Na sua pele alva esbatia o negro de um luto. Folheava as folhas com côr marcando-as com lágrimas transparentes que, sem querer, ouvi.
O comboio não pára:não a volto a ver.
Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
terça-feira, abril 13, 2004
152 (This is me then)
Não é difícil enumerar as pessoas de quem gostei porém é-me impossível dizer porque motivo gostei delas. Tudo começa com algo tão estranho como uma palavr, um gesto ou um mero olhar...sou um bocado estranho eu sei, mas só um gajo estranho escreve sobre estas merdas como eu faço.
Há uma linha comum entre essas pessoas: não sei como as conquistar. Alguém me dotou da capacidade de resolver problemas de álgebra, de perceber poesia, mas deixou em branco a área de compreensão e sensibilidade (em relação às outras pessoas). Muitas vezes chateio-as com os meus constantes porquês; se o faço é porque não sei o que despoletou certa reacção, certa expressão que estranho..."O que terei feito?O que fiz?" Antes de colocar questões a outros já eu as tentei resolver e, como sempre, em vão.
Sou um tipo aluado, tenho o meu mundinho. Elas convivem comigo e sabem-no, mas depois não compreendem que eu não perceba por completo as suas atitudes; peço desculpa quando nunca o devia ter feito.
Há uma linha comum entre essas pessoas: não sei como as conquistar. Alguém me dotou da capacidade de resolver problemas de álgebra, de perceber poesia, mas deixou em branco a área de compreensão e sensibilidade (em relação às outras pessoas). Muitas vezes chateio-as com os meus constantes porquês; se o faço é porque não sei o que despoletou certa reacção, certa expressão que estranho..."O que terei feito?O que fiz?" Antes de colocar questões a outros já eu as tentei resolver e, como sempre, em vão.
Sou um tipo aluado, tenho o meu mundinho. Elas convivem comigo e sabem-no, mas depois não compreendem que eu não perceba por completo as suas atitudes; peço desculpa quando nunca o devia ter feito.
151 (no comboio nº qq coisa)
De férias o trajecto é o mesmo: às vezes o trabalho é mais forte. Velhos compõem a carruagem e fazem-me sentir a nostalgia que ainda não tenho.
À minha frente, por algum motivo, lê a bíblia uma pessoa que me parece interessante p'ra quem lhe acha interesse. Atrás de mim uma senhora loura fala com outra, que eu não vi, na língua que alguém já me deu e que eu nada percebi.
"Desculpe menina da frente sabe-me dizer por que é que o que se quer é sempre díficil?". Claro que não perguntei; mas a resposta teria algo de divino.
À minha frente, por algum motivo, lê a bíblia uma pessoa que me parece interessante p'ra quem lhe acha interesse. Atrás de mim uma senhora loura fala com outra, que eu não vi, na língua que alguém já me deu e que eu nada percebi.
"Desculpe menina da frente sabe-me dizer por que é que o que se quer é sempre díficil?". Claro que não perguntei; mas a resposta teria algo de divino.
150 (Depois do nada)
Ás vezes parece que caímos que, sem paragens, nos aproximamos do abismo. A aceleração vertiginosa dá-nos uma velocidade cada vez maior: em pouco tempo quase fundimos.
Tentamos gritar mas somos mais rápidos que o som; nem força temos para esbracejar mas tentamos.
De repente cessa a queda e não dói como antes. Fatalmente apertaram os braços e, dentro deles, deram-nos o conforto que, não sendo estranho, é raro. Mas antes, antes onde estava?
Tentamos gritar mas somos mais rápidos que o som; nem força temos para esbracejar mas tentamos.
De repente cessa a queda e não dói como antes. Fatalmente apertaram os braços e, dentro deles, deram-nos o conforto que, não sendo estranho, é raro. Mas antes, antes onde estava?
149 (O...)
O púlpito era nobre: tinha uma faixa colorida. Preparaste de véspera o discurso com o teu conselheiro quase amigo. De uma forma qualquer ias mostrar o que estava cuspido. Abriste a boca e tombaste um pouco para um dos lados - e dizias tu que estavas neutro.
Falaste, falaste, falaste...e até houve quem te ouvisse (não interessa se por pouco). Acabaste. Acordou a maioria. Fez-se fila p'ros bolos.
Falaste, falaste, falaste...e até houve quem te ouvisse (não interessa se por pouco). Acabaste. Acordou a maioria. Fez-se fila p'ros bolos.
segunda-feira, abril 12, 2004
148 (it's mine; do not touch)
Rubro; é assim que fico quando alguém toca no que eu fiz ou faço. Sou como uma leoa que protege a sua prole por mais insignificante que seja: é minha e saiu de mim.
Fecho os punhos como se quisesse magoar alguém mas não os uso felizmente. Olho o chão e uso a minha voz da maneira que eu não quero (sim é instinto) e grito, e grito, e grito, e grito, e grito, e, de cada vez que o faço, magoo um pouco quem me rodeia.
Acabo sempre por encontrar o que procurava mas já é tarda: há alguém que chora. Sem saber tenho a culpa. Arrependo-me mas tudo volta a acontecer.
Fecho os punhos como se quisesse magoar alguém mas não os uso felizmente. Olho o chão e uso a minha voz da maneira que eu não quero (sim é instinto) e grito, e grito, e grito, e grito, e grito, e, de cada vez que o faço, magoo um pouco quem me rodeia.
Acabo sempre por encontrar o que procurava mas já é tarda: há alguém que chora. Sem saber tenho a culpa. Arrependo-me mas tudo volta a acontecer.
147 (Let's go shopping)
Na rua que subia estava quase no príncipio; na que desce estava no fim. O caminho que eu percorria era iluminado por tipos cobertos de lixo que, com malabarismos dignos de Baco, cravavam moedas para aumentar o teor de algo no corpo.
Ela estava resguardada à frente de outra porta que se fechou. Acompanhava-a uma guitarra triste como ela que olhava o chão.
Na nota certa soltou a sua voz tão mais velha que ela carregada não sei do quê. Principou um fado; não interessa qual - "cheira sempre a solidão". A cabeça p'la primeira vez olhou o céu como se pedisse ou mostrasse qualquer coisa a quem lhe teceu o manto.
Finalmente acabou; chorou; estava tudo na mesma. Se as moedas chegarem, se mais nada a deixar, ela volta porque pode.
Ela estava resguardada à frente de outra porta que se fechou. Acompanhava-a uma guitarra triste como ela que olhava o chão.
Na nota certa soltou a sua voz tão mais velha que ela carregada não sei do quê. Principou um fado; não interessa qual - "cheira sempre a solidão". A cabeça p'la primeira vez olhou o céu como se pedisse ou mostrasse qualquer coisa a quem lhe teceu o manto.
Finalmente acabou; chorou; estava tudo na mesma. Se as moedas chegarem, se mais nada a deixar, ela volta porque pode.
domingo, abril 04, 2004
146 (Digamos personalidade)
O carácter existe; só se manifesta porém quando as situações o exigem. Se outros o querem ver devem provocá-lo seriamente: ele alia-se à modéstia e, digamos, à compaixão. No fundo não quer arranjar discussões desnecessárias mesmo que outros as considerem óbvias.
O carácter existe mas forte não se mostra; quer parecer fraco. P'ra quê chegar só por chegar?(não lhe faz sentido).
O carácter existe mas não sabe quantificar a sua força e, quando se solta os sentimentos acima referidos, é atraído pelos seus opostos: pode magoar aqueles de quem gosta e e pode não remediar.
Ele existe mas julgou que não precisava de o conhecer. Mesmo exigindo retraíu-se e, agora que se manifesta, vê que é tarde: o que o carrega é um brinquedo (se o houve já não há respeito).
O carácter existe mas forte não se mostra; quer parecer fraco. P'ra quê chegar só por chegar?(não lhe faz sentido).
O carácter existe mas não sabe quantificar a sua força e, quando se solta os sentimentos acima referidos, é atraído pelos seus opostos: pode magoar aqueles de quem gosta e e pode não remediar.
Ele existe mas julgou que não precisava de o conhecer. Mesmo exigindo retraíu-se e, agora que se manifesta, vê que é tarde: o que o carrega é um brinquedo (se o houve já não há respeito).
sábado, abril 03, 2004
144 ("I'm always true to you darling in my fashion")
Às vezes cansados cansamo-nos: só nos resta partir.
A espera prolonga-se, a paciência reduz-se. Os que nos rodeia aos poucos deixa de ser novo; já conhecemos tudo e quase todos - mesmo os que ainda não passaram. Fixamos algo, não interessa o quê, desdobramos, inventamos e até criamos enquanto não temos mais que fazer...os segundos acumulam-se enquanto o vento leva o que exponencialmente deixa de restar.
Partimos e esperámos.
A espera prolonga-se, a paciência reduz-se. Os que nos rodeia aos poucos deixa de ser novo; já conhecemos tudo e quase todos - mesmo os que ainda não passaram. Fixamos algo, não interessa o quê, desdobramos, inventamos e até criamos enquanto não temos mais que fazer...os segundos acumulam-se enquanto o vento leva o que exponencialmente deixa de restar.
Partimos e esperámos.
terça-feira, março 30, 2004
143 (then the ?)
A interrogação que tão laranja se apresentava contrastava com a evidência verde do resto.
segunda-feira, março 29, 2004
142 (yes doctor)
Hoje diagnosticaram-me esquizofrenia. Comecei a pensar nisso e cheguei à conclusão de que provavelmente o sou. Vivo no meu mundo; tento fazer com que seja como eu quero; não tenho pejo em cantar o que me apetece, em desenhar o que eu anseio ver e em dizer o que vai em mim.
Hoje diagnosticaram-me esquizofrenia. Compreendo. Não sou como eles (digamos os outros). Eu sou eu e como dizia a Florbela eu como ela sou alguém. Quem não me compreende é que, no fundo, tem problemas.
Hoje diagnosticaram-me esquizofrenia. Compreendo. Não sou como eles (digamos os outros). Eu sou eu e como dizia a Florbela eu como ela sou alguém. Quem não me compreende é que, no fundo, tem problemas.
141 (At the chinese place)
Estavas à distância de uma mesa que se alongava ao compasso das palavras tremidas que eu dizia. Olhavas de uma forma estranha o que eu não sei; a sopa estranha, aos poucos, arrefecia. Acabei; cruzei os talheres. Perguntei-te o que não te apetecia dizer.
140 (ataraxia)
Há coisas que começam inesperadamente. Porventura não serão quase todas? Creio que sim. Porém umas fazem.no inexplicavelmente e essas são sempre inesperadas.
Uma palavrafoi uma palavra que bastou para tudo ter início; as que se seguiram somente confirmaram o que já tinha surgido. Não há explicação possível - foi uma palavra que se ouviu.
Podia ter começadop com um olhar: até considero mais comum. MAs quis, o que eu não sei, que assim não fosse. E, embora goste de ver quem tal palavra proferiu, não foi pelo olhar que tudo começou (ah só o que me disse me interessa).
Que seja como é; que saiba ao que sabe: isso é quase nada. Se não dissesse nem isto existiria.
Uma palavrafoi uma palavra que bastou para tudo ter início; as que se seguiram somente confirmaram o que já tinha surgido. Não há explicação possível - foi uma palavra que se ouviu.
Podia ter começadop com um olhar: até considero mais comum. MAs quis, o que eu não sei, que assim não fosse. E, embora goste de ver quem tal palavra proferiu, não foi pelo olhar que tudo começou (ah só o que me disse me interessa).
Que seja como é; que saiba ao que sabe: isso é quase nada. Se não dissesse nem isto existiria.
domingo, março 21, 2004
138 (no concerto)
A droga da mente é ela própria. O raciocínio exige cada vez mais de si. É um processo que começa e só termina quando uma nova conclusão passa a ser arbitrária.
Nada é fixo: o pensamento por isso também não o é. Caminha numa direcção até ver que esta não lhe serve; chega a um extremo e, de seguida, procura o oposto ou outro que lhe seja adjacente.
E continua, e continua, e muda, e muda; continua sem cessar. Cada vez estou mais farto mas os juizos são necessários que arbitrários sejam.
Os ouvidos já me doem. Os neurónios estão doridos.
Nada é fixo: o pensamento por isso também não o é. Caminha numa direcção até ver que esta não lhe serve; chega a um extremo e, de seguida, procura o oposto ou outro que lhe seja adjacente.
E continua, e continua, e muda, e muda; continua sem cessar. Cada vez estou mais farto mas os juizos são necessários que arbitrários sejam.
Os ouvidos já me doem. Os neurónios estão doridos.
137 (no concerto)q
Se eu me deixasse levar pela música...Não o faço por estupidez: racional não me consinto e só isso quero.
Se me deixasse levar pelos momentos que me deste. Se não fosse racionalmente parvo, cobarde e até mesquinho...
Se me deixasse levar p'lo que sei ser certo
Se me deixasse levar pelos momentos que me deste. Se não fosse racionalmente parvo, cobarde e até mesquinho...
Se me deixasse levar p'lo que sei ser certo
136 (no concerto)
Eles queriam morrer felizes: eram tristes - davam as mãos como se servisse para alguma coisa.
Pediram que lhes desse o que nunca tiveram: sorrisos.
Ele ergueu o braço. nenhum deles preocupado. Nenhum deles sentiu.
Pediram que lhes desse o que nunca tiveram: sorrisos.
Ele ergueu o braço. nenhum deles preocupado. Nenhum deles sentiu.
sexta-feira, março 19, 2004
135
Escrevo enquanto fumo um charuto pensativo. O mar está ao fundo e nem o vento interrompe este meu ritual. Em Cascais as luzes acendem-se com o acumular de linhas. O horizonte (ao qual nunca se chega) aos poucos perde o laranja, o pouco que resta, e ganha o tom azul.
Escrevo enquanto o tabaco arde de uma forma pensada pensando que o faço por instinto. O pouco do dia que tive passei com o meu passado: passei-o com ela (a primeira). Aos poucos vou-me redimindo. Errei, sei que o fiz: o ouro era-me cobre e a eu parvo só o vejo agora. P'lo menos alguem consegue ser feliz e isso faz-me, por pouco, feliz.
Escrevo enquanto se acumulam as cinzas. Desde há muito que não estou de facto sozinho em minha casa. Sinto-me só, é certo, mas estou sempre rodeado por alguém mesmo que esse alguém esteja no quarto ao lado. De facto, sozinho raramente estive: parece que tudo é mais meu; posso pensar, escrever, gritar fazer as merdas que quero sem ter alguém a perguntar a mar vir: é bom.
Escrevo enquanto há algo por arder. Tenho por momentos o que quase compõe o meu sonho. O espaço é meu; faço o que quero: estou sozinho. Mas falta alguém: ela (e não a primeira) está tão longe, não faz parte deste meu mundo que, enquanto puxo, fica mais cinzento.
Escrevo enquanto estiver rubro. Pedi tanto e tanto me deram se de facto há algo que dá. Pedi mas não consigo crer que me enviaram: é tão perfeita - até mais do que julguei; tem tudo, é um sonho que sonhei consciente mas a consciência é pessimista e p'ra ela eu sou péssimo. Por nais que me mostre não me diz ou então não ouço.
Escrevo enquanto não é curto. A esperança resta e morre antes do coirpo que morre por não a ter. Talvez consiga. Talvez se apague antes do fim. Talvez me levante antes de arder.
Já é de noite e estou sentado. Apagou-se. Não há mais a escrever.
Escrevo enquanto o tabaco arde de uma forma pensada pensando que o faço por instinto. O pouco do dia que tive passei com o meu passado: passei-o com ela (a primeira). Aos poucos vou-me redimindo. Errei, sei que o fiz: o ouro era-me cobre e a eu parvo só o vejo agora. P'lo menos alguem consegue ser feliz e isso faz-me, por pouco, feliz.
Escrevo enquanto se acumulam as cinzas. Desde há muito que não estou de facto sozinho em minha casa. Sinto-me só, é certo, mas estou sempre rodeado por alguém mesmo que esse alguém esteja no quarto ao lado. De facto, sozinho raramente estive: parece que tudo é mais meu; posso pensar, escrever, gritar fazer as merdas que quero sem ter alguém a perguntar a mar vir: é bom.
Escrevo enquanto há algo por arder. Tenho por momentos o que quase compõe o meu sonho. O espaço é meu; faço o que quero: estou sozinho. Mas falta alguém: ela (e não a primeira) está tão longe, não faz parte deste meu mundo que, enquanto puxo, fica mais cinzento.
Escrevo enquanto estiver rubro. Pedi tanto e tanto me deram se de facto há algo que dá. Pedi mas não consigo crer que me enviaram: é tão perfeita - até mais do que julguei; tem tudo, é um sonho que sonhei consciente mas a consciência é pessimista e p'ra ela eu sou péssimo. Por nais que me mostre não me diz ou então não ouço.
Escrevo enquanto não é curto. A esperança resta e morre antes do coirpo que morre por não a ter. Talvez consiga. Talvez se apague antes do fim. Talvez me levante antes de arder.
Já é de noite e estou sentado. Apagou-se. Não há mais a escrever.
quinta-feira, março 18, 2004
134 (another one)
O meu ser tem baratas na cabeça: foi assim que ela me descreveu psicologicamente. Foi perspicaz. De facto acumulam.se questões cujas respostas me são deveras estranhas (não estão em mim)
Tudo começou com um uma conversa estranha numa noite que foi mais longa. COntinuaram os encontros que perderam a casualidade, acabámos por enlaçar as mãos (nunca pensei que um dia vou dar o obulo).
O que vi e espero continuar a ver não foi base de tal acto. Não me chegava para uma entrega cada vez maior: de que serve a fachada se a casa não nos alberga? Demorei, esperei- nunca impaciente como ela, não perspicazmente me definiu. Certo estendo a mão que, aparentemente,acolheu.
Encostou-se ao meu ombro enquanto ele abraçou a cruz. Mais não me podia dar mas nada do que dela advém me é certo. A melhor das minhas intenções revela-se uma ofensa; não sei como reagir.
Tudo começou com um uma conversa estranha numa noite que foi mais longa. COntinuaram os encontros que perderam a casualidade, acabámos por enlaçar as mãos (nunca pensei que um dia vou dar o obulo).
O que vi e espero continuar a ver não foi base de tal acto. Não me chegava para uma entrega cada vez maior: de que serve a fachada se a casa não nos alberga? Demorei, esperei- nunca impaciente como ela, não perspicazmente me definiu. Certo estendo a mão que, aparentemente,acolheu.
Encostou-se ao meu ombro enquanto ele abraçou a cruz. Mais não me podia dar mas nada do que dela advém me é certo. A melhor das minhas intenções revela-se uma ofensa; não sei como reagir.
quarta-feira, março 17, 2004
133 (o artista)
Escrevo, pinto e desenho. Recorro aos mais variados suportes para mostrar o que sinto - entendam que não considero que o faço bem: mais que humildade tenho noção do real.
Faço-o porque preciso. É-me inato; às vezes desperto do que me rodeia e preciso de fixar esses pequenos momentos, não interessa se bem ou se mal: fixo-os. Adormeço de seguida.
Há quem diga que sou. Mas não, nunca serei um artista: não fodo aquelas em que me inspiro.
Faço-o porque preciso. É-me inato; às vezes desperto do que me rodeia e preciso de fixar esses pequenos momentos, não interessa se bem ou se mal: fixo-os. Adormeço de seguida.
Há quem diga que sou. Mas não, nunca serei um artista: não fodo aquelas em que me inspiro.
128
Uma casa não é o espaço onde vivemos. Quem assim pensa está errado. Muitas vezes as paredes que vemos durante anos nada nos dizem: procuramos outras com outro recheio, com outras cores, com outra vizinhança. A nossa casa, por vezes, nem chega a existir.
A nossa terra, qual é? Dizem que é aquela em que nascemos quando, em muitos casos, nunca o foi e tão poucos chegam a conhecê-la.
A minha terra, diz o BI, é lisboa. Eu digo que não é. Faltam as flores, os montes, o verde o calor; o resto são ninharias....Nessa terra, a minha, está a minha casa; não interessa como é: o que contem é que a faz.
A nossa terra, qual é? Dizem que é aquela em que nascemos quando, em muitos casos, nunca o foi e tão poucos chegam a conhecê-la.
A minha terra, diz o BI, é lisboa. Eu digo que não é. Faltam as flores, os montes, o verde o calor; o resto são ninharias....Nessa terra, a minha, está a minha casa; não interessa como é: o que contem é que a faz.
132 (He carries the cross)
Por mais que tentassem o fogo dos seus olhos não cessaria. Ele era um só mas ninguém iria impedir a sua entrega. Morreu e Tudo ficou certo.
131 (Uma questão de linguagem)
De que me servem as ideias que partilhas se não as percebo? Os conceitos conheço-os mas tu associa-los a termos de uma língua que me é estranha.
Dizes que gostas de mim em cirílico: de que me serve? Não te entendo e não tenho a capacidade de o sentir como já to disse.
Estivemos juntos como outras vezes; enquanto Ele sofria tu, encostada a meu ombro, fazias com que eu me redimisse. Gosto de ti, sei que o sentes - até me deixas sentir. E então? A mão que cobre a tua é tua mas não sei se a aceitas. É estranho (+ estranho que eu;até sou simples).
Querido gâfias. Era assim que começava; diz-me outra vez e, desta vez, traduz o resto.
Dizes que gostas de mim em cirílico: de que me serve? Não te entendo e não tenho a capacidade de o sentir como já to disse.
Estivemos juntos como outras vezes; enquanto Ele sofria tu, encostada a meu ombro, fazias com que eu me redimisse. Gosto de ti, sei que o sentes - até me deixas sentir. E então? A mão que cobre a tua é tua mas não sei se a aceitas. É estranho (+ estranho que eu;até sou simples).
Querido gâfias. Era assim que começava; diz-me outra vez e, desta vez, traduz o resto.
segunda-feira, março 15, 2004
quinta-feira, março 11, 2004
129 (Cálculo 2)
Pediram-me que desenhasse uma floresta. Fi-lo: desenhei-me - melhor- tentei fazê-lo em tons de púrpura e azul.
O local mais sombrio, aquele que mais receio, é o meu âmago; é só nele que me perco. Os pensamentos como àrvores têm vida e tentam constantemente me prender na penumbra que não cessa.
Oiço gritos que são meus, que não soltei. Ninguém os escuta.
O piso é pantanoso, nunca é sólido:(Quando é que uma mente o foi?)
Só me vale o cansaço. Caio p'ro lado e adormeço.
O local mais sombrio, aquele que mais receio, é o meu âmago; é só nele que me perco. Os pensamentos como àrvores têm vida e tentam constantemente me prender na penumbra que não cessa.
Oiço gritos que são meus, que não soltei. Ninguém os escuta.
O piso é pantanoso, nunca é sólido:(Quando é que uma mente o foi?)
Só me vale o cansaço. Caio p'ro lado e adormeço.
sexta-feira, março 05, 2004
127
A noite prolongou-se mais que o comum. Foi como sempre ùnica. Os ânimos animaram-se à medida que o tempo me consumia - no fundo sou só um corpo e o que vivo é inércia...O atrito?Não deve existir: é uma questão de tempo...Há horas, e há horas e tudo precisa de descanso.
sábado, fevereiro 28, 2004
34 (Ao spike)
Lembrei-me de um amigo meu.O spike. Já não lhe falo desde as férias grandes, já não o vejo desde que partiu. Lembrei-me, lembrei-me dele com saudade, do tanto tempo que passamos juntos. Criámos teorias, trocamos ideias, ajudou-me com a experiência que nunca terei; é das poucas pessoas que me tornaram assim...
(E se eu lhe ligasse?)
(E se eu lhe ligasse?)
125
Há quanto tempo nos conhecemos meu sacana? Parece que não há um primeiro dia. As palavras não se gastam, só ganham novos sentidos com as conversas que não terminam. Terminou tanto do que nos rodeava; outras coisas parece que só agora se mostraram: umas para bem, a maior parte para mal. Nós, uma simples dupla que, quando certos estão se expande, safámo-nos.
Não interessa o que tenho o que sinto: sei que és meu amigo e que sem pedir estás.
Não interessa o que tenho o que sinto: sei que és meu amigo e que sem pedir estás.
123 (I can not say in a word)
Ao som de xutos disse que escrevia o que ao som de xutos surgiu.
Foi há tão pouco, foi tanto e já passou. O tempo consome tudo menos a memória - eu lembro-me. Agora um simples sorriso, uma simples voz fininha, um complexo cigarro sedutor têm o peso de uma era que já não existe sem ser em mim - talvez em nós mas, como o disse, sem ser em mim não sinto.
Cada minuto que dispensa, cada palavra que gasta...suportes incautos à minha memória - eu lembro-me e pesa...
Ao som de xutos disse que escrevia o que ao som de xutos surgiu.Eu lembro-me. Escrevi. Há presenças que trazem saudade.
Foi há tão pouco, foi tanto e já passou. O tempo consome tudo menos a memória - eu lembro-me. Agora um simples sorriso, uma simples voz fininha, um complexo cigarro sedutor têm o peso de uma era que já não existe sem ser em mim - talvez em nós mas, como o disse, sem ser em mim não sinto.
Cada minuto que dispensa, cada palavra que gasta...suportes incautos à minha memória - eu lembro-me e pesa...
Ao som de xutos disse que escrevia o que ao som de xutos surgiu.Eu lembro-me. Escrevi. Há presenças que trazem saudade.
quarta-feira, fevereiro 25, 2004
122 ( A alguém não quer se saiba)
Juntas as palavras de uma forma que sempre me será estranha. Tu narras. Eu a teu lado já nem o ouso fazer. Humilde não mostras o que em ti acumulas com um interesse raro (Que linhas desconheces afinal?).
Eu, que vi parte, que vi pouco, sou maior por isso.
Eu, que vi parte, que vi pouco, sou maior por isso.
121 (remember moledo)
Não era eu. Não, não era.
O que compunha a mesa viu, num instante, o chão: sujou-o e, insisto, não fui eu. Pegou na "joaninha" (nome querido da bomba de asma), minha, não dele, e colocou-a no canto da mesa que, assim, p'la primeira vez era saudável. Com a máquina registou o momento. Há quem lhe chame Arte. Eu não sei; não é meu.
O que compunha a mesa viu, num instante, o chão: sujou-o e, insisto, não fui eu. Pegou na "joaninha" (nome querido da bomba de asma), minha, não dele, e colocou-a no canto da mesa que, assim, p'la primeira vez era saudável. Com a máquina registou o momento. Há quem lhe chame Arte. Eu não sei; não é meu.
sábado, fevereiro 21, 2004
quarta-feira, fevereiro 18, 2004
119
O comboio leva-me enquanto penso embalado por mais um dia. Em casa às 4 (por volta disso): há viagens tão certas (o indice de pontualidade da cp é de 98%) e outras que jamais terminam.
Estou à janela mas não sinto para além de mim; foi sempre assim, não estranho. Nenhum estranho me incomoda só prolongaria o raciocionio (mas qual?Não vou a lado nenhum). A voz maquinal debita uma estação: distraio-me; cessa a viagem pouco depois. Continuamos em seguida; volto aos poucos ao meu mundo (para quê?não vou a lado nenhum).
O mar à direita é guardado por uma velha que tricota o seu destino; e o meu quem o faz?"Não vou para oeiras continuo neste".Penso,Penso,Penso,Penso,Penso; a velha acelera estimula ainda mais o meu pensar. (para quê?porquê?Não vou a lado nenhum.Sou o ùnico que o vê e mesmo assim continuo.)
Chegámos, mas a viagem não terminou.
Estou à janela mas não sinto para além de mim; foi sempre assim, não estranho. Nenhum estranho me incomoda só prolongaria o raciocionio (mas qual?Não vou a lado nenhum). A voz maquinal debita uma estação: distraio-me; cessa a viagem pouco depois. Continuamos em seguida; volto aos poucos ao meu mundo (para quê?não vou a lado nenhum).
O mar à direita é guardado por uma velha que tricota o seu destino; e o meu quem o faz?"Não vou para oeiras continuo neste".Penso,Penso,Penso,Penso,Penso; a velha acelera estimula ainda mais o meu pensar. (para quê?porquê?Não vou a lado nenhum.Sou o ùnico que o vê e mesmo assim continuo.)
Chegámos, mas a viagem não terminou.
118
Esperava o comboio que tardou. Só há instantes vira o quão mais levava a chegar. Sentei-me; a plataforma vazia confirmava a longa espera.
Olhei o rio que os armazens cobriam; Lembrei-me das poucas vezes que o cruzei seguro por um cabo de aço: mais um mês e faz mais um ano.
O 3º dia estava a ser como os outros do outro semestre. As mesmas caras, as mesmas salas e, não querendo, parece ser a mesma (passou por mim e sorriu, pouco mais disse).
Continuei à espera. OS velhos começeram a invadir o meu espaço movidos por um hábito que aos poucos cesso de estranhar: estava quase. Levantaram-se; imitei-os; chegou.
Olhei o rio que os armazens cobriam; Lembrei-me das poucas vezes que o cruzei seguro por um cabo de aço: mais um mês e faz mais um ano.
O 3º dia estava a ser como os outros do outro semestre. As mesmas caras, as mesmas salas e, não querendo, parece ser a mesma (passou por mim e sorriu, pouco mais disse).
Continuei à espera. OS velhos começeram a invadir o meu espaço movidos por um hábito que aos poucos cesso de estranhar: estava quase. Levantaram-se; imitei-os; chegou.
segunda-feira, fevereiro 16, 2004
117 (Quarto das duas)
Sócrates fala aos sofistas. Tem um canto estridente harmonioso aos gestos inexplicáveis. Apoia o ombro, melhor, o corpo e tudo o que ele guarda num suporte facilmente removível; paguem-me, deêm-me ouro que refuto o que ele diz. A parteira ajudava mas a sua mãe não quis.
116 (3º das duas)
A tabuada do ratinho marca o lugaer que é meu. Falas de fórmulas que ninguem compreende essencialmente quando há quem não perceba o que o rato diz; a utilidade é nenhuma. Escola da vida? 10*10 é 100 1*1 é 1. Mesmo que o tal coeficiente corrija os erros de que falas como corrijo as minhas acções? Publicidade, vendas, caralho para eles. Ensinem-me o que quero o que não consigo aprender por mim mesmo! Eu estudo; prometo- já sei que é dificil.
115 (2º das duas)
A estatística de nada me serve. Aplico-a constantemente no meu dia-a-dia e? E nada. Os erros diferem pela diferença das pessoas; só a moda se aplica: só o nao existe. A média é irrelevante (eles são tão diferentes). Não escrutino os casos, de nada serviria.
Só a moda se aplica.
Só o não existe.
Só a moda se aplica.
Só o não existe.
114 (1º das 2)
Tinhas o que mais me falta: a experiência. Coçavas o escroto com a vivacidade que é rara num jovem...pesam-te tanto como tempo que os consumiu. Médias, desvios; não há padrões na vida. Se os houvesse estava noutro curso.
111
Passei como antigamente o suposto dia dos namorados sozinho. Fechei-me no meu quarto com o peso da noite de sexta e, à medida que o dia que só de tarde começou avançava, era o peso de Valentim que se acumulava nos meus ombros. Tantas vezes ferido por um dos filhos de marte e eis-me só - o humor percorre a minha vida e, pior que brejeiro, é mitológico.
O hábito fortalece o espírito. Cada ano é só mais um e, em cada um deles, acontece exactamente o mesmo; já espero tudo antes da colisão...
Passei como antigamente o suposto dia dos namorados: sozinho. O que perdi?nada. Estive com os poucos que gostam de facto de mim, foram momentos que só a solidão permite. Ninguem me esperava por isso fui e, quando a frase que entitulava o filme surgiu, ri-me: "Life is like anything else", não tem lógica alguma. Só devemos esperar por aquilo que fazemos; eu n fiz e o que fiz fiz mal.
Passei como antigamente o suposto dia dos namorados:sozinho. A culpa é minha.
O hábito fortalece o espírito. Cada ano é só mais um e, em cada um deles, acontece exactamente o mesmo; já espero tudo antes da colisão...
Passei como antigamente o suposto dia dos namorados: sozinho. O que perdi?nada. Estive com os poucos que gostam de facto de mim, foram momentos que só a solidão permite. Ninguem me esperava por isso fui e, quando a frase que entitulava o filme surgiu, ri-me: "Life is like anything else", não tem lógica alguma. Só devemos esperar por aquilo que fazemos; eu n fiz e o que fiz fiz mal.
Passei como antigamente o suposto dia dos namorados:sozinho. A culpa é minha.
sexta-feira, fevereiro 13, 2004
110
Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.
Tenho o meu espaço como é lógico: adoro o meu quarto. Ele é o meu melhor amigo; escuta, ouve e vê tudo o que se passa comigo e nada pede em troca. Enquanto escrevo no computador estou de costas para um MUPI (será assim que se escreve?) da ABSOLUT; de certa forma sou sacana, esqueço o que ele representa até precisar.
À minha direita tenho uma estante mais alta que larga. No ùltimo piso garrafas vazias da marca citada fazem-me lembrar, não as alegrias momentaneas que me deram, mas as mágoas que me fizeram esquecer por momentos. Por baixo acumulo livros que versam rimando e outros que versam sem sentido; li-os todos: gostei de alguns, adoro todos de um e há um ou dois que detesto. Na parte central merdas encimam os livros de direito civil que espero não ler.
No meu lado esquerdo sem sentido acumulo as folhas que preencho. Olho para elas e lembro-me de tudo até do que já não é mas desta vez as recordações cingem-se a ser o que são. O que passo para palavras ou cores deixou de estar em mim; deixou de ser um peso que só eu conhecia. Sou cobarde, mas só assim consigo. Só assim, cobarde e egoista, é que consigo escrever.
Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.
Quando saio à noite consigo divertir-me a maior parte das vezes. Não recorro ao alcool para me animar; p'lo contrário, a fluidez que me dá concentro no raciocinio exagerado que, como quem pensa sabe, só leva a merda. Podia ter aquela conversa do "não interessa o espaço mas sim as pessoas com quem vais" mas, como só eu sei, não sou mentiroso: interessa e bem. Não gosto de ambientes petulantes. É detestável ver como pessoas nos avaliam sem sequer saber o que pensamos (afinal o que define o que somos?).
No meio da diversão por vezes surge alguém que me desperta o olhar. Vacilo. Imagino como será. Estatiscamente não me é normal meter conversa, usualmente tem sido. Quando não falo é tão estranho perpetuo o que começou no instante que a vi e, movido por cobardia e um certo egoismo, recorro a um nada ABSOLUTo que me prolonga os juizos que julgo ajuizar. A noite termina em casa: o que escreveu é um rascunho, o que dorme está quase a nascer.
Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.
Tenho o meu espaço como é lógico: adoro o meu quarto. Ele é o meu melhor amigo; escuta, ouve e vê tudo o que se passa comigo e nada pede em troca. Enquanto escrevo no computador estou de costas para um MUPI (será assim que se escreve?) da ABSOLUT; de certa forma sou sacana, esqueço o que ele representa até precisar.
À minha direita tenho uma estante mais alta que larga. No ùltimo piso garrafas vazias da marca citada fazem-me lembrar, não as alegrias momentaneas que me deram, mas as mágoas que me fizeram esquecer por momentos. Por baixo acumulo livros que versam rimando e outros que versam sem sentido; li-os todos: gostei de alguns, adoro todos de um e há um ou dois que detesto. Na parte central merdas encimam os livros de direito civil que espero não ler.
No meu lado esquerdo sem sentido acumulo as folhas que preencho. Olho para elas e lembro-me de tudo até do que já não é mas desta vez as recordações cingem-se a ser o que são. O que passo para palavras ou cores deixou de estar em mim; deixou de ser um peso que só eu conhecia. Sou cobarde, mas só assim consigo. Só assim, cobarde e egoista, é que consigo escrever.
Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.
Quando saio à noite consigo divertir-me a maior parte das vezes. Não recorro ao alcool para me animar; p'lo contrário, a fluidez que me dá concentro no raciocinio exagerado que, como quem pensa sabe, só leva a merda. Podia ter aquela conversa do "não interessa o espaço mas sim as pessoas com quem vais" mas, como só eu sei, não sou mentiroso: interessa e bem. Não gosto de ambientes petulantes. É detestável ver como pessoas nos avaliam sem sequer saber o que pensamos (afinal o que define o que somos?).
No meio da diversão por vezes surge alguém que me desperta o olhar. Vacilo. Imagino como será. Estatiscamente não me é normal meter conversa, usualmente tem sido. Quando não falo é tão estranho perpetuo o que começou no instante que a vi e, movido por cobardia e um certo egoismo, recorro a um nada ABSOLUTo que me prolonga os juizos que julgo ajuizar. A noite termina em casa: o que escreveu é um rascunho, o que dorme está quase a nascer.
Estou de férias. Raros são os momentos que passo em casa: gosto de sair.
109
Sinceramente; de que me servem as palavras que só eu por inteiro compreendo? Escrevo tanto (não bem, é claro) e tudo o que tem destinatário as leu.Ah! se as vissem; se eu lhes conseguisse mostrar...
Porque não veêm?Porque não consigo?Acumulam-se as páginas, acumula-se o tempo na solidão que não passa;
Ah se vissem, se eu fosse mais claro!!!
Sou eu e rejeitam-me; sou cada folha marcada a tinta ou a carvão que soltam e voa até não voar mais; sou os zeros e uns que não se manifestam graficamente.Porquê?porquê?porquê?Porquê?
Não te chamo mais ó Deus: sempre que me ligas cobras no meu destino.
Porque não veêm?Porque não consigo?Acumulam-se as páginas, acumula-se o tempo na solidão que não passa;
Ah se vissem, se eu fosse mais claro!!!
Sou eu e rejeitam-me; sou cada folha marcada a tinta ou a carvão que soltam e voa até não voar mais; sou os zeros e uns que não se manifestam graficamente.Porquê?porquê?porquê?Porquê?
Não te chamo mais ó Deus: sempre que me ligas cobras no meu destino.
108
Estive a ver as fotografias que tirei desde as férias do verão. Encontrei uma bastante interessante e que se aplica. Estou eu de vermelho com cara de parvo a olhar para um sinal que, não sendo azul e vermelho e não tendo o artigo mais escrito do código escrito, nos diz o mesmo que o sinal citado. Percebam a admiração: se estacionasse estava sujeito a reboque.
quarta-feira, fevereiro 11, 2004
105 (Há coisas que não se dizem pela net)
Não gostou; ofendeu-se aos poucos com as palavras que leu. De certo algo estava errado se assim não fosse p'ra quê me dar o silêncio?
O tempo passou: envia um mensageiro atolado, um burro que não é numérico.
O tempo passou: envia um mensageiro atolado, um burro que não é numérico.
segunda-feira, fevereiro 09, 2004
107
Fui outra vez estúpido da mesma maneira que só um estúpido consegue ser de uma forma repetida. Porra eu que antes nem uma merda de uma frase dizia agora digo frases a mais; a forma difere o que sai é sempre o mesmo. Penso na calma que por momentos tenho esquecendo que assim, e só assim, arrisco, com a hipótese de ficar com nada de tudo o que, de certa forma, eu tenho (ou tinha).
Se tudo fosse como os números que disponho facilmente, se houvesse uma versão da tabuada do ratinho que me ensinasse a lidar com ela(s)...nada é e não há. As minhas conquistas são sempre as mesmas e todas elas solitárias.
Se tudo fosse como os números que disponho facilmente, se houvesse uma versão da tabuada do ratinho que me ensinasse a lidar com ela(s)...nada é e não há. As minhas conquistas são sempre as mesmas e todas elas solitárias.
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
106 (2 quadras, dois tercetos, um grito)
Já tou farto da merda que me dão.
O resto, sim o resto, de que me serve?
O descontentamento aos poucos ferve;
Só arrefece a anciã paixão.
Questiono-me. Pergunto o que dirão.
A resposta será que ninguem teme?
Procura de mansinho talvez reste
algo do que te jurara servidão
Julguei ser grande; era só mais um servo.
Quando quiseste ouviste mais que um sim
mas hoje parvo aviso assim o fim
Desta pedra a que a lapa se pegou;
Aos poucos consumiste e assim findou:
As asas não abriu antes do enterro.
O resto, sim o resto, de que me serve?
O descontentamento aos poucos ferve;
Só arrefece a anciã paixão.
Questiono-me. Pergunto o que dirão.
A resposta será que ninguem teme?
Procura de mansinho talvez reste
algo do que te jurara servidão
Julguei ser grande; era só mais um servo.
Quando quiseste ouviste mais que um sim
mas hoje parvo aviso assim o fim
Desta pedra a que a lapa se pegou;
Aos poucos consumiste e assim findou:
As asas não abriu antes do enterro.
domingo, fevereiro 01, 2004
104 (Prepare yourself, it might work)
Ainda hei-de perceber onde erro. Ate lá, decididamente, vou passar a ser o que nunca fui um autentico cabrao com um egoismo requintado: de que me vale ser o queriducho o anormal que está lá sempre que precisam?Caralho para todas essas que fizeram o que eu me proponho fazer.
Sei que não vou conseguir- não sou eu- mas que se lixe, o que conta é a intençao.
Sei que não vou conseguir- não sou eu- mas que se lixe, o que conta é a intençao.
103 (Uma merda qualquer)
As palavras têm de fluir, escapar por entre os dedos: prisioneiras nunca terão sentido.
102 (back in action.(really?))
"Sim!?".Repetiu esta palavra 3 vezes acumulando-se a raiva. Desligou à terceira;devia ser engano
101 (holiday in(n))
As mágoas que não se veêm saturam aos poucos o copo que se esvazia. Julgamos quando não estamos aptos a julgar que conseguimos estar mais perto do que não tinhamos. Caímos ao curto prazo de um tempo qualquer (talvez maior, talvez menor, não interessa); voltamos saturados do que tinhamos.
Sem perguntar sem ver o que causou, repetimos o ritual até não podermos; só é mais uma queda desta vez sem erguer.
Sem perguntar sem ver o que causou, repetimos o ritual até não podermos; só é mais uma queda desta vez sem erguer.
quarta-feira, janeiro 28, 2004
100
Escrevi.
Preenchi o branco do papel.
Borrei aos poucos a dor
Dei formas tristes ao mundo.
Escrevi
Saí aos pouco de mim:
Era e não sou
Preenchi o branco do papel.
Borrei aos poucos a dor
Dei formas tristes ao mundo.
Escrevi
Saí aos pouco de mim:
Era e não sou
terça-feira, janeiro 27, 2004
99 (Na margem do fim)
Termina com história o que começou com orelhas de burro em Setembro. No princípio eram ridículas as ideias que logicamente procuravamos explicar, no final, de uma forma ridícula, vou ordenar o que tão logicamente me ensinaram. Não sei o que sinto nos dois extremos, mas há quem se ria nos dois (não, não são os mesmos).
Em tão pouco tempo tanto se passou. Nada é como antes. Eu não sou o mesmo. O resto resume-se numa página, este semestre foi um em muitos.
Em tão pouco tempo tanto se passou. Nada é como antes. Eu não sou o mesmo. O resto resume-se numa página, este semestre foi um em muitos.
97 (Try to read in russian)
ses lèvres demandent quelque chose, mais le nez enrhumé crée une barrière de ce qui a provoqué cet état
sábado, janeiro 24, 2004
96 (Olá boa tarde isto é para uma estatística)
Perguntaram-me se pensava. Sem pensar disse que sim.
Mas, se digo que penso e não penso, será que penso por pensar que sim?
Mas, se digo que penso e não penso, será que penso por pensar que sim?
95 (While wainting for the martinis)
Estavas ao fundo. Falavas p'ra frente; p'ra quem? Nem reparo.
Ele falava, segurava no preçário censurando o mundano da vida; interrompia por vezes para citar uma sinfonia que gostaria de ouvir. Nem reparo.
Paraste. Mexeste os lábios por mais uma vez enquanto, p'la quarta vez, ajeitaste o cabelo. O mundo? o que é o mundo? Nem reparo.
Ele falava, segurava no preçário censurando o mundano da vida; interrompia por vezes para citar uma sinfonia que gostaria de ouvir. Nem reparo.
Paraste. Mexeste os lábios por mais uma vez enquanto, p'la quarta vez, ajeitaste o cabelo. O mundo? o que é o mundo? Nem reparo.
sexta-feira, janeiro 23, 2004
94
quando escrevo parece que expludo
Eu tão negro, tão morto crio um mundo de cores que , embora vistas, nunca senti. Expando-me por horizontes que desconheço. Quando escrevo não sou eu; sou eu e o mundo que não tenho, que de certo nunca vou ter. Ao escrever sou mais alto sou o que aspiro: solto um grito que não possuo; mudo o que será sempre assim.
Eu tão negro, tão morto crio um mundo de cores que , embora vistas, nunca senti. Expando-me por horizontes que desconheço. Quando escrevo não sou eu; sou eu e o mundo que não tenho, que de certo nunca vou ter. Ao escrever sou mais alto sou o que aspiro: solto um grito que não possuo; mudo o que será sempre assim.
93
A minha cor, melhor, a cor que sinto neste instante é triste. Não peço para a mudar, seria pedir demais e iria contra a minha humildade; mas, e peço por favor, deêm-lhe um tom mais alegre. Custa, mas não custa tanto
segunda-feira, janeiro 19, 2004
92 (Almost the end)
Só o cachecol era verde. Virei a cara. O adeus que não ouviste era mesmo um adeus.
domingo, janeiro 18, 2004
91 (À primeira)
Falei-te e parecia que o tempo não havia passado por ti: eras a mesma só que o miúdo que fugia nos corredores cada vez mais estreitos de ti cresceu. Não é o medo que nos afasta mas o tempo que em ti não se vê.
sábado, janeiro 17, 2004
90 ([∑ (x-μ)^2.f(x)])
Foste-te e começou a chover. A caminho de casa fui-me, aos poucos, purificando.
quinta-feira, janeiro 08, 2004
89 (No Porto depois de Mozart)
"Vai minha tristeza", é assim que o brasileiro começa. Ouvi-o vezes sem conta nunca percebendo o que a simples musica dizia. Ouvia, "tocava-me" dizia eu; mas a saudade nunca existiu em mim.
Fomos p'ro Norte. Estava longe, cá dentro, de ti. Era esquisito, só pensava no sorriso que tão poucas vezes me deste, nas poucas tardes que contigo passei. Com a distância, mesmo pequena, cresceu o desconhecido. Desta vez não minto; sinto-o e é estranho.
Fomos p'ro Norte. Estava longe, cá dentro, de ti. Era esquisito, só pensava no sorriso que tão poucas vezes me deste, nas poucas tardes que contigo passei. Com a distância, mesmo pequena, cresceu o desconhecido. Desta vez não minto; sinto-o e é estranho.
segunda-feira, janeiro 05, 2004
86 (Era loira e gostava de laranja)
Lembro-me da camisola vermelha que a cobria coberta de um manto dourado felizmente livre. Lembro-me de um sorriso sincero de criança. Lembro-me de pulos de alegria por algo que me é banal. Lembro-me da forma como me falava...Lembro-me de tudo, mas só assim a quero recordar.
sexta-feira, janeiro 02, 2004
85 (one more night at lux)
Movido por uma bravura tão rara aproximei-me. Disse que tinha algo para lhe dar e, depois de aceitar o pouco que me o'frecia, dei-lhe:
上海女孩从美丽 (versão simplificada). Esta que o era não o sabia ler.
上海女孩从美丽 (versão simplificada). Esta que o era não o sabia ler.
84 (if you had to be me)
O actor principal pega no telemóvel marca um número e simula que está a ligar.
(sinal de chamada)
Actor 2: Nem sabes quem vi ontem...
(sinal de chamada)
Actor principal:(um bocado nervoso) Espera estou a telefonar...
(sinal de chamada)
(sinal de chamada)
(Actor principal ainda mais nervoso)
(sinal de chamada)
Ouve-se o telemóvel a ser atendido. De fundo uma batida estridente.
Actor 1: (mais calmo) Bom ano!!!
(Voz metalizada e incompreensivel)
Actor 1: não compreendo nada mas espero que me estejas a ouvir. Diverte-te.
(voz metalizada e incompreensivel)
Actor 1: beijinhos (desliga o telemóvel- corta a batida- e volta-se para o seu amigo). Foi mau não foi?
(sinal de chamada)
Actor 2: Nem sabes quem vi ontem...
(sinal de chamada)
Actor principal:(um bocado nervoso) Espera estou a telefonar...
(sinal de chamada)
(sinal de chamada)
(Actor principal ainda mais nervoso)
(sinal de chamada)
Ouve-se o telemóvel a ser atendido. De fundo uma batida estridente.
Actor 1: (mais calmo) Bom ano!!!
(Voz metalizada e incompreensivel)
Actor 1: não compreendo nada mas espero que me estejas a ouvir. Diverte-te.
(voz metalizada e incompreensivel)
Actor 1: beijinhos (desliga o telemóvel- corta a batida- e volta-se para o seu amigo). Foi mau não foi?
83 (Let's get to the point)
Sem recorrer a metáforas ou a qualquer outra figura de estilo- burocracias desnecessárias p'ra quem sente não p'ra quem escreve:
Estou triste.
Estou triste.
82 (Fuck the pain away)
"Have you ever seen a live mess up?"- perguntava a amplificada cantora que entre os gritos não ouviu o meu sim. Continuou, recitou a sua moderna poesia;e, no fim, só no fim, entre os gritos, desta vez dela, o mote que é título ganhou sentido.
O ano que começa colorido faz esquecer a hora morta do lobo.
O ano que começa colorido faz esquecer a hora morta do lobo.
81 (le prince n'est plus petit)
J'utilise seulement les mots que tu m'as offri:
"Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé".
"Tu deviens responsable pour toujours de ce que tu as apprivoisé".
terça-feira, dezembro 30, 2003
80 (Cera e mais nada)
O teu tom laranja escondia um amarelo pálido. Estavas triste, ou eras, não sei: só deste algo quente.
Tinhas medo de quem?de quê?
Aqui os por quês não têm motivo.
Tinhas medo de quem?de quê?
Aqui os por quês não têm motivo.
segunda-feira, dezembro 29, 2003
79 (Novidade?)
Finalmente encontrei-a. É parecida comigo e, a meu ver, compreende-me. Não, coração, não te solto (só me pediu para não te dar asas).
terça-feira, dezembro 23, 2003
segunda-feira, dezembro 22, 2003
77
Já estou farto. Vou parar de me ridicularizar em vão e estupidamente à medida que sou rejeitado. Sou tão superior aquelas que me inferiorizam; tenho somente de ter consciência disso e obrigá-las a olhar para cima...
Que sintam a faltam daquilo que nunca terão; dos nadas que eu sem querer dava; que chorem por terem perdido tudo.
Que sintam a faltam daquilo que nunca terão; dos nadas que eu sem querer dava; que chorem por terem perdido tudo.
75
Sinto falta das mensagens ridículas mas sentidas que enchiam a curta memoria do meu telemóvel: tinham as mesmas palavras que inúmeras vezes me foram segredadas. Sinto falta dos abraços que me envolviam sempre que a tristeza me trazia o frio. Sinto falta de chegar a casa e ter de dizer que tudo correu bem, que estou bom, que me vou deitar...Sinto falta das merdas que ouvia e de sentir que o que eu dizia era ouvido.
sinto falta de tudo isto.
Há uma vaga por preencher!
sinto falta de tudo isto.
Há uma vaga por preencher!
sábado, dezembro 20, 2003
73
Falou-me na desparasitação que outro escrevera e que eu já pensara. Poucos são os que não se ofendem face tal acto, ele é um deles: Tão diferente mas tão mais que os outros igual a mim é assim que ele é. Não conheço as suas palavras; provavelmente serão aquelas que me faltam, aquelas que só tempo sabe se um dia serão minhas (talvez, talvez um dia). Decadente e certo disso: felizmente há frutos que não apodrecem.
72
Quando, de facto, te (re)conheci as flores uma a uma secaram, a boca não se viu. O espanto fora coberto com a mão que restava; pouco a pouco me esborratei no negro que me rodeou.
71
Dois bêbedos, um interrogatório; respostas vagas, ausentes típicas daqules que tudo dominam - deve ser do concentrado a que eles chamam sangue. Lá p'lo meio - findada a história de tias- ouve-se: " P'ra onde vais?". O menos ébrio exclama, transpirando metafísica, que só Deus o sabe. Ironia; quem está na fossa acredita.
sexta-feira, dezembro 19, 2003
70
Disseste tudo o que eu sinto. Escreveste as palavras que, desde o início, foram minhas de uma maneira que será sempre mais tua; e, como pensara, soaram bem. Claro que percebeste que eram para ti; mesmo que as escreva noutro lugar elas serão sempre tuas: foste tu que as despertaste:
"Quand je te vois je ne pense qu'à tes lèvres"
"Quand je te vois je ne pense qu'à tes lèvres"
quinta-feira, dezembro 18, 2003
69 (Férias mas de quê?)
Estou de férias e nunca estive tão cansado. Hoje acordei relativamente cedo para quem se deitou às quatro da manhã ressacado, não da sangria, mas de um trabalho de cálculo que se prolongou. Uma hora depois do pequeno-almoço levantei-me; vejo as horas e percevo que estava atrasado ("merda aidna tenho de comprar o livro"). Saí a correr de casa e faço um desvio até à Parede, mas de nada serviu; a livraria fechara, perdi mais tempo, perdi um comboio. Sentei-me na estação para fazer o trabalho que só acabei no bar da faculdade pouco tempo ddepois de ela ter chegado.
Perguntava p'ra que servia o lambda quando a porta, como de outras vezes, bateu. Olhei, olhei e vi-a; mesmo que tentasse já não estaria indiferente. Oh o sorriso que ela me deu, aquele que, de uma forma estranha, já me tocara ao som de mozart, ainda por cima conjugado com o meu nome foi o que bastou. Disse-me o que queria e ajudei como pude. Agradeceu-me e fui.
Davam presentes e chocolates ao seu Diogo e ele, por isso, era feliz. Sempre precisei de mais do que isso; estou certo desde que a porta bateu...
Cheguei à mesa redonda - mais tarde, mas tinha um bom motivo. Acabou e parti p'lo caminho chuvoso que, aos poucos, diluiu o que me fora dado. Já em casa poucos eram os vestígios, só me via a dormir. Acordei e decidi que já não vou ser mais poético, desta vez quero que me compreenda: isto é o resultado.
Perguntava p'ra que servia o lambda quando a porta, como de outras vezes, bateu. Olhei, olhei e vi-a; mesmo que tentasse já não estaria indiferente. Oh o sorriso que ela me deu, aquele que, de uma forma estranha, já me tocara ao som de mozart, ainda por cima conjugado com o meu nome foi o que bastou. Disse-me o que queria e ajudei como pude. Agradeceu-me e fui.
Davam presentes e chocolates ao seu Diogo e ele, por isso, era feliz. Sempre precisei de mais do que isso; estou certo desde que a porta bateu...
Cheguei à mesa redonda - mais tarde, mas tinha um bom motivo. Acabou e parti p'lo caminho chuvoso que, aos poucos, diluiu o que me fora dado. Já em casa poucos eram os vestígios, só me via a dormir. Acordei e decidi que já não vou ser mais poético, desta vez quero que me compreenda: isto é o resultado.
68 (A partida)
O comboio chegou mais cedo e de nada me serviria correr. Vejo-o separado por grades cinzentas duas ruas distante de mim. Continuo, chego à estação ; uma figura andrógina desequipa-se, guarda a sua mota; uma velha, como sempre, lê o horário ; cinco surfistas (serão?) vêm da praia.
Sem pressa vou para a plataforma. Penso no soneto que não chego a escrever; penso num desenho que não faço; escrevo isto até o comboio chegar...Chegou!
Sem pressa vou para a plataforma. Penso no soneto que não chego a escrever; penso num desenho que não faço; escrevo isto até o comboio chegar...Chegou!
segunda-feira, dezembro 15, 2003
67
O que resulta de um amontoado de coisas?(Pergunto de uma forma retórica; sem me interessar creio que já captei a atenção). Só posso dizer que nada.
Juntei à vida as cores que encontrei. Somei-as; criei outras novas. De nada serviu. Elas vivem, mas só consigo e para si.
Eu, tão abstracto, só vos peço para não me darem significado. Não me tentem compreender. Que a insignificância seja a minha maior característica:
Não deem, ao que não tem, sentido!
Juntei à vida as cores que encontrei. Somei-as; criei outras novas. De nada serviu. Elas vivem, mas só consigo e para si.
Eu, tão abstracto, só vos peço para não me darem significado. Não me tentem compreender. Que a insignificância seja a minha maior característica:
Não deem, ao que não tem, sentido!
sexta-feira, dezembro 12, 2003
66
A desilusão ilude-nos. Movidos por sentimentos de revolta chegamos a dar maior importância àquilo que, nunca sendo, nos era importante.
65
Campanha de inverno da DKNY: New york tales. Pessoas felizes numa cidade atribulada, lindas (com tudo no sítio) a envergar roupa, casual, mas chic.
A minha (nossa?) história não se passa em nova iorque nem envolve pessoas daquele tipo. Tomara ter o sorriso que eles demonstram (as roupas e o resto ponho de parte, não quero ser consumista nem passar por mulherengo).
Ah! Eu um deles, ela uma delas...Publicidade à vida que nunca tive.
Olho para nós e penso num título: why did it have to be such a sad story?
Era tudo laranja, como gostavas, esbatido no azul.
A minha (nossa?) história não se passa em nova iorque nem envolve pessoas daquele tipo. Tomara ter o sorriso que eles demonstram (as roupas e o resto ponho de parte, não quero ser consumista nem passar por mulherengo).
Ah! Eu um deles, ela uma delas...Publicidade à vida que nunca tive.
Olho para nós e penso num título: why did it have to be such a sad story?
Era tudo laranja, como gostavas, esbatido no azul.
segunda-feira, dezembro 08, 2003
64 (Ao som de "black eyed pees")
A música perguntava onde está o amor. Já existiu em nós, desvaneceu-se quando nos separámos. Sentada no sofá olho-te e és a mesma mas não és o mesmo para mim; o tempo consumiu-nos, fez-nos ver com outros olhos o que nos era banal.
sábado, dezembro 06, 2003
63 (O seu diário)
Querido diário, andei de escorrega. É tão giro: subimos, esforçados, tão alto para depois descer tão depressa.
sexta-feira, dezembro 05, 2003
61 (The fallen)
De braços abertos tentas albergar a luz que deixaste. Já não as usas,as penas caíram-te. De que te serve?
60
No bar acumulam-se tristezas que o homem do piano (inexistente) cantava; já fora assim antes, mostrou Degas, e nem o fumo as escondia.
Todos tinham o seu copo.Todos bebiam.
Todos tinham o seu copo.Todos bebiam.
segunda-feira, novembro 24, 2003
59 (Depois da febre)
Tem-me custado, cada vez mais, a escrever. As ideias vão surgindo; os ímpetos são cada vez maiores patrocinados por temperaturas que o mercúrio habitualmente registou (na maior parte das vezes é o sangue diluído). Partindo de um abrigo faço de gritos monumentos. Acumulam-se ladainhas harmoniosas e aos poucos, por preguiça, vou esquecendo as linhas que apoiam o que agora crio. No final, só o fim resta: até a causa foi esquecida.
Pergunto-me porque assim estou e a única conclusão ( e sim só será esta) a que chego é que não sei o motivo. Estou apático. Tantas vezes ansiei por algo, por tudo, mas hoje já nem isso há e, sem ser isso, o que mais motiva? A culpa é minha: nunca soube jogar esse jogo não matemático e, por isso, complexo (talvez também por envolver 2 jogadores...) a que muitos desconhecedores de tudo são mestres. Se calhar até sou acusado de não respeitar os requisitos máximos. Só pode ser disso:
Quem mais escreveria uma merda destas?
Pergunto-me porque assim estou e a única conclusão ( e sim só será esta) a que chego é que não sei o motivo. Estou apático. Tantas vezes ansiei por algo, por tudo, mas hoje já nem isso há e, sem ser isso, o que mais motiva? A culpa é minha: nunca soube jogar esse jogo não matemático e, por isso, complexo (talvez também por envolver 2 jogadores...) a que muitos desconhecedores de tudo são mestres. Se calhar até sou acusado de não respeitar os requisitos máximos. Só pode ser disso:
Quem mais escreveria uma merda destas?
58 (Acrobacias e Truques)
Disseram-me hoje algo que eu nunca deduziria: "é acrobata". Segundo reza a história um autêntico espectáculo, num terraço com vista para o Tejo, embasbacou os poucos que tiveram a sorte de o ver. A emoção, mesmo quando narrada, é intensa: tão poucos terão coragem para algo tão pequeno e grandioso (quanto mais aos olhos de outros).
Percorre-me uma mescla de inveja e incredulidade. Nunca diria.À minha miopia acrescento a minha inexistente capacidade de julgar carácteres
Percorre-me uma mescla de inveja e incredulidade. Nunca diria.À minha miopia acrescento a minha inexistente capacidade de julgar carácteres
quinta-feira, novembro 20, 2003
56 (Ícaro)
Ícaro,
Sou quase,não sendo,
Como tu!
Também vivi pouco;
Não tinha vista para o mar,
mas navegava entre as pedras com os olhos.
Cresci,
ele, mais velho, também lá estava
Mas nunca me deu as asas
que, com a idade, fiz.
Voei e voo,
E até hoje não houve
Uma última
vez.
Não sei porquê,
Fico sempre,
entre o céu e a terra.
Sou quase,não sendo,
Como tu!
Também vivi pouco;
Não tinha vista para o mar,
mas navegava entre as pedras com os olhos.
Cresci,
ele, mais velho, também lá estava
Mas nunca me deu as asas
que, com a idade, fiz.
Voei e voo,
E até hoje não houve
Uma última
vez.
Não sei porquê,
Fico sempre,
entre o céu e a terra.
quarta-feira, novembro 19, 2003
domingo, novembro 16, 2003
53 (Ataraxia)
Aos poucos contaminou-me. Somava-me e reduzia-me. O que resultou é indiferente; antecedo de dois pontos e coloco entre aspas: " "
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