Estou só.
Sou como um livro grande e pesado,
com pó acumulado por dentro e por fora,
Guardado
na estante superior sozinho.
Ninguém me pega
Não sou especifico
e o título é dúbio como o resto-
Só me pega quem me procura
mas quem o faz não chega.
Não me mxo
sou um livro pesado
Tenho pó acumulado desde a última vez que me leram.
Ah! Pegassem
ousassem ver-me
ler-me!
Não tenho índice
e resulto de volumes compactados
sou um,
podia ser vários
Ousassem ler-me
mexer-me
Vissem mais alto!
Teria,
por istantes, luz.
Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
domingo, outubro 31, 2004
264 - De um pouco antes a um pouco depois.
A
Espero pelo comboio que não tarda
como sempre fu eu que me antecipei
Está frio; Dirigi-me para o café mais próximo
E, enquanto escrevo, finjo que vejo a bola
e que, por isso, ouço os comentários
que, por o serem, são ridículos.
No cinzeiro acumulam-se as cinzas que largo com um toque
A chávena de café está vazia e o pires está sujo
No fundo, são como eu:
Largo-me aos poucos em partes diversas
e, sem nada, estou marcado p'lo que tive.
Nunca me dei a ninguém e estou assim
Nunca me mexi e estou cansado.
Tudo me parece cada vez mais incerto
Como o remate que parte do fundo
e que, só depois de entrar na àrea,
se sabe se teve algum efeito.
Porque é que vou a seguir p'ra Lisboa?
Porque é que acho que alguém me espera
baseado somente em olhares e frases que não sei interpretar?
Porquê?
Nunca me apoiei em estruturas sólidas acho eu
E, só por assim ser, o que acho também nunca o foi.
Só conheço o antes só os passos que não dei.
Chegar não é comigo porque nem sequer tento;
Sofro, sei que o faço, mas se o faço é por mim.
B
Cheguei e continuo à espera; mas do quê?
Não cheguei tão cedo - o tempo dispersou-se em conversas
e maior parte de circunstância.
Amigos de minutos que não cheguei sequer a conhecer
Mas que, em minutos, me falaram de vícios
E alguns bem piores do que os meus
Ah! o que faço para o tempo ter algum sentido
Mesmo que seja só por instantes que passam às vezes lentos.
Sorrisos, sonhos, desabafos, justificados por nunca mais os ver.
Para onde vou é que ainda não sei.
Agora que estou é só nisto que penso
E em cada minuto mais eu desço no meu ser que está vazio
O que sou? O que faço? O que quero?
Nunca o soube e este café só vai prolongar
O raciocinio que nunca o chegou a ser.
Os argumentos que apresento até alguém mais novo consegue
se p'ra isso estiver virado
diluir em segundos.
Desinfecta-os e resta um nada
Tão semelhante àquele que os proferiu...
P'ra onde vou é que ainda não sei
Só o vou saber daqui a 20 minutos
Quando quem ainda mal conheço
(nem sequer histórias de comboio ouvi)
Apitar porque chegou à esquina talvez na hora.
E não, não foi ele que se atrasou
Fui eu que me antecipei.
C
Quando? Onde? Porquê?
Não passam os segundos que se prolongam p'la ansiedade
Acumulada pelo desconhecido que se soma um a um.
Afinal tudo assenta no que quero
E no facto de querer algo desconhecido
Anseio acabar a solidão - o que tenho até aqui.
Quero gestos de carinho, sorrisos sinceros
Olhares que, como os gestos, nos dão conforto.
Sou egoísta, sei que o sou, mas tudo o que faço
Por ser eu a fazer, é, mesmo que não seja, por mim.
Não quero descer, não quero usar
Não quero ser ou voltar ao que era.
Quero isto, mas de quem?
Quero alguém ou ninguém
Quero tudo ou só gestos.
Faz frio cá fora, tenho as mãos quentes
mais quentes que a folha;
Até ela está fria coberta de carvão que não arde.
Não sei bem o que quero, já disse.
Mas não quero isto e é tarde.
D
As mãos suam no relento
o corpo pede abrigo que não posso ter.
Sem o branco que cubro nada teria
só um monte de segundos empilhados
gastos a pensar sem sentido.
Não digo qu estas frases o tenham
De certa forma sou modesto não o sendo:
Escrevo à frente de todos indiscreto
como que pinta para se ver.
Faço-o mas só o faço por isso,
Faço-o porque espero não sabendo
não podendo ir mais longe.
"Ousa, Ousa" dizem os outros não percebendo como sou;
Se ousasse mudaria eu seria outro que não eu
e, já o sendo não sou sincero,
escrevo tudo o que não digo.
E
Quem me vê acha-me louco
como o louco que por louco ser
vê elefantes efervescentes.
Escrevo como ele mas como ele não escrevo
Pensam que eu sou louco não o sendo
Mas o que escrevo não é de louco.
O que eu faço é pouco
Afinal quem o conhece?
Mas o louco que mais louco se tece
pelo mundo é conhecido.
F
Cheguei e nada.
H
Parti. Deixo o onde estava que só ao chegar conheci
Vi mas tão pouco ouvi dá-se mas o que me deram
O que será que disseram ( ou disse) sobre mim?
Não sei nada ouvi nada me disse.
Parti sem uma palavra amiga só um beijo de despedida
tão mundano como o da chegada.
A mente é parva como em latim
não se expande para mais longe
Nem tão longe como o que eu estou.
E eu vou, pr'a onde agora cheguei
O que deixei, é que desconheço.
I
Tão mais velha que eu é a companhia desta noite.
Foi-se o sonho que por instantes martelei
(nunca antes assim comi, conspurquei o que me rodeava)
Na sua cara nada vi.
(Será que a olhei?
Porque não o fiz?)
Porque não diz
Logo tudo?
Luto,
Contra mim mesmo.
Com o fim vem o começo
De mais um decadência
que,
como sempre,
è nocturna.
30/10/2004- um pouco antes e um pouco depois da espera
Espero pelo comboio que não tarda
como sempre fu eu que me antecipei
Está frio; Dirigi-me para o café mais próximo
E, enquanto escrevo, finjo que vejo a bola
e que, por isso, ouço os comentários
que, por o serem, são ridículos.
No cinzeiro acumulam-se as cinzas que largo com um toque
A chávena de café está vazia e o pires está sujo
No fundo, são como eu:
Largo-me aos poucos em partes diversas
e, sem nada, estou marcado p'lo que tive.
Nunca me dei a ninguém e estou assim
Nunca me mexi e estou cansado.
Tudo me parece cada vez mais incerto
Como o remate que parte do fundo
e que, só depois de entrar na àrea,
se sabe se teve algum efeito.
Porque é que vou a seguir p'ra Lisboa?
Porque é que acho que alguém me espera
baseado somente em olhares e frases que não sei interpretar?
Porquê?
Nunca me apoiei em estruturas sólidas acho eu
E, só por assim ser, o que acho também nunca o foi.
Só conheço o antes só os passos que não dei.
Chegar não é comigo porque nem sequer tento;
Sofro, sei que o faço, mas se o faço é por mim.
B
Cheguei e continuo à espera; mas do quê?
Não cheguei tão cedo - o tempo dispersou-se em conversas
e maior parte de circunstância.
Amigos de minutos que não cheguei sequer a conhecer
Mas que, em minutos, me falaram de vícios
E alguns bem piores do que os meus
Ah! o que faço para o tempo ter algum sentido
Mesmo que seja só por instantes que passam às vezes lentos.
Sorrisos, sonhos, desabafos, justificados por nunca mais os ver.
Para onde vou é que ainda não sei.
Agora que estou é só nisto que penso
E em cada minuto mais eu desço no meu ser que está vazio
O que sou? O que faço? O que quero?
Nunca o soube e este café só vai prolongar
O raciocinio que nunca o chegou a ser.
Os argumentos que apresento até alguém mais novo consegue
se p'ra isso estiver virado
diluir em segundos.
Desinfecta-os e resta um nada
Tão semelhante àquele que os proferiu...
P'ra onde vou é que ainda não sei
Só o vou saber daqui a 20 minutos
Quando quem ainda mal conheço
(nem sequer histórias de comboio ouvi)
Apitar porque chegou à esquina talvez na hora.
E não, não foi ele que se atrasou
Fui eu que me antecipei.
C
Quando? Onde? Porquê?
Não passam os segundos que se prolongam p'la ansiedade
Acumulada pelo desconhecido que se soma um a um.
Afinal tudo assenta no que quero
E no facto de querer algo desconhecido
Anseio acabar a solidão - o que tenho até aqui.
Quero gestos de carinho, sorrisos sinceros
Olhares que, como os gestos, nos dão conforto.
Sou egoísta, sei que o sou, mas tudo o que faço
Por ser eu a fazer, é, mesmo que não seja, por mim.
Não quero descer, não quero usar
Não quero ser ou voltar ao que era.
Quero isto, mas de quem?
Quero alguém ou ninguém
Quero tudo ou só gestos.
Faz frio cá fora, tenho as mãos quentes
mais quentes que a folha;
Até ela está fria coberta de carvão que não arde.
Não sei bem o que quero, já disse.
Mas não quero isto e é tarde.
D
As mãos suam no relento
o corpo pede abrigo que não posso ter.
Sem o branco que cubro nada teria
só um monte de segundos empilhados
gastos a pensar sem sentido.
Não digo qu estas frases o tenham
De certa forma sou modesto não o sendo:
Escrevo à frente de todos indiscreto
como que pinta para se ver.
Faço-o mas só o faço por isso,
Faço-o porque espero não sabendo
não podendo ir mais longe.
"Ousa, Ousa" dizem os outros não percebendo como sou;
Se ousasse mudaria eu seria outro que não eu
e, já o sendo não sou sincero,
escrevo tudo o que não digo.
E
Quem me vê acha-me louco
como o louco que por louco ser
vê elefantes efervescentes.
Escrevo como ele mas como ele não escrevo
Pensam que eu sou louco não o sendo
Mas o que escrevo não é de louco.
O que eu faço é pouco
Afinal quem o conhece?
Mas o louco que mais louco se tece
pelo mundo é conhecido.
F
Cheguei e nada.
H
Parti. Deixo o onde estava que só ao chegar conheci
Vi mas tão pouco ouvi dá-se mas o que me deram
O que será que disseram ( ou disse) sobre mim?
Não sei nada ouvi nada me disse.
Parti sem uma palavra amiga só um beijo de despedida
tão mundano como o da chegada.
A mente é parva como em latim
não se expande para mais longe
Nem tão longe como o que eu estou.
E eu vou, pr'a onde agora cheguei
O que deixei, é que desconheço.
I
Tão mais velha que eu é a companhia desta noite.
Foi-se o sonho que por instantes martelei
(nunca antes assim comi, conspurquei o que me rodeava)
Na sua cara nada vi.
(Será que a olhei?
Porque não o fiz?)
Porque não diz
Logo tudo?
Luto,
Contra mim mesmo.
Com o fim vem o começo
De mais um decadência
que,
como sempre,
è nocturna.
30/10/2004- um pouco antes e um pouco depois da espera
sexta-feira, outubro 15, 2004
263 (Micro I prática)
I
A microeconomia promove que o consumidor escolhe o melhor cabaz possível de acordo com o seu rendimento e as suas preferências, dado isto, resolvemos exercicios como o 20 e o 22 do caderno através de tangências, ou seja, de derivadas.
O meu problema está na parte de aplicação no dia-a-dia. De facto cada um de nós quer o melhor que consegue - chamemos-lhe cabaz óptimo ou x*. Ponha-se agora a hipótese de o cabaz fugir de nós por má aplicação das nossas capacidades; este caso, como é que a micro resolve?
Posto isto acho que de nada isto tudo me serve. Sei o que quero e sei o que posso ter - não será quase tudo se não envolver dinheiro ou um esforço herculeano? Tenho raramente porém.
O que estará mal? Será que algum cálculo me saiu torto? Nem indo às teóricas isto percebo.
II
Sou um agente que não procura um máximo de quantidades possível mas o conjunto delas que, sendo mais equilibrado, me dá maior utilidade e, consequentemente, me é mais agradável.
Não sou óbvio. Sujeito a uma determinada restrição resolvo um lagrangeana e tenho o que prefiro. Mas talvez não seja assim tão fácil. Procuro sempre mais do que dois bens e, p'ra piorar, alguns deles são dificilmente quantificáveis .
Não sei é se existem, por haver tanto a comparar, dois cabazes igualmente prazenteiros.
A microeconomia promove que o consumidor escolhe o melhor cabaz possível de acordo com o seu rendimento e as suas preferências, dado isto, resolvemos exercicios como o 20 e o 22 do caderno através de tangências, ou seja, de derivadas.
O meu problema está na parte de aplicação no dia-a-dia. De facto cada um de nós quer o melhor que consegue - chamemos-lhe cabaz óptimo ou x*. Ponha-se agora a hipótese de o cabaz fugir de nós por má aplicação das nossas capacidades; este caso, como é que a micro resolve?
Posto isto acho que de nada isto tudo me serve. Sei o que quero e sei o que posso ter - não será quase tudo se não envolver dinheiro ou um esforço herculeano? Tenho raramente porém.
O que estará mal? Será que algum cálculo me saiu torto? Nem indo às teóricas isto percebo.
II
Sou um agente que não procura um máximo de quantidades possível mas o conjunto delas que, sendo mais equilibrado, me dá maior utilidade e, consequentemente, me é mais agradável.
Não sou óbvio. Sujeito a uma determinada restrição resolvo um lagrangeana e tenho o que prefiro. Mas talvez não seja assim tão fácil. Procuro sempre mais do que dois bens e, p'ra piorar, alguns deles são dificilmente quantificáveis .
Não sei é se existem, por haver tanto a comparar, dois cabazes igualmente prazenteiros.
262 (Tudo vai dar ao mesmo)
Nunca escrevi um texto que tivesse mais do que duas páginas que não fosse para ser avaliado. Não o faço por falta de jeito, até acho que o tenho, porém sou preguiçoso e disperso demais. Gosto tanto de pegar em palavras disjuntas e de as ordenar conforme me apetece...séries psicológicas absolutamente abstractas e que no limite tendem p'ra um local que nunca tocam pois, como sabemos, nunca ninguém sente o mesmo duas vezes e o que se lê provoca algo distinto do que aquilo que provocou a escrita.
Neste preciso instante estou mais hiperactivo que o que p'ra mim é normal. Não sei o que fazer e já tentei fazer de tudo. Não me concentro o suficiente para resolver problemas de estatistica que nunca terão aplicação na minha vida (A maior parte das probabilidades sou eu que crio). Pinto mas só me saiem coisas lugubres, feias e sem sentido.
O que raio faço?
Podia tentar dormir mas é-me impossivel. Ouço o meu coraçao enquanto pressiono o teclado de uma forma intensa e não cronometrada completamente idêntica a minha maneira de pensar. Como me irrita aquele batimento ritmado, nem me importa que seja sinal de vida. Quero dormir e não importa se acordo ou não.
Merda, quero sair de casa AGORA.
Porque é que não tenho a merda da carta de conduçao. Pq é que não posso pegar quem me apetece e partir para onde eu quero ir. Porque é que sou preguiçoso d +, por que não sou como os tais que vivem em funçao da gasolina!
Quero estar com alguém. De preferência rapariga.
Ei Ei tem de ter mais de 16 não quero que confundam as palavras. Estou sozinho e estou cheio de mim. Que alguém me receba pah. Que alguém veja que eu me estou a dar com poucas condições (sim eu sei que elas pesam).
Merda. Já estou confuso. Não escrevo mais. Como os outros não tem duas páginas.
Neste preciso instante estou mais hiperactivo que o que p'ra mim é normal. Não sei o que fazer e já tentei fazer de tudo. Não me concentro o suficiente para resolver problemas de estatistica que nunca terão aplicação na minha vida (A maior parte das probabilidades sou eu que crio). Pinto mas só me saiem coisas lugubres, feias e sem sentido.
O que raio faço?
Podia tentar dormir mas é-me impossivel. Ouço o meu coraçao enquanto pressiono o teclado de uma forma intensa e não cronometrada completamente idêntica a minha maneira de pensar. Como me irrita aquele batimento ritmado, nem me importa que seja sinal de vida. Quero dormir e não importa se acordo ou não.
Merda, quero sair de casa AGORA.
Porque é que não tenho a merda da carta de conduçao. Pq é que não posso pegar quem me apetece e partir para onde eu quero ir. Porque é que sou preguiçoso d +, por que não sou como os tais que vivem em funçao da gasolina!
Quero estar com alguém. De preferência rapariga.
Ei Ei tem de ter mais de 16 não quero que confundam as palavras. Estou sozinho e estou cheio de mim. Que alguém me receba pah. Que alguém veja que eu me estou a dar com poucas condições (sim eu sei que elas pesam).
Merda. Já estou confuso. Não escrevo mais. Como os outros não tem duas páginas.
261 - Ao som de A saucerful of secrets
I (Até a bateria começar o ritmo repetido e intenso)
Está a chover lá fora mas, como é hábito nestes dias, não é a chuva que me incomoda. Anseio que mercúrio me traga alguma mensagem, não do Olimpo, mas d'ali p'ros lados da lapa terra onde habitam, e uso a terminologia do Alvaro, alguns semi-deuses.
Ela de ser superior só deve ter a pronúncia que ainda não senti ter algo de morte. De resto é bastante humana e consciente disso; só por isso espero ansioso que diga algo.
Tento em vão pensar que vai acontecer o pior, mas, mesmo achando que nada vai dizer como resultado de horas de espera, ainda olho de vez em quando para o meu telemóvel velho e partido com um olhar intimidante pois há a hipótese remota de ele não ter vibrado.
Espero, espero, espero, espero, espero, espero e Imagino demais p'ra esta realidade.
II ( O resto)
Ele nunca esteve tão acordado; os seus sentidos são a prova. Era de noite os asperores que se ouviam ao fundo descarregavam parte do que, à pressão, se acumulara numa rede inexplicável de tubos de borracha muito mais espessos que um vaso capilar.
Está no seu quarto; o único espaço que até hoje considera seu. Fechou instintivamente as janelas p'ra que o odor que desconhece não deixe o espaço que marca. No chão acumulam-se pacotes de bolacha uns usados e outros por abrir - são a única refeição possível às horas a que tudo em casa dorme. No centro está uma mesa de jogo que p'ra jogar nunca serviu; sobre ela estendem-se folhas borradas - algumas de uma forma mais ordenada- de cores e outras com linhas tortas com escritos por vezes certos.
Ele não sabia o que fazer. Esteve à espera de uma mensagem que tardou a vir e que, takvez seja da pronúncia, custou a perceber. Por isso respondeu que estava a ouvir música - passatempo óbvio de quem quer que o tempo passe não tão lentamente. Será que ela percebeu? Talvez a sua não resposta seja a evidência envergonhada disso.
Enquanto esperou fez quase tudo o que sabia o que se achava apto a fazer. Pintou, escreveu e até estudou só para esquecer a ânsia que aumentava ao compasso dos minutos que passavam desde que olhou o móvel pela 1ª vez. Aos poucos foi-se aproximando
do ponto de ruptura: 1º as linhas pareciam ordenadas depois, e de uma forma sucessiva, foram perdendo o sentido como castigo de uma uma irracionalidade aparentemente qualquer - mas nunca o é, tem sempre um motivo.
No exterior os aspersores recolheram-se e a rega terminou. Ele parecia mais calmo, mais certo. Sim, já não ouvia o bater ritmado do seu coração que parecia invadir-lhe o interior do crânio de uma forma rude e sem sequer pedir. Não ele já não o ouvia mas, entretanto - e falo de horas-, ouviu. O quanto não terá doído, imaginem o crânio batido até ao seu interior. "Não", gritou ele pegando em cores e numa folha...pensou que a tortura auto-imposta só se tinha ido embora p'ra descansar.
Pintou, pintou, pintou, pintou, pintou e sempre sem sentido até ver que não voltava. Pôs a tocar alguma coisa; lavou os dentes dentes e a cara e as mãos coloridas; disse no messenger palavras amigas e e deitou-se. Exausto quedou-se logo adormecido.
Está a chover lá fora mas, como é hábito nestes dias, não é a chuva que me incomoda. Anseio que mercúrio me traga alguma mensagem, não do Olimpo, mas d'ali p'ros lados da lapa terra onde habitam, e uso a terminologia do Alvaro, alguns semi-deuses.
Ela de ser superior só deve ter a pronúncia que ainda não senti ter algo de morte. De resto é bastante humana e consciente disso; só por isso espero ansioso que diga algo.
Tento em vão pensar que vai acontecer o pior, mas, mesmo achando que nada vai dizer como resultado de horas de espera, ainda olho de vez em quando para o meu telemóvel velho e partido com um olhar intimidante pois há a hipótese remota de ele não ter vibrado.
Espero, espero, espero, espero, espero, espero e Imagino demais p'ra esta realidade.
II ( O resto)
Ele nunca esteve tão acordado; os seus sentidos são a prova. Era de noite os asperores que se ouviam ao fundo descarregavam parte do que, à pressão, se acumulara numa rede inexplicável de tubos de borracha muito mais espessos que um vaso capilar.
Está no seu quarto; o único espaço que até hoje considera seu. Fechou instintivamente as janelas p'ra que o odor que desconhece não deixe o espaço que marca. No chão acumulam-se pacotes de bolacha uns usados e outros por abrir - são a única refeição possível às horas a que tudo em casa dorme. No centro está uma mesa de jogo que p'ra jogar nunca serviu; sobre ela estendem-se folhas borradas - algumas de uma forma mais ordenada- de cores e outras com linhas tortas com escritos por vezes certos.
Ele não sabia o que fazer. Esteve à espera de uma mensagem que tardou a vir e que, takvez seja da pronúncia, custou a perceber. Por isso respondeu que estava a ouvir música - passatempo óbvio de quem quer que o tempo passe não tão lentamente. Será que ela percebeu? Talvez a sua não resposta seja a evidência envergonhada disso.
Enquanto esperou fez quase tudo o que sabia o que se achava apto a fazer. Pintou, escreveu e até estudou só para esquecer a ânsia que aumentava ao compasso dos minutos que passavam desde que olhou o móvel pela 1ª vez. Aos poucos foi-se aproximando
do ponto de ruptura: 1º as linhas pareciam ordenadas depois, e de uma forma sucessiva, foram perdendo o sentido como castigo de uma uma irracionalidade aparentemente qualquer - mas nunca o é, tem sempre um motivo.
No exterior os aspersores recolheram-se e a rega terminou. Ele parecia mais calmo, mais certo. Sim, já não ouvia o bater ritmado do seu coração que parecia invadir-lhe o interior do crânio de uma forma rude e sem sequer pedir. Não ele já não o ouvia mas, entretanto - e falo de horas-, ouviu. O quanto não terá doído, imaginem o crânio batido até ao seu interior. "Não", gritou ele pegando em cores e numa folha...pensou que a tortura auto-imposta só se tinha ido embora p'ra descansar.
Pintou, pintou, pintou, pintou, pintou e sempre sem sentido até ver que não voltava. Pôs a tocar alguma coisa; lavou os dentes dentes e a cara e as mãos coloridas; disse no messenger palavras amigas e e deitou-se. Exausto quedou-se logo adormecido.
sábado, outubro 09, 2004
260 No bar da scolarest
As árvores cresciam no interior de um palácio antigo restaurado p'ra usos modernos; só ficaram os corredores amplos onde a idade não permite corridas. A capela coitada foi profanada por escritos económicos que só interessam a quem já não vive os dias.
Nos ramos cresciam frutos que têm a cor do seu nome. Eram ácidos aposto mas não corriam o betão. Na calçada acumulavam-se beatas do que ardeu para acalmar e que, por sua vez, permitiu o estudo ou a sua possibilidade.
As folhas eram verdes mas acumulavam fumo; estavam escuros. Só duas sabiam a que sabia o sol e, nos dias de chuva, só estas é que se lavavam. Quantos anos teriam?Quantos não as teriam visto? Os espinhos permitiram que poucos se aproximassem.
Testemunham o que faço, o que escrevo e sabem, mais do que eu, de que padeço.
São fragéis, têm pouca espessura. Não são de metal como as mesas que cambaleiam na calçada suja e que suportam o que escrevo - só são frias quando têm de ser-
As árvores cresciam; o edifício só mudava de cor. Elas viam, elas sabiam o que eu ainda não sei.
Nos ramos cresciam frutos que têm a cor do seu nome. Eram ácidos aposto mas não corriam o betão. Na calçada acumulavam-se beatas do que ardeu para acalmar e que, por sua vez, permitiu o estudo ou a sua possibilidade.
As folhas eram verdes mas acumulavam fumo; estavam escuros. Só duas sabiam a que sabia o sol e, nos dias de chuva, só estas é que se lavavam. Quantos anos teriam?Quantos não as teriam visto? Os espinhos permitiram que poucos se aproximassem.
Testemunham o que faço, o que escrevo e sabem, mais do que eu, de que padeço.
São fragéis, têm pouca espessura. Não são de metal como as mesas que cambaleiam na calçada suja e que suportam o que escrevo - só são frias quando têm de ser-
As árvores cresciam; o edifício só mudava de cor. Elas viam, elas sabiam o que eu ainda não sei.
quarta-feira, outubro 06, 2004
259
"somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near"
Há coisas que já não esperamos encontrar como resultado de procuras escusadas que um dia tiveram de acabar. Porém, um dia, tudo aparece condensado num pequeno ser que sem pedir passa diante de nós. Eu procurei tanto p'ra, quando já estava cansado, tu apareceres sorrateiramente e de uma forma brusca a meu lado; assustado - como podia ser possível - nem te pude tocar. O que antes buscava o que me fazia mexer acabou por me fechar.
"your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose"
De vez em quando vinhas ter comigo e puxando devagarinho conseguias por-me ao Sol. Era tua mão que, inconscientemente,me fechava comprimindo-me com um dedo de cada vez contra a sua palma. Perdia um a um os sentidos até deixar de ser eu mas, quando tu querias quando tu pedias, eu voltava, a tua mão largava e eu sorria para ti.
"or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;"
Nunca ficavas por muito tempo e eu acabava por fechar com os lábios o sorriso que me deras. Não encontro melhor metáfora, de facto, quando tu te ias, eu era como a flor que caía com a mudança da estação.
"nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain, has such small hands"
Só tu e só contigo. Claro que sei o motivo para tudo isto acontecer, finjo que não e sigo pelo caminho não alcatroado que encontrei. Hei-de chegar a algum ponto sabendo que sei o que digo não saber e, se der, não caio da mesma maneira. Se cair, já amparo a queda.
Adeus. Дoсвиданя.
(O poema é de E.E. Cummings)
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near"
Há coisas que já não esperamos encontrar como resultado de procuras escusadas que um dia tiveram de acabar. Porém, um dia, tudo aparece condensado num pequeno ser que sem pedir passa diante de nós. Eu procurei tanto p'ra, quando já estava cansado, tu apareceres sorrateiramente e de uma forma brusca a meu lado; assustado - como podia ser possível - nem te pude tocar. O que antes buscava o que me fazia mexer acabou por me fechar.
"your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose"
De vez em quando vinhas ter comigo e puxando devagarinho conseguias por-me ao Sol. Era tua mão que, inconscientemente,me fechava comprimindo-me com um dedo de cada vez contra a sua palma. Perdia um a um os sentidos até deixar de ser eu mas, quando tu querias quando tu pedias, eu voltava, a tua mão largava e eu sorria para ti.
"or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;"
Nunca ficavas por muito tempo e eu acabava por fechar com os lábios o sorriso que me deras. Não encontro melhor metáfora, de facto, quando tu te ias, eu era como a flor que caía com a mudança da estação.
"nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing
(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain, has such small hands"
Só tu e só contigo. Claro que sei o motivo para tudo isto acontecer, finjo que não e sigo pelo caminho não alcatroado que encontrei. Hei-de chegar a algum ponto sabendo que sei o que digo não saber e, se der, não caio da mesma maneira. Se cair, já amparo a queda.
Adeus. Дoсвиданя.
(O poema é de E.E. Cummings)
258 (À Jaromila)
As quatro flores tinham o valor que os outros lhes davam. Incansáveis queriam sempre valer mais. Mas afinal quanto valiam?
Estou-me pouco fodendo p'ra teorias existencialistas
E p'ras pessoas que as criaram
Quero lá saber se sou livre, se Deus existe ou se o mataram...
Só quero é viver ou julgar que o faço
Quero ser eu a medir cada passo
Quero viver ou julgar que o faço
Só por mim
Não sou como as quatro flores do jardim
Que ganham cor e perfume só p'ra procriar;
O valor que têm é o valor que dão
Nunca se regaram por sede mas p'ra serem bebidas...
As flores vivem em mentiras
que elas proprias criaram.
Eu?
Eu só quero é viver ou julgar que o faço
Certo que um dia vou deixar de o fazer.
Quando morrer
Vivi
p'ra mim.
Estou-me pouco fodendo p'ra teorias existencialistas
E p'ras pessoas que as criaram
Quero lá saber se sou livre, se Deus existe ou se o mataram...
Só quero é viver ou julgar que o faço
Quero ser eu a medir cada passo
Quero viver ou julgar que o faço
Só por mim
Não sou como as quatro flores do jardim
Que ganham cor e perfume só p'ra procriar;
O valor que têm é o valor que dão
Nunca se regaram por sede mas p'ra serem bebidas...
As flores vivem em mentiras
que elas proprias criaram.
Eu?
Eu só quero é viver ou julgar que o faço
Certo que um dia vou deixar de o fazer.
Quando morrer
Vivi
p'ra mim.
quinta-feira, setembro 30, 2004
No comboio (outra vez)
Antes do I
Veio ter comigo como o velho que pediu a àlvaro,
E, cm eles, simpatizámos só pelo olhar.
Soube logo que se tratava de miriam prostituta heroinómana,
Só pelo seus olhos tristes e corpo pisado pelos dias o vi.
Era Miriam, puta e drogada, chanada da vida
(Detesto usar termos que tornam coitadas as minorias)
Perguntei-lhe, sabendo a resposta, o motivo da sua decadência
“Foi o charro meninos de hj em dia”. Coitada dele, porque mentistE?
A mistura de tabaco só te fez esquecer o q n querias lembrar:
A tua vida triste que só faz sentido pq traz alegria a quem não a tem.
Quiseste esquecer mais e mais rapidamente
Os alveolos eram uma pausa não justificada
E o sangue era a razão de tudo.
Corrompeste-o e com ele foste tu...
Miriam não sejas ingrata, eu também sou triste na vida.
É a que tens, não a podes mudar,
E és fraca ao ponto de acabares em dias.
I
Não apanhei este comboio e não, não me atrasei.
Não vou a lado nenhum e, se chegar, as horas não interessam.
Não o quis fazer; o que são 15 minutos? O que valem para mim?
O tempo que vai passando é o que eu subtraio ao que me resta
Entretanto outro vai chegar e o doente de sida
Que aparece mal ele pára
Vai pedir de novo às caras que tantas vezes o viram.
Merda ,ele se tem o que tem é porque teve algum prazer
O único prazer que tive hoje foi saber que perdi 15 minutos
Não peço ajuda a ninguem, o meu orgulho é tao maior que eu...
Se olhassem, se vissem perceberiam
Nâo tenho sida, só tenho horas por passar
E só as passo sozinho.
Um cigarra acompanha mas acaba por arder
Eu não quero isto,Mas é tudo o que eu tenho.
II
Sou quadrado por dentro e por fora
Tenho faces paralelas e perpendiculares
Mas, entre elas, estão vertices que ng compreende.
Tudo o que quero não está ao meu alcance
Sei o caminho mas é curvo e os meus lados não mo deixam percorrer
Entalo-me e acabo por voltar p’ra trás.
Conhecendo o que só em parte pisei.
Sei o que quero
Mas nao o posso ter
Sei
Mas sou assim
Se não fosse
Não era.
E se fosse,
O que seria?
III
Não preciso de ópio e sou lúcido
Sou fraco mas não fraquejo como um fraco
Podia esquecer o que me faz, subindo ou descendo um degrau
Mas foi este que me deram.
Já sou cobarde ao ponto de escrever;
Pq será que só digo ao papel que, por ser nada, nada me diz?
Pq?
Já nem as histórias da maria fazem sentido
Fosse tudo tão simples como ela mostrava,
Só me recordo mas já nao sinto.
Porque tive de crescer mesmo que tarde?
Porque não sou ignorante como aqueles que abomino por serem felizes?~
Porque?
E digo eu que sou bravo por aceitar...
Não serei antes estúpido?
Não me deêm ópio que eu não quero
Não me deem alcool que vomito
Tenho o que é suposto ter...
Espero,
Espero
Espero.
Um dia virá o fim.
IV
Cercam-me pessoas que desconheço;
Nao sei se são feias mas são brutas
E acharem-se não brutas só as torna mais.
Não as compreendo e por isso compreendo a sua felicidade
Falam de merdas e por isso não sabem que a vida é o que o é.
Ignorantes,
E eu invejo-os.
Têm merdas e eu só folhas
Que a merda me fazem lembrar tenho.
Invejo-os
Chorassem por viver e não por merdas da vida
Doesse-lhes o corpo por respirar e não por não o fazer
Invejo-os,
Não sabem o que têm
Invejo-os,
Desde a partida.
Depois do IV
Raramente falo de linhase, se o faço, refiro-me só as que eu compus.Sou nostálgico ao ponto de uma cançao nao bastar
De querer mais que uma simples lembrança.
Quase todos os dias ando de comboio
Se olhasse pela janela veria tão pouco igual
(no fundo só o que é imóvele ,do imóvel, só me interessam as memórias)
O caminho esse é que é o mesmo
Embora oxide ao longo dos anos que passam.
No fundo é como eu, como nós, vamos sempre no mesmo sentido
A idade só nos traz outra cor
E só uma porrada nos faz mover.
Raramente falo de linhas
Podia ser a de Cascais; é a minha.
(30/09/2004) - Alguém que não eu.
Veio ter comigo como o velho que pediu a àlvaro,
E, cm eles, simpatizámos só pelo olhar.
Soube logo que se tratava de miriam prostituta heroinómana,
Só pelo seus olhos tristes e corpo pisado pelos dias o vi.
Era Miriam, puta e drogada, chanada da vida
(Detesto usar termos que tornam coitadas as minorias)
Perguntei-lhe, sabendo a resposta, o motivo da sua decadência
“Foi o charro meninos de hj em dia”. Coitada dele, porque mentistE?
A mistura de tabaco só te fez esquecer o q n querias lembrar:
A tua vida triste que só faz sentido pq traz alegria a quem não a tem.
Quiseste esquecer mais e mais rapidamente
Os alveolos eram uma pausa não justificada
E o sangue era a razão de tudo.
Corrompeste-o e com ele foste tu...
Miriam não sejas ingrata, eu também sou triste na vida.
É a que tens, não a podes mudar,
E és fraca ao ponto de acabares em dias.
I
Não apanhei este comboio e não, não me atrasei.
Não vou a lado nenhum e, se chegar, as horas não interessam.
Não o quis fazer; o que são 15 minutos? O que valem para mim?
O tempo que vai passando é o que eu subtraio ao que me resta
Entretanto outro vai chegar e o doente de sida
Que aparece mal ele pára
Vai pedir de novo às caras que tantas vezes o viram.
Merda ,ele se tem o que tem é porque teve algum prazer
O único prazer que tive hoje foi saber que perdi 15 minutos
Não peço ajuda a ninguem, o meu orgulho é tao maior que eu...
Se olhassem, se vissem perceberiam
Nâo tenho sida, só tenho horas por passar
E só as passo sozinho.
Um cigarra acompanha mas acaba por arder
Eu não quero isto,Mas é tudo o que eu tenho.
II
Sou quadrado por dentro e por fora
Tenho faces paralelas e perpendiculares
Mas, entre elas, estão vertices que ng compreende.
Tudo o que quero não está ao meu alcance
Sei o caminho mas é curvo e os meus lados não mo deixam percorrer
Entalo-me e acabo por voltar p’ra trás.
Conhecendo o que só em parte pisei.
Sei o que quero
Mas nao o posso ter
Sei
Mas sou assim
Se não fosse
Não era.
E se fosse,
O que seria?
III
Não preciso de ópio e sou lúcido
Sou fraco mas não fraquejo como um fraco
Podia esquecer o que me faz, subindo ou descendo um degrau
Mas foi este que me deram.
Já sou cobarde ao ponto de escrever;
Pq será que só digo ao papel que, por ser nada, nada me diz?
Pq?
Já nem as histórias da maria fazem sentido
Fosse tudo tão simples como ela mostrava,
Só me recordo mas já nao sinto.
Porque tive de crescer mesmo que tarde?
Porque não sou ignorante como aqueles que abomino por serem felizes?~
Porque?
E digo eu que sou bravo por aceitar...
Não serei antes estúpido?
Não me deêm ópio que eu não quero
Não me deem alcool que vomito
Tenho o que é suposto ter...
Espero,
Espero
Espero.
Um dia virá o fim.
IV
Cercam-me pessoas que desconheço;
Nao sei se são feias mas são brutas
E acharem-se não brutas só as torna mais.
Não as compreendo e por isso compreendo a sua felicidade
Falam de merdas e por isso não sabem que a vida é o que o é.
Ignorantes,
E eu invejo-os.
Têm merdas e eu só folhas
Que a merda me fazem lembrar tenho.
Invejo-os
Chorassem por viver e não por merdas da vida
Doesse-lhes o corpo por respirar e não por não o fazer
Invejo-os,
Não sabem o que têm
Invejo-os,
Desde a partida.
Depois do IV
Raramente falo de linhase, se o faço, refiro-me só as que eu compus.Sou nostálgico ao ponto de uma cançao nao bastar
De querer mais que uma simples lembrança.
Quase todos os dias ando de comboio
Se olhasse pela janela veria tão pouco igual
(no fundo só o que é imóvele ,do imóvel, só me interessam as memórias)
O caminho esse é que é o mesmo
Embora oxide ao longo dos anos que passam.
No fundo é como eu, como nós, vamos sempre no mesmo sentido
A idade só nos traz outra cor
E só uma porrada nos faz mover.
Raramente falo de linhas
Podia ser a de Cascais; é a minha.
(30/09/2004) - Alguém que não eu.
segunda-feira, setembro 27, 2004
I
Sidoro está chateado mas não grita, ouve música ao berros. A bateria inspira cada linha que resulta de um batimento mais forte nas teclas do teclado imundo - cegamente conhecido. O olhar não foge do monitor como se algo fosse corrigido.
Sidoro tem olhos mas não os usa quando deve. Teve tudo à sua frente, e quase tudo o que tinha era querido por ele mas ele, por ser cego ou por simplesmente não querer ver, nunca se apercebeu. Porque é que só cresceu num ano?Porque é que procurou ser correcto e não se aproximou por se aproximar? por que não comeu do prato mesmo que só fosse p'ra provar?
Sidoro chora lágrimas rubras, momentos passados acumula e se acumula é porque não quer lembrar. Ele ferve, ele grita a quem não deve e só agora faz o que devia.
Sidoro é um cobarde, Brago é um fraco e agora vai dormir...Que (re)nasça o que foi, que o bem se dilua.
II
Se não escrevo mato alguém. Se não tiro acabo por explodir...vai eclodir um ser negro vermelho por fora. Apetece-me puxar os cabelos até ficar calvo e gritar que nada me merece...apetece no fundo ser grande sem pensar nos meios, estar entre os primeiros sacrificando o que não é nosso. Nunca mais, nunca mais...Altruísmo para que, para quê os outros? Nem em mim depois disto confio...Se há destino, quero outro.
III
A guitarra pisa...pisa quem ouve e quem o merece. A guitarra ferve e mostra.
Sidoro está chateado mas não grita, ouve música ao berros. A bateria inspira cada linha que resulta de um batimento mais forte nas teclas do teclado imundo - cegamente conhecido. O olhar não foge do monitor como se algo fosse corrigido.
Sidoro tem olhos mas não os usa quando deve. Teve tudo à sua frente, e quase tudo o que tinha era querido por ele mas ele, por ser cego ou por simplesmente não querer ver, nunca se apercebeu. Porque é que só cresceu num ano?Porque é que procurou ser correcto e não se aproximou por se aproximar? por que não comeu do prato mesmo que só fosse p'ra provar?
Sidoro chora lágrimas rubras, momentos passados acumula e se acumula é porque não quer lembrar. Ele ferve, ele grita a quem não deve e só agora faz o que devia.
Sidoro é um cobarde, Brago é um fraco e agora vai dormir...Que (re)nasça o que foi, que o bem se dilua.
II
Se não escrevo mato alguém. Se não tiro acabo por explodir...vai eclodir um ser negro vermelho por fora. Apetece-me puxar os cabelos até ficar calvo e gritar que nada me merece...apetece no fundo ser grande sem pensar nos meios, estar entre os primeiros sacrificando o que não é nosso. Nunca mais, nunca mais...Altruísmo para que, para quê os outros? Nem em mim depois disto confio...Se há destino, quero outro.
III
A guitarra pisa...pisa quem ouve e quem o merece. A guitarra ferve e mostra.
quarta-feira, setembro 22, 2004
257 (O economista solitário suspira, grita baixinho para quem o quer ouvir)
Soubesse eu a preferência dos consumidores.
255
Sinceramente, já nem me incomodo pois sei que não agi mal ou tão mal como antes. Cometo erros, sei que os cometo, mas eu próprio me julgo. Era mais fácil se houvesse alguém que mos apontasse constantemente mas, nos casos que mais me interessam, a única pessoa que o puderia fazer exige que seja eu quem o faça. Com ela errei, errei constantemente e de uma forma parva (quase tão pequena como eu sou alto) e até sei que, à maneira dela - insuficiente para mim - mo tentou mostrar. Não peço que ela mude, que aja de outra maneira; é assim que ela é e é dela que eu julgo gostar; fosse um bocado mais compreensiva, só isso.
Escrevo e pinto à minha maneira porque o que digo não me é suficiente. Ah! se ouvisse as palavras que não dei a ninguém ela veria, veria que nada é um capricho como ela diz, cm ela me mostra. Nunca consigo; a sua presença, que nunca me incomoda, desperta a descrença em mim mesmo que agora sei ser o único grande mal de que padeço ou pelo menos aquele que me afasta de quem só me quero aproximar.
Tenho medo de a beijar, tenho medo de dizer o que penso, tenho medo de fazer o que quero e não medo dela como ela percebeu.
Nunca houve um capricho, houve o que (eu) dizia mas nunca por mim.
Escrevo e pinto à minha maneira porque o que digo não me é suficiente. Ah! se ouvisse as palavras que não dei a ninguém ela veria, veria que nada é um capricho como ela diz, cm ela me mostra. Nunca consigo; a sua presença, que nunca me incomoda, desperta a descrença em mim mesmo que agora sei ser o único grande mal de que padeço ou pelo menos aquele que me afasta de quem só me quero aproximar.
Tenho medo de a beijar, tenho medo de dizer o que penso, tenho medo de fazer o que quero e não medo dela como ela percebeu.
Nunca houve um capricho, houve o que (eu) dizia mas nunca por mim.
domingo, setembro 19, 2004
254
De que me serve escrever o que não consideram meu?
Fiz-lhe um soneto e, como o outro, dei-lho. Fi-lo, sei que o fiz e não me arrependo de o ter feito; escrevesse, dessa vez, um bocado pior.
Fiz-lhe um soneto e, como o outro, dei-lho. Fi-lo, sei que o fiz e não me arrependo de o ter feito; escrevesse, dessa vez, um bocado pior.
quinta-feira, setembro 16, 2004
253
Entre os seus lábios rubros e os seus corpos quentes estava uma persona que nunca interessou a ninguém. Ao contrário do resto, a sua cor era quase humana.
252
Há pescoços que apetecem ser percorridos pelos lábios que respiram o que o corpo ofega. Ah! Pousá-los delicadamente na pele que, juntamente com o resto, o forma;beijar cada sinal que existe levantado apenas parte do rubro que não quer perder o que agora gosta de sentir e treme com cada arrepio.
Apetecia-me percorrer aquele pescoço, senti-lo perto dos meus lábios, arrepiado, dado por quem o possuiu. Seria o começo do rito mais antigo.
Apetecia-me percorrer aquele pescoço, senti-lo perto dos meus lábios, arrepiado, dado por quem o possuiu. Seria o começo do rito mais antigo.
terça-feira, setembro 14, 2004
251
Estupidamente sempre que no metro toca algo eu encontro uma relação com o que sinto na altura. Hoje tocava "and i need love..."; é engraçado, ainda agora estive sentado, desesperando e ansiando, não pelo cigarro que enrolara há instantes nem pelo copo de sumo que amargamente me mata a sede - só queria que, por ela, o telefone vibrasse, que eu soubesse que aquilo de que preciso precisa de mim.
O resto que, naquele instante, estava à minha volta consistia num aglomerado de sentimentos definidos, separados por tinta de caneta preta. Cada um deles me fazia viver o momento de uma forma diferente.
Esperei,
Esperei,
Esperei,
e não vibrou.
O resto que, naquele instante, estava à minha volta consistia num aglomerado de sentimentos definidos, separados por tinta de caneta preta. Cada um deles me fazia viver o momento de uma forma diferente.
Esperei,
Esperei,
Esperei,
e não vibrou.
250
Estou mal disposto como nos dias em que vou p'ra lx para ter aulas; é p'ra lá que eu vou, mas vou receber € em vez de sermões sobre o que a moeda representa.
Ao sair de casa deu-me o 1º enjoo. Achei-o devido ao leite da maria, que tanto custa a digerir, e não à minha incapacidade de controlar ânsias. Fui até ao comboio parando uma vez para aliviar o estômago.
Parti à hora que me comprometera e cheiro nauseabundo estava nos meus dedos. O comboio marcava à medida que avançava mais um aperto no estômago. Escrevo p'ra me distrair...até oeiras funcionou; vou começar a desenhar.
Ao sair de casa deu-me o 1º enjoo. Achei-o devido ao leite da maria, que tanto custa a digerir, e não à minha incapacidade de controlar ânsias. Fui até ao comboio parando uma vez para aliviar o estômago.
Parti à hora que me comprometera e cheiro nauseabundo estava nos meus dedos. O comboio marcava à medida que avançava mais um aperto no estômago. Escrevo p'ra me distrair...até oeiras funcionou; vou começar a desenhar.
249
Hoje o Orfeu mulher revelou-me, numa das frases que de uma forma melodiosa compõe, que qualquer dia a vida "vai exigir mais que um papel". Eu sei-o; mas qualquer dia exijo alguém que os tenha lido e compreendido a minha forma de ser.
Sidoro não é má pessoa, Sidoro não é desonesto, Sidoro até é bem simples. Egocentrismos à parte - tentem compreende-lo como uma criança que mal sabe pisar o solo que por vezes se levanta para depois cair.
Sidoro não é má pessoa, Sidoro não é desonesto, Sidoro até é bem simples. Egocentrismos à parte - tentem compreende-lo como uma criança que mal sabe pisar o solo que por vezes se levanta para depois cair.
segunda-feira, setembro 13, 2004
247
Nem querendo ouvia o segredo púrpura. O seu nariz de pinóquio criava uma distância impossível. Se ela não visse, se ela só ouvisse, era tudo mais fácil e óbvio; como o céu azul sobre a terra com um verde estranho.
246
I had never seen her so happy 'til that day...E assim começa um texto que talvez nada tenha a ver com isso.
Uma amiga (acho que já lhe posso chamar isso) escreveu que a lisonja (se é a nós que se dirige) alimenta o nosso amor próprio. É verdade como todos, de certo, consideram. P'ra mim, a melhor forma do manter vivo é sentir que alguém gosta de nós. O problema é quando quem gosta sente que o que sente não passa de um substrato ao ego.
I had never seen her so happy 'til that day. Quando se soube, um deixou de ter, o outro de sorrir.
Uma amiga (acho que já lhe posso chamar isso) escreveu que a lisonja (se é a nós que se dirige) alimenta o nosso amor próprio. É verdade como todos, de certo, consideram. P'ra mim, a melhor forma do manter vivo é sentir que alguém gosta de nós. O problema é quando quem gosta sente que o que sente não passa de um substrato ao ego.
I had never seen her so happy 'til that day. Quando se soube, um deixou de ter, o outro de sorrir.
sábado, setembro 11, 2004
245
Revi-a finalmente. Labão, por fim, me mostrou a única filha que eu gosto de ver. Parece que o tempo que esteve distante a tornou mais bela. Falei-lhe sobre o texto que a sua irmã lhe levara tentei falar mais mas, segundo ela, como eu, é tímida. Não sabia o que dizer mais, tive gestos infantis (parecia a criança que não sabe enfrentar um adulto) e, para não parecer mal, fugi.
Passei por ela mais duas ou três vezes e acho que me sorriu. Não estou certo, desviei o olhar...Quando saí, disse-lhe adeus.
Passei por ela mais duas ou três vezes e acho que me sorriu. Não estou certo, desviei o olhar...Quando saí, disse-lhe adeus.
quarta-feira, setembro 08, 2004
244
Os três cavaleiros sairam da carruagem subterrânea com a pressa de um atraso inexistente. O mais alto (eu) e o que, por nome, é estrangeiro viram-na e, os dois, consideraram-na um exemplo da beleza eslava. O outro moveu-se ainda mais apressadamente: não a vira e queria saber quem era...sem saber assumiu. Era metrossexual.
243
"A man does not like to feel he has wasted his time. And, if he really is a man, a goodbye is a goodbye."
O Barros atirou isto ao ar nunca pensando que um dia faria assim.
O Barros atirou isto ao ar nunca pensando que um dia faria assim.
242
"Tu estás livre e eu estou livre
e há uma noite para passar
porque não vamos unidos
porque não vamos ficar
na aventura dos sentidos"
Era tão evidente. Estavamos longe de tudo e não havia nada que nos prendesse à capital de um país que, cada vez menos, vejo como meu. Foram tantas noites aquelas em que te tive perto. Aproximava-me sempre em vão; deixavas-me cercar-te mas eras intransponível como as muralhas de Tróia e Ulisses revisitado não é cabrão como o que o inspira.
Apetecia-me sentir-te e era evidente. Sentia que tu também o querias mas a nossa racionalidade afoga o instinto e extingue aventuras feéricas.
"tu estás só e eu mais só estou
que tu tens o meu olhar
tens a minha mão aberta
à espera de se fechar
nessa tua mão deserta"
Tu estavas triste, qualquer um o via. Na tua cabeça não havia mais que fragmentos de raciocínos que noutra altura talvez tivessem significado; era tanto ao mesmo tempo e tu, nunca parecendo, eras frágil. Eu queria-te, ansiava todos os instantes em que mais ninguém nos via para, à minha maneira e, de acordo com as tuas cedências, te percorrer. Tu tinhas-me a mim e eu não tinha mais que uma estátua imóvel que por vezes aquecia. Nunca pedindo ter-me-ias a teu sempre que triste a tua voz voltasse de longe...parvo não vi que a tua mão deserta estava por uma questão de escolha, de espera, de pensamento (quando quisesses terias a minha).
"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e em que te dás"
Foi rápido admitamos, mas o tempo não passa de uma medida que nada de exacto tem. As coisas surgem no seu tempo e nunca por este se acumular. Amor? Nunca existiu no não humano. Só existe quando há reciprocidade: quando os dois dão; quando os dois recebem.
"Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer,
ser o fim de mais um dia"
No fundo querias alguém, alguém que não eu. Não percebi a segunda parte da frase anterior. Pensei que quisesses os pequenos gestos que te tinha para dar; aqueles que só se dão a quem realmente importa. Não foste o fim dos meus gestos foste só o seu fim.
"Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém,
e eu sou melhor que nada"
Acho que o problema é este. Disse-to falando para ela enquanto os meus sentidos aos poucos se adormeciam: as mulheres não gostam de sentir que se sacrificaram em vão. O homem é diferente; eu sou diferente. Aquilo que tu não és pega no tempo perdido, gasto, atirado ao vazio e, ao invês de justificar um maior sacrifício, lamenta-o.
Eu sou melhor que nada; sei que sou melhor (e tu sabes que comparação está aqui a ser feita). Acredita: que seja p'ra ti algo que só a fé nos permite ver.
"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e que te dás"
E insisto. Ao mesmo que se aprenda isto.
e há uma noite para passar
porque não vamos unidos
porque não vamos ficar
na aventura dos sentidos"
Era tão evidente. Estavamos longe de tudo e não havia nada que nos prendesse à capital de um país que, cada vez menos, vejo como meu. Foram tantas noites aquelas em que te tive perto. Aproximava-me sempre em vão; deixavas-me cercar-te mas eras intransponível como as muralhas de Tróia e Ulisses revisitado não é cabrão como o que o inspira.
Apetecia-me sentir-te e era evidente. Sentia que tu também o querias mas a nossa racionalidade afoga o instinto e extingue aventuras feéricas.
"tu estás só e eu mais só estou
que tu tens o meu olhar
tens a minha mão aberta
à espera de se fechar
nessa tua mão deserta"
Tu estavas triste, qualquer um o via. Na tua cabeça não havia mais que fragmentos de raciocínos que noutra altura talvez tivessem significado; era tanto ao mesmo tempo e tu, nunca parecendo, eras frágil. Eu queria-te, ansiava todos os instantes em que mais ninguém nos via para, à minha maneira e, de acordo com as tuas cedências, te percorrer. Tu tinhas-me a mim e eu não tinha mais que uma estátua imóvel que por vezes aquecia. Nunca pedindo ter-me-ias a teu sempre que triste a tua voz voltasse de longe...parvo não vi que a tua mão deserta estava por uma questão de escolha, de espera, de pensamento (quando quisesses terias a minha).
"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e em que te dás"
Foi rápido admitamos, mas o tempo não passa de uma medida que nada de exacto tem. As coisas surgem no seu tempo e nunca por este se acumular. Amor? Nunca existiu no não humano. Só existe quando há reciprocidade: quando os dois dão; quando os dois recebem.
"Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer,
ser o fim de mais um dia"
No fundo querias alguém, alguém que não eu. Não percebi a segunda parte da frase anterior. Pensei que quisesses os pequenos gestos que te tinha para dar; aqueles que só se dão a quem realmente importa. Não foste o fim dos meus gestos foste só o seu fim.
"Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém,
e eu sou melhor que nada"
Acho que o problema é este. Disse-to falando para ela enquanto os meus sentidos aos poucos se adormeciam: as mulheres não gostam de sentir que se sacrificaram em vão. O homem é diferente; eu sou diferente. Aquilo que tu não és pega no tempo perdido, gasto, atirado ao vazio e, ao invês de justificar um maior sacrifício, lamenta-o.
Eu sou melhor que nada; sei que sou melhor (e tu sabes que comparação está aqui a ser feita). Acredita: que seja p'ra ti algo que só a fé nos permite ver.
"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e que te dás"
E insisto. Ao mesmo que se aprenda isto.
241
A sua vida era cor de rosa. Não tinha significado: não sabia o que era sofrer por algo e nem sequer temia. Ela ria de tudo e o riso não era cruel. Ao longe, alguém, supostamente fiel, lançava um olhar macabro. Era um cabrão e ela era só mais uma.
A vida tinha a cor rosa
Era amarela tão forte
Não sabendo tinha a sorte
(Não ousando talvez possa)
Era tudo cor de rosa
Alguém, de mal, o viu
As mentiras ela ouviu
Nunc'houve cores na fossa.
A vida tinha a cor rosa
Era amarela tão forte
Não sabendo tinha a sorte
(Não ousando talvez possa)
Era tudo cor de rosa
Alguém, de mal, o viu
As mentiras ela ouviu
Nunc'houve cores na fossa.
300 + qqr coisa (memórias)
So esperei uma vez por ela naquele aglomerado comercial. Ela, a meu ver, esperava-me em qualquer parte (só o vejo agora). Chegou, nessa vez, um pouco atrasada e eu não me importei. Ela cansou-se de esperar que eu fizesse algo...nunca o fiz - somos altos mas as nossas alturas são diferentes.
Ironicamente esta a oeste de tudo; Onde o sol nasce primeiro, tudo cresce mais cedo.
Ironicamente esta a oeste de tudo; Onde o sol nasce primeiro, tudo cresce mais cedo.
segunda-feira, setembro 06, 2004
240
São quatro da manhã certas. Sidoro está exausto. Sidoro está a tornar-se ele mesmo.
São quatro da manhã e dois minutos: ele vai dormir e sonhar. Ao acordar esquece-se de tudo o que não será real.
São quatro da manhã e três.
São quatro da manhã e dois minutos: ele vai dormir e sonhar. Ao acordar esquece-se de tudo o que não será real.
São quatro da manhã e três.
239
O Pedro tem um blog. O blog tem um nome giro; como quem lá escreve tem sentido (às vezes complicado) e fala de tudo um pouco. Ele é Rasca como nós. Gosto muito de o ler, tal como gosto muito do meu amigo, embora confesse que às vezes sou preguiçoso demais para o ler a fundo - talvez até seja um bocado egoísta já que exijo muitas vezes que torne tudo mais simples (logo eu que sou um complicado e que tenho o meu amigo sempre para me ouvir e que, muitas vezes sem pedir, tenta descodificar os meus escritos irracionais).
O Pedro é um bom amigo e o seu blog é um bom blog. Mesmo que sejam egoístas nunca serão como eu (um em muitos) só mais um.
O Pedro é um bom amigo e o seu blog é um bom blog. Mesmo que sejam egoístas nunca serão como eu (um em muitos) só mais um.
237
Ao longe um pássaro respondia ao canto de outro que já lhe respondera antes. O carro estava imóvel (ou assim me pareceu - um físico fez-me acreditar que estamos sempre em movimento) era o apoio das minhas costas que ainda sentiam o peso de me ter sentado de pernas cruzadas para comer peixe vendido a um preço bastante inflacionado.
A minha boca ainda sabia a saké e a tabaco holandês. O sushi tinha um sabor leve e o flurry só deixa marcas se o comermos vezes suficientes. Não pensei em saúde, ainda sou novo demais para isso, pensei no que sou e, consequentemente, em tudo o que me define - só depois entrei no carro sem fechar a porta. Acho que cresci; estou mais perto do homem que disseram que um dia eu seria. Olho para trás e sinto que agi mal, que dei passos desmesurados e que muitos mais ficaram por dar. Só me magoam os inspirados na minha falta de visão.
Por que não vi aquilo?Porquê?Não chorei, pensei até me levantar e limitar o meu espaço.
A minha boca ainda sabia a saké e a tabaco holandês. O sushi tinha um sabor leve e o flurry só deixa marcas se o comermos vezes suficientes. Não pensei em saúde, ainda sou novo demais para isso, pensei no que sou e, consequentemente, em tudo o que me define - só depois entrei no carro sem fechar a porta. Acho que cresci; estou mais perto do homem que disseram que um dia eu seria. Olho para trás e sinto que agi mal, que dei passos desmesurados e que muitos mais ficaram por dar. Só me magoam os inspirados na minha falta de visão.
Por que não vi aquilo?Porquê?Não chorei, pensei até me levantar e limitar o meu espaço.
236 (De noite talvez perto do mar)
Enquanto eles faziam das suas pûs-me por instantes de parte. Como o fumo percorri a noite e, enquanto me dividia, deixei de ser visto. Peguei no telemóvel por instinto e só o larguei depois de saber que a mensagem estava pendente:
"Um bjinho grand grand grand de boa noite para a ùnica com quem as quero passar. Amanhã vou estar em lx, qqr coisa kolmi. *" (Foi +/- assim só não estou certo do *).
Pensei um bocado. Vi que ansiava beijos que ficaram por dar e uma voz que ainda não ouvira nesse dia; vi e ansiei por eles e por outras pequenas coisas. Levantei-me e conversei supostamente sério - estava noutro lado, era o monóxido que percorria os seus pulmões quase dormentes.
"Um bjinho grand grand grand de boa noite para a ùnica com quem as quero passar. Amanhã vou estar em lx, qqr coisa kolmi. *" (Foi +/- assim só não estou certo do *).
Pensei um bocado. Vi que ansiava beijos que ficaram por dar e uma voz que ainda não ouvira nesse dia; vi e ansiei por eles e por outras pequenas coisas. Levantei-me e conversei supostamente sério - estava noutro lado, era o monóxido que percorria os seus pulmões quase dormentes.
235
Lembro-me que chegou de vermelho. Por fora estava como eu me sentia. Encontrámo-nos na casa com o nome do farol seu vizinho. Nunca a vira assim; nem sequer conseguia associar tal cor à sabedoria. Veio de surpresa pouco depois de eu ter perguntado a uma alfarrabista moderna quanto custaria o "*Paço de Sintra" em versão original: foi ela que me reconheceu.
Tomámos um café e, por ter sido há algum tempo, sei que não o fiz por hábito - ela era a desculpa. Falámos; dissemos merda que só serviu para fazer tempo. Levantámo-nos e fomos para uma zona menos movimentada (daquelas que aliviam os compromissos inexistentes) e, cada um do seu jeito, se entregou.
Repetiu-se o processo até se julgar suficiente. Repetiu-se até mudarmos.
Tomámos um café e, por ter sido há algum tempo, sei que não o fiz por hábito - ela era a desculpa. Falámos; dissemos merda que só serviu para fazer tempo. Levantámo-nos e fomos para uma zona menos movimentada (daquelas que aliviam os compromissos inexistentes) e, cada um do seu jeito, se entregou.
Repetiu-se o processo até se julgar suficiente. Repetiu-se até mudarmos.
domingo, setembro 05, 2004
234
Eram dois; eram três; eram quatro. Um foi, ficaram três. Esses formaram um triângulo isosceles cujos lados iguais eram bem maiores que o outro. Ao fundo ficou um vértice.
sábado, setembro 04, 2004
233 (A short summer story)
I
Le dernier jour - ou est-il le premier?
II
Entre eles a distância do que toca;
Distintos eram os seus leitos; Tinham
Talvez mais que um só sonho em comum, riam
talvez das mesmas p'quenas coisas. Possa,
Se assim Ele entender, sentir a costa
onde anseio tocar. Ah, nunca veriam
Sem o tipo de fraque não seriam
Mais que uns átomos dispersos sempre às voltas.
A janela fechada não esteve,
Ela não se mexeu, não me fugiu,
Nem um pequeno gesto ela viu
(nem um só passo do que foi jurado).
O mesmo não sou - estou mudado-
Só de bravura tenho ainda sede.
III
Platonico é o que sou
acumulo os sonhos parvos
sou fácil, aceito o dado,
quando eu nunca me dou.
Choro só pelo não feito
pelos passos que não dei
só o faço quando sei
que eu podia tê-lo feito.
Canso os outros mais que eu
sofro quando outros magoei
Nunca me dei a ninguém;
O querido é quem temeu.
IV
O seu cheiro é tão intenso, reconheço-o a metros de distância - os mesmos metros da minha demência. Fico louco. Sei-a perto; fala para longe de mim. O seu cheiro é tão intenso, propenso é ao sonho - não disponho do que anseio mas o cheiro e tão intenso...Eu não desço mais: são letais as subidas, as descidas são constantes. Incessantes as melodias de longe.
V
Um dia no jardim:
Àgua,
o verde da relva,
o vermelho da flor desabrochada.
O descanso,
O nada.
O medo.
VI
Não estou chateado. Estou azul como sempre (só os lábios estão da cor da carne que anseia ser devorada).
VII
Gestos infantis,
um cheiro intenso
propenso
ao sonho.
Conversas p'ra longe
inaudíveis...
Fraca presença.
Lábios sensíveis
Dispersos no sonho
Rodeiam mas não tocam
Parece que deles fogem
os que são de outrem.
Apetece-lhes percorrer
conhecer
outros...
C'oa fuga
Acaba o sonho.
VIII
Ele estava fulo, chateado. Eterno palhaço...Ele foi ridicularizado, usado, por quem o usou.
IX
A paciência tem limites que não é o homem que define - faz-se o que se julga correcto e não se recebe o que se achar certo receber. Aguenta-se por pouco, tal como um desenho por acabar e cujo término é um frete: fica-se com uma imagem e não se chora por ser suficiente.
X
Não espero, espero que saibas,
que já me cansa esperar
não saio deste lugar
até q'eu um dia saia.
O cheiro enlouquece, longe
sempre esteve de mim
quando julguei vê-lo aqui
ele de novo enfim põe-se.
Não espero, espero que saibas,
A espera tem um limite
E eu insisto que ele existe
Quando ele chegar que saias.
XI
È subtil a fúria dele
traz um verde amarelado
Olhem p'ra ele coitado
O desejo à volta dele.
Tenta em vão ser mais coerente
Olhar p'ro lado e gritar
não o faz está a chorar
desejo fá-lo demente.
Passou p'ra folha e esqueceu
O que tinha não mostrou
q'ria gritar e passou
Só a folha percebeu.
XII
Yin e Yang. A tranquilidade e o caos. Por vezes um ganha antes de haver equilíbrio.
XIII
Prelúdio de um beijo.
Tinha o espelho atrás
Só ele reflectia,
via,
o instante.
Aproximaram-se
Fecharam-se os olhos
(os que assim ele gosta de ver)
Tocou-a
Depois mostraram-se
Beijaram-se
Às escondidas
De tudo o que vê...
Porquê?
XIV
A saudade faz com que o resto impacientemente pareça tranquilo. É estranho: sei-a a longe e anseio por ela mas, por assim ser, sinto-me calmo por dentro.
Quando sinto saudades também avermelho: desejo mais que um simples olhar.
Le dernier jour - ou est-il le premier?
II
Entre eles a distância do que toca;
Distintos eram os seus leitos; Tinham
Talvez mais que um só sonho em comum, riam
talvez das mesmas p'quenas coisas. Possa,
Se assim Ele entender, sentir a costa
onde anseio tocar. Ah, nunca veriam
Sem o tipo de fraque não seriam
Mais que uns átomos dispersos sempre às voltas.
A janela fechada não esteve,
Ela não se mexeu, não me fugiu,
Nem um pequeno gesto ela viu
(nem um só passo do que foi jurado).
O mesmo não sou - estou mudado-
Só de bravura tenho ainda sede.
III
Platonico é o que sou
acumulo os sonhos parvos
sou fácil, aceito o dado,
quando eu nunca me dou.
Choro só pelo não feito
pelos passos que não dei
só o faço quando sei
que eu podia tê-lo feito.
Canso os outros mais que eu
sofro quando outros magoei
Nunca me dei a ninguém;
O querido é quem temeu.
IV
O seu cheiro é tão intenso, reconheço-o a metros de distância - os mesmos metros da minha demência. Fico louco. Sei-a perto; fala para longe de mim. O seu cheiro é tão intenso, propenso é ao sonho - não disponho do que anseio mas o cheiro e tão intenso...Eu não desço mais: são letais as subidas, as descidas são constantes. Incessantes as melodias de longe.
V
Um dia no jardim:
Àgua,
o verde da relva,
o vermelho da flor desabrochada.
O descanso,
O nada.
O medo.
VI
Não estou chateado. Estou azul como sempre (só os lábios estão da cor da carne que anseia ser devorada).
VII
Gestos infantis,
um cheiro intenso
propenso
ao sonho.
Conversas p'ra longe
inaudíveis...
Fraca presença.
Lábios sensíveis
Dispersos no sonho
Rodeiam mas não tocam
Parece que deles fogem
os que são de outrem.
Apetece-lhes percorrer
conhecer
outros...
C'oa fuga
Acaba o sonho.
VIII
Ele estava fulo, chateado. Eterno palhaço...Ele foi ridicularizado, usado, por quem o usou.
IX
A paciência tem limites que não é o homem que define - faz-se o que se julga correcto e não se recebe o que se achar certo receber. Aguenta-se por pouco, tal como um desenho por acabar e cujo término é um frete: fica-se com uma imagem e não se chora por ser suficiente.
X
Não espero, espero que saibas,
que já me cansa esperar
não saio deste lugar
até q'eu um dia saia.
O cheiro enlouquece, longe
sempre esteve de mim
quando julguei vê-lo aqui
ele de novo enfim põe-se.
Não espero, espero que saibas,
A espera tem um limite
E eu insisto que ele existe
Quando ele chegar que saias.
XI
È subtil a fúria dele
traz um verde amarelado
Olhem p'ra ele coitado
O desejo à volta dele.
Tenta em vão ser mais coerente
Olhar p'ro lado e gritar
não o faz está a chorar
desejo fá-lo demente.
Passou p'ra folha e esqueceu
O que tinha não mostrou
q'ria gritar e passou
Só a folha percebeu.
XII
Yin e Yang. A tranquilidade e o caos. Por vezes um ganha antes de haver equilíbrio.
XIII
Prelúdio de um beijo.
Tinha o espelho atrás
Só ele reflectia,
via,
o instante.
Aproximaram-se
Fecharam-se os olhos
(os que assim ele gosta de ver)
Tocou-a
Depois mostraram-se
Beijaram-se
Às escondidas
De tudo o que vê...
Porquê?
XIV
A saudade faz com que o resto impacientemente pareça tranquilo. É estranho: sei-a a longe e anseio por ela mas, por assim ser, sinto-me calmo por dentro.
Quando sinto saudades também avermelho: desejo mais que um simples olhar.
terça-feira, agosto 17, 2004
231
Os meninos gostam de histórias da carochina: divertem-se e não sentem o passar do tempo. Os adultos não diferem das crianças, só exigem outro conteúdo (digamos: com mais maturidade), com personagens mais realistas e de acordo com o paradigma da altura (sem saber seguem kuhn) ou então completamente fora da realidade. Peguemos na religião que uns seguem religiosamente e que, no fundo, assenta numa história mal contada e que sem fé ninguém acha verdadeira.
As histórias que imagino são outras: têm-me como personagem principal e, em cada sequela, contraceno com uma protagonista diferente; mas, como digo, não passam do que são.
As histórias que imagino são outras: têm-me como personagem principal e, em cada sequela, contraceno com uma protagonista diferente; mas, como digo, não passam do que são.
229 (O último dia da rapariga engraçada que tinha a mania de dançar no bar e cujo nome desconheço)
Soavam os tambores de guerra. Ela dançava como se se entregasse à causa. Os olhos (fechados) favam mais força ao seu acto. Mexia-se com as batidas levando-nos com ela. Era a última vez que o faria.
228 (auto retrato)
O poeta que escreve, que conta com os dedos as sílabas incontáveis na cabeça pensativa. O poeta que escreve enquanto se torna calvo ajudado por ele mesmo. O poeta e o seu mundo às cores que sente.
227
Há cores que raramente se tocam. Passam por partes paralelas e, entre duas iguais, existe outra que não elas. É cansativo, é saudoso mas, na maior parte das vezes, é assim: as fronteiras a negro são intransponíveis. Porém, em alguns casos, dá-se um fenómeno deveras estranho (não, não se tocam cores iguais): duas estranhas fundem-se e formam um meio termo. Esta, por sua vez, só está adjacente àquelas que a formaram.
226
Por maior que seja a mão há vícios que não suporta. Os limites definimos às escondidas de nós mesmos. A mesa era retábulo a oficina do que ainda não conhecia. Distraia-se da música que não queria ouvir.
225
A escada era estranha. Parecia um desenho de escher sem perspectivas. Cada degrau tinha um tom de verde e era indefinida. A parede já não se via: era azul como o horizonte que já não tocava há algum tempo. No topo o verde era escuro, era certo; foi perdendo cor como o vermelho do seu vestido.
Com um olhar estranho fita o atrás do muro.
Com um olhar estranho fita o atrás do muro.
224
Mil e uma coisas definem um homem, mil definem o anterior e pelo menos outro. Pessoas, sorrisos, beijos e até números dizem quem somos. Olho p'ra um lado; alguém parecido olha para outro.
Somos tudo o que passou.
Somos tudo o que passou.
segunda-feira, agosto 16, 2004
223 (Le premier jour en tunisie avec Holiday en chantant "you're so easy to remember (and so hard to forget)")
Cheguei julgando-me distante do que fujo. Vi o sol que só a saudade arrefecia pensado que, em pouco tempo, me seria quente. Errei. Atrás do balcão estava um diploma escrito como falava com os seus. Mal o vi percebi que por outros me chegavas.
Ah! Desde que conheço o teu silêncio que o mundo me faz recordar-te. Em Lisboa a publicidade é cirílica, ao meu lado sentam-se pessoas que o segundo nome se apelida de patronímico. Não consigo não te lembrar.
Escrevo a três horas de voo de casa. Escrevo noutro continente. Estou rodeado de mesas de metal vazias; ao fundo oiço ou grilos ou cigarras por vezes interrompidas pelas músicas tunisinas que só me fazem desejar o sítio e o momento em que te conheci. Há poucas horas precediam-nas pessoas que também falavam o teu eslavo. Não consigo, não consigo, não consigo...
Olho p'ros lados e só me lembro de ti. Fecho os olhos e anseio p'lo que quase tive.
Ah! Desde que conheço o teu silêncio que o mundo me faz recordar-te. Em Lisboa a publicidade é cirílica, ao meu lado sentam-se pessoas que o segundo nome se apelida de patronímico. Não consigo não te lembrar.
Escrevo a três horas de voo de casa. Escrevo noutro continente. Estou rodeado de mesas de metal vazias; ao fundo oiço ou grilos ou cigarras por vezes interrompidas pelas músicas tunisinas que só me fazem desejar o sítio e o momento em que te conheci. Há poucas horas precediam-nas pessoas que também falavam o teu eslavo. Não consigo, não consigo, não consigo...
Olho p'ros lados e só me lembro de ti. Fecho os olhos e anseio p'lo que quase tive.
222 (Uma questão de qualquer coisa)
Detesto as pessoas que associam a determinadas cores certos sentimentos. Detesto-as; no geral as associações são comuns entre elas porém, comigo, isso nunca sucede.
A minha tristeza é verde; um verde diluído a conta-gotas como a esperança que se esvai com cada passo errado que dou. Se espero, instintivamente, choro.
O quente é branco como a delicada capa de tudo o que aspiro ter. Tão frágil e tão visível no fundo negro que centra.
O rubro é azul como o azul que me persegue e que me queima por dentro.
As cores que sobram são restos que só uso para enfeitar.
(O detestar não é para ser interpretado como tal).
A minha tristeza é verde; um verde diluído a conta-gotas como a esperança que se esvai com cada passo errado que dou. Se espero, instintivamente, choro.
O quente é branco como a delicada capa de tudo o que aspiro ter. Tão frágil e tão visível no fundo negro que centra.
O rubro é azul como o azul que me persegue e que me queima por dentro.
As cores que sobram são restos que só uso para enfeitar.
(O detestar não é para ser interpretado como tal).
220 ((Longo suspiro) Anos dourados)
Uma vez esperei-a no Carmo. A fonte estava, a meu ver seca; as àrvores ganhavam unm verde que a noite escurecia. Olhava para a porta do convento que, em parte, ainda está de pé:---------------------------------------------------------------------------------------------------------
Dessa vez esperei-a no largo do Carmo. A noite era agradável; a fonte ainda estava seca e as àrvores ganhavam um verde que a noite e as luzes de halogénio tornavam artificial. Eu estava sentado nas escadas que levam à porta do pouco que ainda está de pé; olhava-a e sabia-a intransponível.
De súbito chegou linda. Não me viu logo. Olhei-a com o olhar de carneiro mal morto que só mais tarde me receitou (senti-me tão bem).
Depois do jantar fomos. Estava tudo na mesma.
Dessa vez esperei-a no largo do Carmo. A noite era agradável; a fonte ainda estava seca e as àrvores ganhavam um verde que a noite e as luzes de halogénio tornavam artificial. Eu estava sentado nas escadas que levam à porta do pouco que ainda está de pé; olhava-a e sabia-a intransponível.
De súbito chegou linda. Não me viu logo. Olhei-a com o olhar de carneiro mal morto que só mais tarde me receitou (senti-me tão bem).
Depois do jantar fomos. Estava tudo na mesma.
219 (A aventura no carro tom de cinza/The mighty four in the car of Miguel's mother)
A estrada levava-nos de uma ponta a outra da vila. A meio havia um pequeno trilho com as dimensões (falo de largura) do carro. Entrámos, alterados pela mente, com as luzes desligadas; avançamos pouco, ligámos o rádio e, quando a eugénia largou o machado, gritámos. Avançamos, mas só em nós mesmos: limpos por dentro éramos outros.
Saímos lentamente a apontar para o sol que deixámos de recear.
Limpos por dentro, éramos outros.
Saímos lentamente a apontar para o sol que deixámos de recear.
Limpos por dentro, éramos outros.
218 (Do corredor marista)
I
Ao voltar do norte lembrei-me da terrinha que p'la primeira vez vi aind'eu era infante de sonhos que, aos poucos, e por minha própria vontade, ficaram distantes de mim. Houve vezes em que voltei p'ra eles como o filho que retorna ao pai em auxílio mas, e só na última vez o vi, nunca fui bem recebido.
Hoje olho pa trás e tudo parece mais evidente. Sinto nostalgia; não sinto falta dos sonhos, sinto falta de sonhar.
II
Vi-a pela primeira vez tinha eu pouco mais de uma década. Era verde no meio do betão cuja superfície mudou ao longo da minha assaz infância. Era um abrigo e não cresceu como eu; por falta de senso, pareceu-me sensato.
Ao voltar do norte lembrei-me da terrinha que p'la primeira vez vi aind'eu era infante de sonhos que, aos poucos, e por minha própria vontade, ficaram distantes de mim. Houve vezes em que voltei p'ra eles como o filho que retorna ao pai em auxílio mas, e só na última vez o vi, nunca fui bem recebido.
Hoje olho pa trás e tudo parece mais evidente. Sinto nostalgia; não sinto falta dos sonhos, sinto falta de sonhar.
II
Vi-a pela primeira vez tinha eu pouco mais de uma década. Era verde no meio do betão cuja superfície mudou ao longo da minha assaz infância. Era um abrigo e não cresceu como eu; por falta de senso, pareceu-me sensato.
217 (Outra vez no mesmo de sempre)
Pessoas , mais pessoas: ninguém para mim. Desconheço-os e nem querendo anseio fazê-lo. Gentinha colada, abafada por uma vida que nunca quis. Distraiem-se no túnel, ainda mais abaixo de tudo o que os pisa: na sua vida, menos é sinal de excesso.
Erguem os braços e inundam a carruagem com o seu esforço- esforçam-se os outros para não ceder. Ao longe, um senhor mal aguenta o ar que passa ao seu colega da frente- mais de metade arrepia: amanhã vai estar de febre.
Estou quente; fico rubro lentamente; tirem-me daqui, sou louco, e isto é gente.
Erguem os braços e inundam a carruagem com o seu esforço- esforçam-se os outros para não ceder. Ao longe, um senhor mal aguenta o ar que passa ao seu colega da frente- mais de metade arrepia: amanhã vai estar de febre.
Estou quente; fico rubro lentamente; tirem-me daqui, sou louco, e isto é gente.
216 (Back to Lisbon)
Há já algum tempo que não andava de metro, que não ouvia música sem sentido e notícias que só o tentam ter. Voltei à cidade que não sei ser minha, eis-me em lx e, não como antes, só.
Fico por pouco.
Fico por pouco.
sexta-feira, julho 16, 2004
215 (A parede da frente)
A parede da frente é branca como a mesa e como as outras paredes; ela é a maior do meu quarto.
Uma vez desenharam o meu perfil, que estava convenientemente projectado, numa folha. Era para dar a alguém; não o fiz. Guardei-a entre outras para mais tarde a voltar a descobrir. Olhei-a e vi-me como os outros me veêm de lado: faltava tanto para ser como eu. Peguei em cores e pintei o que só estava a carvão; fiz traços e mais traços; defini as camadas que me constituiem.
Na parede da frente (a que está por trás da mesa) estou eu.
Uma vez desenharam o meu perfil, que estava convenientemente projectado, numa folha. Era para dar a alguém; não o fiz. Guardei-a entre outras para mais tarde a voltar a descobrir. Olhei-a e vi-me como os outros me veêm de lado: faltava tanto para ser como eu. Peguei em cores e pintei o que só estava a carvão; fiz traços e mais traços; defini as camadas que me constituiem.
Na parede da frente (a que está por trás da mesa) estou eu.
214 (A mesa de guerra)
Um monitor. Duas colunas a alturas distintas mas as duas mais altas que a mesa. Um candeeiro sobreaquecido que tenta ser visualmente equilibrado. Uma impressora e folhas amontoadas sobre e a volta dela. Caixas de fósforo meio usadas fruto de noites de luxúria. Esferovite de alguma caixa, um perfume quase vazio. O livro azul que nunca uso - nem com dúvidas de português- os cd's que, depois de usados, só conhecem o vidro. As chaves de casa, a carteira, os lápis de cor e de cera e um velho preservativo.
Uma mesa. Um abrigo.
Uma mesa. Um abrigo.
213 (entre dois posts)
Escrevo este texto depois de outro que não vou mostrar. O facto de escrever este não implica qualquer relação com o anterior - só visto por mim. Apetece somente dizer que houve um salto que só eu compreendo: não quero explicar.
Não interessa.
Entre dois posts há mais que umas simples polegadas que eu nunca medi. Estão dias, estão horas, estão segundos e sinto-os de formas tão distintas. Por vezes os primeiros são como os últimos que, em alguns casos, são como os do meio. Há mais que o tempo. Há a forma como o sinto.
Não interessa.
Entre dois posts há mais que umas simples polegadas que eu nunca medi. Estão dias, estão horas, estão segundos e sinto-os de formas tão distintas. Por vezes os primeiros são como os últimos que, em alguns casos, são como os do meio. Há mais que o tempo. Há a forma como o sinto.
quarta-feira, julho 14, 2004
211
As despedidas só custam se implicarem o fim, não de um momento, mas de outros que estariam, a nosso ver, para vir.
O homem (sendo a mulher também um) vive porque tem histórias para contar e outras por viver mas, se o argumento das primeiras, na sua opinião, for mau, e/ou o prognóstico das segundas também o for, ele deixa, só por ele obrigado, de caminhar de um, ou para um, local onde ele so tem, ou terá, aquilo que não quer ter. Temos desejos e gostamos de os ver realizados: só por eles nos movemos. Claro que existem aqueles tipos que falam logo do altruísmo mas eles esquecem que é só o bem-estar de quem o pratica a razão da existência de tal substantivo.
É usual que alguns homens (não volto a referir como emprego esta palavra) gostem de outros. O que mais anseiam é a companhia - e tudo o que ela implica- do outro. Criam-se relações, traçam-se linhas rectas que vão definindo formas pintadas de maneira distinta por aqueles que participam. No final cada um tem um quadro e, ou se gosta, ou não. Há quem queira prolongar a tela e acrescentar traços, pôr mais cores mas, se o quadro do outro não expandir as suas linhas negras de tinta da china, esteticamente, fica tudo desiquilibrado. Aquele que pintou o quadro maior (não interessa se mais belo), distraido pelo seu processo criativo, não vê que não existe porporcionalidade entre as duas obras. O outro tem então que decidir.
O mais pequeno já está na moldura: preenche uma parede para mais tarde ser recordado. O seu autor tem então que decidir se avisa ou não o outro que já não tem mais a pintar. "O mais difícil é saber quando parar" disse-me uma vez o Teles: o mais difícil neste caso é dizê-lo já que, no fundo, qualquer homem gosta de ver que algo por ele é criado mesmo que, no final, ninguém olhe para a parede, não por um quadro, não por outro, mas pelos dois. Aquele que, não percebendo de arte, não gosta de ter, nem de deixar, memórias que que sejam incomodativas do ponto de vistar estético diz. Ao dizer termina todo o processo criativo e com ele cessam as reuniões de trabalho futuras: custa aos dois mesmo que de formas diferentes.
Repito:
As despedidas só custam se implicarem o fim, não de um momento, mas de outros que estariam, a nosso ver, para vir.
O homem (sendo a mulher também um) vive porque tem histórias para contar e outras por viver mas, se o argumento das primeiras, na sua opinião, for mau, e/ou o prognóstico das segundas também o for, ele deixa, só por ele obrigado, de caminhar de um, ou para um, local onde ele so tem, ou terá, aquilo que não quer ter. Temos desejos e gostamos de os ver realizados: só por eles nos movemos. Claro que existem aqueles tipos que falam logo do altruísmo mas eles esquecem que é só o bem-estar de quem o pratica a razão da existência de tal substantivo.
É usual que alguns homens (não volto a referir como emprego esta palavra) gostem de outros. O que mais anseiam é a companhia - e tudo o que ela implica- do outro. Criam-se relações, traçam-se linhas rectas que vão definindo formas pintadas de maneira distinta por aqueles que participam. No final cada um tem um quadro e, ou se gosta, ou não. Há quem queira prolongar a tela e acrescentar traços, pôr mais cores mas, se o quadro do outro não expandir as suas linhas negras de tinta da china, esteticamente, fica tudo desiquilibrado. Aquele que pintou o quadro maior (não interessa se mais belo), distraido pelo seu processo criativo, não vê que não existe porporcionalidade entre as duas obras. O outro tem então que decidir.
O mais pequeno já está na moldura: preenche uma parede para mais tarde ser recordado. O seu autor tem então que decidir se avisa ou não o outro que já não tem mais a pintar. "O mais difícil é saber quando parar" disse-me uma vez o Teles: o mais difícil neste caso é dizê-lo já que, no fundo, qualquer homem gosta de ver que algo por ele é criado mesmo que, no final, ninguém olhe para a parede, não por um quadro, não por outro, mas pelos dois. Aquele que, não percebendo de arte, não gosta de ter, nem de deixar, memórias que que sejam incomodativas do ponto de vistar estético diz. Ao dizer termina todo o processo criativo e com ele cessam as reuniões de trabalho futuras: custa aos dois mesmo que de formas diferentes.
Repito:
As despedidas só custam se implicarem o fim, não de um momento, mas de outros que estariam, a nosso ver, para vir.
sábado, julho 10, 2004
quinta-feira, julho 01, 2004
209
Quando era pequenino queria ser grande, desesperava por isso. Hoje que o sou não dou importância nenhuma.
terça-feira, junho 29, 2004
208 De onde tudo começa
Tirei uma taça de gelatina do frigorífico. Não sei a que sabe, mas prefiro a laranja e foi essa que tirei. Já não comia esta sobremesa há algum tempo e, estranhamente, ao lembrar-me da minha primeira refeição no refeitório do meu colégio, inundaram-me memórias daquele tempo.
Entrei na pré-primária. Não gostei muito ao início (acho que até chorei). Rapidamente tudo mudou. Comecei a conhecer aqueles que, mesmo não tendo qualquer importância para o meu equílibrio nos dias de hoje, foram essenciais à minha formação como pessoa. Quem me aparou as lágrimas no primeiro dia foi a Ana Vera (nunca mais a vi), quem me deu a primeira sova foi o Gil o eterno protector do Luís (ainda o vejo), e o primeiro com que gozei foi o Pereira (vejo-o frequentemente). Este último usava suspensórios que eu passava os dias a puxar, irritávamo-nos frequentemente, mas hoje, puxando um pelo o outro, somos amigos.
Pouco ou nada fazia. Sempre fui solitário e entretinha-me muito inventando histórias, imaginando feitos. Por vezes tentava jogar futebol mas, desde que os meus olhos me transmitiram somente cores verdes durante meia-hora, devido a uma colisão com uma bola, que me deixei disso. Também havia um conjunto de ferrinhos que eu inúmeras vezes tentei tocar era mais fraquinho que hoje e só com um impulso de outrém conseguia chegar ao ferro mais alto: lembro-me que ficava tão feliz e, ao mesmo tempo, com vertingens - a ajuda era irrelevante eu chegara lá.
Hoje, se passar ao lado daqueles ferros, vou vê-los de cima; só me conseguirei pendurar se dobrar os joelhos. Com o tempo o que antes achava colossal passou a ser um simples brinquedo da infância. Cresci, sou outro, o recreio é outro, e os brinquedos também o são. Quando eu era pequenino nao chegava aos ferrinhos que hoje vejo de cima; lembro-me e tenho saudades.
Entrei na pré-primária. Não gostei muito ao início (acho que até chorei). Rapidamente tudo mudou. Comecei a conhecer aqueles que, mesmo não tendo qualquer importância para o meu equílibrio nos dias de hoje, foram essenciais à minha formação como pessoa. Quem me aparou as lágrimas no primeiro dia foi a Ana Vera (nunca mais a vi), quem me deu a primeira sova foi o Gil o eterno protector do Luís (ainda o vejo), e o primeiro com que gozei foi o Pereira (vejo-o frequentemente). Este último usava suspensórios que eu passava os dias a puxar, irritávamo-nos frequentemente, mas hoje, puxando um pelo o outro, somos amigos.
Pouco ou nada fazia. Sempre fui solitário e entretinha-me muito inventando histórias, imaginando feitos. Por vezes tentava jogar futebol mas, desde que os meus olhos me transmitiram somente cores verdes durante meia-hora, devido a uma colisão com uma bola, que me deixei disso. Também havia um conjunto de ferrinhos que eu inúmeras vezes tentei tocar era mais fraquinho que hoje e só com um impulso de outrém conseguia chegar ao ferro mais alto: lembro-me que ficava tão feliz e, ao mesmo tempo, com vertingens - a ajuda era irrelevante eu chegara lá.
Hoje, se passar ao lado daqueles ferros, vou vê-los de cima; só me conseguirei pendurar se dobrar os joelhos. Com o tempo o que antes achava colossal passou a ser um simples brinquedo da infância. Cresci, sou outro, o recreio é outro, e os brinquedos também o são. Quando eu era pequenino nao chegava aos ferrinhos que hoje vejo de cima; lembro-me e tenho saudades.
quarta-feira, junho 23, 2004
205
Vês menos
mas vês;
e isso basta-te.
Tiraram-te a perspectiva
vês tudo plano
mas isso
nunca te interessou.
Tens o mundo
sobre ele cai o teu olhar
E isso basta-te
basta veres.
Penélope desfaz o manto
que de dia teceu.
Penélope esperava Ulisses
Ele se nao viesse
era na mesma esperado.
Penéope esperava
Ulisses tentava
chegar.
"Onde estás?"
-Grita ele em cada passo
"Onde estás?
Onde estás?
Onde...
Onde..."
Enquanto a procurava
Elas foram encontradas
surgiram entre as àguas
perdidas.
O seu canto chamava
Clamava ao Id...
Porque lhes resistiu?
Porque só que ela?
Sob a ovelha esconde-se;
Ela,
tão meiga,
não faz adivinhar.
Toca-lhe,
É macia
aproxima-te
aquece-te.
Por baixo esconde-se o lobo:
Come-te
Quer-te.
Ela amava-te
Deu-te a taça do néctar.
Era linda a musa
Omni (quase) sapiente;
mas tua via-la
de outra forma:
"dizias que não",
-Não que não possas-
mas assim achaste.
Viraste as costas
e foste.
Chorou,
Viu-te cinzento.
Queriam entrar na pedra
Esconderam-se na madeira que enformaram
Esconderam-se,
Não os viram,
Entraram.
Por dentro ruiu
o que se fechou.
são heróis
OS que ficaram.
Nos campos que o rei lavrou
o rei estrava prostrado.
Mãos ao alto,
a saudade que não é grega sentida
"Não deixo ìtaca
Não deixo Penélope"
Só depois da partida
os encontraste.
A bruxa era rameira
usou-te.
Fez o que antes fizeras
Sentiste-te o porco que foste
E que ainda eras.
Andaste;
esqueceste;
eras tu
de novo.
Gritava
Gritava por niguém.
Riam-se todos.
De que te servem as velas
se o vento
não sopra?
De que te servem os remos
se não há braços?
Revoltas?
De que te serve
o que não podes usar?
Olha,
olha o chão
Faz
o que podes.
207
O passado está em nós; só deixa de fazer parte do nosso dia a dia se nós o permitirmos, se virmos que o futuro somos nós quem o faz baseados no que pisámos e inspirados p'lo que nos pisou.
terça-feira, junho 22, 2004
124
Acumula-se no canto empurrada por memórias; prende-se -não é o momento certo e, no fundo, é tímida. Está à espera que eu esteja sozinho ("espera um bocadinho está quase"). Guarda-se: a conversa durou...despedidas sem retorno ("espera só mais um bocadinho está quase prometo"). Cheguei, falei...("n te xateies foi só mais um pouco"). Finalmente entrei, saiu e chorei.
terça-feira, junho 08, 2004
205 Algo fita do escuro
Fecharam a porta que eu só vi um lado. No exterior a escuridão, em parte, era consumida pela luz dos advogados que gostavam de mostrar que o eram; sentei-me e começou a espera.
O espaço foi-se reduzindo. Eu, tão maior que antes, não me conseguia alargar e, se me tentasse erguer, não iria além da tentativa.
Tentei escrever mas, pela primeira vez desde há muito, não tinha como o fazer...o silêncio e o nada que ele implica entraram em mim de rompante: quase que enlouqueci.
Abriu-se uma porta. Era o advogado que restava que saía e que com ele levava a luz. Tudo piorou. Os altos que eu já conhecia da parede que, aos poucos, aquecera passaram a existir só ao meu tacto: só ele agora me fazia companhia.
Um piano começou a soar melodias sem nenhuma relação. Quem tocava estava como eu. O escuro lentamente ganhou forma: o que já não via apareceu. Agarrei-me como se de outra pessoa me tratasse senti que outra qualquer me abraçava: no feérico a solidão cessou.
Entretanto fartei-me e com esforço ergui-me. Com o toque de um dedo surgiu a luz com um clac. Desci e, depois de falar com estranhos para matar tempo e de ouvir intimidades que nunca perceberei, voltei a subir. Repetiu-se o ritual até a porta se abrir.
Já não há mais a contar (e assim se findou uma história).
O espaço foi-se reduzindo. Eu, tão maior que antes, não me conseguia alargar e, se me tentasse erguer, não iria além da tentativa.
Tentei escrever mas, pela primeira vez desde há muito, não tinha como o fazer...o silêncio e o nada que ele implica entraram em mim de rompante: quase que enlouqueci.
Abriu-se uma porta. Era o advogado que restava que saía e que com ele levava a luz. Tudo piorou. Os altos que eu já conhecia da parede que, aos poucos, aquecera passaram a existir só ao meu tacto: só ele agora me fazia companhia.
Um piano começou a soar melodias sem nenhuma relação. Quem tocava estava como eu. O escuro lentamente ganhou forma: o que já não via apareceu. Agarrei-me como se de outra pessoa me tratasse senti que outra qualquer me abraçava: no feérico a solidão cessou.
Entretanto fartei-me e com esforço ergui-me. Com o toque de um dedo surgiu a luz com um clac. Desci e, depois de falar com estranhos para matar tempo e de ouvir intimidades que nunca perceberei, voltei a subir. Repetiu-se o ritual até a porta se abrir.
Já não há mais a contar (e assim se findou uma história).
segunda-feira, junho 07, 2004
204
Quem me conhece sabe que tenho sempre onde escrever e onde desenhar: preciso de me expandir constantemente mas só quem me conhece o sabe.
Todas as folhas que escrevo ou pinto são parte de mim; se as dou é porque me estou a dar e só me dou a quem eu julgo gostar (há casos em que me arrependo).
Tenho um caderno que tinha 120 folhas. Só me lembro por imagens.
Todas as folhas que escrevo ou pinto são parte de mim; se as dou é porque me estou a dar e só me dou a quem eu julgo gostar (há casos em que me arrependo).
Tenho um caderno que tinha 120 folhas. Só me lembro por imagens.
quinta-feira, junho 03, 2004
203
O Sidoro está triste e embora, numa primeira análise, tal sentimento resulte do output do exame, não residem só nesse ponto as suas causas. Em termos gerais nada está como ele acha que deveria estar: está cansado de tanto e está cioso de()mais.
Peguemos no dia de hoje. O exame (até) correu bem mas, logo de seguida, um conjunto de situações aproximaram do piso o que, acima do rodapé, já estava. Não, não foi a fralda dentro das calças (até o elogiaram por isso), foi o silêncio pautado por raciocínios inconstantes fundamentados em nadas que do silêncio provinham; foi a reunião de merda (e este adjectivo é o que melhor se aplica) acerca de algo que as pessoas falam sem saber.
Peguemos no dia de hoje. Esqueçamos por instantes os que lhe antecedem. Peguemos no dia de hoje...Peguemos e esqueçamo-lo como o resto. Como disse a que tem meu sangue "Anima-te".
Peguemos no dia de hoje. O exame (até) correu bem mas, logo de seguida, um conjunto de situações aproximaram do piso o que, acima do rodapé, já estava. Não, não foi a fralda dentro das calças (até o elogiaram por isso), foi o silêncio pautado por raciocínios inconstantes fundamentados em nadas que do silêncio provinham; foi a reunião de merda (e este adjectivo é o que melhor se aplica) acerca de algo que as pessoas falam sem saber.
Peguemos no dia de hoje. Esqueçamos por instantes os que lhe antecedem. Peguemos no dia de hoje...Peguemos e esqueçamo-lo como o resto. Como disse a que tem meu sangue "Anima-te".
201 (errata)
Os posts anteriores são uma simples criação da mente artista do autor deste blog. No fundo ele não se considera inferior apresentando até uma auto-estima por vezes corrosiva. Porém é isso que infelizmente ele transpõe; os outros, incapazes de o perceber, exigem que seja ele (sim só ele) a compreendê.los. Não considera o fiel leitor tal requerimento ridículo? Sidoro é o sidoro, sidoro até gostaria de mudar um pouco de ficar mais ao alcance do comum; mas não consegue.
Há quem alegue que é mais fácil descer um degrau que o subir. Mas, se as escadas forem descobertas, quanto mais alto estivermos melhor será a nossa vista. Por que motivo descer se só com a subida o que está mais baixo ganha? Assim fala sidoro.
Sidoro gosta. Sidoro se diz que gosta é por que está a ser sincero. Se Sidoro se comporta de uma maneira estranha é porque Sidoro assim é. Se gostam de Sidoro têm de gostar dele da maneira que ele é tal como ele gosta de quem gosta por gostar da maneira de quem é gostado.
Se Sidoro pergutna é porque não sabe. Se Sidoro devia saber e não sabe digam. Se não respondem ele nunca vai saber. Sidoro escreve mas escreve só sobre o que ele sente e muitas vezes, antes de estar certo, Sidoro não sabe que está certo e, antes de estar certo, não escreve sobre o que sente. Agora não exijam que Sidoro perceba o que sintam, porque se lhe custa perceber o que sente e resolve essas dúvidas perguntando a si mesmo (porque é ele mesmo que sente), imaginem o quão moroso é o processo se às suas questões não encontra resposta.
Embora Sidoro inquira e insista nas questões raramente encontra respostas. O que sucede é uma rebaldaria: chatices, discussões, gritos (mesmo que inaudíveis), e estaladas (na maior parte das vezes mentais). Sidoro chora por dentro: "por qu'é que tenho de magoar aquela que me importa?Por quê?". Quantas vezes não tentou responder a esta questão, quantas. Numa fase mais pessimistas as respostas foram aquelas que antecederam este post e que vos digo são ridículas. Porém hoje em dia Sidoro percebe que o problema está na falta de diálogo que, para Sidoro, é essencial.
Portanto advirto. Se Sidoro pergunta, tentem responder. Se Sidoro pergunta é porque precisa de saber. Se Sidoro anseia por uma resposta é porque não quer confusões.
Há quem alegue que é mais fácil descer um degrau que o subir. Mas, se as escadas forem descobertas, quanto mais alto estivermos melhor será a nossa vista. Por que motivo descer se só com a subida o que está mais baixo ganha? Assim fala sidoro.
Sidoro gosta. Sidoro se diz que gosta é por que está a ser sincero. Se Sidoro se comporta de uma maneira estranha é porque Sidoro assim é. Se gostam de Sidoro têm de gostar dele da maneira que ele é tal como ele gosta de quem gosta por gostar da maneira de quem é gostado.
Se Sidoro pergutna é porque não sabe. Se Sidoro devia saber e não sabe digam. Se não respondem ele nunca vai saber. Sidoro escreve mas escreve só sobre o que ele sente e muitas vezes, antes de estar certo, Sidoro não sabe que está certo e, antes de estar certo, não escreve sobre o que sente. Agora não exijam que Sidoro perceba o que sintam, porque se lhe custa perceber o que sente e resolve essas dúvidas perguntando a si mesmo (porque é ele mesmo que sente), imaginem o quão moroso é o processo se às suas questões não encontra resposta.
Embora Sidoro inquira e insista nas questões raramente encontra respostas. O que sucede é uma rebaldaria: chatices, discussões, gritos (mesmo que inaudíveis), e estaladas (na maior parte das vezes mentais). Sidoro chora por dentro: "por qu'é que tenho de magoar aquela que me importa?Por quê?". Quantas vezes não tentou responder a esta questão, quantas. Numa fase mais pessimistas as respostas foram aquelas que antecederam este post e que vos digo são ridículas. Porém hoje em dia Sidoro percebe que o problema está na falta de diálogo que, para Sidoro, é essencial.
Portanto advirto. Se Sidoro pergunta, tentem responder. Se Sidoro pergunta é porque precisa de saber. Se Sidoro anseia por uma resposta é porque não quer confusões.
200 Resumo (é o post 200 merece-o)
Do alto do monte, algo ou alguém superior, nunca em tom de profecia, proferiu :
-Azar daqueles que o amam. Pena daquela que é amada.
(o "o" sou eu)
-Azar daqueles que o amam. Pena daquela que é amada.
(o "o" sou eu)
segunda-feira, maio 31, 2004
196
Um dia fechei-me num cacifo verde que ficou cheio de mim. Esperei ansioso que me mostrasse o que por ranhuras eu não via. Eu era um bouquet, um cartão colorido... Eu era e, desta forma, esperava.
Não sei quando chegou; só me lembro que não acreditou: era bom de mais para ser eu.
Não sei quando chegou; só me lembro que não acreditou: era bom de mais para ser eu.
sábado, maio 29, 2004
195
Há janelas que têm escrito "janela de emergência" e, para as usar, temos de recorrer ao martelinho vermelho - isto se ainda lá estiver.
Estas janelas já me salvaram tantas vezes (Quantas vezes não passei por elas). Protegem-me do muda em segundos, do que me dão a conhecer. VEjo o mar, vejo a terra; vejo o sol e vejo o nada que outros como eu fizeram. Vejo a noite, vejo o dia; vejo dor e alegria: vejo o que faz o mundo e salvo-me de mim mesmo...nunca parti um vidro.
Estas janelas já me salvaram tantas vezes (Quantas vezes não passei por elas). Protegem-me do muda em segundos, do que me dão a conhecer. VEjo o mar, vejo a terra; vejo o sol e vejo o nada que outros como eu fizeram. Vejo a noite, vejo o dia; vejo dor e alegria: vejo o que faz o mundo e salvo-me de mim mesmo...nunca parti um vidro.
194
Entrei no comboio e fui recebido pelo som de um trio cigano (arranjo para pandeireta, guitarra e acordeon). Nunca nenhum branco me recebeu assim. Pediam, mas o que deram não fora suficiente para justificar a troca.
192
Porque o braço está inserido no corpo onde se insere a mente, é visto como o resto, julgam-no demente. Veêm o suporte, julgam a estrutura: acham-na ridícula - não veêm que ela é que é suportada. O corpo move-se de acordo com o pensamento, o braço cria porque o resto sentiu.
Só julgam o corpo. Ridículos! Percebessem o que ele encerra, vissem que não faz porque o que se quer é grande: vissem. Fossem outros que não ridículos...fossem assim.
Só julgam o corpo. Ridículos! Percebessem o que ele encerra, vissem que não faz porque o que se quer é grande: vissem. Fossem outros que não ridículos...fossem assim.
191
Tudo nasce de uma parceria, mesmo que seja vã e entre partes do mesmo. Se há noite é porque há sol e porque a terra gira; só há dia por isso. Só se ve porque há algo a ser visto e o resto se aplica a cada sensação; só se sente porque há algo a ser sentido.
Tudo nasce de uma parceria: tudo. O mínimo contacto pode gerar a magnificiência. O vão pode trazer o que sempre se quis.
Eu sinto,eu penso no que sinto e cada membro cria. Tudo nasce de uma parceria mesmo que seja vã e entre partes do mesmo. (Até este texto)
Tudo nasce de uma parceria: tudo. O mínimo contacto pode gerar a magnificiência. O vão pode trazer o que sempre se quis.
Eu sinto,eu penso no que sinto e cada membro cria. Tudo nasce de uma parceria mesmo que seja vã e entre partes do mesmo. (Até este texto)
190
Meu caro, a vida continua até deixar de o fazer. Quando pára já não volta (salvo excepções milagrosas).
quarta-feira, maio 05, 2004
189 (A bela "adormecida")
Uma dose quase letal de xanax fez com que o seu sono se prolongasse. O príncipe surgiu do nada com adrenalina que quis dar e a química despertou-a. Viveram quase felizes; romance nunca houve.
187
Ao abrir a flor tudo ganha e perde significado. Depois da semente crescer (os passos não interessam) forma-se um botão; o esforço foi grande e não importa de quem - cresceu com carinho.
No momento certo, quando os factores são ideais, o botão abre-se e mostra a cor que encerrava. Tem de estar tudo certo a beleza não pode ser conspurcada (tem de se mostrar por ela nunca pelos outros).
O processo de quem estima atinge a sua plenitude; num instante revela-se o resultado de momentos. Feliz quem trata vê que culminou e, depois do êxtase, pode repousar - há outras plantas que o esperam.
No momento certo, quando os factores são ideais, o botão abre-se e mostra a cor que encerrava. Tem de estar tudo certo a beleza não pode ser conspurcada (tem de se mostrar por ela nunca pelos outros).
O processo de quem estima atinge a sua plenitude; num instante revela-se o resultado de momentos. Feliz quem trata vê que culminou e, depois do êxtase, pode repousar - há outras plantas que o esperam.
186 (Sigh!)
O que diz um suspiro ouvido do nada? O que diz? Sonhos que caiem, alegrias instantâneas, dúvidas momentâneas, simplesmente saudades.
Um suspiro, um instinto não animal...Ai, ai...O passado, o que tenho, o que terei...Um suspiro diz tudo o que importa.
Um suspiro, um instinto não animal...Ai, ai...O passado, o que tenho, o que terei...Um suspiro diz tudo o que importa.
185 (Sobre a matemática, sobre[]tudo)
A não experiência não implica falta de jeito. O treino, como é lógico, ajuda mas há coisa que são inatas.
184 (Cálculo prático)
Apeteceu-me escrever enquanto o senhor professor falava da hessiana orlada e de optimizações. Para o jovem pedagogo era tudo tão simples; com um sistema e uma matriz determina se um ponto estacionário é um máximo um mínimo ou outra coisa qualquer.
Por mais que leia ou aprenda nunca terei a sua genialidade e savoir faire: as contas são rápidas quer tenham ou não quadrados e a matriz é logo preenchida (mesmo que o faça não sei interpretar determinantes).
Apeteceu-me escrever. Que mais faço com gosto? Aprendo merdas que não utilizo - não há mulheres orladas, não há um lambda que me auxilie. Escrevo porque me apetece, escrevo porque não me optimizo.
Por mais que leia ou aprenda nunca terei a sua genialidade e savoir faire: as contas são rápidas quer tenham ou não quadrados e a matriz é logo preenchida (mesmo que o faça não sei interpretar determinantes).
Apeteceu-me escrever. Que mais faço com gosto? Aprendo merdas que não utilizo - não há mulheres orladas, não há um lambda que me auxilie. Escrevo porque me apetece, escrevo porque não me optimizo.
183
Não tinha nada para fazer; tudo havia sido desmarcado na véspera. Chegou a casa e meditou como vira nos filmes (nesse instante queria ver um) mas de nada lhe serviu.
Olhou a cama; deitou-se: só viu a luz do dia seguinte.
Olhou a cama; deitou-se: só viu a luz do dia seguinte.
terça-feira, maio 04, 2004
182 (A receita)
Gostava de escrever quando quisesse. Escrevo só quando me apetece: quando saio de mim.
Podia dizer que tal acontecimento depende do tempo, mais especificadamente, da humidade relativa do ar mas, se o fizesse, estaria a ser muito redutor e os erros seriam exagerados.
De facto escrevo, melhor, apetece-me fazê-lo quando muitas variáveis se conjugam. Não interessa quais. Se soubesse, se quisesse, simulava as condições e, no final, tinha um livro.
Podia dizer que tal acontecimento depende do tempo, mais especificadamente, da humidade relativa do ar mas, se o fizesse, estaria a ser muito redutor e os erros seriam exagerados.
De facto escrevo, melhor, apetece-me fazê-lo quando muitas variáveis se conjugam. Não interessa quais. Se soubesse, se quisesse, simulava as condições e, no final, tinha um livro.
181 (Depois de tentar começar uma)
Todas as histórias têm um começo; a partir dele tentamos adivinhar o resto e supômos o final. Se tudo corre como julgámos sentimo-nos um pouco desiludidos com o que não nos surpeendeu.
À medida que nos afastamos do nosso nascimentos fica cada vez mais fácil prever (correctamente) o desenlace - pudera;já ouvimos tantas histórias e já vivemos tantas outras: com a idade é mais difícil a surpresa.
Comigo - ou melhor - cada história que me tem como protagonista ou até mesmo como personagem secundária tem o seu pouco de estranho: acabam sempre por me surpreender.
Por vez gostava de ter uma história normal, de saber o que esperar dos outros (daqueles com quem convivo). Os sinais seriam por uma vez o que nunca foram: sinais. Os sorrisos seriam sorrisos, as mãos enlaçadas diriam o que se diz quando se enlaçam as mãos. Se assim fosse ficaria surpreso.
À medida que nos afastamos do nosso nascimentos fica cada vez mais fácil prever (correctamente) o desenlace - pudera;já ouvimos tantas histórias e já vivemos tantas outras: com a idade é mais difícil a surpresa.
Comigo - ou melhor - cada história que me tem como protagonista ou até mesmo como personagem secundária tem o seu pouco de estranho: acabam sempre por me surpreender.
Por vez gostava de ter uma história normal, de saber o que esperar dos outros (daqueles com quem convivo). Os sinais seriam por uma vez o que nunca foram: sinais. Os sorrisos seriam sorrisos, as mãos enlaçadas diriam o que se diz quando se enlaçam as mãos. Se assim fosse ficaria surpreso.
179
Se fossemos sinceros não desdobraríamos os pensamentos em folhas de papel - nem sequer pensaríamos no assunto.
Se fossemos sinceros saberíamos - não era necessário perguntar.
Se fossemos sinceros não existiriam poetas - não se embelezavam as palavras, acreditar-se-ia simplesmente.
Sou poeta;não sei; digo de forma pensada.
Se fossemos sinceros saberíamos - não era necessário perguntar.
Se fossemos sinceros não existiriam poetas - não se embelezavam as palavras, acreditar-se-ia simplesmente.
Sou poeta;não sei; digo de forma pensada.
176
O coro cantava o que mais ninguém via. O coro cantava o destino. Os seus olhos estranhos de uma forma estranha olhavam o vazio - viam o que mais ninguém via. O coro cantava, o coro dizia - o que só ele sabia mais ninguém via.
Monocórdicos, atulados, abraçados os pensamentos; sofrimentos, alegrias em cantigas anciãs.
Ouve-o, escuta-o, perscruta o teu dia; o que ele canta o que ele diz é o que só ele sabe. Vai-te, parte, esquece o finito: o coro é antigo mas sabe o futuro.
Monocórdicos, atulados, abraçados os pensamentos; sofrimentos, alegrias em cantigas anciãs.
Ouve-o, escuta-o, perscruta o teu dia; o que ele canta o que ele diz é o que só ele sabe. Vai-te, parte, esquece o finito: o coro é antigo mas sabe o futuro.
175
Os olhos desencontrados eram amostras de raiva, de rancor que crescia de uma forma lasciva: os extremos tocaram-se.
174 (A cadeira do Eero)
Desde que vi uma que anseio ter um conjunto delas. A sua forma de flor (de tulipa), a sua perna tão esguia, deliciam o meu instinto de equilíbrio estético. Desde que vi aquela cadeira da Köln que sei que vou ter uma, melhor, umas delas.
Podem dizer que é uma cadeira como outra qualquer; que só tem um forma bonita; até podem acusá-la de não encaixar bem nas costas e de me entortar. Não importa: é linda, e, p'lo que parece, ninguém, além de mim, a vai usar.
Ocupa espaço, preenche-o bem. Sempre faz alguma coisa.
Podem dizer que é uma cadeira como outra qualquer; que só tem um forma bonita; até podem acusá-la de não encaixar bem nas costas e de me entortar. Não importa: é linda, e, p'lo que parece, ninguém, além de mim, a vai usar.
Ocupa espaço, preenche-o bem. Sempre faz alguma coisa.
173
Já faz algum tempo desde a ùltima vez que escrevi. Podia inventar motivos parvos que, por o serem, não teriam qualquer significado porém cinjo-me a dizer, e creio que de uma forma sincera, que não consigo, que não o fiz porque não me apeteceu (fazê-lo).
Detesto criar linhas por obrigação. Essas não têm vida. Tudo o que acumulo neste bloco de notas tem origem natural: o esforço que houve era o que tinha de haver, nunca me abriram o ùtero.
Escrevo o que quer ser escrito, não o que devo escrever.
Detesto criar linhas por obrigação. Essas não têm vida. Tudo o que acumulo neste bloco de notas tem origem natural: o esforço que houve era o que tinha de haver, nunca me abriram o ùtero.
Escrevo o que quer ser escrito, não o que devo escrever.
terça-feira, abril 27, 2004
172 (O beijo/O sonho)
Tocavam-se,
Os olhos cerrados olhavam-se
- Um deles era feliz.
Abraçava-a com o carinho que tão poucas vezes deu.
Abraçava-a;
Retia-a;
Não a queria perder.
Os olhos cerrados olhavam-se
- Um deles era feliz.
Abraçava-a com o carinho que tão poucas vezes deu.
Abraçava-a;
Retia-a;
Não a queria perder.
170 (Underground)
As veias da cidade carregam células mortas que teoricamente são a vida. Não comunicam entre elas: são cada vez mais umas e o resto não interessa.
As veias da cidade carregam células mortas que, de uma forma agregada, se deslocam. O tempo rege-as, o tempo dit a o que cada uma delas faz: estão mortas por isso, a vida que lhes resta não é nada.
As veias da cidade carregam células mortas. Eu sou uma delas. Sou levado de um extremo a outro em menos de uma hora. Sou uma célula morta que o tempo ditou.
As veias da cidade carregam células mortas que, de uma forma agregada, se deslocam. O tempo rege-as, o tempo dit a o que cada uma delas faz: estão mortas por isso, a vida que lhes resta não é nada.
As veias da cidade carregam células mortas. Eu sou uma delas. Sou levado de um extremo a outro em menos de uma hora. Sou uma célula morta que o tempo ditou.
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