma sou modesto não o sendo:
Escrevo à frente de todos indiscreto
como que pinta para se ver.
Faço-o mas só o faço por isso,
Faço-o porque espero não sabendo
não podendo ir mais longe.
"Ousa, Ousa" dizem os outros não percebendo como sou;
Se ousasse mudaria eu seria outro que não eu
e, já o sendo não sou sincero,
escrevo tudo o que não digo.
E
Quem me vê acha-me louco
como o louco que por louco ser
vê elefantes efervescentes.
Escrevo como ele mas como ele não escrevo
Pensam que eu sou louco não o sendo
Mas o que escrevo não é de louco.
O que eu faço é pouco
Afinal quem o conhece?
Mas o louco que mais louco se tece
pelo mundo é conhecido.
F
Cheguei e nada.
H
Parti. Deixo o onde estava que só ao chegar conheci
Vi mas tão pouco ouvi dá-se mas o que me deram
O que será que disseram ( ou disse) sobre mim?
Não sei nada ouvi nada me disse.
Parti sem uma palavra amiga só um beijo de despedida
tão mundano como o da chegada.
A mente é parva como em latim
não se expande para mais longe
Nem tão longe como o que eu estou.
E eu vou, pr'a onde agora cheguei
O que deixei, é que desconheço.
I
Tão mais velha que eu é a companhia desta noite.
Foi-se o sonho que por instantes martelei
(nunca antes assim comi, conspurquei o que me rodeava)
Na sua cara nada vi.
(Será que a olhei?
Porque não o fiz?)
Porque não diz
Logo tudo?
Luto,
Contra mim mesmo.
Com o fim vem o começo
De mais um decadência
que,
como sempre,
è nocturna.
30/10/2004- um pouco antes e um pouco depois da espera
Espero pelo comboio que não tarda
como sempre fu eu que me antecipei
Está frio; Dirigi-me para o café mais próximo
E, enquanto escrevo, finjo que vejo a bola
e que, por isso, ouço os comentários
que, por o serem, são ridículos.
No cinzeiro acumulam-se as cinzas que largo com um toque
A chávena de café está vazia e o pires está sujo
No fundo, são como eu:
Largo-me aos poucos em partes diversas
e, sem nada, estou marcado p'lo que tive.
Nunca me dei a ninguém e estou assim
Nunca me mexi e estou cansado.
Tudo me parece cada vez mais incerto
Como o remate que parte do fundo
e que, só depois de entrar na àrea,
se sabe se teve algum efeito.
Porque é que vou a seguir p'ra Lisboa?
Porque é que acho que alguém me espera
baseado somente em olhares e frases que não sei interpretar?
Porquê?
Nunca me apoiei em estruturas sólidas acho eu
E, só por assim ser, o que acho também nunca o foi.
Só conheço o antes só os passos que não dei.
Chegar não é comigo porque nem sequer tento;
Sofro, sei que o faço, mas se o faço é por mim.
B
Cheguei e continuo à espera; mas do quê?
Não cheguei tão cedo - o tempo dispersou-se em conversas
e maior parte de circunstância.
Amigos de minutos que não cheguei sequer a conhecer
Mas que, em minutos, me falaram de vícios
E alguns bem piores do que os meus
Ah! o que faço para o tempo ter algum sentido
Mesmo que seja só por instantes que passam às vezes lentos.
Sorrisos, sonhos, desabafos, justificados por nunca mais os ver.
Para onde vou é que ainda não sei.
Agora que estou é só nisto que penso
E em cada minuto mais eu desço no meu ser que está vazio
O que sou? O que faço? O que quero?
Nunca o soube e este café só vai prolongar
O raciocinio que nunca o chegou a ser.
Os argumentos que apresento até alguém mais novo consegue
se p'ra isso estiver virado
diluir em segundos.
Desinfecta-os e resta um nada
Tão semelhante àquele que os proferiu...
P'ra onde vou é que ainda não sei
Só o vou saber daqui a 20 minutos
Quando quem ainda mal conheço
(nem sequer histórias de comboio ouvi)
Apitar porque chegou à esquina talvez na hora.
E não, não foi ele que se atrasou
Fui eu que me antecipei.
C
Quando? Onde? Porquê?
Não passam os segundos que se prolongam p'la ansiedade
Acumulada pelo desconhecido que se soma um a um.
Afinal tudo assenta no que quero
E no facto de querer algo desconhecido
Anseio acabar a solidão - o que tenho até aqui.
Quero gestos de carinho, sorrisos sinceros
Olhares que, como os gestos, nos dão conforto.
Sou egoísta, sei que o sou, mas tudo o que faço
Por ser eu a fazer, é, mesmo que não seja, por mim.
Não quero descer, não quero usar
Não quero ser ou voltar ao que era.
Quero isto, mas de quem?
Quero alguém ou ninguém
Quero tudo ou só gestos.
Faz frio cá fora, tenho as mãos quentes
mais quentes que a folha;
Até ela está fria coberta de carvão que não arde.
Não sei bem o que quero, já disse.
Mas não quero isto e é tarde.
D
As mãos suam no relento
o corpo pede abrigo que não posso ter.
Sem o branco que cubro nada teria
só um monte de segundos empilhados
gastos a pensar sem sentido.
Não digo qu estas frases o tenham
De certa forma sou modesto não o sendo:
Escrevo à frente de todos indiscreto
como que pinta para se ver.
Faço-o mas só o faço por isso,
Faço-o porque espero não sabendo
não podendo ir mais longe.
"Ousa, Ousa" dizem os outros não percebendo como sou;
Se ousasse mudaria eu seria outro que não eu
e, já o sendo não sou sincero,
escrevo tudo o que não digo.
E
Quem me vê acha-me louco
como o louco que por louco ser
vê elefantes efervescentes.
Escrevo como ele mas como ele não escrevo
Pensam que eu sou louco não o sendo
Mas o que escrevo não é de louco.
O que eu faço é pouco
Afinal quem o conhece?
Mas o louco que mais louco se tece
pelo mundo é conhecido.
F
Cheguei e nada.
H
Parti. Deixo o onde estava que só ao chegar conheci
Vi mas tão pouco ouvi dá-se mas o que me deram
O que será que disseram ( ou disse) sobre mim?
Não sei nada ouvi nada me disse.
Parti sem uma palavra amiga só um beijo de despedida
tão mundano como o da chegada.
A mente é parva como em latim
não se expande para mais longe
Nem tão longe como o que eu estou.
E eu vou, pr'a onde agora cheguei
O que deixei, é que desconheço.
I
Tão mais velha que eu é a companhia desta noite.
Foi-se o sonho que por instantes martelei
(nunca antes assim comi, conspurquei o que me rodeava)
Na sua cara nada vi.
(Será que a olhei?
Porque não o fiz?)
Porque não diz
Logo tudo?
Luto,
Contra mim mesmo.
Com o fim vem o começo
De mais um decadência
que,
como sempre,
è nocturna.
30/10/2004- um pouco antes e um pouco depois da espera
sexta-feira, outubro 15, 2004
263 (Micro I prática)
I
A microeconomia promove que o consumidor escolhe o melhor cabaz possível de acordo com o seu rendimento e as suas preferências, dado isto, resolvemos exercicios como o 20 e o 22 do caderno através de tangências, ou seja, de derivadas.
O meu problema está na parte de aplicação no dia-a-dia. De facto cada um de nós quer o melhor que consegue - chamemos-lhe cabaz óptimo ou x*. Ponha-se agora a hipótese de o cabaz fugir de nós por má aplicação das nossas capacidades; este caso, como é que a micro resolve?
Posto isto acho que de nada isto tudo me serve. Sei o que quero e sei o que posso ter - não será quase tudo se não envolver dinheiro ou um esforço herculeano? Tenho raramente porém.
O que estará mal? Será que algum cálculo me saiu torto? Nem indo às teóricas isto percebo.
II
Sou um agente que não procura um máximo de quantidades possível mas o conjunto delas que, sendo mais equilibrado, me dá maior utilidade e, consequentemente, me é mais agradável.
Não sou óbvio. Sujeito a uma determinada restrição resolvo um lagrangeana e tenho o que prefiro. Mas talvez não seja assim tão fácil. Procuro sempre mais do que dois bens e, p'ra piorar, alguns deles são dificilmente quantificáveis .
Não sei é se existem, por haver tanto a comparar, dois cabazes igualmente prazenteiros.
A microeconomia promove que o consumidor escolhe o melhor cabaz possível de acordo com o seu rendimento e as suas preferências, dado isto, resolvemos exercicios como o 20 e o 22 do caderno através de tangências, ou seja, de derivadas.
O meu problema está na parte de aplicação no dia-a-dia. De facto cada um de nós quer o melhor que consegue - chamemos-lhe cabaz óptimo ou x*. Ponha-se agora a hipótese de o cabaz fugir de nós por má aplicação das nossas capacidades; este caso, como é que a micro resolve?
Posto isto acho que de nada isto tudo me serve. Sei o que quero e sei o que posso ter - não será quase tudo se não envolver dinheiro ou um esforço herculeano? Tenho raramente porém.
O que estará mal? Será que algum cálculo me saiu torto? Nem indo às teóricas isto percebo.
II
Sou um agente que não procura um máximo de quantidades possível mas o conjunto delas que, sendo mais equilibrado, me dá maior utilidade e, consequentemente, me é mais agradável.
Não sou óbvio. Sujeito a uma determinada restrição resolvo um lagrangeana e tenho o que prefiro. Mas talvez não seja assim tão fácil. Procuro sempre mais do que dois bens e, p'ra piorar, alguns deles são dificilmente quantificáveis .
Não sei é se existem, por haver tanto a comparar, dois cabazes igualmente prazenteiros.
262 (Tudo vai dar ao mesmo)
Nunca escrevi um texto que tivesse mais do que duas páginas que não fosse para ser avaliado. Não o faço por falta de jeito, até acho que o tenho, porém sou preguiçoso e disperso demais. Gosto tanto de pegar em palavras disjuntas e de as ordenar conforme me apetece...séries psicológicas absolutamente abstractas e que no limite tendem p'ra um local que nunca tocam pois, como sabemos, nunca ninguém sente o mesmo duas vezes e o que se lê provoca algo distinto do que aquilo que provocou a escrita.
Neste preciso instante estou mais hiperactivo que o que p'ra mim é normal. Não sei o que fazer e já tentei fazer de tudo. Não me concentro o suficiente para resolver problemas de estatistica que nunca terão aplicação na minha vida (A maior parte das probabilidades sou eu que crio). Pinto mas só me saiem coisas lugubres, feias e sem sentido.
O que raio faço?
Podia tentar dormir mas é-me impossivel. Ouço o meu coraçao enquanto pressiono o teclado de uma forma intensa e não cronometrada completamente idêntica a minha maneira de pensar. Como me irrita aquele batimento ritmado, nem me importa que seja sinal de vida. Quero dormir e não importa se acordo ou não.
Merda, quero sair de casa AGORA.
Porque é que não tenho a merda da carta de conduçao. Pq é que não posso pegar quem me apetece e partir para onde eu quero ir. Porque é que sou preguiçoso d +, por que não sou como os tais que vivem em funçao da gasolina!
Quero estar com alguém. De preferência rapariga.
Ei Ei tem de ter mais de 16 não quero que confundam as palavras. Estou sozinho e estou cheio de mim. Que alguém me receba pah. Que alguém veja que eu me estou a dar com poucas condições (sim eu sei que elas pesam).
Merda. Já estou confuso. Não escrevo mais. Como os outros não tem duas páginas.
Neste preciso instante estou mais hiperactivo que o que p'ra mim é normal. Não sei o que fazer e já tentei fazer de tudo. Não me concentro o suficiente para resolver problemas de estatistica que nunca terão aplicação na minha vida (A maior parte das probabilidades sou eu que crio). Pinto mas só me saiem coisas lugubres, feias e sem sentido.
O que raio faço?
Podia tentar dormir mas é-me impossivel. Ouço o meu coraçao enquanto pressiono o teclado de uma forma intensa e não cronometrada completamente idêntica a minha maneira de pensar. Como me irrita aquele batimento ritmado, nem me importa que seja sinal de vida. Quero dormir e não importa se acordo ou não.
Merda, quero sair de casa AGORA.
Porque é que não tenho a merda da carta de conduçao. Pq é que não posso pegar quem me apetece e partir para onde eu quero ir. Porque é que sou preguiçoso d +, por que não sou como os tais que vivem em funçao da gasolina!
Quero estar com alguém. De preferência rapariga.
Ei Ei tem de ter mais de 16 não quero que confundam as palavras. Estou sozinho e estou cheio de mim. Que alguém me receba pah. Que alguém veja que eu me estou a dar com poucas condições (sim eu sei que elas pesam).
Merda. Já estou confuso. Não escrevo mais. Como os outros não tem duas páginas.
261 - Ao som de A saucerful of secrets
I (Até a bateria começar o ritmo repetido e intenso)
Está a chover lá fora mas, como é hábito nestes dias, não é a chuva que me incomoda. Anseio que mercúrio me traga alguma mensagem, não do Olimpo, mas d'ali p'ros lados da lapa terra onde habitam, e uso a terminologia do Alvaro, alguns semi-deuses.
Ela de ser superior só deve ter a pronúncia que ainda não senti ter algo de morte. De resto é bastante humana e consciente disso; só por isso espero ansioso que diga algo.
Tento em vão pensar que vai acontecer o pior, mas, mesmo achando que nada vai dizer como resultado de horas de espera, ainda olho de vez em quando para o meu telemóvel velho e partido com um olhar intimidante pois há a hipótese remota de ele não ter vibrado.
Espero, espero, espero, espero, espero, espero e Imagino demais p'ra esta realidade.
II ( O resto)
Ele nunca esteve tão acordado; os seus sentidos são a prova. Era de noite os asperores que se ouviam ao fundo descarregavam parte do que, à pressão, se acumulara numa rede inexplicável de tubos de borracha muito mais espessos que um vaso capilar.
Está no seu quarto; o único espaço que até hoje considera seu. Fechou instintivamente as janelas p'ra que o odor que desconhece não deixe o espaço que marca. No chão acumulam-se pacotes de bolacha uns usados e outros por abrir - são a única refeição possível às horas a que tudo em casa dorme. No centro está uma mesa de jogo que p'ra jogar nunca serviu; sobre ela estendem-se folhas borradas - algumas de uma forma mais ordenada- de cores e outras com linhas tortas com escritos por vezes certos.
Ele não sabia o que fazer. Esteve à espera de uma mensagem que tardou a vir e que, takvez seja da pronúncia, custou a perceber. Por isso respondeu que estava a ouvir música - passatempo óbvio de quem quer que o tempo passe não tão lentamente. Será que ela percebeu? Talvez a sua não resposta seja a evidência envergonhada disso.
Enquanto esperou fez quase tudo o que sabia o que se achava apto a fazer. Pintou, escreveu e até estudou só para esquecer a ânsia que aumentava ao compasso dos minutos que passavam desde que olhou o móvel pela 1ª vez. Aos poucos foi-se aproximando
do ponto de ruptura: 1º as linhas pareciam ordenadas depois, e de uma forma sucessiva, foram perdendo o sentido como castigo de uma uma irracionalidade aparentemente qualquer - mas nunca o é, tem sempre um motivo.
No exterior os aspersores recolheram-se e a rega terminou. Ele parecia mais calmo, mais certo. Sim, já não ouvia o bater ritmado do seu coração que parecia invadir-lhe o interior do crânio de uma forma rude e sem sequer pedir. Não ele já não o ouvia mas, entretanto - e falo de horas-, ouviu. O quanto não terá doído, imaginem o crânio batido até ao seu interior. "Não", gritou ele pegando em cores e numa folha...pensou que a tortura auto-imposta só se tinha ido embora p'ra descansar.
Pintou, pintou, pintou, pintou, pintou e sempre sem sentido até ver que não voltava. Pôs a tocar alguma coisa; lavou os dentes dentes e a cara e as mãos coloridas; disse no messenger palavras amigas e e deitou-se. Exausto quedou-se logo adormecido.
Está a chover lá fora mas, como é hábito nestes dias, não é a chuva que me incomoda. Anseio que mercúrio me traga alguma mensagem, não do Olimpo, mas d'ali p'ros lados da lapa terra onde habitam, e uso a terminologia do Alvaro, alguns semi-deuses.
Ela de ser superior só deve ter a pronúncia que ainda não senti ter algo de morte. De resto é bastante humana e consciente disso; só por isso espero ansioso que diga algo.
Tento em vão pensar que vai acontecer o pior, mas, mesmo achando que nada vai dizer como resultado de horas de espera, ainda olho de vez em quando para o meu telemóvel velho e partido com um olhar intimidante pois há a hipótese remota de ele não ter vibrado.
Espero, espero, espero, espero, espero, espero e Imagino demais p'ra esta realidade.
II ( O resto)
Ele nunca esteve tão acordado; os seus sentidos são a prova. Era de noite os asperores que se ouviam ao fundo descarregavam parte do que, à pressão, se acumulara numa rede inexplicável de tubos de borracha muito mais espessos que um vaso capilar.
Está no seu quarto; o único espaço que até hoje considera seu. Fechou instintivamente as janelas p'ra que o odor que desconhece não deixe o espaço que marca. No chão acumulam-se pacotes de bolacha uns usados e outros por abrir - são a única refeição possível às horas a que tudo em casa dorme. No centro está uma mesa de jogo que p'ra jogar nunca serviu; sobre ela estendem-se folhas borradas - algumas de uma forma mais ordenada- de cores e outras com linhas tortas com escritos por vezes certos.
Ele não sabia o que fazer. Esteve à espera de uma mensagem que tardou a vir e que, takvez seja da pronúncia, custou a perceber. Por isso respondeu que estava a ouvir música - passatempo óbvio de quem quer que o tempo passe não tão lentamente. Será que ela percebeu? Talvez a sua não resposta seja a evidência envergonhada disso.
Enquanto esperou fez quase tudo o que sabia o que se achava apto a fazer. Pintou, escreveu e até estudou só para esquecer a ânsia que aumentava ao compasso dos minutos que passavam desde que olhou o móvel pela 1ª vez. Aos poucos foi-se aproximando
do ponto de ruptura: 1º as linhas pareciam ordenadas depois, e de uma forma sucessiva, foram perdendo o sentido como castigo de uma uma irracionalidade aparentemente qualquer - mas nunca o é, tem sempre um motivo.
No exterior os aspersores recolheram-se e a rega terminou. Ele parecia mais calmo, mais certo. Sim, já não ouvia o bater ritmado do seu coração que parecia invadir-lhe o interior do crânio de uma forma rude e sem sequer pedir. Não ele já não o ouvia mas, entretanto - e falo de horas-, ouviu. O quanto não terá doído, imaginem o crânio batido até ao seu interior. "Não", gritou ele pegando em cores e numa folha...pensou que a tortura auto-imposta só se tinha ido embora p'ra descansar.
Pintou, pintou, pintou, pintou, pintou e sempre sem sentido até ver que não voltava. Pôs a tocar alguma coisa; lavou os dentes dentes e a cara e as mãos coloridas; disse no messenger palavras amigas e e deitou-se. Exausto quedou-se logo adormecido.
sábado, outubro 09, 2004
260 No bar da scolarest
As árvores cresciam no interior de um palácio antigo restaurado p'ra usos modernos; só ficaram os corredores amplos onde a idade não permite corridas. A capela coitada foi profanada por escritos económicos que só interessam a quem já não vive os dias.
Nos ramos cresciam frutos que têm a cor do seu nome. Eram ácidos aposto mas não corriam o betão. Na calçada acumulavam-se beatas do que ardeu para acalmar e que, por sua vez, permitiu o estudo ou a sua possibilidade.
As folhas eram verdes mas acumulavam fumo; estavam escuros. Só duas sabiam a que sabia o sol e, nos dias de chuva, só estas é que se lavavam. Quantos anos teriam?Quantos não as teriam visto? Os espinhos permitiram que poucos se aproximassem.
Testemunham o que faço, o que escrevo e sabem, mais do que eu, de que padeço.
São fragéis, têm pouca espessura. Não são de metal como as mesas que cambaleiam na calçada suja e que suportam o que escrevo - só são frias quando têm de ser-
As árvores cresciam; o edifício só mudava de cor. Elas viam, elas sabiam o que eu ainda não sei.
Nos ramos cresciam frutos que têm a cor do seu nome. Eram ácidos aposto mas não corriam o betão. Na calçada acumulavam-se beatas do que ardeu para acalmar e que, por sua vez, permitiu o estudo ou a sua possibilidade.
As folhas eram verdes mas acumulavam fumo; estavam escuros. Só duas sabiam a que sabia o sol e, nos dias de chuva, só estas é que se lavavam. Quantos anos teriam?Quantos não as teriam visto? Os espinhos permitiram que poucos se aproximassem.
Testemunham o que faço, o que escrevo e sabem, mais do que eu, de que padeço.
São fragéis, têm pouca espessura. Não são de metal como as mesas que cambaleiam na calçada suja e que suportam o que escrevo - só são frias quando têm de ser-
As árvores cresciam; o edifício só mudava de cor. Elas viam, elas sabiam o que eu ainda não sei.
quarta-feira, outubro 06, 2004
259
"somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near"
Há coisas que já não esperamos encontrar como resultado de procuras escusadas que um dia tiveram de acabar. Porém, um dia, tudo aparece condensado num pequeno ser que sem pedir passa diante de nós. Eu procurei tanto p'ra, quando já estava cansado, tu apareceres sorrateiramente e de uma forma brusca a meu lado; assustado - como podia ser possível - nem te pude tocar. O que antes buscava o que me fazia mexer acabou por me fechar.
"your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose"
De vez em quando vinhas ter comigo e puxando devagarinho conseguias por-me ao Sol. Era tua mão que, inconscientemente,me fechava comprimindo-me com um dedo de cada vez contra a sua palma. Perdia um a um os sentidos até deixar de ser eu mas, quando tu querias quando tu pedias, eu voltava, a tua mão largava e eu sorria para ti.
"or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;"
Nunca ficavas por muito tempo e eu acabava por fechar com os lábios o sorriso que me deras. Não encontro melhor metáfora, de facto, quando tu te ias, eu era como a flor que caía com a mudança da estação.
"nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain, has such small hands"
Só tu e só contigo. Claro que sei o motivo para tudo isto acontecer, finjo que não e sigo pelo caminho não alcatroado que encontrei. Hei-de chegar a algum ponto sabendo que sei o que digo não saber e, se der, não caio da mesma maneira. Se cair, já amparo a queda.
Adeus. Дoсвиданя.
(O poema é de E.E. Cummings)
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near"
Há coisas que já não esperamos encontrar como resultado de procuras escusadas que um dia tiveram de acabar. Porém, um dia, tudo aparece condensado num pequeno ser que sem pedir passa diante de nós. Eu procurei tanto p'ra, quando já estava cansado, tu apareceres sorrateiramente e de uma forma brusca a meu lado; assustado - como podia ser possível - nem te pude tocar. O que antes buscava o que me fazia mexer acabou por me fechar.
"your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose"
De vez em quando vinhas ter comigo e puxando devagarinho conseguias por-me ao Sol. Era tua mão que, inconscientemente,me fechava comprimindo-me com um dedo de cada vez contra a sua palma. Perdia um a um os sentidos até deixar de ser eu mas, quando tu querias quando tu pedias, eu voltava, a tua mão largava e eu sorria para ti.
"or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;"
Nunca ficavas por muito tempo e eu acabava por fechar com os lábios o sorriso que me deras. Não encontro melhor metáfora, de facto, quando tu te ias, eu era como a flor que caía com a mudança da estação.
"nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain, has such small hands"
Só tu e só contigo. Claro que sei o motivo para tudo isto acontecer, finjo que não e sigo pelo caminho não alcatroado que encontrei. Hei-de chegar a algum ponto sabendo que sei o que digo não saber e, se der, não caio da mesma maneira. Se cair, já amparo a queda.
Adeus. Дoсвиданя.
(O poema é de E.E. Cummings)
258 (À Jaromila)
As quatro flores tinham o valor que os outros lhes davam. Incansáveis queriam sempre valer mais. Mas afinal quanto valiam?
Estou-me pouco fodendo p'ra teorias existencialistas
E p'ras pessoas que as criaram
Quero lá saber se sou livre, se Deus existe ou se o mataram...
Só quero é viver ou julgar que o faço
Quero ser eu a medir cada passo
Quero viver ou julgar que o faço
Só por mim
Não sou como as quatro flores do jardim
Que ganham cor e perfume só p'ra procriar;
O valor que têm é o valor que dão
Nunca se regaram por sede mas p'ra serem bebidas...
As flores vivem em mentiras
que elas proprias criaram.
Eu?
Eu só quero é viver ou julgar que o faço
Certo que um dia vou deixar de o fazer.
Quando morrer
Vivi
p'ra mim.
Estou-me pouco fodendo p'ra teorias existencialistas
E p'ras pessoas que as criaram
Quero lá saber se sou livre, se Deus existe ou se o mataram...
Só quero é viver ou julgar que o faço
Quero ser eu a medir cada passo
Quero viver ou julgar que o faço
Só por mim
Não sou como as quatro flores do jardim
Que ganham cor e perfume só p'ra procriar;
O valor que têm é o valor que dão
Nunca se regaram por sede mas p'ra serem bebidas...
As flores vivem em mentiras
que elas proprias criaram.
Eu?
Eu só quero é viver ou julgar que o faço
Certo que um dia vou deixar de o fazer.
Quando morrer
Vivi
p'ra mim.
quinta-feira, setembro 30, 2004
No comboio (outra vez)
Antes do I
Veio ter comigo como o velho que pediu a àlvaro,
E, cm eles, simpatizámos só pelo olhar.
Soube logo que se tratava de miriam prostituta heroinómana,
Só pelo seus olhos tristes e corpo pisado pelos dias o vi.
Era Miriam, puta e drogada, chanada da vida
(Detesto usar termos que tornam coitadas as minorias)
Perguntei-lhe, sabendo a resposta, o motivo da sua decadência
“Foi o charro meninos de hj em dia”. Coitada dele, porque mentistE?
A mistura de tabaco só te fez esquecer o q n querias lembrar:
A tua vida triste que só faz sentido pq traz alegria a quem não a tem.
Quiseste esquecer mais e mais rapidamente
Os alveolos eram uma pausa não justificada
E o sangue era a razão de tudo.
Corrompeste-o e com ele foste tu...
Miriam não sejas ingrata, eu também sou triste na vida.
É a que tens, não a podes mudar,
E és fraca ao ponto de acabares em dias.
I
Não apanhei este comboio e não, não me atrasei.
Não vou a lado nenhum e, se chegar, as horas não interessam.
Não o quis fazer; o que são 15 minutos? O que valem para mim?
O tempo que vai passando é o que eu subtraio ao que me resta
Entretanto outro vai chegar e o doente de sida
Que aparece mal ele pára
Vai pedir de novo às caras que tantas vezes o viram.
Merda ,ele se tem o que tem é porque teve algum prazer
O único prazer que tive hoje foi saber que perdi 15 minutos
Não peço ajuda a ninguem, o meu orgulho é tao maior que eu...
Se olhassem, se vissem perceberiam
Nâo tenho sida, só tenho horas por passar
E só as passo sozinho.
Um cigarra acompanha mas acaba por arder
Eu não quero isto,Mas é tudo o que eu tenho.
II
Sou quadrado por dentro e por fora
Tenho faces paralelas e perpendiculares
Mas, entre elas, estão vertices que ng compreende.
Tudo o que quero não está ao meu alcance
Sei o caminho mas é curvo e os meus lados não mo deixam percorrer
Entalo-me e acabo por voltar p’ra trás.
Conhecendo o que só em parte pisei.
Sei o que quero
Mas nao o posso ter
Sei
Mas sou assim
Se não fosse
Não era.
E se fosse,
O que seria?
III
Não preciso de ópio e sou lúcido
Sou fraco mas não fraquejo como um fraco
Podia esquecer o que me faz, subindo ou descendo um degrau
Mas foi este que me deram.
Já sou cobarde ao ponto de escrever;
Pq será que só digo ao papel que, por ser nada, nada me diz?
Pq?
Já nem as histórias da maria fazem sentido
Fosse tudo tão simples como ela mostrava,
Só me recordo mas já nao sinto.
Porque tive de crescer mesmo que tarde?
Porque não sou ignorante como aqueles que abomino por serem felizes?~
Porque?
E digo eu que sou bravo por aceitar...
Não serei antes estúpido?
Não me deêm ópio que eu não quero
Não me deem alcool que vomito
Tenho o que é suposto ter...
Espero,
Espero
Espero.
Um dia virá o fim.
IV
Cercam-me pessoas que desconheço;
Nao sei se são feias mas são brutas
E acharem-se não brutas só as torna mais.
Não as compreendo e por isso compreendo a sua felicidade
Falam de merdas e por isso não sabem que a vida é o que o é.
Ignorantes,
E eu invejo-os.
Têm merdas e eu só folhas
Que a merda me fazem lembrar tenho.
Invejo-os
Chorassem por viver e não por merdas da vida
Doesse-lhes o corpo por respirar e não por não o fazer
Invejo-os,
Não sabem o que têm
Invejo-os,
Desde a partida.
Depois do IV
Raramente falo de linhase, se o faço, refiro-me só as que eu compus.Sou nostálgico ao ponto de uma cançao nao bastar
De querer mais que uma simples lembrança.
Quase todos os dias ando de comboio
Se olhasse pela janela veria tão pouco igual
(no fundo só o que é imóvele ,do imóvel, só me interessam as memórias)
O caminho esse é que é o mesmo
Embora oxide ao longo dos anos que passam.
No fundo é como eu, como nós, vamos sempre no mesmo sentido
A idade só nos traz outra cor
E só uma porrada nos faz mover.
Raramente falo de linhas
Podia ser a de Cascais; é a minha.
(30/09/2004) - Alguém que não eu.
Veio ter comigo como o velho que pediu a àlvaro,
E, cm eles, simpatizámos só pelo olhar.
Soube logo que se tratava de miriam prostituta heroinómana,
Só pelo seus olhos tristes e corpo pisado pelos dias o vi.
Era Miriam, puta e drogada, chanada da vida
(Detesto usar termos que tornam coitadas as minorias)
Perguntei-lhe, sabendo a resposta, o motivo da sua decadência
“Foi o charro meninos de hj em dia”. Coitada dele, porque mentistE?
A mistura de tabaco só te fez esquecer o q n querias lembrar:
A tua vida triste que só faz sentido pq traz alegria a quem não a tem.
Quiseste esquecer mais e mais rapidamente
Os alveolos eram uma pausa não justificada
E o sangue era a razão de tudo.
Corrompeste-o e com ele foste tu...
Miriam não sejas ingrata, eu também sou triste na vida.
É a que tens, não a podes mudar,
E és fraca ao ponto de acabares em dias.
I
Não apanhei este comboio e não, não me atrasei.
Não vou a lado nenhum e, se chegar, as horas não interessam.
Não o quis fazer; o que são 15 minutos? O que valem para mim?
O tempo que vai passando é o que eu subtraio ao que me resta
Entretanto outro vai chegar e o doente de sida
Que aparece mal ele pára
Vai pedir de novo às caras que tantas vezes o viram.
Merda ,ele se tem o que tem é porque teve algum prazer
O único prazer que tive hoje foi saber que perdi 15 minutos
Não peço ajuda a ninguem, o meu orgulho é tao maior que eu...
Se olhassem, se vissem perceberiam
Nâo tenho sida, só tenho horas por passar
E só as passo sozinho.
Um cigarra acompanha mas acaba por arder
Eu não quero isto,Mas é tudo o que eu tenho.
II
Sou quadrado por dentro e por fora
Tenho faces paralelas e perpendiculares
Mas, entre elas, estão vertices que ng compreende.
Tudo o que quero não está ao meu alcance
Sei o caminho mas é curvo e os meus lados não mo deixam percorrer
Entalo-me e acabo por voltar p’ra trás.
Conhecendo o que só em parte pisei.
Sei o que quero
Mas nao o posso ter
Sei
Mas sou assim
Se não fosse
Não era.
E se fosse,
O que seria?
III
Não preciso de ópio e sou lúcido
Sou fraco mas não fraquejo como um fraco
Podia esquecer o que me faz, subindo ou descendo um degrau
Mas foi este que me deram.
Já sou cobarde ao ponto de escrever;
Pq será que só digo ao papel que, por ser nada, nada me diz?
Pq?
Já nem as histórias da maria fazem sentido
Fosse tudo tão simples como ela mostrava,
Só me recordo mas já nao sinto.
Porque tive de crescer mesmo que tarde?
Porque não sou ignorante como aqueles que abomino por serem felizes?~
Porque?
E digo eu que sou bravo por aceitar...
Não serei antes estúpido?
Não me deêm ópio que eu não quero
Não me deem alcool que vomito
Tenho o que é suposto ter...
Espero,
Espero
Espero.
Um dia virá o fim.
IV
Cercam-me pessoas que desconheço;
Nao sei se são feias mas são brutas
E acharem-se não brutas só as torna mais.
Não as compreendo e por isso compreendo a sua felicidade
Falam de merdas e por isso não sabem que a vida é o que o é.
Ignorantes,
E eu invejo-os.
Têm merdas e eu só folhas
Que a merda me fazem lembrar tenho.
Invejo-os
Chorassem por viver e não por merdas da vida
Doesse-lhes o corpo por respirar e não por não o fazer
Invejo-os,
Não sabem o que têm
Invejo-os,
Desde a partida.
Depois do IV
Raramente falo de linhase, se o faço, refiro-me só as que eu compus.Sou nostálgico ao ponto de uma cançao nao bastar
De querer mais que uma simples lembrança.
Quase todos os dias ando de comboio
Se olhasse pela janela veria tão pouco igual
(no fundo só o que é imóvele ,do imóvel, só me interessam as memórias)
O caminho esse é que é o mesmo
Embora oxide ao longo dos anos que passam.
No fundo é como eu, como nós, vamos sempre no mesmo sentido
A idade só nos traz outra cor
E só uma porrada nos faz mover.
Raramente falo de linhas
Podia ser a de Cascais; é a minha.
(30/09/2004) - Alguém que não eu.
segunda-feira, setembro 27, 2004
I
Sidoro está chateado mas não grita, ouve música ao berros. A bateria inspira cada linha que resulta de um batimento mais forte nas teclas do teclado imundo - cegamente conhecido. O olhar não foge do monitor como se algo fosse corrigido.
Sidoro tem olhos mas não os usa quando deve. Teve tudo à sua frente, e quase tudo o que tinha era querido por ele mas ele, por ser cego ou por simplesmente não querer ver, nunca se apercebeu. Porque é que só cresceu num ano?Porque é que procurou ser correcto e não se aproximou por se aproximar? por que não comeu do prato mesmo que só fosse p'ra provar?
Sidoro chora lágrimas rubras, momentos passados acumula e se acumula é porque não quer lembrar. Ele ferve, ele grita a quem não deve e só agora faz o que devia.
Sidoro é um cobarde, Brago é um fraco e agora vai dormir...Que (re)nasça o que foi, que o bem se dilua.
II
Se não escrevo mato alguém. Se não tiro acabo por explodir...vai eclodir um ser negro vermelho por fora. Apetece-me puxar os cabelos até ficar calvo e gritar que nada me merece...apetece no fundo ser grande sem pensar nos meios, estar entre os primeiros sacrificando o que não é nosso. Nunca mais, nunca mais...Altruísmo para que, para quê os outros? Nem em mim depois disto confio...Se há destino, quero outro.
III
A guitarra pisa...pisa quem ouve e quem o merece. A guitarra ferve e mostra.
Sidoro está chateado mas não grita, ouve música ao berros. A bateria inspira cada linha que resulta de um batimento mais forte nas teclas do teclado imundo - cegamente conhecido. O olhar não foge do monitor como se algo fosse corrigido.
Sidoro tem olhos mas não os usa quando deve. Teve tudo à sua frente, e quase tudo o que tinha era querido por ele mas ele, por ser cego ou por simplesmente não querer ver, nunca se apercebeu. Porque é que só cresceu num ano?Porque é que procurou ser correcto e não se aproximou por se aproximar? por que não comeu do prato mesmo que só fosse p'ra provar?
Sidoro chora lágrimas rubras, momentos passados acumula e se acumula é porque não quer lembrar. Ele ferve, ele grita a quem não deve e só agora faz o que devia.
Sidoro é um cobarde, Brago é um fraco e agora vai dormir...Que (re)nasça o que foi, que o bem se dilua.
II
Se não escrevo mato alguém. Se não tiro acabo por explodir...vai eclodir um ser negro vermelho por fora. Apetece-me puxar os cabelos até ficar calvo e gritar que nada me merece...apetece no fundo ser grande sem pensar nos meios, estar entre os primeiros sacrificando o que não é nosso. Nunca mais, nunca mais...Altruísmo para que, para quê os outros? Nem em mim depois disto confio...Se há destino, quero outro.
III
A guitarra pisa...pisa quem ouve e quem o merece. A guitarra ferve e mostra.
quarta-feira, setembro 22, 2004
257 (O economista solitário suspira, grita baixinho para quem o quer ouvir)
Soubesse eu a preferência dos consumidores.
255
Sinceramente, já nem me incomodo pois sei que não agi mal ou tão mal como antes. Cometo erros, sei que os cometo, mas eu próprio me julgo. Era mais fácil se houvesse alguém que mos apontasse constantemente mas, nos casos que mais me interessam, a única pessoa que o puderia fazer exige que seja eu quem o faça. Com ela errei, errei constantemente e de uma forma parva (quase tão pequena como eu sou alto) e até sei que, à maneira dela - insuficiente para mim - mo tentou mostrar. Não peço que ela mude, que aja de outra maneira; é assim que ela é e é dela que eu julgo gostar; fosse um bocado mais compreensiva, só isso.
Escrevo e pinto à minha maneira porque o que digo não me é suficiente. Ah! se ouvisse as palavras que não dei a ninguém ela veria, veria que nada é um capricho como ela diz, cm ela me mostra. Nunca consigo; a sua presença, que nunca me incomoda, desperta a descrença em mim mesmo que agora sei ser o único grande mal de que padeço ou pelo menos aquele que me afasta de quem só me quero aproximar.
Tenho medo de a beijar, tenho medo de dizer o que penso, tenho medo de fazer o que quero e não medo dela como ela percebeu.
Nunca houve um capricho, houve o que (eu) dizia mas nunca por mim.
Escrevo e pinto à minha maneira porque o que digo não me é suficiente. Ah! se ouvisse as palavras que não dei a ninguém ela veria, veria que nada é um capricho como ela diz, cm ela me mostra. Nunca consigo; a sua presença, que nunca me incomoda, desperta a descrença em mim mesmo que agora sei ser o único grande mal de que padeço ou pelo menos aquele que me afasta de quem só me quero aproximar.
Tenho medo de a beijar, tenho medo de dizer o que penso, tenho medo de fazer o que quero e não medo dela como ela percebeu.
Nunca houve um capricho, houve o que (eu) dizia mas nunca por mim.
domingo, setembro 19, 2004
254
De que me serve escrever o que não consideram meu?
Fiz-lhe um soneto e, como o outro, dei-lho. Fi-lo, sei que o fiz e não me arrependo de o ter feito; escrevesse, dessa vez, um bocado pior.
Fiz-lhe um soneto e, como o outro, dei-lho. Fi-lo, sei que o fiz e não me arrependo de o ter feito; escrevesse, dessa vez, um bocado pior.
quinta-feira, setembro 16, 2004
253
Entre os seus lábios rubros e os seus corpos quentes estava uma persona que nunca interessou a ninguém. Ao contrário do resto, a sua cor era quase humana.
252
Há pescoços que apetecem ser percorridos pelos lábios que respiram o que o corpo ofega. Ah! Pousá-los delicadamente na pele que, juntamente com o resto, o forma;beijar cada sinal que existe levantado apenas parte do rubro que não quer perder o que agora gosta de sentir e treme com cada arrepio.
Apetecia-me percorrer aquele pescoço, senti-lo perto dos meus lábios, arrepiado, dado por quem o possuiu. Seria o começo do rito mais antigo.
Apetecia-me percorrer aquele pescoço, senti-lo perto dos meus lábios, arrepiado, dado por quem o possuiu. Seria o começo do rito mais antigo.
terça-feira, setembro 14, 2004
251
Estupidamente sempre que no metro toca algo eu encontro uma relação com o que sinto na altura. Hoje tocava "and i need love..."; é engraçado, ainda agora estive sentado, desesperando e ansiando, não pelo cigarro que enrolara há instantes nem pelo copo de sumo que amargamente me mata a sede - só queria que, por ela, o telefone vibrasse, que eu soubesse que aquilo de que preciso precisa de mim.
O resto que, naquele instante, estava à minha volta consistia num aglomerado de sentimentos definidos, separados por tinta de caneta preta. Cada um deles me fazia viver o momento de uma forma diferente.
Esperei,
Esperei,
Esperei,
e não vibrou.
O resto que, naquele instante, estava à minha volta consistia num aglomerado de sentimentos definidos, separados por tinta de caneta preta. Cada um deles me fazia viver o momento de uma forma diferente.
Esperei,
Esperei,
Esperei,
e não vibrou.
250
Estou mal disposto como nos dias em que vou p'ra lx para ter aulas; é p'ra lá que eu vou, mas vou receber € em vez de sermões sobre o que a moeda representa.
Ao sair de casa deu-me o 1º enjoo. Achei-o devido ao leite da maria, que tanto custa a digerir, e não à minha incapacidade de controlar ânsias. Fui até ao comboio parando uma vez para aliviar o estômago.
Parti à hora que me comprometera e cheiro nauseabundo estava nos meus dedos. O comboio marcava à medida que avançava mais um aperto no estômago. Escrevo p'ra me distrair...até oeiras funcionou; vou começar a desenhar.
Ao sair de casa deu-me o 1º enjoo. Achei-o devido ao leite da maria, que tanto custa a digerir, e não à minha incapacidade de controlar ânsias. Fui até ao comboio parando uma vez para aliviar o estômago.
Parti à hora que me comprometera e cheiro nauseabundo estava nos meus dedos. O comboio marcava à medida que avançava mais um aperto no estômago. Escrevo p'ra me distrair...até oeiras funcionou; vou começar a desenhar.
249
Hoje o Orfeu mulher revelou-me, numa das frases que de uma forma melodiosa compõe, que qualquer dia a vida "vai exigir mais que um papel". Eu sei-o; mas qualquer dia exijo alguém que os tenha lido e compreendido a minha forma de ser.
Sidoro não é má pessoa, Sidoro não é desonesto, Sidoro até é bem simples. Egocentrismos à parte - tentem compreende-lo como uma criança que mal sabe pisar o solo que por vezes se levanta para depois cair.
Sidoro não é má pessoa, Sidoro não é desonesto, Sidoro até é bem simples. Egocentrismos à parte - tentem compreende-lo como uma criança que mal sabe pisar o solo que por vezes se levanta para depois cair.
segunda-feira, setembro 13, 2004
247
Nem querendo ouvia o segredo púrpura. O seu nariz de pinóquio criava uma distância impossível. Se ela não visse, se ela só ouvisse, era tudo mais fácil e óbvio; como o céu azul sobre a terra com um verde estranho.
246
I had never seen her so happy 'til that day...E assim começa um texto que talvez nada tenha a ver com isso.
Uma amiga (acho que já lhe posso chamar isso) escreveu que a lisonja (se é a nós que se dirige) alimenta o nosso amor próprio. É verdade como todos, de certo, consideram. P'ra mim, a melhor forma do manter vivo é sentir que alguém gosta de nós. O problema é quando quem gosta sente que o que sente não passa de um substrato ao ego.
I had never seen her so happy 'til that day. Quando se soube, um deixou de ter, o outro de sorrir.
Uma amiga (acho que já lhe posso chamar isso) escreveu que a lisonja (se é a nós que se dirige) alimenta o nosso amor próprio. É verdade como todos, de certo, consideram. P'ra mim, a melhor forma do manter vivo é sentir que alguém gosta de nós. O problema é quando quem gosta sente que o que sente não passa de um substrato ao ego.
I had never seen her so happy 'til that day. Quando se soube, um deixou de ter, o outro de sorrir.
sábado, setembro 11, 2004
245
Revi-a finalmente. Labão, por fim, me mostrou a única filha que eu gosto de ver. Parece que o tempo que esteve distante a tornou mais bela. Falei-lhe sobre o texto que a sua irmã lhe levara tentei falar mais mas, segundo ela, como eu, é tímida. Não sabia o que dizer mais, tive gestos infantis (parecia a criança que não sabe enfrentar um adulto) e, para não parecer mal, fugi.
Passei por ela mais duas ou três vezes e acho que me sorriu. Não estou certo, desviei o olhar...Quando saí, disse-lhe adeus.
Passei por ela mais duas ou três vezes e acho que me sorriu. Não estou certo, desviei o olhar...Quando saí, disse-lhe adeus.
quarta-feira, setembro 08, 2004
244
Os três cavaleiros sairam da carruagem subterrânea com a pressa de um atraso inexistente. O mais alto (eu) e o que, por nome, é estrangeiro viram-na e, os dois, consideraram-na um exemplo da beleza eslava. O outro moveu-se ainda mais apressadamente: não a vira e queria saber quem era...sem saber assumiu. Era metrossexual.
243
"A man does not like to feel he has wasted his time. And, if he really is a man, a goodbye is a goodbye."
O Barros atirou isto ao ar nunca pensando que um dia faria assim.
O Barros atirou isto ao ar nunca pensando que um dia faria assim.
242
"Tu estás livre e eu estou livre
e há uma noite para passar
porque não vamos unidos
porque não vamos ficar
na aventura dos sentidos"
Era tão evidente. Estavamos longe de tudo e não havia nada que nos prendesse à capital de um país que, cada vez menos, vejo como meu. Foram tantas noites aquelas em que te tive perto. Aproximava-me sempre em vão; deixavas-me cercar-te mas eras intransponível como as muralhas de Tróia e Ulisses revisitado não é cabrão como o que o inspira.
Apetecia-me sentir-te e era evidente. Sentia que tu também o querias mas a nossa racionalidade afoga o instinto e extingue aventuras feéricas.
"tu estás só e eu mais só estou
que tu tens o meu olhar
tens a minha mão aberta
à espera de se fechar
nessa tua mão deserta"
Tu estavas triste, qualquer um o via. Na tua cabeça não havia mais que fragmentos de raciocínos que noutra altura talvez tivessem significado; era tanto ao mesmo tempo e tu, nunca parecendo, eras frágil. Eu queria-te, ansiava todos os instantes em que mais ninguém nos via para, à minha maneira e, de acordo com as tuas cedências, te percorrer. Tu tinhas-me a mim e eu não tinha mais que uma estátua imóvel que por vezes aquecia. Nunca pedindo ter-me-ias a teu sempre que triste a tua voz voltasse de longe...parvo não vi que a tua mão deserta estava por uma questão de escolha, de espera, de pensamento (quando quisesses terias a minha).
"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e em que te dás"
Foi rápido admitamos, mas o tempo não passa de uma medida que nada de exacto tem. As coisas surgem no seu tempo e nunca por este se acumular. Amor? Nunca existiu no não humano. Só existe quando há reciprocidade: quando os dois dão; quando os dois recebem.
"Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer,
ser o fim de mais um dia"
No fundo querias alguém, alguém que não eu. Não percebi a segunda parte da frase anterior. Pensei que quisesses os pequenos gestos que te tinha para dar; aqueles que só se dão a quem realmente importa. Não foste o fim dos meus gestos foste só o seu fim.
"Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém,
e eu sou melhor que nada"
Acho que o problema é este. Disse-to falando para ela enquanto os meus sentidos aos poucos se adormeciam: as mulheres não gostam de sentir que se sacrificaram em vão. O homem é diferente; eu sou diferente. Aquilo que tu não és pega no tempo perdido, gasto, atirado ao vazio e, ao invês de justificar um maior sacrifício, lamenta-o.
Eu sou melhor que nada; sei que sou melhor (e tu sabes que comparação está aqui a ser feita). Acredita: que seja p'ra ti algo que só a fé nos permite ver.
"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e que te dás"
E insisto. Ao mesmo que se aprenda isto.
e há uma noite para passar
porque não vamos unidos
porque não vamos ficar
na aventura dos sentidos"
Era tão evidente. Estavamos longe de tudo e não havia nada que nos prendesse à capital de um país que, cada vez menos, vejo como meu. Foram tantas noites aquelas em que te tive perto. Aproximava-me sempre em vão; deixavas-me cercar-te mas eras intransponível como as muralhas de Tróia e Ulisses revisitado não é cabrão como o que o inspira.
Apetecia-me sentir-te e era evidente. Sentia que tu também o querias mas a nossa racionalidade afoga o instinto e extingue aventuras feéricas.
"tu estás só e eu mais só estou
que tu tens o meu olhar
tens a minha mão aberta
à espera de se fechar
nessa tua mão deserta"
Tu estavas triste, qualquer um o via. Na tua cabeça não havia mais que fragmentos de raciocínos que noutra altura talvez tivessem significado; era tanto ao mesmo tempo e tu, nunca parecendo, eras frágil. Eu queria-te, ansiava todos os instantes em que mais ninguém nos via para, à minha maneira e, de acordo com as tuas cedências, te percorrer. Tu tinhas-me a mim e eu não tinha mais que uma estátua imóvel que por vezes aquecia. Nunca pedindo ter-me-ias a teu sempre que triste a tua voz voltasse de longe...parvo não vi que a tua mão deserta estava por uma questão de escolha, de espera, de pensamento (quando quisesses terias a minha).
"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e em que te dás"
Foi rápido admitamos, mas o tempo não passa de uma medida que nada de exacto tem. As coisas surgem no seu tempo e nunca por este se acumular. Amor? Nunca existiu no não humano. Só existe quando há reciprocidade: quando os dois dão; quando os dois recebem.
"Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer,
ser o fim de mais um dia"
No fundo querias alguém, alguém que não eu. Não percebi a segunda parte da frase anterior. Pensei que quisesses os pequenos gestos que te tinha para dar; aqueles que só se dão a quem realmente importa. Não foste o fim dos meus gestos foste só o seu fim.
"Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém,
e eu sou melhor que nada"
Acho que o problema é este. Disse-to falando para ela enquanto os meus sentidos aos poucos se adormeciam: as mulheres não gostam de sentir que se sacrificaram em vão. O homem é diferente; eu sou diferente. Aquilo que tu não és pega no tempo perdido, gasto, atirado ao vazio e, ao invês de justificar um maior sacrifício, lamenta-o.
Eu sou melhor que nada; sei que sou melhor (e tu sabes que comparação está aqui a ser feita). Acredita: que seja p'ra ti algo que só a fé nos permite ver.
"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e que te dás"
E insisto. Ao mesmo que se aprenda isto.
241
A sua vida era cor de rosa. Não tinha significado: não sabia o que era sofrer por algo e nem sequer temia. Ela ria de tudo e o riso não era cruel. Ao longe, alguém, supostamente fiel, lançava um olhar macabro. Era um cabrão e ela era só mais uma.
A vida tinha a cor rosa
Era amarela tão forte
Não sabendo tinha a sorte
(Não ousando talvez possa)
Era tudo cor de rosa
Alguém, de mal, o viu
As mentiras ela ouviu
Nunc'houve cores na fossa.
A vida tinha a cor rosa
Era amarela tão forte
Não sabendo tinha a sorte
(Não ousando talvez possa)
Era tudo cor de rosa
Alguém, de mal, o viu
As mentiras ela ouviu
Nunc'houve cores na fossa.
300 + qqr coisa (memórias)
So esperei uma vez por ela naquele aglomerado comercial. Ela, a meu ver, esperava-me em qualquer parte (só o vejo agora). Chegou, nessa vez, um pouco atrasada e eu não me importei. Ela cansou-se de esperar que eu fizesse algo...nunca o fiz - somos altos mas as nossas alturas são diferentes.
Ironicamente esta a oeste de tudo; Onde o sol nasce primeiro, tudo cresce mais cedo.
Ironicamente esta a oeste de tudo; Onde o sol nasce primeiro, tudo cresce mais cedo.
segunda-feira, setembro 06, 2004
240
São quatro da manhã certas. Sidoro está exausto. Sidoro está a tornar-se ele mesmo.
São quatro da manhã e dois minutos: ele vai dormir e sonhar. Ao acordar esquece-se de tudo o que não será real.
São quatro da manhã e três.
São quatro da manhã e dois minutos: ele vai dormir e sonhar. Ao acordar esquece-se de tudo o que não será real.
São quatro da manhã e três.
239
O Pedro tem um blog. O blog tem um nome giro; como quem lá escreve tem sentido (às vezes complicado) e fala de tudo um pouco. Ele é Rasca como nós. Gosto muito de o ler, tal como gosto muito do meu amigo, embora confesse que às vezes sou preguiçoso demais para o ler a fundo - talvez até seja um bocado egoísta já que exijo muitas vezes que torne tudo mais simples (logo eu que sou um complicado e que tenho o meu amigo sempre para me ouvir e que, muitas vezes sem pedir, tenta descodificar os meus escritos irracionais).
O Pedro é um bom amigo e o seu blog é um bom blog. Mesmo que sejam egoístas nunca serão como eu (um em muitos) só mais um.
O Pedro é um bom amigo e o seu blog é um bom blog. Mesmo que sejam egoístas nunca serão como eu (um em muitos) só mais um.
237
Ao longe um pássaro respondia ao canto de outro que já lhe respondera antes. O carro estava imóvel (ou assim me pareceu - um físico fez-me acreditar que estamos sempre em movimento) era o apoio das minhas costas que ainda sentiam o peso de me ter sentado de pernas cruzadas para comer peixe vendido a um preço bastante inflacionado.
A minha boca ainda sabia a saké e a tabaco holandês. O sushi tinha um sabor leve e o flurry só deixa marcas se o comermos vezes suficientes. Não pensei em saúde, ainda sou novo demais para isso, pensei no que sou e, consequentemente, em tudo o que me define - só depois entrei no carro sem fechar a porta. Acho que cresci; estou mais perto do homem que disseram que um dia eu seria. Olho para trás e sinto que agi mal, que dei passos desmesurados e que muitos mais ficaram por dar. Só me magoam os inspirados na minha falta de visão.
Por que não vi aquilo?Porquê?Não chorei, pensei até me levantar e limitar o meu espaço.
A minha boca ainda sabia a saké e a tabaco holandês. O sushi tinha um sabor leve e o flurry só deixa marcas se o comermos vezes suficientes. Não pensei em saúde, ainda sou novo demais para isso, pensei no que sou e, consequentemente, em tudo o que me define - só depois entrei no carro sem fechar a porta. Acho que cresci; estou mais perto do homem que disseram que um dia eu seria. Olho para trás e sinto que agi mal, que dei passos desmesurados e que muitos mais ficaram por dar. Só me magoam os inspirados na minha falta de visão.
Por que não vi aquilo?Porquê?Não chorei, pensei até me levantar e limitar o meu espaço.
236 (De noite talvez perto do mar)
Enquanto eles faziam das suas pûs-me por instantes de parte. Como o fumo percorri a noite e, enquanto me dividia, deixei de ser visto. Peguei no telemóvel por instinto e só o larguei depois de saber que a mensagem estava pendente:
"Um bjinho grand grand grand de boa noite para a ùnica com quem as quero passar. Amanhã vou estar em lx, qqr coisa kolmi. *" (Foi +/- assim só não estou certo do *).
Pensei um bocado. Vi que ansiava beijos que ficaram por dar e uma voz que ainda não ouvira nesse dia; vi e ansiei por eles e por outras pequenas coisas. Levantei-me e conversei supostamente sério - estava noutro lado, era o monóxido que percorria os seus pulmões quase dormentes.
"Um bjinho grand grand grand de boa noite para a ùnica com quem as quero passar. Amanhã vou estar em lx, qqr coisa kolmi. *" (Foi +/- assim só não estou certo do *).
Pensei um bocado. Vi que ansiava beijos que ficaram por dar e uma voz que ainda não ouvira nesse dia; vi e ansiei por eles e por outras pequenas coisas. Levantei-me e conversei supostamente sério - estava noutro lado, era o monóxido que percorria os seus pulmões quase dormentes.
235
Lembro-me que chegou de vermelho. Por fora estava como eu me sentia. Encontrámo-nos na casa com o nome do farol seu vizinho. Nunca a vira assim; nem sequer conseguia associar tal cor à sabedoria. Veio de surpresa pouco depois de eu ter perguntado a uma alfarrabista moderna quanto custaria o "*Paço de Sintra" em versão original: foi ela que me reconheceu.
Tomámos um café e, por ter sido há algum tempo, sei que não o fiz por hábito - ela era a desculpa. Falámos; dissemos merda que só serviu para fazer tempo. Levantámo-nos e fomos para uma zona menos movimentada (daquelas que aliviam os compromissos inexistentes) e, cada um do seu jeito, se entregou.
Repetiu-se o processo até se julgar suficiente. Repetiu-se até mudarmos.
Tomámos um café e, por ter sido há algum tempo, sei que não o fiz por hábito - ela era a desculpa. Falámos; dissemos merda que só serviu para fazer tempo. Levantámo-nos e fomos para uma zona menos movimentada (daquelas que aliviam os compromissos inexistentes) e, cada um do seu jeito, se entregou.
Repetiu-se o processo até se julgar suficiente. Repetiu-se até mudarmos.
domingo, setembro 05, 2004
234
Eram dois; eram três; eram quatro. Um foi, ficaram três. Esses formaram um triângulo isosceles cujos lados iguais eram bem maiores que o outro. Ao fundo ficou um vértice.
sábado, setembro 04, 2004
233 (A short summer story)
I
Le dernier jour - ou est-il le premier?
II
Entre eles a distância do que toca;
Distintos eram os seus leitos; Tinham
Talvez mais que um só sonho em comum, riam
talvez das mesmas p'quenas coisas. Possa,
Se assim Ele entender, sentir a costa
onde anseio tocar. Ah, nunca veriam
Sem o tipo de fraque não seriam
Mais que uns átomos dispersos sempre às voltas.
A janela fechada não esteve,
Ela não se mexeu, não me fugiu,
Nem um pequeno gesto ela viu
(nem um só passo do que foi jurado).
O mesmo não sou - estou mudado-
Só de bravura tenho ainda sede.
III
Platonico é o que sou
acumulo os sonhos parvos
sou fácil, aceito o dado,
quando eu nunca me dou.
Choro só pelo não feito
pelos passos que não dei
só o faço quando sei
que eu podia tê-lo feito.
Canso os outros mais que eu
sofro quando outros magoei
Nunca me dei a ninguém;
O querido é quem temeu.
IV
O seu cheiro é tão intenso, reconheço-o a metros de distância - os mesmos metros da minha demência. Fico louco. Sei-a perto; fala para longe de mim. O seu cheiro é tão intenso, propenso é ao sonho - não disponho do que anseio mas o cheiro e tão intenso...Eu não desço mais: são letais as subidas, as descidas são constantes. Incessantes as melodias de longe.
V
Um dia no jardim:
Àgua,
o verde da relva,
o vermelho da flor desabrochada.
O descanso,
O nada.
O medo.
VI
Não estou chateado. Estou azul como sempre (só os lábios estão da cor da carne que anseia ser devorada).
VII
Gestos infantis,
um cheiro intenso
propenso
ao sonho.
Conversas p'ra longe
inaudíveis...
Fraca presença.
Lábios sensíveis
Dispersos no sonho
Rodeiam mas não tocam
Parece que deles fogem
os que são de outrem.
Apetece-lhes percorrer
conhecer
outros...
C'oa fuga
Acaba o sonho.
VIII
Ele estava fulo, chateado. Eterno palhaço...Ele foi ridicularizado, usado, por quem o usou.
IX
A paciência tem limites que não é o homem que define - faz-se o que se julga correcto e não se recebe o que se achar certo receber. Aguenta-se por pouco, tal como um desenho por acabar e cujo término é um frete: fica-se com uma imagem e não se chora por ser suficiente.
X
Não espero, espero que saibas,
que já me cansa esperar
não saio deste lugar
até q'eu um dia saia.
O cheiro enlouquece, longe
sempre esteve de mim
quando julguei vê-lo aqui
ele de novo enfim põe-se.
Não espero, espero que saibas,
A espera tem um limite
E eu insisto que ele existe
Quando ele chegar que saias.
XI
È subtil a fúria dele
traz um verde amarelado
Olhem p'ra ele coitado
O desejo à volta dele.
Tenta em vão ser mais coerente
Olhar p'ro lado e gritar
não o faz está a chorar
desejo fá-lo demente.
Passou p'ra folha e esqueceu
O que tinha não mostrou
q'ria gritar e passou
Só a folha percebeu.
XII
Yin e Yang. A tranquilidade e o caos. Por vezes um ganha antes de haver equilíbrio.
XIII
Prelúdio de um beijo.
Tinha o espelho atrás
Só ele reflectia,
via,
o instante.
Aproximaram-se
Fecharam-se os olhos
(os que assim ele gosta de ver)
Tocou-a
Depois mostraram-se
Beijaram-se
Às escondidas
De tudo o que vê...
Porquê?
XIV
A saudade faz com que o resto impacientemente pareça tranquilo. É estranho: sei-a a longe e anseio por ela mas, por assim ser, sinto-me calmo por dentro.
Quando sinto saudades também avermelho: desejo mais que um simples olhar.
Le dernier jour - ou est-il le premier?
II
Entre eles a distância do que toca;
Distintos eram os seus leitos; Tinham
Talvez mais que um só sonho em comum, riam
talvez das mesmas p'quenas coisas. Possa,
Se assim Ele entender, sentir a costa
onde anseio tocar. Ah, nunca veriam
Sem o tipo de fraque não seriam
Mais que uns átomos dispersos sempre às voltas.
A janela fechada não esteve,
Ela não se mexeu, não me fugiu,
Nem um pequeno gesto ela viu
(nem um só passo do que foi jurado).
O mesmo não sou - estou mudado-
Só de bravura tenho ainda sede.
III
Platonico é o que sou
acumulo os sonhos parvos
sou fácil, aceito o dado,
quando eu nunca me dou.
Choro só pelo não feito
pelos passos que não dei
só o faço quando sei
que eu podia tê-lo feito.
Canso os outros mais que eu
sofro quando outros magoei
Nunca me dei a ninguém;
O querido é quem temeu.
IV
O seu cheiro é tão intenso, reconheço-o a metros de distância - os mesmos metros da minha demência. Fico louco. Sei-a perto; fala para longe de mim. O seu cheiro é tão intenso, propenso é ao sonho - não disponho do que anseio mas o cheiro e tão intenso...Eu não desço mais: são letais as subidas, as descidas são constantes. Incessantes as melodias de longe.
V
Um dia no jardim:
Àgua,
o verde da relva,
o vermelho da flor desabrochada.
O descanso,
O nada.
O medo.
VI
Não estou chateado. Estou azul como sempre (só os lábios estão da cor da carne que anseia ser devorada).
VII
Gestos infantis,
um cheiro intenso
propenso
ao sonho.
Conversas p'ra longe
inaudíveis...
Fraca presença.
Lábios sensíveis
Dispersos no sonho
Rodeiam mas não tocam
Parece que deles fogem
os que são de outrem.
Apetece-lhes percorrer
conhecer
outros...
C'oa fuga
Acaba o sonho.
VIII
Ele estava fulo, chateado. Eterno palhaço...Ele foi ridicularizado, usado, por quem o usou.
IX
A paciência tem limites que não é o homem que define - faz-se o que se julga correcto e não se recebe o que se achar certo receber. Aguenta-se por pouco, tal como um desenho por acabar e cujo término é um frete: fica-se com uma imagem e não se chora por ser suficiente.
X
Não espero, espero que saibas,
que já me cansa esperar
não saio deste lugar
até q'eu um dia saia.
O cheiro enlouquece, longe
sempre esteve de mim
quando julguei vê-lo aqui
ele de novo enfim põe-se.
Não espero, espero que saibas,
A espera tem um limite
E eu insisto que ele existe
Quando ele chegar que saias.
XI
È subtil a fúria dele
traz um verde amarelado
Olhem p'ra ele coitado
O desejo à volta dele.
Tenta em vão ser mais coerente
Olhar p'ro lado e gritar
não o faz está a chorar
desejo fá-lo demente.
Passou p'ra folha e esqueceu
O que tinha não mostrou
q'ria gritar e passou
Só a folha percebeu.
XII
Yin e Yang. A tranquilidade e o caos. Por vezes um ganha antes de haver equilíbrio.
XIII
Prelúdio de um beijo.
Tinha o espelho atrás
Só ele reflectia,
via,
o instante.
Aproximaram-se
Fecharam-se os olhos
(os que assim ele gosta de ver)
Tocou-a
Depois mostraram-se
Beijaram-se
Às escondidas
De tudo o que vê...
Porquê?
XIV
A saudade faz com que o resto impacientemente pareça tranquilo. É estranho: sei-a a longe e anseio por ela mas, por assim ser, sinto-me calmo por dentro.
Quando sinto saudades também avermelho: desejo mais que um simples olhar.
terça-feira, agosto 17, 2004
231
Os meninos gostam de histórias da carochina: divertem-se e não sentem o passar do tempo. Os adultos não diferem das crianças, só exigem outro conteúdo (digamos: com mais maturidade), com personagens mais realistas e de acordo com o paradigma da altura (sem saber seguem kuhn) ou então completamente fora da realidade. Peguemos na religião que uns seguem religiosamente e que, no fundo, assenta numa história mal contada e que sem fé ninguém acha verdadeira.
As histórias que imagino são outras: têm-me como personagem principal e, em cada sequela, contraceno com uma protagonista diferente; mas, como digo, não passam do que são.
As histórias que imagino são outras: têm-me como personagem principal e, em cada sequela, contraceno com uma protagonista diferente; mas, como digo, não passam do que são.
229 (O último dia da rapariga engraçada que tinha a mania de dançar no bar e cujo nome desconheço)
Soavam os tambores de guerra. Ela dançava como se se entregasse à causa. Os olhos (fechados) favam mais força ao seu acto. Mexia-se com as batidas levando-nos com ela. Era a última vez que o faria.
228 (auto retrato)
O poeta que escreve, que conta com os dedos as sílabas incontáveis na cabeça pensativa. O poeta que escreve enquanto se torna calvo ajudado por ele mesmo. O poeta e o seu mundo às cores que sente.
227
Há cores que raramente se tocam. Passam por partes paralelas e, entre duas iguais, existe outra que não elas. É cansativo, é saudoso mas, na maior parte das vezes, é assim: as fronteiras a negro são intransponíveis. Porém, em alguns casos, dá-se um fenómeno deveras estranho (não, não se tocam cores iguais): duas estranhas fundem-se e formam um meio termo. Esta, por sua vez, só está adjacente àquelas que a formaram.
226
Por maior que seja a mão há vícios que não suporta. Os limites definimos às escondidas de nós mesmos. A mesa era retábulo a oficina do que ainda não conhecia. Distraia-se da música que não queria ouvir.
225
A escada era estranha. Parecia um desenho de escher sem perspectivas. Cada degrau tinha um tom de verde e era indefinida. A parede já não se via: era azul como o horizonte que já não tocava há algum tempo. No topo o verde era escuro, era certo; foi perdendo cor como o vermelho do seu vestido.
Com um olhar estranho fita o atrás do muro.
Com um olhar estranho fita o atrás do muro.
224
Mil e uma coisas definem um homem, mil definem o anterior e pelo menos outro. Pessoas, sorrisos, beijos e até números dizem quem somos. Olho p'ra um lado; alguém parecido olha para outro.
Somos tudo o que passou.
Somos tudo o que passou.
segunda-feira, agosto 16, 2004
223 (Le premier jour en tunisie avec Holiday en chantant "you're so easy to remember (and so hard to forget)")
Cheguei julgando-me distante do que fujo. Vi o sol que só a saudade arrefecia pensado que, em pouco tempo, me seria quente. Errei. Atrás do balcão estava um diploma escrito como falava com os seus. Mal o vi percebi que por outros me chegavas.
Ah! Desde que conheço o teu silêncio que o mundo me faz recordar-te. Em Lisboa a publicidade é cirílica, ao meu lado sentam-se pessoas que o segundo nome se apelida de patronímico. Não consigo não te lembrar.
Escrevo a três horas de voo de casa. Escrevo noutro continente. Estou rodeado de mesas de metal vazias; ao fundo oiço ou grilos ou cigarras por vezes interrompidas pelas músicas tunisinas que só me fazem desejar o sítio e o momento em que te conheci. Há poucas horas precediam-nas pessoas que também falavam o teu eslavo. Não consigo, não consigo, não consigo...
Olho p'ros lados e só me lembro de ti. Fecho os olhos e anseio p'lo que quase tive.
Ah! Desde que conheço o teu silêncio que o mundo me faz recordar-te. Em Lisboa a publicidade é cirílica, ao meu lado sentam-se pessoas que o segundo nome se apelida de patronímico. Não consigo não te lembrar.
Escrevo a três horas de voo de casa. Escrevo noutro continente. Estou rodeado de mesas de metal vazias; ao fundo oiço ou grilos ou cigarras por vezes interrompidas pelas músicas tunisinas que só me fazem desejar o sítio e o momento em que te conheci. Há poucas horas precediam-nas pessoas que também falavam o teu eslavo. Não consigo, não consigo, não consigo...
Olho p'ros lados e só me lembro de ti. Fecho os olhos e anseio p'lo que quase tive.
222 (Uma questão de qualquer coisa)
Detesto as pessoas que associam a determinadas cores certos sentimentos. Detesto-as; no geral as associações são comuns entre elas porém, comigo, isso nunca sucede.
A minha tristeza é verde; um verde diluído a conta-gotas como a esperança que se esvai com cada passo errado que dou. Se espero, instintivamente, choro.
O quente é branco como a delicada capa de tudo o que aspiro ter. Tão frágil e tão visível no fundo negro que centra.
O rubro é azul como o azul que me persegue e que me queima por dentro.
As cores que sobram são restos que só uso para enfeitar.
(O detestar não é para ser interpretado como tal).
A minha tristeza é verde; um verde diluído a conta-gotas como a esperança que se esvai com cada passo errado que dou. Se espero, instintivamente, choro.
O quente é branco como a delicada capa de tudo o que aspiro ter. Tão frágil e tão visível no fundo negro que centra.
O rubro é azul como o azul que me persegue e que me queima por dentro.
As cores que sobram são restos que só uso para enfeitar.
(O detestar não é para ser interpretado como tal).
220 ((Longo suspiro) Anos dourados)
Uma vez esperei-a no Carmo. A fonte estava, a meu ver seca; as àrvores ganhavam unm verde que a noite escurecia. Olhava para a porta do convento que, em parte, ainda está de pé:---------------------------------------------------------------------------------------------------------
Dessa vez esperei-a no largo do Carmo. A noite era agradável; a fonte ainda estava seca e as àrvores ganhavam um verde que a noite e as luzes de halogénio tornavam artificial. Eu estava sentado nas escadas que levam à porta do pouco que ainda está de pé; olhava-a e sabia-a intransponível.
De súbito chegou linda. Não me viu logo. Olhei-a com o olhar de carneiro mal morto que só mais tarde me receitou (senti-me tão bem).
Depois do jantar fomos. Estava tudo na mesma.
Dessa vez esperei-a no largo do Carmo. A noite era agradável; a fonte ainda estava seca e as àrvores ganhavam um verde que a noite e as luzes de halogénio tornavam artificial. Eu estava sentado nas escadas que levam à porta do pouco que ainda está de pé; olhava-a e sabia-a intransponível.
De súbito chegou linda. Não me viu logo. Olhei-a com o olhar de carneiro mal morto que só mais tarde me receitou (senti-me tão bem).
Depois do jantar fomos. Estava tudo na mesma.
219 (A aventura no carro tom de cinza/The mighty four in the car of Miguel's mother)
A estrada levava-nos de uma ponta a outra da vila. A meio havia um pequeno trilho com as dimensões (falo de largura) do carro. Entrámos, alterados pela mente, com as luzes desligadas; avançamos pouco, ligámos o rádio e, quando a eugénia largou o machado, gritámos. Avançamos, mas só em nós mesmos: limpos por dentro éramos outros.
Saímos lentamente a apontar para o sol que deixámos de recear.
Limpos por dentro, éramos outros.
Saímos lentamente a apontar para o sol que deixámos de recear.
Limpos por dentro, éramos outros.
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