Assim começo a preencher este moleskine em versão solo porque a outra não conta em termos de trabalho individual já que a sua letra aprimora também a página que, mais que esta, além de espessa é suja pela minha tão indecifrável letra ou, se quisermos, caligrafia.
Tivemos um muito bom final de semana e final de semana em si. Estivemos juntos como nunca antes estiveramos e senti ou imos como nunca o fizeramos. Deixemo-nos de merdas digo eu. Gostamos é muito um, sim um, do outro.
Era uma vez um menino tão lindo aos olhoes quem lindo o achava pelos motivosa que lindo o faziam. Havia quem disesse que era por A ou por B ou por voar em executiva ou até mesmo por ter algum pilim. Estavam errados e nem sequer iam à natureza da coisa pelo cansaço que exige ir para além do que a vista prende, de um horizonte ocidentalmente limitado por estruturas de betão feias e sombrias na consequência. Costumes tristes e frios.
Era uma vez uma menina tão linda aos olhos que quem linda a achava pelos motivos que linda a faziam. Havia quem dissesse que era por A ou por B ou por aparecer um ecrã ou noutro ou por ir a festas que muitos quereriam ir. Estavam errados e nem sequer iam à natureza da coisa pelo cansaço que exige viver a vida neste mundo ocidentalmente limitado pela ânsia pela merda que é Pilim e que embora verde como a árvore como ela não é: vale por sonhos não por natureza e é símbolo de tudo o que nos faz não ver e querer acreditar em fantasia. Costumes da maioria triste com algo de frio.
Estavam os dois num canto de um canto inclinado da cidade com inclinanços, uns mais fortes outros mais fracos mas sempre de ângulos diversos, que é Lisboa. Cada um estava entretido, mais ou menos não importa pois não sei avaliar tal coisa - de todos os artistas não me incluo no grupo que os críticos perfazem -, num conjunto de pessoas que só poderiam ser parte de uma rotina qualquer mais ou menos diária e por isso conhecida.
Por qualquer motivo, ao qual ainda sou alheio, fora clara a necessidade de aliviar a bexiga, passou por ela que tão linda era mas nunca lhe parecera, porque nunca a vira ele que tão lindo era mas que a ela nunca parecera porque ela nunca o vira.
Rufaram tambores num circo qualquer, num país qualquer. Chen, Cardinalli, Vitor Hugo ou Lizete. Alguém deu uma pirueta tripla quase mortal, um senhor apanhou uma trapezista largada a metros de distância do chão, uma mulher não beirã tinha uma barba tão forte que aguentava com 50 kg de uma coisa qualquer que 50 kg pesava. Ali não rufou nada mas quem viu conta que se passavam desempenhos de natureza totalmente circense:
"João Tobias 43 anos aluno do 2º ano do técnico, natural de Viana do Castelo, segundo ele diz mas na verdade de Anais, bebeu três copos de imperial do bicaense em 30 minutos. Aqui o que choca é o preço"
"Matilde Simões de qualquer coisa 17 anos de verdade 24 para os outros, depois de ir ajeitar o pensinho (ou de ir fazer outra coisa qualquer) com o namorado á casa de banho do funicular conseguiu andar com os saltos das suas botas Stilleto por entre o obstáculo que é o carril"
"Ludwig kettler, aluno erasmus, enroulou três charros à frente do grupo excursionista vai tu segundo ele, de facto fumou oregãos com tabaco e não estava habituado a nicotina"
"Dona Ermelinda a rosa para os amigos do bairro depois de ver a novela da TVI ainda bebeu um chá e falou com os gatos deitando-se quando a rua já estava vazia"
"Sr. Sidoro Brago escritor de textos oníricos ou somente chalados mesmo com um bigode farto aguentou a bebida na sua bexiguita e procurou um lugar para esvazia-la numa rua mais vazia que não tão perto ficava"
"Maria Nareió artista aclamada mas por gente de clubes restritos vendo um rapaz aflito, o ainda agora citado, o seu pescoço como nunca antes fizera rodou, rodou"
E aqui começa a dança que tocada poderia fugir por entre os dedos de um pianista mais virtuoso no absinto ou pelas palavras de um escritor no mesmo com a mesma ou ainda mais virtude. (Pede-se tolerância a excessos literários ou simplesmente onanistas).
Perdido naquele olhar e limitado por uma bexiga de volume perfeito Brago atira o seu português com a mestria técnica de um lançador de dardos:
"Linda senhora creio que nunca a vi por estras bandas, corrija-me se estiver errado, ou simplesmente responda-me a esta simples pergunta. Alguma vez tive a sorte de a ter conhecido?
Meia confusa por tal charme aplicado Maria Nareió e escudada pelo azul dos seus olhos e impulsionada por uma força nunca antes vista naquele corpo contra-atacou:
"Se me tivesse visto não me teria esquecido, não faria tal pergunta a não ser claro que seja um bocadito pândulas..."
TERROR! que ousadia, que classe que formação...só podia o jovem seguir em frente e não ao som de tambores que rufavam. Só se ouvia o mítico U án, án án án ánnnnnnn; aquele som que desde putos só os surdos não sabem que implica derrota ou a destruição de tudo...
Seguiu. Aliviou a bexiga, tentou de novo mas não conseguiu falar com ela depois de tão grande derrota.
eMe é eRre Dê Á.
MERDA!
Fugiu para o vício. (Ele) e sem saber seguiu-o o azar: não havia tabaco em lado algum. Foi beber ao mesmo tempo que ela e sem saberem e sem quererem foram ao mesmo sítio. Tentaram de novo, arrancaram bem até. Desde aí, desde aí...não parou.
Parou ou não? Parou? Não! Entã0?
"Conheço-a?"
"Creio que não".
