Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.
Tenho o meu espaço como é lógico: adoro o meu quarto. Ele é o meu melhor amigo; escuta, ouve e vê tudo o que se passa comigo e nada pede em troca. Enquanto escrevo no computador estou de costas para um MUPI (será assim que se escreve?) da ABSOLUT; de certa forma sou sacana, esqueço o que ele representa até precisar.
À minha direita tenho uma estante mais alta que larga. No ùltimo piso garrafas vazias da marca citada fazem-me lembrar, não as alegrias momentaneas que me deram, mas as mágoas que me fizeram esquecer por momentos. Por baixo acumulo livros que versam rimando e outros que versam sem sentido; li-os todos: gostei de alguns, adoro todos de um e há um ou dois que detesto. Na parte central merdas encimam os livros de direito civil que espero não ler.
No meu lado esquerdo sem sentido acumulo as folhas que preencho. Olho para elas e lembro-me de tudo até do que já não é mas desta vez as recordações cingem-se a ser o que são. O que passo para palavras ou cores deixou de estar em mim; deixou de ser um peso que só eu conhecia. Sou cobarde, mas só assim consigo. Só assim, cobarde e egoista, é que consigo escrever.
Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.
Quando saio à noite consigo divertir-me a maior parte das vezes. Não recorro ao alcool para me animar; p'lo contrário, a fluidez que me dá concentro no raciocinio exagerado que, como quem pensa sabe, só leva a merda. Podia ter aquela conversa do "não interessa o espaço mas sim as pessoas com quem vais" mas, como só eu sei, não sou mentiroso: interessa e bem. Não gosto de ambientes petulantes. É detestável ver como pessoas nos avaliam sem sequer saber o que pensamos (afinal o que define o que somos?).
No meio da diversão por vezes surge alguém que me desperta o olhar. Vacilo. Imagino como será. Estatiscamente não me é normal meter conversa, usualmente tem sido. Quando não falo é tão estranho perpetuo o que começou no instante que a vi e, movido por cobardia e um certo egoismo, recorro a um nada ABSOLUTo que me prolonga os juizos que julgo ajuizar. A noite termina em casa: o que escreveu é um rascunho, o que dorme está quase a nascer.
Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.