Escrevo enquanto fumo um charuto pensativo. O mar está ao fundo e nem o vento interrompe este meu ritual. Em Cascais as luzes acendem-se com o acumular de linhas. O horizonte (ao qual nunca se chega) aos poucos perde o laranja, o pouco que resta, e ganha o tom azul.
Escrevo enquanto o tabaco arde de uma forma pensada pensando que o faço por instinto. O pouco do dia que tive passei com o meu passado: passei-o com ela (a primeira). Aos poucos vou-me redimindo. Errei, sei que o fiz: o ouro era-me cobre e a eu parvo só o vejo agora. P'lo menos alguem consegue ser feliz e isso faz-me, por pouco, feliz.
Escrevo enquanto se acumulam as cinzas. Desde há muito que não estou de facto sozinho em minha casa. Sinto-me só, é certo, mas estou sempre rodeado por alguém mesmo que esse alguém esteja no quarto ao lado. De facto, sozinho raramente estive: parece que tudo é mais meu; posso pensar, escrever, gritar fazer as merdas que quero sem ter alguém a perguntar a mar vir: é bom.
Escrevo enquanto há algo por arder. Tenho por momentos o que quase compõe o meu sonho. O espaço é meu; faço o que quero: estou sozinho. Mas falta alguém: ela (e não a primeira) está tão longe, não faz parte deste meu mundo que, enquanto puxo, fica mais cinzento.
Escrevo enquanto estiver rubro. Pedi tanto e tanto me deram se de facto há algo que dá. Pedi mas não consigo crer que me enviaram: é tão perfeita - até mais do que julguei; tem tudo, é um sonho que sonhei consciente mas a consciência é pessimista e p'ra ela eu sou péssimo. Por nais que me mostre não me diz ou então não ouço.
Escrevo enquanto não é curto. A esperança resta e morre antes do coirpo que morre por não a ter. Talvez consiga. Talvez se apague antes do fim. Talvez me levante antes de arder.
Já é de noite e estou sentado. Apagou-se. Não há mais a escrever.
Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)
sexta-feira, março 19, 2004
quinta-feira, março 18, 2004
134 (another one)
O meu ser tem baratas na cabeça: foi assim que ela me descreveu psicologicamente. Foi perspicaz. De facto acumulam.se questões cujas respostas me são deveras estranhas (não estão em mim)
Tudo começou com um uma conversa estranha numa noite que foi mais longa. COntinuaram os encontros que perderam a casualidade, acabámos por enlaçar as mãos (nunca pensei que um dia vou dar o obulo).
O que vi e espero continuar a ver não foi base de tal acto. Não me chegava para uma entrega cada vez maior: de que serve a fachada se a casa não nos alberga? Demorei, esperei- nunca impaciente como ela, não perspicazmente me definiu. Certo estendo a mão que, aparentemente,acolheu.
Encostou-se ao meu ombro enquanto ele abraçou a cruz. Mais não me podia dar mas nada do que dela advém me é certo. A melhor das minhas intenções revela-se uma ofensa; não sei como reagir.
Tudo começou com um uma conversa estranha numa noite que foi mais longa. COntinuaram os encontros que perderam a casualidade, acabámos por enlaçar as mãos (nunca pensei que um dia vou dar o obulo).
O que vi e espero continuar a ver não foi base de tal acto. Não me chegava para uma entrega cada vez maior: de que serve a fachada se a casa não nos alberga? Demorei, esperei- nunca impaciente como ela, não perspicazmente me definiu. Certo estendo a mão que, aparentemente,acolheu.
Encostou-se ao meu ombro enquanto ele abraçou a cruz. Mais não me podia dar mas nada do que dela advém me é certo. A melhor das minhas intenções revela-se uma ofensa; não sei como reagir.
quarta-feira, março 17, 2004
133 (o artista)
Escrevo, pinto e desenho. Recorro aos mais variados suportes para mostrar o que sinto - entendam que não considero que o faço bem: mais que humildade tenho noção do real.
Faço-o porque preciso. É-me inato; às vezes desperto do que me rodeia e preciso de fixar esses pequenos momentos, não interessa se bem ou se mal: fixo-os. Adormeço de seguida.
Há quem diga que sou. Mas não, nunca serei um artista: não fodo aquelas em que me inspiro.
Faço-o porque preciso. É-me inato; às vezes desperto do que me rodeia e preciso de fixar esses pequenos momentos, não interessa se bem ou se mal: fixo-os. Adormeço de seguida.
Há quem diga que sou. Mas não, nunca serei um artista: não fodo aquelas em que me inspiro.
128
Uma casa não é o espaço onde vivemos. Quem assim pensa está errado. Muitas vezes as paredes que vemos durante anos nada nos dizem: procuramos outras com outro recheio, com outras cores, com outra vizinhança. A nossa casa, por vezes, nem chega a existir.
A nossa terra, qual é? Dizem que é aquela em que nascemos quando, em muitos casos, nunca o foi e tão poucos chegam a conhecê-la.
A minha terra, diz o BI, é lisboa. Eu digo que não é. Faltam as flores, os montes, o verde o calor; o resto são ninharias....Nessa terra, a minha, está a minha casa; não interessa como é: o que contem é que a faz.
A nossa terra, qual é? Dizem que é aquela em que nascemos quando, em muitos casos, nunca o foi e tão poucos chegam a conhecê-la.
A minha terra, diz o BI, é lisboa. Eu digo que não é. Faltam as flores, os montes, o verde o calor; o resto são ninharias....Nessa terra, a minha, está a minha casa; não interessa como é: o que contem é que a faz.
132 (He carries the cross)
Por mais que tentassem o fogo dos seus olhos não cessaria. Ele era um só mas ninguém iria impedir a sua entrega. Morreu e Tudo ficou certo.
131 (Uma questão de linguagem)
De que me servem as ideias que partilhas se não as percebo? Os conceitos conheço-os mas tu associa-los a termos de uma língua que me é estranha.
Dizes que gostas de mim em cirílico: de que me serve? Não te entendo e não tenho a capacidade de o sentir como já to disse.
Estivemos juntos como outras vezes; enquanto Ele sofria tu, encostada a meu ombro, fazias com que eu me redimisse. Gosto de ti, sei que o sentes - até me deixas sentir. E então? A mão que cobre a tua é tua mas não sei se a aceitas. É estranho (+ estranho que eu;até sou simples).
Querido gâfias. Era assim que começava; diz-me outra vez e, desta vez, traduz o resto.
Dizes que gostas de mim em cirílico: de que me serve? Não te entendo e não tenho a capacidade de o sentir como já to disse.
Estivemos juntos como outras vezes; enquanto Ele sofria tu, encostada a meu ombro, fazias com que eu me redimisse. Gosto de ti, sei que o sentes - até me deixas sentir. E então? A mão que cobre a tua é tua mas não sei se a aceitas. É estranho (+ estranho que eu;até sou simples).
Querido gâfias. Era assim que começava; diz-me outra vez e, desta vez, traduz o resto.
segunda-feira, março 15, 2004
quinta-feira, março 11, 2004
129 (Cálculo 2)
Pediram-me que desenhasse uma floresta. Fi-lo: desenhei-me - melhor- tentei fazê-lo em tons de púrpura e azul.
O local mais sombrio, aquele que mais receio, é o meu âmago; é só nele que me perco. Os pensamentos como àrvores têm vida e tentam constantemente me prender na penumbra que não cessa.
Oiço gritos que são meus, que não soltei. Ninguém os escuta.
O piso é pantanoso, nunca é sólido:(Quando é que uma mente o foi?)
Só me vale o cansaço. Caio p'ro lado e adormeço.
O local mais sombrio, aquele que mais receio, é o meu âmago; é só nele que me perco. Os pensamentos como àrvores têm vida e tentam constantemente me prender na penumbra que não cessa.
Oiço gritos que são meus, que não soltei. Ninguém os escuta.
O piso é pantanoso, nunca é sólido:(Quando é que uma mente o foi?)
Só me vale o cansaço. Caio p'ro lado e adormeço.
sexta-feira, março 05, 2004
127
A noite prolongou-se mais que o comum. Foi como sempre ùnica. Os ânimos animaram-se à medida que o tempo me consumia - no fundo sou só um corpo e o que vivo é inércia...O atrito?Não deve existir: é uma questão de tempo...Há horas, e há horas e tudo precisa de descanso.
sábado, fevereiro 28, 2004
34 (Ao spike)
Lembrei-me de um amigo meu.O spike. Já não lhe falo desde as férias grandes, já não o vejo desde que partiu. Lembrei-me, lembrei-me dele com saudade, do tanto tempo que passamos juntos. Criámos teorias, trocamos ideias, ajudou-me com a experiência que nunca terei; é das poucas pessoas que me tornaram assim...
(E se eu lhe ligasse?)
(E se eu lhe ligasse?)
125
Há quanto tempo nos conhecemos meu sacana? Parece que não há um primeiro dia. As palavras não se gastam, só ganham novos sentidos com as conversas que não terminam. Terminou tanto do que nos rodeava; outras coisas parece que só agora se mostraram: umas para bem, a maior parte para mal. Nós, uma simples dupla que, quando certos estão se expande, safámo-nos.
Não interessa o que tenho o que sinto: sei que és meu amigo e que sem pedir estás.
Não interessa o que tenho o que sinto: sei que és meu amigo e que sem pedir estás.
123 (I can not say in a word)
Ao som de xutos disse que escrevia o que ao som de xutos surgiu.
Foi há tão pouco, foi tanto e já passou. O tempo consome tudo menos a memória - eu lembro-me. Agora um simples sorriso, uma simples voz fininha, um complexo cigarro sedutor têm o peso de uma era que já não existe sem ser em mim - talvez em nós mas, como o disse, sem ser em mim não sinto.
Cada minuto que dispensa, cada palavra que gasta...suportes incautos à minha memória - eu lembro-me e pesa...
Ao som de xutos disse que escrevia o que ao som de xutos surgiu.Eu lembro-me. Escrevi. Há presenças que trazem saudade.
Foi há tão pouco, foi tanto e já passou. O tempo consome tudo menos a memória - eu lembro-me. Agora um simples sorriso, uma simples voz fininha, um complexo cigarro sedutor têm o peso de uma era que já não existe sem ser em mim - talvez em nós mas, como o disse, sem ser em mim não sinto.
Cada minuto que dispensa, cada palavra que gasta...suportes incautos à minha memória - eu lembro-me e pesa...
Ao som de xutos disse que escrevia o que ao som de xutos surgiu.Eu lembro-me. Escrevi. Há presenças que trazem saudade.
quarta-feira, fevereiro 25, 2004
122 ( A alguém não quer se saiba)
Juntas as palavras de uma forma que sempre me será estranha. Tu narras. Eu a teu lado já nem o ouso fazer. Humilde não mostras o que em ti acumulas com um interesse raro (Que linhas desconheces afinal?).
Eu, que vi parte, que vi pouco, sou maior por isso.
Eu, que vi parte, que vi pouco, sou maior por isso.
121 (remember moledo)
Não era eu. Não, não era.
O que compunha a mesa viu, num instante, o chão: sujou-o e, insisto, não fui eu. Pegou na "joaninha" (nome querido da bomba de asma), minha, não dele, e colocou-a no canto da mesa que, assim, p'la primeira vez era saudável. Com a máquina registou o momento. Há quem lhe chame Arte. Eu não sei; não é meu.
O que compunha a mesa viu, num instante, o chão: sujou-o e, insisto, não fui eu. Pegou na "joaninha" (nome querido da bomba de asma), minha, não dele, e colocou-a no canto da mesa que, assim, p'la primeira vez era saudável. Com a máquina registou o momento. Há quem lhe chame Arte. Eu não sei; não é meu.
sábado, fevereiro 21, 2004
quarta-feira, fevereiro 18, 2004
119
O comboio leva-me enquanto penso embalado por mais um dia. Em casa às 4 (por volta disso): há viagens tão certas (o indice de pontualidade da cp é de 98%) e outras que jamais terminam.
Estou à janela mas não sinto para além de mim; foi sempre assim, não estranho. Nenhum estranho me incomoda só prolongaria o raciocionio (mas qual?Não vou a lado nenhum). A voz maquinal debita uma estação: distraio-me; cessa a viagem pouco depois. Continuamos em seguida; volto aos poucos ao meu mundo (para quê?não vou a lado nenhum).
O mar à direita é guardado por uma velha que tricota o seu destino; e o meu quem o faz?"Não vou para oeiras continuo neste".Penso,Penso,Penso,Penso,Penso; a velha acelera estimula ainda mais o meu pensar. (para quê?porquê?Não vou a lado nenhum.Sou o ùnico que o vê e mesmo assim continuo.)
Chegámos, mas a viagem não terminou.
Estou à janela mas não sinto para além de mim; foi sempre assim, não estranho. Nenhum estranho me incomoda só prolongaria o raciocionio (mas qual?Não vou a lado nenhum). A voz maquinal debita uma estação: distraio-me; cessa a viagem pouco depois. Continuamos em seguida; volto aos poucos ao meu mundo (para quê?não vou a lado nenhum).
O mar à direita é guardado por uma velha que tricota o seu destino; e o meu quem o faz?"Não vou para oeiras continuo neste".Penso,Penso,Penso,Penso,Penso; a velha acelera estimula ainda mais o meu pensar. (para quê?porquê?Não vou a lado nenhum.Sou o ùnico que o vê e mesmo assim continuo.)
Chegámos, mas a viagem não terminou.
118
Esperava o comboio que tardou. Só há instantes vira o quão mais levava a chegar. Sentei-me; a plataforma vazia confirmava a longa espera.
Olhei o rio que os armazens cobriam; Lembrei-me das poucas vezes que o cruzei seguro por um cabo de aço: mais um mês e faz mais um ano.
O 3º dia estava a ser como os outros do outro semestre. As mesmas caras, as mesmas salas e, não querendo, parece ser a mesma (passou por mim e sorriu, pouco mais disse).
Continuei à espera. OS velhos começeram a invadir o meu espaço movidos por um hábito que aos poucos cesso de estranhar: estava quase. Levantaram-se; imitei-os; chegou.
Olhei o rio que os armazens cobriam; Lembrei-me das poucas vezes que o cruzei seguro por um cabo de aço: mais um mês e faz mais um ano.
O 3º dia estava a ser como os outros do outro semestre. As mesmas caras, as mesmas salas e, não querendo, parece ser a mesma (passou por mim e sorriu, pouco mais disse).
Continuei à espera. OS velhos começeram a invadir o meu espaço movidos por um hábito que aos poucos cesso de estranhar: estava quase. Levantaram-se; imitei-os; chegou.
segunda-feira, fevereiro 16, 2004
117 (Quarto das duas)
Sócrates fala aos sofistas. Tem um canto estridente harmonioso aos gestos inexplicáveis. Apoia o ombro, melhor, o corpo e tudo o que ele guarda num suporte facilmente removível; paguem-me, deêm-me ouro que refuto o que ele diz. A parteira ajudava mas a sua mãe não quis.
116 (3º das duas)
A tabuada do ratinho marca o lugaer que é meu. Falas de fórmulas que ninguem compreende essencialmente quando há quem não perceba o que o rato diz; a utilidade é nenhuma. Escola da vida? 10*10 é 100 1*1 é 1. Mesmo que o tal coeficiente corrija os erros de que falas como corrijo as minhas acções? Publicidade, vendas, caralho para eles. Ensinem-me o que quero o que não consigo aprender por mim mesmo! Eu estudo; prometo- já sei que é dificil.
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