Le dernier jour - ou est-il le premier?
II
Entre eles a distância do que toca;
Distintos eram os seus leitos; Tinham
Talvez mais que um só sonho em comum, riam
talvez das mesmas p'quenas coisas. Possa,
Se assim Ele entender, sentir a costa
onde anseio tocar. Ah, nunca veriam
Sem o tipo de fraque não seriam
Mais que uns átomos dispersos sempre às voltas.
A janela fechada não esteve,
Ela não se mexeu, não me fugiu,
Nem um pequeno gesto ela viu
(nem um só passo do que foi jurado).
O mesmo não sou - estou mudado-
Só de bravura tenho ainda sede.
III
Platonico é o que sou
acumulo os sonhos parvos
sou fácil, aceito o dado,
quando eu nunca me dou.
Choro só pelo não feito
pelos passos que não dei
só o faço quando sei
que eu podia tê-lo feito.
Canso os outros mais que eu
sofro quando outros magoei
Nunca me dei a ninguém;
O querido é quem temeu.
IV
O seu cheiro é tão intenso, reconheço-o a metros de distância - os mesmos metros da minha demência. Fico louco. Sei-a perto; fala para longe de mim. O seu cheiro é tão intenso, propenso é ao sonho - não disponho do que anseio mas o cheiro e tão intenso...Eu não desço mais: são letais as subidas, as descidas são constantes. Incessantes as melodias de longe.
V
Um dia no jardim:
Àgua,
o verde da relva,
o vermelho da flor desabrochada.
O descanso,
O nada.
O medo.
VI
Não estou chateado. Estou azul como sempre (só os lábios estão da cor da carne que anseia ser devorada).
VII
Gestos infantis,
um cheiro intenso
propenso
ao sonho.
Conversas p'ra longe
inaudíveis...
Fraca presença.
Lábios sensíveis
Dispersos no sonho
Rodeiam mas não tocam
Parece que deles fogem
os que são de outrem.
Apetece-lhes percorrer
conhecer
outros...
C'oa fuga
Acaba o sonho.
VIII
Ele estava fulo, chateado. Eterno palhaço...Ele foi ridicularizado, usado, por quem o usou.
IX
A paciência tem limites que não é o homem que define - faz-se o que se julga correcto e não se recebe o que se achar certo receber. Aguenta-se por pouco, tal como um desenho por acabar e cujo término é um frete: fica-se com uma imagem e não se chora por ser suficiente.
X
Não espero, espero que saibas,
que já me cansa esperar
não saio deste lugar
até q'eu um dia saia.
O cheiro enlouquece, longe
sempre esteve de mim
quando julguei vê-lo aqui
ele de novo enfim põe-se.
Não espero, espero que saibas,
A espera tem um limite
E eu insisto que ele existe
Quando ele chegar que saias.
XI
È subtil a fúria dele
traz um verde amarelado
Olhem p'ra ele coitado
O desejo à volta dele.
Tenta em vão ser mais coerente
Olhar p'ro lado e gritar
não o faz está a chorar
desejo fá-lo demente.
Passou p'ra folha e esqueceu
O que tinha não mostrou
q'ria gritar e passou
Só a folha percebeu.
XII
Yin e Yang. A tranquilidade e o caos. Por vezes um ganha antes de haver equilíbrio.
XIII
Prelúdio de um beijo.
Tinha o espelho atrás
Só ele reflectia,
via,
o instante.
Aproximaram-se
Fecharam-se os olhos
(os que assim ele gosta de ver)
Tocou-a
Depois mostraram-se
Beijaram-se
Às escondidas
De tudo o que vê...
Porquê?
XIV
A saudade faz com que o resto impacientemente pareça tranquilo. É estranho: sei-a a longe e anseio por ela mas, por assim ser, sinto-me calmo por dentro.
Quando sinto saudades também avermelho: desejo mais que um simples olhar.