Acordaram pã do seu sono,
Veio o pânico que matou kronos
Sou mortal em mim ainda se sente
Veio o pânico com o susto vou mudar.
Desejo sempre tive e sempre me preencheu as horas vazias
O seu problema é envolver outro ser que não eu
Por entre os meus dedos passam rios
Que por não quererem não me levam na corrente.
Estou cada vez mais velho e empilham-se
nas esquinas por onde passo insucessos
- Quem me conhece diz que não até me safo-
Mas o que quero só deixei de querer.
Nunca provei uma gota do que me dá sentido
Nunca senti o que me dá vontade de provar
Por vezes aqueço com brisas que não desejo
Por vezes esquento mas deixo o calro num canto.
Ah memórias de infância...melodias que já só sei trautear
Era tudo tão simples até ver que havia mais que eu
Era tudo tão meigo porque era assim que tudo eu via.
Cresci e veio a vontade de procurar
De querer dar o que só se queria receber
Errei, quantos passos em falso não dei pq o ananke assim demarcou...
Aprendi tantas vezes mas, quando veio a prova, errei
Fi-lo porque assim foi demarcado.
Merda
Até finjo que acredito no Destino
Em merdas que não fazem sentido na minha racionalidade
Já não tenho idade para bruxedos para astros
Nunca cheguei porque nenhum dos meus passos o permitiu.
E passam e passam pelos dedos que húmidos estão do roçar
Tivesse eu força para os suportar ou fosse eu fraco para ser levado.
Digo constantemente que sou outro mas a noite põe-se para depois voltar.
Queima o sol e a evidência que ele traz
Não quero calor quero luz
mas quero que ela não queime.
Onde está o sentido onde está o pouco que tenho
(sou sincero nunca o tive)
Resulto de momentos que colo com cuspo como o que devia estudar.
diluo aos poucos o que ainda resta de mim na folha que preencho
E que aos poucos assume-se como eu.
Está aí alguém.
Alguém me ouve
Quem me ouve está aí?
Não não vou falar comigo.Vou esquecer
O leito espera-me nas minhas costas
Já estou cansado da entrega desta noite...
Ainda estou só - merda - porque me dei?
Porque é que nada faz sentido...
Porque prometo que vou ser outro que não eu.
REagisse...Visse que me mato
Que só me agarro aos vícios que no presente saciam.
Ousei..e por isso caí mais
Só me resta a catastrofe que vivo
só me resta o que tiro a vulso de mim...
Vou ser outro que não sendo sou.
Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
segunda-feira, novembro 08, 2004
quinta-feira, novembro 04, 2004
quarta-feira, novembro 03, 2004
271 Ce que je ne reusse pas dire
I
Até a merda do café me faz lembrar.
Está perto mas à distância de um olhar p'ra baixo
Um olhar que, como o que sinto, é retraído.
Não como e preenche-me a fome,
Estou nervoso de mais p'ra fazer algo de concreto
Só os pequenos gestos que nada de voluntário têm
Servem para estes momentos
- normais para alguém estranho como eu.
Ontem tudo foi fácil como o andar
Como algo que já fazemos mesmo desconcentrados.
Ontem tudo foi fácil por nada mais ser
Era um processo e disso não passou.
Está longe; à distância de um olhar tímido
Quero-a mas não de um querer grotesco
Aquele tipo de desejo que faz que as atitudes o sejam
Para os olhos de quem não vê e não percebe.
Podia ousar aproximar-me, podia.
É isso que quero, já farto de me ouvir me digo.
Eu que farto não estou de fingir que os escuto
Nunca aplico conselhos que já me são banais ouvir.
Fosse outro penso por vezes julgando que não sofreria tanto.
Talvez esteja certo mas o que sou não muda num dia
- Não depende de acções obrigadas que, só por isso, não o são.
Reagisse, visse (com os olhos que não tenho) e mudasse;
Fosse, como eu julgo errado, feliz.
II
Foi-se.
Já não a vejo
Pareço outro: o mesmo de sempre.
A ausência de um traz o outro;
Sem as portadas temos algo mais p'ra ver.
Foi-se
por algum motivo a sinto perto.
(Desta vez não mudo, está em mim)
Não quero ver, não quero sentir
O que vejo que sinto.
É sempre o mesmo.
O que acontece é monótono como os dias
Que começando à mesma hora à mesma hora findam.
Não conhecendo acho que sei o desfecho
É sempre o mesmo.
apliquei o achar de uma forma pensada
(Haja vezes em que o faço)
O que acho é tão incerto como eu
mas é em funçao de mim que ajo.
Foi-se
Já sei que se foi
Mas não sei se se foi de mim.
Terá sido?
Não sei
foi-se
e eu vi.
terça-feira, novembro 02, 2004
270
As horas não passam e a ressaca da espera acumula-se;
Não sei o que fazer e tudo o que faço é por ignorância
Por não saber mais do que aquilo que decorei
Mais do que aquilo que foi enchido à pressa.
Ao redor acumula-se o que transbordou
O resultado de um processo que, como os outros, me é desconhecido
Nem o que eu sou percebo por inteiro
Até o que escrevo aos outros é submetido.
E não passam, e pesam nos ombros que já não caiem
O que faço agora é resultado do que eu não posso fazer
O que digo é tão diáfuno como o que finjo ouvir
Não fica sequer por instantes onde nunca esteve
E os outros que também não ouvem sentem que estou convicto.
O que será que eles querem?O que será que eu quero?
Respondo ou tento fazê-lo na ordem que também não sei
E, só por isso, não chego a lado nenhum.
Quero um cigarro mas as mãos transpiram
Podia fazê-lo mas fumava por minutos
Que só ganham sentido durante os instantes em que arde.
não não quero que seja tudo assim simples
Minto, sei que minto, é só isso que quero.
Fosse tudo tão simples como um cigarro mal feito
Como a combustão dos fósforos resultante
de um processo químico, ou físico, que não me preocupa.
Porque é que tudo não é assim? Porque preciso que me expliquem
Ou até que seja eu a tentar explicar?
Quero um cigarro, quero que arda por minutos
Quero que os segundos tenham um sentido qualquer.
Vou fazê-lo, sei que o vou fazer.
Vou pegar na mortalha que mais tarde me vai cobrir
Vou fazê-lo sem sentido.
Não sei o que fazer e tudo o que faço é por ignorância
Por não saber mais do que aquilo que decorei
Mais do que aquilo que foi enchido à pressa.
Ao redor acumula-se o que transbordou
O resultado de um processo que, como os outros, me é desconhecido
Nem o que eu sou percebo por inteiro
Até o que escrevo aos outros é submetido.
E não passam, e pesam nos ombros que já não caiem
O que faço agora é resultado do que eu não posso fazer
O que digo é tão diáfuno como o que finjo ouvir
Não fica sequer por instantes onde nunca esteve
E os outros que também não ouvem sentem que estou convicto.
O que será que eles querem?O que será que eu quero?
Respondo ou tento fazê-lo na ordem que também não sei
E, só por isso, não chego a lado nenhum.
Quero um cigarro mas as mãos transpiram
Podia fazê-lo mas fumava por minutos
Que só ganham sentido durante os instantes em que arde.
não não quero que seja tudo assim simples
Minto, sei que minto, é só isso que quero.
Fosse tudo tão simples como um cigarro mal feito
Como a combustão dos fósforos resultante
de um processo químico, ou físico, que não me preocupa.
Porque é que tudo não é assim? Porque preciso que me expliquem
Ou até que seja eu a tentar explicar?
Quero um cigarro, quero que arda por minutos
Quero que os segundos tenham um sentido qualquer.
Vou fazê-lo, sei que o vou fazer.
Vou pegar na mortalha que mais tarde me vai cobrir
Vou fazê-lo sem sentido.
268 O primeiro interactivo.
Alguma coisa
(Espaço em branco)
Outra coisa qualquer
(Continuação do vazio)
Se alguém me perceber e me estiver disposto a explicar que apite (envie um mail num português simples e esclarecedor). Pode ser que ajude.
(Espaço em branco)
Outra coisa qualquer
(Continuação do vazio)
Se alguém me perceber e me estiver disposto a explicar que apite (envie um mail num português simples e esclarecedor). Pode ser que ajude.
268
A minha irmã fez hoje anos. A minha irmã está um ano mais velha e por ela o estar também me sinto cronologicamente mais avançado.
O tempo que passa por mim é irrelevante mas, sempre que a vejo, parece que ele me pisou enquanto eu estava anestesiado pelos meus excessos, tanto de alegria como de tristeza.
Merda. Detesto ter a consciência das coisas.
O tempo que passa por mim é irrelevante mas, sempre que a vejo, parece que ele me pisou enquanto eu estava anestesiado pelos meus excessos, tanto de alegria como de tristeza.
Merda. Detesto ter a consciência das coisas.
267
Sei,
não querendo
que vou ser um pai não presente.
Sei que vou dizer tudo o que penso
nunca pensado no que os outros pensam.
Sei que me vou sentar à mesa
E que vou dizer que ela é só minha.
Sei que não vou ouvir
porque eu é que tenho de ser ouvido
Sei que vou ter mais de um filho
Mas que nenhum me vai ter.
Sei e não quero
Sei e sofro por isso...
Sei,
Mas fui assim ensinado.
não querendo
que vou ser um pai não presente.
Sei que vou dizer tudo o que penso
nunca pensado no que os outros pensam.
Sei que me vou sentar à mesa
E que vou dizer que ela é só minha.
Sei que não vou ouvir
porque eu é que tenho de ser ouvido
Sei que vou ter mais de um filho
Mas que nenhum me vai ter.
Sei e não quero
Sei e sofro por isso...
Sei,
Mas fui assim ensinado.
266 - A um amigo mais velho, com mais memórias que eu.
Falava como se fosse um amigo meu,
Ele era,
Mas também era
muito mais velho.
As palavras saiam empurradas
A tristeza ocupava
o pouco espaço que ele já tinha.
Falou, falou, falou...
Elas,
que nunca o viram antes,
disseram
Que falava com os olhos quase a transbordar.
Só senti palavras,
E
de vez em quando
vi um gesto ou outro...
Falou, falou, falou
Até
o àlbum se fechar.
Ele era,
Mas também era
muito mais velho.
As palavras saiam empurradas
A tristeza ocupava
o pouco espaço que ele já tinha.
Falou, falou, falou...
Elas,
que nunca o viram antes,
disseram
Que falava com os olhos quase a transbordar.
Só senti palavras,
E
de vez em quando
vi um gesto ou outro...
Falou, falou, falou
Até
o àlbum se fechar.
domingo, outubro 31, 2004
265
Estou só.
Sou como um livro grande e pesado,
com pó acumulado por dentro e por fora,
Guardado
na estante superior sozinho.
Ninguém me pega
Não sou especifico
e o título é dúbio como o resto-
Só me pega quem me procura
mas quem o faz não chega.
Não me mxo
sou um livro pesado
Tenho pó acumulado desde a última vez que me leram.
Ah! Pegassem
ousassem ver-me
ler-me!
Não tenho índice
e resulto de volumes compactados
sou um,
podia ser vários
Ousassem ler-me
mexer-me
Vissem mais alto!
Teria,
por istantes, luz.
Sou como um livro grande e pesado,
com pó acumulado por dentro e por fora,
Guardado
na estante superior sozinho.
Ninguém me pega
Não sou especifico
e o título é dúbio como o resto-
Só me pega quem me procura
mas quem o faz não chega.
Não me mxo
sou um livro pesado
Tenho pó acumulado desde a última vez que me leram.
Ah! Pegassem
ousassem ver-me
ler-me!
Não tenho índice
e resulto de volumes compactados
sou um,
podia ser vários
Ousassem ler-me
mexer-me
Vissem mais alto!
Teria,
por istantes, luz.
264 - De um pouco antes a um pouco depois.
A
Espero pelo comboio que não tarda
como sempre fu eu que me antecipei
Está frio; Dirigi-me para o café mais próximo
E, enquanto escrevo, finjo que vejo a bola
e que, por isso, ouço os comentários
que, por o serem, são ridículos.
No cinzeiro acumulam-se as cinzas que largo com um toque
A chávena de café está vazia e o pires está sujo
No fundo, são como eu:
Largo-me aos poucos em partes diversas
e, sem nada, estou marcado p'lo que tive.
Nunca me dei a ninguém e estou assim
Nunca me mexi e estou cansado.
Tudo me parece cada vez mais incerto
Como o remate que parte do fundo
e que, só depois de entrar na àrea,
se sabe se teve algum efeito.
Porque é que vou a seguir p'ra Lisboa?
Porque é que acho que alguém me espera
baseado somente em olhares e frases que não sei interpretar?
Porquê?
Nunca me apoiei em estruturas sólidas acho eu
E, só por assim ser, o que acho também nunca o foi.
Só conheço o antes só os passos que não dei.
Chegar não é comigo porque nem sequer tento;
Sofro, sei que o faço, mas se o faço é por mim.
B
Cheguei e continuo à espera; mas do quê?
Não cheguei tão cedo - o tempo dispersou-se em conversas
e maior parte de circunstância.
Amigos de minutos que não cheguei sequer a conhecer
Mas que, em minutos, me falaram de vícios
E alguns bem piores do que os meus
Ah! o que faço para o tempo ter algum sentido
Mesmo que seja só por instantes que passam às vezes lentos.
Sorrisos, sonhos, desabafos, justificados por nunca mais os ver.
Para onde vou é que ainda não sei.
Agora que estou é só nisto que penso
E em cada minuto mais eu desço no meu ser que está vazio
O que sou? O que faço? O que quero?
Nunca o soube e este café só vai prolongar
O raciocinio que nunca o chegou a ser.
Os argumentos que apresento até alguém mais novo consegue
se p'ra isso estiver virado
diluir em segundos.
Desinfecta-os e resta um nada
Tão semelhante àquele que os proferiu...
P'ra onde vou é que ainda não sei
Só o vou saber daqui a 20 minutos
Quando quem ainda mal conheço
(nem sequer histórias de comboio ouvi)
Apitar porque chegou à esquina talvez na hora.
E não, não foi ele que se atrasou
Fui eu que me antecipei.
C
Quando? Onde? Porquê?
Não passam os segundos que se prolongam p'la ansiedade
Acumulada pelo desconhecido que se soma um a um.
Afinal tudo assenta no que quero
E no facto de querer algo desconhecido
Anseio acabar a solidão - o que tenho até aqui.
Quero gestos de carinho, sorrisos sinceros
Olhares que, como os gestos, nos dão conforto.
Sou egoísta, sei que o sou, mas tudo o que faço
Por ser eu a fazer, é, mesmo que não seja, por mim.
Não quero descer, não quero usar
Não quero ser ou voltar ao que era.
Quero isto, mas de quem?
Quero alguém ou ninguém
Quero tudo ou só gestos.
Faz frio cá fora, tenho as mãos quentes
mais quentes que a folha;
Até ela está fria coberta de carvão que não arde.
Não sei bem o que quero, já disse.
Mas não quero isto e é tarde.
D
As mãos suam no relento
o corpo pede abrigo que não posso ter.
Sem o branco que cubro nada teria
só um monte de segundos empilhados
gastos a pensar sem sentido.
Não digo qu estas frases o tenham
De certa forma sou modesto não o sendo:
Escrevo à frente de todos indiscreto
como que pinta para se ver.
Faço-o mas só o faço por isso,
Faço-o porque espero não sabendo
não podendo ir mais longe.
"Ousa, Ousa" dizem os outros não percebendo como sou;
Se ousasse mudaria eu seria outro que não eu
e, já o sendo não sou sincero,
escrevo tudo o que não digo.
E
Quem me vê acha-me louco
como o louco que por louco ser
vê elefantes efervescentes.
Escrevo como ele mas como ele não escrevo
Pensam que eu sou louco não o sendo
Mas o que escrevo não é de louco.
O que eu faço é pouco
Afinal quem o conhece?
Mas o louco que mais louco se tece
pelo mundo é conhecido.
F
Cheguei e nada.
H
Parti. Deixo o onde estava que só ao chegar conheci
Vi mas tão pouco ouvi dá-se mas o que me deram
O que será que disseram ( ou disse) sobre mim?
Não sei nada ouvi nada me disse.
Parti sem uma palavra amiga só um beijo de despedida
tão mundano como o da chegada.
A mente é parva como em latim
não se expande para mais longe
Nem tão longe como o que eu estou.
E eu vou, pr'a onde agora cheguei
O que deixei, é que desconheço.
I
Tão mais velha que eu é a companhia desta noite.
Foi-se o sonho que por instantes martelei
(nunca antes assim comi, conspurquei o que me rodeava)
Na sua cara nada vi.
(Será que a olhei?
Porque não o fiz?)
Porque não diz
Logo tudo?
Luto,
Contra mim mesmo.
Com o fim vem o começo
De mais um decadência
que,
como sempre,
è nocturna.
30/10/2004- um pouco antes e um pouco depois da espera
Espero pelo comboio que não tarda
como sempre fu eu que me antecipei
Está frio; Dirigi-me para o café mais próximo
E, enquanto escrevo, finjo que vejo a bola
e que, por isso, ouço os comentários
que, por o serem, são ridículos.
No cinzeiro acumulam-se as cinzas que largo com um toque
A chávena de café está vazia e o pires está sujo
No fundo, são como eu:
Largo-me aos poucos em partes diversas
e, sem nada, estou marcado p'lo que tive.
Nunca me dei a ninguém e estou assim
Nunca me mexi e estou cansado.
Tudo me parece cada vez mais incerto
Como o remate que parte do fundo
e que, só depois de entrar na àrea,
se sabe se teve algum efeito.
Porque é que vou a seguir p'ra Lisboa?
Porque é que acho que alguém me espera
baseado somente em olhares e frases que não sei interpretar?
Porquê?
Nunca me apoiei em estruturas sólidas acho eu
E, só por assim ser, o que acho também nunca o foi.
Só conheço o antes só os passos que não dei.
Chegar não é comigo porque nem sequer tento;
Sofro, sei que o faço, mas se o faço é por mim.
B
Cheguei e continuo à espera; mas do quê?
Não cheguei tão cedo - o tempo dispersou-se em conversas
e maior parte de circunstância.
Amigos de minutos que não cheguei sequer a conhecer
Mas que, em minutos, me falaram de vícios
E alguns bem piores do que os meus
Ah! o que faço para o tempo ter algum sentido
Mesmo que seja só por instantes que passam às vezes lentos.
Sorrisos, sonhos, desabafos, justificados por nunca mais os ver.
Para onde vou é que ainda não sei.
Agora que estou é só nisto que penso
E em cada minuto mais eu desço no meu ser que está vazio
O que sou? O que faço? O que quero?
Nunca o soube e este café só vai prolongar
O raciocinio que nunca o chegou a ser.
Os argumentos que apresento até alguém mais novo consegue
se p'ra isso estiver virado
diluir em segundos.
Desinfecta-os e resta um nada
Tão semelhante àquele que os proferiu...
P'ra onde vou é que ainda não sei
Só o vou saber daqui a 20 minutos
Quando quem ainda mal conheço
(nem sequer histórias de comboio ouvi)
Apitar porque chegou à esquina talvez na hora.
E não, não foi ele que se atrasou
Fui eu que me antecipei.
C
Quando? Onde? Porquê?
Não passam os segundos que se prolongam p'la ansiedade
Acumulada pelo desconhecido que se soma um a um.
Afinal tudo assenta no que quero
E no facto de querer algo desconhecido
Anseio acabar a solidão - o que tenho até aqui.
Quero gestos de carinho, sorrisos sinceros
Olhares que, como os gestos, nos dão conforto.
Sou egoísta, sei que o sou, mas tudo o que faço
Por ser eu a fazer, é, mesmo que não seja, por mim.
Não quero descer, não quero usar
Não quero ser ou voltar ao que era.
Quero isto, mas de quem?
Quero alguém ou ninguém
Quero tudo ou só gestos.
Faz frio cá fora, tenho as mãos quentes
mais quentes que a folha;
Até ela está fria coberta de carvão que não arde.
Não sei bem o que quero, já disse.
Mas não quero isto e é tarde.
D
As mãos suam no relento
o corpo pede abrigo que não posso ter.
Sem o branco que cubro nada teria
só um monte de segundos empilhados
gastos a pensar sem sentido.
Não digo qu estas frases o tenham
De certa forma sou modesto não o sendo:
Escrevo à frente de todos indiscreto
como que pinta para se ver.
Faço-o mas só o faço por isso,
Faço-o porque espero não sabendo
não podendo ir mais longe.
"Ousa, Ousa" dizem os outros não percebendo como sou;
Se ousasse mudaria eu seria outro que não eu
e, já o sendo não sou sincero,
escrevo tudo o que não digo.
E
Quem me vê acha-me louco
como o louco que por louco ser
vê elefantes efervescentes.
Escrevo como ele mas como ele não escrevo
Pensam que eu sou louco não o sendo
Mas o que escrevo não é de louco.
O que eu faço é pouco
Afinal quem o conhece?
Mas o louco que mais louco se tece
pelo mundo é conhecido.
F
Cheguei e nada.
H
Parti. Deixo o onde estava que só ao chegar conheci
Vi mas tão pouco ouvi dá-se mas o que me deram
O que será que disseram ( ou disse) sobre mim?
Não sei nada ouvi nada me disse.
Parti sem uma palavra amiga só um beijo de despedida
tão mundano como o da chegada.
A mente é parva como em latim
não se expande para mais longe
Nem tão longe como o que eu estou.
E eu vou, pr'a onde agora cheguei
O que deixei, é que desconheço.
I
Tão mais velha que eu é a companhia desta noite.
Foi-se o sonho que por instantes martelei
(nunca antes assim comi, conspurquei o que me rodeava)
Na sua cara nada vi.
(Será que a olhei?
Porque não o fiz?)
Porque não diz
Logo tudo?
Luto,
Contra mim mesmo.
Com o fim vem o começo
De mais um decadência
que,
como sempre,
è nocturna.
30/10/2004- um pouco antes e um pouco depois da espera
sexta-feira, outubro 15, 2004
263 (Micro I prática)
I
A microeconomia promove que o consumidor escolhe o melhor cabaz possível de acordo com o seu rendimento e as suas preferências, dado isto, resolvemos exercicios como o 20 e o 22 do caderno através de tangências, ou seja, de derivadas.
O meu problema está na parte de aplicação no dia-a-dia. De facto cada um de nós quer o melhor que consegue - chamemos-lhe cabaz óptimo ou x*. Ponha-se agora a hipótese de o cabaz fugir de nós por má aplicação das nossas capacidades; este caso, como é que a micro resolve?
Posto isto acho que de nada isto tudo me serve. Sei o que quero e sei o que posso ter - não será quase tudo se não envolver dinheiro ou um esforço herculeano? Tenho raramente porém.
O que estará mal? Será que algum cálculo me saiu torto? Nem indo às teóricas isto percebo.
II
Sou um agente que não procura um máximo de quantidades possível mas o conjunto delas que, sendo mais equilibrado, me dá maior utilidade e, consequentemente, me é mais agradável.
Não sou óbvio. Sujeito a uma determinada restrição resolvo um lagrangeana e tenho o que prefiro. Mas talvez não seja assim tão fácil. Procuro sempre mais do que dois bens e, p'ra piorar, alguns deles são dificilmente quantificáveis .
Não sei é se existem, por haver tanto a comparar, dois cabazes igualmente prazenteiros.
A microeconomia promove que o consumidor escolhe o melhor cabaz possível de acordo com o seu rendimento e as suas preferências, dado isto, resolvemos exercicios como o 20 e o 22 do caderno através de tangências, ou seja, de derivadas.
O meu problema está na parte de aplicação no dia-a-dia. De facto cada um de nós quer o melhor que consegue - chamemos-lhe cabaz óptimo ou x*. Ponha-se agora a hipótese de o cabaz fugir de nós por má aplicação das nossas capacidades; este caso, como é que a micro resolve?
Posto isto acho que de nada isto tudo me serve. Sei o que quero e sei o que posso ter - não será quase tudo se não envolver dinheiro ou um esforço herculeano? Tenho raramente porém.
O que estará mal? Será que algum cálculo me saiu torto? Nem indo às teóricas isto percebo.
II
Sou um agente que não procura um máximo de quantidades possível mas o conjunto delas que, sendo mais equilibrado, me dá maior utilidade e, consequentemente, me é mais agradável.
Não sou óbvio. Sujeito a uma determinada restrição resolvo um lagrangeana e tenho o que prefiro. Mas talvez não seja assim tão fácil. Procuro sempre mais do que dois bens e, p'ra piorar, alguns deles são dificilmente quantificáveis .
Não sei é se existem, por haver tanto a comparar, dois cabazes igualmente prazenteiros.
262 (Tudo vai dar ao mesmo)
Nunca escrevi um texto que tivesse mais do que duas páginas que não fosse para ser avaliado. Não o faço por falta de jeito, até acho que o tenho, porém sou preguiçoso e disperso demais. Gosto tanto de pegar em palavras disjuntas e de as ordenar conforme me apetece...séries psicológicas absolutamente abstractas e que no limite tendem p'ra um local que nunca tocam pois, como sabemos, nunca ninguém sente o mesmo duas vezes e o que se lê provoca algo distinto do que aquilo que provocou a escrita.
Neste preciso instante estou mais hiperactivo que o que p'ra mim é normal. Não sei o que fazer e já tentei fazer de tudo. Não me concentro o suficiente para resolver problemas de estatistica que nunca terão aplicação na minha vida (A maior parte das probabilidades sou eu que crio). Pinto mas só me saiem coisas lugubres, feias e sem sentido.
O que raio faço?
Podia tentar dormir mas é-me impossivel. Ouço o meu coraçao enquanto pressiono o teclado de uma forma intensa e não cronometrada completamente idêntica a minha maneira de pensar. Como me irrita aquele batimento ritmado, nem me importa que seja sinal de vida. Quero dormir e não importa se acordo ou não.
Merda, quero sair de casa AGORA.
Porque é que não tenho a merda da carta de conduçao. Pq é que não posso pegar quem me apetece e partir para onde eu quero ir. Porque é que sou preguiçoso d +, por que não sou como os tais que vivem em funçao da gasolina!
Quero estar com alguém. De preferência rapariga.
Ei Ei tem de ter mais de 16 não quero que confundam as palavras. Estou sozinho e estou cheio de mim. Que alguém me receba pah. Que alguém veja que eu me estou a dar com poucas condições (sim eu sei que elas pesam).
Merda. Já estou confuso. Não escrevo mais. Como os outros não tem duas páginas.
Neste preciso instante estou mais hiperactivo que o que p'ra mim é normal. Não sei o que fazer e já tentei fazer de tudo. Não me concentro o suficiente para resolver problemas de estatistica que nunca terão aplicação na minha vida (A maior parte das probabilidades sou eu que crio). Pinto mas só me saiem coisas lugubres, feias e sem sentido.
O que raio faço?
Podia tentar dormir mas é-me impossivel. Ouço o meu coraçao enquanto pressiono o teclado de uma forma intensa e não cronometrada completamente idêntica a minha maneira de pensar. Como me irrita aquele batimento ritmado, nem me importa que seja sinal de vida. Quero dormir e não importa se acordo ou não.
Merda, quero sair de casa AGORA.
Porque é que não tenho a merda da carta de conduçao. Pq é que não posso pegar quem me apetece e partir para onde eu quero ir. Porque é que sou preguiçoso d +, por que não sou como os tais que vivem em funçao da gasolina!
Quero estar com alguém. De preferência rapariga.
Ei Ei tem de ter mais de 16 não quero que confundam as palavras. Estou sozinho e estou cheio de mim. Que alguém me receba pah. Que alguém veja que eu me estou a dar com poucas condições (sim eu sei que elas pesam).
Merda. Já estou confuso. Não escrevo mais. Como os outros não tem duas páginas.
261 - Ao som de A saucerful of secrets
I (Até a bateria começar o ritmo repetido e intenso)
Está a chover lá fora mas, como é hábito nestes dias, não é a chuva que me incomoda. Anseio que mercúrio me traga alguma mensagem, não do Olimpo, mas d'ali p'ros lados da lapa terra onde habitam, e uso a terminologia do Alvaro, alguns semi-deuses.
Ela de ser superior só deve ter a pronúncia que ainda não senti ter algo de morte. De resto é bastante humana e consciente disso; só por isso espero ansioso que diga algo.
Tento em vão pensar que vai acontecer o pior, mas, mesmo achando que nada vai dizer como resultado de horas de espera, ainda olho de vez em quando para o meu telemóvel velho e partido com um olhar intimidante pois há a hipótese remota de ele não ter vibrado.
Espero, espero, espero, espero, espero, espero e Imagino demais p'ra esta realidade.
II ( O resto)
Ele nunca esteve tão acordado; os seus sentidos são a prova. Era de noite os asperores que se ouviam ao fundo descarregavam parte do que, à pressão, se acumulara numa rede inexplicável de tubos de borracha muito mais espessos que um vaso capilar.
Está no seu quarto; o único espaço que até hoje considera seu. Fechou instintivamente as janelas p'ra que o odor que desconhece não deixe o espaço que marca. No chão acumulam-se pacotes de bolacha uns usados e outros por abrir - são a única refeição possível às horas a que tudo em casa dorme. No centro está uma mesa de jogo que p'ra jogar nunca serviu; sobre ela estendem-se folhas borradas - algumas de uma forma mais ordenada- de cores e outras com linhas tortas com escritos por vezes certos.
Ele não sabia o que fazer. Esteve à espera de uma mensagem que tardou a vir e que, takvez seja da pronúncia, custou a perceber. Por isso respondeu que estava a ouvir música - passatempo óbvio de quem quer que o tempo passe não tão lentamente. Será que ela percebeu? Talvez a sua não resposta seja a evidência envergonhada disso.
Enquanto esperou fez quase tudo o que sabia o que se achava apto a fazer. Pintou, escreveu e até estudou só para esquecer a ânsia que aumentava ao compasso dos minutos que passavam desde que olhou o móvel pela 1ª vez. Aos poucos foi-se aproximando
do ponto de ruptura: 1º as linhas pareciam ordenadas depois, e de uma forma sucessiva, foram perdendo o sentido como castigo de uma uma irracionalidade aparentemente qualquer - mas nunca o é, tem sempre um motivo.
No exterior os aspersores recolheram-se e a rega terminou. Ele parecia mais calmo, mais certo. Sim, já não ouvia o bater ritmado do seu coração que parecia invadir-lhe o interior do crânio de uma forma rude e sem sequer pedir. Não ele já não o ouvia mas, entretanto - e falo de horas-, ouviu. O quanto não terá doído, imaginem o crânio batido até ao seu interior. "Não", gritou ele pegando em cores e numa folha...pensou que a tortura auto-imposta só se tinha ido embora p'ra descansar.
Pintou, pintou, pintou, pintou, pintou e sempre sem sentido até ver que não voltava. Pôs a tocar alguma coisa; lavou os dentes dentes e a cara e as mãos coloridas; disse no messenger palavras amigas e e deitou-se. Exausto quedou-se logo adormecido.
Está a chover lá fora mas, como é hábito nestes dias, não é a chuva que me incomoda. Anseio que mercúrio me traga alguma mensagem, não do Olimpo, mas d'ali p'ros lados da lapa terra onde habitam, e uso a terminologia do Alvaro, alguns semi-deuses.
Ela de ser superior só deve ter a pronúncia que ainda não senti ter algo de morte. De resto é bastante humana e consciente disso; só por isso espero ansioso que diga algo.
Tento em vão pensar que vai acontecer o pior, mas, mesmo achando que nada vai dizer como resultado de horas de espera, ainda olho de vez em quando para o meu telemóvel velho e partido com um olhar intimidante pois há a hipótese remota de ele não ter vibrado.
Espero, espero, espero, espero, espero, espero e Imagino demais p'ra esta realidade.
II ( O resto)
Ele nunca esteve tão acordado; os seus sentidos são a prova. Era de noite os asperores que se ouviam ao fundo descarregavam parte do que, à pressão, se acumulara numa rede inexplicável de tubos de borracha muito mais espessos que um vaso capilar.
Está no seu quarto; o único espaço que até hoje considera seu. Fechou instintivamente as janelas p'ra que o odor que desconhece não deixe o espaço que marca. No chão acumulam-se pacotes de bolacha uns usados e outros por abrir - são a única refeição possível às horas a que tudo em casa dorme. No centro está uma mesa de jogo que p'ra jogar nunca serviu; sobre ela estendem-se folhas borradas - algumas de uma forma mais ordenada- de cores e outras com linhas tortas com escritos por vezes certos.
Ele não sabia o que fazer. Esteve à espera de uma mensagem que tardou a vir e que, takvez seja da pronúncia, custou a perceber. Por isso respondeu que estava a ouvir música - passatempo óbvio de quem quer que o tempo passe não tão lentamente. Será que ela percebeu? Talvez a sua não resposta seja a evidência envergonhada disso.
Enquanto esperou fez quase tudo o que sabia o que se achava apto a fazer. Pintou, escreveu e até estudou só para esquecer a ânsia que aumentava ao compasso dos minutos que passavam desde que olhou o móvel pela 1ª vez. Aos poucos foi-se aproximando
do ponto de ruptura: 1º as linhas pareciam ordenadas depois, e de uma forma sucessiva, foram perdendo o sentido como castigo de uma uma irracionalidade aparentemente qualquer - mas nunca o é, tem sempre um motivo.
No exterior os aspersores recolheram-se e a rega terminou. Ele parecia mais calmo, mais certo. Sim, já não ouvia o bater ritmado do seu coração que parecia invadir-lhe o interior do crânio de uma forma rude e sem sequer pedir. Não ele já não o ouvia mas, entretanto - e falo de horas-, ouviu. O quanto não terá doído, imaginem o crânio batido até ao seu interior. "Não", gritou ele pegando em cores e numa folha...pensou que a tortura auto-imposta só se tinha ido embora p'ra descansar.
Pintou, pintou, pintou, pintou, pintou e sempre sem sentido até ver que não voltava. Pôs a tocar alguma coisa; lavou os dentes dentes e a cara e as mãos coloridas; disse no messenger palavras amigas e e deitou-se. Exausto quedou-se logo adormecido.
sábado, outubro 09, 2004
260 No bar da scolarest
As árvores cresciam no interior de um palácio antigo restaurado p'ra usos modernos; só ficaram os corredores amplos onde a idade não permite corridas. A capela coitada foi profanada por escritos económicos que só interessam a quem já não vive os dias.
Nos ramos cresciam frutos que têm a cor do seu nome. Eram ácidos aposto mas não corriam o betão. Na calçada acumulavam-se beatas do que ardeu para acalmar e que, por sua vez, permitiu o estudo ou a sua possibilidade.
As folhas eram verdes mas acumulavam fumo; estavam escuros. Só duas sabiam a que sabia o sol e, nos dias de chuva, só estas é que se lavavam. Quantos anos teriam?Quantos não as teriam visto? Os espinhos permitiram que poucos se aproximassem.
Testemunham o que faço, o que escrevo e sabem, mais do que eu, de que padeço.
São fragéis, têm pouca espessura. Não são de metal como as mesas que cambaleiam na calçada suja e que suportam o que escrevo - só são frias quando têm de ser-
As árvores cresciam; o edifício só mudava de cor. Elas viam, elas sabiam o que eu ainda não sei.
Nos ramos cresciam frutos que têm a cor do seu nome. Eram ácidos aposto mas não corriam o betão. Na calçada acumulavam-se beatas do que ardeu para acalmar e que, por sua vez, permitiu o estudo ou a sua possibilidade.
As folhas eram verdes mas acumulavam fumo; estavam escuros. Só duas sabiam a que sabia o sol e, nos dias de chuva, só estas é que se lavavam. Quantos anos teriam?Quantos não as teriam visto? Os espinhos permitiram que poucos se aproximassem.
Testemunham o que faço, o que escrevo e sabem, mais do que eu, de que padeço.
São fragéis, têm pouca espessura. Não são de metal como as mesas que cambaleiam na calçada suja e que suportam o que escrevo - só são frias quando têm de ser-
As árvores cresciam; o edifício só mudava de cor. Elas viam, elas sabiam o que eu ainda não sei.
quarta-feira, outubro 06, 2004
259
"somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near"
Há coisas que já não esperamos encontrar como resultado de procuras escusadas que um dia tiveram de acabar. Porém, um dia, tudo aparece condensado num pequeno ser que sem pedir passa diante de nós. Eu procurei tanto p'ra, quando já estava cansado, tu apareceres sorrateiramente e de uma forma brusca a meu lado; assustado - como podia ser possível - nem te pude tocar. O que antes buscava o que me fazia mexer acabou por me fechar.
"your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose"
De vez em quando vinhas ter comigo e puxando devagarinho conseguias por-me ao Sol. Era tua mão que, inconscientemente,me fechava comprimindo-me com um dedo de cada vez contra a sua palma. Perdia um a um os sentidos até deixar de ser eu mas, quando tu querias quando tu pedias, eu voltava, a tua mão largava e eu sorria para ti.
"or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;"
Nunca ficavas por muito tempo e eu acabava por fechar com os lábios o sorriso que me deras. Não encontro melhor metáfora, de facto, quando tu te ias, eu era como a flor que caía com a mudança da estação.
"nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain, has such small hands"
Só tu e só contigo. Claro que sei o motivo para tudo isto acontecer, finjo que não e sigo pelo caminho não alcatroado que encontrei. Hei-de chegar a algum ponto sabendo que sei o que digo não saber e, se der, não caio da mesma maneira. Se cair, já amparo a queda.
Adeus. Дoсвиданя.
(O poema é de E.E. Cummings)
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near"
Há coisas que já não esperamos encontrar como resultado de procuras escusadas que um dia tiveram de acabar. Porém, um dia, tudo aparece condensado num pequeno ser que sem pedir passa diante de nós. Eu procurei tanto p'ra, quando já estava cansado, tu apareceres sorrateiramente e de uma forma brusca a meu lado; assustado - como podia ser possível - nem te pude tocar. O que antes buscava o que me fazia mexer acabou por me fechar.
"your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose"
De vez em quando vinhas ter comigo e puxando devagarinho conseguias por-me ao Sol. Era tua mão que, inconscientemente,me fechava comprimindo-me com um dedo de cada vez contra a sua palma. Perdia um a um os sentidos até deixar de ser eu mas, quando tu querias quando tu pedias, eu voltava, a tua mão largava e eu sorria para ti.
"or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;"
Nunca ficavas por muito tempo e eu acabava por fechar com os lábios o sorriso que me deras. Não encontro melhor metáfora, de facto, quando tu te ias, eu era como a flor que caía com a mudança da estação.
"nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain, has such small hands"
Só tu e só contigo. Claro que sei o motivo para tudo isto acontecer, finjo que não e sigo pelo caminho não alcatroado que encontrei. Hei-de chegar a algum ponto sabendo que sei o que digo não saber e, se der, não caio da mesma maneira. Se cair, já amparo a queda.
Adeus. Дoсвиданя.
(O poema é de E.E. Cummings)
258 (À Jaromila)
As quatro flores tinham o valor que os outros lhes davam. Incansáveis queriam sempre valer mais. Mas afinal quanto valiam?
Estou-me pouco fodendo p'ra teorias existencialistas
E p'ras pessoas que as criaram
Quero lá saber se sou livre, se Deus existe ou se o mataram...
Só quero é viver ou julgar que o faço
Quero ser eu a medir cada passo
Quero viver ou julgar que o faço
Só por mim
Não sou como as quatro flores do jardim
Que ganham cor e perfume só p'ra procriar;
O valor que têm é o valor que dão
Nunca se regaram por sede mas p'ra serem bebidas...
As flores vivem em mentiras
que elas proprias criaram.
Eu?
Eu só quero é viver ou julgar que o faço
Certo que um dia vou deixar de o fazer.
Quando morrer
Vivi
p'ra mim.
Estou-me pouco fodendo p'ra teorias existencialistas
E p'ras pessoas que as criaram
Quero lá saber se sou livre, se Deus existe ou se o mataram...
Só quero é viver ou julgar que o faço
Quero ser eu a medir cada passo
Quero viver ou julgar que o faço
Só por mim
Não sou como as quatro flores do jardim
Que ganham cor e perfume só p'ra procriar;
O valor que têm é o valor que dão
Nunca se regaram por sede mas p'ra serem bebidas...
As flores vivem em mentiras
que elas proprias criaram.
Eu?
Eu só quero é viver ou julgar que o faço
Certo que um dia vou deixar de o fazer.
Quando morrer
Vivi
p'ra mim.
quinta-feira, setembro 30, 2004
No comboio (outra vez)
Antes do I
Veio ter comigo como o velho que pediu a àlvaro,
E, cm eles, simpatizámos só pelo olhar.
Soube logo que se tratava de miriam prostituta heroinómana,
Só pelo seus olhos tristes e corpo pisado pelos dias o vi.
Era Miriam, puta e drogada, chanada da vida
(Detesto usar termos que tornam coitadas as minorias)
Perguntei-lhe, sabendo a resposta, o motivo da sua decadência
“Foi o charro meninos de hj em dia”. Coitada dele, porque mentistE?
A mistura de tabaco só te fez esquecer o q n querias lembrar:
A tua vida triste que só faz sentido pq traz alegria a quem não a tem.
Quiseste esquecer mais e mais rapidamente
Os alveolos eram uma pausa não justificada
E o sangue era a razão de tudo.
Corrompeste-o e com ele foste tu...
Miriam não sejas ingrata, eu também sou triste na vida.
É a que tens, não a podes mudar,
E és fraca ao ponto de acabares em dias.
I
Não apanhei este comboio e não, não me atrasei.
Não vou a lado nenhum e, se chegar, as horas não interessam.
Não o quis fazer; o que são 15 minutos? O que valem para mim?
O tempo que vai passando é o que eu subtraio ao que me resta
Entretanto outro vai chegar e o doente de sida
Que aparece mal ele pára
Vai pedir de novo às caras que tantas vezes o viram.
Merda ,ele se tem o que tem é porque teve algum prazer
O único prazer que tive hoje foi saber que perdi 15 minutos
Não peço ajuda a ninguem, o meu orgulho é tao maior que eu...
Se olhassem, se vissem perceberiam
Nâo tenho sida, só tenho horas por passar
E só as passo sozinho.
Um cigarra acompanha mas acaba por arder
Eu não quero isto,Mas é tudo o que eu tenho.
II
Sou quadrado por dentro e por fora
Tenho faces paralelas e perpendiculares
Mas, entre elas, estão vertices que ng compreende.
Tudo o que quero não está ao meu alcance
Sei o caminho mas é curvo e os meus lados não mo deixam percorrer
Entalo-me e acabo por voltar p’ra trás.
Conhecendo o que só em parte pisei.
Sei o que quero
Mas nao o posso ter
Sei
Mas sou assim
Se não fosse
Não era.
E se fosse,
O que seria?
III
Não preciso de ópio e sou lúcido
Sou fraco mas não fraquejo como um fraco
Podia esquecer o que me faz, subindo ou descendo um degrau
Mas foi este que me deram.
Já sou cobarde ao ponto de escrever;
Pq será que só digo ao papel que, por ser nada, nada me diz?
Pq?
Já nem as histórias da maria fazem sentido
Fosse tudo tão simples como ela mostrava,
Só me recordo mas já nao sinto.
Porque tive de crescer mesmo que tarde?
Porque não sou ignorante como aqueles que abomino por serem felizes?~
Porque?
E digo eu que sou bravo por aceitar...
Não serei antes estúpido?
Não me deêm ópio que eu não quero
Não me deem alcool que vomito
Tenho o que é suposto ter...
Espero,
Espero
Espero.
Um dia virá o fim.
IV
Cercam-me pessoas que desconheço;
Nao sei se são feias mas são brutas
E acharem-se não brutas só as torna mais.
Não as compreendo e por isso compreendo a sua felicidade
Falam de merdas e por isso não sabem que a vida é o que o é.
Ignorantes,
E eu invejo-os.
Têm merdas e eu só folhas
Que a merda me fazem lembrar tenho.
Invejo-os
Chorassem por viver e não por merdas da vida
Doesse-lhes o corpo por respirar e não por não o fazer
Invejo-os,
Não sabem o que têm
Invejo-os,
Desde a partida.
Depois do IV
Raramente falo de linhase, se o faço, refiro-me só as que eu compus.Sou nostálgico ao ponto de uma cançao nao bastar
De querer mais que uma simples lembrança.
Quase todos os dias ando de comboio
Se olhasse pela janela veria tão pouco igual
(no fundo só o que é imóvele ,do imóvel, só me interessam as memórias)
O caminho esse é que é o mesmo
Embora oxide ao longo dos anos que passam.
No fundo é como eu, como nós, vamos sempre no mesmo sentido
A idade só nos traz outra cor
E só uma porrada nos faz mover.
Raramente falo de linhas
Podia ser a de Cascais; é a minha.
(30/09/2004) - Alguém que não eu.
Veio ter comigo como o velho que pediu a àlvaro,
E, cm eles, simpatizámos só pelo olhar.
Soube logo que se tratava de miriam prostituta heroinómana,
Só pelo seus olhos tristes e corpo pisado pelos dias o vi.
Era Miriam, puta e drogada, chanada da vida
(Detesto usar termos que tornam coitadas as minorias)
Perguntei-lhe, sabendo a resposta, o motivo da sua decadência
“Foi o charro meninos de hj em dia”. Coitada dele, porque mentistE?
A mistura de tabaco só te fez esquecer o q n querias lembrar:
A tua vida triste que só faz sentido pq traz alegria a quem não a tem.
Quiseste esquecer mais e mais rapidamente
Os alveolos eram uma pausa não justificada
E o sangue era a razão de tudo.
Corrompeste-o e com ele foste tu...
Miriam não sejas ingrata, eu também sou triste na vida.
É a que tens, não a podes mudar,
E és fraca ao ponto de acabares em dias.
I
Não apanhei este comboio e não, não me atrasei.
Não vou a lado nenhum e, se chegar, as horas não interessam.
Não o quis fazer; o que são 15 minutos? O que valem para mim?
O tempo que vai passando é o que eu subtraio ao que me resta
Entretanto outro vai chegar e o doente de sida
Que aparece mal ele pára
Vai pedir de novo às caras que tantas vezes o viram.
Merda ,ele se tem o que tem é porque teve algum prazer
O único prazer que tive hoje foi saber que perdi 15 minutos
Não peço ajuda a ninguem, o meu orgulho é tao maior que eu...
Se olhassem, se vissem perceberiam
Nâo tenho sida, só tenho horas por passar
E só as passo sozinho.
Um cigarra acompanha mas acaba por arder
Eu não quero isto,Mas é tudo o que eu tenho.
II
Sou quadrado por dentro e por fora
Tenho faces paralelas e perpendiculares
Mas, entre elas, estão vertices que ng compreende.
Tudo o que quero não está ao meu alcance
Sei o caminho mas é curvo e os meus lados não mo deixam percorrer
Entalo-me e acabo por voltar p’ra trás.
Conhecendo o que só em parte pisei.
Sei o que quero
Mas nao o posso ter
Sei
Mas sou assim
Se não fosse
Não era.
E se fosse,
O que seria?
III
Não preciso de ópio e sou lúcido
Sou fraco mas não fraquejo como um fraco
Podia esquecer o que me faz, subindo ou descendo um degrau
Mas foi este que me deram.
Já sou cobarde ao ponto de escrever;
Pq será que só digo ao papel que, por ser nada, nada me diz?
Pq?
Já nem as histórias da maria fazem sentido
Fosse tudo tão simples como ela mostrava,
Só me recordo mas já nao sinto.
Porque tive de crescer mesmo que tarde?
Porque não sou ignorante como aqueles que abomino por serem felizes?~
Porque?
E digo eu que sou bravo por aceitar...
Não serei antes estúpido?
Não me deêm ópio que eu não quero
Não me deem alcool que vomito
Tenho o que é suposto ter...
Espero,
Espero
Espero.
Um dia virá o fim.
IV
Cercam-me pessoas que desconheço;
Nao sei se são feias mas são brutas
E acharem-se não brutas só as torna mais.
Não as compreendo e por isso compreendo a sua felicidade
Falam de merdas e por isso não sabem que a vida é o que o é.
Ignorantes,
E eu invejo-os.
Têm merdas e eu só folhas
Que a merda me fazem lembrar tenho.
Invejo-os
Chorassem por viver e não por merdas da vida
Doesse-lhes o corpo por respirar e não por não o fazer
Invejo-os,
Não sabem o que têm
Invejo-os,
Desde a partida.
Depois do IV
Raramente falo de linhase, se o faço, refiro-me só as que eu compus.Sou nostálgico ao ponto de uma cançao nao bastar
De querer mais que uma simples lembrança.
Quase todos os dias ando de comboio
Se olhasse pela janela veria tão pouco igual
(no fundo só o que é imóvele ,do imóvel, só me interessam as memórias)
O caminho esse é que é o mesmo
Embora oxide ao longo dos anos que passam.
No fundo é como eu, como nós, vamos sempre no mesmo sentido
A idade só nos traz outra cor
E só uma porrada nos faz mover.
Raramente falo de linhas
Podia ser a de Cascais; é a minha.
(30/09/2004) - Alguém que não eu.
segunda-feira, setembro 27, 2004
I
Sidoro está chateado mas não grita, ouve música ao berros. A bateria inspira cada linha que resulta de um batimento mais forte nas teclas do teclado imundo - cegamente conhecido. O olhar não foge do monitor como se algo fosse corrigido.
Sidoro tem olhos mas não os usa quando deve. Teve tudo à sua frente, e quase tudo o que tinha era querido por ele mas ele, por ser cego ou por simplesmente não querer ver, nunca se apercebeu. Porque é que só cresceu num ano?Porque é que procurou ser correcto e não se aproximou por se aproximar? por que não comeu do prato mesmo que só fosse p'ra provar?
Sidoro chora lágrimas rubras, momentos passados acumula e se acumula é porque não quer lembrar. Ele ferve, ele grita a quem não deve e só agora faz o que devia.
Sidoro é um cobarde, Brago é um fraco e agora vai dormir...Que (re)nasça o que foi, que o bem se dilua.
II
Se não escrevo mato alguém. Se não tiro acabo por explodir...vai eclodir um ser negro vermelho por fora. Apetece-me puxar os cabelos até ficar calvo e gritar que nada me merece...apetece no fundo ser grande sem pensar nos meios, estar entre os primeiros sacrificando o que não é nosso. Nunca mais, nunca mais...Altruísmo para que, para quê os outros? Nem em mim depois disto confio...Se há destino, quero outro.
III
A guitarra pisa...pisa quem ouve e quem o merece. A guitarra ferve e mostra.
Sidoro está chateado mas não grita, ouve música ao berros. A bateria inspira cada linha que resulta de um batimento mais forte nas teclas do teclado imundo - cegamente conhecido. O olhar não foge do monitor como se algo fosse corrigido.
Sidoro tem olhos mas não os usa quando deve. Teve tudo à sua frente, e quase tudo o que tinha era querido por ele mas ele, por ser cego ou por simplesmente não querer ver, nunca se apercebeu. Porque é que só cresceu num ano?Porque é que procurou ser correcto e não se aproximou por se aproximar? por que não comeu do prato mesmo que só fosse p'ra provar?
Sidoro chora lágrimas rubras, momentos passados acumula e se acumula é porque não quer lembrar. Ele ferve, ele grita a quem não deve e só agora faz o que devia.
Sidoro é um cobarde, Brago é um fraco e agora vai dormir...Que (re)nasça o que foi, que o bem se dilua.
II
Se não escrevo mato alguém. Se não tiro acabo por explodir...vai eclodir um ser negro vermelho por fora. Apetece-me puxar os cabelos até ficar calvo e gritar que nada me merece...apetece no fundo ser grande sem pensar nos meios, estar entre os primeiros sacrificando o que não é nosso. Nunca mais, nunca mais...Altruísmo para que, para quê os outros? Nem em mim depois disto confio...Se há destino, quero outro.
III
A guitarra pisa...pisa quem ouve e quem o merece. A guitarra ferve e mostra.
quarta-feira, setembro 22, 2004
257 (O economista solitário suspira, grita baixinho para quem o quer ouvir)
Soubesse eu a preferência dos consumidores.
Subscrever:
Mensagens (Atom)