Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

sexta-feira, outubro 15, 2004

262 (Tudo vai dar ao mesmo)

Nunca escrevi um texto que tivesse mais do que duas páginas que não fosse para ser avaliado. Não o faço por falta de jeito, até acho que o tenho, porém sou preguiçoso e disperso demais. Gosto tanto de pegar em palavras disjuntas e de as ordenar conforme me apetece...séries psicológicas absolutamente abstractas e que no limite tendem p'ra um local que nunca tocam pois, como sabemos, nunca ninguém sente o mesmo duas vezes e o que se lê provoca algo distinto do que aquilo que provocou a escrita.

Neste preciso instante estou mais hiperactivo que o que p'ra mim é normal. Não sei o que fazer e já tentei fazer de tudo. Não me concentro o suficiente para resolver problemas de estatistica que nunca terão aplicação na minha vida (A maior parte das probabilidades sou eu que crio). Pinto mas só me saiem coisas lugubres, feias e sem sentido.

O que raio faço?
Podia tentar dormir mas é-me impossivel. Ouço o meu coraçao enquanto pressiono o teclado de uma forma intensa e não cronometrada completamente idêntica a minha maneira de pensar. Como me irrita aquele batimento ritmado, nem me importa que seja sinal de vida. Quero dormir e não importa se acordo ou não.

Merda, quero sair de casa AGORA.

Porque é que não tenho a merda da carta de conduçao. Pq é que não posso pegar quem me apetece e partir para onde eu quero ir. Porque é que sou preguiçoso d +, por que não sou como os tais que vivem em funçao da gasolina!

Quero estar com alguém. De preferência rapariga.

Ei Ei tem de ter mais de 16 não quero que confundam as palavras. Estou sozinho e estou cheio de mim. Que alguém me receba pah. Que alguém veja que eu me estou a dar com poucas condições (sim eu sei que elas pesam).

Merda. Já estou confuso. Não escrevo mais. Como os outros não tem duas páginas.

261 - Ao som de A saucerful of secrets

I (Até a bateria começar o ritmo repetido e intenso)

Está a chover lá fora mas, como é hábito nestes dias, não é a chuva que me incomoda. Anseio que mercúrio me traga alguma mensagem, não do Olimpo, mas d'ali p'ros lados da lapa terra onde habitam, e uso a terminologia do Alvaro, alguns semi-deuses.

Ela de ser superior só deve ter a pronúncia que ainda não senti ter algo de morte. De resto é bastante humana e consciente disso; só por isso espero ansioso que diga algo.

Tento em vão pensar que vai acontecer o pior, mas, mesmo achando que nada vai dizer como resultado de horas de espera, ainda olho de vez em quando para o meu telemóvel velho e partido com um olhar intimidante pois há a hipótese remota de ele não ter vibrado.
Espero, espero, espero, espero, espero, espero e Imagino demais p'ra esta realidade.

II ( O resto)

Ele nunca esteve tão acordado; os seus sentidos são a prova. Era de noite os asperores que se ouviam ao fundo descarregavam parte do que, à pressão, se acumulara numa rede inexplicável de tubos de borracha muito mais espessos que um vaso capilar.

Está no seu quarto; o único espaço que até hoje considera seu. Fechou instintivamente as janelas p'ra que o odor que desconhece não deixe o espaço que marca. No chão acumulam-se pacotes de bolacha uns usados e outros por abrir - são a única refeição possível às horas a que tudo em casa dorme. No centro está uma mesa de jogo que p'ra jogar nunca serviu; sobre ela estendem-se folhas borradas - algumas de uma forma mais ordenada- de cores e outras com linhas tortas com escritos por vezes certos.

Ele não sabia o que fazer. Esteve à espera de uma mensagem que tardou a vir e que, takvez seja da pronúncia, custou a perceber. Por isso respondeu que estava a ouvir música - passatempo óbvio de quem quer que o tempo passe não tão lentamente. Será que ela percebeu? Talvez a sua não resposta seja a evidência envergonhada disso.

Enquanto esperou fez quase tudo o que sabia o que se achava apto a fazer. Pintou, escreveu e até estudou só para esquecer a ânsia que aumentava ao compasso dos minutos que passavam desde que olhou o móvel pela 1ª vez. Aos poucos foi-se aproximando
do ponto de ruptura: 1º as linhas pareciam ordenadas depois, e de uma forma sucessiva, foram perdendo o sentido como castigo de uma uma irracionalidade aparentemente qualquer - mas nunca o é, tem sempre um motivo.

No exterior os aspersores recolheram-se e a rega terminou. Ele parecia mais calmo, mais certo. Sim, já não ouvia o bater ritmado do seu coração que parecia invadir-lhe o interior do crânio de uma forma rude e sem sequer pedir. Não ele já não o ouvia mas, entretanto - e falo de horas-, ouviu. O quanto não terá doído, imaginem o crânio batido até ao seu interior. "Não", gritou ele pegando em cores e numa folha...pensou que a tortura auto-imposta só se tinha ido embora p'ra descansar.

Pintou, pintou, pintou, pintou, pintou e sempre sem sentido até ver que não voltava. Pôs a tocar alguma coisa; lavou os dentes dentes e a cara e as mãos coloridas; disse no messenger palavras amigas e e deitou-se. Exausto quedou-se logo adormecido.

sábado, outubro 09, 2004

260 No bar da scolarest

As árvores cresciam no interior de um palácio antigo restaurado p'ra usos modernos; só ficaram os corredores amplos onde a idade não permite corridas. A capela coitada foi profanada por escritos económicos que só interessam a quem já não vive os dias.

Nos ramos cresciam frutos que têm a cor do seu nome. Eram ácidos aposto mas não corriam o betão. Na calçada acumulavam-se beatas do que ardeu para acalmar e que, por sua vez, permitiu o estudo ou a sua possibilidade.

As folhas eram verdes mas acumulavam fumo; estavam escuros. Só duas sabiam a que sabia o sol e, nos dias de chuva, só estas é que se lavavam. Quantos anos teriam?Quantos não as teriam visto? Os espinhos permitiram que poucos se aproximassem.

Testemunham o que faço, o que escrevo e sabem, mais do que eu, de que padeço.

São fragéis, têm pouca espessura. Não são de metal como as mesas que cambaleiam na calçada suja e que suportam o que escrevo - só são frias quando têm de ser-

As árvores cresciam; o edifício só mudava de cor. Elas viam, elas sabiam o que eu ainda não sei.

quarta-feira, outubro 06, 2004

259

"somewhere i have never travelled,gladly beyond
any experience,your eyes have their silence:
in your most frail gesture are things which enclose me,
or which i cannot touch because they are too near"

Há coisas que já não esperamos encontrar como resultado de procuras escusadas que um dia tiveram de acabar. Porém, um dia, tudo aparece condensado num pequeno ser que sem pedir passa diante de nós. Eu procurei tanto p'ra, quando já estava cansado, tu apareceres sorrateiramente e de uma forma brusca a meu lado; assustado - como podia ser possível - nem te pude tocar. O que antes buscava o que me fazia mexer acabou por me fechar.

"your slightest look easily will unclose me
though i have closed myself as fingers,
you open always petal by petal myself as Spring opens
(touching skilfully,mysteriously) her first rose"

De vez em quando vinhas ter comigo e puxando devagarinho conseguias por-me ao Sol. Era tua mão que, inconscientemente,me fechava comprimindo-me com um dedo de cada vez contra a sua palma. Perdia um a um os sentidos até deixar de ser eu mas, quando tu querias quando tu pedias, eu voltava, a tua mão largava e eu sorria para ti.

"or if your wish be to close me,i and
my life will shut very beautifully, suddenly,
as when the heart of this flower imagines
the snow carefully everywhere descending;"

Nunca ficavas por muito tempo e eu acabava por fechar com os lábios o sorriso que me deras. Não encontro melhor metáfora, de facto, quando tu te ias, eu era como a flor que caía com a mudança da estação.

"nothing which we are to perceive in this world equals
the power of your intense fragility: whose texture
compels me with the color of its countries,
rendering death and forever with each breathing

(i do not know what it is about you that closes
and opens; only something in me understands
the voice of your eyes is deeper than all roses)
nobody,not even the rain, has such small hands"

Só tu e só contigo. Claro que sei o motivo para tudo isto acontecer, finjo que não e sigo pelo caminho não alcatroado que encontrei. Hei-de chegar a algum ponto sabendo que sei o que digo não saber e, se der, não caio da mesma maneira. Se cair, já amparo a queda.


Adeus. Дoсвиданя.

(O poema é de E.E. Cummings)

258 (À Jaromila)

As quatro flores tinham o valor que os outros lhes davam. Incansáveis queriam sempre valer mais. Mas afinal quanto valiam?


Estou-me pouco fodendo p'ra teorias existencialistas
E p'ras pessoas que as criaram
Quero lá saber se sou livre, se Deus existe ou se o mataram...
Só quero é viver ou julgar que o faço
Quero ser eu a medir cada passo
Quero viver ou julgar que o faço
Só por mim

Não sou como as quatro flores do jardim
Que ganham cor e perfume só p'ra procriar;
O valor que têm é o valor que dão
Nunca se regaram por sede mas p'ra serem bebidas...
As flores vivem em mentiras
que elas proprias criaram.

Eu?
Eu só quero é viver ou julgar que o faço
Certo que um dia vou deixar de o fazer.
Quando morrer
Vivi
p'ra mim.

quinta-feira, setembro 30, 2004

No comboio (outra vez)

Antes do I

Veio ter comigo como o velho que pediu a àlvaro,
E, cm eles, simpatizámos só pelo olhar.
Soube logo que se tratava de miriam prostituta heroinómana,
Só pelo seus olhos tristes e corpo pisado pelos dias o vi.

Era Miriam, puta e drogada, chanada da vida
(Detesto usar termos que tornam coitadas as minorias)
Perguntei-lhe, sabendo a resposta, o motivo da sua decadência
“Foi o charro meninos de hj em dia”. Coitada dele, porque mentistE?
A mistura de tabaco só te fez esquecer o q n querias lembrar:
A tua vida triste que só faz sentido pq traz alegria a quem não a tem.

Quiseste esquecer mais e mais rapidamente
Os alveolos eram uma pausa não justificada
E o sangue era a razão de tudo.
Corrompeste-o e com ele foste tu...

Miriam não sejas ingrata, eu também sou triste na vida.
É a que tens, não a podes mudar,
E és fraca ao ponto de acabares em dias.

I

Não apanhei este comboio e não, não me atrasei.
Não vou a lado nenhum e, se chegar, as horas não interessam.
Não o quis fazer; o que são 15 minutos? O que valem para mim?
O tempo que vai passando é o que eu subtraio ao que me resta

Entretanto outro vai chegar e o doente de sida
Que aparece mal ele pára
Vai pedir de novo às caras que tantas vezes o viram.
Merda ,ele se tem o que tem é porque teve algum prazer
O único prazer que tive hoje foi saber que perdi 15 minutos
Não peço ajuda a ninguem, o meu orgulho é tao maior que eu...

Se olhassem, se vissem perceberiam
Nâo tenho sida, só tenho horas por passar
E só as passo sozinho.

Um cigarra acompanha mas acaba por arder
Eu não quero isto,Mas é tudo o que eu tenho.

II

Sou quadrado por dentro e por fora
Tenho faces paralelas e perpendiculares
Mas, entre elas, estão vertices que ng compreende.

Tudo o que quero não está ao meu alcance
Sei o caminho mas é curvo e os meus lados não mo deixam percorrer
Entalo-me e acabo por voltar p’ra trás.
Conhecendo o que só em parte pisei.

Sei o que quero
Mas nao o posso ter
Sei
Mas sou assim
Se não fosse
Não era.
E se fosse,
O que seria?

III

Não preciso de ópio e sou lúcido
Sou fraco mas não fraquejo como um fraco
Podia esquecer o que me faz, subindo ou descendo um degrau
Mas foi este que me deram.
Já sou cobarde ao ponto de escrever;
Pq será que só digo ao papel que, por ser nada, nada me diz?
Pq?
Já nem as histórias da maria fazem sentido
Fosse tudo tão simples como ela mostrava,
Só me recordo mas já nao sinto.

Porque tive de crescer mesmo que tarde?
Porque não sou ignorante como aqueles que abomino por serem felizes?~
Porque?
E digo eu que sou bravo por aceitar...
Não serei antes estúpido?

Não me deêm ópio que eu não quero
Não me deem alcool que vomito
Tenho o que é suposto ter...

Espero,
Espero
Espero.
Um dia virá o fim.

IV

Cercam-me pessoas que desconheço;
Nao sei se são feias mas são brutas
E acharem-se não brutas só as torna mais.

Não as compreendo e por isso compreendo a sua felicidade
Falam de merdas e por isso não sabem que a vida é o que o é.

Ignorantes,
E eu invejo-os.
Têm merdas e eu só folhas
Que a merda me fazem lembrar tenho.

Invejo-os

Chorassem por viver e não por merdas da vida
Doesse-lhes o corpo por respirar e não por não o fazer

Invejo-os,
Não sabem o que têm
Invejo-os,
Desde a partida.

Depois do IV

Raramente falo de linhase, se o faço, refiro-me só as que eu compus.Sou nostálgico ao ponto de uma cançao nao bastar
De querer mais que uma simples lembrança.

Quase todos os dias ando de comboio
Se olhasse pela janela veria tão pouco igual
(no fundo só o que é imóvele ,do imóvel, só me interessam as memórias)
O caminho esse é que é o mesmo
Embora oxide ao longo dos anos que passam.
No fundo é como eu, como nós, vamos sempre no mesmo sentido
A idade só nos traz outra cor
E só uma porrada nos faz mover.

Raramente falo de linhas
Podia ser a de Cascais; é a minha.


(30/09/2004) - Alguém que não eu.

segunda-feira, setembro 27, 2004

O que mais me fode é que depois de tudo sou o mesmo. (Só aprendi mais uma lição).

Já agora, alguém me quer? (Leio o financial times)
I

Sidoro está chateado mas não grita, ouve música ao berros. A bateria inspira cada linha que resulta de um batimento mais forte nas teclas do teclado imundo - cegamente conhecido. O olhar não foge do monitor como se algo fosse corrigido.

Sidoro tem olhos mas não os usa quando deve. Teve tudo à sua frente, e quase tudo o que tinha era querido por ele mas ele, por ser cego ou por simplesmente não querer ver, nunca se apercebeu. Porque é que só cresceu num ano?Porque é que procurou ser correcto e não se aproximou por se aproximar? por que não comeu do prato mesmo que só fosse p'ra provar?

Sidoro chora lágrimas rubras, momentos passados acumula e se acumula é porque não quer lembrar. Ele ferve, ele grita a quem não deve e só agora faz o que devia.

Sidoro é um cobarde, Brago é um fraco e agora vai dormir...Que (re)nasça o que foi, que o bem se dilua.

II

Se não escrevo mato alguém. Se não tiro acabo por explodir...vai eclodir um ser negro vermelho por fora. Apetece-me puxar os cabelos até ficar calvo e gritar que nada me merece...apetece no fundo ser grande sem pensar nos meios, estar entre os primeiros sacrificando o que não é nosso. Nunca mais, nunca mais...Altruísmo para que, para quê os outros? Nem em mim depois disto confio...Se há destino, quero outro.

III

A guitarra pisa...pisa quem ouve e quem o merece. A guitarra ferve e mostra.

quarta-feira, setembro 22, 2004

257 (O economista solitário suspira, grita baixinho para quem o quer ouvir)

Soubesse eu a preferência dos consumidores.

256

Nasci bem e fui mal crescido. Só o tempo me salva.

255

Sinceramente, já nem me incomodo pois sei que não agi mal ou tão mal como antes. Cometo erros, sei que os cometo, mas eu próprio me julgo. Era mais fácil se houvesse alguém que mos apontasse constantemente mas, nos casos que mais me interessam, a única pessoa que o puderia fazer exige que seja eu quem o faça. Com ela errei, errei constantemente e de uma forma parva (quase tão pequena como eu sou alto) e até sei que, à maneira dela - insuficiente para mim - mo tentou mostrar. Não peço que ela mude, que aja de outra maneira; é assim que ela é e é dela que eu julgo gostar; fosse um bocado mais compreensiva, só isso.

Escrevo e pinto à minha maneira porque o que digo não me é suficiente. Ah! se ouvisse as palavras que não dei a ninguém ela veria, veria que nada é um capricho como ela diz, cm ela me mostra. Nunca consigo; a sua presença, que nunca me incomoda, desperta a descrença em mim mesmo que agora sei ser o único grande mal de que padeço ou pelo menos aquele que me afasta de quem só me quero aproximar.

Tenho medo de a beijar, tenho medo de dizer o que penso, tenho medo de fazer o que quero e não medo dela como ela percebeu.

Nunca houve um capricho, houve o que (eu) dizia mas nunca por mim.


domingo, setembro 19, 2004

254

De que me serve escrever o que não consideram meu?

Fiz-lhe um soneto e, como o outro, dei-lho. Fi-lo, sei que o fiz e não me arrependo de o ter feito; escrevesse, dessa vez, um bocado pior.

quinta-feira, setembro 16, 2004

253

Entre os seus lábios rubros e os seus corpos quentes estava uma persona que nunca interessou a ninguém. Ao contrário do resto, a sua cor era quase humana.

252

Há pescoços que apetecem ser percorridos pelos lábios que respiram o que o corpo ofega. Ah! Pousá-los delicadamente na pele que, juntamente com o resto, o forma;beijar cada sinal que existe levantado apenas parte do rubro que não quer perder o que agora gosta de sentir e treme com cada arrepio.

Apetecia-me percorrer aquele pescoço, senti-lo perto dos meus lábios, arrepiado, dado por quem o possuiu. Seria o começo do rito mais antigo.

terça-feira, setembro 14, 2004

251

Estupidamente sempre que no metro toca algo eu encontro uma relação com o que sinto na altura. Hoje tocava "and i need love..."; é engraçado, ainda agora estive sentado, desesperando e ansiando, não pelo cigarro que enrolara há instantes nem pelo copo de sumo que amargamente me mata a sede - só queria que, por ela, o telefone vibrasse, que eu soubesse que aquilo de que preciso precisa de mim.

O resto que, naquele instante, estava à minha volta consistia num aglomerado de sentimentos definidos, separados por tinta de caneta preta. Cada um deles me fazia viver o momento de uma forma diferente.

Esperei,
Esperei,
Esperei,
e não vibrou.

250

Estou mal disposto como nos dias em que vou p'ra lx para ter aulas; é p'ra lá que eu vou, mas vou receber € em vez de sermões sobre o que a moeda representa.

Ao sair de casa deu-me o 1º enjoo. Achei-o devido ao leite da maria, que tanto custa a digerir, e não à minha incapacidade de controlar ânsias. Fui até ao comboio parando uma vez para aliviar o estômago.

Parti à hora que me comprometera e cheiro nauseabundo estava nos meus dedos. O comboio marcava à medida que avançava mais um aperto no estômago. Escrevo p'ra me distrair...até oeiras funcionou; vou começar a desenhar.

249

Hoje o Orfeu mulher revelou-me, numa das frases que de uma forma melodiosa compõe, que qualquer dia a vida "vai exigir mais que um papel". Eu sei-o; mas qualquer dia exijo alguém que os tenha lido e compreendido a minha forma de ser.

Sidoro não é má pessoa, Sidoro não é desonesto, Sidoro até é bem simples. Egocentrismos à parte - tentem compreende-lo como uma criança que mal sabe pisar o solo que por vezes se levanta para depois cair.

248 (K@T IS B@CK)

Penso A, sinto B, faço C. Por assim dizer estou cruzado.

segunda-feira, setembro 13, 2004

247

Nem querendo ouvia o segredo púrpura. O seu nariz de pinóquio criava uma distância impossível. Se ela não visse, se ela só ouvisse, era tudo mais fácil e óbvio; como o céu azul sobre a terra com um verde estranho.

246

I had never seen her so happy 'til that day...E assim começa um texto que talvez nada tenha a ver com isso.

Uma amiga (acho que já lhe posso chamar isso) escreveu que a lisonja (se é a nós que se dirige) alimenta o nosso amor próprio. É verdade como todos, de certo, consideram. P'ra mim, a melhor forma do manter vivo é sentir que alguém gosta de nós. O problema é quando quem gosta sente que o que sente não passa de um substrato ao ego.

I had never seen her so happy 'til that day. Quando se soube, um deixou de ter, o outro de sorrir.