Considero-me nesta fase da minha vida um sapo. Não. Acho que dos anfíbios aquele a que sou mais similar é a rã; animal parecido com o o primeiro a ser referido mas que tem a vantagem de ter um nome que rima com a natureza que me falta.
Estou à parte do mundo. Sou diferente e não por escrever um blog que não é um blogue e por dizer convosco. Estou à parte e não sei porquê. Não me sinto feliz nem triste e nada me faz sair do meio: acho que finalmente (ou será fatalmente) em ataraxia depois de tantas vezes a diagnosticar em vão. Por isso sou uma rã.
Gostava que viesse ter ao meu charco (neste caso não imundo) uma princesa - quero que fique bem claro que emprego esta palavra de uma forma não foleira é simplesmente para completar a metáfora- que nada de princesa tenha. Vou ser directo. Não quero falinhas mansas nem sonhos estúpidos e muito menos a crença de que os batráquios falam: quero a substância que quero numa forma qualquer pois a forma não interessa e a substância sente-se.
Com passinhos mansos aproximar-se-á de mim. Vai achar estranho eu não me mexer nem saltar p'ra longe dali e, curiosa, ainda irá mais calmamente, mostrando carinho pelo chão que pisa. Quando estiver perto (e isso só ela sabe o que é) debruçar-se-á levantando um pouco a saia que cobre parte de si - acha que se se sujar me fará impressão mas eu, vítima da publicidade, acredito que qualquer nódoa sai se quisermos. A mão direita irá pouco depois na minha direcção e, depois de a levantar, os meus olhos (provavelmente miópes) verão os dela e assim perceberão tudo o que ela tinha p'ra dizer.
P'ra ver o que já conhecia serei beijado.
Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
sábado, janeiro 29, 2005
305 Não gosto de tipos chamados Brutus
Conselho de amigo:
Quanto menos intermediários melhor é o produto. E, se o fornecedor for correcto, explica o processo de fabrico.
Quanto menos intermediários melhor é o produto. E, se o fornecedor for correcto, explica o processo de fabrico.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
304
De uma forma simplista
porque o abstracto não tem forma
e eu quero ser objectivo
Eu estou cansado
sinto-o
nas horas que passam lentamente
por mim nunca bruscas.
Alguém me salve
mais não peço
(que + podia pedir?)
Salvem-me
estou aqui
Cansado de mais p'ra gritar.
porque o abstracto não tem forma
e eu quero ser objectivo
Eu estou cansado
sinto-o
nas horas que passam lentamente
por mim nunca bruscas.
Alguém me salve
mais não peço
(que + podia pedir?)
Salvem-me
estou aqui
Cansado de mais p'ra gritar.
303
Viva a tudo o que não vivo
Tudo que vivo a passar ao lado
Viva sorrisos e abraços
Que por medo evitei
Hossana nas alturas e não a Cristo
(que mais nos diz a altura)
Hossana a tudo o que está longe
Viva a tudo o que não vivo.
Tudo que vivo a passar ao lado
Viva sorrisos e abraços
Que por medo evitei
Hossana nas alturas e não a Cristo
(que mais nos diz a altura)
Hossana a tudo o que está longe
Viva a tudo o que não vivo.
302 Como sempre no comboio
P'los passos dados mede-se a distância que já não se vê
Há quem ame, quem queira e quem fuja
Por amor daquilo que quer
O amor mete medo e a fuga
Justifica-se só p'lo q'rer.
Pele de galinha, pele de medricas e suor
Dor que percorre o corpo não percorrido
Pena p'ra quem vive o juízo
P'ra quem ama e quer partir.
Há quem ame, quem queira e quem fuja
Por amor daquilo que quer
O amor mete medo e a fuga
Justifica-se só p'lo q'rer.
Pele de galinha, pele de medricas e suor
Dor que percorre o corpo não percorrido
Pena p'ra quem vive o juízo
P'ra quem ama e quer partir.
301
Companhia das horas que não passam
Daquelas em que mais só eu estou.
A luz que é rubra aos poucos marca vou
Talvez morrer mais cedo que os que tardam.
Os vícios ganham-se: preenchem tudo
O que por não o ser só nada são.
A luz no escuro vê-se mas já não
vem qualquer ser- estou a viver o luto.
Vive da luz não minha o meu juízo.
Os dedos ganham nódoas que ao sorriso
dão o tom que ele tem nada sincero.
Aos poucos forma-se alva capa a ter
Aos poucos tudo vai com o arder
E o que em nós fica por ficar segura.
Daquelas em que mais só eu estou.
A luz que é rubra aos poucos marca vou
Talvez morrer mais cedo que os que tardam.
Os vícios ganham-se: preenchem tudo
O que por não o ser só nada são.
A luz no escuro vê-se mas já não
vem qualquer ser- estou a viver o luto.
Vive da luz não minha o meu juízo.
Os dedos ganham nódoas que ao sorriso
dão o tom que ele tem nada sincero.
Aos poucos forma-se alva capa a ter
Aos poucos tudo vai com o arder
E o que em nós fica por ficar segura.
299 Férias
Nada tenho a fazer: estou de férias.
Com elas vem o nada que elas têm;
Era tão pouco e tinha, já não vêm
Resta-me o nada que preenche artérias.
Como o tempo nos faz estou mais velho.
Conto os momentos que de parvo vi
Passarem rente aos dedos, eu perdi
tudo o que q'ria só por ser sincero.
Como só eu sou estou. Não tenho mais
que estas memórias vãs que eu já tinha
No fundo se é d'alguém esta é minha
Por eu o ser, por não a q'rer a tenho.
Digo que vou chegar mas cá venho
"É q'nem saindo tu de parvo sais".
Com elas vem o nada que elas têm;
Era tão pouco e tinha, já não vêm
Resta-me o nada que preenche artérias.
Como o tempo nos faz estou mais velho.
Conto os momentos que de parvo vi
Passarem rente aos dedos, eu perdi
tudo o que q'ria só por ser sincero.
Como só eu sou estou. Não tenho mais
que estas memórias vãs que eu já tinha
No fundo se é d'alguém esta é minha
Por eu o ser, por não a q'rer a tenho.
Digo que vou chegar mas cá venho
"É q'nem saindo tu de parvo sais".
segunda-feira, janeiro 24, 2005
298
Estava no meio da tristeza e da felicidade e, como ela disse, estava farto do que tinha. Queria sair mas nem respeitadas eran as vontades pelo choro que não existia.
Quem interessa perguntava o motivo.
Quem interessa perguntava o motivo.
297
I
Já nos sentámos ali
naquela mesa do canto
falávamos de merdas
(só queriamos sentir)
Passou mais de um ano
com ele só cresceu a distância.
Agora
ela chora por dentro
à mesma frente a que estavas.
Lembro-me que sorrias
que tinhas o cabelo apanhado
mas hoje só eu estou preso.
Ah memórias
sonhos despertos p'lo rever.
Estavas ali
naquela mesa do canto.
II
Vejo a mesa do canto
o mesmo em que nos escondemos indiscretos
onde discretamente sentiamos.
Estavas diante de mim
e eu diante de ti estava
o que um mostrava
o outro não via.
Passou tempo sem pressa
(ou com demasia)
Mas a mesa era a mesma
e o mesmo era o canto.
Olho p'ra lá e vejo
(filtrado por lágrimas dela que chora)
e lembro-me....
Era a mesma mesa
E o canto era o mesmo.
Já nos sentámos ali
naquela mesa do canto
falávamos de merdas
(só queriamos sentir)
Passou mais de um ano
com ele só cresceu a distância.
Agora
ela chora por dentro
à mesma frente a que estavas.
Lembro-me que sorrias
que tinhas o cabelo apanhado
mas hoje só eu estou preso.
Ah memórias
sonhos despertos p'lo rever.
Estavas ali
naquela mesa do canto.
II
Vejo a mesa do canto
o mesmo em que nos escondemos indiscretos
onde discretamente sentiamos.
Estavas diante de mim
e eu diante de ti estava
o que um mostrava
o outro não via.
Passou tempo sem pressa
(ou com demasia)
Mas a mesa era a mesma
e o mesmo era o canto.
Olho p'ra lá e vejo
(filtrado por lágrimas dela que chora)
e lembro-me....
Era a mesma mesa
E o canto era o mesmo.
sábado, janeiro 22, 2005
295
É Inverno.
Os troncos despidos cortam o horizonte
A luz de halogénio começa mais cedo
Os dias são mais curtos como o resto.
Faz frio por vezes
E só por vezes se estuda.
Ao fundo o betão cresce.
Brincam crianças na rua
Baloiçam-se como nós (graúdos)
na vida,
nunca saindo do lugar.
Os troncos despidos coratam o horizonte
As plantas (até elas) são negras
O vento levanta-se por vezes
e por vezes se estuda.
Os pais levam os filhos
como antes foram levados;
Os caminhos que pisam foram pisados
Para mais tarde serem caminhos.
Estou só, e despido corto a folha
(passo p'ra ela o que em mim está)
Por vezes chorava e só por vezes o faço
Estou mais velho e não há lágrima alguma.
Choro despindo-me mas já não me dispo
se eu o faço corto a folha.
Choro por isso neste momento.
Podia escorregar mas já estou grande
Embala-me a falta de movimento
E o sol já não doira como antes...
É Inverno
Estou velho como mundo já não verde;
Choro e escrevo
porque só assim posso.
Os troncos despidos cortam o horizonte
A luz de halogénio começa mais cedo
Os dias são mais curtos como o resto.
Faz frio por vezes
E só por vezes se estuda.
Ao fundo o betão cresce.
Brincam crianças na rua
Baloiçam-se como nós (graúdos)
na vida,
nunca saindo do lugar.
Os troncos despidos coratam o horizonte
As plantas (até elas) são negras
O vento levanta-se por vezes
e por vezes se estuda.
Os pais levam os filhos
como antes foram levados;
Os caminhos que pisam foram pisados
Para mais tarde serem caminhos.
Estou só, e despido corto a folha
(passo p'ra ela o que em mim está)
Por vezes chorava e só por vezes o faço
Estou mais velho e não há lágrima alguma.
Choro despindo-me mas já não me dispo
se eu o faço corto a folha.
Choro por isso neste momento.
Podia escorregar mas já estou grande
Embala-me a falta de movimento
E o sol já não doira como antes...
É Inverno
Estou velho como mundo já não verde;
Choro e escrevo
porque só assim posso.
sexta-feira, janeiro 21, 2005
294 - Ataraxia
Estou embalado pela falta de movimento,
A força da atrito faz com que
O efeito de um empurrão seja nulo.
Só sou humano
De nada me servem modelos...
Talvez saia daqui
Aos poucos.
A força da atrito faz com que
O efeito de um empurrão seja nulo.
Só sou humano
De nada me servem modelos...
Talvez saia daqui
Aos poucos.
terça-feira, janeiro 18, 2005
293 Some enchanted evening
Mais um ano passou. A noite era como outra qualquer motivava-a somente fogo de artifício que até chegar senti meu. Receberam-me à porta e, como se soubesse o meu estado, a linda bailarina mascarada abriu as cortinas do espaço onde a minha cara foi coberta.
Era outro aos olhos de outros que não eu. Até chegar o que era temido por instantes nada temi.
Olhou-me e eu olhei-a; a máscara de nada me serviu. Os olhos estavam descobertos e eles sinceros não mentem.
Era outro aos olhos de outros que não eu. Até chegar o que era temido por instantes nada temi.
Olhou-me e eu olhei-a; a máscara de nada me serviu. Os olhos estavam descobertos e eles sinceros não mentem.
domingo, janeiro 16, 2005
290 Back from the dead again
O vento passa e leva
O vento pára e volta
O vento só não leva
o que já levou.
O vento pára e volta
O vento só não leva
o que já levou.
terça-feira, dezembro 14, 2004
289 - Aula prática de estatística
Testávamos a hipótese nula quando nulo era o ânimo. Quase que estava a acabar a aula, quase que estava a acabar o semestre. Como só a idade faz o tempo passava tão rápido, parecia que ontem voltara do Verão. Tudo o resto (o vivido) é nulo, tudo o resto é nada.
Sou o Sidoro só por nome: nunca nos banhamos mais que uma vez nas àguas de um rio que só é o mesmo por convenção. Tudo passa tão rápido, nada é o mesmo e tudo também não.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
288 Adeus
Adeus,
Já to disse antes e dessa vez chorei
Fui p'ro quarto com uma culpa quase minha
Que afinal não saiu da tua posse.
Nc admitiste nada p'ra além de sucessos
O resto era sempre dos outros
que,
nem assim,
eram como tu.
Adeus,
Retiro-te das memórias que eram negras por respeito inexplicável...
Agora
só recordo
Sorrisos escassos.
Adeus,
E quem se despede sou eu
aquele que não quiseste conhecer
aquele que sabias ser melhor que tu
Adeus
Até à próxima;
Um erro que quiseste
domingo, dezembro 12, 2004
Subscrever:
Mensagens (Atom)