Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

sábado, janeiro 29, 2005

305 Não gosto de tipos chamados Brutus

Conselho de amigo:

Quanto menos intermediários melhor é o produto. E, se o fornecedor for correcto, explica o processo de fabrico.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

304

De uma forma simplista
porque o abstracto não tem forma
e eu quero ser objectivo
Eu estou cansado
sinto-o
nas horas que passam lentamente
por mim nunca bruscas.

Alguém me salve
mais não peço
(que + podia pedir?)
Salvem-me
estou aqui
Cansado de mais p'ra gritar.


303

Viva a tudo o que não vivo
Tudo que vivo a passar ao lado
Viva sorrisos e abraços
Que por medo evitei

Hossana nas alturas e não a Cristo
(que mais nos diz a altura)
Hossana a tudo o que está longe
Viva a tudo o que não vivo.

302 Como sempre no comboio

P'los passos dados mede-se a distância que já não se vê

Há quem ame, quem queira e quem fuja
Por amor daquilo que quer
O amor mete medo e a fuga
Justifica-se só p'lo q'rer.

Pele de galinha, pele de medricas e suor
Dor que percorre o corpo não percorrido
Pena p'ra quem vive o juízo
P'ra quem ama e quer partir.

301

Companhia das horas que não passam
Daquelas em que mais só eu estou.
A luz que é rubra aos poucos marca vou
Talvez morrer mais cedo que os que tardam.

Os vícios ganham-se: preenchem tudo
O que por não o ser só nada são.
A luz no escuro vê-se mas já não
vem qualquer ser- estou a viver o luto.

Vive da luz não minha o meu juízo.
Os dedos ganham nódoas que ao sorriso
dão o tom que ele tem nada sincero.

Aos poucos forma-se alva capa a ter
Aos poucos tudo vai com o arder
E o que em nós fica por ficar segura.


300

Que ressuscitem os sonhos que o juizo matou a sangue frio.


299 Férias

Nada tenho a fazer: estou de férias.
Com elas vem o nada que elas têm;
Era tão pouco e tinha, já não vêm
Resta-me o nada que preenche artérias.

Como o tempo nos faz estou mais velho.
Conto os momentos que de parvo vi
Passarem rente aos dedos, eu perdi
tudo o que q'ria só por ser sincero.

Como só eu sou estou. Não tenho mais
que estas memórias vãs que eu já tinha
No fundo se é d'alguém esta é minha
Por eu o ser, por não a q'rer a tenho.

Digo que vou chegar mas cá venho
"É q'nem saindo tu de parvo sais".

segunda-feira, janeiro 24, 2005

298

Estava no meio da tristeza e da felicidade e, como ela disse, estava farto do que tinha. Queria sair mas nem respeitadas eran as vontades pelo choro que não existia.

Quem interessa perguntava o motivo.


297

I

Já nos sentámos ali
naquela mesa do canto
falávamos de merdas
(só queriamos sentir)

Passou mais de um ano
com ele só cresceu a distância.

Agora
ela chora por dentro
à mesma frente a que estavas.
Lembro-me que sorrias
que tinhas o cabelo apanhado
mas hoje só eu estou preso.

Ah memórias
sonhos despertos p'lo rever.
Estavas ali
naquela mesa do canto.

II

Vejo a mesa do canto
o mesmo em que nos escondemos indiscretos
onde discretamente sentiamos.

Estavas diante de mim
e eu diante de ti estava
o que um mostrava
o outro não via.

Passou tempo sem pressa
(ou com demasia)
Mas a mesa era a mesma
e o mesmo era o canto.
Olho p'ra lá e vejo
(filtrado por lágrimas dela que chora)
e lembro-me....

Era a mesma mesa
E o canto era o mesmo.

sábado, janeiro 22, 2005

296 FCSH

Comi um pastel de nata e teirei fotografias. Lá p'ro fim fiz amigas


295

É Inverno.
Os troncos despidos cortam o horizonte
A luz de halogénio começa mais cedo
Os dias são mais curtos como o resto.

Faz frio por vezes
E só por vezes se estuda.
Ao fundo o betão cresce.
Brincam crianças na rua
Baloiçam-se como nós (graúdos)
na vida,
nunca saindo do lugar.

Os troncos despidos coratam o horizonte
As plantas (até elas) são negras
O vento levanta-se por vezes
e por vezes se estuda.
Os pais levam os filhos
como antes foram levados;
Os caminhos que pisam foram pisados
Para mais tarde serem caminhos.

Estou só, e despido corto a folha
(passo p'ra ela o que em mim está)
Por vezes chorava e só por vezes o faço
Estou mais velho e não há lágrima alguma.

Choro despindo-me mas já não me dispo
se eu o faço corto a folha.
Choro por isso neste momento.

Podia escorregar mas já estou grande
Embala-me a falta de movimento
E o sol já não doira como antes...

É Inverno
Estou velho como mundo já não verde;
Choro e escrevo
porque só assim posso.


sexta-feira, janeiro 21, 2005

294 - Ataraxia

Estou embalado pela falta de movimento,
A força da atrito faz com que
O efeito de um empurrão seja nulo.

Só sou humano
De nada me servem modelos...

Talvez saia daqui
Aos poucos.



terça-feira, janeiro 18, 2005

293 Some enchanted evening

Mais um ano passou. A noite era como outra qualquer motivava-a somente fogo de artifício que até chegar senti meu. Receberam-me à porta e, como se soubesse o meu estado, a linda bailarina mascarada abriu as cortinas do espaço onde a minha cara foi coberta.

Era outro aos olhos de outros que não eu. Até chegar o que era temido por instantes nada temi.
Olhou-me e eu olhei-a; a máscara de nada me serviu. Os olhos estavam descobertos e eles sinceros não mentem.




292

Era dia exame e eles stavam azuis como as folhas que preenchiam.



domingo, janeiro 16, 2005

291



Está frio e o vento mais frio torna o corpo que se passeia nas ruas escuras e sujas da cidade.

290 Back from the dead again

O vento passa e leva
O vento pára e volta
O vento só não leva
o que já levou.


terça-feira, dezembro 14, 2004

289 - Aula prática de estatística


Testávamos a hipótese nula quando nulo era o ânimo. Quase que estava a acabar a aula, quase que estava a acabar o semestre. Como só a idade faz o tempo passava tão rápido, parecia que ontem voltara do Verão. Tudo o resto (o vivido) é nulo, tudo o resto é nada.

Sou o Sidoro só por nome: nunca nos banhamos mais que uma vez nas àguas de um rio que só é o mesmo por convenção. Tudo passa tão rápido, nada é o mesmo e tudo também não.


segunda-feira, dezembro 13, 2004

288 Adeus



Adeus,
Já to disse antes e dessa vez chorei
Fui p'ro quarto com uma culpa quase minha
Que afinal não saiu da tua posse.
Nc admitiste nada p'ra além de sucessos
O resto era sempre dos outros
que,
nem assim,
eram como tu.

Adeus,
Retiro-te das memórias que eram negras por respeito inexplicável...
Agora
só recordo
Sorrisos escassos.

Adeus,
E quem se despede sou eu
aquele que não quiseste conhecer
aquele que sabias ser melhor que tu

Adeus
Até à próxima;
Um erro que quiseste


domingo, dezembro 12, 2004

287



Beijou ou cuspiu, não interessa, mexeu-se!

286 No concerto.

Consome-me o tempo que não houve. Olho e não me vejo onde queria estar e entristeço por isso. A música que toca enerva-me, a que vai tocar faz com que o choro tenha mais significado.
Já passou tanto mas o que passou marcou;posso até dizer que sou outro graças a ele mas naquilo em que me tornei não é o que eu queria, nem me coloca onde eu queria estar:o que eu vi e nao conheço.
Enlaçamos as mãos e daí não passámos. Sempre tive medo da perda parcial do que por inteiro queria ter. Nestas alturas fode-me ler Pessoa, já que Reis se manifesta em mim da pior forma:a contrária a que eu queria.
Está na mesma p'lo que a distância permite supôr. O que mudou foi mesmo ela, são mais que uns metros que nos separam. Nunca me deveria ter despedido. Nunca deveria ter feito o que não queria- o que por ser cobarde julguei querer. Porquê? Porquê, porquê? Porquê, porquê, porquê? Coloco questões que nem eu sei responder, que só o génio a mais permite que existam e na merda fico por pensar demais.

Devia ter visto como o Mestre, devia ter julgado o que via pelo que era e não pelo que adicionei ao pensar. Devia ser Alberto e não Ricardo, devia ter feito o que queria.

II

Só a distância, mais que métrica, há
Uns meses que eu criei muda em nós
Vi-te, mas não ousei soltar a voz
Tão mais tremida como o ver-te faz.

Fosse eu o outro aquele que visto sobre
Um colchão que foi assento. Fui e não sou
Perdi-me em juízos a que dou
Importância sem nexo... tu já foste.

Sou sempre eu o culpado. Faço eu sempre
A merda que não quero- ninguém quis
Hoje olho e choro para trás, eu fiz
Q'ria mudar, não dá, por mais que tente.

Mas agora que acabou olho e penso:
quando está mal porque é que só eu tento?

III



IV



Quando na merda o deísta reza, pede a Deus que intervenha.

V



VI



VII

Há muitas (disse ela) mas só há uma (respondi eu)