Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

terça-feira, setembro 14, 2004

248 (K@T IS B@CK)

Penso A, sinto B, faço C. Por assim dizer estou cruzado.

segunda-feira, setembro 13, 2004

247

Nem querendo ouvia o segredo púrpura. O seu nariz de pinóquio criava uma distância impossível. Se ela não visse, se ela só ouvisse, era tudo mais fácil e óbvio; como o céu azul sobre a terra com um verde estranho.

246

I had never seen her so happy 'til that day...E assim começa um texto que talvez nada tenha a ver com isso.

Uma amiga (acho que já lhe posso chamar isso) escreveu que a lisonja (se é a nós que se dirige) alimenta o nosso amor próprio. É verdade como todos, de certo, consideram. P'ra mim, a melhor forma do manter vivo é sentir que alguém gosta de nós. O problema é quando quem gosta sente que o que sente não passa de um substrato ao ego.

I had never seen her so happy 'til that day. Quando se soube, um deixou de ter, o outro de sorrir.

sábado, setembro 11, 2004

245

Revi-a finalmente. Labão, por fim, me mostrou a única filha que eu gosto de ver. Parece que o tempo que esteve distante a tornou mais bela. Falei-lhe sobre o texto que a sua irmã lhe levara tentei falar mais mas, segundo ela, como eu, é tímida. Não sabia o que dizer mais, tive gestos infantis (parecia a criança que não sabe enfrentar um adulto) e, para não parecer mal, fugi.

Passei por ela mais duas ou três vezes e acho que me sorriu. Não estou certo, desviei o olhar...Quando saí, disse-lhe adeus.

quarta-feira, setembro 08, 2004

244

Os três cavaleiros sairam da carruagem subterrânea com a pressa de um atraso inexistente. O mais alto (eu) e o que, por nome, é estrangeiro viram-na e, os dois, consideraram-na um exemplo da beleza eslava. O outro moveu-se ainda mais apressadamente: não a vira e queria saber quem era...sem saber assumiu. Era metrossexual.

243

"A man does not like to feel he has wasted his time. And, if he really is a man, a goodbye is a goodbye."

O Barros atirou isto ao ar nunca pensando que um dia faria assim.

242

"Tu estás livre e eu estou livre
e há uma noite para passar
porque não vamos unidos
porque não vamos ficar
na aventura dos sentidos"

Era tão evidente. Estavamos longe de tudo e não havia nada que nos prendesse à capital de um país que, cada vez menos, vejo como meu. Foram tantas noites aquelas em que te tive perto. Aproximava-me sempre em vão; deixavas-me cercar-te mas eras intransponível como as muralhas de Tróia e Ulisses revisitado não é cabrão como o que o inspira.

Apetecia-me sentir-te e era evidente. Sentia que tu também o querias mas a nossa racionalidade afoga o instinto e extingue aventuras feéricas.


"tu estás só e eu mais só estou
que tu tens o meu olhar
tens a minha mão aberta
à espera de se fechar
nessa tua mão deserta"


Tu estavas triste, qualquer um o via. Na tua cabeça não havia mais que fragmentos de raciocínos que noutra altura talvez tivessem significado; era tanto ao mesmo tempo e tu, nunca parecendo, eras frágil. Eu queria-te, ansiava todos os instantes em que mais ninguém nos via para, à minha maneira e, de acordo com as tuas cedências, te percorrer. Tu tinhas-me a mim e eu não tinha mais que uma estátua imóvel que por vezes aquecia. Nunca pedindo ter-me-ias a teu sempre que triste a tua voz voltasse de longe...parvo não vi que a tua mão deserta estava por uma questão de escolha, de espera, de pensamento (quando quisesses terias a minha).

"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e em que te dás"

Foi rápido admitamos, mas o tempo não passa de uma medida que nada de exacto tem. As coisas surgem no seu tempo e nunca por este se acumular. Amor? Nunca existiu no não humano. Só existe quando há reciprocidade: quando os dois dão; quando os dois recebem.

"Tu que buscas companhia
E eu que busco quem quiser
Ser o fim desta energia
Ser um corpo de prazer,
ser o fim de mais um dia"


No fundo querias alguém, alguém que não eu. Não percebi a segunda parte da frase anterior. Pensei que quisesses os pequenos gestos que te tinha para dar; aqueles que só se dão a quem realmente importa. Não foste o fim dos meus gestos foste só o seu fim.

"Tu continuas à espera
Do melhor que já não vem
Que a esperança foi encontrada
Antes de ti por alguém,
e eu sou melhor que nada"

Acho que o problema é este. Disse-to falando para ela enquanto os meus sentidos aos poucos se adormeciam: as mulheres não gostam de sentir que se sacrificaram em vão. O homem é diferente; eu sou diferente. Aquilo que tu não és pega no tempo perdido, gasto, atirado ao vazio e, ao invês de justificar um maior sacrifício, lamenta-o.
Eu sou melhor que nada; sei que sou melhor (e tu sabes que comparação está aqui a ser feita). Acredita: que seja p'ra ti algo que só a fé nos permite ver.

"Vem que o amor não é o Tempo
Nem é o tempo que o faz
Vem que o amor é o momento
Em que eu me dou e que te dás"

E insisto. Ao mesmo que se aprenda isto.



241

A sua vida era cor de rosa. Não tinha significado: não sabia o que era sofrer por algo e nem sequer temia. Ela ria de tudo e o riso não era cruel. Ao longe, alguém, supostamente fiel, lançava um olhar macabro. Era um cabrão e ela era só mais uma.



A vida tinha a cor rosa
Era amarela tão forte
Não sabendo tinha a sorte
(Não ousando talvez possa)

Era tudo cor de rosa
Alguém, de mal, o viu
As mentiras ela ouviu
Nunc'houve cores na fossa.



300 + qqr coisa (memórias)

So esperei uma vez por ela naquele aglomerado comercial. Ela, a meu ver, esperava-me em qualquer parte (só o vejo agora). Chegou, nessa vez, um pouco atrasada e eu não me importei. Ela cansou-se de esperar que eu fizesse algo...nunca o fiz - somos altos mas as nossas alturas são diferentes.

Ironicamente esta a oeste de tudo; Onde o sol nasce primeiro, tudo cresce mais cedo.

segunda-feira, setembro 06, 2004

240

São quatro da manhã certas. Sidoro está exausto. Sidoro está a tornar-se ele mesmo.

São quatro da manhã e dois minutos: ele vai dormir e sonhar. Ao acordar esquece-se de tudo o que não será real.

São quatro da manhã e três.

239

O Pedro tem um blog. O blog tem um nome giro; como quem lá escreve tem sentido (às vezes complicado) e fala de tudo um pouco. Ele é Rasca como nós. Gosto muito de o ler, tal como gosto muito do meu amigo, embora confesse que às vezes sou preguiçoso demais para o ler a fundo - talvez até seja um bocado egoísta já que exijo muitas vezes que torne tudo mais simples (logo eu que sou um complicado e que tenho o meu amigo sempre para me ouvir e que, muitas vezes sem pedir, tenta descodificar os meus escritos irracionais).

O Pedro é um bom amigo e o seu blog é um bom blog. Mesmo que sejam egoístas nunca serão como eu (um em muitos) só mais um.

238

A mana escreve. A mana desenha. A mana é como eu, embora a ache melhor.

237

Ao longe um pássaro respondia ao canto de outro que já lhe respondera antes. O carro estava imóvel (ou assim me pareceu - um físico fez-me acreditar que estamos sempre em movimento) era o apoio das minhas costas que ainda sentiam o peso de me ter sentado de pernas cruzadas para comer peixe vendido a um preço bastante inflacionado.

A minha boca ainda sabia a saké e a tabaco holandês. O sushi tinha um sabor leve e o flurry só deixa marcas se o comermos vezes suficientes. Não pensei em saúde, ainda sou novo demais para isso, pensei no que sou e, consequentemente, em tudo o que me define - só depois entrei no carro sem fechar a porta. Acho que cresci; estou mais perto do homem que disseram que um dia eu seria. Olho para trás e sinto que agi mal, que dei passos desmesurados e que muitos mais ficaram por dar. Só me magoam os inspirados na minha falta de visão.

Por que não vi aquilo?Porquê?Não chorei, pensei até me levantar e limitar o meu espaço.

236 (De noite talvez perto do mar)

Enquanto eles faziam das suas pûs-me por instantes de parte. Como o fumo percorri a noite e, enquanto me dividia, deixei de ser visto. Peguei no telemóvel por instinto e só o larguei depois de saber que a mensagem estava pendente:

"Um bjinho grand grand grand de boa noite para a ùnica com quem as quero passar. Amanhã vou estar em lx, qqr coisa kolmi. *" (Foi +/- assim só não estou certo do *).

Pensei um bocado. Vi que ansiava beijos que ficaram por dar e uma voz que ainda não ouvira nesse dia; vi e ansiei por eles e por outras pequenas coisas. Levantei-me e conversei supostamente sério - estava noutro lado, era o monóxido que percorria os seus pulmões quase dormentes.

235

Lembro-me que chegou de vermelho. Por fora estava como eu me sentia. Encontrámo-nos na casa com o nome do farol seu vizinho. Nunca a vira assim; nem sequer conseguia associar tal cor à sabedoria. Veio de surpresa pouco depois de eu ter perguntado a uma alfarrabista moderna quanto custaria o "*Paço de Sintra" em versão original: foi ela que me reconheceu.

Tomámos um café e, por ter sido há algum tempo, sei que não o fiz por hábito - ela era a desculpa. Falámos; dissemos merda que só serviu para fazer tempo. Levantámo-nos e fomos para uma zona menos movimentada (daquelas que aliviam os compromissos inexistentes) e, cada um do seu jeito, se entregou.

Repetiu-se o processo até se julgar suficiente. Repetiu-se até mudarmos.

domingo, setembro 05, 2004

234

Eram dois; eram três; eram quatro. Um foi, ficaram três. Esses formaram um triângulo isosceles cujos lados iguais eram bem maiores que o outro. Ao fundo ficou um vértice.

sábado, setembro 04, 2004

233 (A short summer story)

I

Le dernier jour - ou est-il le premier?


II

Entre eles a distância do que toca;
Distintos eram os seus leitos; Tinham
Talvez mais que um só sonho em comum, riam
talvez das mesmas p'quenas coisas. Possa,

Se assim Ele entender, sentir a costa
onde anseio tocar. Ah, nunca veriam
Sem o tipo de fraque não seriam
Mais que uns átomos dispersos sempre às voltas.

A janela fechada não esteve,
Ela não se mexeu, não me fugiu,
Nem um pequeno gesto ela viu

(nem um só passo do que foi jurado).
O mesmo não sou - estou mudado-
Só de bravura tenho ainda sede.

III


Platonico é o que sou
acumulo os sonhos parvos
sou fácil, aceito o dado,
quando eu nunca me dou.

Choro só pelo não feito
pelos passos que não dei
só o faço quando sei
que eu podia tê-lo feito.

Canso os outros mais que eu
sofro quando outros magoei
Nunca me dei a ninguém;
O querido é quem temeu.


IV

O seu cheiro é tão intenso, reconheço-o a metros de distância - os mesmos metros da minha demência. Fico louco. Sei-a perto; fala para longe de mim. O seu cheiro é tão intenso, propenso é ao sonho - não disponho do que anseio mas o cheiro e tão intenso...Eu não desço mais: são letais as subidas, as descidas são constantes. Incessantes as melodias de longe.


V

Um dia no jardim:

Àgua,
o verde da relva,
o vermelho da flor desabrochada.
O descanso,
O nada.
O medo.


VI

Não estou chateado. Estou azul como sempre (só os lábios estão da cor da carne que anseia ser devorada).


VII

Gestos infantis,
um cheiro intenso
propenso
ao sonho.
Conversas p'ra longe
inaudíveis...
Fraca presença.
Lábios sensíveis
Dispersos no sonho
Rodeiam mas não tocam
Parece que deles fogem
os que são de outrem.
Apetece-lhes percorrer
conhecer
outros...
C'oa fuga
Acaba o sonho.


VIII

Ele estava fulo, chateado. Eterno palhaço...Ele foi ridicularizado, usado, por quem o usou.


IX

A paciência tem limites que não é o homem que define - faz-se o que se julga correcto e não se recebe o que se achar certo receber. Aguenta-se por pouco, tal como um desenho por acabar e cujo término é um frete: fica-se com uma imagem e não se chora por ser suficiente.


X

Não espero, espero que saibas,
que já me cansa esperar
não saio deste lugar
até q'eu um dia saia.

O cheiro enlouquece, longe
sempre esteve de mim
quando julguei vê-lo aqui
ele de novo enfim põe-se.

Não espero, espero que saibas,
A espera tem um limite
E eu insisto que ele existe
Quando ele chegar que saias.


XI


È subtil a fúria dele
traz um verde amarelado
Olhem p'ra ele coitado
O desejo à volta dele.

Tenta em vão ser mais coerente
Olhar p'ro lado e gritar
não o faz está a chorar
desejo fá-lo demente.

Passou p'ra folha e esqueceu
O que tinha não mostrou
q'ria gritar e passou
Só a folha percebeu.


XII

Yin e Yang. A tranquilidade e o caos. Por vezes um ganha antes de haver equilíbrio.

XIII

Prelúdio de um beijo.

Tinha o espelho atrás
Só ele reflectia,
via,
o instante.

Aproximaram-se
Fecharam-se os olhos
(os que assim ele gosta de ver)
Tocou-a
Depois mostraram-se
Beijaram-se
Às escondidas
De tudo o que vê...

Porquê?


XIV

A saudade faz com que o resto impacientemente pareça tranquilo. É estranho: sei-a a longe e anseio por ela mas, por assim ser, sinto-me calmo por dentro.

Quando sinto saudades também avermelho: desejo mais que um simples olhar.



terça-feira, agosto 17, 2004

232

Vivemos enquanto a pequena sala tiver espaços por pintar.

231

Os meninos gostam de histórias da carochina: divertem-se e não sentem o passar do tempo. Os adultos não diferem das crianças, só exigem outro conteúdo (digamos: com mais maturidade), com personagens mais realistas e de acordo com o paradigma da altura (sem saber seguem kuhn) ou então completamente fora da realidade. Peguemos na religião que uns seguem religiosamente e que, no fundo, assenta numa história mal contada e que sem fé ninguém acha verdadeira.

As histórias que imagino são outras: têm-me como personagem principal e, em cada sequela, contraceno com uma protagonista diferente; mas, como digo, não passam do que são.

230

O homem cria quando tem de criar

.

(E mais não digo)