Mais um. O meu primeiro. (brainwasherpt@hotmail.com)

sexta-feira, dezembro 05, 2003

60

No bar acumulam-se tristezas que o homem do piano (inexistente) cantava; já fora assim antes, mostrou Degas, e nem o fumo as escondia.
Todos tinham o seu copo.Todos bebiam.

segunda-feira, novembro 24, 2003

59 (Depois da febre)

Tem-me custado, cada vez mais, a escrever. As ideias vão surgindo; os ímpetos são cada vez maiores patrocinados por temperaturas que o mercúrio habitualmente registou (na maior parte das vezes é o sangue diluído). Partindo de um abrigo faço de gritos monumentos. Acumulam-se ladainhas harmoniosas e aos poucos, por preguiça, vou esquecendo as linhas que apoiam o que agora crio. No final, só o fim resta: até a causa foi esquecida.
Pergunto-me porque assim estou e a única conclusão ( e sim só será esta) a que chego é que não sei o motivo. Estou apático. Tantas vezes ansiei por algo, por tudo, mas hoje já nem isso há e, sem ser isso, o que mais motiva? A culpa é minha: nunca soube jogar esse jogo não matemático e, por isso, complexo (talvez também por envolver 2 jogadores...) a que muitos desconhecedores de tudo são mestres. Se calhar até sou acusado de não respeitar os requisitos máximos. Só pode ser disso:

Quem mais escreveria uma merda destas?

58 (Acrobacias e Truques)

Disseram-me hoje algo que eu nunca deduziria: "é acrobata". Segundo reza a história um autêntico espectáculo, num terraço com vista para o Tejo, embasbacou os poucos que tiveram a sorte de o ver. A emoção, mesmo quando narrada, é intensa: tão poucos terão coragem para algo tão pequeno e grandioso (quanto mais aos olhos de outros).
Percorre-me uma mescla de inveja e incredulidade. Nunca diria.À minha miopia acrescento a minha inexistente capacidade de julgar carácteres

54

A minha loucura é mesurável em unidades de temperatura (ou será de concentração?).

quinta-feira, novembro 20, 2003

56 (Ícaro)

Ícaro,
Sou quase,não sendo,
Como tu!
Também vivi pouco;
Não tinha vista para o mar,
mas navegava entre as pedras com os olhos.
Cresci,
ele, mais velho, também lá estava
Mas nunca me deu as asas
que, com a idade, fiz.

Voei e voo,
E até hoje não houve
Uma última
vez.
Não sei porquê,
Fico sempre,
entre o céu e a terra.

quarta-feira, novembro 19, 2003

55

Eu, que sou estranho, estranho o que sinto.

domingo, novembro 16, 2003

53 (Ataraxia)

Aos poucos contaminou-me. Somava-me e reduzia-me. O que resultou é indiferente; antecedo de dois pontos e coloco entre aspas: " "

52 (Em Roma estrangeiro)

A festa era em Russo, as legendas em cirílico.

51

Nada dizias. Sem te preocupares as coisas passavam a teu lado; entre elas, estavam pessoas.

sábado, novembro 15, 2003

50 (Prática de História)

Falas.
Tuas mãos mexem connosco.
Reviras a história,
Desdobras,
o que é visto em volumes.

É de papel o caminho que percorro,
e sofro,
por não o saber!

quarta-feira, novembro 12, 2003

49

Foi em Mileto, usavas as vestes que melhor te ficavam. O Fórum estava cheio mas só de ti e do que te envolvia. Estavas verde, mas lembro-me em tons sépia.

terça-feira, novembro 11, 2003

48

Considero-me diferente não por uma questão de moda mas por causa dela.

É normal o vazio. É normal resumir tudo a três coisas que no fundo são o mesmo. Hedonistas, narcisistas (muito mais do que eu), vulgares, seriados, limitados, iludidos...rascas no fundo, compõe a realidade a que me deram sem o pedir.

domingo, novembro 09, 2003

47 (Aquela conversa que nunca nos interessou)

A sua cara só dizia: "qual é o direito da coisa?"

46

Jogava futebol, playstation, saía e falava de gajas. Não lia poesia, era feliz.

sábado, novembro 08, 2003

45 (Vaidade?)

Sempre gostei mais do meu reflexo.

sexta-feira, novembro 07, 2003

42 (Querido?!)

As minhas amigas dizem de uma forma querida que eu sou querido. Ignorante ou ingrato pergunto de que me serve.

44 (Aniversário)

No teu aniversário sou a vela que não se apaga.

43 (Sintra)

Ó Mónica, é que eu nem sequer sorria...

quinta-feira, novembro 06, 2003

41 (Dado auto-biográfico)

Sou estranho. A não compreensão dos meus actos e o seu requinte fazem com que me defina de uma forma resumida o adjectivo "importado".

40 (Sofia)

Uma especialista na matéria dizia: "há que se ter uma pontinha de maldade e crueldade; é mt mais interessante".
A ponta dela era um cume.

39 (Aula de cálculo, apontamentos de cera III)

Tu não és a realidade, só fazes parte dela.

38 (Aula de cálculo, apontamentos de cera II)

Só és máximo absoluto se a vizinhança te for estranha

37 (Aula de cálculo, apontamentos de cera I )

Não tens inversa; nunca foste injectiva.

quarta-feira, novembro 05, 2003

36

Disse-te que ficavas melhor. Soltaste-o, mas nunca para mim.

34 (Underground)

À força de um embôlo humano entrei nas suas veias. Fechou-se a ferida ao som de três pis, e passei a ser um-elemento não figurado de lx. Duas pessoas mais definidas, em termos genéticos, que eu falavam de amor, de ciúme, da maneira que deveriam agir perante quem queriam até do que Mercúrio deveria transmitir! Preocupações banais alimentaram o discurso que durou uma viagem que me fez pensar.

terça-feira, novembro 04, 2003

33 (Lógica da Surpresa)

Se deres muito nas vistas deixará de o ser.

33 (Adam)

Constantemente volto ao local que, por decisão minha, me é proibido. Crio leis a mim mesmo e não as cumpro. É ridículo, eu sei; mas a vontade suplanta o juízo. Deliro com aqueles instantes em que vejo o que não deveria:expando-me por dentro mas- questões formais- regulo-me.
O que seria de mim se não houvesse a maçã?

32

Passaste por mim no escuro. Vi-te, eras...Já nem sei. Mas uma parte de ti ficou.

31 (Será Fado)

Ouvia o que tu sentias. Nem ele que tocava se aproximava de ti...A qualquer palavra falta sempre a tua voz.

30 (Atrasado)

Hoje puderia ter tido tudo o que todos gostariam de ter mas, agarrado a convicções que ninguém conhece, disse que não. Fui estúpido, é a única conclusão a que chego.

quinta-feira, outubro 30, 2003

29 (Momento de Quirologia)

Abre a mão que não me deste; tu que não sabes tens lá tudo.

quarta-feira, outubro 29, 2003

28 (No Metro entre as 5 e as 6)

Quero ser a ceara protegida do vento. Para quê sentir? Mais vale pensar que o não faço, esquecer por quem sinto, e ser, enquanto assim faço, quase feliz.




27 (Módulo de Informática 2)

O que é a idade mais que um mero rótulo sem sentido? Chamaste-me puto, foi escusado. Tens mais rugas, mas o que me torna inferior? O que sou resulta não dos anos acumulados mas do que neles acumulei; e isso tu não vês...

terça-feira, outubro 28, 2003

26 (epitáfio)

Conheci-te. Obrigado por seres sincera.

Imagem - "Do que não sei ao que agora tenho"
.

segunda-feira, outubro 27, 2003

25 (obstáculo)

Quanto mais saltarmos, maiores serão as nossas pernas.

24 (Fim)

Um avião desapontado colidiu comigo. Em poucos segundos tudo ruiu.

domingo, outubro 26, 2003

23 (Precocemente)

Dei-te a entender cedo de mais. Era inevitável o que aconteceu. Depois de pagarmos, de nos despedirmos, deixámos o confessionário barulhento. Ficaste no meu espaço a ler aquilo que teu é; ouviste tudo o que até ti me leva. Incomodada quiseste partir.

22 (Despertar)

Acabei de acordar, acabei o sonho que queria. Por tão pouco tive o que nunca me vais dar, fui feliz.
O dia, desta vez não chuvoso, traz consigo a chuva que sobre nós não caiu.

21 (Resumo de uma noite)

Era bom de mais para ser verdade; até tinha deixado de chover. Depois de entrarmos perguntou o que já sabia. Fui sincero, disse que sim. Sinceramente disse que não. Mais uma que não quis nada; e assim se faz a regra...

sábado, outubro 25, 2003

20 (A Espera)

Chove. Dizem que ha cheias. Eu, indif'rente, só me preocupo com Mercúrio: ainda não voltou de tua casa.

quinta-feira, outubro 23, 2003

19 (Cálculo I-2)

Não sou majorado. �nfimos são mais que um. Se fosse lógico não exisitiria.


quarta-feira, outubro 22, 2003

18 (Tudo começa e acaba com Mozart)

"The good die young" escreveu Tupac Shakur.
Ele era enorme; morreu cedissímo. Ouviste a sua última sinfonia-prelúdio de um fim injusto. Sorriste, gostaste. Quantas mais há como tu? Júpiter? Nem marte está ao alcance do comum. Não o és. Sorrio; sorrio e choro por isso: sei que mais cedo ou mais tarde acabarei fixado em ti e que, como das outras vezes, não terei o que quero. Sofrerei, consciente, já longe de ti.
Imperceptíveis estas linhas tortas são o prelúdio do fim, não de mim, mas de tudo o que não existiria. (Nas seguintes, só vem o nada).

17 (Momento de lógica)

És demente, mais do que eu. Escrevo-te e em vão: nem o não é a resposta.

15 (Tu I)

As palavras
infinitas
Não chegam para te cobrir.
Tão laranja
Não te misturas
E és tu que seguras
O mundo que criei!

16 (Tu II)

Cerco-te.
Toco-te por vezes,
Mas uma palavra não chega.
Não percebes;
Indiferente
Não vês o que te rodeia!

terça-feira, outubro 21, 2003

14

É in gostar-se de alguém. Sou out, não gosto e ,se gosto, digo que não!
Nâo tenho amor próprio, como posso exigir que alguém me ame? Se me interesso, afasto-me. Custa, mas poupo na dor que, incerto, sei que terei.

13 (Cálculo I)

Sabe-se à partida que uma progressão geométrica cujo módulo da razão é menor que um é convergente ( tenderá p'ra um limite). A minha vida, tão abstracta, à medida que os dias se acumulam só se aproxima do vazio.

segunda-feira, outubro 20, 2003

12 (Receita de sonho)

Abraça-me e dá-me um dos meus beijos. Por instantes, far-me-ás feliz.

11 (Teórica de História)

Falas de máquinas, de revoluções, de um chinfrim monocórdico que só tu vives. Nós, embalados, nem com a força do vapor entramos no teu mundo. A história tem um peso que só a idade suporta.



10 (Uma tarde)


Numa altura em que não existia disse-o e não o repeti. Só ouvias a cidade, o resto, por mais sincero que fosse, era-te indiferente. .

9 (Introdução à Micro)

O imposto, segundo as ciências económicas, implica uma redução do desempenho. Se lhe dermos outro nome também se aplica à vida.

8 (Resumo de um fim-de-semana)

João Miguel Silva considera-se "ridí­culo" por "somar a não o nada". Eu faço as mesmas contas e ainda multiplico o vazio que, por ser absorvente, torna tudo mais fácil.

sexta-feira, outubro 17, 2003

7 (módulo das duas)

Falavas um inglês binário, ridículo apoiado em pixels anónimos. Eras minúsculo, nós tínhamos o mundo, mas o muro proibía-te a vida.

6 ("Revoluçao" por Ashton)

Falam de história;
Ouço música.
Não quero saber de estatísticas.
(Somos vítimas do conhecimento).
Tudo lento,
quase não passa...
Mil e uma sinfonias
ao compasso de um ponteiro.
E no salto derradeiro
Já ressaco de som

5

Parti. No caminho oxidável, o que ao ar deste estava em mim. Lembrei-me do que o Barros uma vez me disse. Sorri. Era verdade. "Há nadas que são tudo".

4

Sê minha Penélope. Espera-me na casa que um dia habitarei.

quinta-feira, outubro 16, 2003

3

Sem ti esta ilha de betão que agora habito era só mais uma qualquer. O monótono, o vácuo, todo o resto moderno diluiem-se num sorriso que ecoa "Júpiter" de quem Deus ama.

quarta-feira, outubro 15, 2003

2

Cheguei há pouco tempo; ainda me são vagos os corredores que te pertencem.
Vi-te no segundo dia. As verdes orelhas e a tinta diluiram-se no sorriso que, não sabendo, me deste. Chamaste-me p'lo nome que leste e eu fui. De perto, a tua cara já não me era nova. Falei-te mas a trela encurtou cedo.
Encontrámo-nos de novo. Só duas das vezes sabendo, o resto só por acaso. Numa das vezes falaste de Amadeus e fui eu quem sorriu, tendo, de fundo, o que ecoavas com o prazo de um dia.
Era "Júpiter" que ouvíamos: um fim que era um começo.

1

Quatro mulheres, tão diferentes, tão iguais, esperam por Ulisses que, não o sendo, é o mesmo.

0

Escrevo pouco. A vontade é muita, porém, tal como a Bernardo Soares, "o meu instinto de perfeição inibe-me". Às vezes escapo-lhe e, escrevendo só por escrever, acumulo linhas cujo conteúdo não me interessa por saber, à partida, que não tem interesse nenhum. Hoje é um desses dias; a vontade foi superior ao instinto e é aqui que o manifesto. Este blog não é mais que o resultado da minha "cobardia".

quinta-feira, janeiro 01, 1970

91 (Pós-exame)

Nunca me considerei um ponto de acumulação: só um delta muito grande faz com que a minha vizinhança não seja vazia.