Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

terça-feira, abril 27, 2004

172 (O beijo/O sonho)

Tocavam-se,
Os olhos cerrados olhavam-se
- Um deles era feliz.
Abraçava-a com o carinho que tão poucas vezes deu.
Abraçava-a;
Retia-a;
Não a queria perder.

171 (Spring)

O verde primaveril corrompe o vermelho da carne.

170 (Underground)

As veias da cidade carregam células mortas que teoricamente são a vida. Não comunicam entre elas: são cada vez mais umas e o resto não interessa.
As veias da cidade carregam células mortas que, de uma forma agregada, se deslocam. O tempo rege-as, o tempo dit a o que cada uma delas faz: estão mortas por isso, a vida que lhes resta não é nada.
As veias da cidade carregam células mortas. Eu sou uma delas. Sou levado de um extremo a outro em menos de uma hora. Sou uma célula morta que o tempo ditou.

domingo, abril 25, 2004

169 (You may call it happinness)

O tempo, o tempo é como o concebemos. Há quem diga que é triste, cinzento e mau mas, quando o faz, não percebe que esses adjectivos são somente seus. O céu mais negro, o mar mais agitado pode ser, se o quisermos, o que de mais belo vimos.
Aos pouco abdico do que me entristece: do que faz com que a chuva corroa e que o sol arda. E, à medida que o faço, tudo ganha outro sentido. Percorro sempre o mesmo caminho mas é cada vez menos o anterior. As árvores agora querem acolher-me na sua sombra; o sol anima-me e, como o verde, parece que é meu...
Esqueci a ânsia, o desejo que uma mão se enlace. "Nada espero" o que me dão basta.

sábado, abril 24, 2004

168 (O dia do ex-namorado árabe)

A chuva cessou de cair. Estava sol. Acordei mais tarde que habitual - não ter aulas é uma benção. Lentamente levantei-me ao som de árias que, em vão, tento cantar. Ergui os estores; entrou o que já não via, o que, com o calor, senti. Pressenti algo de novo...
A água quente parecia que escorria mais delicadamente em mim. Sob ela passei mais tempo. Vesti-me e fui chegando 3 minutos antes da partida (Que sorte!).
No comboio tentei fazer o projecto que me mostrara mas não me lembrei das medidas. Cingi-me a olhar o mar mais azul, o forte que quase toquei e a lembrar-me da ilha que antes havia.
Cheguei a Lisboa na hora certa, ofereceram-me um livro que não consegui ler. P'lo menos alguém dá linhas, não interessa o que têm: que alguém leia. O destino, supostamente final, vi-o dois minutos depois do combinada, mas ainda esperei ao som do piano que mais gosto.
Passeamos, rimos e até lemos. Foi o que me bastou. Despedi-me como uma criança imberbe que nunca havia pisado aquele solo.
A cidade, como o dia, era-me outra. Voltei, desta vez, feliz.

quarta-feira, abril 21, 2004

167

Gosto dos dias que são como eu: aqueles dias em que o céu está cinzento e chove mas não muito.
As pessoas na rua são poucas e, na maioria, protegem-se sob alguma capa. Andam a correr como se menos se molhassem pensando somento no calor do abrigo.
O piso encharca-se mas não se chega a lavar: a água que voltará a subir acentua somente o quão conspurcado está. Há uma réstia de vento; o mar está escuro, talvez agitado.
As pessoas na rua são poucas e, as que vejo, estão longe: não se querem diluir numa chuva que corrói, não querem isar o que veêm estar sujo. Detestam o que este céu trouxe esquecendo que só falta o sol.

terça-feira, abril 20, 2004

166 (Regret)

Sei o resto que sei estar feito e tudo o que por fazer ficou. Resta-me esquecer. Tudo sei: não faço.

165

Transformo o que importa de uma forma exagerada e digo-o. Ninguém me crê.

164

Depois de me expôr sinto-me a vulso.

segunda-feira, abril 19, 2004

163 (Um beijo)

As sombras passam a ser uma só contra a parede branca. Entregam-se tão pequenas e surge uma maior; movendo-se exapande o que é e as sensações que desperta.
Tudo principia quando se encontram no escuro. Se for sentido os olhos cerram, como se não merecessem o que se dá, tudo o que se anseia naquele momento que parece não ter fim. A fronte move-se comovida alimentada do que recebe.
Ah! tão desejado é aquele instante; e quem o quer espera mesmo que anseie: tem de partir de dois - dois lábios não chegam e, sozinhos, de que servem?Quem não o faz mente, não gosta, só oscula por prazer. Por vezes, estupidamente, há quem receie; mas se for sincero porque não o fazer?O outro mesmo que não o queira, se souber, percebe.
Imagino o seu beijo. Estremeço. Não procuro um sabor, já gosto sem o conhecer...Quero sentir que sente que o que sinto é sincero. Quero, por uma vez, me dar.

162

Procura-se. Caso sério.

domingo, abril 18, 2004

161 (O meu primeiro texto de duas páginas)

Acho que muito nunca me esforcei. Sou incapaz de o fazer...

160 (O das 8)

Apetece-me chorar. Estou sentado no comboio com as costas viradas p'ro meu destino; tenho à minha volta no máximo 52 pessoas sentadas e 80 de pé: nunca me senti tão só.
Lá fora não vejo ninguém. O dia está tão cinzento e o mar está tão feio. P'lo menos cá dentro não faz frio. Tremo. Conversas animadas que não percebo, conversas que hoje não conseguiria ter: ouço-as e ainda mais me apetece.
Desenho. Imagino algo diferente, sujo a folha com imagens similares. Figuras que olham a mesma direcção com o olhar certamente meu.
O comboio pára, mudam as pessoas. Estou na mesma. O que me dizem?De que me servem?São mais uns que passam e v
êem e que, por vezes, falam entre eles. O que sou eu aqui?
Está cada vez mais escuro. Perco aos poucos a vontade inexistente de sair, mas não posso: esta viagem tem um fim.

159 (O meu livro de rascunhos)

Abri ao calhas o único caderno que tive na faculdade. Está velho e tem mais rascunhos que matéria. A página que vejo tem linhas que me são estranhas: a grafia tão desenhada com uma inclinação perfeita estudada de certo com primor, como tudo o resto que parte de quem a escreveu.
Dois nomes, são dois nomes escritos separados por uma linha em branco. Sei o que elas dizem e, por isso, consigo-as ler; se assim não fosse teria de aprender russo ou, como já fiz, chatear imigrantes do leste.
O nome dela mais curto que o meu está em cima (de que outra maneira poderia estar?), encabeça uma página desenhada à pressa com um traço amador. O meu, em baixo, com partes mais pequenas e muito mais complexo. Uma seta no meu primeiro nome transforma o manuscrito em máquina: é o mesmo com outra forma.

sábado, abril 17, 2004

156

Hoje enfrentei um fantasma. Não insinuo que se trate de alguma coisa velha ou medonha é porém algo que teve a sua importância e que, de repente, deixou de a ter. O que mudou, se quisermos ser simplistas, é fácil de ver; sou complicado de mais para ter tal ponto de vista e, por isso, penso (De) mais no assunto.
As pessoas mudam conforme o que lhes acontece e cada pessoa muda de uma forma diferente. Que aconteceu algo estou certo o que mudou, mesmo que temporariamente, em mim eu sei; custa-me é perceber o que mudou ou muda nos outros. Os extremos tocam-se disse alguém mais sábio que eu e confirmo-o experimentalmente. Passámos de um ponto para o outro. E querendo acreditar na diferença entre quem interagiu não se vê que a diferença está em nós em momentos distintos.

157 (Ou então)

Raras vezes estou certo das minhas atitudes e tão menos vezes as considero dignas. Custa-me ver que estou rodeado de pessoas tão mais decentes que eu: pessoas honestas, sinceras, solidárias, trabalhadoras...fonte dos valores que a ética promove.

Ou então não.

158

O dia começou da pior maneira. Passava da meia-noite e já ela me desprezava. Deitei-me as três cansado de esperar por uma resposta. Levantei-me às seis como sempre durante a semana de aulas. Arranjei-me corri e perdi o comboio de antes das sete: até nisto nada me deram.
Esperei o outro comboio e mal entrei surpreendi-me: um piano é tocado de uma forma surpreendente (Seria Chopin?Não interessa); olho para a rapariga mais gira da carruagem e (espanto!) escreve como escrevo num bloco como eu já tive - tem somente um ar mais organizado, é mulher. Sento-me e, p'la primeira vez desde que frequento estes espaços, senta-se a meu lado uma rapariga que me parece intrigada com aquilo que escrevo e faço. Muda a música, parece jazz; a outra continua a escrever e, de soslaio, constato que ainda me observam...fico, de certa forma, feliz.
Porque raio me trata ela desta maneira?Merda, irrita-me. A música passa a ser +/- parecida com a de um filme adulto série B. Quer dizer, não me irrita assim tanto é mais uma questão de ego: são sempre as que mais me dizem que menos o fazem e, estranho, será por gostar delas que as ofenderei?Nem quero pensar nisso, está-me a correr bem o dia...
O comboio saiu de Alcântara e já não há mais a escrever: há um primeira vez p'ra tudo.

quarta-feira, abril 14, 2004

155 (Sorry I'm late)

Atrasei-me. Não acordei a tempo e cheguei tarde à estação. O comboio, esse maquinalmente acertou com as horas e fez com que eu esperasse por outro. Já é tarde; pago as consequências: vou em pé.
A minha carruagem (a penúltima) quase sempre vai semi-cheia, mas há um período em que é raro estar vazia. Parte em Cascais; compõe-se de pelo menos 5 zonas diferentes; chega à minha e não há vagas a preencher. Pago as consequências: vou em pé.
Tento escrever e em vão - não consigo suportar o suporte- e desenhar ainda é pior. Ah! logo hoje que estava tão rica a carruagem...A culpa é minha; era tarde. Pago as consequências: vou em pé.

terça-feira, abril 13, 2004

154 (a bit late...)

Um dia que, por ser como os outros, não é igual a nenhum outro.
Acordei por mim mesmo sem saber o que viria; incauto preparei-me. Acabei por ir a lisboa: fui ter com a Maria que, como eu, fixa momentos mas com imagens. O final é o mesmo mas o caminho difere; de resto nem há parecenças. Um é alto, um é fino demais, um tem o cabelo encaracolado, um usa saias e gosta de morenos.
O dia só acabou de noite depois de o cego cantar. O que fiz a seguir não interessa, só interessa o que fixei.

153 (jessica?)

Na sua pele alva esbatia o negro de um luto. Folheava as folhas com côr marcando-as com lágrimas transparentes que, sem querer, ouvi.
O comboio não pára:não a volto a ver.

152 (This is me then)

Não é difícil enumerar as pessoas de quem gostei porém é-me impossível dizer porque motivo gostei delas. Tudo começa com algo tão estranho como uma palavr, um gesto ou um mero olhar...sou um bocado estranho eu sei, mas só um gajo estranho escreve sobre estas merdas como eu faço.
Há uma linha comum entre essas pessoas: não sei como as conquistar. Alguém me dotou da capacidade de resolver problemas de álgebra, de perceber poesia, mas deixou em branco a área de compreensão e sensibilidade (em relação às outras pessoas). Muitas vezes chateio-as com os meus constantes porquês; se o faço é porque não sei o que despoletou certa reacção, certa expressão que estranho..."O que terei feito?O que fiz?" Antes de colocar questões a outros já eu as tentei resolver e, como sempre, em vão.
Sou um tipo aluado, tenho o meu mundinho. Elas convivem comigo e sabem-no, mas depois não compreendem que eu não perceba por completo as suas atitudes; peço desculpa quando nunca o devia ter feito.

151 (no comboio nº qq coisa)

De férias o trajecto é o mesmo: às vezes o trabalho é mais forte. Velhos compõem a carruagem e fazem-me sentir a nostalgia que ainda não tenho.
À minha frente, por algum motivo, lê a bíblia uma pessoa que me parece interessante p'ra quem lhe acha interesse. Atrás de mim uma senhora loura fala com outra, que eu não vi, na língua que alguém já me deu e que eu nada percebi.
"Desculpe menina da frente sabe-me dizer por que é que o que se quer é sempre díficil?". Claro que não perguntei; mas a resposta teria algo de divino.

150 (Depois do nada)

Ás vezes parece que caímos que, sem paragens, nos aproximamos do abismo. A aceleração vertiginosa dá-nos uma velocidade cada vez maior: em pouco tempo quase fundimos.
Tentamos gritar mas somos mais rápidos que o som; nem força temos para esbracejar mas tentamos.
De repente cessa a queda e não dói como antes. Fatalmente apertaram os braços e, dentro deles, deram-nos o conforto que, não sendo estranho, é raro. Mas antes, antes onde estava?

149 (O...)

O púlpito era nobre: tinha uma faixa colorida. Preparaste de véspera o discurso com o teu conselheiro quase amigo. De uma forma qualquer ias mostrar o que estava cuspido. Abriste a boca e tombaste um pouco para um dos lados - e dizias tu que estavas neutro.
Falaste, falaste, falaste...e até houve quem te ouvisse (não interessa se por pouco). Acabaste. Acordou a maioria. Fez-se fila p'ros bolos.

segunda-feira, abril 12, 2004

148 (it's mine; do not touch)

Rubro; é assim que fico quando alguém toca no que eu fiz ou faço. Sou como uma leoa que protege a sua prole por mais insignificante que seja: é minha e saiu de mim.
Fecho os punhos como se quisesse magoar alguém mas não os uso felizmente. Olho o chão e uso a minha voz da maneira que eu não quero (sim é instinto) e grito, e grito, e grito, e grito, e grito, e, de cada vez que o faço, magoo um pouco quem me rodeia.
Acabo sempre por encontrar o que procurava mas já é tarda: há alguém que chora. Sem saber tenho a culpa. Arrependo-me mas tudo volta a acontecer.

147 (Let's go shopping)

Na rua que subia estava quase no príncipio; na que desce estava no fim. O caminho que eu percorria era iluminado por tipos cobertos de lixo que, com malabarismos dignos de Baco, cravavam moedas para aumentar o teor de algo no corpo.
Ela estava resguardada à frente de outra porta que se fechou. Acompanhava-a uma guitarra triste como ela que olhava o chão.
Na nota certa soltou a sua voz tão mais velha que ela carregada não sei do quê. Principou um fado; não interessa qual - "cheira sempre a solidão". A cabeça p'la primeira vez olhou o céu como se pedisse ou mostrasse qualquer coisa a quem lhe teceu o manto.
Finalmente acabou; chorou; estava tudo na mesma. Se as moedas chegarem, se mais nada a deixar, ela volta porque pode.

domingo, abril 04, 2004

146 (Digamos personalidade)

O carácter existe; só se manifesta porém quando as situações o exigem. Se outros o querem ver devem provocá-lo seriamente: ele alia-se à modéstia e, digamos, à compaixão. No fundo não quer arranjar discussões desnecessárias mesmo que outros as considerem óbvias.

O carácter existe mas forte não se mostra; quer parecer fraco. P'ra quê chegar só por chegar?(não lhe faz sentido).

O carácter existe mas não sabe quantificar a sua força e, quando se solta os sentimentos acima referidos, é atraído pelos seus opostos: pode magoar aqueles de quem gosta e e pode não remediar.

Ele existe mas julgou que não precisava de o conhecer. Mesmo exigindo retraíu-se e, agora que se manifesta, vê que é tarde: o que o carrega é um brinquedo (se o houve já não há respeito).

sábado, abril 03, 2004

145 (Is it solow 1?)

O sofrimento cresce a uma taxa S e a autoestima detiora-se a uma taxa A.

144 ("I'm always true to you darling in my fashion")

Às vezes cansados cansamo-nos: só nos resta partir.

A espera prolonga-se, a paciência reduz-se. Os que nos rodeia aos poucos deixa de ser novo; já conhecemos tudo e quase todos - mesmo os que ainda não passaram. Fixamos algo, não interessa o quê, desdobramos, inventamos e até criamos enquanto não temos mais que fazer...os segundos acumulam-se enquanto o vento leva o que exponencialmente deixa de restar.

Partimos e esperámos.

terça-feira, março 30, 2004

143 (then the ?)

A interrogação que tão laranja se apresentava contrastava com a evidência verde do resto.

segunda-feira, março 29, 2004

142 (yes doctor)

Hoje diagnosticaram-me esquizofrenia. Comecei a pensar nisso e cheguei à conclusão de que provavelmente o sou. Vivo no meu mundo; tento fazer com que seja como eu quero; não tenho pejo em cantar o que me apetece, em desenhar o que eu anseio ver e em dizer o que vai em mim.
Hoje diagnosticaram-me esquizofrenia. Compreendo. Não sou como eles (digamos os outros). Eu sou eu e como dizia a Florbela eu como ela sou alguém. Quem não me compreende é que, no fundo, tem problemas.

141 (At the chinese place)

Estavas à distância de uma mesa que se alongava ao compasso das palavras tremidas que eu dizia. Olhavas de uma forma estranha o que eu não sei; a sopa estranha, aos poucos, arrefecia. Acabei; cruzei os talheres. Perguntei-te o que não te apetecia dizer.

140 (ataraxia)

Há coisas que começam inesperadamente. Porventura não serão quase todas? Creio que sim. Porém umas fazem.no inexplicavelmente e essas são sempre inesperadas.
Uma palavrafoi uma palavra que bastou para tudo ter início; as que se seguiram somente confirmaram o que já tinha surgido. Não há explicação possível - foi uma palavra que se ouviu.
Podia ter começadop com um olhar: até considero mais comum. MAs quis, o que eu não sei, que assim não fosse. E, embora goste de ver quem tal palavra proferiu, não foi pelo olhar que tudo começou (ah só o que me disse me interessa).
Que seja como é; que saiba ao que sabe: isso é quase nada. Se não dissesse nem isto existiria.

domingo, março 21, 2004

138 (no concerto)

A droga da mente é ela própria. O raciocínio exige cada vez mais de si. É um processo que começa e só termina quando uma nova conclusão passa a ser arbitrária.

Nada é fixo: o pensamento por isso também não o é. Caminha numa direcção até ver que esta não lhe serve; chega a um extremo e, de seguida, procura o oposto ou outro que lhe seja adjacente.

E continua, e continua, e muda, e muda; continua sem cessar. Cada vez estou mais farto mas os juizos são necessários que arbitrários sejam.

Os ouvidos já me doem. Os neurónios estão doridos.

137 (no concerto)q

Se eu me deixasse levar pela música...Não o faço por estupidez: racional não me consinto e só isso quero.

Se me deixasse levar pelos momentos que me deste. Se não fosse racionalmente parvo, cobarde e até mesquinho...

Se me deixasse levar p'lo que sei ser certo

136 (no concerto)

Eles queriam morrer felizes: eram tristes - davam as mãos como se servisse para alguma coisa.

Pediram que lhes desse o que nunca tiveram: sorrisos.

Ele ergueu o braço. nenhum deles preocupado. Nenhum deles sentiu.

sexta-feira, março 19, 2004

135

Escrevo enquanto fumo um charuto pensativo. O mar está ao fundo e nem o vento interrompe este meu ritual. Em Cascais as luzes acendem-se com o acumular de linhas. O horizonte (ao qual nunca se chega) aos poucos perde o laranja, o pouco que resta, e ganha o tom azul.

Escrevo enquanto o tabaco arde de uma forma pensada pensando que o faço por instinto. O pouco do dia que tive passei com o meu passado: passei-o com ela (a primeira). Aos poucos vou-me redimindo. Errei, sei que o fiz: o ouro era-me cobre e a eu parvo só o vejo agora. P'lo menos alguem consegue ser feliz e isso faz-me, por pouco, feliz.

Escrevo enquanto se acumulam as cinzas. Desde há muito que não estou de facto sozinho em minha casa. Sinto-me só, é certo, mas estou sempre rodeado por alguém mesmo que esse alguém esteja no quarto ao lado. De facto, sozinho raramente estive: parece que tudo é mais meu; posso pensar, escrever, gritar fazer as merdas que quero sem ter alguém a perguntar a mar vir: é bom.

Escrevo enquanto há algo por arder. Tenho por momentos o que quase compõe o meu sonho. O espaço é meu; faço o que quero: estou sozinho. Mas falta alguém: ela (e não a primeira) está tão longe, não faz parte deste meu mundo que, enquanto puxo, fica mais cinzento.

Escrevo enquanto estiver rubro. Pedi tanto e tanto me deram se de facto há algo que dá. Pedi mas não consigo crer que me enviaram: é tão perfeita - até mais do que julguei; tem tudo, é um sonho que sonhei consciente mas a consciência é pessimista e p'ra ela eu sou péssimo. Por nais que me mostre não me diz ou então não ouço.

Escrevo enquanto não é curto. A esperança resta e morre antes do coirpo que morre por não a ter. Talvez consiga. Talvez se apague antes do fim. Talvez me levante antes de arder.

Já é de noite e estou sentado. Apagou-se. Não há mais a escrever.

quinta-feira, março 18, 2004

134 (another one)

O meu ser tem baratas na cabeça: foi assim que ela me descreveu psicologicamente. Foi perspicaz. De facto acumulam.se questões cujas respostas me são deveras estranhas (não estão em mim)
Tudo começou com um uma conversa estranha numa noite que foi mais longa. COntinuaram os encontros que perderam a casualidade, acabámos por enlaçar as mãos (nunca pensei que um dia vou dar o obulo).
O que vi e espero continuar a ver não foi base de tal acto. Não me chegava para uma entrega cada vez maior: de que serve a fachada se a casa não nos alberga? Demorei, esperei- nunca impaciente como ela, não perspicazmente me definiu. Certo estendo a mão que, aparentemente,acolheu.
Encostou-se ao meu ombro enquanto ele abraçou a cruz. Mais não me podia dar mas nada do que dela advém me é certo. A melhor das minhas intenções revela-se uma ofensa; não sei como reagir.

quarta-feira, março 17, 2004

133 (o artista)

Escrevo, pinto e desenho. Recorro aos mais variados suportes para mostrar o que sinto - entendam que não considero que o faço bem: mais que humildade tenho noção do real.

Faço-o porque preciso. É-me inato; às vezes desperto do que me rodeia e preciso de fixar esses pequenos momentos, não interessa se bem ou se mal: fixo-os. Adormeço de seguida.

Há quem diga que sou. Mas não, nunca serei um artista: não fodo aquelas em que me inspiro.

128

Uma casa não é o espaço onde vivemos. Quem assim pensa está errado. Muitas vezes as paredes que vemos durante anos nada nos dizem: procuramos outras com outro recheio, com outras cores, com outra vizinhança. A nossa casa, por vezes, nem chega a existir.
A nossa terra, qual é? Dizem que é aquela em que nascemos quando, em muitos casos, nunca o foi e tão poucos chegam a conhecê-la.
A minha terra, diz o BI, é lisboa. Eu digo que não é. Faltam as flores, os montes, o verde o calor; o resto são ninharias....Nessa terra, a minha, está a minha casa; não interessa como é: o que contem é que a faz.

132 (He carries the cross)

Por mais que tentassem o fogo dos seus olhos não cessaria. Ele era um só mas ninguém iria impedir a sua entrega. Morreu e Tudo ficou certo.

131 (Uma questão de linguagem)

De que me servem as ideias que partilhas se não as percebo? Os conceitos conheço-os mas tu associa-los a termos de uma língua que me é estranha.

Dizes que gostas de mim em cirílico: de que me serve? Não te entendo e não tenho a capacidade de o sentir como já to disse.

Estivemos juntos como outras vezes; enquanto Ele sofria tu, encostada a meu ombro, fazias com que eu me redimisse. Gosto de ti, sei que o sentes - até me deixas sentir. E então? A mão que cobre a tua é tua mas não sei se a aceitas. É estranho (+ estranho que eu;até sou simples).

Querido gâfias. Era assim que começava; diz-me outra vez e, desta vez, traduz o resto.

segunda-feira, março 15, 2004

130 (my first gift)

Tudo acaba quando começo a gostar.

quinta-feira, março 11, 2004

129 (Cálculo 2)

Pediram-me que desenhasse uma floresta. Fi-lo: desenhei-me - melhor- tentei fazê-lo em tons de púrpura e azul.

O local mais sombrio, aquele que mais receio, é o meu âmago; é só nele que me perco. Os pensamentos como àrvores têm vida e tentam constantemente me prender na penumbra que não cessa.

Oiço gritos que são meus, que não soltei. Ninguém os escuta.

O piso é pantanoso, nunca é sólido:(Quando é que uma mente o foi?)

Só me vale o cansaço. Caio p'ro lado e adormeço.

sexta-feira, março 05, 2004

127

A noite prolongou-se mais que o comum. Foi como sempre ùnica. Os ânimos animaram-se à medida que o tempo me consumia - no fundo sou só um corpo e o que vivo é inércia...O atrito?Não deve existir: é uma questão de tempo...Há horas, e há horas e tudo precisa de descanso.

126 (Cálculo 2º)

Módulo do supremo: a minha vizinhança é quadrada.

sábado, fevereiro 28, 2004

34 (Ao spike)

Lembrei-me de um amigo meu.O spike. Já não lhe falo desde as férias grandes, já não o vejo desde que partiu. Lembrei-me, lembrei-me dele com saudade, do tanto tempo que passamos juntos. Criámos teorias, trocamos ideias, ajudou-me com a experiência que nunca terei; é das poucas pessoas que me tornaram assim...

(E se eu lhe ligasse?)

125

Há quanto tempo nos conhecemos meu sacana? Parece que não há um primeiro dia. As palavras não se gastam, só ganham novos sentidos com as conversas que não terminam. Terminou tanto do que nos rodeava; outras coisas parece que só agora se mostraram: umas para bem, a maior parte para mal. Nós, uma simples dupla que, quando certos estão se expande, safámo-nos.

Não interessa o que tenho o que sinto: sei que és meu amigo e que sem pedir estás.

123 (I can not say in a word)

Ao som de xutos disse que escrevia o que ao som de xutos surgiu.

Foi há tão pouco, foi tanto e já passou. O tempo consome tudo menos a memória - eu lembro-me. Agora um simples sorriso, uma simples voz fininha, um complexo cigarro sedutor têm o peso de uma era que já não existe sem ser em mim - talvez em nós mas, como o disse, sem ser em mim não sinto.

Cada minuto que dispensa, cada palavra que gasta...suportes incautos à minha memória - eu lembro-me e pesa...

Ao som de xutos disse que escrevia o que ao som de xutos surgiu.Eu lembro-me. Escrevi. Há presenças que trazem saudade.

quarta-feira, fevereiro 25, 2004

122 ( A alguém não quer se saiba)

Juntas as palavras de uma forma que sempre me será estranha. Tu narras. Eu a teu lado já nem o ouso fazer. Humilde não mostras o que em ti acumulas com um interesse raro (Que linhas desconheces afinal?).

Eu, que vi parte, que vi pouco, sou maior por isso.

121 (remember moledo)

Não era eu. Não, não era.
O que compunha a mesa viu, num instante, o chão: sujou-o e, insisto, não fui eu. Pegou na "joaninha" (nome querido da bomba de asma), minha, não dele, e colocou-a no canto da mesa que, assim, p'la primeira vez era saudável. Com a máquina registou o momento. Há quem lhe chame Arte. Eu não sei; não é meu.

sábado, fevereiro 21, 2004

120

O que se deixou já não se quer. Deixou-se no caminho: o que se deixou seguiu.

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

119

O comboio leva-me enquanto penso embalado por mais um dia. Em casa às 4 (por volta disso): há viagens tão certas (o indice de pontualidade da cp é de 98%) e outras que jamais terminam.

Estou à janela mas não sinto para além de mim; foi sempre assim, não estranho. Nenhum estranho me incomoda só prolongaria o raciocionio (mas qual?Não vou a lado nenhum). A voz maquinal debita uma estação: distraio-me; cessa a viagem pouco depois. Continuamos em seguida; volto aos poucos ao meu mundo (para quê?não vou a lado nenhum).

O mar à direita é guardado por uma velha que tricota o seu destino; e o meu quem o faz?"Não vou para oeiras continuo neste".Penso,Penso,Penso,Penso,Penso; a velha acelera estimula ainda mais o meu pensar. (para quê?porquê?Não vou a lado nenhum.Sou o ùnico que o vê e mesmo assim continuo.)

Chegámos, mas a viagem não terminou.

118

Esperava o comboio que tardou. Só há instantes vira o quão mais levava a chegar. Sentei-me; a plataforma vazia confirmava a longa espera.
Olhei o rio que os armazens cobriam; Lembrei-me das poucas vezes que o cruzei seguro por um cabo de aço: mais um mês e faz mais um ano.
O 3º dia estava a ser como os outros do outro semestre. As mesmas caras, as mesmas salas e, não querendo, parece ser a mesma (passou por mim e sorriu, pouco mais disse).
Continuei à espera. OS velhos começeram a invadir o meu espaço movidos por um hábito que aos poucos cesso de estranhar: estava quase. Levantaram-se; imitei-os; chegou.

segunda-feira, fevereiro 16, 2004

117 (Quarto das duas)

Sócrates fala aos sofistas. Tem um canto estridente harmonioso aos gestos inexplicáveis. Apoia o ombro, melhor, o corpo e tudo o que ele guarda num suporte facilmente removível; paguem-me, deêm-me ouro que refuto o que ele diz. A parteira ajudava mas a sua mãe não quis.

116 (3º das duas)

A tabuada do ratinho marca o lugaer que é meu. Falas de fórmulas que ninguem compreende essencialmente quando há quem não perceba o que o rato diz; a utilidade é nenhuma. Escola da vida? 10*10 é 100 1*1 é 1. Mesmo que o tal coeficiente corrija os erros de que falas como corrijo as minhas acções? Publicidade, vendas, caralho para eles. Ensinem-me o que quero o que não consigo aprender por mim mesmo! Eu estudo; prometo- já sei que é dificil.

115 (2º das duas)

A estatística de nada me serve. Aplico-a constantemente no meu dia-a-dia e? E nada. Os erros diferem pela diferença das pessoas; só a moda se aplica: só o nao existe. A média é irrelevante (eles são tão diferentes). Não escrutino os casos, de nada serviria.
Só a moda se aplica.
Só o não existe.

114 (1º das 2)

Tinhas o que mais me falta: a experiência. Coçavas o escroto com a vivacidade que é rara num jovem...pesam-te tanto como tempo que os consumiu. Médias, desvios; não há padrões na vida. Se os houvesse estava noutro curso.

113 (Errata)

Agarro-me às palavras quando me faltam os gestos.

112 (Resumo)

O problema do meu gostar é que envolve outra pessoa que não eu.

111

Passei como antigamente o suposto dia dos namorados sozinho. Fechei-me no meu quarto com o peso da noite de sexta e, à medida que o dia que só de tarde começou avançava, era o peso de Valentim que se acumulava nos meus ombros. Tantas vezes ferido por um dos filhos de marte e eis-me só - o humor percorre a minha vida e, pior que brejeiro, é mitológico.
O hábito fortalece o espírito. Cada ano é só mais um e, em cada um deles, acontece exactamente o mesmo; já espero tudo antes da colisão...
Passei como antigamente o suposto dia dos namorados: sozinho. O que perdi?nada. Estive com os poucos que gostam de facto de mim, foram momentos que só a solidão permite. Ninguem me esperava por isso fui e, quando a frase que entitulava o filme surgiu, ri-me: "Life is like anything else", não tem lógica alguma. Só devemos esperar por aquilo que fazemos; eu n fiz e o que fiz fiz mal.
Passei como antigamente o suposto dia dos namorados:sozinho. A culpa é minha.

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

110

Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.

Tenho o meu espaço como é lógico: adoro o meu quarto. Ele é o meu melhor amigo; escuta, ouve e vê tudo o que se passa comigo e nada pede em troca. Enquanto escrevo no computador estou de costas para um MUPI (será assim que se escreve?) da ABSOLUT; de certa forma sou sacana, esqueço o que ele representa até precisar.

À minha direita tenho uma estante mais alta que larga. No ùltimo piso garrafas vazias da marca citada fazem-me lembrar, não as alegrias momentaneas que me deram, mas as mágoas que me fizeram esquecer por momentos. Por baixo acumulo livros que versam rimando e outros que versam sem sentido; li-os todos: gostei de alguns, adoro todos de um e há um ou dois que detesto. Na parte central merdas encimam os livros de direito civil que espero não ler.

No meu lado esquerdo sem sentido acumulo as folhas que preencho. Olho para elas e lembro-me de tudo até do que já não é mas desta vez as recordações cingem-se a ser o que são. O que passo para palavras ou cores deixou de estar em mim; deixou de ser um peso que só eu conhecia. Sou cobarde, mas só assim consigo. Só assim, cobarde e egoista, é que consigo escrever.

Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.

Quando saio à noite consigo divertir-me a maior parte das vezes. Não recorro ao alcool para me animar; p'lo contrário, a fluidez que me dá concentro no raciocinio exagerado que, como quem pensa sabe, só leva a merda. Podia ter aquela conversa do "não interessa o espaço mas sim as pessoas com quem vais" mas, como só eu sei, não sou mentiroso: interessa e bem. Não gosto de ambientes petulantes. É detestável ver como pessoas nos avaliam sem sequer saber o que pensamos (afinal o que define o que somos?).

No meio da diversão por vezes surge alguém que me desperta o olhar. Vacilo. Imagino como será. Estatiscamente não me é normal meter conversa, usualmente tem sido. Quando não falo é tão estranho perpetuo o que começou no instante que a vi e, movido por cobardia e um certo egoismo, recorro a um nada ABSOLUTo que me prolonga os juizos que julgo ajuizar. A noite termina em casa: o que escreveu é um rascunho, o que dorme está quase a nascer.

Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.


109

Sinceramente; de que me servem as palavras que só eu por inteiro compreendo? Escrevo tanto (não bem, é claro) e tudo o que tem destinatário as leu.Ah! se as vissem; se eu lhes conseguisse mostrar...

Porque não veêm?Porque não consigo?Acumulam-se as páginas, acumula-se o tempo na solidão que não passa;
Ah se vissem, se eu fosse mais claro!!!

Sou eu e rejeitam-me; sou cada folha marcada a tinta ou a carvão que soltam e voa até não voar mais; sou os zeros e uns que não se manifestam graficamente.Porquê?porquê?porquê?Porquê?

Não te chamo mais ó Deus: sempre que me ligas cobras no meu destino.

108

Estive a ver as fotografias que tirei desde as férias do verão. Encontrei uma bastante interessante e que se aplica. Estou eu de vermelho com cara de parvo a olhar para um sinal que, não sendo azul e vermelho e não tendo o artigo mais escrito do código escrito, nos diz o mesmo que o sinal citado. Percebam a admiração: se estacionasse estava sujeito a reboque.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

105 (Há coisas que não se dizem pela net)

Não gostou; ofendeu-se aos poucos com as palavras que leu. De certo algo estava errado se assim não fosse p'ra quê me dar o silêncio?

O tempo passou: envia um mensageiro atolado, um burro que não é numérico.

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

107

Fui outra vez estúpido da mesma maneira que só um estúpido consegue ser de uma forma repetida. Porra eu que antes nem uma merda de uma frase dizia agora digo frases a mais; a forma difere o que sai é sempre o mesmo. Penso na calma que por momentos tenho esquecendo que assim, e só assim, arrisco, com a hipótese de ficar com nada de tudo o que, de certa forma, eu tenho (ou tinha).
Se tudo fosse como os números que disponho facilmente, se houvesse uma versão da tabuada do ratinho que me ensinasse a lidar com ela(s)...nada é e não há. As minhas conquistas são sempre as mesmas e todas elas solitárias.

segunda-feira, fevereiro 02, 2004

106 (2 quadras, dois tercetos, um grito)

Já tou farto da merda que me dão.
O resto, sim o resto, de que me serve?
O descontentamento aos poucos ferve;
Só arrefece a anciã paixão.

Questiono-me. Pergunto o que dirão.
A resposta será que ninguem teme?
Procura de mansinho talvez reste
algo do que te jurara servidão

Julguei ser grande; era só mais um servo.
Quando quiseste ouviste mais que um sim
mas hoje parvo aviso assim o fim

Desta pedra a que a lapa se pegou;
Aos poucos consumiste e assim findou:
As asas não abriu antes do enterro.

domingo, fevereiro 01, 2004

104 (Prepare yourself, it might work)

Ainda hei-de perceber onde erro. Ate lá, decididamente, vou passar a ser o que nunca fui um autentico cabrao com um egoismo requintado: de que me vale ser o queriducho o anormal que está lá sempre que precisam?Caralho para todas essas que fizeram o que eu me proponho fazer.

Sei que não vou conseguir- não sou eu- mas que se lixe, o que conta é a intençao.

103 (Uma merda qualquer)

As palavras têm de fluir, escapar por entre os dedos: prisioneiras nunca terão sentido.

102 (back in action.(really?))

"Sim!?".Repetiu esta palavra 3 vezes acumulando-se a raiva. Desligou à terceira;devia ser engano

101 (holiday in(n))

As mágoas que não se veêm saturam aos poucos o copo que se esvazia. Julgamos quando não estamos aptos a julgar que conseguimos estar mais perto do que não tinhamos. Caímos ao curto prazo de um tempo qualquer (talvez maior, talvez menor, não interessa); voltamos saturados do que tinhamos.
Sem perguntar sem ver o que causou, repetimos o ritual até não podermos; só é mais uma queda desta vez sem erguer.

quarta-feira, janeiro 28, 2004

100

Escrevi.
Preenchi o branco do papel.
Borrei aos poucos a dor
Dei formas tristes ao mundo.
Escrevi
Saí aos pouco de mim:
Era e não sou

terça-feira, janeiro 27, 2004

99 (Na margem do fim)

Termina com história o que começou com orelhas de burro em Setembro. No princípio eram ridículas as ideias que logicamente procuravamos explicar, no final, de uma forma ridícula, vou ordenar o que tão logicamente me ensinaram. Não sei o que sinto nos dois extremos, mas há quem se ria nos dois (não, não são os mesmos).
Em tão pouco tempo tanto se passou. Nada é como antes. Eu não sou o mesmo. O resto resume-se numa página, este semestre foi um em muitos.

98

Seul toi me donnes la tranquilité pour étudier l'histoire qui n'economize aucun de mon temps

97 (Try to read in russian)

ses lèvres demandent quelque chose, mais le nez enrhumé crée une barrière de ce qui a provoqué cet état

sábado, janeiro 24, 2004

96 (Olá boa tarde isto é para uma estatística)

Perguntaram-me se pensava. Sem pensar disse que sim.

Mas, se digo que penso e não penso, será que penso por pensar que sim?

95 (While wainting for the martinis)

Estavas ao fundo. Falavas p'ra frente; p'ra quem? Nem reparo.
Ele falava, segurava no preçário censurando o mundano da vida; interrompia por vezes para citar uma sinfonia que gostaria de ouvir. Nem reparo.
Paraste. Mexeste os lábios por mais uma vez enquanto, p'la quarta vez, ajeitaste o cabelo. O mundo? o que é o mundo? Nem reparo.

sexta-feira, janeiro 23, 2004

94

quando escrevo parece que expludo

Eu tão negro, tão morto crio um mundo de cores que , embora vistas, nunca senti. Expando-me por horizontes que desconheço. Quando escrevo não sou eu; sou eu e o mundo que não tenho, que de certo nunca vou ter. Ao escrever sou mais alto sou o que aspiro: solto um grito que não possuo; mudo o que será sempre assim.

93

A minha cor, melhor, a cor que sinto neste instante é triste. Não peço para a mudar, seria pedir demais e iria contra a minha humildade; mas, e peço por favor, deêm-lhe um tom mais alegre. Custa, mas não custa tanto

segunda-feira, janeiro 19, 2004

92 (Almost the end)

Só o cachecol era verde. Virei a cara. O adeus que não ouviste era mesmo um adeus.

domingo, janeiro 18, 2004

91 (À primeira)

Falei-te e parecia que o tempo não havia passado por ti: eras a mesma só que o miúdo que fugia nos corredores cada vez mais estreitos de ti cresceu. Não é o medo que nos afasta mas o tempo que em ti não se vê.

sábado, janeiro 17, 2004

90 ([∑ (x-μ)^2.f(x)])

Foste-te e começou a chover. A caminho de casa fui-me, aos poucos, purificando.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

89 (No Porto depois de Mozart)

"Vai minha tristeza", é assim que o brasileiro começa. Ouvi-o vezes sem conta nunca percebendo o que a simples musica dizia. Ouvia, "tocava-me" dizia eu; mas a saudade nunca existiu em mim.
Fomos p'ro Norte. Estava longe, cá dentro, de ti. Era esquisito, só pensava no sorriso que tão poucas vezes me deste, nas poucas tardes que contigo passei. Com a distância, mesmo pequena, cresceu o desconhecido. Desta vez não minto; sinto-o e é estranho.

segunda-feira, janeiro 05, 2004

88 (A quem me lê)

Não julguem as linhas que escrevo o que interessa é o que nelas está contido.

87 (Fuck the pain away II)

Laranja de desejo tentava, mas era ela que me fodia.

86 (Era loira e gostava de laranja)

Lembro-me da camisola vermelha que a cobria coberta de um manto dourado felizmente livre. Lembro-me de um sorriso sincero de criança. Lembro-me de pulos de alegria por algo que me é banal. Lembro-me da forma como me falava...Lembro-me de tudo, mas só assim a quero recordar.

sexta-feira, janeiro 02, 2004

85 (one more night at lux)

Movido por uma bravura tão rara aproximei-me. Disse que tinha algo para lhe dar e, depois de aceitar o pouco que me o'frecia, dei-lhe:
上海女孩从美丽 (versão simplificada). Esta que o era não o sabia ler.

84 (if you had to be me)

O actor principal pega no telemóvel marca um número e simula que está a ligar.
(sinal de chamada)

Actor 2: Nem sabes quem vi ontem...
(sinal de chamada)
Actor principal:(um bocado nervoso) Espera estou a telefonar...
(sinal de chamada)
(sinal de chamada)
(Actor principal ainda mais nervoso)
(sinal de chamada)
Ouve-se o telemóvel a ser atendido. De fundo uma batida estridente.

Actor 1: (mais calmo) Bom ano!!!
(Voz metalizada e incompreensivel)
Actor 1: não compreendo nada mas espero que me estejas a ouvir. Diverte-te.
(voz metalizada e incompreensivel)
Actor 1: beijinhos (desliga o telemóvel- corta a batida- e volta-se para o seu amigo). Foi mau não foi?


83 (Let's get to the point)

Sem recorrer a metáforas ou a qualquer outra figura de estilo- burocracias desnecessárias p'ra quem sente não p'ra quem escreve:
Estou triste.

82 (Fuck the pain away)

"Have you ever seen a live mess up?"- perguntava a amplificada cantora que entre os gritos não ouviu o meu sim. Continuou, recitou a sua moderna poesia;e, no fim, só no fim, entre os gritos, desta vez dela, o mote que é título ganhou sentido.

O ano que começa colorido faz esquecer a hora morta do lobo.

81 (le prince n'est plus petit)

J'utilise seulement les mots que tu m'as offri:
"Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé".

terça-feira, dezembro 30, 2003

80 (Cera e mais nada)

O teu tom laranja escondia um amarelo pálido. Estavas triste, ou eras, não sei: só deste algo quente.
Tinhas medo de quem?de quê?

Aqui os por quês não têm motivo.

segunda-feira, dezembro 29, 2003

79 (Novidade?)

Finalmente encontrei-a. É parecida comigo e, a meu ver, compreende-me. Não, coração, não te solto (só me pediu para não te dar asas).

terça-feira, dezembro 23, 2003

78 (Acrílico)

Os seus olhos clamavam por ajuda. Ninguém ouvia.

segunda-feira, dezembro 22, 2003

77

Já estou farto. Vou parar de me ridicularizar em vão e estupidamente à medida que sou rejeitado. Sou tão superior aquelas que me inferiorizam; tenho somente de ter consciência disso e obrigá-las a olhar para cima...
Que sintam a faltam daquilo que nunca terão; dos nadas que eu sem querer dava; que chorem por terem perdido tudo.

76 (Sobre ela[s])

I just need to watch (actually I've rarely tasted) to get severly addicted.

75

Sinto falta das mensagens ridículas mas sentidas que enchiam a curta memoria do meu telemóvel: tinham as mesmas palavras que inúmeras vezes me foram segredadas. Sinto falta dos abraços que me envolviam sempre que a tristeza me trazia o frio. Sinto falta de chegar a casa e ter de dizer que tudo correu bem, que estou bom, que me vou deitar...Sinto falta das merdas que ouvia e de sentir que o que eu dizia era ouvido.

sinto falta de tudo isto.

Há uma vaga por preencher!

74 (A question of flavour)


Sometimes it is best to be bitter than taste bad.

sábado, dezembro 20, 2003

73

Falou-me na desparasitação que outro escrevera e que eu já pensara. Poucos são os que não se ofendem face tal acto, ele é um deles: Tão diferente mas tão mais que os outros igual a mim é assim que ele é. Não conheço as suas palavras; provavelmente serão aquelas que me faltam, aquelas que só tempo sabe se um dia serão minhas (talvez, talvez um dia). Decadente e certo disso: felizmente há frutos que não apodrecem.

72

Quando, de facto, te (re)conheci as flores uma a uma secaram, a boca não se viu. O espanto fora coberto com a mão que restava; pouco a pouco me esborratei no negro que me rodeou.